sábado, maio 07, 2022
sexta-feira, maio 06, 2022
quinta-feira, maio 05, 2022
Me ponho no
centro e dessa posição é que, sentado na minha cadeira, estou a ouvir o dia de
minha janela. Não consigo estar fixo em mim. Outro centro me desloca constantemente
para si e paro de respirar tentando me manter imóvel no primeiro lugar, no
primeiro momento. Eu acho que o certo é me manter no mesmo tempo, sem me deixar
atrair para essa segunda direção. No ponto em que estou, meu centro está no cu.
quarta-feira, maio 04, 2022
Voltando ao meu centro e ao fato de que há um outro que me puxa para si, ao fato de que há um outro em mim, e de que sou outro e sou eu, portanto, mais de um centro, quantos centros posso ter, quantos posso ter como direção, devo me centrar em qual deles, no que envelhece, devo me centrar no que envelheço, devo partir desse, em acordo com ele, de manhã, fazer meu café.
terça-feira, maio 03, 2022
Quero passar
dos 79, onde a advinha marcou pra eu chegar. Me lembro bem e dentro da
lembrança estamos num lugar descampado, num pasto, era longe da cidade, um
sítio. Foi num encontro de comunidades, uma coisa de bichos-grilos, onde o
esoterismo, a nudez, a comida natural, a política, a música, dança, corpo,
alma, eram centros onde todos gostariam de chegar. Quero ultrapassar meu
centro, os 79.
domingo, maio 01, 2022
De novo e
sempre tentando o meu centro. Sim, estou velho, estou feliz, tenho ondas. Os
graves ao sair, modulam outras curvas, se juntam reverberando pra dentro das
sombras, somem, ficam quietos. Outro dia tinha uma aranha negra, pequena, caída
no chão do quarto. Achei que era de plástico perfeito, assim como pensei na
perfeição, enquanto via a vespa-oleira no filme do celular de Pedro. Era uma
aranha morta. Talvez, que Linda Evangelista a tivesse matado. Isso faz dois
dias. Não sei se pisei. Está assim, agora:
sexta-feira, abril 29, 2022
Porque tem
umas frases que se enrolam mais, as explicativas. Que são as que estão tentando
iluminar, por exemplo, uma cena de banheiro. Linda Evangelista que fingia
dormir na prateleira da estante, agarrou-se com uma unha no meu short, quando
passei, para ir fazer xixi. Presa em meu short, sem conseguir soltar-se, arrastei-a
pelas coisas na prateleira e ajudei-a a soltar-se. Ela seguiu comigo para o
banheiro e ficou. Quando dei a descarga, saiu explodida de lá.
quinta-feira, abril 28, 2022
quarta-feira, abril 27, 2022
Continuo na
busca de meu centro e isso tem a ver com a minha respiração que é por onde
estou pendurado na vida. Enquanto isso, os ovos da vespa-oleira estão sendo
chocados no centro do apezinho onde moro e imagino que ela já tenha morrido,
porque não a vejo faz uns dois dias. É lindo demais que outras vespas-oleiras
estejam sendo geradas com suas cores e movimentos de joias vivas pra sair por
aí.
domingo, abril 24, 2022
Encontrei
meu centro e quando presto atenção estou fora dele. Passeando na rua e olhando
para outros corpos como o meu, consigo ver que muitos também estão puxados pra
fora de si, sem que se apercebam disso. Não consigo dar-me conta do momento em
que me apareceu essa outra força que me leva de meu centro. É possível que
tenha se firmado em minha carne, ainda nos meus tenros anos de bebê, de modo
que não tenha me dado conta de como foi se tornando o meu lugar, minha direção,
meu peso, minha postura, minha natureza falsa. Agora que encontrei o meu
centro, estou propositadamente indo para ele. Naturalmente, não quero ir n’outra
direção.
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