sexta-feira, maio 06, 2022
quinta-feira, maio 05, 2022
Me ponho no
centro e dessa posição é que, sentado na minha cadeira, estou a ouvir o dia de
minha janela. Não consigo estar fixo em mim. Outro centro me desloca constantemente
para si e paro de respirar tentando me manter imóvel no primeiro lugar, no
primeiro momento. Eu acho que o certo é me manter no mesmo tempo, sem me deixar
atrair para essa segunda direção. No ponto em que estou, meu centro está no cu.
quarta-feira, maio 04, 2022
Voltando ao meu centro e ao fato de que há um outro que me puxa para si, ao fato de que há um outro em mim, e de que sou outro e sou eu, portanto, mais de um centro, quantos centros posso ter, quantos posso ter como direção, devo me centrar em qual deles, no que envelhece, devo me centrar no que envelheço, devo partir desse, em acordo com ele, de manhã, fazer meu café.
terça-feira, maio 03, 2022
Quero passar
dos 79, onde a advinha marcou pra eu chegar. Me lembro bem e dentro da
lembrança estamos num lugar descampado, num pasto, era longe da cidade, um
sítio. Foi num encontro de comunidades, uma coisa de bichos-grilos, onde o
esoterismo, a nudez, a comida natural, a política, a música, dança, corpo,
alma, eram centros onde todos gostariam de chegar. Quero ultrapassar meu
centro, os 79.
domingo, maio 01, 2022
De novo e
sempre tentando o meu centro. Sim, estou velho, estou feliz, tenho ondas. Os
graves ao sair, modulam outras curvas, se juntam reverberando pra dentro das
sombras, somem, ficam quietos. Outro dia tinha uma aranha negra, pequena, caída
no chão do quarto. Achei que era de plástico perfeito, assim como pensei na
perfeição, enquanto via a vespa-oleira no filme do celular de Pedro. Era uma
aranha morta. Talvez, que Linda Evangelista a tivesse matado. Isso faz dois
dias. Não sei se pisei. Está assim, agora:
sexta-feira, abril 29, 2022
Porque tem
umas frases que se enrolam mais, as explicativas. Que são as que estão tentando
iluminar, por exemplo, uma cena de banheiro. Linda Evangelista que fingia
dormir na prateleira da estante, agarrou-se com uma unha no meu short, quando
passei, para ir fazer xixi. Presa em meu short, sem conseguir soltar-se, arrastei-a
pelas coisas na prateleira e ajudei-a a soltar-se. Ela seguiu comigo para o
banheiro e ficou. Quando dei a descarga, saiu explodida de lá.
quinta-feira, abril 28, 2022
quarta-feira, abril 27, 2022
Continuo na
busca de meu centro e isso tem a ver com a minha respiração que é por onde
estou pendurado na vida. Enquanto isso, os ovos da vespa-oleira estão sendo
chocados no centro do apezinho onde moro e imagino que ela já tenha morrido,
porque não a vejo faz uns dois dias. É lindo demais que outras vespas-oleiras
estejam sendo geradas com suas cores e movimentos de joias vivas pra sair por
aí.
domingo, abril 24, 2022
Encontrei
meu centro e quando presto atenção estou fora dele. Passeando na rua e olhando
para outros corpos como o meu, consigo ver que muitos também estão puxados pra
fora de si, sem que se apercebam disso. Não consigo dar-me conta do momento em
que me apareceu essa outra força que me leva de meu centro. É possível que
tenha se firmado em minha carne, ainda nos meus tenros anos de bebê, de modo
que não tenha me dado conta de como foi se tornando o meu lugar, minha direção,
meu peso, minha postura, minha natureza falsa. Agora que encontrei o meu
centro, estou propositadamente indo para ele. Naturalmente, não quero ir n’outra
direção.
sábado, abril 23, 2022
Hoje, após
ter feito meu café, quando saía da cozinha para a sala, dei de cara com a
vespa-oleira, no corredor ao centro do apartamento, às voltas ainda com o
reboco do casulo onde colocou seus ovos. Ela já está em seu segundo casulo,
dois favos de barro, que ainda estão frescos e onde ela dá os retoques finais.
