quarta-feira, março 17, 2010



No sábado, eu e Pedro fomos tirar umas fotos do Cinema Íris.
Era de noite e a rua muito escura.
Na esquina um carro de polícia, policiais armados e um homem sem camisa virado para uma parede, imóvel.
Aí, em frente ao cinema, a máquina não funcionou e fomos embora.
Atravessamos uma parte da Rua da Carioca, totalmente, sem luz e, em frente ao Mosteiro de São Bento, Pedro experimentou a máquina, que voltou a funcionar.
Voltamos pela escuridão.
Pedro fotografou.
E, amanhã, eu, Baiano, Pedro e Sacramento, faremos uma audição final do bichano para, finalmente, darmos um cheque-mate!

terça-feira, março 16, 2010

Comecei minhas aulas, ontem.
Eu gosto muito do clima de escola.
A professora falou com todos os esses de plural, usou os pronomes relativos cujo, cuja, os quais, as quais, usou palavras como metalinguagem, epilinguística, homem de neandertal, tudo com a normalidade que a gente não vê comumente nas falas das pessoas nos pontos de ônibus, nas quitandas ou nas padarias.
Estou com preguiça de fazer comida. Vou comer um PF na rua.
Fui.

sábado, março 13, 2010

Carta para o amigo de infância:

Chapeuzinho vermelho disse:
- Não me enrole, não me enrede, não me coma!- ao que a voz do caçador entrando na palhoça gritou, arma em punho:
- Sai do enredo, Lobo Mau! Saí do enredo Lobo Mau!- e o lobo, então, respondeu com sua voz troante:
- Não saio desse enredo por nada. Não preciso sair. Cada um de nós tem a sua maneira. Eu, por exemplo, tenho as minhas intempéries, tenho as minhas esquisitices- e, aí, o lobo troou mais ainda a sua voz:
- E vou comer todos dessa palhoça! Yaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
E devorou tudo sorrindo...

quinta-feira, março 11, 2010

Ontem, Pedro me telefonava da rua, quando andando em sua direção vinha o Baiano.
- Ta vindo o Baiano, peraí- Pedro falou.
- Com quem você está falando?- ouvi o Baiano perguntar.
- É o Luís. Quer falar com ele? – e Baiano pegou o telefone.
- Parabéns, Luís! Seu disco ficou pronto! Vamos marcar um dia da semana que vem pra gente ouvir junto, fazer os últimos retoques, que são moles e dar os trabalhos por encerrados.
É isso, bom leit@r.
Agora, é o resto...
Que coisa!

quarta-feira, março 10, 2010

Então, depois de ter estudado para a prova e já inscrito nas disciplinas, estou às voltas com o Ateneu. Como disse, não é um livro em que fluímos de primeira. Terei a vida inteira para entrar, se quiser, conscientemente, pra dentro de seus muros.
Sei que entro, ainda na primeira leitura, mas entro à distância, passo por sobre o pátio ensolarado e cheio de garotos de todos os tipos, ricos, imperiais, fortes, machos, femininos, grandes, magros, feios, gordos, gostosos...passo como os papagaios deveriam passar, selvagens, àquela época, gritando à distância, no céu.
Faço zumbidos às orelhas do Sergio, feito um inseto tonto, mas suas perspectivas interiores me escapam um pouco, ta se ligando bom leit@r?
O rapazinho é um aristocrata, no Rio do século XIX.
Dou-me o desconto...

terça-feira, março 09, 2010

Aí, o casal combinou o programa, levantou do banco e se foi.
E Pedro não chegava.
Olhei pro outro lado da praça e tinha um sebo.
Andei até lá e logo na primeira fileira de livros velhos tinha uma pobre edição d’O Ateneu, de Raul Pompéia:
- Quanto é?- perguntei pro rapaz que atendia.
- É um real- comprei.
O livro ficou um tempo largado na casa, porque, logo depois, comecei a estudar pra prova da UFF.
E, coincidentemente, numa das apostilas em que estudei, sobre a história da leitura no Brasil, havia a informação de que Abílio César Borges, o Barão de Macaúbas, o mais célebre autor de livros didáticos do período imperial, tinha sido a inspiração de Raul Pompéia para o personagem Aristarco, diretor do Ateneu.
E quis, e, agora, comecei a ler.
Apesar da dificuldade com o vocabulário e ritmo ofuscantes( e acho que é por conta disso que o livro é apenas citado no segundo grau, porque com o vocabulário e ritmo que usamos hoje em dia, não se consegue fluir na estória) estou adorando, silencioso leit@r!
Veja um trecho:
“O tédio é a grande enfermidade da escola, o tédio corruptor que tanto se pode gerar da monotonia do trabalho como da ociosidade. Tínhamos em torno da vida o ajardinamento em floresta do parque e a toalha esmeraldina do campo e o diorama acidentado das montanhas da Tijuca, ostentosas em curvatura torácica e frente felpudas de colosso; espetáculo de exceção, por momentos, que não modificavam a secura branca dos dias, enquadrados em pacote nos limites do pátio central, quente, insuportável de luz, ao fundo daquelas altíssimas paredes do Ateneu, claras de caiação, do tédio, claras, cada vez mais claras.”
No romance, o Ateneu situa-se no Rio Comprido, mas estou vendo da internet que o Colégio do Barão de Macaúbas pode ter sido na praia de Botafogo ou em Laranjeiras: o Colégio Abílio.
É isso aí.

segunda-feira, março 08, 2010

Faz um tempo, eu tinha marcado um encontro com Pedro, no centro da cidade.
A gente foi junto pra lá, mas cada qual iria fazer uma coisa e combinamos de nos reencontrar na Praça do Rink, antes de voltar pra casa.
Terminei primeiro de fazer o que tinha pra fazer e, já na Praça do Rink, Pedro não chegava.
Era por volta do horário de almoço.
E uma piranha jovem e bonita sentou-se a meu lado.
Eu sei reconhecer uma piranha e, aquela, em especial, talvez, porque fosse muito jovem, ainda não tinha completada e carranca de piranha e, como um transexual feminino que não guardasse vestígios de macho, não fosse por ter acendido um cigarro, ela sentou-se, absolutamente, camuflada a meu lado.
O meu bom leit@r deve, agora, ter-se, imediatamente, perguntado: e daí que ela acendeu um cigarro, Luís?
Eu não sei, mas o cigarro foi determinante para meu esclarecimento...
E veio entrando na praça um cara de, mais ou menos, a mesma idade que eu e que, perspicaz, sacou qual era a minha, qual era a da moça a meu lado, e dando meia volta, sentou-se, justamente, entre eu e ela.
Puxou assunto.
Fiquei ouvindo o assunto dos dois e a moça, alimentando o interesse do homem, me fez pensar: eu não levaria esse cara pra cama, ele é muito chato...
E o Pedro não chegava.
E esse post tem de acabar, porque não gosto de posts longos. Amanhã continuo...

sábado, março 06, 2010

Estivemos, ontem, no Bar do Turco!
Ficamos falando alto e gargalhando, porque, quando chegamos, peguntei ao turco se tinha uma bebida que não fosse gelada e ele colocou na mesa um vinho delicioso, chileno.
Ficamos naquele papo-cabeça, cujo desfecho foi quando nos intrigamos com uma vagina, que a Simone trouxe pra mesa e que não tinha ficado claro, porque ela tinha vindo parar no assunto. E, isso é digno de nota, apareceu em forma de vagina, não de buceta, silencioso leit@r.
Era uma vagina pequena, sem pêlos, como a vagina de uma criança.
E, aí, o Ciro começou a se interessar também, porque a Simone falou que não se tratava de criança, era uma vagina adulta, mesmo pequena e pelada.
A Simone ficou explicando, mas, no meio do barulho das idéias e no meio do barulho que vinha das outras mesas do bar, também não era muito claro e a gente não conseguia atinar muito no sentido.
Aí, a Simone disse:
- E se fosse um pênis adulto, pequeno e sem pêlos?- e terminou:
- Vamos embora?

