domingo, agosto 10, 2014



O livro do Tive, parceiro na música-título de meu novo disco “Poema Maldito”, encontra-se à venda no Brasil, leit@r:
Ele mandou  e-mail:

O poema que leio no teaser:
Me llevo un libro al parque
con la vaga intención de hojearlo
mientras mi hijo juega a solas.
No hay nada que hacer: el niño insiste
en que recoja el globo y se lo lance.
Corre un vientecillo, y el globo
hace movimientos inesperados
que resultan divertidos. Rimbaud
acaba siendo una excelente raqueta
para jugar con un globo deshinchado.

De camino a casa, me pregunto
si no habré encontrado una nueva
función para la inútil poesía.

versao em portugués (melhorável):

Levo-me um livro ao parque
com a intenção vadia de folheá-lo
enquanto meu filho joga sozinho.
Não há nada que fazer: o menino
faz questão de que recolha o balão
e o lance. Sopra uma brisa,
e o balão faz movimentos inesperados
que resultam engraçados. Rimbaud
acaba sendo uma excelente raquete
para jogar com um balão desinchado.
De caminho à casa, pergunto-me
se não terei encontrado uma nova
função para a inútil poesia.


sexta-feira, agosto 08, 2014



Coisas incríveis são verdades, assim começo “Os gatinhos de Pedro”, música que está no meu disco novo – voz e violão – Poema Maldito. Porque as verdades, leit@r – eu estava dizendo outro dia – elas se bastam. Elas vêm do nada e voltam pra ele, sem nenhuma explicação e sem porquê. Mudas!
Eu sei que estou vivo é isso é incrível e é verdade.
Faz muitos anos fui assistir a uma artista plástica que iria falar sobre pintura e, leit@r, nunca me esqueci do jeito como ela falava repetidas vezes do assombro que era estar diante dos brancos do pintor espanhol Francisco de Goya. Ela mostrava pra plateia os brancos de Goya e estar diante daqueles brancos, era leit@r, assombrada como ela estava, como estar diante de uma verdade, sem explicação, incrível!
E a plateia espremida no auditório, muda!
Também, outro dia vi no youtube uma entrevista com a escritora mineira Adélia Prado.
Ela disse, assim como estar diante dos brancos de Goya, sem explicação e do nada, assim, quase como muda, que a melhor expressão da poesia, era a pintura. E não explicou.
É uma verdade.
É mudo, silencioso leit@r.
Fui.

quinta-feira, agosto 07, 2014

O exercício era fazer minhas mesm’As Vizinhas de trás, tal como as tinha rearranjado no papel, só, que ao invés das cores vibrantes que uso pra elas, usar apenas o branco e o preto. Então, o professor explicou pra mim, onde as cores eram mais luminosas, usaria o preto, onde menos luminosas, o branco. E, aí, iria misturando o branco e o preto, numa escala de cinzas, de acordo com a luminosidade ou opacidade das Vizinhas coloridas da aula anterior, que eram meu modelo.
A certa altura do exercício esqueci-me do modelo e fui fazendo o que as novas Vizinhas preto e branco pediam.
Gostei muito, leit@r.
Fiquei muito cansado.
Fui.


terça-feira, agosto 05, 2014



Ontem, fiz minha primeira aula no curso “A Prática da Pintura”, com o professor Chico Cunha, no Parque Lage. Estava sériíssimo, e, no início, estava trêmulo. Me dei conta de que não havia levado os óculos.

Fiz quatro As Vizinhas de Trás.

Depois, o exercício era recortá-las e rearrumá-las colando-as em nova ordem no papel.

Foi diferente: usei pincéis maiores, usei tinta acrílica e pintei em papel.

Mas eram As Vizinhas.

Foi um prazer imenso ver as quatro aparecidas no papel. Fiquei apreciando, antes de destruí-las para uma nova ordem.

Uma aluna, na mesa ao lado, disse brincando:

- Está pronto para destruir sua obra? – e eu não soube o que dizer, mas eu estava pronto, leit@r! Reagrupei as bichanas embaixo no papel e recortei vários bolas coloridas que colei flutuantes por sobre suas cabeças.

Fiquei muito cansado.

No caminho de volta pra casa, encontrei-me com Pedro e viemos embora.