Talvez, tenha lido que ela, perfeita, vive apenas duas semanas. Quando nos demos de frente, achei que ela fosse me picar, mas entreguei pra Deus e avancei meu
caminho e, aí, ela deu uma volta levitando no ar da casa e seguiu o caminho
dela também, foi para si. Eu continuo a ir para mim, tentando encontrar o meu
lugar de atração, porque como disse há dois ou três dias atrás, algo me puxa para
um outro centro, que não é o meu. Talvez, como me disse uma vez uma advinha, eu
vá viver até aos 79, então, se a vespa tem ainda um ou dois dias, tenho 19 anos, imperfeitos.
Pedro filmou
na semana passada um momento dela, em seu centro, no centro de minha casa.
Veja:
sexta-feira, abril 22, 2022
quinta-feira, abril 21, 2022
Ainda continuo no meu corpo, dentro dele algo me puxa pra um centro que não é exatamente meu e me desequilibro. Estou tentando me ajeitar, tentando encontrar o lugar para onde seja correto ser puxado. Acho que encontrei e deixo-me puxar para o que considero certo, então, modifico o lugar de força e todo o resto se ajusta para isso. Os ossos estalam, as pelancas e cartilagens que juntam meu esqueleto doem. Estou indo para mim, um monte de carne e osso molhados de umidade que fede. A vespa que está colocando ovos nos favos de barro que constrói no centro do apezinho, passou, a caminho do trabalho de fazer a sua olaria, pelo cômodo onde estou . Ela está indo para si.
terça-feira, abril 19, 2022
Ontem,
Rafael Saar mandou-me essa foto da edição do filme Peixe, sobre meu universo
artístico, e no que ele está trabalhando, se não me engano, desde 2015. É muito
incrível estar nesse processo do Rafael de fazer o filme, que é também meu, de
ter meus livros e músicas revirados numa terceira coisa, assim, uma terceira
camada, e isso me faz pensar desde as camadas mais frias do corpo e que recebem
a luz, até às mais quentes, que a irradiam. Na ilha de edição, estou na
piscina.
Veja:
domingo, abril 17, 2022
Ei-la!
Eu fico pensando no meu corpo, de como foi que mamãe me
enxergava, desde bebê até quando comecei a pensar por mim e começou a se
alargar o mundo, com o corpo dele de quarto de vidro, o corpo do mundo de
aquário, habitado somente dos peixes grandes que eu via, que eu só via os
peixes grandes no largo do mundo. Depois, tanta coisa foi acontecendo e tanta
coisa ainda por acontecer na manhã fria de hoje, aqui, a vespa oleira entrando
e saindo pelo basculante acima da janela do quarto onde fica o computador
trazendo os torrõezinhos úmidos de fazer seu ninho no centro do apezinho, onde
escolheu.
Ei-la!
sábado, abril 16, 2022
O
apartamento onde moro tem no seu centro um corredor muito pequeno e que é
passagem para a cozinha, o quarto, o banheiro, a sala. Por isso é o lugar da
casa onde mais estou, pra lá e pra cá. E faz já quatro dias, esteve aqui no meu
computador - onde mais estou parado - e que está no único cômodo da casa que
não se liga ao corredorzinho do centro, um marimbondo lindíssimo, todo
circulado com listras amarelíssimas, ficou aqui na minha frente levitando.
Linda Evangelista veio toda empinada, imantada no bichinho, eu os espantei pra lá
e passou.
