sábado, outubro 24, 2015

Luís Capucho - Mamãe me adora

Já faz muitos anos que fiz a música “Mamãe me adora” e
mostrei pros amigos. Foi quando, pela primeira vez, me relacionaram a Jean
Genet, um Jean Genet da MPB. Depois, quando apareceu o Cinema Orly, esse foi
mais um motivo de me linkarem a sua literatura de escritor bandido. Eu não
tenho nada de bandido, o silencioso leit@r sabe, e muito me apraz ser comparado
a ele, por ser bom, por ser belo e por ser uma literatura que vai se criando à
margem e, por isso, tem alguma possibilidade de ampliar seu centro, trazendo-o
para as bordas, ta ligado?
Quando eu tinha treze anos, fiz uma longa entrevista com
mamãe enquanto ela fazia almoço – foram vários dias. E, no quartinho onde
dormíamos, escrevi sua biografia, do jeito como ela tinha contado. Depois,
bolei com aquilo.
Piquei o caderno, onde escrevia, em pedacinhos miúdos e
joguei fora, pela janela. Sempre que me lembro disso, visualizo os pedacinhos
de papel rodopiando no vento, até ao chão. Mas a verdade é que não olhei pra
eles, apenas joguei fora.
Em 2012, lançamos o “Mamãe me adora”, o livro. Acho que é
meio realizar o que aos 13 anos, havia tentado. Mas, não. O livro conta apenas
um trecho de tempo que corresponde a uma viagem de ônibus. É uma história de
meu ponto de vista e não o de mamãe. Não sei ser mamãe. No meu euísmo não sei
ser ninguém, leit@r.
 

2 comentários:

Jôka P. disse...

Você é um artista de verdade. Talentoso, perturbador.
Sou seu admirador, seu fã.

Luís Capucho disse...

obrigado, Jôka! :)