quinta-feira, dezembro 04, 2008

Está um dia lindo em Nikity City!
Há muito penso em comprar um pincel para começar logo a pintar os meninos abraçados, o primeiro dos quadros da nova série que quero fazer, mas sempre me esqueço.
Os pincéis com que pintei a série de carinhas eram do Pedro e eu os usei para fazê-las, mas pintando, vi que o tipo de pincel, pode fazer com que eu tenha essa ou aquela intenção e será isso que procurarei, hoje, numa loja, um pincel que facilite a minha intenção, se liga, silencioso leit@r, e não me esquecerei.
Fora isso, fiz duas músicas por esses dias: uma com letra de meu parceiro Marcos Sacramento e outra com letra de Clovis Struchel, um menino que me mandou uma letra há muito tempo atrás, indicação de Kali e que, finalmente, decidi fazer...
Além disso, Leo-poeta fez uma música linda para uma de minhas letras...
Eu adoro comer X-Tudo nas carrocinhas de camelôs.
O Sacramento falou que isso daria uma música, então, pedi que ele me fizesse a letra. Ele demorou para caramba a me dar a letra e eu, tinha prestado atenção em um comentário dele sobre as palavras serem a carne dos pensamentos e juntei isso ao meu X-Tudo e quis fazer uma letra.
Resultado: saíram duas letras e duas músicas:

X TUDO
(luís capucho/ marcos sacramento)

A carrocinha iluminada diz, orienta
Dá a direção
Eu paro ali e peço tudo
Mas o x da questão é que tenho fome de amor
Eu paro em péE peço, por favor, o pão
E peço ao pão que me alimente
E peço ao céu o calor da chapa quente

A carrocinha é rampeira
Tem um pouco de sujeira
É tudo assim, meio no chão
Parado em pé, pensando em músicas de amor
minha fome de cão
a carne, o ovo, o pão
Hão de saciar
Mas meu coraçãopobre horror
Não vê nadaE pra mim
A carrocinha diz com a luz da madrugada
Que o x da questãoÉ a fome de tudo
E o chão meio sujo em que me sento
Me joga idéias ao vento
E vou-me embora
Estofado de dúvidas.

Palavra Sem Carne
(leo-poeta / luís capucho)



Pensamento sem palavra não tem carne
Palavra sem pensamento é carne morta
Eu imagino peixes barrigudos
Descendo fortes, descendo mansos
No rio vão de minha cabeça

A cidade está cheia de gente pelas ruas, morros e edifícios
Muitos pensamentos que morrem entre gritos, passarinhos, pipas
Muita palavra sem carne
Eu vou sentado dentro do ônibus
Vendo tudo
Ouvindo tudo
Peixes barrigudos, luzidios
Descendo fortes, descendo mansos
No rio vão de minha cabeça

Pode ser que a perfeição das ruas por onde eu passe no ônibus
E por onde passem os meus pensamentos vãos e os pensamentos de todas as gentes pelos morros da cidade, pelos prédios, automóveis, ruas, no sol
Peixes barrigudos e fortes, mansos, luzidios
Esteja em não ser dura, ser mole,
Em ter buracos, rasgos, furos
Por onde os peixes barrigudos possam entrar e se esconder
Ignorantes, afetuosos, sensíveis, delicados
Depois de descerem fortes, depois de descerem mansos,
Luzidios, escorregadios,
Fora da correnteza de minha cabeça morrer
Porque pensamento sem palavra não tem carne
E palavra sem pensamento é carne morta.


Mesa de Jantar
( luís Capucho / Clovis Struchel)

De minha árvore genealógica
Eu herdei a loucura latente
Os hospícios sempre me foram tão presentes
Feliz natal, mamãe.
Maçãs envenenadas
Meu deus é negro quando apago a luz
Lágrimas ensaiadas envoltas em gargalhadas
Eu rio e choro descompassado
Eu rio e choro por nada
Não tenho nome agora
Não tenho hora nem morada
Meu tempo é um conjunto de descontentamentos
Eu dissimulo, aprumo o faro, eu desconserto, eu minto, invento
Tem comprimidos na estante
O meu instante não existe
Feliz natal, mamãe
Feliz natal, mamãe

Um comentário:

Renan disse...

Luís, e aquela letra que eu te mandei em 2006? Será que sai música?