No dia
seguinte, vi o marimbondo com as listras amarelas levitando num apito que tenho
pendurado no corredor, onde estou pra lá e pra cá. Peguei o óculos para ver e sem
que eu tivesse notado nada desde o início, olhe onde ele colocou seu ovo!
sexta-feira, abril 15, 2022
quarta-feira, abril 13, 2022
Desde 1996
que venho me recuperando das sequelas deixadas pelo coma por neurotoxoplasmose.
E sempre venho tendo muito ganho, de modo que não se percebe mais, se não se reparar
bem. Mas de um tempo pra cá tenho sentido o meu corpo se escangalhando. Então
tem dois movimentos, esse de o corpo ir se escangalhando e outro de o corpo ir
ganhando com o esmaecer das sequelas. Mas também, tenho reparado que quando escangalha
o corpo, no fim, é um ajuste que ele faz, de modo que escangalhar e ganhar ficam
juntos no mesmo lugar e instante. Minha cabeça fica confusa, assim, entre o
escangalho e o ajuste, entre o ganho com a diminuição das sequelas e os ossos e
carne irem se estragando, os líquidos dentro de mim se metabolizarem com mais
vagar. Outra vez, no fim, é isso aí, tensão no corpo, explosão, justamente,
nau da loucura no mar das ideias.
segunda-feira, abril 11, 2022
Ontem, apresentamos no Teatro Popular de Niterói, como
resultado do curso O Épico em Nós, a peça Intentona Teatral. Importante demais
conviver com tanta gente, todas saídas do surto do isolamento pela covid-19 e
explodidas nos treinos do teatro épico. Foi, literalmente, sair por todos os
lados, sempre orientados por um time incrível de monitores e professores. Eu me
sentia saindo por todos os lados e, ao mesmo tempo, foi louco, porque também me
sentia sempre posto em cheque por cada um dos mais de 30 atores, imagina a
minha loucura!
sexta-feira, abril 08, 2022
quarta-feira, abril 06, 2022
terça-feira, abril 05, 2022
segunda-feira, abril 04, 2022
Chorei muito quando vi o Seminário de Jerônimo Monteiro, perto do Natal de 2021, a caminho de uma visita a Alegre, onde mora o tio Luís. Já conhecia o Seminário, que estava com árvores crescidas e tinta velha nas paredes. Morei nele com mamãe durante o ano de 1970. Chorei gostoso, porque vivi 1970 outra vez!
quarta-feira, março 30, 2022
Quero agradecer a todos que me felicitaram pelo aniversário. Na verdade, os 60 anos não me pegaram muito bem. Penso que eu esteja fazendo tudo certinho mas, por exemplo, os pés incharam, o olho estragou, o meu édipo inteiro brotou na carcaça, tipo, a carne é fraca. Fora isso, como todos, vou aqui, lento, reorganizando o circo, de verdade, Amor!
domingo, março 20, 2022
terça-feira, março 08, 2022
Com essa
minha cara carrancuda e triste, faço 60 anos neste mês. Atrás de mim um
autorretrato e uma das minh’As Vizinhas de Trás – autorretrato. Ainda estou no
começo de ser chamado de Seu Luís e isso tem combinado com o prazer de me
sentir um cara adulto, que é uma coisa que sempre admirei muito, mas que não me
sentia. Esse assunto tem a ver com uma explanação de texto que a foto deixou
desnecessária. Bom dia!
sexta-feira, março 04, 2022
Cinema Orly - Cloves Ferreira entrevista luís capucho
Me lembro de
uma vez ter-me encontrado com o professor Barcelos e, sobre o Cinema Orly, ele
me disse que o livro que eu tinha escrito era um livro muito sério. Na hora,
não entendi muito o que ele estava dizendo, porque tinha sido tão delicioso
escrever que ficou difícil ligar delícia e seriedade. Mas depois, porque se
passaram os anos, entendi. E fico feliz demais com o caminho que o livro vai
fazendo.
Anteontem,
um rapaz da Paraíba, na verdade, segundo ele, um paraibucano, Cloves, me pediu
uma entrevista para um trabalho escolar e fizemo-la ao vivo, no seu instagram.
