sexta-feira, março 24, 2017

Não conhecia essa foto. O Diêgo Deleon me felicitou por meu aniversário com ela. Eu sou um bobo e choro à toa... isso foi no final da peça Cabeça de Porco, ano passado... e, agora, que já chorei, o Prática de Montação, eles, o Diêgo, arrasaram! A Cabeça de Porco que fizeram é a minha, com as atualizações que cada ator trouxe pra ela. A Cabeça de Porco de verdade foi demolida e agora é um estacionamento. A Cabeça de Porco do Prática... é a ocupação mais linda que eu já vi de um estacionamento,. he he he! ... que tenho na lembrança...

quinta-feira, março 23, 2017

Diário da Piscina, no loki bicho-SP - parte I - com Marcela Biasi e Juli...

Os dias passam correndo e dia 5 de maio vai ser um dia
especial pra mim.
É que minha obra literária será homenageada com a medalha
José Cândido de Carvalho, uma homenagem aos que contribuem para o
fortalecimento da cultura na cidade. Então, o vereador Leonardo Giordano
reinvidicou a homenagem e a Câmara Municipal aprovou.
No dia 5 de maio, irei recebê-la e aproveitaremos para fazer
um lançamento do Diário da Piscina aqui na cidade, no salão nobre da Câmara.
Outro dia, quando estive na prefeitura para combinar a
entrega com o vereador, Leonardo escreveu em seu perfil do facebook, explicando
o prêmio:

“Esteve hoje no gabinete, o cantor e compositor Luís Capucho, que recebeu da
Câmara Municipal, por iniciativa do nosso mandato, a Medalha Escritor José
Cândido de Carvalho, destinada a quem contribui para o engrandecimento e a
promoção da cultura em suas diversas frentes. A importância da vida literária
de Capucho é relevante na luta por identidade e direitos da população LGBT.
Tivemos a honra de receber seu novo livro, "Diário da piscina", e
aproveitamos para agendar a entrega da medalha, que acontece no dia 05 de maio.
Estão todas e todos convidados!”

Também reitero o convite e de novo minha alegria, porque os meninos
que tocaram comigo no lançamento de SP virão, o Tulio e o Vitor, porque
queremos, na oportunidade, apresentar algumas músicas a ver com o Diário e não.
A gente quer tocar em outros lugares, porque eles ficarão
aqui até o dia 14, então, quem tiver uma boca pra gente entrar é só dizer, que
a gente ta entrando.
Também quero agradecer aos amigos que estão me felicitando
pelo aniversário, é, os dias passam correndo...
A gente vai arrumando tudo pro dia 5 de maio e no decorrer,
vou contando aqui e nomeando as pessoas, que é uma coisa que eu também gosto de
fazer.


Vejam a gente no lançamento de SP:

terça-feira, março 21, 2017

Algo Assim - pecador confesso

Com os dias tendo se tornado mais frescos, faz duas ou três
noites que tenho dormido, de volta à minha cama, no meu quarto. Não que ter
dormido, nos dois últimos meses, em minha sala, tenha me feito sentir que durmo
fora de casa e que minha sala, cheia de minh’As Vizinhas de Trás, não seja
parte muito dentro do apezinho. Mas o que sinto, apaziguado, é que voltar a
dormir no quarto, traz uma ordem que parece tudo estar no lugar outra vez.


Fora isso, muito feliz com essa versão de Algo Assim
(Mathilda Kóvak/luís capucho) que o Pecador Confesso me mostrou, ontem:

quinta-feira, março 16, 2017

“Voz de voo rasteiro sobrevoa a floresta onde o tempo tem cabeças ou perninhas decepadas.” - foi essa frase que o Vítor escreveu num texto, quando me viu pela primeira vez numa apresentação de minhas músicas em Campinas, em 2014. Esse é um lance na minha música que os músicos gostam de implicar, porque acham que não quero dividir as músicas com eles, usando esse tempo sem padrão, em que a minha voz sobrevoa a floresta de tempo sem pernas nem cabeça.
Mas eu tava dizendo pra o Bruno Cosentino, no mesmo dia em que rolou o papo que falei aqui no Blog, aquele papo de os artistas se vislumbrarem por uma fresta e tal, eu falava com o Bruno, porque ele tava analisando o tempo da Jôsy (luís capucho/Douglas Oliveira) para passar para o Exército de Bebês e tudo.
Eu dizia pra o Bruno, que tem uma lógica no meu tempo. Tanto tem, que se você não analisar ela, você não vai perceber a falta de pé e cabeça. Se você não analisar a minha música, ela vai sobrevoar fluidamente a floresta e, sem análise, vai parecer que ela tem pé e cabeça. Por que ela tem, se liga.
Aí, os meninos do Exército de Bebês, quando estávamos fazendo o primeiro experimento de gravar a Jôsy no estúdio do Pedro Carneiro, eles viram isso. Teve uma hora que o Iuri, embatuscado no fluxo da Jôsy falou:
- Que música maluca, mas não parece!
Então, não é que eu queira fazer música sem fluxo, que ninguém entra no fluxo dela. Elas têm fluxo, sim. E a falta de perninhas e cabeças não é proposital, você sabe. É a música que vai pedindo, que vai fluindo nesse Encaixotando Helena.
O Naldo Miranda, que está comigo no “Antigo” desencaixotava Helena comigo de primeira. O Vitor também, faz isso. E o Tulio! Quando tocamos em SP, juntos, os três, na Para Pegar, desencaixotou um fluxo em sua viola caipira que parecia não ir cabendo na música, mas ao mesmo tempo estava cabendo nela.
E vai ser bom outra vez, porque estamos armando de tocar juntos no lançamento do Diário da Piscina aqui em Niterói, quando minha literatura, por iniciativa do vereador Leonardo Giordano, irá receber a medalha José Cândido de Carvalho, em maio!
Como tenho ouvido o pessoal dizer, agora: total!

