terça-feira, dezembro 30, 2008

Acordei descansado.
Vi que eu estava bem, que meu corpo tinha entusiasmo, quando desci minha escada pra ir na quitanda comprar banana pra mamãe.
Dorinha veio.
Ajudei-a na arrumação da geladeira e deixei que arrumasse o resto das coisas sozinha, o que Dorinha continuou fazendo com grande concentração.
Daqui a pouco, depois que eu almoçar, vou para casa de Pedro.
Eu gostaria que Dorinha viesse mais vezes, para que, assim, eu pudesse me envolver mais com minhas próprias coisas e não tivesse que ficar tanto à mercê da casa que é por demais monopolizadora, por demais cansativa, por demais exigente, por demais cruel.
É isso, silencioso leit@r.

domingo, dezembro 28, 2008

Depois que eu já havia colocado o “Palavra Sem Carne” no youtube foi que me lembrei de pedir ao Marcolino que colocasse uma guitarra na gravação do Leo. Mas, refiz tudo e Marcolino colocou. Veja como ficou legal, silencioso leit@r:

palavra sem carne (guitarra)

sábado, dezembro 27, 2008

O que temos chamado, de há um tempo, de o nosso condomínio, está silencioso nessa manhã chuvosa e abafada. Não abri a cortina sobre minha janela, sobre minha cama, para que pudesse ver algum movimento de minha vizinha de janela, que hoje, sábado chuvoso, não deve ter saído com seus quadros gigantes para vendê-los no Campo São Bento.
Estou na penumbra de meu quarto, iluminado pela luz da tela de meu jurássico e querido computer.
Na sala, mamãe ligou a tevê. Acabou o silêncio.
Vou fazer uma comidinha pra gente e, depois, vou alimentar os gatinhos do Pedro.
Vou fazer inhame, com bastante molho...

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Paulo Baiano, que ta produzindo meu Cinema Íris, mandou meu presente de Natal, que repasso aos meus silenciosos leit@res:

"Amigos, estava eu aqui, encasquetado, pensando em como mandar uma mensagem natalina pros amigos, até que recebi o link abaixo do youtube, com um vídeo SENSACIONAL. Pronto: para mim esta é a mensagem que quero mandar pra vocês.

Espero que, em meio a tantas crises que nos esperam, tenhamos um 2009 de união, solidariedade, alegria e música, todos nós, juntos, trabalhando pelo bem comum, construindo um futuro melhor, por nós mesmos, nossos descendentes, e nosso planeta.

um FELIZ 2009 pra você e sua família.

Paulo Baiano

agora, vamos ao vídeo:

Playing For Change: Song Around the World

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Eu tinha pensado em fazer, apenas, um bacalhau para o nosso Natal, como se eu tivesse sendo mais ou menos original, e ter uma boa mesa, sem aquele monte de comida que a gente nem come direito, mas vi, na televisão, que bacalhau é um prato típico de Natal aqui no Rio de Janeiro, daí, silencioso leit@r, estou a fazer meu bacalhau imbuído de muito conforto interno, bebendo devagarinho o vinho tinto que comprei, porque, afinal, não estou desafinando a harmonia desse dia, assim, tão cheio de força coletiva, como um carnaval.
Au...au...au...au!

domingo, dezembro 21, 2008

Palavra Sem Carne

As gravações do Cinema Íris deram um tempo nesse final de ano.
Além de finalizarmos a maioria das músicas que escolhi para estar no CD, duas delas precisam ser totalmente iniciadas: a “Parado Aqui” e a “O Cigarro que Você me Deu”.
Talvez, façamos isso no mês de janeiro, não sei. O certo é que o disco está andando e isso é muito bom. Também, em janeiro, quero fazer uns ajustes no meu livro e deixar o “Mamãe me Adora” melhor acabado, caso role de eu encontrar uma editora.
Também quero me aventurar na feitura de um vídeo para minha música com o Leo “ Palavra Sem Carne” e outro para uma de minhas músicas com Kali “São Flores”.
Renan ficou de fazer o “São Flores”, mas Renan, por que você ta demorando tanto?

sábado, dezembro 20, 2008

Estamos com um show marcado para o dia 29 de janeiro, na Tijuca, no Centro de Referência da Música Carioca, que já me mandou o serviço:

Dia : 29 de janeiro de 2009, quinta-feira
Hora : 18h30
Valor do ingresso : R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia.
Ingresso promocional para grupos acima de dez pessoas com compra antecipada : R$ 8,00

Rua Conde de Bonfim, nº 824 – Tijuca.

Estarei na voz e violão
Marcolino na guitarra
Paulo Baiano no teclado

O repertório inclui músicas de meu primeiro disco “Lua Singela” e também algumas outras que estarão no “Cinema Íris”, disco que estou a fazer sob direção artística de Marcos Sacramento e produção de Paulo Baiano.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Tive que jogar minha cama fora, silencioso leit@r!
Algum bicho começou a roê-la por dentro e minhas caixas de guardados que esqueço por baixo dela ficaram cheias de mínimos grãos. Acho que de broca, sei lá. Foi Dorinha quem descobriu, porque Ana não via nada, então, joguei a bichana fora.
Eu via que a cama estava se ajeitando a meu corpo de um modo muito gostoso e curtia os seus estalidos, os ruídos dela, cada vez mais moldada no meu corpo, fazendo eu ficar tendo as minhas lembranças, os meus devaneios, eu ficava adorando estar na cama macia a se desfazer de sua rigidez, e meu bom leit@r há de achar esquisito isso, que eu estivesse a curtir a cama tornar-se a cada dia mais confortável, porque ela estivesse se deteriorando. Mas era isso...
Aproveitei e joguei fora também os guarda-roupas, que estavam se esfarelando pelo mesmo motivo.
É o fim...

terça-feira, dezembro 16, 2008

A configuração de minha vida cotidiana está toda diferente, daí que não mais consigo vir escrever no meu blog azul, coisa de que gosto muito, assim que acordo. Mas como dizem os mais antigos, no que a minha nova configuração continua sempre a me transformar, tudo continua na mesma, tudo vai indo, a gente vai levando, silencioso leit@r, e os dias em Nikity City têm sido muito gostosos, fresquinhos, orientados pelo Natal que se aproxima e tenho de ir, bom e generoso leit@r, lavar louça, com a minha cabeça, onde está meu céu, cheia de pensamento e lembrança, ouvindo o entorno do que Pedro e mamãe chamam de meu condomínio, enquanto deixo minha louça um brinco!
Fui!

domingo, dezembro 14, 2008

Dia fresquinho em Nikity city!
Os passarinhos engaiolados do vizinho de baixo gritam acompanhados dos pardais soltos em torno ao nosso sobrado. A vizinha de trás ta colocando roupa no varal. Minha vizinha de janela modificou os quadros da sua parede e daqui dá para ver uma mata de árvores sem copa, com apenas os caules entrando pelas nuvens.
Vou preparar nosso almoço...

sábado, dezembro 13, 2008

No que Pedro tem chamado de meu condomínio e no que mamãe também agora diz ser o nosso condomínio, coisa que estou aqui, sem categoria, a reafirmar, diante de meu jurássico computer com meu imenso e matutino pote de café, embora seja próximo de duas horas da tarde e eu já tenha almoçado, lavado a louça e transformado uma camiseta velha em pano de chão para secar com ela o chão encharcado do banheiro, porque depois de ter conseguido desentupir o cano que escoa a água do tanque lá fora, na área, vi que o cano da pia do banheiro começou a vazar e eu terei de me empenhar agora em consertá-lo, estou aqui com meu pote de café como sobremesa, a ouvir a gravação de “Palavra sem Carne”, música do Leo e minha que ele me mandou num mp3.
Liguei pro Léo.
Valfredo chegou. Fui!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Grandes nomes da MPB gravaram para o Natal de 2008 o CD Natal Bem Brasileiro com repertório de compositores que se debruçaram sobre o tema, como Assis Valente, Vinícius de Moraes e Luiz Gonzaga.
O disco já está nas lojas e seu lançamento será no Sesc Mariana, em Sampa, nos dias 13 e 14 desse mês. Entre os intérpretes estão Marcos Sacramento, Maria Bethânia, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Zezé Motta...
Votee veja, silencioso leit@r:
http://www.overmundo.com.br/agenda/natal-bem-brasileiro

quinta-feira, dezembro 11, 2008

quarta-feira, dezembro 10, 2008

É verão em Nikity City!
Recebi um e-mail da Andréia, querida:


“Amigo escrevo para lhe fazer um convite, para visitar um blog de um escultor mais que querido: Marcelo Hatada. Ele faz esculturas em papel e já publicou algumas obras no estilo nipponico.
http://tesourosdepapel.blogspot.com/ E aproveito para lhe pedir um favor, caso vc aprecie a arte. Que divulgue entre seus contatos.
Em breve as obras estarão sendo expostas no Brasil.
Desde já agradeço, amigo
Beijo grande Andréia”


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terça-feira, dezembro 09, 2008

Conseguimos desentupir meu tanque!
Como diz Nana Caymmi, o resto vai na urina...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Meu tanque está entupido.
As veias da perna de mamãe estão entupidas, por isso as feridinhas sem a drenagem de sangue por sua carne da canela, não ficam curadas.
O fluxo da vida por onde eu quis correr entupiu.
Faz dias, tirei uma aliança e uma colherzinha de plástico, dessas de aniversário, de dentro do cano que escoa a água de meu tanque, mas, depois, descobri um caco de vidro lá dentro que não consegui que fosse tirado. Isso fez com que ciscos fossem se sedimentando rapidamente dentro do cano, que entupiu de vez.
Tenho corrido com mamãe a uma porrada de médicos e mamãe acordou hoje hiper mal- humorada, porque médico algum consegue curar sua ferida e sanar suas dores noturnas. Daí, ela não quer mais ir a médicos. Quer ir na macumba!
Penso que, se eu conseguir desentupir o tanque, isso vá auxiliar para que o fluxo da vida por onde eu corro com mamãe, se desentupa. E como conseqüência disso, por um mistério qualquer, vindo sei lá de onde, as feridas da perna dela ficarão curadas, bondoso leit@r.
É isso aí, se liga!

domingo, dezembro 07, 2008

Embora, muito no íntimo, meus livros tenham, todos, um mesmo narrador, eles dialogam entre si, cada qual em seu tom de voz muito particular.
Esse diálogo existe entre meus livros, entre eles e a música que faço, entre elas, entre eu e elas, e é, assim, como se em todas as minhas tentativas de expressão, eu também estivesse a conversar comigo próprio, solitário, silencioso leit@r, se liga.
Achar o tom de voz particular de um narrador é fundamental para que se abra o fluxo por onde ele irá seguir, assim, como achar o tom em que irá seguir uma canção é como encontrar e seguir um leito de rio serpenteando entre os montes, pela planície, onde as aves voam pairando na brisa.
Por tudo isso, porque dialogo só, felizmente, decidi nomear meu novo disco de “Cinema Íris” para formar com o meu primeiro livro, “Cinema Orly”, e nomeei meu terceiro livro, ainda inédito, “Mamãe Me Adora”, para formar com uma de minhas primeiras canções, e que tem esse mesmo nome.
Foi “Mamãe Me Adora”, a música, que me rendeu ser chamado nos anos 90 pela imprensa paulista de o Jean Genet da MPB. Porque como uma vez me disse minha parceira Mathilda Kóvak, rock and roll é literatura e literatura, bem, literatura é rítmo, eu digo.
Daí, bom leit@r, Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Está um dia lindo em Nikity City!
Há muito penso em comprar um pincel para começar logo a pintar os meninos abraçados, o primeiro dos quadros da nova série que quero fazer, mas sempre me esqueço.
Os pincéis com que pintei a série de carinhas eram do Pedro e eu os usei para fazê-las, mas pintando, vi que o tipo de pincel, pode fazer com que eu tenha essa ou aquela intenção e será isso que procurarei, hoje, numa loja, um pincel que facilite a minha intenção, se liga, silencioso leit@r, e não me esquecerei.
Fora isso, fiz duas músicas por esses dias: uma com letra de meu parceiro Marcos Sacramento e outra com letra de Clovis Struchel, um menino que me mandou uma letra há muito tempo atrás, indicação de Kali e que, finalmente, decidi fazer...
Além disso, Leo-poeta fez uma música linda para uma de minhas letras...
Eu adoro comer X-Tudo nas carrocinhas de camelôs.
O Sacramento falou que isso daria uma música, então, pedi que ele me fizesse a letra. Ele demorou para caramba a me dar a letra e eu, tinha prestado atenção em um comentário dele sobre as palavras serem a carne dos pensamentos e juntei isso ao meu X-Tudo e quis fazer uma letra.
Resultado: saíram duas letras e duas músicas:

X TUDO
(luís capucho/ marcos sacramento)

A carrocinha iluminada diz, orienta
Dá a direção
Eu paro ali e peço tudo
Mas o x da questão é que tenho fome de amor
Eu paro em péE peço, por favor, o pão
E peço ao pão que me alimente
E peço ao céu o calor da chapa quente

A carrocinha é rampeira
Tem um pouco de sujeira
É tudo assim, meio no chão
Parado em pé, pensando em músicas de amor
minha fome de cão
a carne, o ovo, o pão
Hão de saciar
Mas meu coraçãopobre horror
Não vê nadaE pra mim
A carrocinha diz com a luz da madrugada
Que o x da questãoÉ a fome de tudo
E o chão meio sujo em que me sento
Me joga idéias ao vento
E vou-me embora
Estofado de dúvidas.

Palavra Sem Carne
(leo-poeta / luís capucho)



Pensamento sem palavra não tem carne
Palavra sem pensamento é carne morta
Eu imagino peixes barrigudos
Descendo fortes, descendo mansos
No rio vão de minha cabeça

A cidade está cheia de gente pelas ruas, morros e edifícios
Muitos pensamentos que morrem entre gritos, passarinhos, pipas
Muita palavra sem carne
Eu vou sentado dentro do ônibus
Vendo tudo
Ouvindo tudo
Peixes barrigudos, luzidios
Descendo fortes, descendo mansos
No rio vão de minha cabeça

Pode ser que a perfeição das ruas por onde eu passe no ônibus
E por onde passem os meus pensamentos vãos e os pensamentos de todas as gentes pelos morros da cidade, pelos prédios, automóveis, ruas, no sol
Peixes barrigudos e fortes, mansos, luzidios
Esteja em não ser dura, ser mole,
Em ter buracos, rasgos, furos
Por onde os peixes barrigudos possam entrar e se esconder
Ignorantes, afetuosos, sensíveis, delicados
Depois de descerem fortes, depois de descerem mansos,
Luzidios, escorregadios,
Fora da correnteza de minha cabeça morrer
Porque pensamento sem palavra não tem carne
E palavra sem pensamento é carne morta.


Mesa de Jantar
( luís Capucho / Clovis Struchel)

De minha árvore genealógica
Eu herdei a loucura latente
Os hospícios sempre me foram tão presentes
Feliz natal, mamãe.
Maçãs envenenadas
Meu deus é negro quando apago a luz
Lágrimas ensaiadas envoltas em gargalhadas
Eu rio e choro descompassado
Eu rio e choro por nada
Não tenho nome agora
Não tenho hora nem morada
Meu tempo é um conjunto de descontentamentos
Eu dissimulo, aprumo o faro, eu desconserto, eu minto, invento
Tem comprimidos na estante
O meu instante não existe
Feliz natal, mamãe
Feliz natal, mamãe

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Ontem, fui nadar.
Assim que Nice abriu-me o portão e fui para o balcão digitar minha senha e passar na roleta, ela abriu a janela de vidro que a deixava enclausurada no ar condicionado, aproximou o rosto da abertura, para o bafo de calor em que eu estava, e perguntou:
- Te telefonaram, Luís?
- Não – eu disse e esperei por uma resposta.
- É que tiraram sua bolsa, não te ligaram?
- Hummm...não.
- Então, hoje, pode nadar, já que não te ligaram e você veio. Mas acabou sua bolsa.
- Ta bom – eu disse – não vou entrar, vou embora - e vim embora a pé, pensando.
Para minha recuperação absoluta, motivo pelo qual comecei a nadar, resta-me apenas correr, que não consigo. Mas pra que correr, bom leit@r, pra que eu vou sair correndo feito um louco?
Mas preciso me exercitar...e vim embora pela orla da praia de água limpa e mansa, ontem, pensando.
Depois, quando cheguei na Gavião Peixoto, peguei o 30, para minha casa.