terça-feira, junho 11, 2019

É uma vergonha e é um sofrimento de angústia também que o presidente tenha vetado um projeto de lei para isentar os aposentados de AIDS do chamado Pente-fino. Os que foram desaposentados, são pessoas que ficaram sem chance de sobreviver sem um salário, num mercado de trabalho que está fechado para os que têm mais de 50 anos, doentes, e há 20 fora de suas atividades. Essas pessoas não são fraudulentas, foram aposentadas após perícias médicas que comprovaram sua incapacidade. Daí a vergonha desse presidente pulha e a angustia torturante dos que foram desaposentados.
Hoje, o congresso deverá votar a derrubada do veto presidencial vergonhoso, inacreditável. Torcendo aqui. Temos feito pressão como podemos, enviando mensagens para deputados e senadores em Brasília, telefonando. Quem puder se juntar a nós, com os políticos pra quem votou, agradecemos. Como o presidente, que o congresso não seja vergonhoso.

sábado, maio 25, 2019


OBS: essa informação não é fake. Fake foram as news que elegeram o nojeira:

O pessoal que contraiu o HIV no início da epidemia, ta vivendo o problema gravíssimo das desaposentadorias, chanceladas pelo atual presidente nojeira, que vetou o Projeto de Lei do Senado n° 188, de 2017 - Lei Renato da Matta.
O atual governo sequestrou as aposentadorias de 25 mil pessoas, a maioria com mais de 50 anos, portanto com uma possibilidade mínima de sobreviver ao mercado de trabalho. O argumento:

“...Ademais, nos termos do art. 193 da Constituição da República, a ordem social tem como base o primado do trabalho, assim, a proposta legislativa tem o potencial de estigmatizar e violar a dignidade do segurado com HIV, que seria afastado, por presunção, da possibilidade de reabilitação profissional, decorrente de perícia médica periódica, que tem ainda a relevante função de combate a fraudes no âmbito previdenciário.”

Ora, quem está sequestrando a dignidade do trabalhador aposentado é o nojeira cínico. Por conta disso, um grupo de Sobreviventes da AIDS fez essa petição. Peço que divulguem e assinem, plis:





domingo, maio 19, 2019


Eu tava conversando com um amigo sobre essas desaposentadorias dos HIVs.
Primeiro, como uma coisa assim tão grave tenha partido das pessoas que fazem política. E, depois, a gente começou a falar de, talvez, porque a AIDS tem sido noticiada como uma doença crônica, como tem sido difícil pras pessoas entenderem as comorbidades todas que o vírus e os antirretrovirais trazem pras pessoas que estão sendo desaposentadas. E, aí, essa parte de pessoas mais burra desse entendimento, não se manifesta, deixa rolar, não ajuda na tentativa de reverter a situação gravíssima.
Pra vocês terem idéia, há pessoas que tiveram cegueira como sequela, por serem portadoras do vírus HIV e que foram desaposentadas. Nessas desaposentadorias, pode-se enumerar um monte de maluquice desse tipo, uma coisa mesmo de matar. A gente escreveu pra Ouvidoria da Fiocruz pedindo que se posicionassem a nosso favor, que usassem a autoridade da instituição em nossa defesa. Uma pessoa do INI – uma sessão da Fiocruz – teve a pachorra de devolver em resposta assim: que não sabia o que queríamos dizer com o pedido de estarem a nosso lado!
Mas voltando à conversa com meu amigo, ele me disse:
“Sempre foi assim. Fica cada um na sua propria bolha e so se manifestarão quando eles forem afetados diretamente. Foi asssim na Alemanah e é assim com o exterminio dos negros nas favelas diariamente. O que nos fazemos com isso? Absolutamente nada pois nao moramos em favelas e somos brancos ou quase brancos.”

sexta-feira, maio 17, 2019

balada da paloma - luís capucho

O Rafael Julião me disse que
estava para lançar um livro com seus poemas e que dedicava um deles pra mim.
Ele também disse que a estória era de sua mãe, dele, mas que ele fazia essa
relação. E, aí, me mandou o poema-letra:

