quinta-feira, maio 25, 2017

Um Cinema Orly para Goiânia:

Paêbirú - Album Completo - Lula Côrtes e Zé Ramalho (1975)

Os objetos de arte são melhores do que o que diríamos sobre
eles. Mas enquanto a canalhada usurpadora vai devastando o pouquinho de
conquista política da gente mais pobre e humilhada, fui dar uma olhada no que
se tem na internet sobre o caminho paebiru, antes de ouvir outra vez o disco
Paebiru, do lula cortes e zé ramalho.
E, aí, as imagens de céu e de inferno que se abriram pra
mim, enquanto era levado pelo som do disco, há muito que, aqui no apezinho, não
me emocionava tanto de ouvir um disco, assim.
Daí, que a pista que o nome deu, esse caminho gramado pelo
interior da floresta pré-colombiana, pelo interior das américas, foi importante
demais para completar a beleza do som e isso me fez ficar pensando em falar pro
meu velho amigo Ciro, que tem feito postagens sobre viajar por aí, sair pelo
mundo assim como sem motivo, apenas sacando o convite da estrada e tudo.


Vejam:

quarta-feira, maio 24, 2017

podcast de programa de rádio em que Bruno Cosentino fala e ouve seu disco ainda a ser lançado, dia 29. Quando conheci o Bruno, ele fazia uma apresentação dentro de um projeto chamado Gancho, no teatro café pequeno no Leblon. E me chamou pra apresentar uma de minhas músicas com ele. Depois, o gancho continuou e seu disco Babies tem Homens Flores. E gancho outra vez: eu sou feliz demais apenas por ouvir o corinho que tem em Eu quero ser sua mãe. Que faz a música ir se enlevando, se enlevando, pra que se veja que ela é mesmo assim: louca.
Ouçam com o carinho do Bruno:

quinta-feira, maio 18, 2017

Cópia de Maluca no Estômago et le théâtre Lupanar

Depois que se seguiram os shows em que anunciamos o Diário
da Piscina(É selo de língua – editora É) aqui no Rio de Janeiro, é a vez de
começar tudo de novo. Quando de novo os meninos Vitor Wutzki e Tulio Freitas,
já de volta às suas vidas, puderem se juntar às músicas outra vez, a gente faz
outro enxurro de apresentações delas, outra - como eu me vi falando na volta
pra casa de nosso último show juntos – outra experiência de quase morte.
É que vínhamos na noite pela ponte, de carona com Simon,
vindos do Escritório, onde dividimos show com Bruno Cosentino. Aí, eu vinha
enumerando as coisas lindas vistas à noite da ponte e o Simon falou das luzes
dos automóveis que ele seguia na estrada dela, da ponte. Aí, eu brinquei com
ele, disse que como na experiência de quase morte, a gente não poderia entrar
na luz, porque, aí, era uma batida e estaríamos mortos. Daí, os shows me
lembram isso, se liga, e agora estou aqui de volta no apezinho, começando tudo
outra vez.
Pedro me mandou hoje a Maluca que ele fez no celular, no estômago
et le théâtre lupanar. O Gustavo, do estômago, me deu uma fita – pedaço da
cortina de entrada – que não supus poder se transformar na asa em que se
transformou.
No dia seguinte, quando fizemos a apresentação no
Escritório, a última delas, e quando se passou a estória da experiência de
quase morte, pedi a Jack que fizesse a asa que faltava, do lado direito da
camisa, com uma sacola de plástico amarela.
Moral da estória: começo tudo outra vez, agora, com asas.


Vejam nosso singelo #Fora Temer:

terça-feira, maio 16, 2017

Muito emocionado pra ouvir a entrevista com Fabio Shiraga. Me fez olhar de onde não costumo me ver. E especialmente agora que os meninos se foram, depois de tantas apresentações mergulhadas na gente mesmo, se olhar assim de fora, na contraluz da entrevista, foi bonito:




segunda-feira, maio 15, 2017

Limeira Colorida

Segunda-feira pós dia das mães o INTERVENÇÃO URBANA traz o músico, compositor, pintor e escritor Luís Capucho para falar de seu trabalho em entrevista cedida a Fabio Shiraga.


Autor dos livros Cinema Orly (1999), Rato (2007), Mamãe Me Adora (2012) e Diário da Piscina (2017), Capucho está fazendo uma série de shows para divulgar este último lançamento. Em suas apresentações toca as músicas dos discos Lua Singela (2003), Cinema Íris (2012) e Poema Maldito (2014).
Luís Capucho ajuda a escolher as músicas do programa, que também conta com depoimentos dos grandes Péricles Cavalcanti sobre música que escreveu para Cássia Eller e Wado sobre Capucho.
Agradecimento especial ao amigo Júnior Bocão, da banda Divina Supernova, apresentador do Balaio da Garça.

INTERVENÇÃO URBANA #18
Apresentação e produção: Fabio Shiraga
Direção: Ricardo Drago
Onde: MutanteRadio
Segunda-feira, dia 15.05 às 18:00, na Mutante Mecânica
Ouça também pelo app TuneIn


Eu quero ser sua mãe - Bruno Cosentino [Clipe Oficial]

Minha camisa de fazer show, ganhou asas, que mamãe diria ser
asas de barata.
Quando o Guilherme, depois do show que fizemos no “Estômago
Lupanar”, me presenteou com um pedaço de fita de plástico fosca, transparente,
para que eu colocasse na minha camisa de fazer shows, não fazia ideia da asa
linda que ela era. Depois que vi que era uma asa para o meu lado esquerdo –
mamãe diria ser uma asa de barata – no dia seguinte, para o show com o Bruno
Cosentino, no Escritório, a Jack me ajudou a fazer a asa para meu lado direito.
Fez com uma sacola amarela, plástica, de mercado. Lindíssima!
Então, terminar esse ciclo com asas - de shows que fizemos
com Vitor Wutski e Tulio Freitas, shows que junto ao prêmio municipal, celebram
o lançamento do Diário da Piscina(É selo de língua – editora É/2017) é muito
demais pra mim.
E não é só isso.
Hoje às 18 horas participarei do programa virtual de músicas
Intervenção Urbana, do Shiraga. Um programa cheio de perguntas também e que
estou louco pra ver, pra saber o que eu disse...rs.
E tem “Eu quero ser sua mãe” chamando para o novo trabalho
do Bruno.
Puta que pariu!


Vejam:

quarta-feira, maio 10, 2017

Daqui a pouco, terei o grande prazer de apresentar minhas composições no Bar Semente, um bar íntimo e com um som maravilhoso, onde tenho me apresentado desde que fizemos o Poema Maldito. Dessa vez, no embalo do recebimento da medalha José Cândido de Carvalho e do lançamento do livro Diário da Piscina(È selo de língua-editora É/2017) e no sotaque paulista dos instrumentos dos meninos Vitor Wutzki e Tulio Freitas:

segunda-feira, maio 08, 2017

Eu quero ser sua mãe - Bruno Cosentino na Câmara Municipal

No conjunto de apresentações que estão a acompanhar a
entrega da medalha José Cândido de Carvalho a minha obra literária e, ao mesmo
tempo, shows que acompanham o lançamento do Diário da Piscina(É selo de lingua
– editora É/2017) aqui no Rio de Janeiro, tocaremos:
Quarta-feira, dia 10 de maio, 21 h: Bar Semente
Quinta-feira, 11 de maio, 21 h: Estômago et le théâtre
Lupanar
Sexta-feira, 12, 21h: casa do Rafael
Sábado, dia 13, 22 h: Escritório, com Bruno Cosentino.
Pedro registrou Eu quero ser sua mãe, com o bruno na Câmara
Municipal.


