domingo, agosto 20, 2017

"Para pegar" - Luís Capucho - cantam Gustavo Galo e Júlia Rocha - RadioF...

Eu me lembro muito bem. Tinha acabado de tocar com o Bruno Cosentino “A Expressão da Boca”, aí, veio o Gustavo Galo perguntando por meu disco Poema Maldito e quando é que eu iria tocar em SP. Isso foi quando o vi pela primeira vez. Logo ajeitamos de eu vir tocar num show com ele no Bar do Mancha e, aí, tudo foi se costurando para que viéssemos a lançar o Diário da Piscina com a “É selo de língua – editora É” através da Julia Rocha e voltei a fazer shows no loki bicho...
Desde aquele dia tudo se modificou muito, mas eu sinto que tudo muito se liga àquele dia, desde o antes ao depois. Porque a “Para Pegar” está no meu primeiro disco, o Antigo. E depois está no Cinema Íris. E depois no Sol, do Gustavo.
E vê-los cantando juntos, nesse tempo meio em suspenso de carnaval, meio pra engatar no rock and roll, ficou bonito demais no dia frio:

sexta-feira, agosto 18, 2017

Nesse inverno, pouco tenho aberto as janelas do apezinho. Mas sei do que ta rolando lá fora, porque os sons entram aqui. E, aqui dentro, eu estava com a ideía de fazer doze As Vizinhas de Trás com o tema das santas. E fiz As Vizinhas de Trás – Nossa Senhora das Graças. Foi a primeira. E eu me lembro de ter escrito no Blog Azul sobre ter empacado na hora de fazer sua auréola. Fiquei uns seis meses para conseguir visualizar a auréola e só, então, conseguir terminar a santa.
E, desde que assisti pela primeira vez a peça Cabeça de Porco tenho querido pintar a minha segunda santa. Os meninos da Prática de Montação criaram a Santa Moema, que é uma santa que diz amei, no lugar de amém e nela também fiquei empacado. Eu tou pintando no modelo das Vizinhas, tou fazendo três Santas Moemas, uma ao lado da outra, na mesma tela. Fiz a primeira delas e a segunda, mas empaquei na terceira.
Para um cara quieto como eu, que é capaz de ficar em seu apezinho sem abrir as janelas por todo um inverno, empacar numa coisa faz sentir que o mundo parou, que todas as outras coisas deixaram de andar. E não é. Eu não abro as janelas, mas sei que lá fora a vida ta fluindo e tudo. Tem uns barulhos que entram aqui – e eu já falei sobre isso também – que parece imaginação, mas depois, quando vou ver, são reais os barulhos.
Fora isso, a Santa Moema vai estar em cartaz pela última vez, olhem:
https://www.facebook.com/events/1134586569974993

quarta-feira, agosto 16, 2017

Eu sempre acho que há uma coisa mais acertada, mais real, verdadeira e tal, mas a gente vai sendo jogado daqui pra lá, de lá pra cá, e não tem muita noção do que acontece e como curto vir aqui escrever, para isso, pra pensar, pra tentar saber, a gente tem de parar um pouco, se perder um pouco da situação e tudo.
Hoje, enquanto preparava o meu desjejum me veio à cabeça a ideia de que, se não tenho nada, se sou um pobre coitado, abobalhado e fraco, é porque meus antepassados não construíram nada que me deixassem, pra que eu pudesse ter já de partida um trampolim bem alto. Logo depois, pensei que não era isso, porque esse pensamento é apenas um dos que separei de outros, aos montes, que eu poderia ter pensado como verdadeiros. Porque se eu modifico o meu ponto de vista, não serei mais um pobre coitado, abobalhado e fraco, e meus antepassados terão me deixado uma riqueza tão grande, mas tão grande, que eu nem consigo supor, porque não vejo, dentro da escuridão de meu corpo quente.
Aí, eu mesmo penso comigo: mas se eu não vejo, não há... e sempre acho que esses meus textos diários do Blog Azul são, a cada dia, o começo de uma nova ou mesma estória que interrompo.

segunda-feira, agosto 14, 2017

Tem umas coisas que surgem, nas épocas em que estou para colocar mais uma “escama” na minha camisa de fazer show. Para a última das apresentações apareceu - depois de havermos feito os shows de lançamento do Diário da Piscina, aqui no Rio de Janeiro, e que iríamos apresentar o show Poema Maldito, no Festival Sesc de Inverno – apareceu no chão da sala, um pedacinho de jóia, uma corolazinha azul, como uma corola dentro da corola, dentro da corola, dentro da corola, dentro da corola... tipo aquela estória dos fractais, em que uma coisa está dentro de si mesma, dentro de si mesma, dentro de si mesma... aí, pedi a minha Vizinha um botão e Pedro colou a corola na corola dourada do botão.
Pedi também, agora, a minha Vizinha que fotografasse.

Vejam:

domingo, agosto 13, 2017

Eu já tava acordado, quando as casas ao redor do apezinho começaram com as músicas do domingo. Com o frio não tenho aberto as janelas. Já aconteceu de eu abrir a janela pra saber de onde vem o ritmo entrando na minha cabeça. E quando ponho a cara pra fora, não tem lugar nenhum, casa nenhuma mandando o som pra cá.
E quando fecho a janela, o som começa outra vez, abafado na minha mente.
Aí, eu vejo que sou eu, que é minha cabeça quem dá um ritmo pros sons abafados que vêm de todos os lados do prédio.
Eu podia me sentir perseguido por esse ritmo que minha mente cria.
Eu podia me sentir perseguido por esse ritmo que meu coração tem.
Mas, não.

Faço limonada.

sábado, agosto 12, 2017

Tem um movimento interno meu que vai indo de remanso em remanso, de correnteza em correnteza, ora com mais calor, ora com mais frio, mais luz ou escuridão, assim, uma coisa que vai se alternando, que vai passando de uma a uma, de uma a outra coisa e lugar. Mas sou sempre eu que não quero ser eu. Sempre sou eu que não posso ser eu. Acho que tenho um pouco de ver esse rio passar... que coisa!

sexta-feira, agosto 11, 2017

Quando eu me sentei no banco do ônibus, já com o lugar do canto ocupado por um senhorzinho, ele começou a me olhar como se eu tivesse ocupado um lugar que era dele. Eu já tava chateado, porque as esperas que tive de fazer pra pegar a receita de remédios e depois a espera que tive de fazer para pegar os remédios, tudo de um jeito desatencioso, já tinha me feito sentir que eu estivesse fora de lugar. E ao lado do senhorzinho, comecei a pensar em lhe dizer, caso ele reclamasse aquele lugar comigo, que a gente não tinha que ficar brigando e tal. Aí, ele tirou a perna que estava invadindo a minha parte da cadeira e esticou-a pra frente. Depois, esticou a outra e cuspiu no chão. Aí, só agora é que me veio à cabeça: será que eu tava com cara de viado e, aí, o senhorzinho cuspiu no chão pra marcar a posição dele? Mas na hora, quando ele cuspia no chão várias vezes, eu curti ele. Achei punk, achei protesto contra o preço exorbitante da passagem – 9,00 reais – achei certo! É isso mesmo!