sexta-feira, junho 29, 2018

Hoje a gente vai apresentar as músicas na décima segunda edição do Poetas de dois mundos, na Travessa de Botafogo. Serão os lançamentos dos livros da editora Azougue:

ANNITA POR NÓS e  QUE PORRA É ESSA, POESIA?, do Alberto Pucheu.

. SUBLIME E VIOLÊNCIA, do Eduardo Guerreiro B. Losso.

. VOO, livro de estréia da Ana Paula Simonaci, parceria entre as editoras Azougue e Circuito.

Aí, vai ter a leitura dos poemas e, depois, eu, Felipe Abou e Lucas Parente, iremos mostrar as músicas. Para essa ocasião, ainda estou usufruindo, para a cmisa de fazer shows, da fartura de coisinhas nas duas formas de gelo de Dona Lidia!
Venham todos, é de grátis!


quarta-feira, junho 27, 2018

 Ontem, tive uma surpresa muito grande. O Gabriel mandou uma notificação sobre uma exposição na Unirio “Arquivos em Trânsito” e, aí, quando fui olhar a descrição, tinha tudo a ver com umas coisas que Sheyla tem falado e chamei ela pra ir ver. O Gabriel é um dos expositores, com um aquário chamado Inscrições e onde estão seus livros. A exposição, com outras performance além da do Gabriel, vai até quarta que vem - https://www.facebook.com/events/215265079303264/

Pedi pra Sheyla que me situasse no aquário dele e ela tirou as fotos pra mim.
Vejam:



terça-feira, junho 26, 2018


Quando eu descia o morro de Santa Teresa, ontem, eu não vi que tinha uma luz parada no céu, um pouco longe. Então, vinha uma mulher subindo e quando iria passar por mim parou e disse:
- Vai ter tiroteio na comunidade – e me mostrou a luz no céu – estão filmando. Da outra vez, foi a mesma coisa. A luz apareceu e nos dias seguintes foi uma debandada de tiros pra tudo que é lado.
Aí, continuei a descida desconfiado de todos que subiam o morro e tal.
Depois, fui me habituando às pessoas vindo na minha direção. A mulher tinha falado da possibilidade do tiroteio na maior calma, apaziguada com a guerra.
Quando entrei no ônibus para Nikity City, também já tava em paz com todo mundo sentado e todo mundo em pé.
Fora isso, muito contentes ( eu, Felipe Abou e Lucas Parente) de mostrar um pouco das músicas aqui:

29 | junho | Sexta-feira | 18:00
Botafogo Rua Voluntários da Patria, 97 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ, 22270-000
 
Poetas de Dois Mundos #12


Autor: ALBERTO PUCHEU | EDUARDO GUERREIRO B. LOSSO | ANA PAULA SIMONACI


A décima segunda edição do Poetas de Dois Mundos reunirá lançamentos de Alberto Pucheu, Eduardo Guerreiro B. Losso e Ana Paula Simonaci às 18h, e sua tradicional leitura de poesia às 20h com Alberto Pucheu, Ana Paula Simonaci, Annita Costa Malufe, Danielle Magalhães e Kátia Maciel. | Para esta edição, teremos a presença de Luís Capucho que fechará a noite com um pocket show.

Com a presença de:

ALBERTO PUCHEU
DANIELLE MAGALHÃES
EDUARDO GUERREIRO B. LOSSO
ANNITA COSTA MALUFE
ANA PAULA SIMONACI
KÁTIA MACIEL
LUÍS CAPUCHO

sábado, junho 23, 2018


Então, para mim, agora é soltar a cabeça puxada para a corcova no início do pescoço, atrás. Se eu consigo isso, o peito estufa um pouco, os braços ficam mais inteiros nos ombros, que também se soltam mais, e começo a respirar melhor.
Eu sei que a serpente de minha coluna, por onde passam meus venenos e onde tenho o meu centro, no umbigo, com ela me enlaçando por trás, deve contorcer-se e vibrar e ter força, mas isso não deve prender minha cabeça. Minha cabeça deve ser solta, livre.
Também, essa serpente, caso se enrole e, caso, se desenrole, deve manter sua conexão com o modo como tenho de me colocar de pé, no chão, e também com o modo como tenho de caminhar e, aí, eu não sinta nenhuma dor ou cansaço, e consiga me locomover, com minha cabeça equilibrada no alto, para onde e com que velocidade eu decida ir.
Desse jeito, conduzindo-se para a direção do nada infinito, o meu corpo deve se fazer ausente, invisível, indolor e devo caminhar ou correr do ponto do ônibus à piscina, como o revés de uma mula sem cabeça, como uma cabeça de Medusa, com mil outras cabeças, muitas cabeças como cabelos cabeças, entrando, multiplicadamente, e multiplicadamente e multiplicadamente para sempre para dentro dos cabelos cabelos cabelos cabelos, como na canção Castelo, que Kali C. musicou pra mim.
E que o Rafael filmou.
Ou, então, sem corpo nem cabeça.
Apenas a serpente da coluna.

A música do sábado, no Escritório.

A Música do Sábado
(Kali C/luís capucho) do meu Cinema Íris, gerou depois Mais uma Canção do Sábado (luís capucho/Alexandre Magno) que tá no
Poema Maldito. 
Quinta feira que passou, no Escritório, o celular do Pedro
picotou a imagem, e a partir disso, o audio dessincronizou-se dela, da imagem.
Também, quando comecei a tocá-la, vi que tinha entrado numa levada que era a
levada do clima que tinha se criado ali na hora, comigo, Lucas e Felipe. E
fiquei na dúvida se iria dar certo, porque a música nunca antes tinha me levado
assim.


Deu certo, eu achei:

sexta-feira, junho 22, 2018

quinta-feira, junho 21, 2018

Luís Capucho Formigueiro - Ensaio

Ontem, Rafael me deu os vídeos
que ele fez pra mim, colocou no meu canal do youtube. E, ontem, mesmo,
estivemos conversando rapidamente sobre a correspondência que pode haver, no
final, entre mim e a imagem que ele cria a partir de minha música, nos seus vídeos.
E, aí, no bojo disso, falamos a mesma coisa do perfil que vai sendo bolado,
embolado, no filme que ele ta fazendo pra mim e pra ele. E pra todo mundo que
quiser ver.
No meu canal também tem as
gravações que Pedro faz em seu celular e ele tem muita prática nisso, pois faz
os seus vídeos desde que nos conhecemos, há dez anos atrás.
O pessoal diz que com a internet,
ficou muito fácil de um artista se fazer ver, mas eu penso que deva haver muito
mais que isso. Porque a internet é o sedimento de um final de estratégia. É o
mar onde, depois de maceradas, as coisas bóiam aleatórias, se você não investe
pra se colocar nos sites que bombam. Daí, que tenho vídeos com menos de 100
visualizações e que estão há anos boiando lá no youtube.
Como dizem... enfim.


Eu adoro esse:
EStamos eu, Pedro, Rafael e Felipe Catro.

quarta-feira, junho 20, 2018


Também tenho me ligado que preciso soltar minha cabeça de meu tronco, libertando-a para cima, enlaçada que ela está ou que ficou, por uma contorção da serpente de minha coluna na altura das omoplatas. Tenho imaginado que isso vá reorganizar o fluxo de energia que circula dentro de meu sangue, no coração e na minha cabeça, além de libertar-se, junto a ela, os meus braços, tensionados nos ombros.
Além disso, ontem, atrasado, tentei correr do ponto do ônibus à piscina e minhas pernas não funcionam de modo normal. Principalmente, a panturrilha direita dói demais e pareço não ter comando dos movimentos para além de um trote lento e lerdo de pessoa velha.
É uma coisa louca, porque correr será uma conquista de algo que eu perdi com as sequelas de meu coma. Então, tem esse desafio pra mim. O de recuperar um lance que eu tinha. Só não contava com esse entrave.
De qualquer modo, comecei.

