Fazendo As Vizinhas de Trás – max.
A ideia é pintar sempre elas, sempre as mesmas, como o sol que vem todos os
dias. Minh’As Vizinhas de Trás são o sol.À medida que as vou repetindo e que elas vão aparecendo pra mim e que
vou gostando ou não gostando do que elas mostram nas bocas, nos olhares, no
nariz, pescoço e cabelos, vou vendo que são simples.
Essas são para a Fernanda. Outro
dia, no devaneio, estava achando que As Vizinhas de Trás existem mais do que os
livros que escrevi e mais do que as músicas que já fiz. Eu estava achando que elas
estão sempre a postos, sempre em sua posição executada, assim, sem ser preciso
niguém pra que se formassem. Porque estava achando que estão sempre em suas
presenças de fantasma na parede, silenciosas nas salas. Estava achando que os livros
e músicas, não, que ficavam mais recônditos. Que só apareceriam pra gente, se a
gente lhes soprasse.
Mas acho que, não.
quarta-feira, agosto 29, 2018
Tem uma coisa acontecendo com meu
corpo, que fica mais velho. Ontem mesmo, voltei do médico com a notícia de que
estou com 50% da capacidade de meus rins. E que um deles está atrofiado. Há
pouco, fiz um tratamento pra minha toxoplasmose ocular, que me deixou baqueado.
Na verdade, ainda estou no baque do tratamento profilático. Certamente, que há
muita coisa acontecendo no meu corpo e que não sei, não consigo intuir, ao
menos. Por isso é que vou ao médico, fazer o monitoramento dos efeitos dos
remédios que têm me dado sobrevida, desde há mais de vinte anos.
E a relação com os médicos é
complicada, porque temos de deixar pra eles, saber e decidir sobre o que temos
de fazer pra continuar bem. Só, que são pessoas estranhas à gente. Então,
precisamos confiar em estranhos. Isso não é problema, porque sou um cara dócil.
O foda é que estão dentro de uma estrutura de tratamento de saúde, que é uma
estrutura fria e maquinal, então, preciso escorregar dentro dela untado de
azeite.
Há maneiras de fazer isso:
Deixar rolar no “Seja o que Deus
quiser”.
Tomar iniciativas que nos deixe
correr mais macios dentro da máquina. Pensando agora, uma coisa não nos afasta
de outra, porque no fim será sempre o que tiver de ser. Assim, não vou parar de
morrer.
Não me lembro como surgiu a idéia
do Ave Nada (Diário da Piscina), sei que desde o início desse ano, vem se
formando ou vem se formando desde sempre e que muitas coisas vieram se
desfazendo para que ele se fizesse na sala da Claudia e ele, Ave Nada que é, também
se desfez como nuvem, por exemplo, agora, não está em lugar nenhum. Eu mesmo,
nesse momento que escrevo no Blog Azul, sou aquele que junto aos meninos
apresentou o Ave Nada, e como aquele não estou em lugar nenhum.
Porque já sou aquele outro que
começou, hoje, uma nov’As Vizinhas de Trás que diferente do Ave Nada, que aos
poucos foi se formando pra chegar a sua posição na sala e depois dali, a sua
posição não foi mais, se desfez. E, então, As Vizinhas de Trás não são assim,
porque elas, depois de prontas, estarão, sem se desfazer, sempre em sua pósição
de As Vizinhas de Trás, uma ao lado da outra, na sala, coloridas e em forma.
domingo, agosto 26, 2018
É muito lindo para um escritor,
um artista, ver o seu trabalho ganhar outra voz, como se outra pessoa cantasse
com ele a mesma música, como quando fico feliz nos De Casa em Casa, com os
meninos tocando comigo.
Esse ano, depois do Rodrigo na
UFES, do Sandro na UFF, agora é o Rayesley na UFAM, que me comovem no pensamento
e no coração.
Vejam:
Eu descobri essa foto no
Instagran da Mari Romano e salvei aqui, porque ficou bonita. E quis
compartilhar.
Tem duas estórias pra ela:
Uma, que é esse momento em que a
Mari fotografou, no Bar Semente, no show Três Vocês, comigo, Vovô Bebê e Bruno
Cosentino.
A outra, quando fui tocar em
Franca e pensei uma meia que me tornasse leve, que me deixasse suspenso, mas
que numa volta pela cidade, nem eu, nem Jack, conseguimos encontrar. Aí, a
Elaine pegou um saco de meias, cortei uma delas, que era um amarelo que eu
pensava fluorescente e que não era, mas que funcionou.
Aí, quando cheguei em casa, no
Atelier de Indumentária, a Nega mudou ela de cores:
Por conta dos De Casa em Casa,
nesse 2018, fizemos muitas apresentações de minhas músicas e, com isso, minha “Camisa
de fazer Shows” foi contando mais estórias, vocês sabem, a cada show, ela ganha
um acabamento novo e que vai formando o seu escudo, vai deixando ela mais forte e mais bonita.
E tomo sempre muito cuidado pra
não errar a mão, quando vou deixando ela mais completa, quer dizer, ela precisa
ir ficando mais pesada de coisas, mas não pode ficar pesada de se olhar,
precisa continuar leve e não puxar minhas apresentações pra baixo.
A última apresentação que
fizemos, fizemos com leituras do Diário da Piscina pelo Paulo Barbeto. Foi uma
coisa bonita. E essa foi a segunda vez que fizemos na sala da Claudia. Da
primeira vez, fomos apenas eu e Vitor Wutzki. E rolou uma coisa muito
impressionante, porque no meio do show, entre uma música e outra, todo mundo se
levantou pra comer, pra trocar de lugar, pra trocar uma palavra, rolou esse
frenesi instantâneo, espontâneo, dentro do show e tudo. E sem controle, voltaram
a nos assistir, como se nada tivesse acontecido.
Dessa vez, tocamos eu, Lucas e
Felipe. Foi o Ave Nada (Diário da Piscina). E não aconteceu esse rodopio
estranho da plateia, que se manteve atenta, como se a apresentação de todas as
músicas e as leituras do Paulo fossem uma coisa só. Não partiram o show, não
quebraram ele com um rodamoinho no meio, entende.
Na primeira vez, Claudia queria
me dar algo para minha camisa de shows, mas não deu. Agora, então, nessa
segunda vez, ela me deu duas coisas, para os próximos shows.
Tem uma coisa que acontece, que
eu acho que é porque, conforme a plateia nos afete, uma música pode sair melhor
ou pior do que o modo como ela ficou nos ensaios. E eu adoro o jeito como saiu
A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho), no Escritório. Ficou muito
imperfeita, o video do Pedro ficou sem sinc, mas eu gostei mesmo assim. Ainda
não conseguimos repetir.
Vejam:
quinta-feira, agosto 23, 2018
Hoje é um dia muito especial pra mim, é como um dia de aniversário. Foi em 23 de agosto que entrei em coma e que isso conduziu minha vida de lá, pra onde ela seguia, pra cá. Então, é muito importante, porque a impressão é que tudo se deciciu nisso, no fato de eu não ter ficado pra sempre lá, parado nele. E, ao mesmo tempo, não ter seguido na vida que deixei antes. Fui jogado noutra direção. E, repito, isso é muito importante pra mim. Hoje, um dia tão importante, fui fazer um exame de meu aparelho urinário e de meu aparelho pélvico – era isso que estava escrito no encaminhamento médico. Então, o doutor me deitou numa maca, desabotoou minhas calças, abaixou meu fecho-ecláir, levantou minha camisa e meio que, com um bastão cheio de gel, ficou correndo com ele por minha barriga e flancos e olhando pra tela de um computador. Me virou pra um lado, voltou-me para o lugar, apalpou o bastão com o gel deslizante, apalpou, apalpou e me disse, pronto, terminou! E isso, nesse dia importantíssimo! Ele saiu da sala e eu fiquei no dia importantíssimo me limpando do gel, me ajeitando a roupa, amarrando nos meus pés o tênis. Talvez, lá fora, estivesse rolando um tiroteio – eu estava na Fiocruz. De volta pra casa, eu poderia ser atingido. Atingido aqui perto de casa, em Niterói. Ninguém mesmo, ninguém, poderia supor esse meu aniversário, agora, no sígno de Virgem.
terça-feira, agosto 21, 2018
Uma coisa incrível que eu reparo
nos vídeos que Pedro faz no celular, é que aparecem uns sons que não estávamos
fazendo. Isso aconteceu pela primeira vez quando tocamos eu, Vitor e Tulio, no
loki bicho. E tou pensando agora que isso acontecia com as fitas cassetes que
eu gravava antigamente também. Então, eu tava gravando e acontecia de uma
criança chorar, por exemplo, por perto, ou um móvel por perto rugir e, aí, esse
som entrava direitinho como parte da música, num tom que tinha a ver com os
meus acordes do violão e tudo.
No caso das gravações do Pedro,
no seu celular, além de entrarem uns sons que não fazemos, mas que se casam
muito bem com ele, às vezes, como nos shows não tenho tocado sozinho, o que
acontece é que os sons que fazemos nos intrumentos, eles criam ou sugerem um
outro som que ouvimos de verdade ou que ouvimos apenas como sugestão. E a
música fica muito mais linda, com sons transcendentes, que parecem estar no
espírito do coração e não estarem fora dele, no ar que a gente respira.
Mas, aí, as gravações captam o
que, ao vivo, tinha ficado apagado.
Fiquei emocionado, o Edil ficou,
mas só fiquei agora, porque, ontem, enquanto acontecia, não pude ver, porque eu
estava de dentro e não contemplava, são tempos diferentes, vocês sabem.
E, aí, vocês podem sentir minha
alegria e gratidão por ver um lance que era eu sozinho aqui comigo mesmo, ser,
agora, ontem, na sala da Claudia um corpo coletivo a que demos o nome de Ave
Nada (Diário da Piscina), e que me deixou emocionado agora, mas que foi, ontem.
E foi o registro do dia 14 de
fevereiro de 2001, do Diário da Piscina do ponto de vista do Paulo Barbeto e
que, também, por sua vez, Pedro, do ponto de vista seu e de seu celular
deixa-nos ver outra vez, de outro modo, no vídeo que subi agora no youtube, com
mais o Diêgo, o Lucas e o Felipe Abou.
sexta-feira, agosto 17, 2018
Amanhã, a gente vai apresentar o
Ave Nada (Diário da Piscina), em Laranjeiras. Não sei bem como apresentar em
palavras de divulgação o que nós com o Prática de Montação estamos construindo
a cada ensaio ou a cada vez que tocamos à vera, porque no fim, é um trabalho de
conjunto da gente.
Mas de meu ponto de vista, do
ponto de vista de quem, lá atrás, inventou as coisas que juntos estamos reorganizando
em música e teatro para a sala da Claudia, do ponto de vista daqueles que não
sabem o que fazem e, daí, apesar da ordem, é meio o imprevisto, é meio um salto
no escuro, nós – eu, Paulo, Felipe, Lucas, Claudia, Pedro, Diêgo - convidamos
todos vocês pra virem saltar, nadar, voar conosco. Venham também os que se
decidirem por morrer, como Verônica.
Chegaremos mais cedo pra preparar
o ambiente da sala.
Todos!
quinta-feira, agosto 16, 2018
Tem umas formigas que moram
dentro de meu teclado. Elas são mínimas, muito pequenas mesmo, e com meu olho
de toxoplasmose eu vejo que elas têm uma penugem, são formiguinhas mínimas e
cabeludas, como caranguejeiras.
O meu teclado está comigo há
pouco e elas já moram nele. Também tinham ninho no meu antigo teclado, porque
Pedro abriu pra consertar e elas estavam lá.
Sei porque elas moram no meu
teclado. É que sempre tem uma xícara de café aqui em frente a ele. Isso é
perfeito pra elas. Ficam próximas à comida. Quando deixo uma xícara de café
vazia aqui, mas borrada com uma lâmina só de líquido no fundo, depois, elas
dominam a xícara, pra comer e beber o pouco de doce que fica na louça, no
restinho do café.
Aqui, no vale onde moro, também
os cupins se encavernam nas coisas da casa. Esses bichos miúdos, que vivem em
colônia, a gente não pode saber ao certo, mas devem estar muito atentos à
gente, tipo, nos vigiar os passos, os costumes, o jeito na vida, pra que saibam
exatamente em qual lugar da casa vão se concentrar pra criar suas cidades
cavernosas.
Também, vêm abelhas atraídas pelo
restinho de café nas minhas xícaras. E elas são meio bobas, porque eu já sei
que terei de salvá-las, já sei que vão se lambuzar de café e lambuzadas não
conseguirão sair do fundo da lama de café que fica na xícara. Eu pego uma
caneta e as tiro, pra que elas se sequem na mesa e tomem rumo.
Também sou bobo. Pra mim, as
abelhas que vêm aqui, são fadas!
quarta-feira, agosto 15, 2018
Segunda-feira estive na Fiocruz
para duas consultas de rotina. Uma delas era infectologista, a outra,
endocrinologista. E voltei pra casa sem que as consultas tivessem qualquer
efeito no meu processo de tratamento. Segundo os médicos, não havia nada o que fazer
a partir de meus dados, que têm no sistema deles, lá. O endocrinologista me deu
alta, até. E me encaminhou pra o nutricionista.
Então, eu estava pensando no
ônibus, de volta pra casa, que é mentira isso que dizem, ser a nossa medicina
muito avançada. Porque se a medicina é tão avançada, por que minhas consultas
têm sido tão estéreis?
Que merda!
terça-feira, agosto 14, 2018
Eu gosto muito de ver os
videozinhos que Pedro faz de minhas apresentações. Dois amigos já se
surpreenderam ao saber desse meu gosto. É que eu tenho um lance com a ordem das
coisas. Por causa disso, eu não subo todos eles no youtube. E mesmo que eu
tenha um lance com a ordem das coisas, o meu canal ainda é muito o caos.
Hoje, estava vendo um desses
vídeos que ele, o Pedro, fez da primeira vez que fizemos o Ave Nada na Casa
Sapucaia, em Santa Teresa e fiquei emocionado. Não subi no youtube na época,
porque fiquei na dúvida e, agora, que iremos repetir, acho que ainda vamos
melhorar, acho que conseguiremos mais ordem, não sei.
É que eu aprendo sobre fazer as
apresentações, se as olho de fora, nos vídeos. E, embora não seja a ordem,
propriamente, o que tenha me causado emoção ao rever o que fizemos da primeira
vez, no Ave Nada,porque eu nem sabia de
sua existência naquela vez, foi ter descoberto que ela havia, o que me deixou
marejado os olhos e, depois, comecei a fungar, no nariz.
A cena é o Paulo Barbeto lendo o
dia 25 de julho de 2000, do Diário da Piscina, enquanto Felipe enrola um
cigarro de fumo de rolo e eu espanco o acorde de Ave Nada ( Vitor Wutzki/luís
capucho). Esse é um dos primeiros dias do Diário e é onde eu conto que
Marcelina tinha me explicado que nadar, com o tempo de prática, seria como se
eu tivesse caminhando e devaneando o pensamento em qualquer coisa. E, aí, digo
outra vez, que isso é como voar. Então, a ordem não está apenas em nadar,
andar, voar. Mas, sei lá, achei que todo o resto da cena se ordenou com isso,
no caos, no centro, na coisa, no Ave, no Nada.
E me emocionei. Sou muito grato.
domingo, agosto 12, 2018
Ontem, fizemos um ensaio do Ave
Nada (Diário da Piscina), que no sábado, apresentaremos na sala da Claudia. E,
assim, como os outros De Casa em Casa foram se formando à medida dos ensaios e
das apresentações, o Ave Nada também começa a subir seu toldo. E tem uma
diferença. Assim que fomos levantando a lona para as apresentações das
músicas, para os De Casa em Casa, nunca tinha conseguido formar na minha cabeça
uma ideia do que fazíamos. Eu sabia, conseguia ver, que estávamos mais
construídos, mais formados e que desfilaríamos as músicas nas salas dos amigos
daquela forma como tínhamos desenhado, mas eu não conseguia ter uma visão do
corpo disso.
E, ontem, no ensaio, porque eu
sou um pouco expectador e, talvez, porque, agora é teatro junto delas, das
músicas, a apresentação começou a se formar pra mim. O corpo do Ave Nada
começou se mostrar um pouco pra mim, vi ele começando a aparecer.
Eu sei que esse embrião ainda vai
proliferar mais as moléculas e seus órgãos estarão cada vez mais prontos pra
nascer. E que de certa forma, a sala da Claudia, ainda será útero.
Amanhã, é dia dos pais, ne.
É isso aí!
sábado, agosto 11, 2018
O Ave Nada (Diário da Piscina) é o resultado de meu encontro com Diêgo, Paulo, Felipe e Lucas e tudo o que adveio disso como apresentação de música e teatro. Esse é o meu ponto de vista. Mas o que vocês verão na sala da Claudia, no sábado, tem muito mais a ver com vocês, vocês sabem, porque darão sentido a tudo o que queremos mostrar. Venham todos! Tragam seu come, seu bebe, seu fume e uma contribuição pro nosso chapéu. É livre!
sexta-feira, agosto 10, 2018
Cheguei a um outro final de minha
As Vizinhas de Trás - Santa Moema e, ainda assim, tem alguma coisa que não vai
bem. Porque As Vizinhas de Trás como surgiram, pintadas em telas 20x60cm ou
20x70cm, se olhadas uma única vez, a gente vê todas elas ladeadas, ao mesmo
tempo. E se somos chamados pra algum ponto, pra alguma das Vizinhas, o nosso
olhar vai olhar especialmente esse detalhe que quisemos, mas já viu tudo antes.
Acontece que essas telas que, até
agora, tenho escolhido para As Vizinhas de Trás – Santas, elas são bem maiores.
E essa da Santa Moema ainda é maior, porque quis fazer, como nas Vizinhas
menores em que aparecem entre quatro e cinco delas ladeadas umas com as outras,
quis fazer três Santas Moemas na mesma tela, ladeadas e grandes. Daí, que para o
tamanho da sala do apezinho, não é possível que se veja as três de uma só vez.
Além disso, como não se consegue ver toda ela ao mesmo tempo, cada parte, cada
uma, tem que estar muito de meu gosto, para que possa estar no meu agrado de olhar pra ela sem ver as outras duas.
E não tou gostando do modo como
apareceu na tela a Santa Moema do meio entre as outras, uma de cada lado dela.
Pensei resolver isso, modificando-lhe um dos olhos, talvez, isso me agrade. Mas
nunca desmanchei, antes algo que já tinha tido como pronto. E não sei se
consigo refazer, sem deixar marca desse olhar que não está bom. Não sei se tem
um macete pra isso.
quinta-feira, agosto 09, 2018
Pro meu prazer de ouvinte, sempre imagino as coisas que me contam, o melhor do que posso imaginar. Então, depois, é comum, que, por exemplo, se me contam sobre uma casa, quando eu conheço a casa de que me contaram, eu me frustre, por tê-la imaginado melhor. Isso já me aconteceu muitas, mas muitas vezes mesmo. E isso que o Bruno inventou, eu não poderia ter imaginado mais, nem melhor: colocar no repertório de Ney Matogrosso, a minha Cinema Íris, que o Ney “abortou, junto com todas as outras músicas que ele iria colocar num disco de 2012, talvez.
Vamos todos! Bruno é luxo, luxo é Ney, Ney é foda, Bruno é Ney!
A gente vai fazer um De Casa em Casa repetido, no dia dezoite de agosto, em Laranjeiras. Dessa vez, com uma ideia que começamos a tentar já faz um tempo, em reuniões que tivemos na casa do Diêgo, quando ele ainda morava no Campo de Santana. Nós estávamos com a ideia de juntar o teatro às músicas, tendo como link o Diário da Piscina. Isso é uma coisa que temos vindo formando e que já fizemos uma vez na Casa Sapucaia. Mas que vai se formando pra sempre, em acordo com as mudanças que vão rolando em nós todos e fico feliz de a coisa estar se juntando, outra vez, pra explodir na sala da Claudia.
segunda-feira, agosto 06, 2018
Quando passo, olhando através da
janela do ônibus na Domingos Martins, vejo que há um cara que consegue se
manter no prumo em seu corpo por muitas horas, sentado numa cadeira, diante de
uma clínica, que tem ali. Mas eu, sentado dentro do ônibus ou na posição em que
estou agora, nessa cadeira preta diante do computer, não consigo me manter
aprumado. Tem uma coisa, uma força no meu corpo, uma tentativa de prumo, que me
deixa sempre o corpo fora do lugar.
Essa é uma questão pra mim e deve
ser uma questão que aconteça também no corpo das pessoas que estão presas, que
é a tentativa de achar um lugar de quietude, de paciência, de tranquilidade e
força. Imagino que eu nunca tenha tido essas qualidades no corpo e acho que
sempre imaginei o alcance disso, com o alcance da maturidade, que pra mim, ser
homem adulto, é o mesmo que ter masculinidade.
Essas coisas, essa ideia de que
eu vá me aprumar, quem sabe, seja apenas ilusão. E um indício disso é que com o
passar do tempo, todas as coisas vão se transformando, vão perdendo a forma que
havia nelas, mesmo que tenham chegado a um ponto que tenha nos parecido
definitivo. Eu tenho pensado bastante, meio sem querer, nesse lance da posição,
do lugar de um corpo. E conversando com um homem numa festa em que fui, estava
lhe dizendo sobre fazer coisas que fiquem, coisas duráveis, como a posição do
corpo do homem sentado que vejo da janela do ônibus, na Domingos Martins. E
curti muito um momento em que falei pra ele, que para que as coisas pudessem
ficar, elas não precisariam ter a dureza do corpo de um edifício, por exemplo.
Poderia durar e ser firme, como coisa etérea, assim, como as bandeiras
flamejantes retratando o corpo morto, assassinado do Cara de Cavalo. Bandeiras
que por ideia do amigo João Santos, inspiraram a foto de capa do CD Poema
Maldito. E nisso há muitas considerações. E curti muito ter falado isso pro
homem e pensei até em dizer-lhe outra vez a mesma coisa, na mesma hora. Mas ele
parecia estar alheio a esse ponto da conversa e, aí, continuei falando outra
coisa.
Esse texto continuaria, mas paro
aqui.
sábado, agosto 04, 2018
Cheguei a um primeiro fim de
minha As Vizinhas de Trás – Santa Moema, mas não fiquei satisfeito. Devo ainda
esperar para que as ideias venham. Além de não ter gostado de minha eficiência
para pintar, ainda falta a ela o que formá-la completamente. É uma Santa criada
pelos meninos da Cabeça de Porco, uma peça teatral construída por eles a partir
de minha obra lítero-musical.
Tinha pensado em consagrá-la com
uma novena que percorresse as casas dos integrantes da peça. Mas, depois,
pensei que isso já ficou pra trás. Agora, é apenas um movimento meu, que
reverbero um movimento que tiveram há tempos atrás. Eu sempre empaco para fazer
as Santas. Que demoram demais pra se formarem.
Ela tem uma oração feita por
eles:
Oração à Santa Mãe Moema
Mãe nossa que estás na terra
Ejaculado seja o vosso nome
Esteja em nós o vosso reino
Seja feita nossa vontade
Assim na cama como em pé
O leite nosso de cada dia nos dai
hoje
Ofendei aos que nos ofendem
E nos deixe cair na tentação
Agora e para sempre
Amei!
(pedir a graça com fé)
Quando ela estiver,
definitivamente, pronta. Mostrarei outra vez.
Vejam:
sexta-feira, agosto 03, 2018
Fiz uma música nova a que dei o
nome de Posição. É um fragmento de uma música que fiz muito antiga, quando
morava em Papucaia. E que a partir dele construí a música, agora, apenas sobre
um acorde, uma meia pestana, na segunda casa do braço do violão. Mais ou menos
como o que fiz com A Vida é Livre, que construí a música a partir do “...voa
livre ave.” O fragmento que eu tinha da Posição
era:“... sentado, abertas...”. Então,
coloquei isso sobre a meia pestana e construí o restante da letra, com uma melodia
falada, como são faladas as coisas solenes, religiosas.
Normalmente, eu não vejo nem
busco o-s sentido-s de como uma música se constrói. Mas nos devaneios que me
pegam aqui dentro do apezinho, essa meia-pestana sobre a qual coloquei a letra
é muito como a imagem que tinha tido uns dias antes e que tentei falar aqui no
Blog Azul, sem conseguir direito, mas uma idéia que situo no meu quarto de
dormir. Um lugar onde se colocar e de onde dar partida. Eu tentei falar disso
em minhas últimas postagens e acho que isso começou, quando o Diêgo voltou do
Peru e esteve aqui em casa pra me trazer aquela miniatura de brinquedo de
máscara de ritual Azteca.
Eu tava dizendo pra ele da minha
dificuldade em tomar uma posição. Em outras palavras, eu disse que recebia as notícias
de uma forma obtusa e, aí, não conseguia achar no espaço que ela abria pra mim,
um ponto de onde eu pudesse começar a me mover, dar minha partida. Daí, achei
que essa meia-pestana é meio a realização da imagem de que estou tentando falar
há um tempo aqui nas postagens curtas do Blog Azul e que nos devaneios aqui
dentro do apezinho, localiza-se no meu quarto de dormir.
Posição
Sentado, abertas
As duas arregaçadas para os lados
com os pêlos cheios de energia
Os bagos derramados
Cachos assanhados de alegria e os
cabelos em fúria
Sentado abertas
Os músculos curvos das pernas
entornados com viço
Peitos empinados, coração forte
Nada de medo, nada de fim
Muito tempo e muito espaço voando
Sentado abertas
A posição sustenta a forma
Exu parado com força, sustento o
céu, sustento a cidade, a rua.
Nos De Casa em Casa que fizemos no primeiro semestre desse
ano, arrumamos o cantinho da sala ou varanda ou quintal em que tocamos, o nosso palco, além de com o Tótem e a maletinha que fizemos para os livros e discos, também com uma Vizinha de Trás, que deixamos de presente para o amigo da sala.
Hoje, mexendo aqui na estante, descobri que tenho o Certificado de
Autenticidade da Vizinha que deixamos com o Alexandre, quando tocamos em sua varanda. É uma de minhas primeiras, do ano de 2014.
Nesse show, foi a primeira vez em que tocamos a Inferno(luís
capucho/Marcos Sacramento). E que adorei demais, depois, no vídeo que Pedro fez.