terça-feira, janeiro 21, 2020

A gente publicou o Crocodilo na internet, um disco abarrotado de outros artistas, porque eu tive essa sorte, e que fizeram das músicas que foram escolhidas pra ele, o bicho. O Bruno e o Biajoni fizeram textos em que observaram os bichos do disco e eu me lembro de o Baiano já ter observado o ponto de vista selvagem com que observo os acontecimentos que se transformam nas músicas, já no Cinema Íris, talvez, mesmo no Lua Singela.
A estória é enorme e se desdobra pra trás em muitas direções, mas me lembro de estar conversando com o Rafael e o Paulo sobre fazermos o Ave Nada, que é o nome de uma música que Vitor Wutzki fez para o lançamento do Diário da Piscina(É selo de língua-editora É/2017) no loki bicho, em SP. Nós estávamos conversando e esse nome “Ave Nada” começou a ser apresentar as músicas entremeadas de textos do Diário da Piscina. E o Vitor tinha dito que era bom que fosse uma bateria, com o baixo e o violão, para a parte em que eu fosse mostrá-las.
Isso foi uma sorte, porque o Felipe apareceu com uma bateria-mirim e começamos a mostrar as músicas, às vezes, fora da idéia inicial de ser o Ave Nada e, às vezes, Ave Nada. O fato é que temos uma banda – violão, baixo, batera – pra apresentar as músicas e a última vez que fizemos isso foi no Centro Flutuante, em Vitória – ES, onde está o Felipe. Dessa vez, nos encontraremos todos em Campinas, onde está o Vitor, e isso traz uma felicidade de estarmos juntos outra vez pra tocar, juntos, felicidade de tocar. De Campinas, faremos um De Casa em Casa em Nova Odessa e outra apresentação em Limeira.
Eu sei que as estórias só são entendidas mesmo no final e nós nem começamos a contar, mas espero que estejam entendendo o que estou a dizer, porque também ela se desdobra adiante, sempre adiante quanto mais pra trás. Isso se junta ao fato de, no Crocodilo, cada uma das músicas ter um artista-produtor diferente, que jogou suas ideias ali nas canções e nós, a banda, temos o nosso jeito, o nosso limite, um estilo, e o que somos é outra coisa.
Apresentaremos músicas de todos os discos, também do Crocodilo, do Lua Singela, do Cinema Íris, Poema Maldito e Antigo.
Avante!

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Crocodilo (cifra)

A gente, eu Felipe Abou e Vitor Wutzki, vai se juntar outra
vez pra apresentar as músicas em Limeira e Americana, agora, em janeiro. Isso
foi uma proposta do luiz biajoni, de quem a novela Virgínia Berlim, foi a
inspiração para a música Virgínia e eu.
Também, nossa ida tem o apoio do Limeira Colorida, na pessoa
do Fabio Shiraga. E do Pedro. Nós estamos muito felizes com isso e vocês sabem
que somos, a banda, cada qual de um estado, faltando apenas um guitarrista
mineiro para que se complete nossa banda sudestina.
Os assuntos vão se abrindo, vocês sabem, vão aparecendo,
pedem explicação, pedem serem falados e não sou obediente. Às vezes, quero
manter a rédea, me deixar na linha. Às vezes, sou obediente e me liberto, junto
deles.
Dessa maneira, mantendo o assunto, sem fugir, sem me
libertar, não sou bom de me situar no tempo, tenho grandes problemas com isso,
com o tempo – vocês podem ver isso na minha forma de tocar o violão.
Mas nossa banda sudestina, espalhada assim, existe já há mais
de ano, talvez, e estamos ensaiados. De todo modo, nos encontraremos todos em
Campinas, antes, para ensaiar, ajustar os pontos. E em Americana, onde será um
De Casa em Casa, funcionará, sem ser, como ensaio, mais uma vez. Ao mesmo
tempo, será uma celebração de estarmos juntos outra vez. Uma maravilha!
Mas o fato é que ontem, coloquei-me no youtube, filmado pelo
Samuca, tocando a Crocodilo, pra quem quiser tocar como no original.


