quinta-feira, maio 05, 2022

Leda Lessa em Bruta


 

Me ponho no centro e dessa posição é que, sentado na minha cadeira, estou a ouvir o dia de minha janela. Não consigo estar fixo em mim. Outro centro me desloca constantemente para si e paro de respirar tentando me manter imóvel no primeiro lugar, no primeiro momento. Eu acho que o certo é me manter no mesmo tempo, sem me deixar atrair para essa segunda direção. No ponto em que estou, meu centro está no cu.




quarta-feira, maio 04, 2022

 



Voltando ao meu centro e ao fato de que há um outro que me puxa para si, ao fato de que há um outro em mim, e de que sou outro e sou eu, portanto, mais de um centro, quantos centros posso ter, quantos posso ter como direção, devo me centrar em qual deles, no que envelhece, devo me centrar no que envelheço, devo partir desse, em acordo com ele, de manhã, fazer meu café.



Ruth Castro em Algo assim


 

terça-feira, maio 03, 2022

 

Quero passar dos 79, onde a advinha marcou pra eu chegar. Me lembro bem e dentro da lembrança estamos num lugar descampado, num pasto, era longe da cidade, um sítio. Foi num encontro de comunidades, uma coisa de bichos-grilos, onde o esoterismo, a nudez, a comida natural, a política, a música, dança, corpo, alma, eram centros onde todos gostariam de chegar. Quero ultrapassar meu centro, os 79.

Davi Vianna em Eu quero ser sua mãe


 

domingo, maio 01, 2022

De novo e sempre tentando o meu centro. Sim, estou velho, estou feliz, tenho ondas. Os graves ao sair, modulam outras curvas, se juntam reverberando pra dentro das sombras, somem, ficam quietos. Outro dia tinha uma aranha negra, pequena, caída no chão do quarto. Achei que era de plástico perfeito, assim como pensei na perfeição, enquanto via a vespa-oleira no filme do celular de Pedro. Era uma aranha morta. Talvez, que Linda Evangelista a tivesse matado. Isso faz dois dias. Não sei se pisei. Está assim, agora:


 

Tiago Abs em A Masculinidade


 

sexta-feira, abril 29, 2022

Paulo Ohana em Máquina de Escrever


 

Porque tem umas frases que se enrolam mais, as explicativas. Que são as que estão tentando iluminar, por exemplo, uma cena de banheiro. Linda Evangelista que fingia dormir na prateleira da estante, agarrou-se com uma unha no meu short, quando passei, para ir fazer xixi. Presa em meu short, sem conseguir soltar-se, arrastei-a pelas coisas na prateleira e ajudei-a a soltar-se. Ela seguiu comigo para o banheiro e ficou. Quando dei a descarga, saiu explodida de lá.


 

quinta-feira, abril 28, 2022

Lea Taragona em Virginia e eu


 

Na direção do centro, eu e Linda Evangelista, e a vespa-oleira, e o carro do ferro-velho, na rua da trás, propagando seu serviço de utilidade sob uma música nordestina, céu azul.


 

quarta-feira, abril 27, 2022

 

Continuo na busca de meu centro e isso tem a ver com a minha respiração que é por onde estou pendurado na vida. Enquanto isso, os ovos da vespa-oleira estão sendo chocados no centro do apezinho onde moro e imagino que ela já tenha morrido, porque não a vejo faz uns dois dias. É lindo demais que outras vespas-oleiras estejam sendo geradas com suas cores e movimentos de joias vivas pra sair por aí.



Alan Athayde em A Música do Sábado




 

domingo, abril 24, 2022

 

Encontrei meu centro e quando presto atenção estou fora dele. Passeando na rua e olhando para outros corpos como o meu, consigo ver que muitos também estão puxados pra fora de si, sem que se apercebam disso. Não consigo dar-me conta do momento em que me apareceu essa outra força que me leva de meu centro. É possível que tenha se firmado em minha carne, ainda nos meus tenros anos de bebê, de modo que não tenha me dado conta de como foi se tornando o meu lugar, minha direção, meu peso, minha postura, minha natureza falsa. Agora que encontrei o meu centro, estou propositadamente indo para ele. Naturalmente, não quero ir n’outra direção.

