segunda-feira, junho 18, 2018

Cavalos - luís capucho

Subindo a montanha de remédios já engordei quatro quilos. Eu fiz algumas apresentações, durante os tratamentos passados e, apareço no celular do Pedro, bem gordo. Fui ver o vídeo em que apareço no meu primeiro tratamento de uveíte, que foi em 2015. Minha Camisa de Fazer Shows está bem no início. Está apenas com o breve de Mamãe, a patente do Prince, que Ruth me deu, e uma conta de lágrimas costurada no ombro direito.
Ganhei de Dona Lidia, duas formas de gelo, com apetrechozinhos de fazer bijuterias. Para o próximo show, na
quinta, farei uma sessão delas, em torno ao breve de mamãe. Vai ficar bonito.
Na quinta-feira, eu e o Lucas Parente, no baixo, apresentaremos algumas de minhas músicas no Escritório, às 22h.
E o Bruno Cosentino irá cantar alguma comigo.
Será também a apresentação do Paulinho Tó, vocês sabem.
E, no dia seguinte, eles apresentarão seus discos no Audio Rebel.
Vejam nos comentários, o formigão:


domingo, junho 17, 2018


Ontem, estive para tocar as músicas na ocupação convocada para a Cinelândia, mas o dia fechado, escuro de chuva, e a ausência de uma estrutura minha, de apoio pro som – e é por isso que tenho apresentado as músicas sem amplificação, nas salas dos amigos – fez com que não acontecesse isso. Eu até queria tocar assim mesmo, sem amplificar e tudo, porque a Cinelândia tem um vento, tem uma luz, tem um lance que reverbera pela praça que é o mesmo de uma praia, quer dizer, acho que é a minha praia e, aí, eu até disse pro Felipe Abou, que poderíamos nos proteger na marquise diante do cadáver do Orly e mostrar as músicas, com meu violão e voz amplificado numa caixa dessas sem fio que Pedro tem, e a sua bateria-mirim.
Depois, pensando comigo, achei que entrar outra vez nessa egrégora, fonte no cadáver, não fosse bom, sei lá, já é outra coisa onde estou, mas, ainda abri a janela e olhei pro céu da Cinelândia, aqui do apezinho. Poderíamos ocupar a marquize da igreja evangélica, na praça, embora ainda essa não seja a egrégora onde estou.
Ao menos, estarímos dentro da praça e protegidos da chuva.
Só que tava ficando cada vez mais carregado, e não fomos.
Hoje, o dia melhor, talvez, consigamos.
Independente, assim, venham!


sexta-feira, junho 15, 2018

O Rodrigo Menezes foi quem fazia as fotos dos atores na Cabeça de Porco, a peça do Prática de Montação. Quando suas fotos começaram a aparecer pra mim aqui, na internet, descoladas da Cabeça, sem membros e sem rabos que houvesse, só o tronco delas, belo e potente, cheios do viço dos rapazes e moças em posição de fúria, seja a tristeza que fosse, eu pensei, caramba, a peça dos meninos ainda tem esse halo, que coisa, que maravilha, que o lodo reverbere assim.
E no último De Casa em Casa, com leituras do Diário da Piscina, na Casa Sapucaia, ele tirou essa foto da Camisa de Fazer Show. Eu pedi e ele me deu. É desse jeito que eu vou me blindando, na cidade em guerra. Na Casa Sapucaia, quando entrava pelo portão, tinha um pedacinho cintilante de plástico azul, no meio das pedras do chão. Vou achar um lugar pra ele, nela, para mostrar músicas na Cinelândia, sábado.

quinta-feira, junho 14, 2018

Faz um tempo, acho que em 2016, quando eu apresentava as minhas músicas no Bar Semente, numa noite, em que me apresentei sozinho, voz e violão, porque era uma época de ocupações coletivas, em que o pessoal se juntava em torno de alguma causa pública e ocupava um lugar, fiz uma apresentação lá que eu chamei de Ocupa Capucho. Era um lance singelo, no Semente, vazio para os meus shows. E a impressão que eu tive da ocupação que fiz de mim mesmo, nem conta muito, porque o som de lá era muito bom e mesmo que eu pudesse pensar que não estivesse cheio, pleno de mim, assim, mandando super bem e, que eu não fosse um tipo fullgás, apenas pelo fato de eu estar no meu violão, isso era o que bastava, porque no que eu pensava, era na ocupação dessa posição, assim, um processo de ocupação amplificado pela técnica, fora de minha sala, se liga.
E eu tou ligado nesses levantes que precisam haver para a tentativa, com técnica ou sem técnica, de organizar a vida de um outro jeito, em que a gente possa confiar mais em nós mesmos, nas outras pessoas, e ter uma cidade menos maluca do que o jeito como ela ficou. E sábado, agora, eu Felipe Aboue Lucas Parente, vamos participar do Ocupa Cinelândia, que é um lugar caro pra mim. E vou aproveitar pra dar o meu viva à irresistência do Cinema Orly, que cadáver, ainda respira no seu subsolo.
Vejam a programação! Vamos todos! É amor!
No dia 21 de junho, o Paulinho Tó fará o Escuta: um programa de entrevista com audição de seu disco, e isso vai acontecer no Núcleo Canção da UFRJ. Depois, mas no mesmo dia, às 22 horas, vou estar com Bruno Cosentino e Lucas Parente no Escritório, onde nos juntaremos ao Paulinho para, cada um de nós, apresentar algumas de nossas músicas.
Tenho tido o privilégio de fazer as transcrições de boa parte dos Escutas, inclusive, o meu próprio, que fui quem estreou a ideia, com audição do meu Poema Maldito. E pra quem quiser ouvir , ta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_mf1plY6_zg
Aprendo demais fazendo as transcrições. Vou me situando, me colocando no meu lugar. Quer dizer, eu curto demais transcrever os áudios.

quarta-feira, junho 13, 2018


Quando nascem, minhas melodias são improvisos, que eu aprisiono nos acordes fixos do violão. Depois de um tempo, deixam de ser os bebês de moleiras frágeis e ficam fortalecidas na forma que eu dei. Isso vai se relacionando com muita coisa, porque a melodia fixa, de moleira dura de bebê, ao ser executada, vai se insinuando nas brexas do tempo, do dia, da minha pessoa, e fixa assim, parada, vai fazendo parte de um outro improviso que não é mais o seu.
Daí que mesmo parada e presa, ela se renova a cada execução. E, como eu disse, isso se relaciona a muitas coisas. Uma coisa relacionada a isso, que eu me lembre agora, é a máscara que vai se criando no rosto da gente, uma crosta na nossa cara e que vai nos dando a forma de uma mulher ou de um homem ou de uma bicha ou de sapatão. Também a crosta que se forma na cara das professoras e professores. E que os egípcios colocaram em suas tumbas, muito parecidas com a Lygia Fagundes Telles, muito principalmente, se ela fumasse um cigarrinho de palha.
Fora isso, aprendi a fazer biomassa de banana verde, pra renovar meus intestinos, que os antibióticos estão ferrando.

