sexta-feira, agosto 17, 2018


Amanhã, a gente vai apresentar o Ave Nada (Diário da Piscina), em Laranjeiras. Não sei bem como apresentar em palavras de divulgação o que nós com o Prática de Montação estamos construindo a cada ensaio ou a cada vez que tocamos à vera, porque no fim, é um trabalho de conjunto da gente.
Mas de meu ponto de vista, do ponto de vista de quem, lá atrás, inventou as coisas que juntos estamos reorganizando em música e teatro para a sala da Claudia, do ponto de vista daqueles que não sabem o que fazem e, daí, apesar da ordem, é meio o imprevisto, é meio um salto no escuro, nós – eu, Paulo, Felipe, Lucas, Claudia, Pedro, Diêgo - convidamos todos vocês pra virem saltar, nadar, voar conosco. Venham também os que se decidirem por morrer, como Verônica.
Chegaremos mais cedo pra preparar o ambiente da sala.
Todos!


quinta-feira, agosto 16, 2018


Tem umas formigas que moram dentro de meu teclado. Elas são mínimas, muito pequenas mesmo, e com meu olho de toxoplasmose eu vejo que elas têm uma penugem, são formiguinhas mínimas e cabeludas, como caranguejeiras.
O meu teclado está comigo há pouco e elas já moram nele. Também tinham ninho no meu antigo teclado, porque Pedro abriu pra consertar e elas estavam lá.
Sei porque elas moram no meu teclado. É que sempre tem uma xícara de café aqui em frente a ele. Isso é perfeito pra elas. Ficam próximas à comida. Quando deixo uma xícara de café vazia aqui, mas borrada com uma lâmina só de líquido no fundo, depois, elas dominam a xícara, pra comer e beber o pouco de doce que fica na louça, no restinho do café.
Aqui, no vale onde moro, também os cupins se encavernam nas coisas da casa. Esses bichos miúdos, que vivem em colônia, a gente não pode saber ao certo, mas devem estar muito atentos à gente, tipo, nos vigiar os passos, os costumes, o jeito na vida, pra que saibam exatamente em qual lugar da casa vão se concentrar pra criar suas cidades cavernosas.
Também, vêm abelhas atraídas pelo restinho de café nas minhas xícaras. E elas são meio bobas, porque eu já sei que terei de salvá-las, já sei que vão se lambuzar de café e lambuzadas não conseguirão sair do fundo da lama de café que fica na xícara. Eu pego uma caneta e as tiro, pra que elas se sequem na mesa e tomem rumo.
Também sou bobo. Pra mim, as abelhas que vêm aqui, são fadas!

quarta-feira, agosto 15, 2018


Segunda-feira estive na Fiocruz para duas consultas de rotina. Uma delas era infectologista, a outra, endocrinologista. E voltei pra casa sem que as consultas tivessem qualquer efeito no meu processo de tratamento. Segundo os médicos, não havia nada o que fazer a partir de meus dados, que têm no sistema deles, lá. O endocrinologista me deu alta, até. E me encaminhou pra o nutricionista.
Então, eu estava pensando no ônibus, de volta pra casa, que é mentira isso que dizem, ser a nossa medicina muito avançada. Porque se a medicina é tão avançada, por que minhas consultas têm sido tão estéreis?
Que merda!

terça-feira, agosto 14, 2018


Eu gosto muito de ver os videozinhos que Pedro faz de minhas apresentações. Dois amigos já se surpreenderam ao saber desse meu gosto. É que eu tenho um lance com a ordem das coisas. Por causa disso, eu não subo todos eles no youtube. E mesmo que eu tenha um lance com a ordem das coisas, o meu canal ainda é muito o caos.
Hoje, estava vendo um desses vídeos que ele, o Pedro, fez da primeira vez que fizemos o Ave Nada na Casa Sapucaia, em Santa Teresa e fiquei emocionado. Não subi no youtube na época, porque fiquei na dúvida e, agora, que iremos repetir, acho que ainda vamos melhorar, acho que conseguiremos mais ordem, não sei.
É que eu aprendo sobre fazer as apresentações, se as olho de fora, nos vídeos. E, embora não seja a ordem, propriamente, o que tenha me causado emoção ao rever o que fizemos da primeira vez, no Ave Nada,  porque eu nem sabia de sua existência naquela vez, foi ter descoberto que ela havia, o que me deixou marejado os olhos e, depois, comecei a fungar, no nariz.
A cena é o Paulo Barbeto lendo o dia 25 de julho de 2000, do Diário da Piscina, enquanto Felipe enrola um cigarro de fumo de rolo e eu espanco o acorde de Ave Nada ( Vitor Wutzki/luís capucho). Esse é um dos primeiros dias do Diário e é onde eu conto que Marcelina tinha me explicado que nadar, com o tempo de prática, seria como se eu tivesse caminhando e devaneando o pensamento em qualquer coisa. E, aí, digo outra vez, que isso é como voar. Então, a ordem não está apenas em nadar, andar, voar. Mas, sei lá, achei que todo o resto da cena se ordenou com isso, no caos, no centro, na coisa, no Ave, no Nada.
 E me emocionei. Sou muito grato.

