sábado, setembro 22, 2018

A gente vai assistir aos meninos João e Álvaro apresentar a cena O Desvio Autoritário de Uma Idéia: Daqui pra Lá não Existe Meu Mundo, no 8º Festu- Festival de Teatro Universitário. Eles usaram A Música do Sábado (kali C/luís capucho) para completar o título e João me disse que ela também estará na cena, quer dizer, não podemos perder isso, será uma alegria muito grande.

sexta-feira, setembro 21, 2018

É certo que a vida vem em ondas, e é uma coisa louca que eu venha aqui por mais de uma década, escrever. Então, o Blog Azul é uma piscina de ondas. Se a gente for rolando o histórico dele, é possível identificar cada tamanho de onda, cada cume dela e cada vez que ela vai lá embaixo, numa volta, e recomeça a subir. É uma grande piscina de ondas, não de marolas.
E estou vendo-imaginando que cada onda tem a sua atmosfera, algo que brota dos textos-dela e que tem um jeito típico, que não seria possível em outra onda e tudo. Porque ela é e tem um caminho, que não volta. Apenas tem continuidade. Então, por exemplo, estou pensando nas Cartas para o Edil  do fim dos ano 80 e início dos 90. E que foram surpreendentemente publicadas na revista Amarello, nº #29, acho que mês retrasado. Elas tem um clima que não repito aqui, que não repetirei mais em lugar nenhum. Porque é uma outra piscina, como são outros, os textos do Diário da Piscina. Eu sei que deve haver um estilo, uma marca que seja minha e que isso serve de canal entre todas as minhas piscinas e que faz conexão também com todos meus outros tempos e lugares. Ao mesmo tempo, também com textos de outras pessoas e de outros estilos.
Poderia dizer que são ondas do mar. Não são.
Veja:


quinta-feira, setembro 20, 2018


Então, ninguém entende de política. Eu fico vendo as pessoas falando na minha bolha e todos têm um discurso voltado para os candidatos com plano de governo que considere as minorias e, ao mesmo tempo, com uma política econômica inclusiva, tipo, todo mundo com a possibilidade de uma vida razoável.
Eu mesmo, que não entendo de política, me posiciono e votarei no Guilherme Boulos, que é um candidato, de meu ponto de vista, mais radical, porque aparece pra mim como um cara mais direto, sem rolo e é isso. O outro candidato reverso à minha bolha e que diz que vai governar para a maioria, portanto, a maioria vai votar nele, deverá ganhar as eleições. E isso será o justo, não há o que fazer.
Vamos ao segundo turno.

quarta-feira, setembro 19, 2018


A gente foi ver uma peça em que um trans-mulher pegou pra si a representação de Jesus, pra se dizer expulso sem razão da nossa sociedade. Aí, pegou logo um personagem principal e grande pra ser e desse jeito dizer, ué, por que não, muito sexo?
E tinha uma platéia enorme de estudantes, uma plateia que com certeza não se formaria há 20 anos atrás. Então, eu pensei que é preciso ter uma platéia formada antes de se formar um espetáculo. É preciso haver um rebuliço antes, fama, a fama de Jesus, para que se formasse o auditório. Não fosse assim e jesus seria um São Monteiro qualquer. E, aí, não sei, por que Jesus ficou tão famoso? O caso é que o autitório ficou lotado de estudantes para ver Jesus. E era uma mulher-trans.
Pronto! Pra mim, ta dentro.

terça-feira, setembro 18, 2018


Ontem, mandei As Vizinhas de Trás – max para Vila Velha, ES, pra Fernanda. A moça dos correios me cobrou um preço absurdo para o envio e, quando lhe falei que eu tava me sentindo roubado, me disse que é a nova política. Ela me perguntou se eu poderia dobrar as Vizinhas, porque o que encarecia era o comprimento das bichanas. Não, não podia.
Então, a política dos preços  de envio deixou de considerar apenas o peso, para considerar também o comprimento. Isso me lembra, quando começaram a cobrar laranja por peso, ao invés de quantidade, a dúzia. Banana também era dúzia. Porque a lógica da política de preços é qual?


segunda-feira, setembro 17, 2018


Ainda, nas coisas que vêm se formando sem que a gente se dê conta e, por isso, nos pegam de surpresa, ontem, a noite se formava sobre a ponte, quando o Pedro disse:
            - O carro vai parar, tou sentindo alguma coisa errada com ele – e aí, foi levando o bichano pra pista que ladeia a balaustrada, ali, rente onde os suicidas se jogam no mar da baía. E o carro parou.
Eu disse:
- O que tem de fazer? Tem aquele ícone de sinalizar pra os outros carros que a gente ta parado aqui?
- Não, não tem. Desça e vá lá atrás, sinalizando com a mão, pra eles, enquanto eu vejo o que aconteceu. Vou abrir o caput.
E quando eu saí do carro era a surpresa total. Já era noite. A gente no meio da ponte, eu sinalizando aos faróis em alta velocidade para irem mais à direita e pra que se desviassem da gente, a cidade toda iluminada e iluminando pesadas montanhas de nuvens sobre o cristo, sobre ela, um vento forte batendo. E eu no meio sonho e meio pesadelo da situação, os automóveis vindo em alta velocidade, os que vinham atrás dos primeiros não me viam fazendo sinal, estava perigoso e lindo.

domingo, setembro 16, 2018


A gente fica surpreendido com umas coisas que aparecem na gente, porque não as vê se formando. Então, quando vê, já é. E, aí, tem de lidar. Ontem, à noitinha, eu tava me sentido bem estranho, assim, deslocado, sem saber me explicar bem, me sentindo, assim, mal. Uma hora depois disso e sem que eu tivesse me drogado, bebido água ou comido nada, eu comecei a me sentir muito colocado, e dizendo exato, eu tava me sentindo foda!
A gente não vê as coisas se formando e elas aparecem de surpresa, enquanto estamos ligados noutra coisa. E a impressão é a de que sempre estamos lidando com o desconhecido. Então, agora, pra escrever aqui no Blog Azul, a tentativa é de me dar a situação, tentar me situar no que veio se formando e no que é e está, no momento, agora.
Estou fazendo um uso prolongado do Bactrim. Eu me esqueço das alterações físicas, na minha carne, no meu sangue, que vão se configurando no meu corpo, para que eu tente, com ele, o Bactrim, que minha uveíte não se desenvolva, outra vez. Três vezes por semana, tenho tomado os dois comprimidos brancos, redondos, achatados, grandes, dele. E não estou me dando conta do que está se modificando, ou do que ele está ajudando a modificar, lentamente, para que a uveíte não volte. Quando eu for olhar, minha nova configuração já se formou.