Vejam:

domingo, maio 07, 2017

Poltrona - Tulio Freitas

É uma alegria pra mim ter os meninos músicos paulistas a me
acompanhar nessas apresentações das músicas surgidas por conta do lançamento do
livro Diário da Piscina(É selo de língua – editora É/2017).
Os dois shows que já fizemos foram bonitos demais e tou
sempre aprendendo a mostrar as músicas, a me deixar fluir no fluxo delas, a
saber que a emoção é minha, mas que ao mesmo tempo elas têm autonomia e força
pra me levar com elas e, aí, eu já nem mais tenho importância, se liga – nossa
próxima apresentação vai ser no Semente, dia 10, e estão todos convidados: https://www.facebook.com/events/1450591798325993/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22page%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22page_upcoming_events_card%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%2C%22has_source%22%3Atrue%7D

Hoje, quando o Tulio acordou, pegou o violão e tocou
Poltrona, uma das músicas do Antigo.
Pedro não pôde deixar de registrar no celular.


Vejam:

sábado, maio 06, 2017

Eu quero agradecer demais aos amigos que estiveram comigo, ontem, de corpo presente e aos que estiveram em pensamento, na homenagem que minha obra literária mereceu, com a entrega da medalha José Cândido de Carvalho. Especialmente ao vereador Leonardo Giordano que abriu essa clareira, onde Vitor Wutski e Tulio Freitas e eu apresentamos minhas composições.
Especialmente a Rafael Saar que registrou em vídeo.
E quando ele registrava minha chegada na Câmara e que eu estava com a Andrea, tinha uma senhorinha linda e confusa procurando pelo homenageado.
Eu avisei-lhe:
- O homenageado sou eu!
- Mas o meu filho me telefonou dizendo que ele é que seria homenageado. Por isso é que vim! – aí, foi que entendi que aquele pessoal bonito e embecado que tava chegando naquela sala no térreo era pra homenagem a seu filho.
Especialmente, quero agradecer à Janaína Bernardes que foi toda atenção à gente em nossa chegada e na preparação do Salão Nobre pra nossa solenidade, no segundo andar. Especialmente ao Pedro que é somente e tudo amor.
Especialmente a Kali C Conchinha e Bruno Cosentino que abrilhantaram nossa apresentação com “Você é muito lindo” e “Eu quero ser sua mãe”, respectivamente.
Especialmente a minha “Vizinha de Baixo”, Fátima Arantes, que pinta flores gigantes, mas que agora está em sua fase de abstratos.
Especialmente ao Edil, Andrea e Cilmara, esta muito especialmente com um beijo.
Especialmente ao Diêgo Deleon e Paulo Barbeto, da Cabeça de Porco, o diretor e Plinio.
Ao Simon e Luciano.
Ao pessoal do gabinete.
Ao Rodrigoxha Xha.
E hoje tem Quintal Aberto #7 Maria Bonita y Luís Capucho! Vamos todos...

quarta-feira, maio 03, 2017

Hoje os meninos Vitor Wutski e Tulio Freitas chegam do interior de São Paulo pra gente apresentar umas poucas músicas na homenagem que minha obra literária irá receber no Salão Nobre da Câmara Municipal de Niterói. Aproveitaremos o ensejo para lançar o Diário da Piscina aqui na cidade e porque eles virão, esticaremos as apresentações, e agendamos somente lugares bons.
A homenagem à minha literatura é uma iniciativa do vereador Leonardo Giordano, por conta de sua contribuição à identidade e direitos LGBTs. E eu fico honrado demais de meus escritos, embora apenas questões comigo mesmo, sejam representativos de um coletivo de pessoas à margem. Ao mesmo tempo, em que são questões de todo mundo, porque acaba que por dentro, onde nos movemos, todo mundo é igual...
E quero parabenizar ao vereador por, na contramão do momento, jogar o de fora pra dentro, como deve ser o movimento das coisas, como diz aquele música baiana de um tempo atrás: abre a rodinha que ta muito apertadinha he he he!... e não sei bem o que dizer... J...
Fora isso, #fora temer, #fora pezão!







quinta-feira, abril 27, 2017

Luís Capucho no Loki Bicho - Maluca

Estava muito apreensivo sobre como o Diário da Piscina iria
bater, soar, repercutir, para os amigos que já conhecem o meu trabalho de
literatura e também se ele iria fazer um papel bonito, onde quer que ele fosse
parar, como eu sinto que fizeram ou fazem o Cinema Orly, Rato e Mamãe me adora.
Mas, aí, depois de ler a resenha do Luiz Ribeiro, onde se
ressalta, de uma maneira elogiosa, a fresta por onde entra a minha literatura
e, depois de ler a resenha do Tive Martinez, em que é marcada a pureza, ao
mesmo tempo, ou por isso mesmo, diabólica, de meu olhar de narrador, estou me
aquietando, porque o livro vai ficando com mais força, com mais impulso.
E estou muito agradecido a Rocha Julia, que junto comigo e a
mais um bando de gente, empenhou-se na edição do livro pela “É selo de língua –
editora É” e que propiciou um lançamento mágico dele, junto com Haige Mercúrio
e Alan Athayde, no loki bicho, em SP.
E, aí, aconteceu um lance lindo: eu, Vitor Wutzki e Tulio
Freitas, terminamos o pocket show que fizemos na ocasião, tocando Maluca
embaixo do maior toró, sem que ninguém se desse conta de que era grande o
barulho da chuva fora da música.
E, naquele dia, quando eu falei pra Julia que eu queria que
o lançamento no Rio de Janeiro fosse legal assim, ela falou:
- Não. Vai ser tudo diferente, Luís!
E, vai!
Calhou de numa conversa com o vereador Leonardo Giordano,
combinarmos a entrega da medalha José Cândido de Carvalho junto com o
lançamento do Diário da Piscina no Salão Nobre da Câmara Municipal. E os
meninos vêm para Nikity, pra apreentarmos um pouco de música como buffet,
dentro da homenagem!
E como eles vêm, aproveitei a oportunidade pra agendar
várias coisas nessa primeira quinzena de maio:

Agenda com os meninos:

5 de maio sexta – medalha José Cândido de Carvalho, na
prefeitura de Niterói. 18 h

6 de maio sábado – show no Casa Aberta – 20 h

10 de maio quarta– Bar Semente 21 horas

11 de maio - quinta-feira –
Castelinho do Flamengo – 15 às 18 h. E 21 horas no Estômado et le
théâtre Lupanar

12 maio sexta-feira – casa do Rafael.