Vejam:

quinta-feira, janeiro 09, 2020

Edson do Rock

A Edson do Rock é uma música irmã da Pessoas são Seres do
Mal, músicas que fiz para o Drácula, um rapaz desonhecido, um nick, com quem
mantive um romance virtual por um ou dois anos.
Sobre ela, Bruno Cosentino escreveu:

‘Outro bicho que está presente no disco é o
morcego de “Edson do Rock”. A produção, primeira de Pedro Carneiro para o
disco, é um primor de imagens sonoras, sugeridas pelos sons das teclas das
flautas e por um backing soprado de Pedro, que canta em uníssono quase a
letra inteira, interrompendo por vezes com sopros fortes, que criam uma
atmosfera cheia de vapores, névoas, fazendo contudo sobressair as cores da
noite; noite que, se para a maioria das pessoas é zona de dissipação e
incerteza, para Edson do Rock, o morcego, é quando se sente mais seguro “nas
correntes do vento” nessa parte da letra, a harmonia se abre e a flauta que
acompanha a voz faz a gente voar junto com o bicho.”



terça-feira, janeiro 07, 2020


Luís Capucho, um capixaba maldito, apresenta novo disco

Cantor e compositor cachoeirense radicado no Rio de Janeiro lançou Crocodilo, com dez músicas inéditas

De Vitor Taveira
domingo, 05 de janeiro de 2020


Antes tarde do que nunca. Mas vamos falar do disco de Luis Capucho, lançado no último dezembro. Em Crocodilo, lançado nas plataformas virtuais, o cantor e compositor cachoeirense mostra mais uma vez sua alma de maldito. Os poetas à margem tem muito a dizer. Integrante de uma geração de artistas que emergem nos anos 90 e receberam a alcunha de movimento Retropicalista, ele aponta para uma MPB que fala não só das coisas belas mas também das angústias, dos errantes, do submundo.
Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Luis Capucho foi morar no Rio de Janeiro ainda adolescente, tendo se formado por em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), seguindo em paralelo com a música uma carreira na literatura.
A voz rouca do artista marca sua música e também traz marcas de sua vida. Em 1996, mesmo ano em que havia lançado sua primeira canção no disco coletivo Ovo, foi internado por conta de uma neurotoxoplasmose, descobrindo também que possuía AIDS. “Minha voz é muito estranha, por causa da minha incoordenação motora. Tenho dificuldade para pronunciar os fonemas e a força que preciso fazer para dizê-los, incham-me as veias do pescoço. Também para que elas saiam é necessária muita concentração e, desse modo, as palavras ficam lentas, explicadas, com a pronúncia exagerada pelo esforço em dizê-las. E embora saiam explodidas, altas, roucas e arranhadas, são sempre minuciosas em sua pronúncia”, escreveu em seu livro “Mamãe me adora”.
De fato, a voz e pronúncia marcam um estilo próprio de uma carreira que produz música de alta densidade existencial. Crocodilo é seu quarto álbum, contento 10 canções e 33 minutos de duração, contando com participação de Gustavo Galo, Julia Rocha, Lucas de Paiva, Claudia Castelo Branco, Bruno Cosentino, Marcos Campello, Evaldo Luna e Pedro Carneiro, conhecido como Vovô Bebê, responsável pela produção do disco em geral. “É uma coisa louca que tenhamos conseguido unidade para o disco Crocodilo, sendo que cada uma das faixas tenha sido produzida por um artista diferente. E acho que a sinergia que rolou, como já disse de um outro modo e antes, tem a ver com a liberdade. É a liberdade de cada artista que tornou o Crocodilo inteiro”, explica.
Crocodilo vem para dizer que não está tudo bem. Não só lá fora, mas também dentro de nós. Mas ...


https://seculodiario.com.br/public/jornal/materia/luis-capucho-um-capixaba-maldito-apresenta-novo-disco

quinta-feira, janeiro 02, 2020

O Cinema Orly, na 1ª edição da Ficções de Interludio/1999, se não me engano, saiu em novembro daquele ano. E pra comemorar o livro muito vivo aos vinte anos, o Centro Flutuante - um Centro Cultural Independente na cidade de Vitória, ES - fez uma serigrafia com um dos desenhos de Cesar Lobo que entremeia a narrativa muito iluminada da escuridão do livro. Fez nas minhas camisas de nadar. E aos amantes de literatura que quiserem, será apenas ter uma camiseta, para fazer a impressão. O Cinema Orly é sujo, mas a camisa é looooooooosho!


sábado, dezembro 28, 2019


Ontem, a gente viu o programa da última polêmica, agora, do jesus gay. Achei que a rapazeada zona sul do Rio, que faz o programa, homofóbica como a outra rapazeada zona sul que jogou bomba no prédio deles. Por muito tempo, a buceta da mulher era, para o cristianismo, a metáfora do demônio, o sexo criador, que se confronta com o ato divino da criação, era o pecado do homem. Agora, o sexo viado, silenciado por séculos, entrou na roda e, com a buceta da mulher naturalizada, virou o sexo pecador, o demônio no deserto de Cristo. Me poupem.