sexta-feira, setembro 14, 2018

Eu disse, na semana passada, de minha faxina ter se transformado na busca por uma foto dentro de um livro. Uma foto que eu adoro e que, depois de ser encontrada, pedi ao Pedro que emoldurasse. Quero tê-la de lembrança na minha parede. Acontece que, além de não ter mostrado a foto naquela postagem, também contei ao meio a estória dela.
O Núcleo Canção da UFRJ tem, há mais ou menos, um ano, um programa de entrevistas com artistas da música, que ainda não tinham sido de interesse da universidade. Chama-se Escuta. E me tornei o transcritor dessas entrevistas, porque fui o primeiro entrevistado - https://www.youtube.com/watch?v=_mf1plY6_zg – e, daí, transcrevi minha própria entrevista. Como curti, pedi pra que eu transcrevesse outras também. Atualmente, tou transcrevendo a do artista Caio Prado.
Na minha entrevista, os entrevistadores, na época, Rafael Julião e Isabela Bosi, puxaram o veio do filme La Nave Va – minha música com Manoel Gomes - e indo por ele fomos vendo que o disco Poema Maldito poderia ter a ver com a viagem funeral da cantora do filme. Na entrevista, eu me lembro de ter falado que meu disco não é um disco triste e que eu não conseguia entender porque os amigos que ouviam, diziam ter vontade de chorar. Porque, eu dizia, a minha música é cheia de pensamento e isso, o pensamento, é avesso ao choro. Bom, pode ser que isso não seja a verdade.
Um tempo depois, eu quis fazer a foto com esse motivo, porque essa estória do navio, do barco, da música, do pranto, do sofrimento, do pensamento e da morte, é tão cheia de mistério. E a usamos, há um ano, para o lançamento do livro Diário da Piscina, em Vitória – ES.
Vejam:

quinta-feira, setembro 13, 2018


Tenho pensado que minha produção de música e livro – e agora tenho feito As Vizinhas de Trás – desde o início não tem nenhuma intenção combativa. É mais uma queixa. Ou registro. Um mimo que tenho pra mim mesmo, pra eu ter um mínimo de alegria e tudo.
Para se fazer combate, é inteligente que se tenha ordem e disciplina. Que haja um plano, mapas de combate, planilhas logísticas, qual será a movimentação no front, qual será na retaguarda, uma coisa de olhar pra tudo de fora, do alto, com a impressão de se estar dominando pra, enfim, a intensão de dominar. De ganhar o território.
Para meus registros e queixas, tudo pode se dar no caos. Embora, quando emarenhe demais, eu, literalmente, perca um tempo arrumando a casa.
Dessa vez, no primeiro dia limpei o peitoril das três janelas e o altar que tenho em meu quarto, ao lado da cama. Porque são coisas de pedra. Demorei três dias pra deixar o restante do apezinho, tudo, minimamente limpo. Então, ficou tudo mais fresco e bom de respirar. E o vento mais fresco que tem vindo do sul, sem ser combatente, sendo como eu, dominou tudo aqui.

quarta-feira, setembro 12, 2018


Faz muito tempo, quando morava em Papucaia, escrevia muito sobre minhas viagens de ida e volta, para vir estudar, que eu ainda tava terminando a minha graduação na UFF. E lembro de ter usado uma palavra pra me referir àqueles cortes nas colinas que as estradas fazem para passar.
Depois, quis usar de novo essa palavra e não consegui. Me vinha a imagem dela, sem forma definida, e eu tentava pronunciar o som, mas o que me vinha não era suficiente. Ela vinha na boquinha de garrafa e não terminava de sair, não saía.
Isso dela vir pra fora e eu conseguir usá-la, aconteceu outras vezes, além e depois das vezes que utilizei ela nos textos que escrevia sobre as viagens NiteróixPapucaia. E, na semana passada, ela se prendeu outra vez dentro da garrafa, não saiu. Dei uma googada no sentido, pra ver se ela estava, fui nos dicionários topográficos, cartográficos e nada.
Quando Pedro apareceu, fui contar pra ele da minha busca e da minha decepção. Aí, enquanto eu contava, ela veio e botei pra fora: Talude.

terça-feira, setembro 11, 2018

Edevaldo - O Que

Ontem, eu tava vendo que eu gosto
muito das letras e músicas do Edevaldo, que o Vitor me apresentou. As suas
melodias são cantadas na casca, onde são mais duras e secas. Mas no fundo
delas, indo mais pra dentro, elas são macias, suaves. E o violão que ele faz, é
lindo demais também, um violão brilhante, com detalhes pedregosos.
Vejam:

O que
(Edevaldo)

O que você quer fazer
O que você quer saber
O que você quer falar
O que você está fazendo
O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?
O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?


O que você quer fazer
O que você quer saber
O que você quer falar
O que você está fazendo
O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?
O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?

O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?
O que você tem
O que você não tem
O que você quer  
O que você não quer?
O que você quer  
O que você não quer?






segunda-feira, setembro 10, 2018


Eu fiquei muito Feliz com As Vizinhas de Trás – max, que fiz para a Fernanda. E que hoje pela manhã autentiquei a assinatura pra lhe enviar a tela, em Vila Velha. Mas quando Pedro foi embrulhar pra eu colocar no correio, manchou sua mão de vermelho. Aí, voltei com ela pra minha parede, para que se seque melhor:






domingo, setembro 09, 2018


Há um tempo, começaria escrever aqui, no Blog Azul, está um dia de domingo belíssimo em Niterói, com os passarinhos engaiolados do Vizinhos do Térreo gritando. Depois, diria que algum Vizinho de Baixo entrou no prédio batendo com força a porta de metal da entrada, subiu os primeiros degraus do prediozinho, silenciosamente, e desapareceu sem que eu conseguisse notar se sumiu para dentro do 201 ou se para dentro de 202.
Da forma como escreveria há um tempo atrás, escrevo agora, porque os dias belíssimos de domingo ão de se repetir muitíssimas vezes pela existência dos dias, vida afora. E não há motivo que me faça escolher dizer as coisas do domingo de outra forma que não essa.
É isso.

sexta-feira, setembro 07, 2018


Comecei a reparar que eu perdia uma ideia já faz tempo, isso não é novidade, agora. Tem algumas que ainda nem terminaram de se formar e já se desintegraram. E, aí, quando você vai pegá-las, elas já não estão mais lá, não existe mais corpo nenhum onde elas estavam. Quando eu era criança, a sensação era a mesma da que eu tinha, quando levava um tombo.
Então, preciso fazer as coisas na hora em que elas me vêm no devaneio. Se não embarco, quando chegam, esqueço. Ainda há pouco me veio na mente introduzir uma música – me veio a música na cabeça – com aquilo que faço na música Velha, que é um bordado de bordão que o Gilberto Gil faz na música “Não chore mais”. Na música Velha, esse bordão da “Não chore mais” cria um efeito diferente pra ele próprio, encaixado no contexto melódico da Velha. E como introdução dessa música que pensei ainda há pouco, ganhava mais diferença ainda. Mas não experimentei fazer no violão, quando essa ideia veio, e me esqueci qual era a música onde queria fazer isso.
Eu sei que outras idéias virão, com e para outras músicas, intuo que isso, esses embriões, virão noutras vezes, porque o pensamento da gente ta sempre indo pra algum lugar, mas, pow, não precisava perdê-los assim, tinha de lembrar, esse, especialmente, chegou há pocas horas atrás, não tinha de ter esquecido.

quinta-feira, setembro 06, 2018


Fazendo faxina:
Tenho aqui, guardando há mais de trinta anos, quatro plaquinhas de vidro, que eram prateleiras de um armário que havia no banheiro da Cabeça de Porco em que morei nos anos 80. Isso é uma coisa muito louca, eu guardo as placas, eu estou lhes dizendo. Só agora é que comecei a me dar conta disso e faz, mais ou menos, um mês, tenho olhado pra elas pensando que vou jogar fora.
            Demoro demais pra fazer a limpeza, porque minha atenção vai pra outra coisa, não consigo manter o foco, por exemplo, quando limpava aqui, onde fica o computer, me lembrei de um, tipo, cartão que o David, através do Sesc Gloria, em Vitória, fez do lançamento do Diário da Piscina que fizemos lá. Ele fez o cartão com uma foto que eu adoro, que é uma foto que eu quis fazer por causa da La Nave Vá (luís capucho/Manoel Gomes), que é a primeira música do Poema Maldito. Então, eu pedi ao Pedro que me fotografasse dentro de um barco, como se o barco fosse o barco do Caronte. E, aí, coloquei a minha Camisa de Fazer Shows, pintei o meu olho, na praia da Eva e Adão, e ele tirou muitas fotos, que eu adoro.
E o tal, tipo, um cartão foi feito com uma dessas fotos. Quando tava aqui limpando, me lembrei que o tinha colocado dentro de um livro. E a limpeza se transformou por mais de uma hora na busca pelo livro. Qual livro eu não sabia. Apenas teria de achá-lo. Sim, eu encontrei e parece que foi sem querer. O livro não estava aqui, estava na sala.