terça-feira, junho 12, 2018

AUDIOLIVRO - O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS

Tem esse audio do Livro Tibetano
dos Mortos, no youtube.
Tenho me sentido uma serpente
produtora de sonhos, eu sou um nascedouro deles, junto com os meus respiros e
de onde nascem não consigo situar ao certo, se vêm de meu baço, se do fígado,
rim.
O fato é que sinto, enquanto se
contorcem ao nascer, irem criando nós de tensão na serpente de minha coluna e,
aí, quando me sento nas cadeiras, nessa cadeira de vinil negra em que me sento
diante do computer, por exemplo, não estou bem. Logo começa uma dor de não
conseguir ficar na posição, sem ela.
Então, coloquei esse áudio do
Livro Tibetano dos Mortos e fui seguindo, concentrado em cada sonho de cada
bardo, fui vendo que consegui me sentar sem a dor, por um bom tempo. Isso
aconteceu comigo, de relaxar a coluna e não produzir os sonhos, da vez em que
fui tomar Ayuasca com o Rafael Saar.
Porque o que eu preciso é soltar
a minha coluna, libertar os meus sonhos, não tê-los para sempre nascendo,
brotando, entre minhas vértebras, vindos, não sei, se do baço, fígado, rim.
Também, quando fiz o alongamento
da Kelly, foram movimentos tão serpenteados, umas serpentes entrando pelas
outras, elas se soltando para a frente até onde não podiam mais, enrolando-se
umas dentro das outras, que eu pensei que os circuitos de meu corpo,
envelhecendo e estragando, estavam com aquelas voltas e estiramentos todos, se
refazendo. E que isso iria ser bom pro meu olho esquerdo de Édipo. E que aquele
dito de mamãe “olho furado não tem cura” não iria valer pra mim.


E tem mais coisas, que a repetição
do audio vai dizendo. Também encontrei um texto legível dele, na internet.

domingo, junho 10, 2018

Dia 21 de junho, às 22h, estaremos apresentando essas músicas que temos apresentado nas salas dos amigos, no Escritório. O Bruno Cosentino vai participar cantando música minha e vai ter show do Paulinho Tó, um belo compositor de São Paulo.
Estaremos eu, Felipe Abou, na bateria e Lucas Parente, no baixo. Todos ensaiadíssimos!
Tem vezes que fico amendrotado e erro um pouco sem ninguém saber. E tem vezes que vou por cima acertando tudo.
Venham todos!



quinta-feira, junho 07, 2018


A médica disse que não pode garantir que eu não vá perder a vista esquerda. Mas que eu conte com ela. Então, isso é cheio de melancolia, porque é como se eu tivesse vivendo as últimas vezes de meu olhar que vai acabando devagar, pra ser o pesadelo de uma visão monocular. Tem também o que sempre acontece de o médico errar, ela mesmo disse que “não poderia garantir, porque ela não era deus.”
Eu sempre fico prestando atenção nos movimentos de meu entorno, se há sincronia de meu fluxo interno, do meu sangue, do ritmo de minha respiração, das coisas que sinto e que me acontecem, com os movimentos do dia, por exemplo, se a chuva que cai no meu vale, também não é parte desse meu sentimento e se ela também não traz alivio pra mim, como quando choro.
E aconteceu de outra vez os cachorros de meu quarteirão começarem a uivar muito dolorosamente. Eu não quero ficar prestando atenção nessas sincronias, nessas relações, porque desde adolescente, desenvolvo esses traços paranóides, deixando que as coisas entrem mais em mim e me confundam e me tomem o lugar, ao invés de eu fazer e pensar livre.
Fora isso, estou diante da montanha de remédios. Preciso atravessá-la, subir e descer. Terei terminado todo o subir e descer, dia 18 de julho.
Chegou a hora dos uivos.
Começou.

quarta-feira, junho 06, 2018

Eu gostei demais e me sinto mais completo com a primeira vez em que juntamos os livros com minha música, tresantontem, na Casa Sapucaia. Na verdade, esse movimento, na prática mesmo, começou, quando o Edil levou minhas cartas pra ler no De Casa em Casa no Marcio. Depois, repetiu suas leituras no De Casa em Casa do Eduardo Nahum e do Bruno Cosentino. Antes disso, sem que acontecesse ainda, nós já tínhamos começado a pensar, eu, Paulo, Diêgo, Rafael, Vitor, Pedro e também o João de BH,  nesse entreçace de minhas músicas com os livros. Fizemos uns primeiros encontros, no ano passado, com leituras do Diário da Piscina. Mas os acontecimentos todos que vieram se sucedendo para cada um de nós, na verdade, tudo mesmo, foi esparsando a ideia e pudemos voltar com ela, quando o Felipe Abou falou da Casa Sapucaia, onde havia uma piscina, e, aí, o sentido se fez outra vez. Mas, aí, choveu pra caramba naquela noite, e fizemos na sala, como têm sido mesmo os De Casa Em Casa.
E agradeço demais a esses rapazes, amigos, cambada, pela alegria!
Fiz um print do video que Pedro fez no celular:

terça-feira, junho 05, 2018

Mais uma canção do sábado - luís capucho

Eu adoro a Mais Uma Canção do Sábado, música do CD Poema
Maldito e que fiz sobre o poema do Alexandre Magno, que por sua vez, construiu
seu poema a partir d’A Música do Sábado(Kali C/luís capucho), que está no CD
Cinema Íris.
Aqui, estamos tocando, eu e Felipe Abou, na sua bateria de
rapazinho, dentro do projeto De Casa em Casa, ante-ontem, na Casa Sapucaia, em
Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Pedro filmou.