Natalia Miranda em Maluca



 

sábado, abril 23, 2022

Hoje, após ter feito meu café, quando saía da cozinha para a sala, dei de cara com a vespa-oleira, no corredor ao centro do apartamento, às voltas ainda com o reboco do casulo onde colocou seus ovos. Ela já está em seu segundo casulo, dois favos de barro, que ainda estão frescos e onde ela dá os retoques finais. Talvez, tenha lido que ela, perfeita, vive apenas duas semanas. Quando nos demos de frente, achei que ela fosse me picar, mas entreguei pra Deus e avancei meu caminho e, aí, ela deu uma volta levitando no ar da casa e seguiu o caminho dela também, foi para si. Eu continuo a ir para mim, tentando encontrar o meu lugar de atração, porque como disse há dois ou três dias atrás, algo me puxa para um outro centro, que não é o meu. Talvez, como me disse uma vez uma advinha, eu vá viver até aos 79, então, se a vespa tem ainda um ou dois dias, tenho 19 anos, imperfeitos.

Pedro filmou na semana passada um momento dela, em seu centro, no centro de minha casa.

Veja:      



 

quinta-feira, abril 21, 2022

 

Ainda continuo no meu corpo, dentro dele algo me puxa pra um centro que não é exatamente meu e me desequilibro. Estou tentando me ajeitar, tentando encontrar o lugar para onde seja correto ser puxado. Acho que encontrei e deixo-me puxar para o que considero certo, então, modifico o lugar de força e todo o resto se ajusta para isso. Os ossos estalam, as pelancas e cartilagens que juntam meu esqueleto doem. Estou indo para mim, um monte de carne e osso molhados de umidade que fede. A vespa que está colocando ovos nos favos de barro que constrói no centro do apezinho, passou, a caminho do trabalho de fazer a sua olaria, pelo cômodo onde estou . Ela está indo para si.

terça-feira, abril 19, 2022

Ontem, Rafael Saar mandou-me essa foto da edição do filme Peixe, sobre meu universo artístico, e no que ele está trabalhando, se não me engano, desde 2015. É muito incrível estar nesse processo do Rafael de fazer o filme, que é também meu, de ter meus livros e músicas revirados numa terceira coisa, assim, uma terceira camada, e isso me faz pensar desde as camadas mais frias do corpo e que recebem a luz, até às mais quentes, que a irradiam. Na ilha de edição, estou na piscina.

Veja:

Veja:

 

domingo, abril 17, 2022

Marcio Martins em Eu quero ser sua mãe


 

Ei-la!

Eu fico pensando no meu corpo, de como foi que mamãe me enxergava, desde bebê até quando comecei a pensar por mim e começou a se alargar o mundo, com o corpo dele de quarto de vidro, o corpo do mundo de aquário, habitado somente dos peixes grandes que eu via, que eu só via os peixes grandes no largo do mundo. Depois, tanta coisa foi acontecendo e tanta coisa ainda por acontecer na manhã fria de hoje, aqui, a vespa oleira entrando e saindo pelo basculante acima da janela do quarto onde fica o computador trazendo os torrõezinhos úmidos de fazer seu ninho no centro do apezinho, onde escolheu. 

Ei-la!


 

sábado, abril 16, 2022

Wanderson Andrade em Formigueiro



 

O apartamento onde moro tem no seu centro um corredor muito pequeno e que é passagem para a cozinha, o quarto, o banheiro, a sala. Por isso é o lugar da casa onde mais estou, pra lá e pra cá. E faz já quatro dias, esteve aqui no meu computador - onde mais estou parado - e que está no único cômodo da casa que não se liga ao corredorzinho do centro, um marimbondo lindíssimo, todo circulado com listras amarelíssimas, ficou aqui na minha frente levitando. Linda Evangelista veio toda empinada, imantada no bichinho, eu os espantei pra lá e passou.

No dia seguinte, vi o marimbondo com as listras amarelas levitando num apito que tenho pendurado no corredor, onde estou pra lá e pra cá. Peguei o óculos para ver e sem que eu tivesse notado nada desde o início, olhe onde ele colocou seu ovo!