Fui.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Eu ainda iria fazer sete anos, idade em que entraria pra o Grupo Escolar, quando as meninas da vizinhança inventaram brincar de professoras e fizeram uma verdadeira caça às criancinhas em idade de entrar na escola, para frequentar as suas aulas. Elas improvisavam as salas de aula nas varandas ou nos fundos das casas, porque, é possível que as mães não deixassem fazer as escolinhas dentro de casa.
Eu ía brincar com elas, de escolinha, e foi nessa época que mamãe se animou também a entrar pra escola. Ela começou a frequentar as aulas de um improviso adulto que tinha o nome de Mobral, leit@r.
Então, ela aprendeu a escrever TIJOLO.
Mas depois disso, de TIJOLO, parou.
Entendo, perfeitamente, mamãe.
Fui.


domingo, agosto 03, 2014



sexta-feira, agosto 01, 2014



Porque limitaram meu direito à gratuidade nos ônibus urbanos, tenho andado a pé demais, em Nikity City, leit@r.
Então, tenho visto que tem um tipo que anda a pé, na cidade.
É um pessoal diferente, quer dizer, não é o tipo indiferente que senta a nosso lado, nos ônibus. È um pessoal que olha pra gente e que, por vezes, para-nos no caminho e tudo. Já fui parado por neguinho assaltado que queria reclamar da polícia, por neguinho que tava precisando de dinheiro pro ônibus, neguinho que quer informação, e tal.
Mas o que reparei mesmo é que, fora o pessoal de rua, que mora na rua, tem um perfil de pessoa que anda a pé, na cidade, quer dizer, leit@r, um pessoal que ta sempre se encontrando, se vendo, andando, sem chegar.
Com o tempo, saberei quem são.
Fui.

quinta-feira, julho 31, 2014



Tive de acordar cedíssimo, hoje, pra fazer os exames de sangue, que contribuem para o controle do nível de vírus HIV no sangue e para o controle dos estragos que os anti-retrovirais podem vir a fazer comigo, leit@r.
Daí, com o frio, estava preocupado de não conseguir acordar e tudo.
Por isso, meu sono foi espaçado.
Comecei a acordar na madrugada e olhava o relógio e tal.
Quando o relógio despertou, saltei da cama e, o leit@r sabe, foi horrível. No repente de estar de pé, pensei que estivesse passando mal. Eram os efeitos do Efavirens, não sei. Uma coisa fervilhando num lugar imaginário no centro do ser da carne, isso, assim, assim mesmo, indefinível.
Aí, fui meio zumbi pela casa.
Os movimentos da manhã não me despertavam, como de costume, nenhum frescor, nenhuma alvura.
Tinha aquela fervura no centro do ser da carne que me tonteava, mas eu tinha de sair de casa e ir fazer os exames.
Então, porque o Blog Azul é um diário e porque conto tudo aqui, depois de tantos anos sendo acompanhado de médicos, de exames, tendo de tomar os remédios, de esperar nas filas de consultório etc, pensei em voltar pra cama, minha vontade era voltar.
Tou legal disso.
Mas, não.
Fui.

quarta-feira, julho 30, 2014



Muito frio, mas bem agasalhado, em Nikity City.
A casinha de trás e embaixo, que morei por tantos anos com mamãe, foi ocupada, ontem. Assisti, de minha janela, ao Pessoal subindo as escadas com os móveis. Vi, quando eles – os móveis postos na sala - se ressaltaram sobre o novo piso que coloquei.
Eu disse pro Pedro:
- Não há como não acordar com esse piso que pus na casa. Ainda bem que nos quartos, coloquei marron e poderão dormir mais um pouco – e, aí, Pedro disse estar feliz com a nova configuração de minha comunidade-condomínio.
É que ali atrás, ficou pra uma mesma família, o Pessoal de Baixo e o Pessoal de Cima.
Eu também estou contente, leit@r.
Aos, poucos, tudo vai retomando o eixo, porque, você sabe, existe um eixo a que a força das coisas procura e ficamos confundidos, ficamos definitivamente sem saber, onde está a força, o motor de tudo. Onde está a força, leit@r? No eixo ou nas coisas que vão pra o eixo? Onde está o ovo? Onde está a galinha? Cadê o toucinho que estava aqui?
Ui.