A verdade é uma criança brincando:
Na madrugada, fiquei tentando me lembrar da palavra que ficamos buscando, eu e Pedro, enquanto esperávamos o meu atendimento para o exame fundo de olho, que tive de fazer, ontem. Passei um grande tempo, que na madrugada, nunca se sabe quanto, apenas grande, e no fim, antes que o dia clareasse, lembrei: ladainha.
E fiquei pensando, no ES, o quanto a minha infância tinha sido religiosa, o Espírito Santo rural, na minha infância, é religioso demais, e conheço o sentido religioso de ladainha desde pequeno. Pedro, que é da cidade de São Paulo, conheceu primeiro o sentido da ladainha que faço aqui no Blog Azul, todos os dias.
Ficamos buscando ladainha, porque preciso sagrar “As Vizinhas de Trás – Santa Moema”, que voltarei a pintar, depois de um tempo parado. E tinha parado, porque estava achando sem graça, feia, e santa precisa ter graça. Minha ideia, depois de pronta, é sagrá-la, ou consagrá-la, com os meninos e meninas da Cabeça de Porco, que a inventaram. Pensei que, se os meninas-os aceitarem, a sagração dela, poderia ser a intervenção de cada um deles, nela.
Embaixo, a Moema, de Victor Meirelles:

segunda-feira, junho 04, 2018


Novamente, olhando para a montanha de remédios.
Olhando da montanha de remédios, consegui organizar tudo para que, às 21 horas, seja o último horário deles, hoje.
A médica me explicou, olhando sério e firme pra dentro de mim. E ficando do lado de fora, me disse que é nóis, que tamo junto! Eu sei como é isso, eu sempre entendi sobre isso, que no final das contas, sou eu olhando para a montanha, olhando da montanha.
Às 21 horas, terei uma trégua. Amanhã, recomeço a subida: o estômago, os rins, o fígado, os intestinos. Os exercícios físicos para amenizar o bombardeio. Melhor conquistar força, do que ser forte apenas. O estômago, o fígado, os rins, o fígado, como vacas assassinadas para que eu jante. Tenho essa montanha: um bando de gente, eu, rapazes e moças, produzindo, cheios de fissura, textos que não se completam.

sexta-feira, junho 01, 2018

drama


Comecei a anotar as datas nos cabeçalhos de meu cadernos, em março de 1969, quando entrei para a escola primária. Hoje, estou em 2018 e são 1º de junho. Faz 49 anos que anoto essas datas, dia a dia, com interrupções entre alguns deles, mas a continuidade de minhas anotações, são espaços maiores que o espaço de ausência delas.
Consegui agendar uma consulta no oftalmologista para o dia 15, e não tenho ideia de que, se espero tantos dias para medicar minha uveíte no olho esquerdo, eu vá comprometer, para sempre mais, a diminuição dessa minha vista ou, sei lá, se ficarei cego dela.
Há muitas situações diante das quais a gente fica se sentindo impotente. Ontem, eu estava com a ideia de que não há realmente nada que a gente possa fazer. Estava com a ideia de que as coisas são o que elas são e pronto. E estava com a ideia de que não há nada mais revolucionário que deixar as coisas como elas estão. Que aí, elas vão se enovelando no fluxo do movimento da vida, dos dias e das noites e, por elas mesmas, vão se arranjando umas com as outras, sendo o que são e o que têm de ser.

quarta-feira, maio 30, 2018


Há um ano atrás, fui no correio aqui de Niterói para enviar um Diário da Piscina para Copacabana. O livro, lançado em janeiro, no contexto dos outros que escrevi, logo deixou de ser nacido, ficou na lista dos melhores de 2017, na revista 451, especializada em leitura, em livros.
Em junho do ano passado, quando iríamos lançar o “Diário...” aqui no Rio de Janeiro, quisemos que fosse na piscina. Mas não rolou. Fizemos um lançamento inesquecível pra mim, emocionante, na estréia da peça Cabeça de Porco, dos-as meninos da Prática de Montação.
Agora, nesse tempo angustiado, o De Casa em Casa vai pro fundo da Piscina, com leituras pelo Paulo Barbeto, sob a direção de Diêgo Deleon. Venham todos! Tragam seu dinheiro para colocar no nosso chapéu! É livre! Estaremos eu, no violão, e Felipe Abou, na bateria de garoto.
Vejam:

terça-feira, maio 29, 2018


Eu me lembro, na época em que frequentava escola, ter me envolvido muito prazeirozamente com um trabalho escolar que relacionava a visão com força. Mais ou menos como cabelos, os olhos, a força nos cabelos de Sansão, os olhos, algo como força na peruca. Daí, quando o rei Édipo descobriu ter transado com a mãe, furou o próprio olho, como sinal de que perdera o controle para a força do destino, algo assim, se sentindo fraco.
O Rafael Saar, quando chamei pra dirigir meu primeiro show Poema Maldito, pintou meu olho, um olho só, como o olho furado do Édipo. Depois, isso ficou incorporado aos shows. Os Felipes que me acompanharam ou que me acompanham nas músicas, se solidarizam comigo nesse Édipo. Também, é uma singela homenagem à tradição do Secos & Molhados, em que Ney  Matogrosso foi vocalista. Olho furado não tem cura, como dizia mamãe.
A Teuda Bara, quando foi mamãe em uma cena rodada aqui em casa, me garantiu que eu não tinha-teria esse Édipo, esse tipo que perde um olho pra si mesmo, para o destino. Agora, por último, tenho pensado muito no sentido da força, que preciso ter, que não vou perder. Pra suportar a luz de todo dia, cega.
Fora isso, minha uveíte voltou a baixar minha visão do olho esquerdo. Não sinto dor. Marquei a médica para dia 15/junho.
      


segunda-feira, maio 28, 2018



Semana passada, costurei, na minha camisa de fazer shows, um coração, que tava pendurado numa árvore ao lado do Itau Cultural, na Avenida Paulista. O Felipe é quem viu e deu a ideia. Havia muitos corações pendurados na árvore, que era muito alta. E havia também corações caídos no chão da rua, mas estavam molhados, escuros, porque a água escurecia sua cor e, aí, pereciam morrer. Os vivos ainda estavam pendurados na árvore, mas ninguém conseguia pegar.
Ainda fiquei um tempo embaixo dela esperando que passasse alguém muito alto na avenida, que eu pudesse pedir o favor de pegar pra mim, mas não passou. Aí, fui falar com o pessoal da organização do show. A Regina decidiu me dar outra coisa, uma fita preta, que eu colocasse e coloquei, mas ficou pesadão, tirei. O Rodrigo, se desculpou, tava cheio de trabalho e não poderia ajudar. Então, o Carlos Gomes, que em tudo foi maravilhoso conosco, fez a maravilha. O Felipe tinha um alfinete e ainda tive tempo de usar no show.
O Marcio Martins fez uma foto.
O coração no ombro, à esquerda de quem vê:

quinta-feira, maio 24, 2018

Ontem, estivemos no lançamento do livro de poemas pós-coquetel “Tente entender o que tento dizer”, organizado pelo Ramon. Esse livro é um link com minhas apresentações de final de semana passado, com Vitor Wutzki e Felipe Aboud, na cidade de São Paulo. E, ontem, fui surpreendido pela leitura de minha letra “A Música do Sábado” que o Guilherme Zarvos fez, lá na frente. Depois, quando fui apresentado a ele, brinquei que ele tinha feito uma leitura ruim. E sempre corro o risco de acreditarem no que digo brincando, por causa de minha entonação também ruim. Escrevendo, o tom das coisas ditas, fica mais em aberto ainda, quer dizer, ruim. Tente entender...