 

quarta-feira, abril 13, 2022

Desde 1996 que venho me recuperando das sequelas deixadas pelo coma por neurotoxoplasmose. E sempre venho tendo muito ganho, de modo que não se percebe mais, se não se reparar bem. Mas de um tempo pra cá tenho sentido o meu corpo se escangalhando. Então tem dois movimentos, esse de o corpo ir se escangalhando e outro de o corpo ir ganhando com o esmaecer das sequelas. Mas também, tenho reparado que quando escangalha o corpo, no fim, é um ajuste que ele faz, de modo que escangalhar e ganhar ficam juntos no mesmo lugar e instante. Minha cabeça fica confusa, assim, entre o escangalho e o ajuste, entre o ganho com a diminuição das sequelas e os ossos e carne irem se estragando, os líquidos dentro de mim se metabolizarem com mais vagar. Outra vez, no fim, é isso aí, tensão no corpo, explosão, justamente, nau da loucura no mar das ideias.


 

segunda-feira, abril 11, 2022

 

Ontem, apresentamos no Teatro Popular de Niterói, como resultado do curso O Épico em Nós, a peça Intentona Teatral. Importante demais conviver com tanta gente, todas saídas do surto do isolamento pela covid-19 e explodidas nos treinos do teatro épico. Foi, literalmente, sair por todos os lados, sempre orientados por um time incrível de monitores e professores. Eu me sentia saindo por todos os lados e, ao mesmo tempo, foi louco, porque também me sentia sempre posto em cheque por cada um dos mais de 30 atores, imagina a minha loucura!



segunda-feira, abril 04, 2022

 Chorei muito quando vi o Seminário de Jerônimo Monteiro, perto do Natal de 2021, a caminho de uma visita a Alegre, onde mora o tio Luís. Já conhecia o Seminário, que estava com árvores crescidas e tinta velha nas paredes. Morei nele com mamãe durante o ano de 1970. Chorei gostoso, porque vivi 1970 outra vez!



Lizzy em O Camponês:


 

Vitor Wutzki em Atitudes Burras:


 

quarta-feira, março 30, 2022

 Quero agradecer a todos que me felicitaram pelo aniversário. Na verdade, os 60 anos não me pegaram muito bem. Penso que eu esteja fazendo tudo certinho mas, por exemplo, os pés incharam, o olho estragou, o meu édipo inteiro brotou na carcaça, tipo, a carne é fraca. Fora isso, como todos, vou aqui, lento, reorganizando o circo, de verdade, Amor!

https://esquinamusical.com.br/entrevista-luis-capucho-vai-tirar-voce-desse-lugar/?fbclid=IwAR3qqhDr3XGyl2GxNkE0m6AXyFe7Z2BHQ-Uu2cWpQuHE_sTOSw6-ORoRRmk



terça-feira, março 29, 2022

Uma de minh'As Vizinhas de Trás ilustrando texto de jornal interno de uma empresa em NY:

 

terça-feira, março 08, 2022

 

Com essa minha cara carrancuda e triste, faço 60 anos neste mês. Atrás de mim um autorretrato e uma das minh’As Vizinhas de Trás – autorretrato. Ainda estou no começo de ser chamado de Seu Luís e isso tem combinado com o prazer de me sentir um cara adulto, que é uma coisa que sempre admirei muito, mas que não me sentia. Esse assunto tem a ver com uma explanação de texto que a foto deixou desnecessária. Bom dia!



sexta-feira, março 04, 2022

Cinema Orly - Cloves Ferreira entrevista luís capucho

Me lembro de uma vez ter-me encontrado com o professor Barcelos e, sobre o Cinema Orly, ele me disse que o livro que eu tinha escrito era um livro muito sério. Na hora, não entendi muito o que ele estava dizendo, porque tinha sido tão delicioso escrever que ficou difícil ligar delícia e seriedade. Mas depois, porque se passaram os anos, entendi. E fico feliz demais com o caminho que o livro vai fazendo.

Anteontem, um rapaz da Paraíba, na verdade, segundo ele, um paraibucano, Cloves, me pediu uma entrevista para um trabalho escolar e fizemo-la ao vivo, no seu instagram. Subi no youtube, porque subo tudo lá.