terça-feira, junho 19, 2018


A dor que tenho tido no osso da ilharga direita, atrás, e que eu suponho ter a ver com, por muitos anos, ter me apoiado com mais força e jeito nos meus movimentos desse meu lado do corpo, à falta de como agendar um especialista no assunto, tem me feito supor um monte.
Quando fizemos aquele alongamento com a Kelly, que substituiu o Fábio por uma semana, me dei conta mais fortemente, de que há um circuito no meu corpo de que eu posso me conscientizar mais com os exercíos de contorcer-me na coluna, nos braços buscando cada vez mais na frente, no alto, nos lados, atrás. E pensei que se conseguisse deixar esse caminho de energia dentro de mim fluindo sem empecilho, que eu não teria a dor na lombar, o formigamento, que às vezes, se estende pela perna, quando estou sentado, e que, quando ando, cansa demais, doendo muito a barriga de minha perna direita.
Também já pensei se todas essas dores que ficam passeando de um lugar para outro de meu lado direito, não tenham a ver com a recidiva da inflamação no olho esquerdo, tipo, tenha dado um curto-circuito. E, aí, preciso de um tempo para rearranjar a drenagem desses fluxos, impedidos na visão esquerda, e, assim, tudo voltar a fluir sem mais remanso de dor em qualquer outra parte de mim mesmo.
Tudo o que eu tou querendo dizer, no fim, quer dizer um monte de outras coisas que vão brotando aqui desse post de Blog Azul. E também porque eu tou numa idade em que já estraguei muita coisa de que na juventude ficava me gabando, mas que agora é a vez de prudência e construção de força, que também são coisas ótimas!

segunda-feira, junho 18, 2018

Cavalos - luís capucho

Subindo a montanha de remédios já engordei quatro quilos. Eu fiz algumas apresentações, durante os tratamentos passados e, apareço no celular do Pedro, bem gordo. Fui ver o vídeo em que apareço no meu primeiro tratamento de uveíte, que foi em 2015. Minha Camisa de Fazer Shows está bem no início. Está apenas com o breve de Mamãe, a patente do Prince, que Ruth me deu, e uma conta de lágrimas costurada no ombro direito.
Ganhei de Dona Lidia, duas formas de gelo, com apetrechozinhos de fazer bijuterias. Para o próximo show, na
quinta, farei uma sessão delas, em torno ao breve de mamãe. Vai ficar bonito.
Na quinta-feira, eu e o Lucas Parente, no baixo, apresentaremos algumas de minhas músicas no Escritório, às 22h.
E o Bruno Cosentino irá cantar alguma comigo.
Será também a apresentação do Paulinho Tó, vocês sabem.
E, no dia seguinte, eles apresentarão seus discos no Audio Rebel.
Vejam nos comentários, o formigão:


domingo, junho 17, 2018


Ontem, estive para tocar as músicas na ocupação convocada para a Cinelândia, mas o dia fechado, escuro de chuva, e a ausência de uma estrutura minha, de apoio pro som – e é por isso que tenho apresentado as músicas sem amplificação, nas salas dos amigos – fez com que não acontecesse isso. Eu até queria tocar assim mesmo, sem amplificar e tudo, porque a Cinelândia tem um vento, tem uma luz, tem um lance que reverbera pela praça que é o mesmo de uma praia, quer dizer, acho que é a minha praia e, aí, eu até disse pro Felipe Abou, que poderíamos nos proteger na marquise diante do cadáver do Orly e mostrar as músicas, com meu violão e voz amplificado numa caixa dessas sem fio que Pedro tem, e a sua bateria-mirim.
Depois, pensando comigo, achei que entrar outra vez nessa egrégora, fonte no cadáver, não fosse bom, sei lá, já é outra coisa onde estou, mas, ainda abri a janela e olhei pro céu da Cinelândia, aqui do apezinho. Poderíamos ocupar a marquize da igreja evangélica, na praça, embora ainda essa não seja a egrégora onde estou.
Ao menos, estarímos dentro da praça e protegidos da chuva.
Só que tava ficando cada vez mais carregado, e não fomos.
Hoje, o dia melhor, talvez, consigamos.
Independente, assim, venham!


sexta-feira, junho 15, 2018

O Rodrigo Menezes foi quem fazia as fotos dos atores na Cabeça de Porco, a peça do Prática de Montação. Quando suas fotos começaram a aparecer pra mim aqui, na internet, descoladas da Cabeça, sem membros e sem rabos que houvesse, só o tronco delas, belo e potente, cheios do viço dos rapazes e moças em posição de fúria, seja a tristeza que fosse, eu pensei, caramba, a peça dos meninos ainda tem esse halo, que coisa, que maravilha, que o lodo reverbere assim.
E no último De Casa em Casa, com leituras do Diário da Piscina, na Casa Sapucaia, ele tirou essa foto da Camisa de Fazer Show. Eu pedi e ele me deu. É desse jeito que eu vou me blindando, na cidade em guerra. Na Casa Sapucaia, quando entrava pelo portão, tinha um pedacinho cintilante de plástico azul, no meio das pedras do chão. Vou achar um lugar pra ele, nela, para mostrar músicas na Cinelândia, sábado.