segunda-feira, maio 21, 2018

Ir a São Paulo, como fomos, num final de semana frio demais e cheio de sol, a cidade do Pedro, é, de verdade, um sonho delirante.Eu não queria ver os shows da virada que havia em tudo que era direção. Queria ficar ali, ao redor de onde estávamos hospedados, porque eu já sabia que a Paulista, com os artistas de rua, iria deixar - e deixou - a gente no último. A explosão começou, quando veio passando uma parada, com a baliza marchando diante da banda da Associação de Apoio à Adoção. E quando o Pedro deu a ideia de entrarmos no MASP, aí, explodiu tudo, porque atravessamos para o mundo dos mártires santos de pernas fortes das esculturas do Aleijadinho e, depois, o que foi aquilo de cair nos anos 70 - mundo moça pobre e preta da Maria Auxiliadora?
Ele registrou tudo. E quando já vínhamos embora, fez o self da gente sonhando: ele, eu, Pedro Spagnol, Laís, Vitor e Gabriel Edé. Faltou o Felipe, que tava sonhando por fora.


quinta-feira, maio 17, 2018

Inferno - luís capucho

Amanhã, vamos em banda para São
Paulo, eu Pedro, Felipe e Vitor. E amanhã mesmo faremos um De Casa em Casa no
Gabriel Edé. Os amigos de SP que quiserem ver o show no Edé fala no in box pro
endereço. É no Perdizes.
No sábado, a gente participa da
Mostra Todos os Gêneros, que esse ano tem como tema a estigmatização do pessoal
que ta vivendo com o HIV. Vamos tocar após a mesa que falará sobre o direito de
se dizer ou não infectado. Atenção: as senhas serão distribuídas antes de
começar a mesa, às 15:30h.


Esperamos todos!

quarta-feira, maio 16, 2018


Eu já disse que aqui no meu quarteirão tem uma grande energia telúrica. Por isso tem uma castanheira muito frondosa em frente a nosso prédio. E por isso, a concentração de igrejas em frente a ele, do outro lado da rua. Quando mamãe era viva, nós íamos juntos a igreja batista aqui em frente. Agora, que ela se foi, tenho ido ao centro espírita. Às vezes, me dá uma grande vontade de chorar lá, e fico chorando.
É tudo muito moderno, o universo não é considerado como terra, céu e inferno. Mas todos os planetas fazem parte do universo e os espíritos, pelo que estou começando a entender, vão e vêm de outros planetas, somos todos seres interplanetários, têm muitos universos, muitas frequências, tudo cheio de muita cor, uma realidade surreal.
É bonito. Mas não vou lá sempre. Não sinto fluxo.


sexta-feira, maio 11, 2018

Mamãe, desde sempre, teve umas caixinhas de sapato que funcionavam como cofres. Era onde ela guardava as coisas que lhe eram preciosas: santinhos, moedas antigas, cartas dos parentes, breves, velas santas, meus cabelos cortados da primeira vez, fotos em binóculos, tudo.
Com as muitas mudanças de casa de patroa em casa de patroa que ela fez, muito pouca coisa ficou de seus guardados ou muito pouca coisa mesmo ela teve em suas caixinhas-cofre. Por exemplo, não me lembro de ela ter tido alguma vez uma foto dela mesma antes de eu nascer. Também nenhuma de sua família. Nada, nenhuma lembrança ficou de seus pais. Mamãe não tinha nada. Só as coisas que ela me contou.
Mas tenho uma foto linda dela, que se tornou a capa do meu Mamãe me adora. E, acho que se parece comigo.Também tenho um Santo Antônio pequeníssimo, feito de chumbo. E nele mamãe amarrou uma oração, num pedaço de papel. À medida que vou ficando mais velho, mais parecido com mamãe, vou me tornando. A ponto de ter começado a pensar que morrerei do mesmo modo como ela morreu, o corpo foi estragando, estragando, primeiro estragou um lado inteiro e depois, quando o outro lado estragou por completo, ela ainda teve tempo de pedir minha mão e, imediatamente, se foi. As mãos agarradas na minha, como a de um afogado. Nos primeiros meses, após sua partida, eu chorava muito, por que eu achava que devia ter segurado ela aqui, eu devia ter tido força pra não ter deixado ela se afogar dentro da morte. E eu chorava e me sentia culpado por não ter conseguido. Quando eu vi, eu segurava na sua mão, mas ela já tava afogada.
Depois de amanhã, será o dia das mães. E eu tive a mais foda de todas!
Yhahahhhahhahahahha! <3 font="">



quinta-feira, maio 10, 2018

Poema Maldito - luis capucho

Tenho umas fantasias que
começaram, quando eu era um adolescente, bem no início de ser adolescente,
assim, de doze, treze anos. E que tenho até hoje. Portanto, são características
minhas, fantasiosas e não. Uma, é a fantasia de que eu poderia decidir pelo nada,
escolher o nada e, por exemplo, eu poderia nunca mais sair de casa, nunca mais
sair do quarto, nunca mais ir na escola, tipo, morrer, ser nada, como penso até
hoje fazer, embora eu esteja sempre metido nos enredos e tudo. Outra, que
começou nessa época, foi o desejo de não mais falar e de me comunicar apenas
por escrito.
Eu tou dizendo isso, porque ser
nada e, ao mesmo tempo, me comunicar com as pessoas são coisas importantes pra
mim, embora essas sejam coisas adversas uma da outra. Porque o nada não tem
enredo, não tem estória pra contar.
Vejam, por exemplo, essa estória
que contei pro Tive e que ele me contou de volta. E que aqui, tou contando no
apezinho do Paulo Barbeto, pras meninos do Cabeça de Porco:



quarta-feira, maio 09, 2018


Não sei se eu comecei a aprender tocar o violão, que era pra eu me exibir. Eu tenho muita lembrança de detalhes relativos a isso, mas nada relacionado à exibição. Era mais um encantamento, como na história das sereias. Mas tem a possibilidade de mesmo sem ser claro pra mim, na época, muito no íntimo, que eu quisesse mesmo me exibir, porque, assim que fui impossibilitado de tocá-lo, por conta de minhas sequelas motoras deixadas pela neurotoxoplasmose, escrevi o Cinema Orly, que é um livro, assim, a exibição da exibição.
Eu adorei o que o Fabio falou, que os meus textos são importantes pra construção da história da resistência beesha, mas também, eu gosto de pensar como o Edil disse, a respeito de minhas cartas, mas que vale também pros livros:

“Já tive oportunidade de dizer, inclusive publicamente, que as cartas de Luis Capucho são um grande testemunho da voz de um poeta. E este testemunho é importante, dado o fato do Luís ter sido facilmente incorporado pelo movimento LGBT que vê seu texto como a própria encarnação da voz do sexo mais torpe e animal. Como dizem, “o nosso Jean Genet”. Mas as cartas do Luis provam o contrário. Apesar delas falarem sobre sexo – e falarem eventualmente sobre sexo – elas falam de trepadeiras que sobem pelos muros, de bolinhos de arroz, de poltronas, de toda essa miríade de objetos ordinários que nos circunda e que constitui o universo muito próprio onde ele realiza seu ato máximo de transcendência, nos mostrando que a vida é encantada justamente por ser composta desses objetos que ora lhe causam espanto, ora lhe causam terror, ora lhe causam uma profunda ternura. É por isso que Luis Capucho é poeta. E se é a voz de um sexo animal que lhe fala, é porque o corpo é mais um desses objetos ao qual ele presta atenção e no qual ele joga luz, nos fazendo perceber que, apesar dos seus movimentos serem descompensados e de sua consistência ser compacta, possui uma temperatura extremamente quente.
Portanto, as cartas de Luis Capucho nos advertem sobre a necessidade de fazer uma enorme correção: não é voz de um sexo animal que fala. É outra voz. E ainda que fosse a voz de um sexo animal que falasse, há de se lembrar que toda essa voz se encontra subordinada por uma força que lhe mostra o quanto a vida, a mais ordinária, com todos os seus objetos, como todas suas tragédias físicas e corporais, com toda sua decrepitude, é linda. Portanto, se a voz do sexo mais animal fala em Luis Capucho, há de se compreender que essa voz se encontra subsidiada por uma outra voz: a voz mesma do homem, do próprio representante da espécie humana. Por isso a sua obra não se reduz só a sexo: ela é humana, profundamente humana, sendo por isso mesmo um misto daquilo que de mais animal e de mais humano há em cada um de nós.
Eis a razão pela qual é tão difícil de se interpretar a sua poesia, a sua obra: é porque ela é metade animal, metade homem. É porque ela é escrita, afinal, por um legítimo centauro, diante do qual pasmamos.”



Continuando a estória da coluna e do sexo, de que a base da coluna, mais próxima de onde a gente tem o sexo biológico, o pau e os ovos, o umbigo – eu sempre me preocupo que eu seja um cara que não consegue ver outro panorama, que não seja o meu próprio – e o umbigo, o centro de onde parece ter tudo começado, o início, a base da coluna, o sexo.
Isso que eu tou dizendo, me deixa pensar no tótem, no sentido que ele faz dentro dos De Casa em Casa, uma coluna, um falo azul, um mastro de navio, o navio Poema Maldito em cascata, aos borbotões. Tem um deus pra isso.
Isso é um texto que continua. Mas eu paro aqui, sem que seja o fim.
Vejam, a foto do Pedro:


terça-feira, maio 08, 2018


Em 2015, a gente foi no Desfazendo Gênero, de Salvador, pra mostrar os livros e as músicas e a gente foi recebido bem demais. Eu nunca me esqueço do jeito afetuoso como a Professora Denise Carrascosa tratou os meus livros e meio perguntou se haveria um projeto neles, de serem parte, assim, como de uma mesma poesia – digamos assim – em que o Cinema Orly fosse a parte mais baixa, funda, infernal e a partir dele, os outros livros fossem ganhando esferas menos densas, menos escuras, menos pesadas e tudo. Também o Moisés, o Fabio, o Saulo.
Este ano, semana que vem, vamos para São Paulo, dessa vez para a Mostra Todos os Gêneros, mostrar as músicas após uma mesa de debate Visibilidade ou não: modos de ocupar o mundo, em que será considerado o direito de se dizer soropositivo/aidético e também do direito de silenciar-se a repeito disso. Estaremos eu, Pedro, Vitor e Felipe. Tocaremos às 18h. É free. Mas tem de pegar senha mais cedo.  
Os amigos de São Paulo não podem perder!      


domingo, maio 06, 2018

O facebook lembrou, ontem, ao Pedro, que se passou um ano da cerimônia de entrega, pela câmara de Niterói, da Medalha José Cândido de Carvalho a mim, por conta da contribuiçaõ de meus livros à identidade e direitos LGBTs. Os amigos foram me prestigiar, a gente vê na foto. E tratamos o acontecimento com a grandeza que teve pra mim. O Tulio, o Vitor, vieram tocar comigo e Kali e Bruno vieram cantar. A grandeza política da cerimônia, ficou por conta do que Leonardo Giordano falou, minutos antes da entrega.
Vejam:


sábado, maio 05, 2018

"Sábado" by Som Imaginário (Brasil, 1970)

O dia ta feliz hoje na contra-mão de tudo, em Niterói.
Um dia bonito, cheio de encanto, um dia lindíssimo!
Eu tava ouvindo ontem umas músicas do Edevaldo, no youtube, e vendo que eu acho algumas delas lindíssimas também e vendo também em como é diferente agora o jeito de se chegar nas músicas. Porque nos final dos anos 70, eu ouvia falar de muita banda de rock e elas ficaram na minha lembrança, como aquelas palavras que a gente nunca foi olhar no dicionário e tudo. Mas, hoje, você pode encontrar na internet aquilo de que você ouve falar. Porque os ambientes de música existem, à revelia de você, na internet, sem que você precise formar ele em sua casa, sem precisar que os seus amigos o criem e te convidem e tudo.
O Som Imaginário era uma dessas bandas de eu ouvia falar e que nunca tinha tido a oportunidade de me ambientar com ela. Ontem, fiquei ouvindo. Que coisa! E fiquei parado na música Sábado. Por conta de agora, de hoje, do dia lindíssimo em Niterói.
Mas a música é de 1970:

sexta-feira, maio 04, 2018


Eu já vi na internet que ter problemas, dor, na parte mais embaixo da coluna, quer dizer que estamos com problemas sexuais. Também me lembro de nessa época do ano, um amigo de juventude, há muitos anos, quando eu me senti, assim, meio louco, ele foi pronto: você precisa fazer um pouco de sexo. Caramba, naquela idade, o que eu mais fazia era sexo, clandestino, mas sexo, ne.
Também, isso faz muitos anos, num acampamento de comunidades alternativas, uma moça leu na minha íris ou leu na minha mão, que eu teria problemas sexuais. Eu não sei se tou com problemas sexuais, se sempre tive problemas sexuais, e a moça que leu minha íris e mão, não querendo me assustar, disse que eu teria. Mas acontece que todos os dias pela manhã, quando me levanto para o dejejum, tenho de prestar atenção numa meio que dor, meio que dormência, na parte de baixo da coluna. E vou tentando me equilibrar nela, achar um posição que nunca encontro. Então, sutilmente vou me deslocando de posição em posição, sempre.
Venho prestando atenção nisso já faz um tempo, talvez, já passe de ano, porque não sou muito bom de me situar no tempo. É tenso. E não fui a um especialista, porque o sistema público de saúde, como todos sabem, o que ainda existe dele é como aquelas cascas de cobra abandonadas na beira do mato e a cobra reluzente mesmo, viva, bonita, pasta em outro lugar. Então, quando estive no médico com uma tomografia da coluna, que eu tinha conseguido fazer, ele gargalhou, ao mesmo tempo que fingia simpatia, e me disse, que o posto ainda estava no século XIX e que não conseguiria olhar o exame sem ter um computador. Então, através do laudo me passou dez sessões de fisioterapia, que não consegui fazer pelo postinho. Estou esperando ser chamado até hoje.
Mamãe dizia que a gente não deve ser mal-agradecido e tudo. Mas eu não tou escrevendo isso aqui no Blog Azul, que é pra um silencioso leitor vir e dar uma ideia de ajuda. Eu não tou pedindo ajuda. Tem coisas urgentes rolando que precisam ser resolvidas, então, resolvam as suas urgências, as urgências das coisas que pedem resolução. Porque eu ainda me equilibro na base de minha coluna aqui, sentado diante do computer. Eu tou escrevendo porque eu gosto de escrever.
Amanhã tem mais.

quinta-feira, maio 03, 2018


Há épocas em que não consigo escrever aqui.
E outra coisa: fiquei gripado e, na medida do possível, tenho ficado em casa. A gripe fica melhorando e piorando a minha revelia e hoje, por exemplo, estou um pouco melhor.
Mais uma: quando fizemos o “De Casa em Casa” no Márcio e que o Edil pela primeira vez leu as cartas que lhe mandei há mais de vinte anos, eu tava achando tudo uma babagem, mas depois, que ele as leu em mais outros dois dos “De Casa...” eu comecei a perder essa primeira impressão e comecei a ver o quanto de verdade tinha em toda a fantasia que eu desenvolvia nelas. A ponto de a Vilma vir me dizer que eu era um cara de fronteira e que eu não enlouquecia porque eu escrevia cartas... he he he.
Sei lá!           
      Edil lendo no "De Casa em Casa" do Eduardo Verena:

quarta-feira, maio 02, 2018

Faz um tempo, dividi um show meu com o Bruno Cosentino, num lugar no centro do Rio que chamam Escritório. É um velho sobrado do Rio Antigo, que apertado no meio dos outros prédios velhos, é uma quitinete, na verdade. Já nos apresentamos lá umas duas ou três vezes e, para o que quero contar, acho que estavam comigo e as músicas o Vitor Wutzki, no baixo e o Tulio Freitas, na viola. O Escritório tava cheio. Dez pessoas e fica a impressão de lotação esgotada. É um lugar que as bandas se apresentam, acho que de quem faz rock and roll, então, o som é meio zoado, chiado, com um monte de interferência no embolo da quitinete, mas, fora isso, depois de ambientados no som, a gente se sente muito bem e tudo.
Eu achava que todos que estavam lá pra assistir à gente, eram amigos ou conhecidos do Bruno. Meus amigos, com exceção de alguns poucos, não vão me assistir. É aquela estória, santo de casa não faz milagre. Acho que um pouco da idéia de fazer esses De Casa em Casa é um pouco isso: então, amigo, já que você não vai às músicas, elas vão até você...rs... e foi assim que deus criou o mundo, cheio de amor, de ternura.
Mas o que eu quero dizer mesmo é que tinha um garoto rindo sozinho num sofá à nossa frente, enquanto nos escutva. Depois, a gente conversou e ele ficava dizendo que queria ler o meu livro de poemas. Eu repeti todas as vezes que eu eu não fiz poesia. E que os meus livros contavam estórias. Era o Ramon Nunes Mello. E ele me disse que, às vezes, ria sozinho mesmo. E não me importei com isso.
Depois, ele falou comigo se eu não teria uma poesia que falasse sobre o HIV. Eu disse que, não, diretamente, mas que minhas músicas e livros, falavam disso, dentro delas. E, agora, ele reuniu todas as poesias que recolheu, num mesmo livro: “Tente
entender o que tento dizer: poesia + hiv/aids”. E que vai ser lançado na Mostra Todos os Gêneros.
A minha é A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho). E vamos tocar ela lá, na mesa:

“19/05/2018 SÁBADO - 16H
Visibilidade ou Não: Modos de Ocupar o Mundo + Performance Musical Poema Maldito
com Mirella Façanha, Neon Cunha, Rafael Bolacha [mesa] e Luís Capucho [pocket show] | mediação Marcio Caparica”
.
Eu, Vitor e Felipe Abou e Pedro.
Venham todos!
MAIO10
10 de maio – 20 de maioItaú Cultural (São Paulo)São Paulo
CarlosMarcio e 4 amigos
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segunda-feira, abril 30, 2018


Continuando a postagem de ontem, sobre a apresentação das músicas na casa do Paulo, As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples (a despeito de minha tentativa de explicar onde estávamos suspensamente localizados) foi sobre o que estávamos literalmente suspensos. Eu vejo isso na foto que Pedro fez delas, ladeadas pelo azul do tótem, que é o centro de nosso barco, mas que ali na arrumação, ficou meio na beira dele. O centro é a beira. Mas, dentro do show, eu não poderia ver. E não pude me situar.
Depois, na volta pra casa, surgiu o assunto da suspensão dos automóveis, um assunto da mecânica deles - A mecânica (em grego Μηχανική, em latim: mechanìca, ou arte de construir uma máquina) é o ramo da fisica que compreende o estudo e análise do movimento e repouso dos corpos, e sua evolução no tempo, seus deslocamentos, sob a ação de forças, e seus efeitos subsequentes sobre seu ambiente – e era isso que, pretensiosamente, eu queria falar, da mecânica dos shows De Casa em Casa, que é o barco que estamos a navegar, assim, de seu percurso afetuoso pelas salas dos amigos. Mas, aí, eu não soube ser objetivo ali, em meio à emoção das músicas, nas suas marolas e ondas vivas. Nesses assuntos, eu nunca soube ser.
Daí, sua melhor situação é a foto que Pedro fez.
Vejam:



domingo, abril 29, 2018

A Música do Sábado com Diário da Piscina por Paulo Barbeto.