13 de maio sábado – com Bruno Cosentino, no Escritório 22
horas

Vejam a Maluca com os meninos, no toró:

segunda-feira, abril 24, 2017

Do corpo sagrado na resenha de Luiz Ribeiro(http://notaterapia.com.br/2017/04/18/diario-da-piscina-literatura-brasileira-de-luis-capucho/) à mirada diabólica do narrador, na resenha do Tive Martínez, o Diário da Piscina, eu sinto, vai ficando mais forte.
Aproveito pra chamar a todos pra o lançamento do livro aqui em Nikity, junto à homenagem que minha obra recebe da Câmara Municipal, a medalha José Cândido de Carvalho (https://www.facebook.com/events/1370708766324333/).
Vejam:
"Diário da piscina" de Luís Capucho (reseña/resenha)



Es evidente la preferencia de Luís Capucho —como narrador— por los espacios cerrados, tan perfectamente acotados que el lector puede dibujar en su mente un plano de cada uno de ellos. Así, la sala porno propicia al sexo anónimo de"Cinema Orly" (Interlúdio, 1999), la casa de huéspedes hostiles de "Rato"(Rocco, 2007), incluso el autobús en peregrinación al Santuario de Aparecida de"Mamãe me adora" (Edições da Madrugada, 2012).
En esta ocasión se trata de una piscina donde el protagonista realiza sus ejercicios de rehabilitación entre monitores de cuerpos atléticos y sus alumnos en diferentes estados de desahucio: el niño con senilidad precoz, la señora sin pierna, el viejo demente, el joven Down, el japonés con sobrepeso. El contraste de los cuerpos jóvenes magníficos y los otros cuerpos con taras —entre los que se cuenta el del narrador, inspirado en las secuelas motoras de la enfermedad del autor— recuerda mucho al que existía en el submundo del Orly, a su vez reminiscente de la caverna de Platón.
También en el aspecto espacial hay similitudes, con espacios paralelos como las gradas, los lavabos/vestuarios, la fuente. Pero hay una diferencia notable entre"Diário da piscina" y "Cinema Orly" que tiene que ver —como toda la obra de Capucho, donde se confunden la autobiografía y la ficción— con las distintas condiciones vitales en que han sido escritas las dos novelas.
"Cinema Orly", su extraordinario debut literario, fue...

quinta-feira, abril 20, 2017

No cortejo de coisas que vêm acontecendo e com muitos fios de meada possíveis de serem puxados para contar a estória, eu tou feliz demais, por ter me juntado à Casa Aberta, para com Vitor Wutzki e Tulio Freitas apresentar minhas velhas e novas músicas.
Vai ser um prazer imenso! <3 font="">

quarta-feira, abril 19, 2017

Então, a semana de 5 a 13 de maio será um intensivo pra gente. Os meninos (Vitor e Tulio) vêm de SP pra cerimônia de receber a medalha comigo e lançar o Diário da Piscina, na Câmara Municipal de Niterói. Serão meus convidados de honra, para tocar e cantar, além de Kali C e Bruno Cosentino, honra.
No dia seguinte, um sábado, tocaremos na Casa Aberta.
Domingo, talvez, Caxias.
E quarta-feira, no Bar Semente, onde eu tenho costumado tocar e onde a amplificação do som não é assustadora, porque é um lugar íntimo.
Na quinta, lançaremos o Diário da Piscina no Castelinho do Flamengo.
Na sexta-feira, vamos apresentar as músicas na casa do Rafael.
E no Sábado, tocamos no Escritório, dividindo com o Bruno Cosentino.
A maioria dessas apresentações será sem amplificação de som, em lugares bem pequenos e estou feliz, tudo será de meu tamanho, de meu público.

Na verdade, tudo será para todos os gostos. Por exemplo, o lançamento do Diário no Rio, será um vesperal. E porque a prefeitura precisa aprovar o flyer, já fizemos:

terça-feira, abril 18, 2017



Diário da Piscina: A literatura brasileira de Luís Capucho
April 18, 2017Luiz Antonio Ribeiro

Autor: Luís Capucho
Editora: É Selo de Língua
Páginas: 176

O corpo é sagrado. O corpo é segredo. A literatura de Luís Capucho sempre me coloca diante deste impasse: o que há no corpo que faz dele corpo? E isto, em sua obra, sempre se amplia recaindo diretamente na palavra. O que há nesta sincronia entre palavra e corpo que aponta para algo que é da ordem do mistério e, ao mesmo tempo, parece dizer sobre as coisas mais simples da vida, daquilo que é da vida pequena, reles, do cotidiano? A leitura de Diário da Piscina me colocou diante deste espanto, principalmente após ter lido todas as obras de Luís Capucho.

Diário da Piscina é o relato de um homem que, após sofrer alguma limitação física, se inscreve em uma academia de natação e começa todos os dias a praticar a atividade ao lado de uma série de pessoas. O livro, escrito em formato de ...


http://notaterapia.com.br/2017/04/18/diario-da-piscina-literatura-brasileira-de-luis-capucho/

sábado, abril 15, 2017

Eu tenho me sentido meio pistoleiro com os meus trabalhos artísticos, sabe.
Também tenho ficado embatuscado – não sei se essa palavra existe, mas ela fazia parte do vocabulário de mamãe e é muito fácil saber o que ela é – com relação a ele.
De qualquer forma, tudo continua fluindo.
As minhas As Vizinhas de Trás me fazem lembrar de quando eu estudava no segundo grau e tinha aquela matéria dos movimentos artísticos que não se ligavam em originalidade, mas em cumprir as exigências de um modelo, como fazer um Soneto, em que você tem aquela forma pré-estabelecida e vai e preenche ela com uma ideia, com a ajuda das palavras.
Então, assim são as Vizinhas e tou terminando de fazer essa, que se chamará “As Vizinhas de Trás - a guitarra de Jôsy”.
Esse nome é porque, quando estivemos no estúdio do Pedro Carneiro para gravar a Jôsy( luís capucho/Douglas Oliveira) os meninos do Exército de Bebês, sob a batuta do Bruno Cosentino, foram preenchendo as partes da música de palmo a palmo e, aí, por último, o Guilherme Lírio veio e costurou sua guitarra entre as partes preenchidas, como faz o colar verde dessas vizinhas, vejam:

quinta-feira, abril 13, 2017

O Teatro Popular de Rio das Ostras vai receber a ocupação do Prática de Montação no feriadão de Tiradentes e irá mostrar seus trabalhos nos três dias. No domingo, a Cabeça de Porco, a partir de minha obra lítero-musical.

O Diêgo Deleon mandou:

“De 21 a 23 de abril em Rio das Ostras.

Amigos, estamos enfrentando grandes desafios para fazer essa temporada. Indo porque acreditamos muito nesse encontro e saber que esse debate precisa se estendido para outros campos em tempos tão sórdidos como os que vivemos.

Para diminuir os riscos de um prejuízo financeiro, o que seria grave pra nós, precisamos encher as sessões dos espetáculos.

Por isso, quem puder divulgar, recomendar, marcar os amigos, comprar ingressos pra família, vai ganhar um lugar muito especial no nosso coração.

Talvez esse seja uns dos momentos mais estranhos pra cultura em muito tempo. No Rio, muitos artistas estão desempregados por conta de um calote milionário da prefeitura. A Martins Pena, a escola de teatro mais antiga ameaça fechar suas portas. É difícil permanecer em grupo no meio do salve-se quem puder. Também é difícil trabalhar no sensível, quando a realidade grita por sobrevivência. Sei lá. A gente vai resistindo enquanto somos.

A gente ainda precisa de ajuda com transporte. Se alguém souber onde conseguir, nos avise? Ou doações para o aluguel de um microonibus.

No mais, espero vê-los no teatro. Temos algo muito especial pra contar.” <3 br="">
https://www.facebook.com/events/1913292212244706/


terça-feira, abril 11, 2017

Homens Machucados - Luís Capucho, Bruno Cosentino e Pedro Carneiro [Show...

Eu tenho lembranças de quando eu era criança ficar admirado
demais com corpos de homens machucados. Os curativos na carne musculosa e
cabeluda eram demais pra mim. Os caras ficavam lindos demais com eles!
Também, pré-adolescente, tive um desses sonhos que não se
esquece nunca. Tinha um homem machucado amarrado no cenro de um curral. E eu o
via de dentro de um museu. O curral em que ele estava era como uma tela viva. E
fiquei ali olhando, apaixonado.


Então, agora, surgiu a Homens Machucados:

segunda-feira, abril 10, 2017

No meio do filme que estávamos vendo, ontem, a gente achou que a estória já tinha sido toda desenhada, inclusive o que não havia sido visto ainda. E paramos.
Particularmente, faço sempre isso, sabe.
Outro dia um amigo reclamava comigo de pessoas assim, que abandonam os problemas, porque, para elas, é melhor de resolvê-los dessa maneira.
Você pensa: não quero isso pra mim, vou sair fora. E, aí, se não for frio o suficiente, fica fritando o problema por anos a fio, mas fora dele, desatualizado dele, até que ele vá para o quarto de entulhos e, então, volta a aparecer, descontroladamente, mas só sob a forma de enigma, nos sonhos. Na vida mesmo, essa que a gente sente como verdadeira, ele não existe mais, está frito.
Essa noite tive um sonho desses. Um que sempre tenho.
Sonhei com a Cabeça de Porco.
Fritura... e já virou livro - essa capa, feita sob uma foto do Pedro, ficou linda, mas a editora não usou:

domingo, abril 09, 2017

llessi llé Si no Três Vocês - É natural o sobrenatural

Um dos momentos mais lindos do show de ontem, foi uma
surpresa, ninguém de nós esperava, nem eu nem o Bruno. Quando o Pedro Carneiro
foi tocar a sua “É natural o sobrenatural”, ele chamou a llessi llé Si.


Vejam, no celular do Pedro:

quarta-feira, abril 05, 2017

Este Lugar - Bruno Cosentino [Clipe Oficial]

Como diziam os mais antigos que a gente, tudo vai indo
devagar, caminhando. Também eles diziam ... “vai com Deus”... ou “Deus te
abençoe”...
Havia umas frases, de que não estou me lembrando agora, lá
na roça, que serviam n’algumas circunstâncias que fossem repetidas e tudo, por
exemplo, esta situação de se estar indo embora...
Quando eu era garoto, eu me surpreendia que esses ditos já
fizessem sentido para os meus primos que pareavam idade comigo. Eu era sempre
mais retardado e diante das situações que se repetiam, ao invés de repetir
aquelas palavras que todos diziam, eu ficava quieto, quer dizer, eu ficava na
aflição de não ter o que dizer, ta ligado?
Até hoje, que já sou um homem nessa altura de homem que sou,
fico meio retardado pra ter o que dizer. Normalmente, a coisa a ser dita,
aparece muito tempo depois, quando a situação já se desfez e, aí, se eu não me
utilizei do “...vai com Deus...” não vai mais fazer sentido dizer outra coisa,
porque não vai mais equivaler... quer dizer, eu sei que o ...”vai com Deus”...
vai sempre fazer sentido nessa situação de estar deixando alguém que está a ir
embora. Mas ele tem de ser dito quando a situação ta armada. Se a situação
desarmou, já é outra coisa e não dá mais pra falar.
Então, como eu estava dizendo lá no início, tudo vai indo
devagar, caminhando. Ou, então, eu é quem estou ansioso.


E hoje irei ensaiar o Três Vocês com os meninos. Ontem,
mostrei aqui o Pedro Carneiro. Vejam essa música do Bruno:

terça-feira, abril 04, 2017

Vovô Bebê - O Moço Compra

É um prazer muito grande pra mim apresentar minhas músicas,
junto às músicas do Bruno Cosentino e Pedro Carneiro, no sábado, no Semente, compositores
mais jovens, mas de quem as músicas têm a mesma “geração” que as minhas. Quero
dizer, têm a mesma fonte.
Ao mesmo tempo em que isso acontece, é cada um na sua.
Por exemplo, eu não seria capaz de fazer as músicas que eles
fazem.


Vejam esta do Pedro:

sábado, abril 01, 2017

Eu queria mesmo é ter uma banda pra sair pelo mundo apresentando as músicas que eu invento comigo mesmo, mesmo quando tenho algum parceiro. Os amigos têm dito que sou poeta e eu fico um pouco desconfiado de que eu seja, porque eu confio nos meus amigos, mas eu fico tanto tempo sem pegar no papel e lápis, quer dizer, pegar nas palavras dessa forma que se considera poética... e, às vezes, eu fico tanto tempo sem pegar no violão para compor, como tem acontecido por agora... e tudo me deixa num vazio, numa beira de estrada, no sem sentido aqui do apezinho e tudo... e nesse assunto de poeta, me considero mesmo é compositor, por isso, o desejo de ter uma banda e sair pelo mundo... he he he... um compositor que cheio de medo adora mostrar as músicas... yahahhahah!
Daí, que nessa minha fantasia de 1º de abril, de ter a banda, na verdade, tou fomando uma... só que o Vitor Wutzki mora em Campinas-SP. E o Tulio Freitas mora em Franca-SP. É uma banda que vai se formando como se formam as coisas na natureza, no acaso e na confusão. E vamos estar juntos aqui no Rio para, como fizemos em SP, lançar o meu livro Diário da Piscina(É selo de língua-editora É-2017), em 5 de maio, no Salão Nobre da Câmara Municipal, quando receberei a medalha José Cândido de Carvalho, iniciativa do mandato de vereador Leonardo Giordano.
Para aproveitar os dias em que seremos banda, estamos tentando outros lugares e jeitos de apresentação das músicas.
Também, como na natureza, ao acaso e na confusão, vão surgindo coisas e coisas vão se desmontando ou vão trocando de lugar ou apenas se indiciam sem chegar a tomar corpo, essas coisas... esses “quases” que não se aproximam pra bater...
Um lance que já bateu é para o dia 13 de maio, quando nos apresentaremos no Escritório, dividindo show com Bruno Cosentino.
O Bruno foi quem me apresentou ao Pedro Carneiro e, aí, nisso, de quases que se aproximam pra bater, pra quasar, pra fazer banda de violões, a gente vai apresentar pela segunda vez, com as atualizações, o 3 Vocês, no Semente, dia 8, agora.
Sobre o Pedro e o Bruno, ainda terei muito o que dizer.
Venham, plis:

quinta-feira, março 30, 2017

Em 2015, Pedro Carneiro lança seu primeiro disco solo, Vovô Bebê, com composições que falam de uma vida que se faz entre o fim e o começo, o vovô e o bebê, numa anacronia que constitui o próprio passar do tempo desse músico que compõe de forma compulsiva desde criança, quando já era velho e tocava seu violão. Em 2016, Bruno Cosentino lança seu segundo disco solo, Babies, com a banda Exército de Bebês e produção de Pedro Carneiro, babies making babies no estúdio, o encontro desse avô com outro bebê, num groove meio pop meio funky, e a voz de Bruno no meio, rasgando, cortando o cordão umbilical. Em 2016, Pedro conhece Luís Capucho, apresentado por Bruno que começa a produzir o quinto álbum de Luís, Homens Machucados, com lançamento previsto para 2017 e canções que falam desse homem que é [também e não só] a imagem de um pai, de uma divindade, de um corpo, que fica entre qualquer início e fim, flutuando no peso desse meio, desse tempo quase suspenso, um corte. (Isabela Bosi).

Sobre os músicos

Luís Capucho está na estrada com o show do seu disco Poema Maldito [2014], depois de lançar Lua Singela [2003],Cinema Íris [2012] e Antigo [2012]. Capucho também já publicou os livros Cinema Orly [Ficções de Interlúdio-1999], Rato[Rocco-2007], Mamãe me adora [Vermelho Marinho- 2012], e Diário da Piscina[É selo de língua-editora É- 2017]. Agora, está em estúdio, gravando outros dois discos,Crocodilo e Homens Machucados. [http://www.luiscapucho.com/]

Bruno Cosentino lançou seu primeiro álbum com a banda Isadora, em 2012. Em 2015, lança seu primeiro disco solo,Amarelo, com composições inéditas. Em 2016, lança o segundo, Babies, em parceria com a banda Exército de Bebês. Agora, está está finalizando seu terceiro disco, Corpos são feitos pra encaixar e depois morrer, com lançamento previsto para 2017 e produção de Chico Neves. [https://brunocosentino.com/]

Pedro Carneiro é compositor, arranjador e produtor musical, à frente do estúdio Aienai. É integrante da banda Dos Cafundós e Boreal. Em 2015, lançou seu primeiro disco solo Vovô Bebê, produzido por ele e Chico Neves entre 2009 e 2014, entre a casa de Pedro, no Rio de Janeiro, e os estúdios de Chico, no Rio e em Belo Horizonte. [http://www.vovobebe.com/]


quarta-feira, março 29, 2017

Sempre tenho a impressão de que estou desorganizado. Então, sempre, na minha cabeça, preciso encontrar alguma ordem. Comecei a fazer essa “As Vizinhas de Trás - Nossa Senhora das Graças” faz uns seis meses, mas quando vi uma auréola de um artista secular mexicano, em SP, numa feira de Pinheiros, minha auréola de santa desorganizou e parei de fazer o quadro.
Faz um mês, achei minha auréola na minha imaginação e fiquei ainda um tempo olhando o quadro sem começar a fazê-la. Agora tou terminando ele, mas já dá pra ter sua ideia por inteiro. E os quadradinhos de auréola, estão muito, mas muito bem organizados, encaixadinhos em torno à cabeça dela, no quadro.
E quero organizar essas Santas em um grupo. Essa é a primeira:



As Vizinhas de Trás - Nossa Senhora das Graças
tinta à óleo
70x50cm
Niterói/março/2017

terça-feira, março 28, 2017

Tudo tem uma explicação: instalei essa pirâmide que Pedro me deu em minha janela com esse pendãozinho de serralha dentro da bolinha, que Rafael me deu.

segunda-feira, março 27, 2017

Ontem, fomos ver ao show de Mayara e Maraysa, em Piabetá, onde funciona o Atelier de Indumentária. A gente fez uma confusão danada, porque os lugares que compramos pela internet, quando chegamos lá, era um lugar horrível, que não condizia com a propaganda. Então, a gente ficou andando onde podia, de um lugar pro outro e, agora, que a gente aprendeu, vai comprar melhor os nossos lugares.
Isso foi presente de níver!

Pedro fez fotos:



sexta-feira, março 24, 2017

Não conhecia essa foto. O Diêgo Deleon me felicitou por meu aniversário com ela. Eu sou um bobo e choro à toa... isso foi no final da peça Cabeça de Porco, ano passado... e, agora, que já chorei, o Prática de Montação, eles, o Diêgo, arrasaram! A Cabeça de Porco que fizeram é a minha, com as atualizações que cada ator trouxe pra ela. A Cabeça de Porco de verdade foi demolida e agora é um estacionamento. A Cabeça de Porco do Prática... é a ocupação mais linda que eu já vi de um estacionamento,. he he he! ... que tenho na lembrança...

quinta-feira, março 23, 2017

Diário da Piscina, no loki bicho-SP - parte I - com Marcela Biasi e Juli...

Os dias passam correndo e dia 5 de maio vai ser um dia
especial pra mim.
É que minha obra literária será homenageada com a medalha
José Cândido de Carvalho, uma homenagem aos que contribuem para o
fortalecimento da cultura na cidade. Então, o vereador Leonardo Giordano
reinvidicou a homenagem e a Câmara Municipal aprovou.
No dia 5 de maio, irei recebê-la e aproveitaremos para fazer
um lançamento do Diário da Piscina aqui na cidade, no salão nobre da Câmara.
Outro dia, quando estive na prefeitura para combinar a
entrega com o vereador, Leonardo escreveu em seu perfil do facebook, explicando
o prêmio:

“Esteve hoje no gabinete, o cantor e compositor Luís Capucho, que recebeu da
Câmara Municipal, por iniciativa do nosso mandato, a Medalha Escritor José
Cândido de Carvalho, destinada a quem contribui para o engrandecimento e a
promoção da cultura em suas diversas frentes. A importância da vida literária
de Capucho é relevante na luta por identidade e direitos da população LGBT.
Tivemos a honra de receber seu novo livro, "Diário da piscina", e
aproveitamos para agendar a entrega da medalha, que acontece no dia 05 de maio.
Estão todas e todos convidados!”

Também reitero o convite e de novo minha alegria, porque os meninos
que tocaram comigo no lançamento de SP virão, o Tulio e o Vitor, porque
queremos, na oportunidade, apresentar algumas músicas a ver com o Diário e não.
A gente quer tocar em outros lugares, porque eles ficarão
aqui até o dia 14, então, quem tiver uma boca pra gente entrar é só dizer, que
a gente ta entrando.
Também quero agradecer aos amigos que estão me felicitando
pelo aniversário, é, os dias passam correndo...
A gente vai arrumando tudo pro dia 5 de maio e no decorrer,
vou contando aqui e nomeando as pessoas, que é uma coisa que eu também gosto de
fazer.


Vejam a gente no lançamento de SP:

terça-feira, março 21, 2017

Algo Assim - pecador confesso

Com os dias tendo se tornado mais frescos, faz duas ou três
noites que tenho dormido, de volta à minha cama, no meu quarto. Não que ter
dormido, nos dois últimos meses, em minha sala, tenha me feito sentir que durmo
fora de casa e que minha sala, cheia de minh’As Vizinhas de Trás, não seja
parte muito dentro do apezinho. Mas o que sinto, apaziguado, é que voltar a
dormir no quarto, traz uma ordem que parece tudo estar no lugar outra vez.


Fora isso, muito feliz com essa versão de Algo Assim
(Mathilda Kóvak/luís capucho) que o Pecador Confesso me mostrou, ontem:

quinta-feira, março 16, 2017

“Voz de voo rasteiro sobrevoa a floresta onde o tempo tem cabeças ou perninhas decepadas.” - foi essa frase que o Vítor escreveu num texto, quando me viu pela primeira vez numa apresentação de minhas músicas em Campinas, em 2014. Esse é um lance na minha música que os músicos gostam de implicar, porque acham que não quero dividir as músicas com eles, usando esse tempo sem padrão, em que a minha voz sobrevoa a floresta de tempo sem pernas nem cabeça.
Mas eu tava dizendo pra o Bruno Cosentino, no mesmo dia em que rolou o papo que falei aqui no Blog, aquele papo de os artistas se vislumbrarem por uma fresta e tal, eu falava com o Bruno, porque ele tava analisando o tempo da Jôsy (luís capucho/Douglas Oliveira) para passar para o Exército de Bebês e tudo.
Eu dizia pra o Bruno, que tem uma lógica no meu tempo. Tanto tem, que se você não analisar ela, você não vai perceber a falta de pé e cabeça. Se você não analisar a minha música, ela vai sobrevoar fluidamente a floresta e, sem análise, vai parecer que ela tem pé e cabeça. Por que ela tem, se liga.
Aí, os meninos do Exército de Bebês, quando estávamos fazendo o primeiro experimento de gravar a Jôsy no estúdio do Pedro Carneiro, eles viram isso. Teve uma hora que o Iuri, embatuscado no fluxo da Jôsy falou:
- Que música maluca, mas não parece!
Então, não é que eu queira fazer música sem fluxo, que ninguém entra no fluxo dela. Elas têm fluxo, sim. E a falta de perninhas e cabeças não é proposital, você sabe. É a música que vai pedindo, que vai fluindo nesse Encaixotando Helena.
O Naldo Miranda, que está comigo no “Antigo” desencaixotava Helena comigo de primeira. O Vitor também, faz isso. E o Tulio! Quando tocamos em SP, juntos, os três, na Para Pegar, desencaixotou um fluxo em sua viola caipira que parecia não ir cabendo na música, mas ao mesmo tempo estava cabendo nela.
E vai ser bom outra vez, porque estamos armando de tocar juntos no lançamento do Diário da Piscina aqui em Niterói, quando minha literatura, por iniciativa do vereador Leonardo Giordano, irá receber a medalha José Cândido de Carvalho, em maio!
Como tenho ouvido o pessoal dizer, agora: total!

Fora isso, o gatinho do Luiz Ribeiro com o diário:

terça-feira, março 14, 2017

Dois Diários da Piscina para Portugal, via Copacabana.
Além disso, recomecei minha As Vizinhas de Trás que estava abandonada em minha parede da sala há meses. Eu já disse aqui. E foi em setembro do ano passado, quando estivemos para o show do loki, em SP, um show anterior ao show de lançamento do Diário da Piscina, lá.
Pedro tinha me levado pra conhecer uma feira de coisas de arte antiga e não, em Pinheiros. Então, paramos numa barraca com muitas telas mexicanas de santos. Eu pensei: é uma auréola assim a que irei fazer para minha As Vizinhas de Trás. Só, que não peguei a imagem na cabeça, só a emoção.
Essa minha Vizinha parada na parede, é uma Vizinha sozinha, grande, numa tela retangular, alta. Não é as minh’As Vizinhas de Trás costumeiras, em que uma está ao lado da outra, numa tela horizontal e comprida, como o Thiago disse uma vez, travando conversa entre elas, mas cada uma na sua, cada qual no seu quadrado, cada qual na sua cor. Então, eu, que já recomecei com ela, estava vendo que uma auréola é um troço que concentra, é uma força concentrada que se estende para tods as direções, diferente das vizinhas cada qual isolada no seu quadrado. Mas, aí, vi que tava fazendo uma auréola de quadrados.

E não sei, se o resultado do que tenho querido fazer, vai, no fim, se parecer à auréola. Estou curioso para saber, finalmente, o que será...

sábado, março 11, 2017

Eu adoro esse lance de olhar pra trás.
Eu me lembro que, logo depois que saí do hospital com o que me disseram ser incoordenação motora, eu estava na sala e quando alguém falou alguma coisa na cozinha e me virei pra olhar, caí. Além da incoordenação, alguma coisa no cérebro descentrou o meu equilíbrio, porque o equilíbrio e a incoordenação são coisas que estão no inconsciente do cérebro... he he he.
Eu sabia da incoordenação, porque a médica disse, mas quanto ao equilíbrio, mesmo que eu caísse à toa e mesmo que eu tivesse demorado um pouco pra conseguir me equilibrar de pé, não me conscientizei de sua falta, sei lá, não pensei assim, estou sem equilíbrio. Eu pensava: tenho de voltar a andar, ta ligado?
Então, nessa tentativa de voltar a normalizar o meu andar, ficou um lance tenso, porque não podia olhar pra trás... é um andar meio robô, um lance lento e sem espontaneidade, assim, estátua viva. Por exemplo, quando eu tou aqui em casa e quero levar uma xícara de café no Pedro, eu vou igualzinho a um zumbi. Só ter a xícara, equilibrando o café nela, já desestabiliza todos os movimentos e vou entornando o café pelo caminho, mesmo todo concentrado para que não caia.
Agora, eu tenho dito para a Alessandra que vou entrar na piscina com espontaneidade e tenho treinado isso, entrar na piscina sem pensar ou sem a automatização que rolou de ter entrado na piscina por tantos anos tendo que pensar. Então, o lance agora é tirar do corpo esses automáticos que ficaram, porque acho que tou chegando num tempo em que não preciso mais dessas travas, tem que destravar... tem de levar o café no Pedro sem concentração, com naturalidade...
Vendo agora os registros do Diário da Piscina, vou vendo que entre as outras coisas, estão registradas lá as travas de corpo com que, num repente, fui tendo de lidar, e isso eu acho um pouco engraçado.
Nos anos iniciais de minha recuperação, eu sentia que a cada dia eu ganhava  uma melhora. Depois comecei a sentir que as melhoras vinham mais espaçadas e, hoje, ainda de quando em quando e mais demorado, me dou conta de que avancei numa e noutra coisa. E, agora, andando na rua, eu começo a conseguir olhar pra trás, enquanto ando, que é uma coisa que eu curto demais fazer. Porque, logo que eu fiquei um cara adulto, me incomodei demais com esse lance de só poder focar os olhos numa única direção. Eu queria que meu cérebro inteiro olhasse e não que vazasse a visão apenas para frente, nos olhos. E isso me deixou bastante nervoso. Eu sou meio louco, sim, mas normal...rs.
Outro dia, a gente tava vendo um filme em que o cara não poderia olhar pra trás, na sua travessia do mundo dos mortos para o mundo dos vivos. Aí, eu acho que esse lance de olhar pra trás tem uns sentidos que a gente fica afim de procurar, pra entender melhor as coisas e tudo.
Faz um tempinho, quando Rubia me visitou, numa conversa, eu disse que tinha olhado uns vídeos meus no youtube e tal e fiquei falando disso. E ela fez uma expressão muito séria e surpresa e falou:
- Que legal, luís, que você se vê! – e eu gostei muito dela ter me falado isso com seriedade e num momento assim afirmativo, de confirmação, porque a gente é sempre grilado com isso de ficar olhando para o que já foi, e, como eu disse, adoro olhar pra trás.
E tenho pensado nisso de estar conquistando de volta os meus movimentos e sinto que vai rolando dois contrários: um que vou ganhando os que perdi e outro que vou perdendo, por que vou ficando mais velho e já não quero mesmo que meu cérebro vase para todas as direções. Não quero mesmo ser um Buda... he he he!
Caramba! Muita coisa! Mas estou dizendo isso porque pedi ao Bruno um áudio do projeto Escuta para transcrever. E isso é um olhar pra trás, que tou adorando.
Fora isso, um Diário da Piscina para Icaraí!



quinta-feira, março 09, 2017

3 Deixa

Quando o Rogério Skylab disse no facebook dele que estava em
amor com a minha “Eu quero ser sua mãe”, do disco Cinema Íris, alguns dos fãs
de seu rock e poesia cavaram músicas minhas na internet, foram em meus shows,
gostaram do que ando fazendo, falaram comigo e tudo. Depois, o Rogério me
chamou pra participar do seu disco “Desterro e Carnaval” e cantei com ele a
música “Deixa”, que é uma música que em duas estrofes e um refrão de poesia,
pede calma, entre o foda-se e o vai no fluxo, que ta tudo certo.
Então, é bonito isso, de outros artistas nos verem e parar
pra olhar. E, aí, eu paro junto, fico olhando, no vislumbre da fresta que abre,
de um artista ver o outro e acho que sou um cara meio bobo, porque ao invés de
continuar fazendo as minhas coisas aqui no apezinho, enlevado de descoberta, eu
paro e fico olhando...
Como com o Rogério, há outras paradas de reconhecimento com
outros artistas em que a gente vai se entrocando e se bifurcando, porque tudo a
mesma árvore, a mesma esfinge, a mesma árvore com olhos, que parada, fica
olhando...
Eu tou dizendo isso por dois motivos entroncados, dois
motivos de árvore: que no disco que estamos aprontando, o Crocodilo, há esse
entroncamento de artistas pra que eu fique olhando, porque cada uma das faixas,
ficou na responsabilidade de um deles ( Claudia Castelo Branco, Marcos
Campello, Pedro Carneiro, Bruno cosentino, Gustavo Galo, Lucas de Paiva,
Everaldo).
A outra coisa que se entroncada é que a Jôsy, música do
Crocodilo que Bruno Cosentino arranjou com o Exécito de Bebês e que gravaremos
hoje no estúdio do Pedro Carneiro, também é a Jôsy, de Alagoas, que veio falar
comigo, depois de o Rogerio disse sobre “Eu quero ser sua mãe”.
Ela veio no in box dizer de sua admiração pelo Cinema Íris e
nossa conversa entrou por seu namorado que fez essa poesia pra ela e que
musiquei:

       Jôsy
(luis capucho/ Douglas Oliveira)


Deixe-me jogar teu jogo
Deixe-me amar tua alma
Andarilhos pelas ruas imundas e
com cheiro de vômito
Seu corpo boca nuca ventre alma
Eu preciso, necessidade vital de
um espírito vulgar
Espírito vulgar
Espírito vulgar
Gosto do goso, do pelo no pelo,
no malabarismo erótico
Fim de noite é o fim, eu vejo a
noite em seus olhos cansados
Rezo vinte paraísos me vem aos
olhos, inferno pessoal é saudade
Tristeza nos versos tristes do
Pessoa lembram-me a ti
Sensualismo na pela negra cor do
cacau
Do gosto do caju, tua boca
Ode aos seus olhos castanhos e a
seu cabelo encaracolado
      Da mistura
regionalista com o pop
Da leveza do coco de roda às
nauseas do noise

Da primeira grandeza, estranho
divertido amor
Deixa eu abraçar seu corpo num
fim de tarde
Olharemos a chuva o cachorro late
ciumes
Momentos felizes o ceu ta laranja
agradável nostalgico.
Obs: essa poesia é parte do primeiro livro de poemas do
Douglas “Noise, prosas de alegria e tristeza” e está sob o título de “Acalando
ao amor”.

  



terça-feira, março 07, 2017

Hoje , estive na Câmara Municipal de Niterói para falar com o vereador Leonardo Giordano, cujo mandato homenageará minha literatura com a medalha José Cândido de Carvalho. Ficou decidido que faremos um lançamento do Diário da Piscina no dia em que receberei a medalha: dia 5 de maio, no salão nobre da Câmara.
Foi muito lindo andar pelos corredores de lá, com a Janaina Bernardes e a Melissa MelMoon para vermos os lugares possíveis para a entrega e lançamento ! Elas são muito lindas e objetivas...rs.
Como eu disse ao Leonardo Giordano é muito importante que minha literatura seja homenageada, pra eu ter a noção de que as estórias que conto fazem parte de um lance maior, que o sem noção aqui, nem sempre se dá conta de que está dentro.
E parabéns a ele por colocar na roda essas coisas! :)

domingo, março 05, 2017

Ontem, estivemos na porta do Escritório, para assistir a seu Fechamento, com as bandas:

A BATIDA QUE O SEU CORAÇÃO PULOU

HERZEGOVINA

NITÚ

VOVÔ BEBÊ

Ficamos sobre os trilhos do VLT numa rua linda do Rio antigo ouvindo as bandas e, aí, o pessoal que passava vindo ou indo para o carnaval da Lavradio e Pça Tiradentes, a caminho da Central, passava ali dançando e depois continuava o samba no carnaval, o último dia.
A gente ficou ali curtindo a poesia daquele momento e teve uma hora que o Bruno veio e traduziu - eu não me lembro com exatidão, mas me esforçando agora pra dizer, ele disse mais ou menos que ele curtia a poesia das coisas, que nas palavras dele, como ficou pra mim, era um movimento do corpo, uma evolução, ao mesmo tempo uma postura, um êxtase e, aí, ele falou de um bailarino de Flamenco que tinha isso.
Aí, eu disse:
- É uma poesia antes das palavras, né? – e acho que ele disse que, sim.
Então, a gente ficou ali curtindo a poesia do momento que a música das bandas fez crescer em muito e Pedro fez essa foto que falou tudo:


quinta-feira, março 02, 2017

Gilberto Gil - Era nova

Quando preparava o Diário da Piscina, vi que a repetição dos
dias é meio como um tempo que não se move, que está sempre na eternidade daquela repetição de si mesmo, como um tic-tac de relógio e tudo.
Então, me lembrei de uma música de Gilberto Gil que eu conhecia
chamada “Nova Era”. Uma música de um disco de 1977 – o Refavela.
E eu não conhecia ela de 1977.
Em 1977, eu tinha 15 anos e não conhecia o que chamam MPB,
que era uma música mais pra quem tivesse toca-discos em casa, pra quem tivesse televisão e rádio. Conheci mesmo a “Era Nova”, eu devia ter uns 20, já nos anos 80, e morava em Niterói, no centro da cidade, na Cabeça de Porco que se tornou o cenário para o livro Rato(Rocco-2007) e tudo.
E então, na Cabeça de Porco, eu ouvia direto um radinho que
eu e mamãe tínhamos e foi lá que conheci. 
Era cantada por uma mulher de que não me lembro o nome. Quem souber, pode dizer, eu gostaria de lembrar.
E, por isso, porque os dias se repetem na eternidade, usei,
como mote para o Diário, essa frase:
“Falam tanto de uma nova era, quase esquecem do eterno é”.
Depois, é que veio a coincidência de lançar pela É selo de
língua – editora É... quer dizer, tudo ali na mesma situação, e o livro, também, a situação de uma piscina com sua repetição.
Tudo: hoje, um Diário da Piscina para o Jardim Botânico!