sexta-feira, março 05, 2010

Fui dormir tenso essa noite, porque o pessoal de trás, sem noção, outra vez, ficou bebendo cerveja e dando gargalhada até mais tarde. Às vezes, eles perdem a noção de que moramos num apertado de casas e ficam fazendo barulho na hora de dormir.
E eu sou chatérrimo, bom leit@r! E adoro um sono tranqüilo!
O pessoal de baixo, não reclama, faz uma política de tolerância. Mas, pra mim, o sapo é terrível de se engolir.
E fui lá e chamei a atenção deles para o fato de morarmos muito próximo e já ser bem tarde. Só que eu não sei fazer isso, tranquilamente. Fico muito nervoso com a falta de noção, e, aí, voltei pra cama tenso, me sentindo um cara chato.
Se fosse um dia especial, uma comemoração, algo para o que não se pode ter controle e, aí, incomodar o sono do vizinho, tudo bem. Mas o pessoal de trás gosta de beber cerveja. E gosta de encher a casa de gente pra beber junto. E se ninguém reclamar e virar rotina? No vale, até os botecos fecham cedo. Vai fazer boteco ao lado de minha cama? E a noção, cadê a noção?

quinta-feira, março 04, 2010

Frio ainda, em Nikity!
Outro dia, estive com A no Mercado São José, no centro da cidade, para comer um peixe. Quando sentamos reparamos na mesa ao lado uns gringos acompanhados de umas negras muito bonitas. E a A se lembrou de uma estória em que uma senhora estrangeira esteve, pela primeira vez, com uma mulher negra.
E, aí, A se levantou de sua cadeira e encenou a estória, de modo que eu cheguei a ver a reação da senhora e o modo como a negra ficou, assim, um bichinho que tivesse sob domínio de uma garotinha...a senhora gostou tanto de ver uma negra pela primeira vez que foi como se ela quisesse prendê-la, como uma garotinha quer um bichinho, ta se ligando, silencioso leit@r?
Aí, eu disse:
- Eu me lembro da primeira vez que eu vi um japonês!- e, aí, a A sentou-se de volta à mesa e, como quem me amasse muito, colocou a mão escorando o queixo, abriu a expressão pra mim, como quem fosse assistir à cena e eu, apenas, disse:
- Foi no movimento da rua, na calçada. Ele vinha e eu ia. Eu tinha uns dez anos e ele devia parear idade comigo. Eu fiquei muito entusiasmado...

quarta-feira, março 03, 2010

Frio.
Ontem, pela manhã, fiz a prova que queria fazer.
Mas, aí, fiquei chateado, por que não consegui passar a limpo, no tempo determinado, as respostas para a folha que estava valendo.
Eu tou destreinado, silencioso leit@r. E a escola é cheia de regras.
Demorei a pegar a resposta no tranco, mas depois que consegui dominar a rédea, ela cavalgou feito uma doida pelo rascunho.
Além do quê, todo mundo sabe que tenho a caligrafia sequelada, meu controle motor não é 100%, aí, escrevo um pouco mais devagar. E não deu tempo...
De qualquer forma, amanhã cedo, vou na entrevista, quem sabe?
Tudo é um pouco loco...
Claro que eu fiquei um tanto nervoso, antes que eu conseguisse dominar, encontrar a direção do cavalo da resposta, aí, eu reparei que ela corria sobre a folha pautada num ritmo de onda, assim, desritmada, voando acima das linhas. Estou um pouco loco, pensei.
Quando consegui chegar em casa pra almoçar já era de tarde. Fiquei sem fome...
À noitinha, fui fazer um curso com Suely Mesquita, porque quero aprender a cantar sem tocar o violão. E, outra vez, porque a minha voz é toda torta e, sem tocar o violão, a sensação é de que ela se entorta muito mais, feito uma onda desritmada sem tocar o violão, que é uma linha de chão pra mim, eu sou tímido, e, aí, não dominei a rédea e, como é um curso, orientado por Suely, nas próximas aulas tentaremos melhorar...
Aí, falei com Sacramento pelo telefone e fui dormir.
E adivinhe com quem sonhei?

segunda-feira, março 01, 2010

Acordei sentindo frio.
Aí, peguei um cobertor que enxerguei em cima do que, literariamente, acho que seja um criado-mudo. Mas é uma mesinha com uma gaveta.
E dormi ainda a última onda de sono da manhã.
Sonhei algo que não lembro. Só me lembrei, quando acordei e esqueci.
Levantei e fiz meu café.
Acendi um incenso.
Tomei os remédios.
Caguei.
Dias assim, friorentos, me trazem lembranças da vez em que estive na Áustria.
Que lugar bonito e sinistro, com aquele povo que fala aquela língua esquisita.
Cruz credo, lá de fora, hoje, não vem o grito dos passarinhos.
Vem o barulho das goteiras.
Chove em Nikity.

sábado, fevereiro 27, 2010

Mamãe está no fundo do oceano.
Outra vez, essa manhã, antes de acordar, eu disse pra ela que estava com muita saudade. Então, ela me deu sua mão.
Eu também imagino, Simply Mary, que o fundo do oceano seja o silêncio.
Mas consigo ouvir mamãe!
Na hora em que mamãe foi embora, no ano passado, a Império Serrano estava entrando na avenida com o enredo da Iemanjá. Era uma noite de maresia muito espessa e quem andasse pela orla de Copacabana era como quem andasse embaixo do mar e quem andasse pelas ruas internas de Copacabana, como nós andávamos, eu, Cláudia e Pedro, andávamos feito peixes.
Que saudade!

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Bob veio aqui em casa hoje pela manhã.
Quis que eu abrisse a porta da cozinha para que ele entrasse na área.
Depois, voltou e ficou na porta da sala, deitado de barriga no chão, olhando para a rua.
Minha vizinha de janela veio e levou ele, no colo, pra casa.
Vou voltar a meus interessantes estudos...
O texto que fiquei a ler, ontem, me fez ficar pensando sobre a solidão, que me pareceu algo inexistente, porque a matéria verbal, sendo um instrumento social e porque, ninguém vive sem abrir a boca e, se ficar, não vive sem tecer seus próprios pensamentos, que são, enfim, efeito de se viver em grupo, ta se ligando, bom leit@r, quero dizer que as palavras, mesmo em pensamento, são criações coletivas, daí, ninguém, mesmo que apenas com seus próprios botões, fica livre de estar ligado, se liga...
E eu me lembrei da letra do Cazuza:
“A solidão é pretensão de quem fica escondido, fazendo fita...”
É isso aí!

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

E o oceano, bom leit@r, o que é o oceano?
E o fundo do oceano, o que é, o que é, o que é?
Será a profundidade de minha cabeça, a profundidade de nossas cabeças, mas na superfície, agora, só a marolinha desse meu post?
E o éter infinito da internet, a sua teia, será um aceano inteiro ou será apenas efeito da superfície de seu cosmos, onde essa marolinha de meu post está para morrer, dando lugar a outra marolinha do post de amanhã?
E o cosmos da internet, o que será, o que será?
E onde é que isso fica? Será no meu computer, na nossa cabeça? E se acabar o luz do mundo, onde é que essa luz estará?
E mamãe, cadê mamãe?
É isso aí, silencioso leit@r, vou estudar...

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Continuo com minhas interessantes leituras.
Como efeito de superfície, liguei pra Simone e saí falando:
- Acho que estou entendendo: a fala das pessoas é como uma marolinha no aceano, são muitas as falas e as marolinhas no oceano. As ondas são os discursos mais fortes, os mais dominantes. E um discurso que seja potente demais é, assim, uma tsunami. E tudo é manifestação dele, do oceano, em sua superfície.
-É, Luís, legal! É isso mesmo!- a Simone falou.
Depois, eu fiquei pensando: E o fundo do oceano, o que é o fundo do oceano?

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Acordei muito cedo pra ir ao médico.
Nada demais, bom leit@r. Faço mesmo esse monitoramento habitual, por conta do vírus HIV.
Quando desci minha escada, a vizinha do térreo estava saindo com o neto, que ia para a escola. E, aí, me chamou pra ver ( calma, silencioso leit@r, não era um caminhão carregado de botão de rosas, não). Era uma poça de mijo que escorria pelo portão:
- Ó, Luís, tem alguém que mija em meu portão, veja! – e, aí, tava claro que ninguém tava mijando no portão. Meu olhar, assim, algo policial, logo viu que aquele mijo era do cachorro dela, da vizinha, que vive ali na área, área em que se entra pelo portão. E eu falei no ímpeto:
- Não, não Dona Maria. Esse mijo é do Scoob, veja: ele levanta a perna pra mijar na haste do portão e o mijo escorre pra cá, ó.
- Não, Luís. Não é não- e, aí, a outra vizinha que mora com ela, a mãe do garoto, confirmou:
- Não, não é o Scoob que mija aí, não. É gente! – e foi que eu me lembrei que elas tão sempre reclamando de gente que anda mijando no portão delas. Mas, silencioso leit@r, hoje eu vi. É o Scoob que mija no portão delas. É o Scoooooooooooooooobb!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Acordei sonhando com minha mãezinha.
Hoje faz um ano que ela faleceu.
Ontem, na capelinha de minha rua, fizemos uma missa.
Os meus parentes de mais idade, todos, estão indo embora.