Não se esqueça, inscreva-se no canal para receber as notificações, faça-me popular!

terça-feira, fevereiro 22, 2022

Em dezembro último, nós voltamos ao Seminário de Jerônimo Monteiro, ES, onde morei com mamãe no ano de 1970, quando eu estava com oito anos de idade. 1970 foi o primeiro ano de funcionamento do Seminário e ele tinha suas paredes todas cheirando à tinta nova. Eram paredes branquinhas, mas havia uma delas pintada de verde-abacate.

Quando chegamos e vi o Seminário do mesmo jeito como era em 1970, chorei incontrolável. Não havia mais a parede verde-abacate e as árvores que não haviam, estavam todas maduras, sombreando o pátio.

Pedro registrou:



 

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

escuta/ Luis Capucho

Tem uns lances que vejo ou coloco no youtube e que somem por um tempo, depois, reaparecem. 
Isso aconteceu com a Savannah e com uma música do Bronsk Beat que Pedro usou pra fazer um videozinho comigo. Aconteceu também com o programa Escuta, que foi uma audição entremeada de uma entrevista comigo, feita pelo Núcleo Canção da UFRJ, na altura do lançamento do disco Poema Maldito. Uma entrevista louca, tudo feito muito na beirinha.
Vejam:

domingo, fevereiro 20, 2022

Ontem foi um dia importante demais.

Estivemos sob a batuta de Bruno Cosentino, eu e Numa Ciro, dando voz para a Balada da Paloma, música minha com o Rafael Julião. A letra é uma poesia dele, do livro As Sereias do Hospício, a ser publicado por agora e que coloquei uma melodia.

Pedro registrou:



 

quinta-feira, fevereiro 17, 2022

Nado há muitos anos. Nadar tornou-se a fisioterapia para minhas sequelas motoras. Outro dia, tive uma experiência com correr e meu pé direito inchou para caramba e doeu muito. Minhas sequelas foram severas, saí do hospital numa cadeira de rodas e fiz muito exercício para treinar a caminhada outra vez. Todas essas coisas estão sinalizadas no filme Peixe, do Rafael Saar. Que me mandou uma fato das gravações:


 

segunda-feira, fevereiro 14, 2022

 

Uma conversa em que a gente não tem fluxo, porque eu nem tenho fluxo em conversas de um modo geral. E se fosse um jogo de futebol, eu não seria um goleador, nem um jogador desses que dão bons passes. Como se dizia nas vezes em que, em pequeno, joguei por ser o dono da bola, sempre fui assim um pereba.

Sendo assim, tenho arrumado outros modos de me socializar. Nem mesmo era bom nas mesas de bar, porque o tanto que a cerveja me desinibiu, desinibiu aos outros copos em triplo, ao cêntuplo.

Porque também, não é apenas inibição. Porque ela mesma causa um retardo, um lance que a gente só vai sacar quando o fluxo da conversa já está lá na frente e ficou tarde pra mim.

Fora isso, os muitos fluxos que não nos suga. Nesse aí, eu não vou.

Fui.

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

 

Enquanto os indígenas da terra Caru, no Maranhão, montam sua guarda florestal e no ano de 2050 pedem sua independência do território brasileiro, Linda Evangelista é tímida. No tempo que durou a permanência dos visitantes do Pedro, Linda ficou no meu apezinho, enfurnou-se embaixo do altarzinho de mamãe. Fosse ela uma guajajara e as visitas não teriam vida fácil. É tempo de luta galera, bora nos juntar à tropa Krikati! Vamos ser livres em 2050! Vamos ser livres, agora!

terça-feira, fevereiro 08, 2022

Uirá Bueno e Vovô Bebê gravando Homens Machucados

Não me lembro direito, mas há alguns anos atrás fui eu quem deu a ideia pro Rafael de um filme sobre o meu universo artístico. Mas foi ele quem deu o nome, Peixe.

Agora são os alinhavos finais. Ontem, o Uirá Bueno fez um streaming no Instagram dele gravando, com o Vovô Bebê, a bateria para a versão que está no filme para a música Homens Machucados. É muito lindo vê-los construindo a música e ouvindo depois o resultado, despreocupados. Baixei aqui no computer o registro lindíssimo pra guardar e subi no meu canal do youtube pra quem gostar de ver.