Ontem, antes ou depois do De Casa
em Casa no Paulo, o Felipe disse, meio uma pergunta, meio afirmando, que ontem
seria o nosso último De Casa em Casa. Eu confirmei e deixou de ser uma pergunta
naquela hora. E eu me lembro de ter dito pra os-as meninas-os da Cabeça de
Porco, antes de eu começar a mostrar as músicas, da dificuldade que era
localizar aquele momento nosso ali, porque ele descendia de muitas situações e
isso, me fazia ficar na dúvida, inseguro, de como explicar ele. E eu queria
explicá-lo, sei lá, que era pra ter a sensação de que a gente se suspendia de
algum lugar, quer dizer, mesmo suspensos e vagando, a gente tava iluminando um
lugar, que é uma palavra que tem aparecido muito, desde que Vitor Wutzki trouxe
ela pra aqui, pro apezinho, de onde estou falando, se liga.
Então, a verdade é que, ontem,
não foi a última vez. Porque ainda temos dois choros pela frente. Um deles com
Vitor, em SP. E outro com o Fernando, em Itaipava. Mas é que esse é um momento
de dúvida, porque de todas as situações que ele decende, não sabemos qual delas
é a mais potente e qual vai prevalecer.
O Simon, que nos deu a alegria de
estar nos dois últimos De Casa em Casa, junto a outra alegria de tocar pra o
pessoal da Cabeça de Porco, disse numa hora, uma coisa sobre política do desejo
– e somente ele saberia falar disso melhor – mas de qualquer modo, considerando
o que ele falaria, não estamos localizados num final e  não é o último.
E escolhi A Música do Sábado
(Kali c/luís capucho) para subir no meu canal, porque no finalzinho dela, pedi
a Paulo Barbeto que lesse um dia do Diário da Piscina (É editora/2017). E
fiquei emocionado com isso, olhando agora. Quero guardar.


Vejam:

sábado, abril 28, 2018

 Sábado passado, depois que apresentamos as músicas em sua sala, a Kai me deu duas rosinhas brancas pra colocar na minha camisa de fazer shows. Disse que simbolizavam ela e a Pavão. Também para o De Casa em Casa hoje, nesse sábado, no Paulo, na Lapa do Rio, aprontei para o nosso barco a carranca As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples.
Vejam:

sexta-feira, abril 27, 2018

a música do sábado - luís capucho

Estamos chegando ao fim com os De Casa em Casa.
Desde o primeiro deles, em janeiro desse ano, que têm sido
muito especiais cada uma das salas dos amigos que visitamos. E que deixou o seu encanto, muito íntimo deles e particular na gente. No meio do caminho – eu já nem me lebro direito quando e parece que sempre foi, é assim - entrou para o nosso triste a gaiato navio das apresentações, o Felipe Abou, com sua bateria
mirim, vermelha.
Para o De Casa em Casa, amanhã, no apezinho do Paulo,
estaremos apenas eu e ele. Mas nos juntaremos ao Vitor Wutzki outra vez, dia 19, em SP, na Mostra Todos os Gêneros, do Itau Cultural, na Avenida Paulista. E no dia 26, o choro final, no 5.4 do Maurício. E, aí, é festa em Itaipava, quando nos ajeitaremos, eu e Fernando.
Ontem, ensaiamos aqui em casa “A Música do Sábado (kali
c/luís capucho)”. E pedi a Gabrielle que filmasse a gente no celular para mostrar. Porque ela vai estar no livro do Ramon Nunes Mello, a ser lançado em maio.
Vejam:
"Tente entender o que tento dizer: poesia / hiv
aids"
textos críticos de Alexandre Nunes de Souza, Eduardo Jardim e Denilson Lopes
imagem de capa de Leonilson, "34 com scars"
projeto gráfico e capa de Omar Salomão
editoras: Ana Cecilia Impellizieri Martins e Maria de Andrade

"Uma coletânea de poemas em torno do tema hiv/aids não deixa de ser uma radiografia da trajetória do vírus e suas repercussões no corpo, na sociedade e na própria poesia, desde os anos 1980, momento que marcou a explosão da epidemia, até as experiências da chamada “era pós-coquetel”. Os noventa e seis poetas reunidos na edição – organizada por Ramon Nunes Mello, com título
emprestado de uma crônica de Caio Fernando Abreu – rompem o silêncio a que essas siglas  ficaram confinadas pelo estigma, medo e preconceito, criando um novo imaginário e provocando novas expressões e reflexões sobre o vírus e a linguagem."

Vejam:

quinta-feira, abril 26, 2018


Aqui, quieto comigo mesmo, os De Casa em Casa encurvando para o final e abrindo caminho para outras coisas de que a gente não sabe ainda, o apezinho ainda de janelas fechadas, “As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples” pronta, para ser a carranca do nosso navio no apezinho do Paulo, sábado, agora, na Lapa, onde eu e Felipe Abou aportaremos com nossos apetrechos de música, enquanto o passarinho engaiolado do apartamento-térreo canta o hino do Flamengo, vou compondo esse parágrafo pra te avisar, pra você ir, pra você passar lá.... porque você não passa lá, por que você não passa lá? Você sabe onde ele mora, vou te dar o endereço, que é pra você passar lá!