segunda-feira, setembro 03, 2018


Esse incêndio, ontem, no Museu Nacional foi de enlouquecer uma pessoa, uma pessoa louca que ateou fogo na própria casa, no próprio quarto, na cama, colchão, roupa, no corpo. Alguém disse no jornal que o Brasil se suicidou. Acho que, antes, enlouqueceu. Eu tava vendo no youtube outro dia um documentário sobre uma casa de louco em Minas e que na época do império era casa de repouso de gente rica, mas com o tempo foi virando depósito de gente louca pobre. E que era tratada meio como lixo. O Brasil louco sempre tratou pobre como lixo. E agora tão tratando suas próprias coisas como tal. Deixou queimar a casa do Brasil Colonial. Do Brasil Loconial. Não é pra entender mesmo. Loucura!

domingo, setembro 02, 2018


Pra mim, um livro ou uma música ficou pronto, quando todas as minhas questões com ele-a estão resolvidas. Aí, eu me sinto feliz dizendo, pronto, acabou. E a impressão é de que cheguei mesmo ao fim, quer dizer, que a partir dali, não farei mais nenhuma outra música ou livro. Eu já disse dessa minha impressão de que a última música que fiz e o último livro que fiz, são definitivamente a última música e o último livro que fiz. Depois, isso é desmentido, porque, no decorrer outras questões vão surgindo e termino por fazer outra última música e termino por fazer outro último livro.
Mas As Vizinhas de Trás, não. Elas estão para a eternidade prontas, mas nunca que eu termino de fazê-las! Minh’As Vizinhas de Trás, então, não estão prontas. Por isso, sempre que acabo de fazer uma delas, não tenho a impressão da última. Sinto que ainda vou fazê-las e fazê-las. E ter esse nome genérico para todas, me ajuda na compreesão disso. Porque As Vizinhas de Trás contém todas as telas que ainda não fiz, quer dizer, todas As Vizinhas de Trás que ainda não fiz, estão prontas no seu nome.
Mamãe me adora, contém apenas Mamãe me adora, respectivamente a música e o livro. Cinema Íris, apenas Cinema Íris, Cinema Orly, apenas Cinema Orly. Cada livro e cada música, apenas cada um deles mesmo. Eu mesmo, apenas luís capucho, pronto, acabado, não sou mais que isso.
As Vizinhas de Trás, não, não terminam!


sábado, setembro 01, 2018

Fiquei bem satisfeito com ess’As Vizinhas de Trás – max”, porque elas lembram muito as primeiras que fiz, de anos atrás. E eu tava achando que eu tinha perdido o jeito, mas não, o seu jeito continua o mesmo que havia nelas, no início. Porque eu consigo mais volume, agora, eu tenho mais intenção no movimento que faço com o pincel, agora, eu consigo afinar uma cor, se quero, agora, mas, no fim, o mistério de aparecer a expressão na boca e nos olhos, ainda está do mesmo jeito como aparecia antes. Eu sei, que ainda, na maioria das vezes, esse jeito aparece bravo, parece duro, e a verdade é que todas poderiam se chamar Lindonéia ou Gioconda.
Mas, tranquilo, se chamam As Vizinhas de Trás!



sexta-feira, agosto 31, 2018


Fazendo As Vizinhas de Trás – max. A ideia é pintar sempre elas, sempre as mesmas, como o sol que vem todos os dias. Minh’As Vizinhas de Trás são o sol.  À medida que as vou repetindo e que elas vão aparecendo pra mim e que vou gostando ou não gostando do que elas mostram nas bocas, nos olhares, no nariz, pescoço e cabelos, vou vendo que são simples.
Essas são para a Fernanda. Outro dia, no devaneio, estava achando que As Vizinhas de Trás existem mais do que os livros que escrevi e mais do que as músicas que já fiz. Eu estava achando que elas estão sempre a postos, sempre em sua posição executada, assim, sem ser preciso niguém pra que se formassem. Porque estava achando que estão sempre em suas presenças de fantasma na parede, silenciosas nas salas. Estava achando que os livros e músicas, não, que ficavam mais recônditos. Que só apareceriam pra gente, se a gente lhes soprasse.
Mas acho que, não.


quarta-feira, agosto 29, 2018


Tem uma coisa acontecendo com meu corpo, que fica mais velho. Ontem mesmo, voltei do médico com a notícia de que estou com 50% da capacidade de meus rins. E que um deles está atrofiado. Há pouco, fiz um tratamento pra minha toxoplasmose ocular, que me deixou baqueado. Na verdade, ainda estou no baque do tratamento profilático. Certamente, que há muita coisa acontecendo no meu corpo e que não sei, não consigo intuir, ao menos. Por isso é que vou ao médico, fazer o monitoramento dos efeitos dos remédios que têm me dado sobrevida, desde há mais de vinte anos.
E a relação com os médicos é complicada, porque temos de deixar pra eles, saber e decidir sobre o que temos de fazer pra continuar bem. Só, que são pessoas estranhas à gente. Então, precisamos confiar em estranhos. Isso não é problema, porque sou um cara dócil. O foda é que estão dentro de uma estrutura de tratamento de saúde, que é uma estrutura fria e maquinal, então, preciso escorregar dentro dela untado de azeite.
Há maneiras de fazer isso:
Deixar rolar no “Seja o que Deus quiser”.
Tomar iniciativas que nos deixe correr mais macios dentro da máquina. Pensando agora, uma coisa não nos afasta de outra, porque no fim será sempre o que tiver de ser. Assim, não vou parar de morrer.

segunda-feira, agosto 27, 2018

Ave Nada


Não me lembro como surgiu a idéia do Ave Nada (Diário da Piscina), sei que desde o início desse ano, vem se formando ou vem se formando desde sempre e que muitas coisas vieram se desfazendo para que ele se fizesse na sala da Claudia e ele, Ave Nada que é, também se desfez como nuvem, por exemplo, agora, não está em lugar nenhum. Eu mesmo, nesse momento que escrevo no Blog Azul, sou aquele que junto aos meninos apresentou o Ave Nada, e como aquele não estou em lugar nenhum.
Porque já sou aquele outro que começou, hoje, uma nov’As Vizinhas de Trás que diferente do Ave Nada, que aos poucos foi se formando pra chegar a sua posição na sala e depois dali, a sua posição não foi mais, se desfez. E, então, As Vizinhas de Trás não são assim, porque elas, depois de prontas, estarão, sem se desfazer, sempre em sua pósição de As Vizinhas de Trás, uma ao lado da outra, na sala, coloridas e em forma.


domingo, agosto 26, 2018

É muito lindo para um escritor, um artista, ver o seu trabalho ganhar outra voz, como se outra pessoa cantasse com ele a mesma música, como quando fico feliz nos De Casa em Casa, com os meninos tocando comigo.
Esse ano, depois do Rodrigo na UFES, do Sandro na UFF, agora é o Rayesley na UFAM, que me comovem no pensamento e no coração.
            Vejam:

Eu descobri essa foto no Instagran da Mari Romano e salvei aqui, porque ficou bonita. E quis compartilhar.
Tem duas estórias pra ela:
Uma, que é esse momento em que a Mari fotografou, no Bar Semente, no show Três Vocês, comigo, Vovô Bebê e Bruno Cosentino.
A outra, quando fui tocar em Franca e pensei uma meia que me tornasse leve, que me deixasse suspenso, mas que numa volta pela cidade, nem eu, nem Jack, conseguimos encontrar. Aí, a Elaine pegou um saco de meias, cortei uma delas, que era um amarelo que eu pensava fluorescente e que não era, mas que funcionou.
Aí, quando cheguei em casa, no Atelier de Indumentária, a Nega mudou ela de cores:

sábado, agosto 25, 2018

A música do sábado, no Escritório.