quinta-feira, junho 14, 2018

Faz um tempo, acho que em 2016, quando eu apresentava as minhas músicas no Bar Semente, numa noite, em que me apresentei sozinho, voz e violão, porque era uma época de ocupações coletivas, em que o pessoal se juntava em torno de alguma causa pública e ocupava um lugar, fiz uma apresentação lá que eu chamei de Ocupa Capucho. Era um lance singelo, no Semente, vazio para os meus shows. E a impressão que eu tive da ocupação que fiz de mim mesmo, nem conta muito, porque o som de lá era muito bom e mesmo que eu pudesse pensar que não estivesse cheio, pleno de mim, assim, mandando super bem e, que eu não fosse um tipo fullgás, apenas pelo fato de eu estar no meu violão, isso era o que bastava, porque no que eu pensava, era na ocupação dessa posição, assim, um processo de ocupação amplificado pela técnica, fora de minha sala, se liga.
E eu tou ligado nesses levantes que precisam haver para a tentativa, com técnica ou sem técnica, de organizar a vida de um outro jeito, em que a gente possa confiar mais em nós mesmos, nas outras pessoas, e ter uma cidade menos maluca do que o jeito como ela ficou. E sábado, agora, eu Felipe Aboue Lucas Parente, vamos participar do Ocupa Cinelândia, que é um lugar caro pra mim. E vou aproveitar pra dar o meu viva à irresistência do Cinema Orly, que cadáver, ainda respira no seu subsolo.
Vejam a programação! Vamos todos! É amor!
No dia 21 de junho, o Paulinho Tó fará o Escuta: um programa de entrevista com audição de seu disco, e isso vai acontecer no Núcleo Canção da UFRJ. Depois, mas no mesmo dia, às 22 horas, vou estar com Bruno Cosentino e Lucas Parente no Escritório, onde nos juntaremos ao Paulinho para, cada um de nós, apresentar algumas de nossas músicas.
Tenho tido o privilégio de fazer as transcrições de boa parte dos Escutas, inclusive, o meu próprio, que fui quem estreou a ideia, com audição do meu Poema Maldito. E pra quem quiser ouvir , ta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_mf1plY6_zg
Aprendo demais fazendo as transcrições. Vou me situando, me colocando no meu lugar. Quer dizer, eu curto demais transcrever os áudios.

quarta-feira, junho 13, 2018


Quando nascem, minhas melodias são improvisos, que eu aprisiono nos acordes fixos do violão. Depois de um tempo, deixam de ser os bebês de moleiras frágeis e ficam fortalecidas na forma que eu dei. Isso vai se relacionando com muita coisa, porque a melodia fixa, de moleira dura de bebê, ao ser executada, vai se insinuando nas brexas do tempo, do dia, da minha pessoa, e fixa assim, parada, vai fazendo parte de um outro improviso que não é mais o seu.
Daí que mesmo parada e presa, ela se renova a cada execução. E, como eu disse, isso se relaciona a muitas coisas. Uma coisa relacionada a isso, que eu me lembre agora, é a máscara que vai se criando no rosto da gente, uma crosta na nossa cara e que vai nos dando a forma de uma mulher ou de um homem ou de uma bicha ou de sapatão. Também a crosta que se forma na cara das professoras e professores. E que os egípcios colocaram em suas tumbas, muito parecidas com a Lygia Fagundes Telles, muito principalmente, se ela fumasse um cigarrinho de palha.
Fora isso, aprendi a fazer biomassa de banana verde, pra renovar meus intestinos, que os antibióticos estão ferrando.