Fora isso, o gatinho do Luiz Ribeiro com o diário:

terça-feira, março 14, 2017

Dois Diários da Piscina para Portugal, via Copacabana.
Além disso, recomecei minha As Vizinhas de Trás que estava abandonada em minha parede da sala há meses. Eu já disse aqui. E foi em setembro do ano passado, quando estivemos para o show do loki, em SP, um show anterior ao show de lançamento do Diário da Piscina, lá.
Pedro tinha me levado pra conhecer uma feira de coisas de arte antiga e não, em Pinheiros. Então, paramos numa barraca com muitas telas mexicanas de santos. Eu pensei: é uma auréola assim a que irei fazer para minha As Vizinhas de Trás. Só, que não peguei a imagem na cabeça, só a emoção.
Essa minha Vizinha parada na parede, é uma Vizinha sozinha, grande, numa tela retangular, alta. Não é as minh’As Vizinhas de Trás costumeiras, em que uma está ao lado da outra, numa tela horizontal e comprida, como o Thiago disse uma vez, travando conversa entre elas, mas cada uma na sua, cada qual no seu quadrado, cada qual na sua cor. Então, eu, que já recomecei com ela, estava vendo que uma auréola é um troço que concentra, é uma força concentrada que se estende para tods as direções, diferente das vizinhas cada qual isolada no seu quadrado. Mas, aí, vi que tava fazendo uma auréola de quadrados.

E não sei, se o resultado do que tenho querido fazer, vai, no fim, se parecer à auréola. Estou curioso para saber, finalmente, o que será...

sábado, março 11, 2017

Eu adoro esse lance de olhar pra trás.
Eu me lembro que, logo depois que saí do hospital com o que me disseram ser incoordenação motora, eu estava na sala e quando alguém falou alguma coisa na cozinha e me virei pra olhar, caí. Além da incoordenação, alguma coisa no cérebro descentrou o meu equilíbrio, porque o equilíbrio e a incoordenação são coisas que estão no inconsciente do cérebro... he he he.
Eu sabia da incoordenação, porque a médica disse, mas quanto ao equilíbrio, mesmo que eu caísse à toa e mesmo que eu tivesse demorado um pouco pra conseguir me equilibrar de pé, não me conscientizei de sua falta, sei lá, não pensei assim, estou sem equilíbrio. Eu pensava: tenho de voltar a andar, ta ligado?
Então, nessa tentativa de voltar a normalizar o meu andar, ficou um lance tenso, porque não podia olhar pra trás... é um andar meio robô, um lance lento e sem espontaneidade, assim, estátua viva. Por exemplo, quando eu tou aqui em casa e quero levar uma xícara de café no Pedro, eu vou igualzinho a um zumbi. Só ter a xícara, equilibrando o café nela, já desestabiliza todos os movimentos e vou entornando o café pelo caminho, mesmo todo concentrado para que não caia.
Agora, eu tenho dito para a Alessandra que vou entrar na piscina com espontaneidade e tenho treinado isso, entrar na piscina sem pensar ou sem a automatização que rolou de ter entrado na piscina por tantos anos tendo que pensar. Então, o lance agora é tirar do corpo esses automáticos que ficaram, porque acho que tou chegando num tempo em que não preciso mais dessas travas, tem que destravar... tem de levar o café no Pedro sem concentração, com naturalidade...
Vendo agora os registros do Diário da Piscina, vou vendo que entre as outras coisas, estão registradas lá as travas de corpo com que, num repente, fui tendo de lidar, e isso eu acho um pouco engraçado.
Nos anos iniciais de minha recuperação, eu sentia que a cada dia eu ganhava  uma melhora. Depois comecei a sentir que as melhoras vinham mais espaçadas e, hoje, ainda de quando em quando e mais demorado, me dou conta de que avancei numa e noutra coisa. E, agora, andando na rua, eu começo a conseguir olhar pra trás, enquanto ando, que é uma coisa que eu curto demais fazer. Porque, logo que eu fiquei um cara adulto, me incomodei demais com esse lance de só poder focar os olhos numa única direção. Eu queria que meu cérebro inteiro olhasse e não que vazasse a visão apenas para frente, nos olhos. E isso me deixou bastante nervoso. Eu sou meio louco, sim, mas normal...rs.
Outro dia, a gente tava vendo um filme em que o cara não poderia olhar pra trás, na sua travessia do mundo dos mortos para o mundo dos vivos. Aí, eu acho que esse lance de olhar pra trás tem uns sentidos que a gente fica afim de procurar, pra entender melhor as coisas e tudo.
Faz um tempinho, quando Rubia me visitou, numa conversa, eu disse que tinha olhado uns vídeos meus no youtube e tal e fiquei falando disso. E ela fez uma expressão muito séria e surpresa e falou:
- Que legal, luís, que você se vê! – e eu gostei muito dela ter me falado isso com seriedade e num momento assim afirmativo, de confirmação, porque a gente é sempre grilado com isso de ficar olhando para o que já foi, e, como eu disse, adoro olhar pra trás.
E tenho pensado nisso de estar conquistando de volta os meus movimentos e sinto que vai rolando dois contrários: um que vou ganhando os que perdi e outro que vou perdendo, por que vou ficando mais velho e já não quero mesmo que meu cérebro vase para todas as direções. Não quero mesmo ser um Buda... he he he!
Caramba! Muita coisa! Mas estou dizendo isso porque pedi ao Bruno um áudio do projeto Escuta para transcrever. E isso é um olhar pra trás, que tou adorando.
Fora isso, um Diário da Piscina para Icaraí!