Não tenho a menor idéia do que isso quer dizer.
Também tenho medo do dia de minha morte.
Mamãe ficou assustada.
Ela não me deixaria.

Se eu tivesse como, também não deixaria que ela fosse.
Que mistério!

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Estou avançando em minhas leituras e, como já falei, de outra vez, pra meu silencioso leit@r, fico perdido em meio à matéria verbal dos textos, onde, de vez em quando, me maravilho com a visão de um iceberg e outro.
Como já falei também, a dificuldade é que essa matéria verbal em que os textos estão traduzidos não é a minha linguagem, então, se tento falar sobre o que leio não encontro as minhas palavras.
E, aí, deveria ter começado a ler bem antes que era pra eu poder assimilar melhor e poder navegar ali com facilidade e poder ter as minhas próprias produções também..
E aconteceu ainda, de ontem, eu ter que resolver na AMAR sobre o ISRC de Romena, minha música com Suely Mesquita, que vai estar no meu Cinema ìris e que vai estar num CD-Livro que o Bob Gaulker ta fazendo com as músicas de Suely.
Daí, que não estudei, ontem.
E, agora, vou ler...
É isso.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Ruth me deu uma máquina de escanear, que não cabia mais em seu computer.
Ainda não instalei. Pedirei a ajuda de Pedro.
Quando acordei, reli um dos capítulos de um livro que consegui num sebo próximo à rodoviária. É um capítulo que consta na bibliografia da prova que quero fazer.
Tenho me sentido, junto aos textos pra ler, assim, meio naif, porque eles me parecem ser elaborados demais e têm um nível de linguagem em relação a qual tenho me achado selvagem, quer dizer, embora eu consiga assimilar, compreender, o que está sendo lido, não sei fazer uso daqueles vocábulos específicos, ta se ligando bom leit@r?
De qualquer forma estou sedimentando a leitura, tentando construir um edifício de conhecimento com a minha linguagem mesmo e espero que isso seja suficiente para a prova.
Sei que o universo de matéria a ser apreendida é muito maior do que eu terei tempo pra satisfazer e, às vezes, acho a tarefa impossível, noutras, parece que estou conseguindo.
Por exemplo:
...a concepção do que seja um texto e do que seja sua leitura é condicionada pelo contexto histórico que essas duas coisas se dão, porque o texto e seu leit@r estão inseridos num momento “tal”. Definir esses objetos sem estar condicionado pela cultura do momento de definição é tarefa improvável.
Assim, definir um leit@r hoje em dia é diferente da definição que lhe foi dada antes, se quando houve essa definição.
De outro modo, a matéria verbal de que ele(o texto) é feito é um instrumento social de comunicação determinado historicamente.
Por isso, ler um aut@r do século XIX será diferente, para o leit@r do século XIX, daquela leitura feita desse mesmo texto por um leit@r do nosso século, claro!
Sobre leit@r de blog não há nada na bibliografia.
Talvez, ele seja um leit@r naif, selvagem como o blogueiro que escreve aqui...ó eu definindo...
Que coisa!
Vou pro Pedro...

domingo, fevereiro 14, 2010

Encontrei com minhas vizinhas na fila da quitanda, em frente ao que Pedro tem chamado de meu condomínio:
- E, aí, Luís, animado pro carnaval? – e eu fiquei sem saber o que responder, mas como numa fila de quitanda, nenhuma pergunta deve ficar sem resposta, peguei a primeira que me veio à cabeça e mandei:
- Não tenho mais energia pro carnaval!- ao que uma das vizinhas, e logo depois a outra, pelo mesmo motivo de dever, alimentou o assunto, mas tudo tão sem importância que eu nem mesmo sei o que mais dissemos uns aos outros.
Apenas ficou a impressão, que reparei nos olhares delas, de que somos bons vizinhos, de que nos curtimos e tal, cada qual no mundo de sua casa, ouvindo os barulhos excedentes dos mundos uns dos outros, que atravessam as paredes, e, tudo bem, nada agressivo, cada um na sua, como já falou a Rita Lee.
E, hoje, a gente, eu, Pedro e Simone, deve dar um bordejo pelo carnaval...

Ano passado, nessa época, nós, eu e Pedro, lutávamos com mamãe no hospital.
Claro, eu não tinha nenhuma noção de luta, porque eu estava inteiramente envolvido, muito entregue àquela situação de mamãe na cama alta do hospital e eu não tinha noção de nada, bom leit@r.
Nós estávamos, inteiramente, cegos. Não havia conflito, eu pensava que o hospital era a salvação de mamãe e que ela voltaria comigo pra casa.
Mas depois me pareceu, quando as lembranças terríveis ficavam voltando na minha cabeça, que tinha havido, sim, em mamãe, uma luta. Uma luta que eu não sabia precisar, na lembrança, em que direção ela se dava, porque por um lado tinha a força frágil dela que lutava para sair da situação em que foi ficando na engrenagem do hospital, e do outro lado tinha o seu corpo doente que era, talvez, justamente, o resultado da luta que ela travava para conseguir deixá-lo, ta se ligando, bom leit@r?
No que eu me lembrava, não sabia mais pensar que direção tinha tido, em sua doença, a luta. Se a luta, que se travava, era pra que ela ficasse boa ou se sua doença tinha sido uma luta que se travava em seu corpo para que ela morresse, para que ela conseguisse abandoná-lo. Eu fiquei pensando nisso...
E as atitudes que o hospital tomava eram por demais agressivas, era uma força contrária muito maior que as forças que mamãe tinha pra continuar aqui comigo e, aí, no domingo do carnaval do ano passado, ela foi embora...
Hospital é um troço sem noção, se liga...e a gente nem consegue brigar com ele, porque o hospital, com o seu peso e autoridade, silencia a gente.
Uma enfermeira, com quem eu tinha criado caso, porque demorou a vir atender mamãe numa das vezes em que fui buscá-la, disse, quando mamãe se foi:
- Nós não somos Deus...

sábado, fevereiro 13, 2010

Pedro me chamou pra comer panqueca!
O que ele chama de meu condomínio, silencioso leit@r, está infestado de crianças, que fazem enxame no corredor e gritam e jogam bola, quer dizer, infernal...
Vou tomar um banho e vou pro Pedro.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Eu estava na sala, ventilador ligado, era de tarde, quando as cigarras de meu bairro começaram a gritar alto pra caramba e eu tive um sobressalto, porque parecia que elas estavam na minha sala. Eu ainda cheguei a pensar “nossa, que máximo as cigarras estão!” e estiquei meus olhos pela porta pra ver lá fora, quem sabe eu não conseguiria descobrir uma delas.
E aí, bom leit@r foi que eu saquei que era o meu ventilador!
E me lembrei que minha vizinha de janela tem óleo de máquina de costura e pedi a ela e coloquei no meu ventilador.
Isso é tudo...

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Tem uma galinha gritando no morro...colocou um ovo.
Tem um cachorro uivando no morro.
Tem uma brisa que vem do morro entrando pela casa nessa manhã.
Vou pegar Ruth nas Barcas...
É carnaval!
Já é!