terça-feira, junho 12, 2018

AUDIOLIVRO - O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS

Tem esse audio do Livro Tibetano
dos Mortos, no youtube.
Tenho me sentido uma serpente
produtora de sonhos, eu sou um nascedouro deles, junto com os meus respiros e
de onde nascem não consigo situar ao certo, se vêm de meu baço, se do fígado,
rim.
O fato é que sinto, enquanto se
contorcem ao nascer, irem criando nós de tensão na serpente de minha coluna e,
aí, quando me sento nas cadeiras, nessa cadeira de vinil negra em que me sento
diante do computer, por exemplo, não estou bem. Logo começa uma dor de não
conseguir ficar na posição, sem ela.
Então, coloquei esse áudio do
Livro Tibetano dos Mortos e fui seguindo, concentrado em cada sonho de cada
bardo, fui vendo que consegui me sentar sem a dor, por um bom tempo. Isso
aconteceu comigo, de relaxar a coluna e não produzir os sonhos, da vez em que
fui tomar Ayuasca com o Rafael Saar.
Porque o que eu preciso é soltar
a minha coluna, libertar os meus sonhos, não tê-los para sempre nascendo,
brotando, entre minhas vértebras, vindos, não sei, se do baço, fígado, rim.
Também, quando fiz o alongamento
da Kelly, foram movimentos tão serpenteados, umas serpentes entrando pelas
outras, elas se soltando para a frente até onde não podiam mais, enrolando-se
umas dentro das outras, que eu pensei que os circuitos de meu corpo,
envelhecendo e estragando, estavam com aquelas voltas e estiramentos todos, se
refazendo. E que isso iria ser bom pro meu olho esquerdo de Édipo. E que aquele
dito de mamãe “olho furado não tem cura” não iria valer pra mim.


E tem mais coisas, que a repetição
do audio vai dizendo. Também encontrei um texto legível dele, na internet.

domingo, junho 10, 2018

Dia 21 de junho, às 22h, estaremos apresentando essas músicas que temos apresentado nas salas dos amigos, no Escritório. O Bruno Cosentino vai participar cantando música minha e vai ter show do Paulinho Tó, um belo compositor de São Paulo.
Estaremos eu, Felipe Abou, na bateria e Lucas Parente, no baixo. Todos ensaiadíssimos!
Tem vezes que fico amendrotado e erro um pouco sem ninguém saber. E tem vezes que vou por cima acertando tudo.
Venham todos!



quinta-feira, junho 07, 2018


A médica disse que não pode garantir que eu não vá perder a vista esquerda. Mas que eu conte com ela. Então, isso é cheio de melancolia, porque é como se eu tivesse vivendo as últimas vezes de meu olhar que vai acabando devagar, pra ser o pesadelo de uma visão monocular. Tem também o que sempre acontece de o médico errar, ela mesmo disse que “não poderia garantir, porque ela não era deus.”
Eu sempre fico prestando atenção nos movimentos de meu entorno, se há sincronia de meu fluxo interno, do meu sangue, do ritmo de minha respiração, das coisas que sinto e que me acontecem, com os movimentos do dia, por exemplo, se a chuva que cai no meu vale, também não é parte desse meu sentimento e se ela também não traz alivio pra mim, como quando choro.
E aconteceu de outra vez os cachorros de meu quarteirão começarem a uivar muito dolorosamente. Eu não quero ficar prestando atenção nessas sincronias, nessas relações, porque desde adolescente, desenvolvo esses traços paranóides, deixando que as coisas entrem mais em mim e me confundam e me tomem o lugar, ao invés de eu fazer e pensar livre.
Fora isso, estou diante da montanha de remédios. Preciso atravessá-la, subir e descer. Terei terminado todo o subir e descer, dia 18 de julho.
Chegou a hora dos uivos.
Começou.

quarta-feira, junho 06, 2018

Eu gostei demais e me sinto mais completo com a primeira vez em que juntamos os livros com minha música, tresantontem, na Casa Sapucaia. Na verdade, esse movimento, na prática mesmo, começou, quando o Edil levou minhas cartas pra ler no De Casa em Casa no Marcio. Depois, repetiu suas leituras no De Casa em Casa do Eduardo Nahum e do Bruno Cosentino. Antes disso, sem que acontecesse ainda, nós já tínhamos começado a pensar, eu, Paulo, Diêgo, Rafael, Vitor, Pedro e também o João de BH,  nesse entreçace de minhas músicas com os livros. Fizemos uns primeiros encontros, no ano passado, com leituras do Diário da Piscina. Mas os acontecimentos todos que vieram se sucedendo para cada um de nós, na verdade, tudo mesmo, foi esparsando a ideia e pudemos voltar com ela, quando o Felipe Abou falou da Casa Sapucaia, onde havia uma piscina, e, aí, o sentido se fez outra vez. Mas, aí, choveu pra caramba naquela noite, e fizemos na sala, como têm sido mesmo os De Casa Em Casa.
E agradeço demais a esses rapazes, amigos, cambada, pela alegria!
Fiz um print do video que Pedro fez no celular:

terça-feira, junho 05, 2018

Mais uma canção do sábado - luís capucho

Eu adoro a Mais Uma Canção do Sábado, música do CD Poema
Maldito e que fiz sobre o poema do Alexandre Magno, que por sua vez, construiu
seu poema a partir d’A Música do Sábado(Kali C/luís capucho), que está no CD
Cinema Íris.
Aqui, estamos tocando, eu e Felipe Abou, na sua bateria de
rapazinho, dentro do projeto De Casa em Casa, ante-ontem, na Casa Sapucaia, em
Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Pedro filmou.


A verdade é uma criança brincando:
Na madrugada, fiquei tentando me lembrar da palavra que ficamos buscando, eu e Pedro, enquanto esperávamos o meu atendimento para o exame fundo de olho, que tive de fazer, ontem. Passei um grande tempo, que na madrugada, nunca se sabe quanto, apenas grande, e no fim, antes que o dia clareasse, lembrei: ladainha.
E fiquei pensando, no ES, o quanto a minha infância tinha sido religiosa, o Espírito Santo rural, na minha infância, é religioso demais, e conheço o sentido religioso de ladainha desde pequeno. Pedro, que é da cidade de São Paulo, conheceu primeiro o sentido da ladainha que faço aqui no Blog Azul, todos os dias.
Ficamos buscando ladainha, porque preciso sagrar “As Vizinhas de Trás – Santa Moema”, que voltarei a pintar, depois de um tempo parado. E tinha parado, porque estava achando sem graça, feia, e santa precisa ter graça. Minha ideia, depois de pronta, é sagrá-la, ou consagrá-la, com os meninos e meninas da Cabeça de Porco, que a inventaram. Pensei que, se os meninas-os aceitarem, a sagração dela, poderia ser a intervenção de cada um deles, nela.
Embaixo, a Moema, de Victor Meirelles:

segunda-feira, junho 04, 2018


Novamente, olhando para a montanha de remédios.
Olhando da montanha de remédios, consegui organizar tudo para que, às 21 horas, seja o último horário deles, hoje.
A médica me explicou, olhando sério e firme pra dentro de mim. E ficando do lado de fora, me disse que é nóis, que tamo junto! Eu sei como é isso, eu sempre entendi sobre isso, que no final das contas, sou eu olhando para a montanha, olhando da montanha.
Às 21 horas, terei uma trégua. Amanhã, recomeço a subida: o estômago, os rins, o fígado, os intestinos. Os exercícios físicos para amenizar o bombardeio. Melhor conquistar força, do que ser forte apenas. O estômago, o fígado, os rins, o fígado, como vacas assassinadas para que eu jante. Tenho essa montanha: um bando de gente, eu, rapazes e moças, produzindo, cheios de fissura, textos que não se completam.

sexta-feira, junho 01, 2018

drama


Comecei a anotar as datas nos cabeçalhos de meu cadernos, em março de 1969, quando entrei para a escola primária. Hoje, estou em 2018 e são 1º de junho. Faz 49 anos que anoto essas datas, dia a dia, com interrupções entre alguns deles, mas a continuidade de minhas anotações, são espaços maiores que o espaço de ausência delas.
Consegui agendar uma consulta no oftalmologista para o dia 15, e não tenho ideia de que, se espero tantos dias para medicar minha uveíte no olho esquerdo, eu vá comprometer, para sempre mais, a diminuição dessa minha vista ou, sei lá, se ficarei cego dela.
Há muitas situações diante das quais a gente fica se sentindo impotente. Ontem, eu estava com a ideia de que não há realmente nada que a gente possa fazer. Estava com a ideia de que as coisas são o que elas são e pronto. E estava com a ideia de que não há nada mais revolucionário que deixar as coisas como elas estão. Que aí, elas vão se enovelando no fluxo do movimento da vida, dos dias e das noites e, por elas mesmas, vão se arranjando umas com as outras, sendo o que são e o que têm de ser.