quinta-feira, março 09, 2017

3 Deixa

Quando o Rogério Skylab disse no facebook dele que estava em
amor com a minha “Eu quero ser sua mãe”, do disco Cinema Íris, alguns dos fãs
de seu rock e poesia cavaram músicas minhas na internet, foram em meus shows,
gostaram do que ando fazendo, falaram comigo e tudo. Depois, o Rogério me
chamou pra participar do seu disco “Desterro e Carnaval” e cantei com ele a
música “Deixa”, que é uma música que em duas estrofes e um refrão de poesia,
pede calma, entre o foda-se e o vai no fluxo, que ta tudo certo.
Então, é bonito isso, de outros artistas nos verem e parar
pra olhar. E, aí, eu paro junto, fico olhando, no vislumbre da fresta que abre,
de um artista ver o outro e acho que sou um cara meio bobo, porque ao invés de
continuar fazendo as minhas coisas aqui no apezinho, enlevado de descoberta, eu
paro e fico olhando...
Como com o Rogério, há outras paradas de reconhecimento com
outros artistas em que a gente vai se entrocando e se bifurcando, porque tudo a
mesma árvore, a mesma esfinge, a mesma árvore com olhos, que parada, fica
olhando...
Eu tou dizendo isso por dois motivos entroncados, dois
motivos de árvore: que no disco que estamos aprontando, o Crocodilo, há esse
entroncamento de artistas pra que eu fique olhando, porque cada uma das faixas,
ficou na responsabilidade de um deles ( Claudia Castelo Branco, Marcos
Campello, Pedro Carneiro, Bruno cosentino, Gustavo Galo, Lucas de Paiva,
Everaldo).
A outra coisa que se entroncada é que a Jôsy, música do
Crocodilo que Bruno Cosentino arranjou com o Exécito de Bebês e que gravaremos
hoje no estúdio do Pedro Carneiro, também é a Jôsy, de Alagoas, que veio falar
comigo, depois de o Rogerio disse sobre “Eu quero ser sua mãe”.
Ela veio no in box dizer de sua admiração pelo Cinema Íris e
nossa conversa entrou por seu namorado que fez essa poesia pra ela e que
musiquei:

       Jôsy
(luis capucho/ Douglas Oliveira)


Deixe-me jogar teu jogo
Deixe-me amar tua alma
Andarilhos pelas ruas imundas e
com cheiro de vômito
Seu corpo boca nuca ventre alma
Eu preciso, necessidade vital de
um espírito vulgar
Espírito vulgar
Espírito vulgar
Gosto do goso, do pelo no pelo,
no malabarismo erótico
Fim de noite é o fim, eu vejo a
noite em seus olhos cansados
Rezo vinte paraísos me vem aos
olhos, inferno pessoal é saudade
Tristeza nos versos tristes do
Pessoa lembram-me a ti
Sensualismo na pela negra cor do
cacau
Do gosto do caju, tua boca
Ode aos seus olhos castanhos e a
seu cabelo encaracolado
      Da mistura
regionalista com o pop
Da leveza do coco de roda às
nauseas do noise

Da primeira grandeza, estranho
divertido amor
Deixa eu abraçar seu corpo num
fim de tarde
Olharemos a chuva o cachorro late
ciumes
Momentos felizes o ceu ta laranja
agradável nostalgico.
Obs: essa poesia é parte do primeiro livro de poemas do
Douglas “Noise, prosas de alegria e tristeza” e está sob o título de “Acalando
ao amor”.