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Não consigo encontrar a bibliografia para estudar pra prova que quero fazer. Nem mesmo na biblioteca da UFF, isntituição que está oferecendo o curso, tem os livros que me faltam da listagem.
Será que esses intelectuais ficaram malucos?
Corri todos os sebos e livrarias de Niterói e somente encontrei um ou outro.
Estive na coordenação do curso e falei disso. A secretária disse que tenho de correr atrás.
Cruz credo!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Sol escaldante sobre Nikity. Faz dias, não chove!
Estou ficando velho, de modo que a borda da sola de meus pés, na direção do calcanhar, está começando a dar sinais de rachadura.
Minha mãezinha também tinha seus pés assim e, uma vez, li que isso era sintoma de um fígado ruim. Acredito nisso, porque vez por outra, mamãe fazia um chá de boldo pra beber.
Que saudade!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

No dia 8 de janeiro anotei o número de visitantes de alguns vídeos meus, que Pedro fez e que estão há um tempo no youtube. Ontem, dia 7 de fevereiro fizemos a contagem e classificação dos bichanos de acordo com as visitas nesse período de um mês.
Veja como ficou, bom leit@r:



1- Algo Assim-de 2796 passou para 2996
2- Lua Singela- de 2683 passou para 2705
3- Máquina de Escrever- de 2371 passou para 2425
4 Céu- de 1286 passou para 1296
5- Romena- de 1266 passou para 1275
6- Peixe- de 1068 passou para 1079
7- Homens- de 883 passou para 897
8- Os Gestos das Mulheres- completa- de 750 passou para 760
9- Velha- de 637 passou para 670
10- Vai Querer?- de 490 passou ara 494
11- Parado Aqui - de 479 passou para 495
12- Para Pegar- de 471 passou para 520
13: entrevista no Mix - de 406 passou para 423
14- A Vida é Livre- de 75 passou para 76


Classificação:

1º lugar- Algo Assim - 200 visitas

2º lugar - Máquina de Escrever - 54 visitas
3º lugar- Para Pegar - 49 visitas
4º lugar- Velha- 33 visitas
5º lugar - Lua Singela - 22 visitas
6º lugar - entrevista no Mix - 17 visitas
7º lugar- Parado Aqui - 16 visitas
8º lugar - Homens- 14 visitas
9º lugar - Peixe- 11 visitas
10º lugar- Os Gestos das Mulheres e Céu- 10 visitas
11º lugar - Romena - 9 visitas
12º lugar - Vai Querer? - 4 visitas
13º lugar - A vida é Livre- 1 visita


Eu concordo que o mais visitado seja, de verdade, o que ficou melhor. E, possivelmente, o meu silencioso leit@r também, mas A vida é Livre, ficou um vídeo lindo!


domingo, fevereiro 07, 2010

Meu condomínio ta silencioso, sem festa de domingo.
Vou lavar a louça, fazer comida e estudar um pouco, quer dizer, ler.
Depois, combinei com Pedro de fazer, finalmente, uma visita a Dona Glorinha.
Continuando as considerações que me tem vindo a partir das leituras que ando a fazer, essa noite, antes de dormir, fiquei pensando nas onomatopéias, silencioso leit@r, porque segundo meus interessantes estudos, as bichanas são signos marginais dentro do sistema da língua, porque não participam das possibilidades de articulação que esse sistema permite, ta se ligando?
E eu fiquei lembrando daqueles meninos que estudaram comigo, meninos que apareceram no meu ginásio e também no segundo grau, que faziam com que eu me sentisse um cara aprisionado, porque, no pátio, eles ficavam contando altas estórias, contando casos que aconteciam com eles e que eles traduziam tudo em gestos e muita, muita onomatopéia, fazendo sons de carros passando, coisas caindo, batidas, lutas, gritos, essas coisas. E que me deixavam mais quieto ainda, mais tímido do que eu era.
Porque aqueles garotos não usavam da língua pra conversar, não usavam apenas das palavras pra conversar. Eles usavam tudo, tudo o que era possível pra rolar a comunicação, ta se ligando, bom leit@r, hein? Eles eram muito, muuuuuuuuuuuinnnnnnto inteligentes!
Que coisa! Marginaaaaaaaaaais!...
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Dar nome pras coisas é um lance que me enche de indecisão.
Nos textos que estou lendo pra prova que quero fazer, há considerações a esse respeito, por exemplo, a de que Deus disse: “Faça-se a luz. E a luz se fez”.
Quer dizer, se Deus não tivesse dito nada, nada se faria, então, o nome e a luz nasceram colados, juntinhos, assim, como dois junto a dois são quatro. E Deus não parece ter tido indecisão alguma, era um tirano pleno...
Minha mãezinha lindíssima, quando me chamou de Luís, colou Luís a mim, mas eu poderia muito bem me chamar Pedro, João ou Marcos. E pela cabeça de minha mãezinha devem ter passado inúmeros nomes, mas ela curtiu Luís e eu gosto de Luís, que ficou.
Daí, conclui-se que, inicialmente, isso não tivesse nada a ver comigo, mas, agora, eu mais Luís é como dois mais dois.
Não é, bom leit@r?
Embora isso seja uma arbitrariedade, e que tivesse sido um capricho, puro e simples, que mamãe tenha me dado esse nome.
E voltando a minha decisão ou indecisão:
Eu demorei um tempo para chegar ao nome de meu novo disco, o “Cinema Íris”.
Mas agora, ainda antes de o filhote nascer, o nome já ta colado nele, como se fosse o próprio. E não tem outro. “Cinema Íris” é o meu disco!
E, depois de tudo pronto será como se tivesse havido um: Faça-se o Cinema Íris!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Sol escaldante, em Nikity.
Acordei tarde, suando, no abafado do quarto.
Com o calor, os meus horários mudaram todos, porque somente vou pra cama mais tarde, quando refresca um pouco. E eu gosto de dormir muito, é meu hábito.
Daí, que tudo mudou de lugar, quer dizer, o tempo.
Ante-ontem, fui assistir ao filme Avatar, com Simone.
Vimos em 3D, num cinema do Largo do Machado. Eu achei lindo demais!
Vou fazer uma comida e, depois, estudar...
É isso.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

A Receita...rs.

Cortar meia cenoura em rodelas bem finas.
Cortar em fatias bem pequenas um pedaço de repolho.
Picar um pedaço de cebola rocha bem miudinho.
Fazer o mesmo com um tomate maduro.
Cortar em rodelas dois ovos cozidos.
Misturar tudo com azeite, sal e molho inglês.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Para o almoço tentarei repetir uma salada que fiz, ontem, e que me surpreendeu de gostosa.
Fui...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Ontem, no que Pedro chama de meu condomínio, teve festinha.
À tardinha, e a festa já atingia o seu clímax, quando a moça do terceiro andar apontou em sua janela e gritou pro pessoal embaixo:
- Ó, esse barulho que vocês fazem aí, está atrapalhando meu sono. Vou descer pra comer churrasco!
- Desce aí, mulher! Pára de palhaçada!- gritaram-lhe de volta, mas ninguém desceu.
E o barulho ficou até tarde, mas não tem mais varado a madrugada, porque nem todos gostam e andaram reclamando.
Eu prefiro ficar quieto no meu canto. Sou preso!
É isso aí, bom leit@r.

sábado, janeiro 30, 2010

Faz vinte anos que deixei de estudar e nem era um bom estudante, mas agora, me veio essa idéia de tentar entrar num curso de especialização. Estou lendo alguns textos, dos que consegui, da lista bibliográfica e fico entre fascinado e desanimado.
Bom, eu tenho ainda um mês de prazo pra ler...
Preciso começar a anotar, talvez, pra que eu vá, de verdade, construindo ou retendo o que tenho compreendido das leituras.
Às vezes, acho que sou um cara meio naif, assim, simples demais, sem paciência pra os raciocínios mais complexos. Embora, se me simpatizo pela complexidade de uma idéia que tenha um texto, eu fico ali batendo cabeça, releio, repenso, tento retê-la, porque achei gostosa.
Mas se eu não consigo nem mesmo um fiozinho bobo de gosto, se a idéia é, a meu ver, estéril demais, sei lá, se eu acho que é muita viagem na maionese, uma viagem a que não alcanço o sentido, eu até termino de ler e tudo, mas não volto mais nela... quem sabe, mais na frente...
Além disso, minha memória, coitada...rs.
De um modo geral, acho que escolhi bem o curso, dentre aqueles que foram oferecidos pela escola.
Vou estudar...

