Quando fizemos o disco foi
bem artesanal, tantoque só haviam as cópias físicas, em cd, e por um tempo
mantivemos assim, rolando...As pessoas que participaram da feitura deste álbum
através da campanha de crowdfunding da Variável 5 receberam em casa suas
cópias, e vizinhas de trás, e livros. Outras pessoas também foram comprando o
cd, ganhando de presente, ou copiando e botando no youtube. Paramos outro dia para colocar nas lojas, em tudo, e hoje
você pode encontrar em todas as plataformas digitais, fazer download, ouvir no
youtube, e tudo. (FC)
Dessa vez, nossa apresentação do Poema Maldito, ao vivo, no
Bar Semente vai ser no talo: eu e Felipe. O silencioso leit@r sabe, tenho uma
teoria, uma de minhas improváveis teorias, de que os lugares são nômades, por
exemplo, outro dia, passando ali por aquelas ruas velhas da Gambôa, vi que o
Veadinho - Veadinho é o nome de uma roça entre Cachoeiro do Itapemirim e Marapé
– estava na Gambôa. O Veadinho não existe mais no Veadinho, leit@r. Quando
estivemos em Marapé, para as filmagens do Peixe, vi que não estava mais lá. Eu
sei que a Gambôa não tem clima de roça, mas o clima do Veadinho também não era
de roça, o clima que me chamava atenção no Veadinho era aquele horizonte de
casas velhas na beira da estrada. E essa atmosfera está agora na Gambôa, ta ligado?
Estou dizendo isso, porque já disse algo parecido com relação às músicas, quer
dizer, leit@r, as músicas vão se transformando também, vão se ajustando,
apertando as tarrachas e é possível que elas sejam mais belas quando ainda
frescas e é possível que sejam mais belas, quando mais velhas e ajustadas.
O certo é que esse show vai ser mais no talo: eu e Felipe.
Fui.
O Poema Maldito é uma turma enorme, desde as pessoas que
participaram do crowndfunding para sua prensagem, até a simbologia de infinito
interno, no tótem que Alan Lanzé nos deu e que estrearemos no show do Bar
Semente, dia 9 de outubro.
E como para dentro do tótem está o infinito e pra fora dele
também, para a divulgação de nossa reapresentação no Bar Semente, na Lapa do
Rio, a gente se colocou dentro dele, porque somos um clã, e apenas se
reconhecer nele é o suficiente para já ser e ser nóis, quer dizer, silencioso
leit@r, a gente adorou essa idéia da profundidade dentro do tótem do Alan, que
a gente já estáva vendo na superfície de minha camisa de fazer show, cuja
estória, contei pela primeira vez aqui, no Formigueiro, com Felipe Castro:
domingo, setembro 27, 2015
Para o próximo show Poema Maldito,
minha camisa de fazer show foi presenteada com uma segunda patente, uma escama
de Pirarucu. A primeira patente, o silencioso leit@r sabe, foi dada por Ruth Castro e,
segundo ela, é uma patente usada por Prince, do Prince e agora minha. Sendo
assim, o leit@r sabe, além de eu ter uma escama que caiu da roupa de Netuno – Ney
Matogrosso quando filmava conosco o doc Peixe - Fish - agora tenho
uma escama de pirarucu, dada por Rafael Saar, o diretor do filme.
Além disso, um pouco na mesma onda de trabalho em processo, vamos estrear no
próximo show, o tótem Poema Maldito, presente do artista Alan Lanzé.
O Poema Maldito seremos eu, na voz e violão, e Felipe Castro, no baixo ou
guitarra.
A produção é de Pedro Paz.
Os gatinhos de Pedro' é uma música onde há a citação
aleatória do que me veio à cabeça na hora de compor. Eu sempre tenho muita
dúvida com minhas letras. É diferente, quando musico a letra de um parceiro, em
que minhas dúvidas concentram-se apenas nas melodias. Eu adoro quando dizem que
sou poeta e acho que faço um pouco de charme, quando digo que não sou. A gente
não sabe sozinho o que a gente é, então, é bom que se considere o que é dito da
gente.
Sei que uma música não precisa de uma explicação que vá
fazer com que a gente entenda ela melhor, assim, que a gente entre mais no seu
segredo. Eu mesmo, quando ouço Os gatinhos de Pedro não considero nada do que
me motivou para que eu a fizesse. Para mim, ela é uma viagem que independe da
viagem que fiz para que ela nascesse. Por exemplo, eu tenho pensado sempre na
sua geometria, quando a ouço. Tem uma geometria melódica, mas eu fico pensando
no que a letra dentro da melodia, cria de imagem geométrica. E pra mim é sempre
uma revelação, quando aparecem esses círculos e triângulos e retas e linhas e
tal. Esse é um segredo da música que não era consciente pra mim na hora de
fazer...
Fui.
O tótem- Poema Maldito que o Alan Lanzé ta construindo pra
gente, está começando a ter uma cara mais definida, embora o Alan tenha dito
que sua idéia é a de que ele seja mais ou menos como a estória da camisa de
fazer show, então, ele vai se definindo para sempre, ao sabor de nossos
desejos.
Vejam:
quinta-feira, setembro 24, 2015
Acontece algumas vezes de nas conversas com os amigos – e o
que eles vão dizendo vão me dando visões e tal - acontece algumas vezes de as
visões virem acompanhadas de um ímpeto, assim, de um entusiasmo em dizê-las,
aí, silencioso leit@r, no supetão, quando eu vou dizer o que eu vi, não há o
que dizer, porque não consigo mais achar o caminho de palavras até a visão que apagou, ta
se ligando?
Também, se me ligo, fico achando que o esforço físico que
devo fazer para que minha voz de barítono floresça os assuntos, que devem ser
ordenados numa sequência qualquer de sentido, acabo preferindo deixar as visões
soltas só pra mim, sem palavras como um fogo frio e azul, no meu último lugar,
o mais alto e o mais fundo, que apenas eu posso olhar.
Eu e Marcos Sacramento estávamos nos embriagando num fim de
semana à noite, no bar do Biriba, em Papucaia. Eu tinha ido ao claustrofóbico
banheiro, era tudo muito escuro e fedia. Tinha uma abertura na parede, um vão,
que, enquanto mijava, eu olhava prali, como alternativa para escapar.
Depois, quando voltei pra mesa em frente ao bar, na
calçadinha, escrevi num guardanapo: os mundos são mais belos quando olhados
pelas janelas. E, aí, bom leit@r, fomos completando a poesia, Sacramento fez um
verso, me passou o papel e fomos inventando. Depois, em casa, fui fazendo a
melodia, porque as melodias a gente vai fazendo, embora elas sejam um bloco só,
tão se ligando, generosos leit@res?
Chamamos a música de Homens Flores.
E, ontem, quando cheguei em casa e vi o Bruno cantando ela
no vídeo que Pedro descarregou de seu celular no meu computer, ele cantando no
Cine Jóia com o Exército de Bebês, foi como se eu entendesse tudo, o
significado da hora em que ele abriu os braços, a música de pastor semeando
vida sobre as colinas que é homens flores .
Vejam:
Homens flores
(luís capucho/marcos sacramento)
Dm Am G Dm
Os mundos são mais belos quando
olhados pelas janelas
Am G Dm
E as colinas estão repletas de
homens fortes
Am G Dm
E eu olho pra elas porque elas
são o mundo inteiro
Am G Dm
E eu olho pra eles porque eles
são o mundo inteiro
Am G Dm
E eu olho pra elas por que elas
são o meu terreno
Am G Dm
E eu olho pra eles porque eles
são o meu terreno
Am
Onde eu vou plantar
G Dm
Onde eu vou plantar
Am G
Flores e homens
Dm
Homens e flores.
