quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Enquanto isso, estou a fazer ess'As Vizinhas de Trás - Dolores, para Vitória da Conquista, na Bahia. Gosto muito do jeito como elas olham, cheias de vigilância e pensamento. Vocês sabem que todas são assim e que todas são a mesma. Além disso, quando elas aparecem pra mim, é arregaçante como o nascer do sol aqui no vale, como a flor que se arregaça no vaso da Therezinha, lá embaixo. Mas tem a diferença de ser um arregaço que fui eu quem quis:

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

Vovô Bebê - Briga de Família

Eu fico feliz demais, acho incrível, mesmo uma maravilha,
que outro artista que considero de verdade, me chame pra participar de um som
seu, que tenha afinidade artística comigo, que veja isso na minha forma, no meu
miolo e no meu fluxo. Isso traz verdade também pra mim, que fico escorregando
nela, perguntando pra sempre nela, sempre ali na sua corda bamba, ela escapando
pela janela, assombrando a madrugada, sei lá, essas coisas loucas que no fim
são certas, porque é onde estamos, junto do seu emaranhado.
Aconteceu pela primeira vez, quando o Rogério Slylab me
chamou pra participar de uma música linda que ele fez, chamada Deixa, no disco Desterro
e Carnaval. Dessa vez foi o Vovô Bebê quem me deu a alegria. Me chamou pra
participar da Saparada, no seu Briga de Família.
E quero mostrar pra vocês o disco, saiu, ontem:


sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Cinema Íris

O ídolo Ney Matogrosso depois de ter por muitas vezes que gravaria uma de minhas músicas, desistiu da “Cinema Íris”, meio que numa previsão do pouco alcance desse pessoal, dos Bozo, que chegou legitimando o pavor, a tortura, o assassinato, a cuspida, a burrice da ignorância, tudo, tudo, enfim, com a grosseria natural deles, de quem não enxerga um palmo sequer diante do próprio nariz, essa gente pavorosa, amedrontadora, destruidora, que não tem plano pra todo mundo e, aí, está instalado uma vida plana, que não seria possível pra nós, sem plano de voo pra nós e tal.
Só que, não. A gente vai continuar existindo na frente, atrás, em cima, embaixo, dos lados, à esquerda, direita, o sol nascendo e morrendo.
O Bruno Cosentino mesmo fez um show com o repertório do Ney, em homenagem a ele, e incluiu a “Cinema Íris”, quer dizer, colocou dentro. E isso é apenas pretexto pra mostrar esse registro do Pedro que fizemos em Limeira-SP, mês passado e que adorei demais. Porque, ao vivo, dentro de mim, estava tudo sem fluxo e quebrado no chão, mas olhando o registro do Pedro, fluía super no céu, com o Fernando Bocaletto na guitarra, o Felipe Abou na bateria e o Vitor Wutzki no baixo.
Vejam:

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

ave nada - Casa Sol, Sta teresa, Rio de Janeiro com Paulo Barbeto.

A apresentação que eu e Paulo Barbeto (Prática de Montação)
fizemos no sábado, do Ave Nada, foi uma beleza. Tivemos o respaudo maravilhoso
da Casa Sol, do Pedro, do Roberto, da Isabela e foi uma coisa linda: a chuva
esperou até quase o finalzinho da leitura performada de teatro e música, pra só
então nos espulsar a todos do terraço, ah, e isso foi perfeito da natureza, da
água, todos se apressaram para proteger os instrumentos elétricos, o palco e a
si próprios, no fundo. Pedro pegou esse trecho no seu celular, quando após o
Paulo falar o registro do dia 25 de julho de 2000 canto a Ave Nada(vitor
wutzki/luís capucho), título de todo o assunto.
Vejam:

A vida é livre - luís capucho

Eu sei que a música é sempre a mesma, mas pra cada lugar,
pra cada situação, ela se ajusta de um jeito particular, além do modo como cada
um dos que contribuíram pra o momento dela, ali, naquela hora, estar ajustado
assim, assado. Mas o que é certo é que achei esse registro de A Vida é Livre,
em Limeira-SP, um dos mais bonitos que Pedro fez dessa música até agora.


Vejam:

terça-feira, janeiro 21, 2020

A gente publicou o Crocodilo na internet, um disco abarrotado de outros artistas, porque eu tive essa sorte, e que fizeram das músicas que foram escolhidas pra ele, o bicho. O Bruno e o Biajoni fizeram textos em que observaram os bichos do disco e eu me lembro de o Baiano já ter observado o ponto de vista selvagem com que observo os acontecimentos que se transformam nas músicas, já no Cinema Íris, talvez, mesmo no Lua Singela.
A estória é enorme e se desdobra pra trás em muitas direções, mas me lembro de estar conversando com o Rafael e o Paulo sobre fazermos o Ave Nada, que é o nome de uma música que Vitor Wutzki fez para o lançamento do Diário da Piscina(É selo de língua-editora É/2017) no loki bicho, em SP. Nós estávamos conversando e esse nome “Ave Nada” começou a ser apresentar as músicas entremeadas de textos do Diário da Piscina. E o Vitor tinha dito que era bom que fosse uma bateria, com o baixo e o violão, para a parte em que eu fosse mostrá-las.
Isso foi uma sorte, porque o Felipe apareceu com uma bateria-mirim e começamos a mostrar as músicas, às vezes, fora da idéia inicial de ser o Ave Nada e, às vezes, Ave Nada. O fato é que temos uma banda – violão, baixo, batera – pra apresentar as músicas e a última vez que fizemos isso foi no Centro Flutuante, em Vitória – ES, onde está o Felipe. Dessa vez, nos encontraremos todos em Campinas, onde está o Vitor, e isso traz uma felicidade de estarmos juntos outra vez pra tocar, juntos, felicidade de tocar. De Campinas, faremos um De Casa em Casa em Nova Odessa e outra apresentação em Limeira.
Eu sei que as estórias só são entendidas mesmo no final e nós nem começamos a contar, mas espero que estejam entendendo o que estou a dizer, porque também ela se desdobra adiante, sempre adiante quanto mais pra trás. Isso se junta ao fato de, no Crocodilo, cada uma das músicas ter um artista-produtor diferente, que jogou suas ideias ali nas canções e nós, a banda, temos o nosso jeito, o nosso limite, um estilo, e o que somos é outra coisa.
Apresentaremos músicas de todos os discos, também do Crocodilo, do Lua Singela, do Cinema Íris, Poema Maldito e Antigo.
Avante!