ABR28

De Casa em Casa no Paulo


  • Sábado às 20:00 – 21:00
    Daqui a 2 dias
  • Rua dos Inválidos, 185, apto. 312, edifício Rio Assú, Lapa // Telefones: 97142-7193, 3923-5492

quarta-feira, abril 25, 2018

Lua Singela - luís capucho

Desde que o Cinema Orly foi publicado, em 1999, pela Ficções de Interludio, que eu sinto as maravilhas acontecerem pra mim. Então, depois disso, eu me pego pensando em qual maravilha virá, agora? Eu tou dizendo assim, mas eu sei que as maravilhas são resultado de uma vibração coletiva, uma energia em que neguinho vai chafurdando, eu também, junto, e, de repente, aparece o resultado disso que é uma maravilha pra mim.
Quando o Cinema Orly foi fechado e estivemos lá para filmar o Peixe - do Rafael Saar -, eu tive uma crise de choro de que eu não conseguia sair. Ver o cinema ali, aceso, apodrecendo sem ninguém, me deixou muito emocionado. Fiquei um tempo dentro daquilo, chorando, e foi uma coisa boa, no final. Nesse dia, conhecemos a Caroline Valansi, que foi quem tinha nos aberto o cinema em decomposição pra gente fazer o filme. E ela nos contou que tinha uma coisa muito forte ali dentro, ele tava vazio ali, mas a vibração existia, o assombro tava lá, a maravilha.
Depois do Diário da Piscina(É editora/2017), a maravilha foi os De Casa em Casa. Fizemos o primeiro no Sirineu Ciro, depois Claudia MaiaMárcio Caminha, Babel - Gilberto de AbreuLeonardo RiveraEraldo Brandão, Casa 46 – Madame Liza – Eduardo Nahum Ochs, Audio Rebel, Alexandre PortoBruno CosentinoKai Lani e, agora, que Vitor Wutzki precisou de um hiato, vamos chegando ao fim. Faremos um último no Paulo Barbeto, apenas eu e a bateria-mirim do Felipe Abou Mourad.
Cada um dos nomes que eu citei aqui, incluindo os músicos e Pedro Paz, abre para um coletivo inesquecível de pessoas que foram nos assitir em cada sala, varanda e quintal. E isso tudo é muito foda. Não tenho como agradecer. Eu nunca tenho como agradecer, porque é de minha natureza mais pedir do que dar. Também não vou chorar, porque essa maravilha, diferente do Cinema Orly, ela é real pra caramba, como vocês podem ver, a gente tocando Lua Singela no De Casa em Casa na Kai Lani. E o cinema, vocês sabem, é fantasia.
Também porque teremos dois choros finais: um dia 19 de maio, em SP, na Mostra Todos os Gêneros, do Itau Cultural. E depois, apenas eu com a sanfona do Fernando Bastos Trigo de Negreiros, em Itaipava, dia 26, no níver do Maurício Kiffer.


sábado, abril 21, 2018


Eu escrevia cartas pra o Edil no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Também escrevia essas cartas pra o Ciro, pra o Sacramento, para a Claudia. Comecei com as cartas, logo que me alfabetizei, aos sete anos. Mamãe me ditava o que ela precisava dizer para o José Maria e, depois, colocava no correio.
Suas cartas, que ela me ditava, eram curtas, eu me lembro. E em primeiro lugar falavam de saudade. Diziam que desde que ela o vira pela última vez, que... e, aí, eu escrevia como escutava, em maiúscula: Deus que te vi pela última vez, que...
O Edil por três De Casa em Casa, leu essas cartas que lhe mandei na juventude. Eu fiquei com um pouco de vergonha, achando uma bobagem todo aquele meu assunto que eu criava nas cartas, ocos, só pelo prazer de escrever e, então, perder um pouco de minha tristeza jovem. Mas o Edil disse que eram cartas de poeta e leu de um modo muito emocionado, bonito, porque ele é um poeta e leu poeticamente e chorou, porque não há um outro modo de um poeta ler uma carta. Então, todos os amigos que escutaram a leitura, acharam minhas cartas muito bonitas. Eu que não consigo fazer ideia do que elas sejam, também, com eles, as achei bonitas, assim.
Estou dizendo isso, porque ele me deixou todas as cartas que lhe escrevi e nesta semana, li algumas. Uma delas, a que achei mais legal, falava de bolinhos que mamãe fazia e comíamos na cozinha, fritos na hora. Esse era o único assunto da carta e eu dizia de meu desejo de que comer aqueles bolinhos, fosse como aquela lembrança que eu tinha, de olhar para as rolinhas ciscando a palha de arroz, quando eu não era nem mesmo um menino ainda, era um bebê, e o sol era um sol branco, azul e dourado, inclinado sobre elas, as rolinhas.
Só, que o desejo não se realizou, não fosse a carta. As rolinhas estão até hoje pastando sob o sol branco, azul e dourado. Os bolinhos só estão na carta.

quinta-feira, abril 19, 2018

Inferno - luís capucho

Como eu disse aqui para meus silenciosos leitores, o showzin
na Kai Lani, no Choveu!, no sábado, seria apenas eu e Felipe Abou na sua
bateria-mirim. Mas para nossa alegria, Vitor Wutzki adiou sua passagem para
Campinas, e seremos os três, outra vez.
As nossas apresentações nos De Casa em Casa têm sido uma
maravilha pra gente que participa, pra mim, e têm deixado boas lembranças em
nós todos, das salas modificadas pelo nosso barco.
É certo que as lembranças são um lance subjetivo e que pode
haver de elas serem mais gostosas em nossa alma, do que foram gostosas na hora
em que estavam concretamente rolando nas casas dos amigos. E isso é pouco
importante.
Pedro registra o que a gente depois mistura de real e
fantasia, no seu celular. Eu amo esse que ele fez da Varanda do Alexandre.
Venham todos! É na Tijuca, é na Kai, é na Choveu, na Pavão.
É no céu, no vento, na nuvem. Vejam:



quarta-feira, abril 18, 2018

Eu acabo de ver aqui no facebook que o Rafael Saar fez checkin na Alemanha, rumo a esse Festival de cinema. E a Dilúvio Produções me emplacou no adjetivo fabuloso. Eu achei engraçado ficar junto desse adjetivo. Eu acho engraçado que eu me aproxime de qualquer adjetivo. Porque eles são decisivos, mas não decidem nada, porque a verdade é que não têm poder, são agregados, adjacentes e, por isso, ficam por pouco tempo, não esquentam cadeira, volúveis ou volateis que são.
Fora isso, eu peço para os amigos, como eu, focarem coisas boas pro Rafael lá, pro filme, pra tudo ir se desencadeando do jeito mais bonito, porque é isso que acaba valendo no fim. Mesmo que bonito seja também um frágil adjetivo...rs.
 
A boa notícia é o projeto Peixe - Fish selecionado pelo programa Lovers Goes Industry - Work In Progress, do Lovers Film Festival - Torino Lgbtqi Visions na Itália!
O filme é dirigido por Rafael Saar e traz o fabuloso Luís Capucho como protagonista.
Na imagem, still lindo da fotografia de Matheus Rocha.