domingo, agosto 12, 2018


Ontem, fizemos um ensaio do Ave Nada (Diário da Piscina), que no sábado, apresentaremos na sala da Claudia. E, assim, como os outros De Casa em Casa foram se formando à medida dos ensaios e das apresentações, o Ave Nada também começa a subir seu toldo. E tem uma diferença. Assim que fomos levantando a lona para as apresentações das músicas, para os De Casa em Casa, nunca tinha conseguido formar na minha cabeça uma ideia do que fazíamos. Eu sabia, conseguia ver, que estávamos mais construídos, mais formados e que desfilaríamos as músicas nas salas dos amigos daquela forma como tínhamos desenhado, mas eu não conseguia ter uma visão do corpo disso.
E, ontem, no ensaio, porque eu sou um pouco expectador e, talvez, porque, agora é teatro junto delas, das músicas, a apresentação começou a se formar pra mim. O corpo do Ave Nada começou se mostrar um pouco pra mim, vi ele começando a aparecer.
Eu sei que esse embrião ainda vai proliferar mais as moléculas e seus órgãos estarão cada vez mais prontos pra nascer. E que de certa forma, a sala da Claudia, ainda será útero.
Amanhã, é dia dos pais, ne.
É isso aí!



sábado, agosto 11, 2018

O Ave Nada (Diário da Piscina) é o resultado de meu encontro com Diêgo, Paulo, Felipe e Lucas e tudo o que adveio disso como apresentação de música e teatro. Esse é o meu ponto de vista. Mas o que vocês verão na sala da Claudia, no sábado, tem muito mais a ver com vocês, vocês sabem, porque darão sentido a tudo o que queremos mostrar.
Venham todos! Tragam seu come, seu bebe, seu fume e uma contribuição pro nosso chapéu. É livre!


sexta-feira, agosto 10, 2018


Cheguei a um outro final de minha As Vizinhas de Trás - Santa Moema e, ainda assim, tem alguma coisa que não vai bem. Porque As Vizinhas de Trás como surgiram, pintadas em telas 20x60cm ou 20x70cm, se olhadas uma única vez, a gente vê todas elas ladeadas, ao mesmo tempo. E se somos chamados pra algum ponto, pra alguma das Vizinhas, o nosso olhar vai olhar especialmente esse detalhe que quisemos, mas já viu tudo antes.
Acontece que essas telas que, até agora, tenho escolhido para As Vizinhas de Trás – Santas, elas são bem maiores. E essa da Santa Moema ainda é maior, porque quis fazer, como nas Vizinhas menores em que aparecem entre quatro e cinco delas ladeadas umas com as outras, quis fazer três Santas Moemas na mesma tela, ladeadas e grandes. Daí, que para o tamanho da sala do apezinho, não é possível que se veja as três de uma só vez. Além disso, como não se consegue ver toda ela ao mesmo tempo, cada parte, cada uma, tem que estar muito de meu gosto, para que possa estar no meu agrado de olhar pra ela sem ver as outras duas.
E não tou gostando do modo como apareceu na tela a Santa Moema do meio entre as outras, uma de cada lado dela. Pensei resolver isso, modificando-lhe um dos olhos, talvez, isso me agrade. Mas nunca desmanchei, antes algo que já tinha tido como pronto. E não sei se consigo refazer, sem deixar marca desse olhar que não está bom. Não sei se tem um macete pra isso.