quinta-feira, novembro 26, 2020

 

Tem umas coisas de que saberemos mais tarde ou, então, nunca. Por exemplo, aquele fio de cabelo que foi colocado num pote de vidro com água e que se transformou num verme finíssimo e insinuante. Ou, então, resultado de uma aula de matemática que tive na adolescência, onde concluí que retas não existem, nem em abstração, nem em linha têxtil traçada entre uma árvore e outra. Porque o que existem são linhas circulares e, aí, um segmento de reta é um trecho de círculo maior ou menor, dependendo de até onde conseguimos ver a linha reta do fio têxtil, se liga.

Dito isto, esse é o motivo da expressão – circula! -  que é quando você está incomodando alguém e a pessoa diz isso pra você – circula! - pra que você seguindo em linha reta, mas circulando, sair de perto.

quarta-feira, novembro 25, 2020

 Quando comecei a nadar na By Training no ano 2000 e comecei a registrar o meu aprendizaado, no que depois virou o meu Diário da Piscina(editora É/2017), gostava de contar o meu número de chegadas. Depois, um pouco antes de ir para a Niterói Swimm, lembro de ouvir de Marcelina para o instrutor do dia, que a partir daquele ponto em que eu havia chegado, era só me deixar nadando, porque já era. Também a ouvi dizer que se eu me mantivesse nos 1.200 m, isso seria o suficiente, algo assim. E, aí, não contei mais minhas chegadas.

Eu também fico reparando no número de visualizações de minhas músicas no youtube. Não que eu tenha feito um gráfico disso, que pudesse alimentar alguma estratégia de expansão daqueles que me conhecem. Quer dizer, eu não tenho um escritório que se disponha a conhecer o meu trabalho de arte e pense estratégias de seu escoamento a partir da potência dele. Acontece que o seu fluxo fica por conta apenas de sua força e tamanho.

Daí, voltando às visualizações espontâneas de minhas músicas no youtube, já vi que tem uma lógica a ver com sexo, por exemplo, a Savannah de que falei ontem e outra música minha do Lua Singela, a Sucesso com Sexo, que comparada às outras é bem visualizada. O sexo é mesmo uma maravilha, todos sabemos disso e por isso tanta piada, tanto interdito, tanto interesse.

Também, sem esforço e no mesmo assunto, quero lhes falar da Poema Maldito, que é uma música sobre um episódio que, com sua força e tamanho, aconteceu, de novo por foraça, na beirinha. Um poema que Tive Martinez fez e que carrega, na verdade, onze músicas em seu nome.

Veja:

https://www.youtube.com/watch?v=bA0JwKQs-AM&list=PLgKrU4qrSULooi0ltagKfXUIVHWHaXMUN

terça-feira, novembro 24, 2020

Savannah

O youtube tirou do ar um vídeo que eu tinha feito para, além da música que fiz pra ela, homenagear Savannah. Não tinha nada demais, não aparecia suas partes baixas nas fotos que eram o vídeo, acho que aparecia seus peitos e ela de quatro, em posição de gatinha, mas não mais que isso. Eu tinha visto uma nota de jornal falando de seu suicídio e fui pro violão e fiz toda a melodia, que grita seu nome e, depois, pedi a Suely pra me ajudar em parte da letra, quando eu queria citar Savannah se despindo no seu streap. Era o video de meu canal que tinha mais vizualizações, tinha milhares, porque todo mundo curte pornografia, vocês sabem, e achava que teria, mas, não.

Essa música ficou no meu primeiro disco, de 95, mas que só foi lançado depois de eu já ter publicado o Lua Singela e o Cinema Íris.

Na apresentação do Cadernos de Música sobre mim, há esse trecho:

 

“O lugar único do qual se lança Capucho, porém, não se estabelece apenas a partir do que lhe é negado. O fato de um núcleo do artista que conhecemos hoje estar presente no álbum “Antigo”, resgistro anterior ao coma ( e a todas as suas consequências ) mostra que sua obra se assenta num olhar gauche, torto, deslocado, maldito, imperfeito antes mesmo que isso se impusesse como realidade física. Não é um acaso “Antigo” ser aberto por uma canção sobre a história real de uma atriz pornô que se matou com um tiro ( “Savannah”, parceria com Suely Mesquita). Assim como não é um acaso a doçura crua que atravessa a canção e todo o universo que Capucho ergueu desde então.”

 

Então, continuando, a Savannah prenuncia a música Cinema Íris, que deu título ao meu álbum de 2013 e que, por conta de o Ney Matogrosso ter adorado a música e ter falado dela algumas vezes, muita gente me conheceu e curtiu também.