Subi no youtube, porque subo tudo lá.
Não se
esqueça, inscreva-se no canal para receber as notificações, faça-me popular!
terça-feira, fevereiro 22, 2022
Em dezembro último,
nós voltamos ao Seminário de Jerônimo Monteiro, ES, onde morei com mamãe no ano
de 1970, quando eu estava com oito anos de idade. 1970 foi o primeiro ano de
funcionamento do Seminário e ele tinha suas paredes todas cheirando à tinta
nova. Eram paredes branquinhas, mas havia uma delas pintada de verde-abacate.
Quando
chegamos e vi o Seminário do mesmo jeito como era em 1970, chorei
incontrolável. Não havia mais a parede verde-abacate e as árvores que não
haviam, estavam todas maduras, sombreando o pátio.
Pedro
registrou:
segunda-feira, fevereiro 21, 2022
escuta/ Luis Capucho
domingo, fevereiro 20, 2022
quinta-feira, fevereiro 17, 2022
Nado há
muitos anos. Nadar tornou-se a fisioterapia para minhas sequelas motoras. Outro
dia, tive uma experiência com correr e meu pé direito inchou para caramba e
doeu muito. Minhas sequelas foram severas, saí do hospital numa cadeira de
rodas e fiz muito exercício para treinar a caminhada outra vez. Todas essas
coisas estão sinalizadas no filme Peixe, do Rafael Saar. Que me mandou uma fato
das gravações:
segunda-feira, fevereiro 14, 2022
Uma conversa
em que a gente não tem fluxo, porque eu nem tenho fluxo em conversas de um modo
geral. E se fosse um jogo de futebol, eu não seria um goleador, nem um jogador
desses que dão bons passes. Como se dizia nas vezes em que, em pequeno, joguei
por ser o dono da bola, sempre fui assim um pereba.
Sendo assim,
tenho arrumado outros modos de me socializar. Nem mesmo era bom nas mesas de
bar, porque o tanto que a cerveja me desinibiu, desinibiu aos outros copos em
triplo, ao cêntuplo.
Porque
também, não é apenas inibição. Porque ela mesma causa um retardo, um lance que
a gente só vai sacar quando o fluxo da conversa já está lá na frente e ficou
tarde pra mim.
Fora isso,
os muitos fluxos que não nos suga. Nesse aí, eu não vou.
Fui.
quarta-feira, fevereiro 09, 2022
Enquanto os indígenas da terra Caru, no Maranhão, montam sua
guarda florestal e no ano de 2050 pedem sua independência do território
brasileiro, Linda Evangelista é tímida. No tempo que durou a permanência dos
visitantes do Pedro, Linda ficou no meu apezinho, enfurnou-se embaixo do
altarzinho de mamãe. Fosse ela uma guajajara e as visitas não teriam vida
fácil. É tempo de luta galera, bora nos juntar à tropa Krikati! Vamos ser
livres em 2050! Vamos ser livres, agora!
terça-feira, fevereiro 08, 2022
Uirá Bueno e Vovô Bebê gravando Homens Machucados
Não me
lembro direito, mas há alguns anos atrás fui eu quem deu a ideia pro Rafael de
um filme sobre o meu universo artístico. Mas foi ele quem deu o nome, Peixe.
Agora são os
alinhavos finais. Ontem, o Uirá Bueno fez um streaming no Instagram dele
gravando, com o Vovô Bebê, a bateria para a versão que está no filme para a
música Homens Machucados. É muito lindo vê-los construindo a música e ouvindo
depois o resultado, despreocupados. Baixei aqui no computer o registro
lindíssimo pra guardar e subi no meu canal do youtube pra quem gostar de ver.
Não esquece.