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Sonho muito com minha mãezinha lindíssima!
Outro dia sonhei que estávamos a tomar banho juntos.
Minha mãe não tinha problema algum de ficar nua comigo. Ela gostava de andar pelada pela casa, porque sentia muito, muito calor. Eu, é que desde muito garotinho, ficava tímido de ficar nu pra ela.
Então, quando ela jogava a água morna na bacia, para o banho( porque sou da roça e tomava banho de bacia), não gostava de ficar pelado.
E, nessa noite, sonhei que me deitei junto a ela, em sua cama, e fiquei estudando.
Daqui a pouco, depois que eu almoçar, irei me inscrever no curso de Leitura e Produção de Textos.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Matéria sobre o Cinema Íris, no Jornal do Brasil em outubro de 2009

Por Carlos Braga
RIO - Raros são os transeuntes que passam em frente ao número 49 da Rua da Carioca, no Centro, e não entortam o pescoço, discretamente, para ver o que há lá dentro. A beleza do hall, que mistura estilos arquitetônicos do início do século 20, somada à fama de antro de sem-vergonhice, atrai incontáveis olhares de soslaio para o lugar.
Bem, a boa notícia para esses curiosos é que eles poderão saciar (parcialmente) a vontade. No próximo dia 30, o Cine Íris completa 100 anos e vai ter entrada gratuita. Os shows e os filmes, porém (e é aí que entra o parcialmente) serão mais “família”. Os habituais gemidos das produções pornô darão lugar ao silêncio de filmes como Luzes da cidade e Tempos modernos, ambos de Charles Chaplin.
– Também haverá um bolo de 10 metros, que vai ser servido na Rua da Carioca, e shows de teatro de revista com a Companhia de Cida Moraes – conta o dono do Cine Íris, Raul Pimenta Neto, bisneto do fundador.
A festa começará às 10h e irá até as 15h. Depois que prefeitos, deputados e demais próceres partirem, o Cine Íris volta à sua programação habitual: filmes eróticos intercalados por sessões de strip-tease feminino (12h30, 15h30 e 18h30). Quem quiser ficar, terá que desembolsar R$ 9. Pela quantia, pode-se permanecer no cinema o dia inteiro. E há muita gente que faz isso, conta Raul. Por sua estimativa, cerca de 35% do público é formado por aposentados. Chegam pela manhã e só vão embora às 21h30, quando o cinema é fechado. Como frequentam o estabelecimento diariamente, muitos têm passe livre. Saem para almoçar e voltam à tarde.
– É uma espécie de clube. O curioso é que aqui nunca tem fila na bilheteria – diz Raul. – Antes de abrirmos, às 10h, ficam todos do outro lad
o da rua, fingindo que estão esperando o ônibus.
Três filmes revezam-se durante o dia no telão. Os poucos espectadores (Raul calcula que são 400, ao longo do dia) não parecem muito interessados na película. Dispersa pelos 330 lugares e pelo balcão superior, a maioria anda incessantemente pelos corredores. Subitamente, parecem achar o que procuram e sossegam por instantes em alguma poltrona. O entra e sai do banheiro também é frenético. Talvez porque no local se venda cerveja (R$ 2,50 a lata).
– O público daqui é muito variado. Há gente idosa e jovem, executivos e office-boys, gays e heterossexuais – conta o produtor artístico do Cine Íris, André Amabile. – Cada um vem em busca de alguma coisa. Mas nunca tivermos problemas.
O show erótico é anunciado ao som de Love Theme, de Barry White. Os spots das laterais do palco são acesos e um globo de espelhos começa a girar, pendurado no teto. Cada moça se apresenta durante o tempo de duas músicas, escolhidas por elas mesmas. Como apoio para a apresentação, uma cadeira branca, de plástico, posicionada em cima de um tablado vermelho no palco. Até a última sessão, 19 garotas se apresentam (cinco na primeira e na última e nove na segunda). Ganham R$ 150 por semana. Basicamente, desfilam em roupas exíguas na primeira canção e livram-se delas na segunda. Algumas descem até a platéia, outras preferem evoluir nos postes instalados nas laterais do palco. O público assiste às performances respeitosamente e as aplaude no fim.
– Nunca houve caso de espectadores agarrarem as meninas – garante Raul.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Uma das casas de meu vale, incendiou-se, ontem.
A rua, o pedaço entre minha casa e de Pedro, ficou um reboliço, segundo me disse minha vizinha de janela.
Eu, bom leit@r, não vi. Fiquei quieto no meu canto.
Fiquei fazendo uma comidinha, enquanto torcia para que ninguém estivesse em perigo.
Depois, Kali me ligou e disse que o Dudu, que há um tempo, era um de meus silenciosos leit@res, e que gostava de deixar comentários aqui, morreu.
E que farão um tributo a ele em Botafogo.
Dudu era guitarrista.
Vou almoçar...

terça-feira, janeiro 26, 2010

Hoje de manhã, eu estava pelo centro da cidade de Nikity, onde morei na década de 80.
Claro, tudo está muito mais bagunçado do que antes, e vi que muita casa velha, incluindo a que morei, que eram casas imensas, foram demolidas e seus terrenos foram transformados em estacionamentos.
Imagino, que todo o centro de Nikity, quer dizer, todo o lado norte do centro da cidade, vá ficar muito, muito feio e que, a partir daí, ficará bonito outra vez, porque construirão prédios novos.
E é uma pena que ao invés de conservarem as casas velhas, estejam destruindo elas.
Fiquei pensativo: sim, bom leit@r, essa é a minha geração, ta se ligando?

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Manhã deliciosa de janeiro.
De quando em quando, uma onda de brisa suave e fresca atravessa minha casa toda aberta. Dorinha veio...
Ruth e Pedro vieram aqui no sábado.
Fizemos uma comida deliciosa e, depois, Pedro convidou para vermos uma peça em Copacabana.
Fomos.
Ruth não conseguia ler as palavras embaixo de um logotipo, escritas no papel da peça. Pediu que eu lesse, mas não consegui também. Pedro já subia a escada para dentro do teatro.
- Acho que só os jovens leriam isso, Ruth! – eu disse.
- Não sei...será? – e no saguão, onde estávamos interrompi um rapaz, parado. Pedi que lesse pra gente e ele leu, imediatamente.
Que coisa! Vou tomar banho!

sábado, janeiro 23, 2010

Eu estava ainda no cochilo delicioso da manhã, quando embaixo de minha janela alguém começou:
- Ôooo, de casa! – e, claro, eu não iria deixar minha madornazinha para atender ninguém, nessa hora.
E fiquei quieto, na cama sob a janela.
Só que o Scoob, que mora embaixo de minha vizinha de janela, onde mora o Bob, começou a latir. E, aí, comecei a sair da preguiça.
E continuava:
Ôoooo, de casa! – era uma voz indefinível, que eu não conseguia distinguir, entre um rapaz e uma mulher velha.
E minha vizinha de baixo, atendeu e conversaram, mas os latidos do Scoob não me deixaram saber do que se tratava e, também, se era uma velha ou um cara.
E logo, as vozes ficaram abafadas, porque entraram para dentro da casa da vizinha.
Mas, aí, eu já tinha perdido minha madorna.
Eu estava muito curioso, porque a voz era muito simpática, era uma boa voz, voz de gente bacana, sem tensão.
Eu estava na cama e continuei, quando bateram em minha porta, ficou batendo...
E, bom leit@r, no humor da manhã, fiquei com raiva, porque, se tem uma campanhia, porque batiam?
Aí, eu fui abrir, tenso, e a velha era o rapaz da dengue.
E ele, quando entrou, achou uma larva na minha área.
E, aí, pensei que fosse ser multado, mas ele emborcou a vazilha que tinha a larva sobre o vaso de planta e foi embora.
Sim, foi isso.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Nós estávamos em frente ao prédio de minha vizinha de janela, à noitinha, quando ela mostrou-me o céu pro lado do final de nosso vale:
- Olha a tempestade!- e aí, despontando sobre o morro, vinha uma nuvem negra.
Que a ventania fez passar sobre o vale, refrescou tudo e se foi.
Isso durou o tempo de eu subir minha escada e pronto.
Acabou a luz e não choveu.
Aí, o vale ficou muito mais bonito, sem luz, porque o silêncio ficou outro.
E no céu apareceu uma meia lua, mas logo veio a ventania, outra vez, e encobriu a bichana com outras nuvens.
Acendi umas velas, fechei um pouco as janelas e porta, e fiquei curtindo a casa, que parecia uma casa na roça.
E fui pra cozinha, coloquei as velas sobre uma bancada ao lado do fogão e, aí, fiz o meu delicioso café, pra tomar no escuro.
Aí, caiu um temporal e eu fiquei pensando na vida...

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Ganhei um unicórnio alado da Karine, que pendurei em minha parede do quarto.
Os unicórnios originais, fiquei sabendo, tornavam-se presas fáceis, se houvesse, por perto, uma virgem qualquer, a que eles se subjugavam dóceis.
Mas o meu unicórnio alado, negro, de asas, rabo e chifre dourados, assim, uma elaboração de pequeno Pégaso e ofuscante unicórnio, sei lá, não tem nada a ver com pureza virginal.

Ou pureza original...
É um unicórnio Kitsch, que adorei!
E deve ter grande sentido, que vou saber...ou vai saber...ou sei láááááááá´´aá´´a...
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Comecei a estudar, porque quero conseguir entrar num curso de especialização em produção de texto, na UFF.
Além disso, li Inferno de Strindberg, presente de Valfredo, e adorei, porque o tempo inteiro da narrativa considera-se o mundo dos mortos.
É mórbido e é louco, mas achei muito legal.
Seus passeios pelas aleias do cemitério de Montparnasse, em Paris, me fizeram companhia.
Agora, me interesso por um outro dele: O Filho da Criada.
É isso, bom leit@r.
Fui.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Preciso fazer uma comidinha pra mim.
Quando estive no aniversário de Bob, no apartamento de minha vizinha de janela, uma de suas amigas disse:
- Você é muito elegante, Luís. Você faz sua própria comida!
- ? – respondi.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Combinamos o show no Bar Do Turco, para o dia 5 de Fevereiro.
Estivemos lá na sexta-feira, comemos um Beirute e tomamos uma cerveja. Era uma noite fresca e havia um rapaz fazendo um show cover.
Pedro pegou o flyer(clique nele que ele cresce):


quinta-feira, janeiro 14, 2010

Faz, mais ou menos, um mês, ouvi múltiplos estrondos vindos do teto de minha casa.
E, imediatamente, a moça, que mora no terceiro andar do prediozinho em frente, gritar para o outro lado, para a rua de trás:
- Ô menino, pare de jogar essas mangas prá cá, você está quebrando as telhas! Pára! – e ainda ouvi uns outros estrondos e me inclinei na janela, quando a moça do terceiro andar gritou pra mim:
- Ò, os meninos lá da outra rua estão jogando mangas enormes sobre sua casa!- e realmente, tinha uma manga enorme, rosada, mas ainda verde, dura, que atravessando por sobre o teto, caiu na área de minha vizinha de baixo.
E os estrondos pararam.
E, hoje, acordei pensando nisso. Se tudo tem um sincronismo, um sentido, uma ligação de significado, o que me quiseram dizer as mangas explodindo sobre o meu telhado?
Que coisa!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gosto muito quando começa esse verãozão, trazendo lembranças muito legais, que o tempo frio nunca traz pra mim.
Eu não tenho domínio sobre a minha cabeça, de modo que nunca sei o que vai me vir à lembrança, quando, por exemplo, no meio do espesso bafo de calor que se prende no meu quarto, uma finíssima, assim, transparente brisa, vem refrescar minha memória e corpo suado.
De um modo geral, me vem a antiga alegria das férias escolares, brincadeiras sob as árvores na beira do rio, pescarias, banhos, noites frescas de calor em que ficava até mais tarde acordado brincando de pique na rua, gritaria de meninos na calçada, caminhadas subindo morros e refrescando-se na ventania, frutas, peixes, passarinhos, tudo, tudo muito rápido, as lembranças em fios, efêmera, nada presa, muito solta e não fica, de modo que nem sei se me lembro direito e o que me vem, mesmo, é a sensação muito boa do verão.
Assim, quase um esquecimento, ta ligado
, bom leit@r?

terça-feira, janeiro 12, 2010

Minha vizinha de baixo perdeu sua chave de casa, ao ir na rua comprar umas coisas de que precisava. E bateu aqui em casa pra me pedir ajuda.
Já veio com o plano completo, só precisava que eu tivesse um cordão, em que amarrasse um gancho que tinha e que através de uma abertura em um dos caixilhos do basculante eu destravasse a janela.
Depois, com a janela aberta, eu entrasse através da grade e ganhasse sua sala, onde havia uma chave, numa caixinha na sua estante.
Fiz. Aí, ela me deu um abraço, agradecido.
Que coisa!

segunda-feira, janeiro 11, 2010

corrigindo...

Na verdade, não criamos o Fã-clube de que falo abaixo. A gente encontrou ele e começou a ocupação... he he he!

Bar do Turco

Ante-ontem, estivemos no Bar do Turco, um bar que tem aqui na minha rua.
È um bar muito simpático, over, como são os antiquários, mas o que tem de badulaques, de bugigangas pelas parede e balcões, não sei, se são antiguidades ou se são coisas curiosas e multinacionais.
São tantas coisas que não reparei...
O turco nos recebeu super bem, dizendo que não reparássemos o seu bar, que era um bar simples(imagina!) e nos levou para dentro do balcão pra bebermos uma cerveja e conversar.
Aí, eu perguntei da possibilidade de fazer um showzinho autoral lá.
- É só marcar- ele disse.
E iremos ver uma data em fevereiro.
Chamei o Marcolino pra tocar comigo e ele topou.
Mais na frente, Pedro vai me ajudar num flyer, e vamos tentar bombar o Bar do Turco.
Fora isso criamos um Fã-clube pra mim, pra divulgar o Lua Singela, o Cinema Íris, Cinema Orly, Rato, tudo.
O bom leit@r que quiser participar,
clique
AQUI!

sábado, janeiro 09, 2010

Letras do Cinema Íris

1- A Música do Sábado-( ISRC-?)- Luís Capucho/ Kali C.
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino

Poucos fazem como faço
Que estou sempre na beirinha
Daqui pra lá não existe mais fundo
Daqui pra lá não existe meu mundo
Daqui pra lá é o fim

É a maluquice
Eu ando com mamãe na lua cheia, na noite vazia
Uma jovem bicha triste
Mendiga um trocado pra comer biscoito
Penso um pouco
Olhando para o mar, olho para o vazio, olho para mim
Olho pro rapaz sentado esperando
Olho para o fim

Daqui pra lá não existe mais fundo
Daqui pra lá não existe meu mundo
Daqui pra lá é o fim

Vejo calças arriadas no banheiro do Rex
Há pessoas que não ligam para o que dizem
Outras são paranoicas e vigiam o mundo
Quer dizer, a vida fica insuportável
Mesmo assim ninguém quer morrer, eu acho
Um homem aprecia de longe um cachorro de porte soberano
Caminho mais um pouco na beirada onde estou
Tomo os remédios e continuo
Da beirada vejo o ceu aberto
Passo entre homens inchados e sujos
Sentados no jardim
Ando até minha casa
A música do sábado à noite
Me derrete sozinho na cama

Daqui pra lá não existe mais fundo
Daqui pra lá não existe meu mundo
Daqui pra lá é o fim.


2- Atitudes Burras-( ISRC-?)- Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados - Paulo Baiano

As atitudes burras das pessoas

Me fazem distrair
Enquanto espero ser atendido
Outras pessoas não param de chegar pra ser atendidas
E vão ficando cada vez mais burras sentadas nas cadeiras esperando
E eu vou me distraindo
Pequenas atitudes burras vão se repetindo

Sinal que a natureza das pessoas não é pra esperar
A natureza das pessoas não é pra ficar sentadas esperando

Vi um rapaz inteligente que foi embora
Uma mulher começou a reclamar brigando
A senhora de cabelos brancos tremeu
A criança teve que beber água
Não havia animal por perto
Era um dia bom de inverno
Mas a máquina burocrática
Que provoca as pequenas grandes atitudes burras é tão terrível
Terrível como um assassinato

Terrível como um sequestrador
Terrível como a cela da prisão
Como um furação como um vulcão
Terrível como um homem-bomba.



3- Ceu-( ISRC-?)- Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni
Harpa- Cristina Braga - participação especial

Se eu não te beijo é como astrologia sem ceu

eu posso até criar asas, mas eu não vôo
eu posso até criar asas, mas eu não saio do chão
sexo sem beijo é solidão

Se eu não te beijo é como poesia sem ceu
eu posso até criar ritmo e verso, mas fica frio
eu posso até criar crina e rabo, mas não cavalgo
eu posso até criar crina e rabo, mas não galopo
pode até crescer chifre e rabo, mas eu não fervo
sexo sem beijo é solidão

Se eu não te beijo é só pornografia sem céu
é pornografia sem ceu, sem ceu, sem ceu

Como posso ser seu anjo, sem o ceu do seu beijo
como posso ser leve como a nuvem, sem o ceu do seu beijo
como posso ser suave como a brisa, sem o ceu do seu beijo
como posso ser azul, sem o ceu do seu beijo
como posso ter ternura, ter doçura, ser macio, ser romântico, ser feliz sem o ceu do seu beijo
sem ceu, sem ceu, sem ceu

Se eu não te beijo é como astrologia sem ceu
se eu não te beijo é como poesia sem ceu
se eu não te beijo é só pornografia, sem ceu
sem ceu, sem ceu, sem ceu.


4- Cinema Íris-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados, samplers e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais e assovios - Marcos Sacramento

A moça que faz streap-tease no Cinema Íris

Sabe deixar o tempo pra trás
Ela avança o corpo nu
E o tempo escoa na beira do rio
Seus movimentos voltam-se suspensos no som
Enquanto homens masturbam-se na neblina do cinema
Ela dança sem importância
No seu olhar nascem estrelas
Nos seus cabelos luz do sol

Homens sentados assistem, velhos mancos
Com uma das pernas decepadas
Homens muito gordos, com barrigas enormes
Homens maravilhosamente magros e altos
Muitos masculinos
Muitos femininos
Jovens com carisma, com charme
Com pernas muito gostosas abertas
Aqueles tinham caras de veados
Homens com caras cabeludos
Homens com caras de bigode
Homens com caras travestidos
Homens com caras de hospício
Homens com caras de mal

A moça que faz streap-tease no Cinema Íris
Streap-tease no cinema
Cinema Íris.


5- A Expressão da Boca-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e Violão- Luís Capucho
Piano- Paulo Baiano
Vozerio- Paulo Baiano, Marcos Sacramento, Pedro Paz

Ando de noite de volta pra casa

Sozinho e perguntando pra mim mesmo
Se sou o tipo de boca aberta
Ou se sou aquele tipo de boca nervosa
Minha boca ta legal
Tiro a pergunta da cabeça sorrindo
Sozinho na rua

Que loucura pode ser é uma delícia
Pode ser uma coisa fácil
Pode ser não entendi

Dobro a esquina escura, ando sem barulho
Detesto cachorro latindo
Se late longe é bonito
Mas de perto ninguém gosta
Quanto ao tipo de boca que eu seja
Depende
De onde eu esteja, do que eu faça
mais um pouco e chego em casa
Se os evangélicos e os católicos estiverem com a razão
Minha alma não se salva
Se onde as almas se salvam está cheio de evangélicos e católicos
É muito pior

Que loucura pode ser é uma delícia
Pode ser uma coisa fácil
Pode ser não entendi

Voltando à expressão da boca
A expressão da boca define a pessoa
A expressão da boca conduz aos outros movimentos dela
A expressão da boca dá sentido para os olhos
A expressão da boca centraliza o sentimento
Fica mais velha
Fica mais moça
Fica boco-moco, fica songa-monga, fica trincada
Revela a pessoa no momento
E também revela a pessoa mais completamente
Fora do momento
É onde sopra o espírito
Sopra o espírito
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá bláBlá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Que loucura pode ser é uma delícia

Pode ser uma coisa fácil
Pode ser não entendi.


6- Eu Quero Ser Sua Mãe-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni
Guitarra- Eduardo Marcolino

Eu quero ser sua mãe

Feito ela ser tão bom
Feito ela ser macio
Feito mamãe ser o seu prumo
Eu quero ser sua mãe
Te fazer vestir a camisa
Te fazer calçar os chinelos
E não esquecer do guarda-chuva
Quando vai chover
Vou pentear os seus cabelos
Eu vou cortar as suas unhas
Quero te pegar no colo, te colocar na cama
Eu quero ser sua mãe
Vou te dar muito carinho
Brincar no teu corpo pelado
Te lambuzar com o meu doce e ficar matando as baratasque venham te comer

Te lambuzar com meu doce e ficar matando as formigasque venham te comer
Te lambuzar com meu doce e ficar matando as baratasque venham te comer.



7- Os Gestos Das Mulheres-( ISRC-?) - Luís Capucho/ Mathilda Kóvak
Voz- Marcos Sacramento
Piano e sinth bass - Paulo Baiano

Tento aprender

Os gestos das mulheres
Tento apreender
O dedo indicador sobre o lábio superior
Quer dizer batom nos dentes
Gemido quer dizer que é bom
Bramido pode ser um pedido inocente
Brandido no ar
Bandeira pode ser
Mostrar pra esconder
Os gestos das mulheres tento aprender
Cruzar um pouco as pernas
Sentar de perna aberta quer dizer que é moderna
Sorrir quando quiser bater
Chorar quando der de sofrer
Tento aprender

Os gestos das mulheres
Como usar seus talheres
Como se postar à mesa
Como passar despercebida e ilesa
Deixando pegadas
Invisíveis no caminho
Que só podem ser seguidas

Por um cego um louco ou um vizinho
Dar muito
Pedir pouco
Tento aprender os gestos das mulheres

Decorar seus deveres
Quem sabe um dia não passo por uma delas
E até consiga que um cego um louco um homem me siga
E me ame de uma vez.



8- O Motorista do Ônibus-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e Acid drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni

O motorista do ônibus disse

A vida é boa cruzando a cidade
Voando baixo pelas ruas
O motorista do ônibus
Ele vai voando sentado na sua cadeira enfeitada
Colorida brilhante perfeita feito rabo de pavão
Suas mãos nas curvas do volante voam pelas avenidas
O motorista buzina ele pára nos sinais
Olhando o trânsito de tanta gente
Ele fica enervado
Fica invocado, empertigado, às vezes ele fica contente
Eu dou razão ao motorista do ônibus porque
Todo mundo deve estar em paz
A vida é boa, a vida é má
E se você tem gosto pra ela
Ela é gostosa.


9- Para Pegar-( ISRC-?) - Luís Capucho


Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni

Não vou pra casa

Essa noite eu vou ficar na rua
Não tenho medo de assaltante ou medo de polícia
Só respeito a lua
Gosto de ver o teu sexo bandeira
Nas sombras, nas beiras
Nas quebradas da noite
A noite está para pegar
A lua ta linda
Seu corpo majestoso
A lua está para pegar
O céu está lindo
Seu corpo majestoso
O céu está para pegar
A noite está linda
Para pegarPara pegarPara pegar
Pára pega pára pega pára pega pára pega...



10- Parado Aqui-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz- Luís Capucho
Teclados e sinth bass - Paulo Baiano

O céu estava azul

o sol tão brilhante
e eu aqui parado penso,
onde vai minha cena
d'eu aqui parado pensando,
onde vai a semana
com tanto acontecimento
com o homem, com a mulher
com a árvore da calçada,
com a sombra da árvore na casa
e o ar parado
e o meu ar parado
sentado aqui quieto cantando
o céu estava azul,
o sol tão brilhante

o céu do beija-flor voar
o sol das janelas abrir
o sol da árvore crescer
da sombra da árvore na casa
e eu aqui parado
vendo você passar na rua rindo me olhando
e eu parado aqui,
sentado aqui quieto cantando
quieto aqui, parado aqui
olhando aqui, pensando aqui

feito um prisioneiro
feito um cachorro preso
feito um peixe no aquário
feito um bicho na jaula
feito o velho na sala
feito a rosa na jarra
quieto aqui, pensando aqui
olhando aqui, parado aqui
sentado aqui, cantando aqui...




11- Peixe-( ISRC-?) - Luís Capucho


Voz e violão- Luís Capucho
Piano elétrico, teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino

Eu vivo sempre no fundo do meu peito

Eu vivo só mergulhado
O céu cai como um mar entre os edifícios
E eu ando na rua embaixo feito um peixe
Ouço sem pensar os ônibus passando
Os carros passando
Resolvo entrar num bar
Você olhou pra mim
Meu coração parou
Peço uma coca
Será o que você viu
Será o que você quer
Eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém assim como você
Alguém que olhe desse jeito
Desses que ficam junto no dia frio.



12- Pessoas São Seres do Mal-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento

Pessoas são seres do mal

Eu sei que eu sou um deles
De manhã tenho acordado cheio de angústia
Mas depois que me acostumo ao dia
Depois que eu me envolvo
Que eu me saturo de maldade
Depois que vou deixando de ser bobo
Depois que fico um cara mais frio
Que, conscientemente, fico um cara mais cruel,
Me sinto melhor.

Pessoas são seres do mal
Eu sei que eu sou um deles
Terá sido por que Eva comeu a maçã
Será mesmo por isso que existe a dor
Terá ficado melancólica como estou
Ficado com olheiras
Ficado muito magra
Ou engordado demais
Ficado depressiva
E quis de novo o gosto de maldade da maçã
Pra dizer nua, outra vez,
Me sinto melhor
Me sinto melhor.



13- Romena-( ISRC-?) - Luís Capucho/ Suely Mesquita
Voz- Suely Mesquita
Violão- Luís Capucho
Piano- Paulo Baiano

Eu vi uma menina romena dançando break

Deliciosa uma mínima romena dançando break
Eu quero ter as maravilhas do mundo
Quero viver nas maravilhas do mundo
Quero comer as maravilhas do mundo
Eu quero ser as maravilhas do mundo.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Eu nem me lembro em que ano foi isso, mas me lembro com saudade da vez em que estive em São Paulo, na casa de Bia e Raquel e comi a comidinha que se faz em Sampa, na casa delas, e fiz uma entrevista para o Mix Brasil e nós, eu Raquel e Bia fizemos um vídeo para o Peixe, que Pedro editou.
Que bom que foi!
Lembrar disso é para mim, uma forma bem legal de engatar, engrenar, enrabiolar, entrançar, entrar definitivamente em 2010, o ano do Tigre, de São Jorge:

Luís Capucho

Peixe

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Minha vizinha de janela pegou sua panela de pressão, que estava comigo, para fazer um caldo verde pros convidados de Bob, que hoje faz aniversário.
Vai ter bolo e refrigerante.
E o apartamento vai se enfeitar de bolas de soprar.
Quando minha mãezinha era viva, fazíamos seu aniversário aqui em casa.
E todos os dias, Bob vinha para ficar um pouco com mamãe.
Que saudade!
E veja que legal, bom leit@r, Pedro está na revista Caras desse mês:

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Ontem, levantei muito cedo para ir ao médico e quando entrei na sala de espera muito cheia de gente, claro, eu não pensava, enquanto adentrava pela sala, em nada do que estivesse ali, meu pensamento viajava por outras pradarias, mas entrevi, umas mulheres, que sentadas esperando, me apontavam para algo no chão, elas estavam meio assustadas e eu, vindo das minhas pradarias internas custei a me tocar, continuei andando na direção em que eu estava, e eu já estava bem próximo a uma delas mais aflita, que me disse apontando aliviada:
- Ainda bem que você não pisou! – e quando eu vi, era um pedaço de bosta humana no chão da sala.
Aí, me encostei na parede a esperar que o médico me chamasse e abstraí. E a cadeira de um cara que esperava pelo médico vagou, mas continuei encostado à parede esperando. Então, o cara reapareceu com uma vassoura e uma pá, recolheu o pedaço de bosta do chão, com uma expressão muito decidida. E sentou, novamente.
E tinha um outro cara esperando que já havia conversado comigo de outras vezes em que estive naquela sala. Eu olhei muito pra ele, porque eu queria cumprimentá-lo, falar um “oi” à distância, mas o cara fingiu que não me viu por todas as vezes em que o olhar dele cruzou-se com o meu. E eu ainda fiz um sinal.
Que coisa...
A assistente do médico me chamou e fui...

terça-feira, janeiro 05, 2010

Comprei uma bacia pra mim.
Eu tinha pensado em comprar uma bacia como aquela em que eu tomava banho, quando eu era um menininho. Era uma bacia de metal, acho que de zinco.
Mas, aí, eu teria de ficar procurando pela cidade um lugar que vendesse daquelas.
Cheguei a perguntar n’algumas lojas, mas não tinha.
Então, comprei uma bacia de plástico.
Estou fazendo, com a ajuda do Baiano, do Pedro, da Ruth, a ficha técnica para o Cinema Íris. Pedi à Paula que fizesse a capa pra mim e ela topou.
Vou mandar pra ela:



CD Cinema Íris
Produção, arranjos, gravação e mixagem: Paulo Baiano.
Direção artística: Marcos Sacramento
Produção afetiva: Pedro Paz
Produtora associada: Ruth Castro

Gravado e mixado no Escritúdio Cobaia, Rio de Janeiro em 2008/2009.
A faixa 3-Ceu foi gravada no Studio Monoaural pelo Gabriel Muzak.

1- A Música do Sábado-( ISRC-?)- Luís Capucho/ Kali C.
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino

2- Atitudes Burras-( ISRC-?)- Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados - Paulo Baiano

3- Ceu-( ISRC-?)-��? ��? Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni
Harpa- Cristina Braga - participação especial

4- Cinema Íris-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
teclados, samplers e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais e assovios - Marcos Sacramento

5- A Expressão da Boca-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e Violão- Luís Capucho
Piano- Paulo Baiano
Vozerio- Paulo Baiano, Marcos Sacramento, Pedro Paz

6- Eu Quero Ser Sua Mãe-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni
Guitarra- Eduardo Marcolino

7- Os Gestos Das Mulheres-( ISRC-?) - Luís Capucho/ Mathilda Kóvak
Voz- Marcos Sacramento
Piano e sinth bass - Paulo Baiano

8- O Motorista do Ônibus-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e Acid drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni

9- Para Pegar-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados, sinth bass e Acid drums - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento e Clara Sandroni

10- Parado Aqui-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz- Luís Capucho
Teclados e sinth bass - Paulo Baiano

11- Peixe-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Piano elétrico, teclados, sinth bass e drums - Paulo Baiano
Guitarra- Eduardo Marcolino

12- Pessoas São Seres do Mal-( ISRC-?) - Luís Capucho
Voz e violão- Luís Capucho
Teclados - Paulo Baiano
Vocais- Marcos Sacramento

13- Romena-( ISRC-?) - Luís Capucho/ Suely Mesquita
Voz- Suely Mesquita
Violão- Luís Capucho
Piano- Paulo Baiano

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Ruth, ontem, me convidou para um churrasco, à tarde, no clube Gragoatá, onde estava sendo comemorado o níver de sua amiga adolescente.
Foi uma tarde agradável, cheia de vento e com um sol muito quente e nós ficamos sob um grande telhado sem paredes em torno.

E teve aquele momento comum em que o pessoal, já meio bêbado, começa a falar mais alto, a defender argumentos absolutos.
Eu, que sou um cara caótico, sempre fico quieto no meu canto.
Mas eu tinha me reencontrado com um colega de escola, que acabou me colocando no assunto e disse pra todos que eu sou lesado, porque eu não conseguia me lembrar das coisas que ele se lembrava.
Que horror!...rs.
Ruth me trouxe de presente um copo para beber cerveja. Eu adorei!

domingo, janeiro 03, 2010

Meu computer, minha conexão, têm, os dois, andado lentos feito cágados desanimados.
Eu também, como já disse, tenho estado possuído de desânimo, embora esteja um domingo lindo de sol e tudo, na superfície da cidade, seja alvissareiro, esperançoso, alegre, sem dispor algum para voltar-se pro fundo.
Ontem, como hoje, fez outro dia, assim, lindo. E eu e Sacramento decidimos dar uma volta por Charitas, onde nos refestelamos diante da beleza dos sacos de mar da Baía da Guanabara e ficamos a conversar.
Ficamos por lá até que a noite se fechasse inteira sobre a cidade que ficou pontilhada, ao longe, das luzes pulsantes.
Então, o meu bom leit@r imagine a pressão: o mar pulsando, as luzes pulsando, a gente, as pessoas pulsando na beira do mar, tudo, tudo, tudo, mas nada explodiu.
E, nós, a despeito da grande pressão, estávamos leves feito dois pardais ciscando na areia da praia.
Num momento, olhando o mar inchado, de um azul profundo, o Sacramento disse:
- Você sabia que uma das principais causas do buraco na camada de ozônio são as milhares de vacas peidando pelos campos do Brasil?
- Mas, Sacramento, será possível!?? Eu não acho que seja!
- É, sim, Luís! – ele disse. Sacramento sabe tuuuuudo!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

sábado, janeiro 02, 2010

Dona Glorinha, que morou embaixo de minha vizinha de janela, onde, hoje em dia, mora a família do menino pra quem ensinei matemática, mandou-me pedaços dos bolos que fez para as festas de final de ano.
Eu e Simone passamos o Ano Novo na casa do Sacramento e quando viemos embora, pela manhã, vimos que o carro dela tinha sido arrombado.
Tenho estado desanimadaço.
Preciso me encher de animação, mas essa invenção de recomeço, que se fez no calendário, trouxe pra mim, mais uma vez, a morte de minha mãezinha e isso me desanima muito.
Bem, mas vamos em frente...