Não esquece. Se inscreve lá pra estar a par das novidades:

quarta-feira, fevereiro 02, 2022

 

Então, continuando o assunto de perder o trem, de roupa nova, esse é um assunto que também me lembra de minha tia Elisa, que não gostava de ir à igreja, porque na igreja todos olhavam pra ela, de roupa lavada e passada e cheirosa e roupa mais nova que todas as outras suas roupas, porque essa era usada às vezes, no domingo, apenas, quando ela conseguia ir e deixar que todos a olhassem.

terça-feira, fevereiro 01, 2022

 

Tinha uma música que o pessoal de Minas cantava antigamente que era uma coisa de perder o trem, ao mesmo tempo estar de roupa nova, não me lembro bem se eram duas músicas em momentos diferentes, mas para mim, na minha cabeça eu punha essas informações no mesmo contexto e, agora, me aparecem juntas, lá se foram bem mais de vinte anos.

É que quando a gente está de partida, a gente se arruma, ne. E se a gente vai perder o trem, a gente vai perdê-lo de roupa nova ou, se não, ao menos, a gente vai estar com um visual diferente, porque as viagens são tidas como situações especiais e ninguém vai fazer uma viagem, assim, de qualquer jeito, tem sempre uma preparação pro visual da gente, sei lá, e vai ser de um modo diferente do comum que a gente vai perder o trem.

É isso!

quinta-feira, janeiro 27, 2022

domingo, janeiro 23, 2022

As coisas na casa vão se enchendo de poeira e no mês passado fiz uma visita ao Seminário de Jerônimo Monteiro que me fez chorar. Além disso, por causa das visitas do Pedro, Linda Evangelista tem se escondido no armário que suspende o altarzinho de mamãe e esses detalhes juntos são pontas de um iceberg imenso. Também está na superfície o som do domingo que vem das casas do bairro e estou mergulhado nisso sem que as palavras saibam explicar, elas não dizem, apenas compõem mais um pedaço da ponta do iceberg.


 

terça-feira, janeiro 18, 2022

Dez quatrilhões - cifra

Fizemos esta música, eu e Felipe Abou.

Quando me mandou a letra, disse:

- Fiz uma letra impossível – e peguei.

Gostei demais dela. Não tenho muita noção das coisas que faço – no caso, musiquei a letra dele - e encano com uns detalhes, principalmente, se o caminho que a melodia abre está em boas condições de passar, se não tem os buracos, depois, vejo que somente eu estou vendo, só eu tou empacando.

No fim, veja:

segunda-feira, janeiro 17, 2022

Leda Lessa - Bruta (cantado)

Andei ouvindo umas músicas antigas minhas, gravadas em fita cassete nos anos 80 e achei bonito pra mostrar, queria fazer um disco delas, escolher algumas e fazer um disco, na verdade, já escolhi 6 delas. Daria para fazer vários discos de 6 músicas, porque são muitas. E é uma coisa diferente do que fizemos com o disco Antigo, porque essas não são de show, mas músicas que eu gravava em casa ou em casa de amigos, voz e violão puros, e que não tiveram circulação, como aconteceu com o Antigo.

Uma das que escolhi dentre todas, e que descobri estar registrada entre as outras, é a Bruta, que Leda Lessa me deu a alegria de relembrar no meu #festivalintimo.

Veja:

quinta-feira, janeiro 13, 2022

 

O que vou escrever pode parecer difícil, porque é uma intuição, não tem conhecimento objetivo nisso. Irei fazer 60 anos daqui a dois meses. É um número redondo, além de 2022 se arredondar com o ano em que eu nasci, 1962.

Tudo múltiplo de 3? Acho que, sim.

Sinto como o ano em que nasci, como se eu novamente estivesse no meu ano 0 e pudesse pegar qualquer direção a partir da posição em que estou.



sábado, janeiro 08, 2022

terça-feira, janeiro 04, 2022

Continuando com a assunto, autorretrato, anteontem, terminei de fazer um deles numa tela maior, 70x50cm. Penso que eu vá fazer muitos deles, sempre rondando a minha pessoa, a pessoa que sou, como me rondou o menino de 8 anos que fui em Jerônimo Monteiro, ES, ou o rapazinho de 20 anos que fui em Niterói, ou o menino de 12 anos que fui em Cachoeiro de Itapemirim, todos eles, eu, diferentes de mim.