Era Nova
(Gilberto Gil)

Falam tanto numa nova era
Quase esquecem do eterno é
Só você poder me ouvir agora
Já significa que dá pé
Novo tempo sempre se inaugura
A cada instante que você viver
O que foi já era, e não há era
Por mais nova que possa trazer de volta
O tempo que você perdeu, perdeu, não volta
Embora o mundo, o mundo, dê tanta volta
Embora olhar o mundo cause tanto medo
Ou talvez tanta revolta
A verdade sempre está na hora
Embora você pense que não é
Como seu cabelo cresce agora
Sem que você possa perceber
Os cabelos da eternidade
São mais longos que os tempos de agora
São mais longos que os tempos de outrora
São mais longos que os tempos da era nova
Da nova, nova, nova, nova, nova era
Da era, era, era, era, era nova
Da nova, nova, nova, nova, nova era
Da era, era, era, era, era nova
Que sempre esteve e está pra nascer
Falam tanto

quarta-feira, março 01, 2017

Marcela Biasi - Você é muito lindo (Kali C/luís capucho)

A gente fez trezentos Diários da Piscina – eu e a É selo de
língua – editora É.
E já disse antes no Blog Azul e, outra vez, insisto em dizer
que a gente não consegue saber sozinho sobre as coisas. Também é certo que o
que sabemos sobre elas vai fazendo, junto a outras coisas que entram na nossa
cabeça, um monte de combinações no pensamento que vão modificando o seu formato.
E, aí, ora elas ficam estáveis, inteiras, e noutras horas
abaladas, trincadas. Para irem girando, mudando o ângulo, a visão.
O Diário da Piscina é trincado em registros diários, como é
trincado o Blog Azul em registros diários e também são inteiros, sob o nome de
Blog Azul e Diário da Piscina. Uma visão inteira do Diário, talvez, suponha os
meus outros livros, talvez, não. Talvez suponha os discos com as músicas e,
não.
A “Você é muito lindo”(luís capucho/Kali C), por exemplo,
foi composta no entremeio dos registros dele, em minhas idas à piscina entre os
anos 2000 e 2001. Mas, aí, as combinações que foram se criando na minha cabeça,
o Diário ruiu, trincou, e ela escapou de lá. De um jeito incrível, Marcela
Biasi, quando pedi que ela se apresentasse no lançamento do livro em SP,
escolheu essa música pra cantar e tocar. Ela, então, voltou pro lugar naquele
intante.
Desse jeito:



terça-feira, fevereiro 28, 2017

Este ano vai igual àquele que passou, carnaval nem pela televisão.
Mas não é o caso de estar triste, de não curtir alegria, de não gostar de ver o pessoal esbanjando brilho e amor. Na verdade a vibração do carnaval é tão forte que mesmo que o meu esteja igual ao do ano passado, ele chega pra mim, vêm uns focos de carnaval aqui, umas alegrias, tipo, os Fora Temer, uns batuques na minha rua, a gente vê do prediozinho neguinho indo ou voltando com as fantasias e tudo.
Mamãe faleceu num domingo de carnaval, na hora em que a Império Serrano entrava na avenida, em 2009. Isso encheu de sentido a sua morte, porque a gente vai fazendo as relações, quando uma coisa não tem explicação, você sabe. Naquela noite, o ar de Copacabana estava cheio de água. Em torno às luzes da praia, havia uma neblina de água, em torno aos prédios e nas ruas internas de Copacabana também tudo estava meio ofuscado daquela neblina líquida. Assim, no baque de saber que ela estava morta, o meu corpo ficou três vezes mais pesado do que eu costumo sentir de seu peso e imersos nas ruas de Copacabana – eu estava com uns amigos queridos – com aquela neblina vinda do mar invadindo o bairro, na madrugada, eles falavam de outras coisas, minha mãe tinha acabado de morrer, e não sei se viram o ar mais denso chegando do mar. E que eu estava mais lento e pesado do que costumo ser lento e pesado.
Nesse domingo de desfile de carnaval, fez 8 anos de seu falecimento e fiquei doente, febre a noite inteira. Agora estou forte outra vez. Hoje é o último dia do colírio.

Como disse a Teuda, não tenho esse Édipo. Olho furado tem cura!

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Ainda sobre o meu olho, quando era estudante... eu não me lembro direito... mas fiz um trabalho escolar sobre a força que ele tem, relacionando isso à lenda indígena do guaraná, ao olho furado do Édipo, e fiz outras relações, embora na época não soubese ainda do olho grego para que também pudesse viajar nele e tudo.
Então, faz pouco tempo, durante as filmagens do Peixe, quando filmávamos aqui em casa uma de suas cenas com a incrível Teuda Bara – que fazia o papel de mamãe – eu comentei sobre isso, de me sentir fraco diante das coisas e que eu estava pensando que o meu olho era um sinal de minha debilidade, de fraqueza.
Então, a Teuda, que era mamãe, falou:
- Não, luís, fique tranquilo! Você não tem esse Édipo, não!
Então, agora, no contexto do lançamento do Diário da Piscina, literalmente, o olho furado voltou: a médica me disse que a infecção fez com que ele vazasse por dentro, por isso é que não paro de ver as sombras se movendo nas imagens que eu foco.
E fico imaginando as coisas que isso quer me dizer, os sentidos que isso faz pra mim... um lance dramático que me faz, parado aqui no apezinho, me centrar em mim mesmo e tentar gerar força, inventar, criar a força pra ir vivendo tudo no ritmo mais pesado que os dias têm, com um olho furado... he he he!

Moral da estória: febre a noite toda, gripe.

domingo, fevereiro 26, 2017

Os remédios que tive de voltar a tomar para a toxoplasmose no olho esquerdo deixam-me com pouca energia, porque são muitos e porque tive de modificar o horário de acordar, quer dizer, não durmo direito. E sou a pessoa que eu conheço que mais dorme na vida, que a hora de me deitar é um momento que eu adoro, deixar tudo em silêncio na casa e só os barulhos lá fora, longe, entram.
Continuo sem pegar no violão, nos livros e n’As Vizinhas de Trás.
Quieto e parado, às vezes, cismo que o barulho é aqui dentro do apezinho. As casas têm vida, elas se mexem, ficam ruindo no silêncio, você sabe. A médica me disse que a toxo pegou outra vez em minha retina, que é um lugar onde ainda não há o que se fazer, a não ser tentar parar a infecção. Daí, ela me disse que tenho ainda uma chance. Pedro acha um absurdo e não se conforma que um óculos não possa resolver o problema no olho. Eu tenho tomado muita água, porque os remédios ajudam a me constipar todo. Além dos vírus que adentram a casa pela janela e se ajeitam pelo cantos, porque sou preguiçoso para ficar limpando tudo, toda hora.
Como da outra vez, os remédios vão me deixando cada dia mais gordo, e não curto isso, ter a cara mais redonda, num homem com mais de 50 anos. Há muito o que dizer de meu ponto de vista e tenho de ter paciência com isso. Olhar todos os pontos e ver que não há o que fazer. Só ficar diluindo esse domigo de carnaval.

Nada.