Se inscreve lá pra estar a par das novidades:
quarta-feira, fevereiro 02, 2022
Então,
continuando o assunto de perder o trem, de roupa nova, esse é um assunto que
também me lembra de minha tia Elisa, que não gostava de ir à igreja, porque na
igreja todos olhavam pra ela, de roupa lavada e passada e cheirosa e roupa mais
nova que todas as outras suas roupas, porque essa era usada às vezes, no domingo,
apenas, quando ela conseguia ir e deixar que todos a olhassem.
terça-feira, fevereiro 01, 2022
Tinha uma
música que o pessoal de Minas cantava antigamente que era uma coisa de perder o
trem, ao mesmo tempo estar de roupa nova, não me lembro bem se eram duas
músicas em momentos diferentes, mas para mim, na minha cabeça eu punha essas
informações no mesmo contexto e, agora, me aparecem juntas, lá se foram bem
mais de vinte anos.
É que quando
a gente está de partida, a gente se arruma, ne. E se a gente vai perder o trem,
a gente vai perdê-lo de roupa nova ou, se não, ao menos, a gente vai estar com
um visual diferente, porque as viagens são tidas como situações especiais e
ninguém vai fazer uma viagem, assim, de qualquer jeito, tem sempre uma
preparação pro visual da gente, sei lá, e vai ser de um modo diferente do comum
que a gente vai perder o trem.
É isso!
domingo, janeiro 23, 2022
As coisas na
casa vão se enchendo de poeira e no mês passado fiz uma visita ao Seminário de Jerônimo
Monteiro que me fez chorar. Além disso, por causa das visitas do Pedro, Linda
Evangelista tem se escondido no armário que suspende o altarzinho de mamãe e
esses detalhes juntos são pontas de um iceberg imenso. Também está na
superfície o som do domingo que vem das casas do bairro e estou mergulhado
nisso sem que as palavras saibam explicar, elas não dizem, apenas compõem mais
um pedaço da ponta do iceberg.
terça-feira, janeiro 18, 2022
Dez quatrilhões - cifra
Fizemos esta
música, eu e Felipe Abou.
Quando me
mandou a letra, disse:
- Fiz uma
letra impossível – e peguei.
Gostei
demais dela. Não tenho muita noção das coisas que faço – no caso, musiquei a
letra dele - e encano com uns detalhes, principalmente, se o caminho que a
melodia abre está em boas condições de passar, se não tem os buracos, depois,
vejo que somente eu estou vendo, só eu tou empacando.
No fim, veja:
segunda-feira, janeiro 17, 2022
Leda Lessa - Bruta (cantado)
Andei
ouvindo umas músicas antigas minhas, gravadas em fita cassete nos anos 80 e
achei bonito pra mostrar, queria fazer um disco delas, escolher algumas e fazer
um disco, na verdade, já escolhi 6 delas. Daria para fazer vários discos de 6 músicas,
porque são muitas. E é uma coisa diferente do que fizemos com o disco Antigo,
porque essas não são de show, mas músicas que eu gravava em casa ou em casa de
amigos, voz e violão puros, e que não tiveram circulação, como aconteceu com o
Antigo.
Uma das que escolhi
dentre todas, e que descobri estar registrada entre as outras, é a Bruta, que
Leda Lessa me deu a alegria de relembrar no meu #festivalintimo.
Veja:
quinta-feira, janeiro 13, 2022
O que vou
escrever pode parecer difícil, porque é uma intuição, não tem conhecimento
objetivo nisso. Irei fazer 60 anos daqui a dois meses. É um número redondo,
além de 2022 se arredondar com o ano em que eu nasci, 1962.
Tudo múltiplo
de 3? Acho que, sim.