 

quinta-feira, dezembro 30, 2021

Fiz e estou por fazer uma série de autorretratos que não se parecem em nada comigo. Fiz no formato de As Vizinhas de Trás e estou fazendo um maior, numa tela 70x50cm. Tenho os colocado sempre vestidos na minha Camisa de Apresentação.

Fazer os meus autorretratos tem um pouco a ver com as coisas feitas de luz e que, por isso, não envelhecem, quer dizer, são sempre as mesmas e, ao mesmo tempo, isso tem a ver com aquele dito do Heráclito, nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo riacho, o que significa que as cópias não são iguais. Esse controverso, em que o perene e o diferente têm origem no mesmo lugar, legitima meus autorretratos, que não se parecem comigo.


 

quarta-feira, dezembro 29, 2021

terça-feira, dezembro 28, 2021

Um homem, a quatro meses dos seus 60 anos , sentado em cadeira ao lado de uma Árvore de Natal, no dia 25 de dezembro de 2021, no jardim velho de Alegre, ES.


 

segunda-feira, dezembro 27, 2021

 

Adoro essas letras verdes no fundo azul escuro que mantenho sempre como novos, aqui no Blog Azul. As coisas online, porque são feitas de luz, não envelhecem como eu, não desbotam como minha roupa, não se empoeiram feito minha casa, não se transformam como o dia, e são mais que templo grego, são mais que igreja de Ouro Preto, mais que pirâmide no deserto, mais que deserto.

Vejam:



domingo, dezembro 19, 2021

 

Além das recidivas da toxoplasmose no olho esquerdo, estou a um tempo, mais de ano, em que a panturrilha direita começa a doer, quando alcanço o terceiro quarteirão. Fiz um doppler e foi visto que as paredes da artéria na perna está engrossada.

Se ajeito o andar e tento equilibrar o peso nos dois lados do corpo – como vocês sabem, automatizei forçar mais um lado do corpo, por conta das minhas sequelas motoras – a panturrilha esquerda também dói. Eu não sou muito bom com noção de tempo, mas isso deve vir acontecendo a mais de dois anos.

Então, é desesperador pensar que daqui pra frente vou perder a minha capacidade plena de enxergar e de caminhar, porque é a velhice.

Não quero!

 

quarta-feira, dezembro 15, 2021

 

Ainda sobre a consulta de que falei ontem, com a oftalmologista, em que as partes do meu corpo vão se estragando e, nesse caso específico, é a visão do meu olho esquerdo que se esvai, também há consultas, com outras modalidades de médico, em que as técnicas que têm de medição, os aparelhos de exame, as minhas queixas, os remédios, enfim, os acordos, as combinações, a comunicação possível com eles, não dão conta de me resolver os problemas aparecidos.

Numa hora, a doutora disse com resolução:

- Se você não estivesse enxergando as letras grandes que Suely te mostrou, eu diria que sua vista está ruim! – Suely é a assistente que pinga o colírio pra dilatação do olho e que, antes, mostra as letras iluminadas num quadro, que são letras grandes que vão diminuindo o tamanho, em fileiras embaixo umas das outras, até ficarem invisíveis de pequenas.

Enfim, são os 60 chegando!



 

terça-feira, dezembro 14, 2021

 

Na médica examinando o meu olho esquerdo, olhando pra lente de um aparelho tipo um microscópio, mas que tinha uma luzinha dentro, olhando pra luz, eu disse pra médica que eu estava vendo a luz fora do aparelho:

- Estou vendo a luz no sua orelha, Dra!

- Fique quietinho, não fale agora, não – ela disse e ficou examinando as imagens que apareciam num monitor. Eu poderia falar depois, mas era importante falar naquela hora, e não podia falar, do lance incrível de eu olhar pra dentro do aparelho e ver a luz na orelha da médica.

Daí pra diante, comecei a tirar minhas conclusões independente do exame dela. Vi que o exame que ela fazia com um aparelho tinha mais autoridade que a minha experiência de ver, quer dizer, era na descrição que o aparelho fazia do meu olho que ela estava se fiando. Logo que cheguei e que ela me perguntou como eu estava, disse que não estava conseguindo ver as letras com o olho esquerdo. Mas o que ela viu no aparelho, não tinha a ver com isso, porque a consulta foi se conduzindo pra uma ausência de resposta e de comunicação.