segunda-feira, setembro 21, 2015
Para o filme Peixe, Rafael tinha me pedido o que eu tivesse
de coisa guardada de shows antigos. Não tenho quase nada, mas entre os que
tenho, tinha uns rolos de fitas, numas caixinhas, que lhe dei e, ante-ontem,
ele trouxe digitalizado um deles pra eu ver. Caralho, leit@r, foi emocionante
demais pra mim! Eu e Pedro assistimos, ontem. Era uma fita em que a Bia fica um
tempo conversando com uma égua querida, que tem um potro, enquanto a Babi fica
ali rodeando, querendo morder os cavalos, latindo, e, aí, a Bia anda um pouco
de cavalo e depois tenta fazer a amizade de Babi com os cavalos que gostam
dela, mas a Babi, no colo da Bia, se estremece toda a cada cheirada da égua e a
Bia não consegue.
Eu sei que o que vimos e que disse aí acima pode não ser de
interesse, a não ser da Bia e da Babi e da égua e tudo. E sei também que o que
vem a seguir, igualmente, pode não ser de interesse, mas já é, porque está
documentado e tem aqueles que bucam nos documentos um sentido para a vida ou um
sentido para o que quer que seja e tal e, talvez, seja esse o sentido do Rafael
para o doc Peixe.
O fato é que quando isso acaba, começa a rolar o primeiro
show que fiz, depois do “acidente”, leit@r. Era um bar em Botafogo de que me
esqueci o nome e os amigos estavam todos lá. Éramos eu, Ricardo Gilly nos
violões e Rodrigo Bucair na percussão. E tinha as participações de Bia
Clemente, Lucinha Turnbull, Kali C., Jeff, Marcos Sacramento e Mathilda Kovak.
O emocionante é o cerco que os amigos fizeram em torno ao
“acidente” que deixou que eu ficasse aquele gravetinho, com aquele corpinho de
barata, delicadíssimo, com a voz arrastada e as munhecas quase a não conseguir
tocar uma guitarra preta que colocaram no meu colo. Além disso, a beleza em que
tornamos as músicas que tocamos, todos muito na onda do acontecimento, de meu
show no bar em Botafogo, cada qual profundamente na sua e, aí, eu queria
aproveitar para agradecer profundamente a todos, porque eu estava tão
ensimesmado na ocasião, que nem fiz isso.
sábado, setembro 19, 2015
"Quando um artista entra em cena ele carrega o
estandarte da sua ancestralidade." Willian Nadylam
Essa frase que vi na divulgação de um crowndfunding para a
peça Brimas - https://www.catarse.me/pt/brimas
- com a direção de Luiz Antônio Rocha, veio de encontro ao que temos, ao acaso
e sem pensamento consciente, assim, aleatoriamente, desenvolvido e, aí, se
concentrando, em torno aos shows Poema Maldito.
Nossos shows não têm a pretensão de ser assim um espetáculo,
em que os elefantes e os navios passassem por nós em florestas e mares
fumegantes e tal. Os shows são a declamação das músicas do disco, apenas acompanhadas
de meu violão e do baixo ou guitarra do Felipe. É assim um recital, somente.
Por exemplo, a escama caída do corpo ancestral de Netuno,
colocada no centro do breve que mamãe me deixou e que costuramos em minha
camisa de fazer show e o tótem com que o Alan Lanzé vai nos presentear, são
parte disso que estamos concentrando no bichano, com o seu correr.
Alan mandou foto.
O bichano ta formando:
sexta-feira, setembro 18, 2015
De soslaio, como os meus olhos depois da uveíte, tomando
café, por trás das letras.
O silenciosíssimo leit@r sabe do prazer que a gente deve
sentir, quando surge uma música. E do prazer que é também ver essa música que a
gente fez, ser cantada por uma outra pessoa e, então, ver o invento funcionando
fora de nós, autônomo, se deixando mover, ser erguido, assim, ser empinado de
outro ponto de vista, sem no entanto deixar de se empinar fora do vento que a
gente soprou, ta se ligando, boníssimo leit@r. E, então, isso de ver a música
rolando fora de nós, faz a gente acreditar mais nela, na sua independência de
coisa, se liga.
Mas tem umas músicas em que a gente acredita assim que ficam
prontas, sem que ela precise sair funcionando por aí, pra que a gente saiba que
ela lacrou um lance e, então, a gente fica achando que fez aquilo que os
jornalistas da música chamam pérola. E tenho essa pretensão com a música Lua
Singela, por exemplo, que é uma música que me satisfaz demais. Ela é uma pérola
pra mim, leit@r.
Bom, também tem as músicas que vão se formando pra gente aos
poucos. Aos poucos é que a gente vai entendendo, porque elas não se dão assim
de cara. Elas vão se perolando aos poucos.
Quando a gente pensa em fazer um disco, reunimos o que
achamos de melhor na nossa produção pra mostrar. E no disco Poema Maldito minha
pérola da vez é a música título, parceria com Tive.
Vejam:
quarta-feira, setembro 16, 2015
Faz um tempo, a Fernanda disse que tinha procurado minhas
músicas do Poema Maldito no Spotify, mas só tinha encontrado o Lua Singela. Eu
fiquei com isso na cabeça e somente agora descobri como fazia, embora eu mesmo
não seja um usuário, leit@r. O Lua Singela está lá a minha revelia, mas, agora,
colocamos os outros todos, o Cinema Íris e o Antigo.
E o Poema Maldito, especificamente, pode-se fazer download,
que a gente colocou ele nas lojas virtuais, o leit@r sabe.
O Antigo também, está ainda no meu site para download:
Eu sempre conto a estória do Poema Maldito nas vezes em que
apresentamos o disco, ao vivo e tudo. Que é uma estória que aconteceu comigo em
Icaraí e que passa por tantos filtros que fico confuso na hora de dizer sobre
ela, fora do momento em que estamos executando a bichana, ta se ligando
silencioso leit@r?
Eu acho que as palavras deixam a gente muito confuso, porque
a gente tem de ficar escolhendo no meio de muitas, qual a gente quer e tal e na
hora de falar do Poema Maldito, o Tive tinha dois nomes, o caso contado tem um
aumento de ponto meu, um aumento de ponto dele, o aumento de ponto da letra na
melodia e outros aumentos e tal, que o caso mesmo acontecido nem existe mais,
bom leit@r, assim, uma confusão...
Mas, agora, que o Tive é o Tive, isso vai ajudar na clareza
da estória.
Vejam:
segunda-feira, setembro 14, 2015
La Nave Va é uma antiga parceria com Manoel Gomes, um poeta
de Niterói que conheço da época em que era enturmado com o pessoal do Buraco,
um ponto de encontro na Rua Moreira César, em Icaraí, onde a rapaziada que não
se sentia bem em casa, gostava de ficar apavorando.
Éramos sempre a mesma turma de garotos e garotas,
aglomerados à noite numa escadaria que dava pra lugar nenhum, na sombra, assim,
uma tribo, tipo, cada um na sua e todo mundo junto, um tipo de gente que ainda
hoje vejo surgir em novas edições em qualquer cidade grande que eu vá e, aqui
mesmo, em Niterói, aparecem os garotos e garotas que reconheço ser daqueles e,
boníssimo leit@r, o Felipe mesmo é um que estivesse com a gente naqueles
degraus escuros, se não estivesse na maternidade, vindo à luz.
A primeira execução pública de La Nave Vá que vi, foi com a dupla Preta Pagã,
num antigo bar na zona oceânica de Niterói. Isso foi nos anos 90. Quis
colocá-la no Poema Maldito porque é uma música de dois acordes apenas e, aí, eu
conseguiria tocá-la num disco voz e violão.
Com as meninas do Preta Pagã cantando, a bichana ficou chique demais e, abrindo
o CD Poema Maldito, é cheia de chiquê também, no modo como Felipe fez ela ir
rolando desfiladeiro abaixo, sobre os sons que ele colocou pra que a próxima música
pudesse subir.
Fui.
Ontem, enquanto eu ía para o centro da cidade entregar o
Cinema Orly do Sandro, ía me lembrando que há no Rato, uma descrição de uma
semana como essa de agora, em que fica chovendo, o tempo embruscado, no mês de
setembro, assim, como numa despedida do inverno, boníssimo leit@r.
Eu ía me lembrando e tanto tempo depois, é a mesma sensação,
mas que, agora, não me anima mais, entende, leit@r, ela não me faz mover um
nada em sua direção. Continuei o meu caminho na direção do Sandro. Ele estava
de pé, encostado à parede que dá pra escadaria, no lugar onde havíamos
combinado encontrar.
A gente ficou um tempo conversando na escada, ele me disse
que usará o livro para sua monografia de final de curso e, se entendi direito,
vai procurar situar o meu narrador no contexto de outros da literatura
brasileira contemporânea.
Eu lhe falei como surgiu o livro, conversamos mais um pouco
e, no dia triste de chuva de ontem, voltei pra casa, vim embora.
O Milosz Wiechowski tinha filmado o show do Bruno Cosentino
em que participei no início do ano e eu não sabia. Agora, que mostrei aqui no
Blog Azul as filmagens de meu aniversário aqui no apezinho, ele lembrou e postou
pra que a gente visse. Eu fiquei muito feliz de ver, porque ele pega a gente
muito de perto e podemos ver os movimentos dentro da cabeça, silencioso leit@r,
que são os movimentos que, no meu caso, vão levando do Cinema Íris ao Poema
Maldito, e que junto à enxurrada de movimentos que são as pessoas vivendo na
cidade, nesse show do Bruno, muito mágico pra mim, é quando minha camisa de
fazer show começa a se gestar em embrião, sem que existisse ainda, assim, sem
mesmo que soubéssemos se ela existiria, ta ligado?
Sim, eu sei que ela é sempre embrionária, porque vai se
construindo pra sempre e tudo, e que a gente nunca vai saber e tal, mas aí
está, de onde ela veio, do fauno lindo que o Bruno estava naquele dia.
Aí, está:
quarta-feira, setembro 09, 2015
No meu aniversário desse ano, os Lala Filmes estiveram aqui
no apezinho e nós, eu e Felipe, mostramos o Poema Maldito pras câmeras deles.
Edil, que veio me parabenizar pelos anos, filmou um pedaço do filme, em que tocávamos Os Gatinhos de Pedro:
terça-feira, setembro 08, 2015
Cheguei hoje do Desfazendo Gênero, em Salvador, onde muita
gente do Brasil e do mundo esteve por 5 dias para apresentar seus trabalhos que
de um modo ou de outro se relacionassem com o tema do ativismo queer.
A maioria dos trabalhos eram teóricos, resultados de
pesquisas que foram feitas nas universidades pelo pessoal mais jovem e fiquei
muito feliz por tudo o que eu pude aprender e por ver que o que antes era uma
atitude isolada aqui e ali, agora ta virando tribo, uma tribo com
reinvidicações políticas importantes pra o corpo da gente, silencioso leit@r, e,
entre outros artistas, estive lá pra apresentar os meus livros e apresentar o
meu Poema Maldito.
De verdade, aprendo sempre um pouco mais sobre apresentar as
músicas e sobre, pela primeira vez, ter me colocado num microfone pra falar dos
livros. E, aí, eu quero agradecer o convite do Leandro Colling, agradecer o
privilégio de ter a Renata Pimentel prestigiando minha apresentação do Poema
Maldito, agradecer a maravilhosa Denise Carrascosa que imaginou um projeto
lindo em meus livros, algo como se eu estivesse construindo esferas de céus,
como degraus, em que cada livro fosse um nível, desde o Paraíso do Cinema Orly
e daí pra diante, pra os outros livros, bom leit@r.