Balada da Paloma

A Luis Capucho

Paloma passa correndo
ali ela tá solta no meio do barco
e pede ao cara de branco
não a prenda 
Paloma passa pelo pátio os
bancos, as famílias e os pombos
passa a garota de pulso
enfaixado e o velho agachado
e a pessoa nua de peito
mole pede calma,
os braços no alto Guernica e
passarela, cemitério carnaval
Paloma quer cantar

Deixa cantar a sereia do
hospício
Deixa cantar as as sereias do
hospício
Deixa eu cantar as sereias do
hospício
Deixa eu cantar com a sereia
do hospício

Paloma passa fazendo cena ela
stá "lock"
E minha mãe me leva a
desfilar no corredor Que nunca se acaba
Paloma passa por mim e
continua em minha mãe
passa o enfermeiro amassado,
e o faxineiro ali parado, 
e a menina alta que reclama
do gordo molhado na janela
Incêndio na plateia, solidão
e vendaval
Mamãe quer seguir...

Deixa seguir a sereia do
hospício
Deixa seguir as sereias do
hospício
Deixa eu seguir as sereias do
hospício
Deixa eu seguir a sereia

Paloma passa lambendo o chão
ela está rindo na frente dos parentes e faz que não tá loca ela só quer
causar 
Paloma passa pela beira do
mundo e das palavras
beira o frei acanhado e o
rehab advogado do rapaz robô que alguém dopou e ela viu a criança acordada
dentro da mulher sem banho
Inocência e bacanal Paloma
quer dançar...

Deixa dançar a sereia do
hospício
Deixa dançar as as sereias do
hospício
Deixa eu dançar com as
sereias do hospício
Deixa eu dançar com a sereia
do hospício









quarta-feira, maio 15, 2019

Luís Capucho - Mamãe me adora

No dia das mães, passou batido, eu não disse nada. Embora a
gente seja treinado com as palavras desde muito pequeno é difícil pra caramba
encontrá-las pra dar conta das coisas que a gente quer. Ou, diante da
impotência, a gente não quer mesmo, não quer dizer. Tem um medo, um lance mais
profundo, onde a gente não quer ir parar. Mas fiz essa música que o Rafael Saar
tinha colocado no canal dele e tirado – acho que ele acabou com seu youtube – e
pedi pra voltar, porque ele fez uma colagem muito legal com ela. E, aí, vai
ficando cada vez mais difícil dizer.


Vejam:

domingo, maio 12, 2019

via GIPHY
A Diully estava tirando fotos minhas, perguntou se poderia, e depois falou do Cinema Orly. Ela começou falando a introdução de um texto do Mario Lugarinho para o livro: Nasce a literatura gay no Brasil, que Mario Newman, o Professor, tinha indicado. Depois as outras moças, Barbara e Geovana, falaram do Mamãe me adora e Diário da Piscina. Ficou tudo muito bonito o modo como essas meninas se envolveram com os livros e com aquela situação de exposição em que a gente ficou.
O Mamãe me adora, na leitura da Barbara, formou uma questão que ela pediu que eu comentasse, mas na hora eu não soube desenrolar. Eram coisas que ela tinha pensado no livro, na viagem pra Aparecida, talvez, coisas do corpo e coisas espirituais. Aí, eu não desenrolei. Depois, pedi desculpas. Eu não tinha pensado sobre isso, apenas contei a viagem.
A Geovana, que tinha lido o Diário da piscina, colocou a questão do autor, assim, como criador, um deus onisciente. Aí, eu disse, não, que eu não sabia de nada. E ela ficou de pensar sobre isso.
Foi tudo muito bonito!

quinta-feira, abril 25, 2019

Parado Aqui - luís capucho

Fiz a Parado Aqui, quando eu era professor em Papucaia. E
tinha uma música de Roberto Carlos na minha cabeça, que estava sendo referência
pra mim, pra eu fazer ela. Que era “de que vale o céu azul e o sol sempre a
brilhar...”.
Também já fiz outras músicas que pegaram como referência
músicas de amor ou mesmo encalacres biográficos de paixão, mas que no processo
de construí-las, foram se tornando e ficaram outra coisa.


Eu adorei essa versão sudestina que fizemos no etnohaus no
início do mês. Mas ainda falta um mineiro pra completar o território da região
entre nós que tocamos: