terça-feira, fevereiro 14, 2017

Sinto que tenho muito pouco espaço onde me mover, então, eu procuro cavucar esses lugares dos livros e das músicas. A gente vai ficando mais velho e o espaço vai aumentando, quer queiramos ou não, o espaço que fica para trás e por onde sabemos melhor nos mover, vai aumentando.
Outro dia, fiquei muito feliz por me lembrar de músicas que fiz com o Marcos Sacramento, quando éramos jovenzinhos. Lembrei-me de “Ela era uma bacana” e lembrei-me de “Bru”. Mas fiquei preocupado, porque não consegui me lembrar de músicas que fiz mais recentes. Hoje acordei com um trecho de uma delas na cabeça:
“Eu sou um cara que vive a pensar. Um cara que vive e o pensamento vai aparecendo e vai fazendo ele ficar pensando.” Mas só me lembrei disso. Vou me esforçar mais.
Ainda sob o efeito de ter lançado o Diário da Piscina em SP, tudo corre devagar.
Tenho prestado atenção às coisas.
Tenho muito pouco espaço onde me mover.
Publicar um livro novo ou ter um disco novo pra mostrar tem no cortejo os outros livros e músicas que fiz.
Estou com meu último quadro parado. Parei, depois de ter visto umas pinturas de santos mexicanos em que suas auréolas me intrigaram. Estou pronto para recomeçá-lo. Achei minhas auréolas.
No cortejo de publicar um novo livro, vêm os outros livros que fiz.
Foi assim que senti a força do meu último disco “Poema Maldito”.
Os outros discos vieram dar sustentação a sua fragilidade, sei lá, à beleza dele.
Meus outros livros dão sustentação ao Diário da Piscina, a sua leveza.

Tudo amor...

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Menos de uma hora para a virada do ano de 2016 para 2017, quando nos preparávamos para ver os fogos na Praia de Icaraí, entrou, vinda da direção em que fica a cidade do Rio de Janeiro, pela praia inteira, veio vindo uma grande placa de vento, um vento inteiro, que veio ocupando tudo, enchendo todos os buracos em sua plenitude de vento, cheio, tão cheio que eu mesmo não poderia existir ali fora e sem ele. Isso aconteceu ao mesmo tempo que sentia que era eu quem o insuflara a soprar daquele jeito, assim, tão total para mim. E minutos antes de quando vieram os fogos da virada, o ar se aquietou. Fiquei mais tranquilo. Meu coração pesou esquecido no meu corpo de homem enchedor de bola de vento.
E me lembro que quando vivia com mamãe aqui na comunidade-condomínio, eu tinha medo de quando chegasse o verão. Porque ela ficava mais claustrofóbica no calor. Batia uma agonia nela, assim, meio fora de hora e foram muitas as vezes em que tivemos de sair de casa para andar na beira da rua, de madrugada, os cachorros latindo...
Nessas duas noites que passaram, tenho me lembrado dela e também tenho me lembrado do vento que chegou na praia no finalzinho de 2016, o vento de que enchi a bola. Deixo as janelas do apezinho abertas e não tenho precisado ventilador. Ele fica até que eu durma mechendo em papéis, fazendo barulhinhos em torno a meu colchão, me esfriando mais os pés já frios...
Afinal, o que é o vento?

Tempo no momento em
Niterói – RJ
Segunda-feira, 13/02/2017

Sensação: 26°
Umidade: 74%
Pressão: 1014 hPa
Vento: 15 km/h



sábado, fevereiro 11, 2017

Cidadão Instigado - Escolher pra quê

Sempre fico indeciso na hora de ter as escolhas.
Fico achando que nunca tomei decisão, como se eu nunca tivesse mesmo tido opção a ter. Durante a vida que tive com mamãe, não pensei que houvesse dois caminhos, em que pudéssemos escolher o que mais tivesse em acordo com alguma paz. Eu achava que aquele caminho estreito, claustrofóbico, que a gente fazia, era, assim, um caminho obrigatório e tudo.
Outro dia, olhando esses lances espirituais de internet, para o que eu sempre me atraio ou para o que sou sempre atraído, vi que para a religião dos hindus, nada poderia ter acontecido de forma diferente do que aconteceu. E também para nós aqui, quando eu era pequeno, se dizia que tudo é mesmo assim, porque Deus quer.
No final das contas, embora fazer textos e escrever músicas pareça ter sido uma escolha entre muitas opções, fico caído outra vez na indecisão de saber sobre isso. Eu não consigo saber. Ninguém consegue saber o que aconteceu pra que a gente tenha tomado esse rumo que a gente tomou. Porque se pensamos ter algum controle do
que rola dentro e com a gente, não temos nenhum do que vai vindo chegando por fora e com o que a gente tem de lidar.
Eu tou dizendo isso, porque tenho me sentido absolutamente idiota, por não conseguir voar no pensamento. Tipo, eu não me distraio, não devaneio, não vagabundeio o pensamento pelos lugares onde eu passo e vou. Não tenho tido essa escolha.
É assim o que tenho pensado, sabe.
Mesmo quando eu acho no youtube o Cidadão Instigado e fico ouvindo, é assim.



quinta-feira, fevereiro 09, 2017

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Quando há pouco tempo, a empresa de ônibus do 30, que faz ponto final aqui perto do prediozinho, foi vendida, o serviço modificou muito, ficou pior, muitos detalhes que deixaram os passageiros reclamando nos pontos de ônibus e dentro deles também. Então, aos poucos a nova empresa, vai se acertando, eu ficava pensando comigo mesmo. Só que não. Porque agora também os trabalhadores dela estão reclamando junto aos passageiros. Ontem, na minha viagem de volta pra casa, os motoristas que voltavam da hora de almoço, entraram falando em organização, para reinvidicar as melhorias da antiga empresa e tudo. Um deles disse:
- Cadê o Sindicato, que anda sumido da garagem? Antes, eles estavam sempre aí...
Também sobre a desordem em Vitória, eu vinha pensando comigo mesmo: antigamente, a reação que havia à condução das ações do Estado, era uma reação meio intelectual, de classe média culta e tudo. E, agora, quem mais reage é o pessoal mais fodido. Aí, no ônibus, teve um cara que falou:
- São uns bandidos! Eles não pensam que os donos de super-mercado têm filhos pra criar, têm família e mulher pra alimentar, não!
Moral da estória: a gente vai pensando as coisas com nossos botões e o que se desabotoa, na real, é outra!


terça-feira, fevereiro 07, 2017

Faz pouco tempo, quando amanhece, mas o sol ainda não tendo subido o morro que desce para o nosso vale, um bando de maritacas têm vindo gritar nas árvores entorno ao prediozinho, especialmente na castanheira da frente, que é um pedaço de Marapé ou de Paquetá, aqui, em Niterói.
Um dia, me levantei para olhá-las voar e me surpreendi, porque elas são azuis sob as asas. E voam rápido, com força no corpo, gritando.
Se demoram pouco aqui. Quando o sol enfim sobe o morro e desponta sobre o vale, elas já foram de partida para outro lugar.

Um Diário da Piscina para Icaraí:


segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Luís Capucho/Cássia Eller - Maluca (Lucas Brenelli cover)

Já nem sei mais o que tem meu olho. Dessa vez a médica disse
que a toxoplasmose voltou. Eu que sempre sou mais abobado nem pra perguntar:
mas não era uveíte?
E voltei pra casa cheio de remédios e ela me disse que tenho
alguma “chance” de voltar enxergar como era depois da uveíte.
Aí, tinha um recado pra mim do Lucas Brenelli, um artista de
Campinas, dizendo ter feito um cover da Maluca, e que estaria garto se eu
compartilhasse a sua beleza.
Grato fico eu, Lucas!


Vejam: