sábado, maio 07, 2022

Marcos Sacramento em Poema a mil


 

Cada vez mais indo para o centro. É onde o corpo aflora. Tudo é explosivo, violento e cheio de prazer, beleza, beleza, beleza, tentáculos dela no meu fundo fétido. Glória, perfeição!


 

quinta-feira, maio 05, 2022

Leda Lessa em Bruta


 

Me ponho no centro e dessa posição é que, sentado na minha cadeira, estou a ouvir o dia de minha janela. Não consigo estar fixo em mim. Outro centro me desloca constantemente para si e paro de respirar tentando me manter imóvel no primeiro lugar, no primeiro momento. Eu acho que o certo é me manter no mesmo tempo, sem me deixar atrair para essa segunda direção. No ponto em que estou, meu centro está no cu.




quarta-feira, maio 04, 2022

 



Voltando ao meu centro e ao fato de que há um outro que me puxa para si, ao fato de que há um outro em mim, e de que sou outro e sou eu, portanto, mais de um centro, quantos centros posso ter, quantos posso ter como direção, devo me centrar em qual deles, no que envelhece, devo me centrar no que envelheço, devo partir desse, em acordo com ele, de manhã, fazer meu café.



Ruth Castro em Algo assim


 

terça-feira, maio 03, 2022

 

Quero passar dos 79, onde a advinha marcou pra eu chegar. Me lembro bem e dentro da lembrança estamos num lugar descampado, num pasto, era longe da cidade, um sítio. Foi num encontro de comunidades, uma coisa de bichos-grilos, onde o esoterismo, a nudez, a comida natural, a política, a música, dança, corpo, alma, eram centros onde todos gostariam de chegar. Quero ultrapassar meu centro, os 79.

Davi Vianna em Eu quero ser sua mãe


 

domingo, maio 01, 2022

De novo e sempre tentando o meu centro. Sim, estou velho, estou feliz, tenho ondas. Os graves ao sair, modulam outras curvas, se juntam reverberando pra dentro das sombras, somem, ficam quietos. Outro dia tinha uma aranha negra, pequena, caída no chão do quarto. Achei que era de plástico perfeito, assim como pensei na perfeição, enquanto via a vespa-oleira no filme do celular de Pedro. Era uma aranha morta. Talvez, que Linda Evangelista a tivesse matado. Isso faz dois dias. Não sei se pisei. Está assim, agora:


 

Tiago Abs em A Masculinidade


 

sexta-feira, abril 29, 2022

Paulo Ohana em Máquina de Escrever


 

Porque tem umas frases que se enrolam mais, as explicativas. Que são as que estão tentando iluminar, por exemplo, uma cena de banheiro. Linda Evangelista que fingia dormir na prateleira da estante, agarrou-se com uma unha no meu short, quando passei, para ir fazer xixi. Presa em meu short, sem conseguir soltar-se, arrastei-a pelas coisas na prateleira e ajudei-a a soltar-se. Ela seguiu comigo para o banheiro e ficou. Quando dei a descarga, saiu explodida de lá.


 

quinta-feira, abril 28, 2022

Lea Taragona em Virginia e eu


 

Na direção do centro, eu e Linda Evangelista, e a vespa-oleira, e o carro do ferro-velho, na rua da trás, propagando seu serviço de utilidade sob uma música nordestina, céu azul.


 

quarta-feira, abril 27, 2022

 

Continuo na busca de meu centro e isso tem a ver com a minha respiração que é por onde estou pendurado na vida. Enquanto isso, os ovos da vespa-oleira estão sendo chocados no centro do apezinho onde moro e imagino que ela já tenha morrido, porque não a vejo faz uns dois dias. É lindo demais que outras vespas-oleiras estejam sendo geradas com suas cores e movimentos de joias vivas pra sair por aí.



Alan Athayde em A Música do Sábado




 

domingo, abril 24, 2022

 

Encontrei meu centro e quando presto atenção estou fora dele. Passeando na rua e olhando para outros corpos como o meu, consigo ver que muitos também estão puxados pra fora de si, sem que se apercebam disso. Não consigo dar-me conta do momento em que me apareceu essa outra força que me leva de meu centro. É possível que tenha se firmado em minha carne, ainda nos meus tenros anos de bebê, de modo que não tenha me dado conta de como foi se tornando o meu lugar, minha direção, meu peso, minha postura, minha natureza falsa. Agora que encontrei o meu centro, estou propositadamente indo para ele. Naturalmente, não quero ir n’outra direção.