terça-feira, julho 29, 2014



Sempre imaginei que, porque os amigos pensassem que eu não fosse escapar da foice do deus do inferno, numa última esperança, assim, num finalzinho de força, num último sinal, colocaram esse coral de anjos iniciando e terminando a música, como indicação, leit@r, de que meu lugar fosse o céu.
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Vejam:

segunda-feira, julho 28, 2014

Tenho gostado demais das fotos que a Anye Devalone tem postado em seu perfil no facebook, leit@r. E vi que em algumas aparecem as minh'As Vizinhas de Trás", veja:

domingo, julho 27, 2014



Pedi ao Pedro que “closasse” essa casa, que avisto de minha nova janela, porque eu gostava de morar nela, leit@r. Os sonhos fluem de lá, veja, como de uma fonte.
Estou a, talvez, uns dez metros de quando morei com mamãe, na casa de trás e embaixo. Mas é como se eu estivesse em outro lugar, em outra Niterói, e, no dia frio de hoje, noutro país ha ha ha.
Vejam:

sexta-feira, julho 25, 2014



É incrível como não sei quando alguma coisa que faço cairá no gosto de quem vê.
Eu tinha feito a música “Meu Irmão”, que de algum modo, fala disso, leit@r, e naquela época, para minha alegria, alguns amigos colocaram a música em seus shows: Suely Mesquita num show intitulado Preta Pagã e Ilda Santiago, num show que fui ver no Rio de Janeiro.
Faz algum tempo, Pedro decidiu colocar a ‘Meu Irmão” no youtube. Armou um vídeo maneiro com fotos nossas e tal, sobre uma gravação antiga que tinha aqui, em fita cassete. E um João fez um único comentário pra música, lá no youtube.
Depois é que soube que o João do comentário é o João de BH, da Variável 5, por onde pensamos lançar a campanha de crowndfunding para o Poema Maldito.
Também, para minha alegria, João veio me visitar outro dia, ainda na casinha de trás e embaixo.
E sem que eu desse conta, ele estava fotografando leit@r!
Me mandou as fotos, vejam:






quinta-feira, julho 24, 2014



Eu gosto demais de pão requentado e de silêncio.
Eu adoro.
E o adorável silencioso leit@r sabe: o que há de comum entre as duas coisas é que vão crescendo, vão num movimento de preencher, talvez, explique melhor assim: o sabor do pão requentado com a manteiga amarelada, derretida, o sabor dele ingerido pelas glândulas, o que seja,  na língua, leit@r, e o movimento de imagens adentrando o silêncio, tudo muito sutil, uma frequência de espaço celestial, tudo microscópico dentro do tamanho tão grande de eternidade, também, cubos de gelo que se diminuem, transformando-se em limonada na jarra esverdeada.
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

quarta-feira, julho 23, 2014



Era logo depois do almoço, quando voltei pra casa, ontem.

Esse sol de inverno é mais inclinado e as sombras, por isso, por trás das coisas, são maiores.

O portão estava entreaberto.

Logo na entrada, dei de cara com três cachorros de rua fazendo a sesta, ali, atrás do muro.

Tenho medo de cachorro, leit@r.

Estaquei.

Eu disse baixinho:

- Sai – e escancarei o portão, cheio de receio.

Levantaram-se um a um e foram saindo obedientes.

O último deles não tinha uma das pernas traseiras.

Fiquei com pena.

Fui.

terça-feira, julho 22, 2014



A parceira Kali C. me propôs fazer um show juntos, cru como tenho sido, voz e violão apenas. O leit@r sabe que isso faz muito sentido, porque estou prestes a explodir a bolha do disco “Poema Maldito”, que gravei nesse estilo mais heavy no Tomba Records, com Felipe Castro.
E, no domingo, tivemos um primeiro encontro para pensarmos o bichano.
E, leit@r, colocar-se no mesmo compasso de outro, pra gente que é humano, de início, exige treino, você sabe.
Depois, será natural como estar no leito de dois rios que se encontraram.
É certo que eu e Kali mostramos nossas músicas, um ao outro, pelo correr dos anos, como coisa natural. Mas mostrá-las juntos, engrossar o caldo, na mesma força e ritmo do correr das pedras, é diferente.
Estamos animados!
Fui.                
                                Foto feita por Rafael Saar

segunda-feira, julho 21, 2014



Antes que eu entregasse a casa onde morei com mamãe à imobiliária, Rafael Saar e Pedro Paz vieram para fazermos umas músicas na casa vazia. Não sabemos muito bem como usar o que colhemos, pois o leit@r sabe, é um processo.
E quando perguntei ao Rafael sobre o que ele pensava fazer, ele disse:
- Ainda não sei...
Pedro fez o making of.
E escolhi três fotos de que gostei muito, pra mostrar:



sexta-feira, julho 18, 2014



Então, eu não conseguia estar sozinho, quando fechava a porta e janelas. Tinha sempre a cabeça invadida de um burburinho nojento, de que eu não gostava. Uma energia pouco fluida, pesada, dos Vizinhos de Trás.
Ari está arrumando a casa pra entregar na imobiliária.
Não vejo a hora.
Fui.