 Vejam:

Vejam:

segunda-feira, novembro 23, 2020

 Além de uma mesa pequena e roxa pra eu colocar na minha casa, também quero colocar uma poltrona um pouco como aquela em que vi na casa de Genesis P Orridge em uma entrevista que deu para um doc. Fiquei olhando pra sala dele/a e vendo no que eu poderia ter como referência para a minha. Havia muita coisa pra se ver, embora a câmera estivesse parada num canto, onde ele/a sentou-se falando. Mas a poltrona, já estou pensando nela há um tempo. Pedro disse que era um sapato de salto alto, no que ele/a se sentava, mas minha imaginação não foi pra isso.

Estava dizendo no post de ante-ontem, que essas coisas que quero organizar em minha casa, mesas, objetos, poltronas, são para torná-la completa, mais ou menos como P Orridge colocou seios. O que quero dizer é que nossa imaginação vai por nossa vontade e que minha vontade vai pra isso, pra imaginar coisas.

É isso.

sábado, novembro 21, 2020

Minha Camisa de Apresentação começou a se formar com os shows que começamos a fazer para o disco Poema Maldito. Segundo me informou o google, o disco foi lançado em dezembro de 2014. Então, os primeiros registros fotográficos que tenho dela se formando são de 2015. Portanto, nesse ano de 2020 em que estamos, faz 5 anos em que ela vem se fazendo, se contruindo em seu escudo.

Cada coisa costurada nela tem uma estória inesquecível e muito querida. Eu não sei, se vou para sempre construir a sua pele de traje espiritual, possivelmente, sim, quer dizer, à medida de seu embalsamamento.

Vejam:


 

sexta-feira, novembro 20, 2020

O tempo frio me faz querer sair na rua e ver que todas as coisas estão incompletas como a minha sala. Como minha casa, onde preciso organizar as coisas que organizarei sobre a mesinha roxa, perto da porta, e que ainda não tenho. Nem a mesa, nem as coisas que organizarei sobre ela.

Fora isso, tenho prestado atenção nas modificações que acontecem na minha coluna, na direção de meu umbigo, quando ajeito melhor minha cabeça e equilibro-a, firmo-a sobre o meu pescoço. Também tenho percebido os estalos do apezinho na madrugada, que saem das paredes e dos móveis, da geladeira.

Isso, considerando a idade em que estou. E considerando a pandemia de Covid-19.

E Linda Evangelista, a gatinha do Pedro que está morando aqui no terceiro andar.

E os aviões que passam sobre o vale. 


 

sábado, novembro 14, 2020

Nessa resposta, tem-se a impressão de que a Linda é prisioneira e se tranca no armário emburrada. Mas, não. A Linda adora morar aqui. É só olhar pra ela, pra saber...

Rafael Julião – Luís, eu tô ouvindo um cachorro latir aí ao fundo, você tem até essa imagem do cachorro que latindo ao fundo é bonito, mas que de perto ninguém gosta; você já falou em castanheira, e de alguma forma esse mundo da pandemia abriu a casa da gente. Agora, a gente tá te entrevistando e vendo um pedacinho da sua casa. Eu queria que você me dissesse se esse cachorro é seu, se para além da castanheira aí fora, você tem plantas em casa; queria que você falasse um pouco da sua casa, o que tem na sua casa, quais são os objetos; cachorros, plantas, objetos – queria que você falasse dessas coisas, desses seres da casa. 

Edil Carvalho – Eu vou aproveitar e fazer um parênteses e perguntar se o galo que tá cantando é daí também.

Luís Capucho – Esse galo é lindo, né? Na verdade são dois galos. Eu tenho na verdade muita poeira na minha casa, poeira, muita, e eu fico olhando pra ela, assim, eu vou ter que limpar isso, mas eu nunca resolvo a situação; fica, vai sedimentando. O cachorro é da minha vizinha de baixo, é o Lorde, os galos são do lado, plantas eu não tenho, mas o Pedro mora… O meu prédio é um prédio de três andares e de dois apartamentos por andar. Eu moro no terceiro andar, nos fundos e o Pedro mora no apartamento da frente. O Pedro é quem tem as plantas e o Pedro tem também uma gatinha agora, que ele trouxe pra cá [a Linda Evangelista]; ela é uma gatinha superbacana, porque ela não desce a escada, morre de medo de descer a escada, não vai na janela, porque também tem medo; e ela deve estar dormindo, ela não sai do armário, ela fica dormindo muito.

 

 

·        entrevista para a revista Polivox (outubro-2020)