Sinto como o
ano em que nasci, como se eu novamente estivesse no meu ano 0 e pudesse pegar
qualquer direção a partir da posição em que estou.
terça-feira, janeiro 04, 2022
Continuando
com a assunto, autorretrato, anteontem, terminei de fazer um deles numa tela
maior, 70x50cm. Penso que eu vá fazer muitos deles, sempre rondando a minha
pessoa, a pessoa que sou, como me rondou o menino de 8 anos que fui em Jerônimo
Monteiro, ES, ou o rapazinho de 20 anos que fui em Niterói, ou o menino de 12
anos que fui em Cachoeiro de Itapemirim, todos eles, eu, diferentes de mim.
quinta-feira, dezembro 30, 2021
Fiz e estou por fazer uma série de autorretratos que não se
parecem em nada comigo. Fiz no formato de As Vizinhas de Trás e estou fazendo
um maior, numa tela 70x50cm. Tenho os colocado sempre vestidos na minha Camisa
de Apresentação.
Fazer os meus autorretratos tem um pouco a ver com as coisas
feitas de luz e que, por isso, não envelhecem, quer dizer, são sempre as mesmas
e, ao mesmo tempo, isso tem a ver com aquele dito do Heráclito, nenhum homem
pode banhar-se duas vezes no mesmo riacho, o que significa que as cópias não
são iguais. Esse controverso, em que o perene e o diferente têm origem no mesmo
lugar, legitima meus autorretratos, que não se parecem comigo.
quarta-feira, dezembro 29, 2021
Vitor Wutzki - Cavalos
Muito lindo o Vitor cantando a Cavalos com a luz batendo em
cheio na pele das suas costas:
terça-feira, dezembro 28, 2021
segunda-feira, dezembro 27, 2021
Adoro essas letras verdes no fundo azul escuro que mantenho
sempre como novos, aqui no Blog Azul. As coisas online, porque são feitas de
luz, não envelhecem como eu, não desbotam como minha roupa, não se empoeiram
feito minha casa, não se transformam como o dia, e são mais que templo grego,
são mais que igreja de Ouro Preto, mais que pirâmide no deserto, mais que
deserto.
Vejam:
domingo, dezembro 19, 2021
Além das
recidivas da toxoplasmose no olho esquerdo, estou a um tempo, mais de ano, em
que a panturrilha direita começa a doer, quando alcanço o terceiro quarteirão.
Fiz um doppler e foi visto que as paredes da artéria na perna está engrossada.
Se ajeito o
andar e tento equilibrar o peso nos dois lados do corpo – como vocês sabem,
automatizei forçar mais um lado do corpo, por conta das minhas sequelas motoras
– a panturrilha esquerda também dói. Eu não sou muito bom com noção de tempo,
mas isso deve vir acontecendo a mais de dois anos.
Então, é
desesperador pensar que daqui pra frente vou perder a minha capacidade plena de
enxergar e de caminhar, porque é a velhice.
Não quero!
quarta-feira, dezembro 15, 2021
Ainda sobre
a consulta de que falei ontem, com a oftalmologista, em que as partes do meu
corpo vão se estragando e, nesse caso específico, é a visão do meu olho
esquerdo que se esvai, também há consultas, com outras modalidades de médico,
em que as técnicas que têm de medição, os aparelhos de exame, as minhas
queixas, os remédios, enfim, os acordos, as combinações, a comunicação possível
com eles, não dão conta de me resolver os problemas aparecidos.
Numa hora, a
doutora disse com resolução:
- Se você
não estivesse enxergando as letras grandes que Suely te mostrou, eu diria que
sua vista está ruim! – Suely é a assistente que pinga o colírio pra dilatação
do olho e que, antes, mostra as letras iluminadas num quadro, que são letras
grandes que vão diminuindo o tamanho, em fileiras embaixo umas das outras, até
ficarem invisíveis de pequenas.
Enfim, são
os 60 chegando!
terça-feira, dezembro 14, 2021
Na médica
examinando o meu olho esquerdo, olhando pra lente de um aparelho tipo um
microscópio, mas que tinha uma luzinha dentro, olhando pra luz, eu disse pra
médica que eu estava vendo a luz fora do aparelho:
- Estou
vendo a luz no sua orelha, Dra!
- Fique
quietinho, não fale agora, não – ela disse e ficou examinando as imagens que
apareciam num monitor. Eu poderia falar depois, mas era importante falar
naquela hora, e não podia falar, do lance incrível de eu olhar pra dentro do
aparelho e ver a luz na orelha da médica.
Daí pra
diante, comecei a tirar minhas conclusões independente do exame dela. Vi que o
exame que ela fazia com um aparelho tinha mais autoridade que a minha experiência
de ver, quer dizer, era na descrição que o aparelho fazia do meu olho que ela
estava se fiando. Logo que cheguei e que ela me perguntou como eu estava, disse
que não estava conseguindo ver as letras com o olho esquerdo. Mas o que ela viu
no aparelho, não tinha a ver com isso, porque a consulta foi se conduzindo pra
uma ausência de resposta e de comunicação.
Moral da
estória: tenho de estar mais esperto!
segunda-feira, dezembro 13, 2021
Tiro fotos do
céu de minha janela todos os dias e posto no Instagram. Isso começou um pouco
antes da pandemia, quando comecei a buscar o que dizer do Diário da Piscina. Eu
vejo que os artistas são meio assim, ainda mais se são escritores, sabem falar.
Eu, não. Então, na minha procura do que dizer, cheguei nas fotos e, desde
então, tenho diariamente as colocado lá.
Então,
começaram a aparecer umas luzezinhas nelas. A Graúna do Henfil foi das
primeiras que percebeu, disse que era óvni. Esses ovnizinhos tem uma lógica
confusa, porque eles aparecem em qualquer posição em relação à luz, porque a
luz delas está mais ou menos no mesmo lugar, que são tiradas quando acordo.
Depois,
quando comecei com o #festivalintimo, a Rê Bainy me avisou das luzezinhas em
seu vídeos e que no vídeo que ela me mandou pra o festival, Quando é noite, apareceu.
Rê explicou que são orbes.
Hoje, o orbe
da minha janela, o ovnizinho da foto, veio em uma capsula protetora, vejam:
sexta-feira, dezembro 10, 2021
Eduardo Marcolino - Peixe (instrumental)
domingo, dezembro 05, 2021
João Santos e Teuda Bara - Velha
sábado, dezembro 04, 2021
Luís Capucho - Acalanto do amor - Videoclipe
Tenho muito orgulho por estar juntado a essas pessoas
incríveis que veio dar nesse vídeo da Acalanto do Amor. Porque, embora eu saiba
estar comigo mesmo e goste muito disso, já há muito tempo, ouvi de uma bicha
que é no meio das pessoas que a gente vive. Então, isso é uma coisa que não tem
jeito – e ainda é o que ouvi ela dizer.
Daí, desde quando surgiu a música – uma parceria com Douglas
Oliveira – e o seu contexto, o contexto da letra dela que ele me passou como um
bastão, à construção do arranjo, com os instrumentos junto à melodia da música,
com Pedro Fonte, Bruno Cosentino e Vovô Bebê, a ter conhecido a Alira Silva
dançando tão linda uma música do Crocodilo, a Antigamente, num vídeo de
Instragram – aqui tenho de dar um respiro na oração, porque as conexões de
pessoas são muitas e ainda haverá outras conexões e pessoas – até estar juntado
ao Rafael Saar, que foi quem produziu o vídeo e tudo e aqui, passamos o bastão
pra Prefeitura de Niterói, porque o colocamos e fomos selecionados para um
edital dela, o edital de Ativos Culturais. Daí em diante, outras a perder de
vista os ajuntamentos e é, de novo, o que ouvi dela, não tem jeito, é no meio
das pessoas que a gente vive. E, aí, é por isso que tenho orgulho!
Liga o fode! Faz-me popular, compartilhe o vídeo!
Amor!
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