Crocodilo

A Crocodilo foi que ganhou o nome do disco. E que no fim,
definiu sua capa. A gente fica fazendo um monte de elucubração pra montar algo e,
no final, os pedaços todos que contribuíram para a coisa inteira são apenas
vestígios, talvez, desimportantes. O caso é que por conta de o disco ter cada
uma de suas faixas espalhadas por artistas-compositores diferentes e por conta
de haver essa música “Crocodilo”, eu tinha pensado no corpo de Osiris espalhado
pelo Nilo. Também poderia ter pensado num Frankstein ou ter pensado numa outra
coisa, outra música para nomeá-lo, e, a verdade é, que o caso é este, a ideia
do disco e de seu nome é do Felipe Castro, produtor de meu anterior “Poema
Maldito”.
Eu também de um tempo pra cá tenho pensado nisso, nas coisas
que a gente pensa e faz e sente e vê, sei lá, todas as coisas que têm como fim
a produção de uma música, de uma capa, de um disco, que como disse no início,
pode ser mesmo desimportante, mas que pode como satisfação, dar valor pra o
lance da gente, o que me lembra aquele ditado de mamãe: o que engorda o gado é
o olho do dono. Também me lembra o que ouvi de um distribuidor de música uma
vez: ultimamente, uma música pra ter escoamento, precisa de um texto. Também,
um diálogo de um filme que vimos esta semana, em que o jornalista chama uma
artista de impublicável por ela não saber explicar a sua performance. Também me
lembra Jesus, quando pede perdão pra os que não sabem o que fazem. Mas sobre a
Crocodilo, essa minha música, eu não sei o que dizer, gente. É uma música que fiz,
ué.


Ouçam:



A jornalista e curadora de música Mônica Ramalho tem um perfil no Instagram #laranjaéacordovestidodela onde expõe capas de discos do ano. Fiquei orgulhoso de o Crocodilo ter aparecido lá. Para os que, acaso, queiram se inteirar de quem tem feito música por aqui, vale conferir:
https://www.instagram.com/laranjaeacordovestidodela/



terça-feira, dezembro 24, 2019

Antigamente

Ainda sobre a Antigamente, me lembro de tê-la feito, quando
mamãe ainda estava viva e morava comigo na Casa de Trás, que posso ver da
janela, aqui, do apezinho onde moro agora. Comecei a fazê-la como quem fosse
contar uma lembrança, mas enquanto lembrava, foi ganhando autonomia e se
transformou numa construção independente da lembrança, uma novidade pra mim,
uma coisa que foi brotando a partir dela mesma, uma música, um texto, enfim.
E fico feliz de ter pessoas que vêm me dizer que gostam
dela, porque isso vai se tornando parte do seu corpo, como se fosse uma cola,
um troço que servisse para torná-la mais firme, mais forte, mais definida, viva,
menos fantasmagórica, assim, pronta para sumir numa gaveta. O corpo dela também
ganhou essa substância que formam as coisas que têm vida, por conta dos
artistas que vieram contribuir nela, acho a brasa na ponta do cigarro, tudo.

Antigamente​ (luís capucho) 

ISRC: BR - ZHZ – 19- 00001   
Voz e violão - Luís Capucho 
Baixo e viola – Vovô Bebê 
Guitarra – Victor Wutzki 
Bateria – Vitor Wutzki 
Sintetizador – Rafael Montorfano 
Baixo fim – Ivan Gomes 
Voz – Julia Rocha 
Gravação e mixagem RJ – vovô bebê no estúdio do vovô 
Gravação SP - Rafael Montorfano e Ivan Gomes no
Lamparina   

Produzido por Gustavo Galo