Também os deliciosos Fabio Fernandes, Moisés Alves, Saulo
Moreira e Carlos que estiveram a ver-me ler o texto que preparei e que depois
com Denise e os outros atentos ouvintes estofaram minhas quedas nos vazios dos
silêncios de modo que não me arranhasse muito.
E o bom leit@r sabe, Pedro curtindo tudo comigo, aprendendo
junto, participando comigo, tudo muito emocionante e forte.
Fui.
sexta-feira, setembro 04, 2015
Os shows Poema Maldito ganharão um tótem, presente do Alan
Lanzé. Não me lembro bem de como surgiu essa idéia. Mas gostamos muito dela,
que tem esse lance ancestral de concentrar tudo o que conduz e tudo que esclarece
a gente, ta se ligando bondoso leit@r?
Ele, nessa madrugada, mandou pra que eu visse a foto do
nosso brasão em embrião e curti muito o aspecto de arame farpado que ele tem. Vamos
colocar flores nele!
Fui!
quarta-feira, setembro 02, 2015
Preparando aqui pra participar do Desfazendo Gênero, em
Salvador.
Minha Vizinha de Baixo, ontem, costurou na gola de minha
Camisa de Fazer Show a passamanaria. Ficou muito lindo, boníssimo leit@r.
Ela disse:
- Está ficando como uma roupa do Cauby! – vou apresentar dia
4 o Poema Maldito no talo, só voz e violão, finalmente.
Também já preparei um texto sobre meus livros, que vou ler
na mesa sobre Linguagens, com a Professora Denise Carrascosa, no domingo, dia 6.
Tenho que atualizar a foto de minhas coisas.
Ta faltando o Poema Maldito:
terça-feira, setembro 01, 2015
Para a apresentação ao vivo do Poema Maldito, no II
Seminário Internacional Desfazendo Gênero, em Salvador, e depois de ter ganho,
sobre o breve de mamãe, a escama caída do corpo de Netuno – o maravilhoso Ney
Matogrosso - minha camisa de fazer show, por sugestão de Pedro, vai ganhar passamanarias, silencioso leit@r.
Já comprei as bichanas e a, agora, minha Vizinha de Baixo
vai costurar pra mim.
Yahahahahahahhhahha! J
segunda-feira, agosto 31, 2015
Preparando-me pra apresentar o Poema Maldito e meus livros em
Salvador, no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. Ansioso por tudo o
que vou aprender, as pessoas que vou conhecer e consciente de que a minha
produção participa dessa rede de força boa que vai mudar o mundo, bom leit@r:
“O tema definido para o II Desfazendo Gênero, Ativismos
das dissidências sexuais e de gênero, reafirma o compromisso em realizar um
seminário que aposta nas perspectivas que, de uma forma ou de outra, criticam
as normatizações, normalizações, naturalizações e binarismos sobre as
diversidades e/ou dissidências sexuais e de gênero. Com esse tema, o encontro
também reforça o seu caráter político, em sentido amplo, de problematizar e
recriar de forma permanente a produção de conhecimento em nossa área, de
compreender que essa produção também é política, de entender que o ativismo
também produz conhecimentos e de que toda essa produção precisa estar à serviço
de políticas para que as pessoas respeitem, reconheçam e aprendam com as
múltiplas sexualidades e gêneros que existem em nossas sociedades.
Para discutir o tema geral do II Desfazendo Gênero, a
comissão organizadora convidou a filósofa Judith Butler para realizar a
conferência de abertura, montou sete rodas de conversa, chamadas de Encontros
de Diálogos Interdisciplinares (EDIs), e organizou seis mesas redondas com
pessoas ativistas, artistas e/ou pesquisadoras, em especial as que atuam em
países da América Latina e de Portugal e Espanha. A ideia é que, com isso, ao
final do evento, possamos pensar na criação de uma Rede de Dissidências Sexuais
e de Gênero (REDIS) que passe a ser um espaço horizontal e não institucional de
trocas permanentes entre as pessoas da área e que também problematize outra
geopolítica da produção do conhecimento, ao enfatizar a grande colaboração da
América Latina aos estudos e políticas para o respeito às diversidades e/ou
dissidências sexuais e de gênero no mundo.”