quinta-feira, julho 17, 2014



Acordei mais cedo que de costume, mas, logo depois do café, me perdi por dentro e paralisei. Há movimento em torno e devo me deixar puxar pra ele, porque em mim, não há.
Fui.

quarta-feira, julho 16, 2014



Olhando paralizado para meu novo apezinho, enquanto resolvo a burocracia de entregar a casa de trás, onde morei por muitos e muitos anos.
Eu disse pra minha Ex-Vizinha de Janela, quando ela me perguntou se já tinha ajeitado as coisas aqui:
- Preciso olhar as coisas, ficar olhando, pra conseguir decidir o que fazer... como reorganizá-las no espaço da casa nova. Eu sei que há o risco de eu nada fazer, de ficar contemplando pra sempre as coisas atravancadas pelo chão. Sou lento.
- Quando estiver pronto, quero ver – ela disse.
Fui.

terça-feira, julho 15, 2014

Dia muito lindo de inverno entrando pra meu apartamento.

Continuo com todos os meus Vizinhos, agora, modificadas as posições. Me reorganizei no mesmo lugar, leit@r, e ganhei visão, me aprumei. A casa onde eu morava, ficou atrás de mim e embaixo. Minha Vizinha de Janela é minha Vizinha de Baixo, agora.

Ganhei noção de onde estou, no centro do vale.

Meu novo apezinho ganha muito espaço, que entra pelas janelas. Ganhei muito céu, tenho visão das casas que sobem pelo final da rua, do arvoredo que desce o encontro dos morros, embaixo das nuvens iluminadas. Tudo muito lindo.

Pedro tirou uma foto noturna.

Veja:


Um Cinema Orly para Ouro Preto:

sexta-feira, julho 11, 2014



Restaurando mais uma de minhas canções antigas, uma parceria com Suely Mesquita, Frankenstein.

Frankenstein – luís capucho/Suely Mesquita

Espalhados na memória restos de dia, cacos
No futuro não se juntam mais pedaços
Quebro a cabeça e não alcanço
Sou tranquila
Guardo imagens absurdas sem traí-las
Centralizo sangue, sugo pedaços
Superponho inventando novo ser
Frankenstein me inspira.

Obs: minha restauração não deixou a música, outra vez, límpida, cristalina, como nova. Mas é a Frankenstein perfeita, com todas as suas emendas de corpo recauchutado.
Fui.


quinta-feira, julho 10, 2014



Frio.
A casa toda revirada esperando pra ser levada pro terceiro andar.
Eu sei que fui eu quem desencadeou o movimento inteiro de subir, mas, agora, ele tem uma estranha autonomia e não é mais meu. Vou no fluxo, de carona nele. Estranho. Em sua autonomia, há muito de obscuro pra mim. Por exemplo, se fosse um movimento meu, claro, iria agora mesmo levando algumas coisas lá pra cima, porque já está vazio e poderia. Mas quando iniciei a mover as coisas pra subir, foram desmoronando coisas grudadas nelas, leit@r, de que não tinha me dado conta, massa, peso, volume, forma, conteúdo, perspectiva, profundidade, altura, medida, sobras, sombras, sombras, sombras, tudo.
Paralisia.
Fui.

quarta-feira, julho 09, 2014



Encontrei na internet uma estatística sobre um dos lugares morados por mim, na infância. Como Marapé, o Varjão da Aurora é um lugar mítico meu, misturado ao sonho, se liga. Tem a mesma substância de um texto, de gosma de girinos, de ritmo e calor de respiração, de pedra gigante, essas coisas, assim, urubus planando.

Veja:

Comunidade Varjao da Aurora, Alegre - ES

Distrito: ALEGRE Subdistrito: ALEGRE
CEPs encontrados: 29500000
Total de endereços encontrados: 4  
Domicílios particulares: 4  
Quantidade estimada de moradores nesse logradouro: 13
  Rendimento médio estimado de moradores nesse logradouro: R$ 401,63