Por conta dos De Casa em Casa,
nesse 2018, fizemos muitas apresentações de minhas músicas e, com isso, minha “Camisa
de fazer Shows” foi contando mais estórias, vocês sabem, a cada show, ela ganha
um acabamento novo e que vai formando o seu escudo, vai deixando ela mais forte e mais bonita.
E tomo sempre muito cuidado pra
não errar a mão, quando vou deixando ela mais completa, quer dizer, ela precisa
ir ficando mais pesada de coisas, mas não pode ficar pesada de se olhar,
precisa continuar leve e não puxar minhas apresentações pra baixo.
A última apresentação que
fizemos, fizemos com leituras do Diário da Piscina pelo Paulo Barbeto. Foi uma
coisa bonita. E essa foi a segunda vez que fizemos na sala da Claudia. Da
primeira vez, fomos apenas eu e Vitor Wutzki. E rolou uma coisa muito
impressionante, porque no meio do show, entre uma música e outra, todo mundo se
levantou pra comer, pra trocar de lugar, pra trocar uma palavra, rolou esse
frenesi instantâneo, espontâneo, dentro do show e tudo. E sem controle, voltaram
a nos assistir, como se nada tivesse acontecido.
Dessa vez, tocamos eu, Lucas e
Felipe. Foi o Ave Nada (Diário da Piscina). E não aconteceu esse rodopio
estranho da plateia, que se manteve atenta, como se a apresentação de todas as
músicas e as leituras do Paulo fossem uma coisa só. Não partiram o show, não
quebraram ele com um rodamoinho no meio, entende.
Na primeira vez, Claudia queria
me dar algo para minha camisa de shows, mas não deu. Agora, então, nessa
segunda vez, ela me deu duas coisas, para os próximos shows.
Tem uma coisa que acontece, que
eu acho que é porque, conforme a plateia nos afete, uma música pode sair melhor
ou pior do que o modo como ela ficou nos ensaios. E eu adoro o jeito como saiu
A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho), no Escritório. Ficou muito
imperfeita, o video do Pedro ficou sem sinc, mas eu gostei mesmo assim. Ainda
não conseguimos repetir.


Vejam:

quinta-feira, agosto 23, 2018

Hoje é um dia muito especial pra mim, é como um dia de aniversário. Foi em 23 de agosto que entrei em coma e que isso conduziu minha vida de lá, pra onde ela seguia, pra cá. Então, é muito importante, porque a impressão é que tudo se deciciu nisso, no fato de eu não ter ficado pra sempre lá, parado nele. E, ao mesmo tempo, não ter seguido na vida que deixei antes. Fui jogado noutra direção. E, repito, isso é muito importante pra mim.
Hoje, um dia tão importante, fui fazer um exame de meu aparelho urinário e de meu aparelho pélvico – era isso que estava escrito no encaminhamento médico. Então, o doutor me deitou numa maca, desabotoou minhas calças, abaixou meu fecho-ecláir, levantou minha camisa e meio que, com um bastão cheio de gel, ficou correndo com ele por minha barriga e flancos e olhando pra tela de um computador. Me virou pra um lado, voltou-me para o lugar, apalpou o bastão com o gel deslizante, apalpou, apalpou e me disse, pronto, terminou!
E isso, nesse dia importantíssimo!
Ele saiu da sala e eu fiquei no dia importantíssimo me limpando do gel, me ajeitando a roupa, amarrando nos meus pés o tênis. Talvez, lá fora, estivesse rolando um tiroteio – eu estava na Fiocruz. De volta pra casa, eu poderia ser atingido. Atingido aqui perto de casa, em Niterói.
Ninguém mesmo, ninguém, poderia supor esse meu aniversário, agora, no sígno de Virgem.

terça-feira, agosto 21, 2018


Uma coisa incrível que eu reparo nos vídeos que Pedro faz no celular, é que aparecem uns sons que não estávamos fazendo. Isso aconteceu pela primeira vez quando tocamos eu, Vitor e Tulio, no loki bicho. E tou pensando agora que isso acontecia com as fitas cassetes que eu gravava antigamente também. Então, eu tava gravando e acontecia de uma criança chorar, por exemplo, por perto, ou um móvel por perto rugir e, aí, esse som entrava direitinho como parte da música, num tom que tinha a ver com os meus acordes do violão e tudo.
No caso das gravações do Pedro, no seu celular, além de entrarem uns sons que não fazemos, mas que se casam muito bem com ele, às vezes, como nos shows não tenho tocado sozinho, o que acontece é que os sons que fazemos nos intrumentos, eles criam ou sugerem um outro som que ouvimos de verdade ou que ouvimos apenas como sugestão. E a música fica muito mais linda, com sons transcendentes, que parecem estar no espírito do coração e não estarem fora dele, no ar que a gente respira.
Mas, aí, as gravações captam o que, ao vivo, tinha ficado apagado.

domingo, agosto 19, 2018

a masculinidade - Ave Nada

Fiquei emocionado, o Edil ficou,
mas só fiquei agora, porque, ontem, enquanto acontecia, não pude ver, porque eu
estava de dentro e não contemplava, são tempos diferentes, vocês sabem.
E, aí, vocês podem sentir minha
alegria e gratidão por ver um lance que era eu sozinho aqui comigo mesmo, ser,
agora, ontem, na sala da Claudia um corpo coletivo a que demos o nome de Ave
Nada (Diário da Piscina), e que me deixou emocionado agora, mas que foi, ontem.
E foi o registro do dia 14 de
fevereiro de 2001, do Diário da Piscina do ponto de vista do Paulo Barbeto e
que, também, por sua vez, Pedro, do ponto de vista seu e de seu celular
deixa-nos ver outra vez, de outro modo, no vídeo que subi agora no youtube, com
mais o Diêgo, o Lucas e o Felipe Abou.



sexta-feira, agosto 17, 2018


Amanhã, a gente vai apresentar o Ave Nada (Diário da Piscina), em Laranjeiras. Não sei bem como apresentar em palavras de divulgação o que nós com o Prática de Montação estamos construindo a cada ensaio ou a cada vez que tocamos à vera, porque no fim, é um trabalho de conjunto da gente.
Mas de meu ponto de vista, do ponto de vista de quem, lá atrás, inventou as coisas que juntos estamos reorganizando em música e teatro para a sala da Claudia, do ponto de vista daqueles que não sabem o que fazem e, daí, apesar da ordem, é meio o imprevisto, é meio um salto no escuro, nós – eu, Paulo, Felipe, Lucas, Claudia, Pedro, Diêgo - convidamos todos vocês pra virem saltar, nadar, voar conosco. Venham também os que se decidirem por morrer, como Verônica.
Chegaremos mais cedo pra preparar o ambiente da sala.
Todos!


quinta-feira, agosto 16, 2018


Tem umas formigas que moram dentro de meu teclado. Elas são mínimas, muito pequenas mesmo, e com meu olho de toxoplasmose eu vejo que elas têm uma penugem, são formiguinhas mínimas e cabeludas, como caranguejeiras.
O meu teclado está comigo há pouco e elas já moram nele. Também tinham ninho no meu antigo teclado, porque Pedro abriu pra consertar e elas estavam lá.
Sei porque elas moram no meu teclado. É que sempre tem uma xícara de café aqui em frente a ele. Isso é perfeito pra elas. Ficam próximas à comida. Quando deixo uma xícara de café vazia aqui, mas borrada com uma lâmina só de líquido no fundo, depois, elas dominam a xícara, pra comer e beber o pouco de doce que fica na louça, no restinho do café.
Aqui, no vale onde moro, também os cupins se encavernam nas coisas da casa. Esses bichos miúdos, que vivem em colônia, a gente não pode saber ao certo, mas devem estar muito atentos à gente, tipo, nos vigiar os passos, os costumes, o jeito na vida, pra que saibam exatamente em qual lugar da casa vão se concentrar pra criar suas cidades cavernosas.
Também, vêm abelhas atraídas pelo restinho de café nas minhas xícaras. E elas são meio bobas, porque eu já sei que terei de salvá-las, já sei que vão se lambuzar de café e lambuzadas não conseguirão sair do fundo da lama de café que fica na xícara. Eu pego uma caneta e as tiro, pra que elas se sequem na mesa e tomem rumo.
Também sou bobo. Pra mim, as abelhas que vêm aqui, são fadas!

quarta-feira, agosto 15, 2018


Segunda-feira estive na Fiocruz para duas consultas de rotina. Uma delas era infectologista, a outra, endocrinologista. E voltei pra casa sem que as consultas tivessem qualquer efeito no meu processo de tratamento. Segundo os médicos, não havia nada o que fazer a partir de meus dados, que têm no sistema deles, lá. O endocrinologista me deu alta, até. E me encaminhou pra o nutricionista.
Então, eu estava pensando no ônibus, de volta pra casa, que é mentira isso que dizem, ser a nossa medicina muito avançada. Porque se a medicina é tão avançada, por que minhas consultas têm sido tão estéreis?
Que merda!

terça-feira, agosto 14, 2018


Eu gosto muito de ver os videozinhos que Pedro faz de minhas apresentações. Dois amigos já se surpreenderam ao saber desse meu gosto. É que eu tenho um lance com a ordem das coisas. Por causa disso, eu não subo todos eles no youtube. E mesmo que eu tenha um lance com a ordem das coisas, o meu canal ainda é muito o caos.
Hoje, estava vendo um desses vídeos que ele, o Pedro, fez da primeira vez que fizemos o Ave Nada na Casa Sapucaia, em Santa Teresa e fiquei emocionado. Não subi no youtube na época, porque fiquei na dúvida e, agora, que iremos repetir, acho que ainda vamos melhorar, acho que conseguiremos mais ordem, não sei.
É que eu aprendo sobre fazer as apresentações, se as olho de fora, nos vídeos. E, embora não seja a ordem, propriamente, o que tenha me causado emoção ao rever o que fizemos da primeira vez, no Ave Nada,  porque eu nem sabia de sua existência naquela vez, foi ter descoberto que ela havia, o que me deixou marejado os olhos e, depois, comecei a fungar, no nariz.
A cena é o Paulo Barbeto lendo o dia 25 de julho de 2000, do Diário da Piscina, enquanto Felipe enrola um cigarro de fumo de rolo e eu espanco o acorde de Ave Nada ( Vitor Wutzki/luís capucho). Esse é um dos primeiros dias do Diário e é onde eu conto que Marcelina tinha me explicado que nadar, com o tempo de prática, seria como se eu tivesse caminhando e devaneando o pensamento em qualquer coisa. E, aí, digo outra vez, que isso é como voar. Então, a ordem não está apenas em nadar, andar, voar. Mas, sei lá, achei que todo o resto da cena se ordenou com isso, no caos, no centro, na coisa, no Ave, no Nada.
 E me emocionei. Sou muito grato.

domingo, agosto 12, 2018


Ontem, fizemos um ensaio do Ave Nada (Diário da Piscina), que no sábado, apresentaremos na sala da Claudia. E, assim, como os outros De Casa em Casa foram se formando à medida dos ensaios e das apresentações, o Ave Nada também começa a subir seu toldo. E tem uma diferença. Assim que fomos levantando a lona para as apresentações das músicas, para os De Casa em Casa, nunca tinha conseguido formar na minha cabeça uma ideia do que fazíamos. Eu sabia, conseguia ver, que estávamos mais construídos, mais formados e que desfilaríamos as músicas nas salas dos amigos daquela forma como tínhamos desenhado, mas eu não conseguia ter uma visão do corpo disso.
E, ontem, no ensaio, porque eu sou um pouco expectador e, talvez, porque, agora é teatro junto delas, das músicas, a apresentação começou a se formar pra mim. O corpo do Ave Nada começou se mostrar um pouco pra mim, vi ele começando a aparecer.
Eu sei que esse embrião ainda vai proliferar mais as moléculas e seus órgãos estarão cada vez mais prontos pra nascer. E que de certa forma, a sala da Claudia, ainda será útero.
Amanhã, é dia dos pais, ne.
É isso aí!



sábado, agosto 11, 2018

O Ave Nada (Diário da Piscina) é o resultado de meu encontro com Diêgo, Paulo, Felipe e Lucas e tudo o que adveio disso como apresentação de música e teatro. Esse é o meu ponto de vista. Mas o que vocês verão na sala da Claudia, no sábado, tem muito mais a ver com vocês, vocês sabem, porque darão sentido a tudo o que queremos mostrar.
Venham todos! Tragam seu come, seu bebe, seu fume e uma contribuição pro nosso chapéu. É livre!


sexta-feira, agosto 10, 2018


Cheguei a um outro final de minha As Vizinhas de Trás - Santa Moema e, ainda assim, tem alguma coisa que não vai bem. Porque As Vizinhas de Trás como surgiram, pintadas em telas 20x60cm ou 20x70cm, se olhadas uma única vez, a gente vê todas elas ladeadas, ao mesmo tempo. E se somos chamados pra algum ponto, pra alguma das Vizinhas, o nosso olhar vai olhar especialmente esse detalhe que quisemos, mas já viu tudo antes.
Acontece que essas telas que, até agora, tenho escolhido para As Vizinhas de Trás – Santas, elas são bem maiores. E essa da Santa Moema ainda é maior, porque quis fazer, como nas Vizinhas menores em que aparecem entre quatro e cinco delas ladeadas umas com as outras, quis fazer três Santas Moemas na mesma tela, ladeadas e grandes. Daí, que para o tamanho da sala do apezinho, não é possível que se veja as três de uma só vez. Além disso, como não se consegue ver toda ela ao mesmo tempo, cada parte, cada uma, tem que estar muito de meu gosto, para que possa estar no meu agrado de olhar pra ela sem ver as outras duas.
E não tou gostando do modo como apareceu na tela a Santa Moema do meio entre as outras, uma de cada lado dela. Pensei resolver isso, modificando-lhe um dos olhos, talvez, isso me agrade. Mas nunca desmanchei, antes algo que já tinha tido como pronto. E não sei se consigo refazer, sem deixar marca desse olhar que não está bom. Não sei se tem um macete pra isso.

quinta-feira, agosto 09, 2018

Pro meu prazer de ouvinte, sempre imagino as coisas que me contam, o melhor do que posso imaginar. Então, depois, é comum, que, por exemplo, se me contam sobre uma casa, quando eu conheço a casa de que me contaram, eu me frustre, por tê-la imaginado melhor. Isso já me aconteceu muitas, mas muitas vezes mesmo.
E isso que o Bruno inventou, eu não poderia ter imaginado mais, nem melhor: colocar no repertório de Ney Matogrosso, a minha Cinema Íris, que o Ney “abortou, junto com todas as outras músicas que ele iria colocar num disco de 2012, talvez.

- https://oglobo.globo.com/cultura/ney-matogrosso-teme-gravar-musica-com-palavra-masturbacao-os-brasileiros-estao-muito-caretas-2701115

Vamos todos! Bruno é luxo, luxo é Ney, Ney é foda, Bruno é Ney!


A gente vai fazer um De Casa em Casa repetido, no dia dezoite de agosto, em Laranjeiras. Dessa vez, com uma ideia que começamos a tentar já faz um tempo, em reuniões que tivemos na casa do Diêgo, quando ele ainda morava no Campo de Santana. Nós estávamos com a ideia de juntar o teatro às músicas, tendo como link o Diário da Piscina. Isso é uma coisa que temos vindo formando e que já fizemos uma vez na Casa Sapucaia. Mas que vai se formando pra sempre, em acordo com as mudanças que vão rolando em nós todos e fico feliz de a coisa estar se juntando, outra vez, pra explodir na sala da Claudia.

segunda-feira, agosto 06, 2018


Quando passo, olhando através da janela do ônibus na Domingos Martins, vejo que há um cara que consegue se manter no prumo em seu corpo por muitas horas, sentado numa cadeira, diante de uma clínica, que tem ali. Mas eu, sentado dentro do ônibus ou na posição em que estou agora, nessa cadeira preta diante do computer, não consigo me manter aprumado. Tem uma coisa, uma força no meu corpo, uma tentativa de prumo, que me deixa sempre o corpo fora do lugar.
Essa é uma questão pra mim e deve ser uma questão que aconteça também no corpo das pessoas que estão presas, que é a tentativa de achar um lugar de quietude, de paciência, de tranquilidade e força. Imagino que eu nunca tenha tido essas qualidades no corpo e acho que sempre imaginei o alcance disso, com o alcance da maturidade, que pra mim, ser homem adulto, é o mesmo que ter masculinidade.
Essas coisas, essa ideia de que eu vá me aprumar, quem sabe, seja apenas ilusão. E um indício disso é que com o passar do tempo, todas as coisas vão se transformando, vão perdendo a forma que havia nelas, mesmo que tenham chegado a um ponto que tenha nos parecido definitivo. Eu tenho pensado bastante, meio sem querer, nesse lance da posição, do lugar de um corpo. E conversando com um homem numa festa em que fui, estava lhe dizendo sobre fazer coisas que fiquem, coisas duráveis, como a posição do corpo do homem sentado que vejo da janela do ônibus, na Domingos Martins. E curti muito um momento em que falei pra ele, que para que as coisas pudessem ficar, elas não precisariam ter a dureza do corpo de um edifício, por exemplo. Poderia durar e ser firme, como coisa etérea, assim, como as bandeiras flamejantes retratando o corpo morto, assassinado do Cara de Cavalo. Bandeiras que por ideia do amigo João Santos, inspiraram a foto de capa do CD Poema Maldito. E nisso há muitas considerações. E curti muito ter falado isso pro homem e pensei até em dizer-lhe outra vez a mesma coisa, na mesma hora. Mas ele parecia estar alheio a esse ponto da conversa e, aí, continuei falando outra coisa.
Esse texto continuaria, mas paro aqui.

sábado, agosto 04, 2018


Cheguei a um primeiro fim de minha As Vizinhas de Trás – Santa Moema, mas não fiquei satisfeito. Devo ainda esperar para que as ideias venham. Além de não ter gostado de minha eficiência para pintar, ainda falta a ela o que formá-la completamente. É uma Santa criada pelos meninos da Cabeça de Porco, uma peça teatral construída por eles a partir de minha obra lítero-musical.
Tinha pensado em consagrá-la com uma novena que percorresse as casas dos integrantes da peça. Mas, depois, pensei que isso já ficou pra trás. Agora, é apenas um movimento meu, que reverbero um movimento que tiveram há tempos atrás. Eu sempre empaco para fazer as Santas. Que demoram demais pra se formarem.
Ela tem uma oração feita por eles:

Oração à Santa Mãe Moema

Mãe nossa que estás na terra
Ejaculado seja o vosso nome
Esteja em nós o vosso reino
Seja feita nossa vontade
Assim na cama como em pé
O leite nosso de cada dia nos dai hoje
Ofendei aos que nos ofendem
E nos deixe cair na tentação
Agora e para sempre
Amei!
(pedir a graça com fé)

Quando ela estiver, definitivamente, pronta. Mostrarei outra vez.
Vejam:


sexta-feira, agosto 03, 2018


Fiz uma música nova a que dei o nome de Posição. É um fragmento de uma música que fiz muito antiga, quando morava em Papucaia. E que a partir dele construí a música, agora, apenas sobre um acorde, uma meia pestana, na segunda casa do braço do violão. Mais ou menos como o que fiz com A Vida é Livre, que construí a música a partir do “...voa livre ave.” O fragmento que eu tinha da Posição era:  “... sentado, abertas...”. Então, coloquei isso sobre a meia pestana e construí o restante da letra, com uma melodia falada, como são faladas as coisas solenes, religiosas.
Normalmente, eu não vejo nem busco o-s sentido-s de como uma música se constrói. Mas nos devaneios que me pegam aqui dentro do apezinho, essa meia-pestana sobre a qual coloquei a letra é muito como a imagem que tinha tido uns dias antes e que tentei falar aqui no Blog Azul, sem conseguir direito, mas uma idéia que situo no meu quarto de dormir. Um lugar onde se colocar e de onde dar partida. Eu tentei falar disso em minhas últimas postagens e acho que isso começou, quando o Diêgo voltou do Peru e esteve aqui em casa pra me trazer aquela miniatura de brinquedo de máscara de ritual Azteca.
Eu tava dizendo pra ele da minha dificuldade em tomar uma posição. Em outras palavras, eu disse que recebia as notícias de uma forma obtusa e, aí, não conseguia achar no espaço que ela abria pra mim, um ponto de onde eu pudesse começar a me mover, dar minha partida. Daí, achei que essa meia-pestana é meio a realização da imagem de que estou tentando falar há um tempo aqui nas postagens curtas do Blog Azul e que nos devaneios aqui dentro do apezinho, localiza-se no meu quarto de dormir.

                                   Posição

Sentado, abertas
As duas arregaçadas para os lados com os pêlos cheios de energia
Os bagos derramados
Cachos assanhados de alegria e os cabelos em fúria
Sentado abertas
Os músculos curvos das pernas entornados com viço
Peitos empinados, coração forte
Nada de medo, nada de fim
Muito tempo e muito espaço voando
Sentado abertas
A posição sustenta a forma
Exu parado com força, sustento o céu, sustento a cidade, a rua.
Músculo inchado
Sentado, abertas
Uma esticada, a outra o joelho no peito
Sentado, abertas.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Inferno - luís capucho

Nos De Casa em Casa que fizemos no primeiro semestre desse
ano, arrumamos o cantinho da sala ou varanda ou quintal em que tocamos, o nosso palco, além de com o Tótem e a maletinha que fizemos para os livros e discos, também com uma Vizinha de Trás, que deixamos de presente para o amigo da sala.
Hoje, mexendo aqui na estante, descobri que tenho o Certificado de
Autenticidade da Vizinha que deixamos com o Alexandre, quando tocamos em sua varanda. É uma de minhas primeiras, do ano de 2014.
Nesse show, foi a primeira vez em que tocamos a Inferno(luís
capucho/Marcos Sacramento). E que adorei demais, depois, no vídeo que Pedro fez.


Vejam:

terça-feira, julho 31, 2018

Luís Capucho - Poema Maldito (full album)

Eu faço música há muito mais tempo do que faço As Vizinhas de Trás. E fico sempre pensativo sobre o fato de meus assuntos não avistarem longe, eles não têm panorama, tratam sempre de coisas muito próximas, coisas em que posso me esbarrar, em que estou me esbarrando e, por isso, a impressão de que estou sempre puxando pra trás, puxando pra mim, puxando pra baixo, atravancando espaço, se liga, assim, um sumidouro, um rodamoinho que não vai sair do lugar, fazendo pressão ali, uma coisa bem diferente de se arejar e ler um jornal, não sei.
Minhas primeiras As Vizinhas de Trás são de 2012 a 2014, quando ganharam esse nome. Delas, ainda tenho seis, que ficaram aqui comigo, encalhadas. E nos De Casa em Casa que fizemos no
primeiro semestre deste ano, em cada uma das salas dos amigos em que nos apresentamos, de acordo com o que pensei de cada amigo, deixei-lhe As Vizinhas de Trás que tivemos como cenário da apresentação. E algumas eram dessa série mais antiga e que são bonitas, na sua pouca definição e pouco relevo.
Ainda no mesmo assunto, desde o início desse texto, trouxe de volta pra mim, em 2014, músicas que tinham ficado na gaveta, músicas que minhas sequelas de incoordenação motora, me fizeram
achar, por muito tempo, que não fosse mais conseguir executá-las. No disco Poema Maldito, há  quatro exemplo disso:
La Nave Vá (luís capucho/Manoel Gomes), O Camponês (luís Capucho/Marcos Sacramento), Velha (luís Capucho) e Cavalos (luís Capucho).
Agora, tou pensando o mesmo com relação a essas seis Vizinhas, vou trazê-las de volta pra mim. Vou restaurá-las.



segunda-feira, julho 30, 2018


No dia 18 de agosto, apresentaremos as músicas na sala da Claudia, pela segunda vez, mas, agora, iremos juntar-nos à Pratica de Montação e desse modo o Paulo Barbeto será o narrador de trechos de Diário da Piscina, entre uma música e outra. Ontem, ensaiamos apenas a parte musical, com a presença das meninas (Madame Liza e Lucía Santalices) e foram muito lindas as grinaldas, as chamas, as estradas, as marolas e ondas que se abriram com as músicas.
Sentindo-me meio doido.

sábado, julho 28, 2018


Nos finais de semana fico mais alegre, não tem bactrim. Não há perigo em se dizer alegre, mas também não há alegria exatamente. Me perdoe. Isso me lembra um vídeo que vi, passando por aqui, pela internet, em que um mestre falava de amor, que é preciso se abrir para o amor, um amor universal, que abrange desde os cabelos até à ponta dos pés. Eu sempre fico com um pouco de raiva desses mestres sabichões. Me perdoe. Mas ele tinha dois discípulos posicionados um tanto abaixo e atrás de si, um homem e uma mulher mais jovens. E o que, no final, entendi do que ele dizia, era que o amor deve ser o universo em que estamos, no nosso corpo, em nós e pra nós. E que a partir daí, o amor se expandiria pra o infinito de nosso entorno, pras outras pessoas e tudo. E os dois jovens atrás e abaixo dele, tinham na fisionomia amorosa deles, o exemplo disso, do que ele estava dizendo e que eu repito aqui no blog azul, o amor.
Além das coisas que ele dizia, esses dois jovens atrás e abaixo dele, chamaram a minha atenção demais. Porque diferente do velho mestre que expunha as idéias de amor, eles não tinham pensamento, tinham em suas fisionomias apenas amor. O velho mestre não tinha. Tinha o pensamento. Assim como eu não tenho alegria, exatamente, sem bactrim nos fins de semana. Na verdade, não tenho nada, estou escrevendo aqui. Te love.

sexta-feira, julho 27, 2018

"Já em termos de Brasil, vale destacar a obra do escritor Luis Capucho e o espetáculo teatral Boa Sorte, em processo de criação pelo diretor goiano Gabriel Estrela".
CARIRIREVISTA.COM.BR
As respostas à epidemia da AIDS não podem ser entendidas fora do campo da discursividade. A síndrome surgiu atravessada pelos meios de comunicação que criavam sujeitos e estigmas. Foi assim que a imprensa a denominou inicialmente como Gay-Related Imunodeficience – GRID (Imunodeficiência rela...


Então, acho que é isso. Eu bebo um pouco de água filtrada e tento sentir, visualizando, o seu percurso, depois de engolir. Também fiz isso pela manhã, tentei visualizar o percurso dos remédios depois de engolidos. Então, há muita coisa acontecendo comigo de que não consigo fazer idéia. Isso volta ao que meu amigo de escola disse aquela vez, de que há questões que precisamos esquecer. Eu tenho de beber a água e beber os remédios e esquecer. Foi.


quinta-feira, julho 26, 2018


Ainda falando do assunto de ontem, de acordar no meio da noite com a impressão de que posso controlar o movimeto de meu sangue através da força e da velocidade em que respiro e que isso, o controle do ritmo que estou na cama, no mundo, na vida, é a minha plataforma, a estação onde recebo as vibrações que adentram o apezinho, e de onde partem todos os meus movimentos, os que eu vejo e os que eu não vejo, todas as minhas intenções, as visíveis e as invisíveis, e resumindo, enfim, todo o assunto, essa é a minha posição, não há mais nada.

quarta-feira, julho 25, 2018


Continuando e idéia de uma direção pra que se olhe e o seu imbróglio, a idéia de que tenho e estou numa posição, tenho acordado no meio da noite pensando se posso ter algum controle de meu pulso, se posso intensificá-lo ou não, considerando a força e o tempo do modo como decido respirar. E se posso manter uma posição, apenas por esse motivo, o de respirar.
Isso me lembra fantasias de não falar, de ficar parado sentado num boteco bebendo e não falar. A fantasia de falar apenas por escrito e que respirar não tenha a função de motor para as palavras faladas, que seja motor para outro movimento, o movimento mais tranquilo e forte, pouco etéreo, de meu pulso, apenas, de meu sangue.


segunda-feira, julho 23, 2018


Continuando a estória do post passado, a história de sermos burros ou de sermos incapazes de viver as situações sem colocarmos nelas o nosso drama, às vezes, aqui no apezinho, já faz um tempo, tenho pensado encontrar um lugar parado, um lugar suspenso, a partir do qual eu possa seguir para qualquer direção ou onde eu possa apenas ficar contemplando, no lugar, com visão panorâmica de todas as direções. Um lugar que me dê uma posição, no caos de todas as outras posições.
È muito difícil, ao mesmo tempo, falar dessa posição no caos das outras, porque ela fica perdida. Ao mesmo tempo em que firme, apenas por se manter, concentrar-se em si mesma, sem saber mais nada. E a partir daí, saber se relacionar no imbróglio da direção pra que se decida olhar.

domingo, julho 22, 2018


Tem umas coisas que parecem importantes demais pra gente e que, nem por isso, acontecem ou dão certo. Tenho dúvida se realmente são importantes, quando não acontecem. Estou tentando, nesse momento, me lembrar de uma coisa dessas que pareciam muito importantes, mas que não tenham acontecido comigo muito antigamente. Pra ver como lidei com elas e ver também como se resolveram ou se tudo é sempre como um amigo de escola me disse uma vez, que as coisas que pareciam ser as nossas grandes questões adolescentes nunca iriam ser resolvidas, nós é que nos esqueceríamos delas, não lhes daríamos mais a importância que tinham.
E não gostaria de esquecer dessas coisas que parecem ser importantes pra mim, mas meu antigo amigo, talvez, estivesse com razão. Será mais prudente e sensato esquecer. E que não sejam dramas pra mim. Ao mesmo tempo em que vou tentando me salvar nas coisas que acontecem bem, naquelas coisas que dão certo, como, por exemplo, restaurar aquilo que é reparável, como um dente quebrado, podre ao meio, que, hoje, tenho encapado em platina, e que, coisa importante, não se perdeu no esquecimento. Se reconstituiu como um amor daqueles que nós reencontramos depois de esquecidos e que renasceram, porque sempre estiveram vivos na raiz. Porque precisamos deles e são importantes vivos, por isso.
Enfim, sejamos burros!

sexta-feira, julho 20, 2018

Aconteceu uma coisa muito linda, inesperada. A revista Amarello, feita no centro de São Paulo, tem na sua última edição o tema, arquivo. E tem entre as matérias, uma muito interessante intitulada Manifesto dos Museus que relaciona a literatura com eles e, aí, acho que entro no link com o acontecimento lindo e inesperado.
Já contei aqui no blog da vez em que fizemos ( eu e Vitor Wutzki) o De Casa em Casa no Marcio e que o Edil levou cartas antigas que lhe mandei para ler entre as músicas. Depois, ele repetiu as leituras no Nahum e no Bruno.
Hoje recebi pelo correio a Amarello, com seis dessas cartas publicadas.
Vejam:


quarta-feira, julho 18, 2018


È possível que haja algum médico desses que me atenderam por todos esses anos, um ou dois, que tenha sido verdadeiramente meu aliado. A vida de uma pessoa é interessante demais, pra que ela se volte pra vida da outra pessoa, assim, pra que ela faça o mais que melhor, porque é disso que eu tou falando e é disso que eu preciso. Então, cada um na sua!
No início, tomar os meus remédios, me prostravam demais. Sempre fui um sujeito mais parado, mais contemplativo e com eles era como se fosse surrado todos os dias, todos os dias baleado, todo dia um pouco mais abatido, derrotado. Aí, quando no ano 2000 comecei a nadar, fui retomando a força, porque nadar deixa a gente mais forte.
Hoje é o último dia da dose mais alta de Bactrim. A partir de amanhã, cai pra mais da metade a dose que tenho de tomar. O olho continua igual, não melhorou nem piorou. Ainda há a possibilidade, mas não fiquei caolho. E isso de agora diminuir o antibiótico, me deixa menos amuado, porque ter aumentado tanto remédio assim, na minha dieta deles, foi foda, um baque pra mim. Devo tomar, conforme entendi, essa dose menor de remédio, enquanto meu metabolismo suportar. Que é pra evitar que a inflamação volte.
Estou tomando a quantidade de remédios que mamãe começou a tomar, quando ficou mais velhinha. Não comecei com isso, agora. As montanhas de remédios que preciso subir e descer, ora são maiores, ora menores. E já faz mais de vinte anos que tou atravessando esse planalto. Já faz um tempo tenho pensado nos efeitos ruins que tantos anos de remédios estão deixando em minhas vísceras. Imagino que elas devam se cansar, envelhecer mais rápido do que envelheceriam e se cansariam se eu não tivesse que tomar os remédios.
Eu sei que eu tou envelhecendo.

terça-feira, julho 17, 2018


Eu me lembro que me mamãe se aprontava para ir ao médico de um jeito como se fosse à missa, falar com Deus. Sempre implicava com ela, por isso, mas porque os médicos ficam nessa posição entre a nossa vida e morte, meio que se aproximam mesmo de Deus e deve ser por isso que a maioria deles seja erradamente empafiosa. E criam distância da gente, a estrutura como se desnrolam as consultas, favorece a distância e os mantém protegidos e tudo.
E me deixou bem frustrado ver que a médica que está vendo o funcionamento de meu rim, em minha última consulta a ela, tenha sido sizuda e nada interessada nos meus dados laboratoriais que já estavam no sistema. Ela me disse que não adiantaria olhar, sem que já estivesse no mesmo sistema, os dados da ultrassonografia que estou ainda para fazer, mas esse nem é o caso, porque ela estava diferente das outras consultas, principalmente, das consultas em que havia médicos assistentes e que ela se mostrara amigável, interessada, aliada a mim, seu paciente.
A médica que cuida de meu olho e que também se mostra aliada, em nenhuma consulta se mostrou diferente disso e nunca houve uma consulta que me decepcionasse. Não é um amor, assim, não há nenhum desejo de aproximação, a gente sempre irá continuar sem qualquer vínculo pessoal. Mas é que tem uma atenção total no meu olho, ali naquele momento que a gente fica junto na sala dela. Também é assim o médico que vê meu coração, o que vê minhas outras víceras e a infectologista.
Fora isso, Deus me livre de todos!

sexta-feira, julho 13, 2018


Tenho gostado muito de fazer as transcrições dos audios do programa Escuta, em que Rafael Julião entrevista compositores da cena contemporânea brasileira, ao mesmo tempo em que escutam, numa sala, o disco deles, um por mês. Porque além de ser gostoso reproduzir no papel as coisas que são faladas e nisso essas coisas vão ganhando uma dimensão mais difusa, no silêncio do meu Word, também vou me situando no meio dessas coisas, que na verdade, sempre estão a meu lado.
Além de fazer a transcrição de minha própria entrevista, já transcrevi as entrevitas do Sylvio Fraga, Vovô Bebê, Mari Romano, Bruno Cosentino, Juliana Perdigão, Daniel Medina e, agora, do Paulinho Tó. Eu aprendo bastante coisas com os entrevistados e com o entrevistador. O Rafael sempre pergunta aos compositores se sentem fazer parte de uma geração de artistas e meio que isso não se define bem e mesmo eu que tenho acompanhado em modo-transcritor tantas entrevistas, também não consigo me decidir. Talvez, ele, o Rafael, deva ser entrevistado alguma vez, para que possa nos dar a sua visão do conjunto.
Fora isso, meu corpo vai, aos poucos, se normalizando com o uso prolongado e cavalar de Bactrim, pois, hoje, meu cocô tava normal. Essa dose mais alta dele termina em 5 dias. Depois, com a dosagem menor, devo normalizar o intestino e também o estômago, que tem doído um pouco. Compramos uns chás e isso parece ser bom. Também presto atenção na alimentação. É preciso atenção!