Moral da estória: tenho de estar mais esperto!

segunda-feira, dezembro 13, 2021

 

Tiro fotos do céu de minha janela todos os dias e posto no Instagram. Isso começou um pouco antes da pandemia, quando comecei a buscar o que dizer do Diário da Piscina. Eu vejo que os artistas são meio assim, ainda mais se são escritores, sabem falar. Eu, não. Então, na minha procura do que dizer, cheguei nas fotos e, desde então, tenho diariamente as colocado lá.

Então, começaram a aparecer umas luzezinhas nelas. A Graúna do Henfil foi das primeiras que percebeu, disse que era óvni. Esses ovnizinhos tem uma lógica confusa, porque eles aparecem em qualquer posição em relação à luz, porque a luz delas está mais ou menos no mesmo lugar, que são tiradas quando acordo.

Depois, quando comecei com o #festivalintimo, a Rê Bainy me avisou das luzezinhas em seu vídeos e que no vídeo que ela me mandou pra o festival, Quando é noite, apareceu. Rê explicou que são orbes.

Hoje, o orbe da minha janela, o ovnizinho da foto, veio em uma capsula protetora, vejam:



 

sexta-feira, dezembro 10, 2021

Eduardo Marcolino - Peixe (instrumental)

Eduardo Marcolino me mandou a Peixe (instrumental).
É a segunda versão instrumental aqui, no #festivalintimo. E é muito bonito ver como uma música originalmente cantada, é interpretada pelo instrumento. A impressão é que o instrumento dá um tapa nas palavras que prendem as coisas e, aí, explode um circo. Ao mesmo tempo, o modo como o Marcolino compreendeu, construiu e costurou a música, fez uma volta perfeita, sintética e firme, nada explosivo, tudo redondinho e no controle, a lona certinha sobre a arquibancada. Enfim, não sei dizer.
O #festivalintimo está acabando, estes são os últimos números. Compartilhem, curtam, assistam!
Não esquece, curte o canal!
Vejam tudo, tá tudo lindo demais!
Só amor!

domingo, dezembro 05, 2021

João Santos e Teuda Bara - Velha

O João Santos e Teuda Bara me mandaram Velha. É mais uma das joias que o #festivalintimo ganhou. Sinto uma grandessíssima, máxima emoção, porque Teuda, no filme Peixe, do Rafael Saar, interpreta mamãe, então o João está em meu lugar, vocês podem imaginar a fantasia toda em que entrei, ne.
Liga o fode, compartilhe o festival! Estamos nos finalmentes!
Amor!

sábado, dezembro 04, 2021

Luís Capucho - Acalanto do amor - Videoclipe

Tenho muito orgulho por estar juntado a essas pessoas incríveis que veio dar nesse vídeo da Acalanto do Amor. Porque, embora eu saiba estar comigo mesmo e goste muito disso, já há muito tempo, ouvi de uma bicha que é no meio das pessoas que a gente vive. Então, isso é uma coisa que não tem jeito – e ainda é o que ouvi ela dizer.

Daí, desde quando surgiu a música – uma parceria com Douglas Oliveira – e o seu contexto, o contexto da letra dela que ele me passou como um bastão, à construção do arranjo, com os instrumentos junto à melodia da música, com Pedro Fonte, Bruno Cosentino e Vovô Bebê, a ter conhecido a Alira Silva dançando tão linda uma música do Crocodilo, a Antigamente, num vídeo de Instragram – aqui tenho de dar um respiro na oração, porque as conexões de pessoas são muitas e ainda haverá outras conexões e pessoas – até estar juntado ao Rafael Saar, que foi quem produziu o vídeo e tudo e aqui, passamos o bastão pra Prefeitura de Niterói, porque o colocamos e fomos selecionados para um edital dela, o edital de Ativos Culturais. Daí em diante, outras a perder de vista os ajuntamentos e é, de novo, o que ouvi dela, não tem jeito, é no meio das pessoas que a gente vive. E, aí, é por isso que tenho orgulho!

Liga o fode! Faz-me popular, compartilhe o vídeo!

Amor!