As coisas acontecem de um jeito que escapolem da gente, o
generoso leit@r sabe disso tanto quanto eu. Ou seria melhor dizer que as coisas
acontecem de um jeito escapolidas da gente. O fato é que só agora Pedro
despejou uns arquivos de shows Poema Maldito, no meu computer e peguei “O
Camponês” (luís capucho/Marcos Sacramento) do show na Casa da Árvore, que, com
Felipe, fizemos em junho desse ano. Naquela época, minha camisa de fazer show
estava apenas na base. O pessoal da Casa da Árvore é um brinco, leit@r, e foi
lá, onde conhecemos Lucila, um brinco também.
Porque eu fico amarelando na hora de mostrar o disco, os
shows Poema Maldito têm sido a apresentação das músicas dele num outro formato,
que não o seu “voz e violão” com as interferências tecnológicas do Felipe, que
tem me acompanhado com outros instrumentos, às vezes baixo, às vezes, violão e
tal.
Desde o penúltimo show, em São Paulo, ele tem trocado o
acompanhamento de violão, por uma guitarra, o que pra os ouvidos soa mais
brilhante e o meu boníssimo leit@r sabe, esse som com mais brilho tem mais a
ver com minhas letras cheias de imagens e tudo.
Além das músicas do disco, a gente toca músicas de outros
discos meus, tipo, Eu quero ser sua mãe, Maluca, Cinema ìris... e para o
próximo show, como o Felipe não vai poder ir para Salvador, irei apresentar o
disco o mais próximo que eu consiga de sua gravação original, quer dizer,
somente na voz e violão, porque fui honrado com um convite para participar do
II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, na Universidade Federal da Bahia,
onde no dia 4 de setembro, 20 h, apresento o Poema Maldito. E no dia 6, com a
Professora Denise Carrascosa vou falar dos livros que escrevi, o Cinema Orly, o
Rato e o Mamãe me adora.
Voltando aos shows, decidimos colocar neles, a partir de
agora, uma música inédita, a Homens Machucados. Ela ainda não ficou ensaiada o
suficiente para o show do Bar Semente, mas numa primeira forma, ela já é.
Vejam:
Homens Machucados
luís capucho
Eu era um menino quando homens machucados eram mais bonitos
pra mim
Um homem machucado de todo perfeito
O peito ferido, belezas escorrendo dos olhos dele
Do corpo dele, no pescoço, pelos flancos, no seu centro,
dentro dele,
Eu gostei demais da participação do maravilhoso Marcos
Sacramento no show Poema Maldito que fizemos no Bar Semente, dia 22 de agosto,
agora. Ele participou de uma música que não está no disco, mas que faz parte de
nossa estória particular – o meu silencioso leit@r sabe que Sacramento é meu
amigo particular ainda do século passado - e no século passado, por conta das
sequelas motoras de um coma de um mês que me pegou, fiquei uns três ou quatro
anos para conseguir voltar a fazer um mi maior no violão. Quando finalmente
consegui tirar um, mais ou menos limpo, pedi a meus parceiros da época que me
dessem letras simples de interpretação, porque além de ser apenas um acorde,
minha voz estava mais, mas muito mesmo, monocórdia do que ela naturalmente é. Então,
Sacramento me deu a letra de Inferno, que foi minha primeira música nessa minha
nova versão de luís capucho. Antes, tinha feito apenas letras e a única que
sobrou foi Algo Assim, musicada pela Mathilda.
O Sacramento está com uns shows aí pela frente e às quartas-feiras
está fazendo o Bar Semente, bom leit@r.
No Inferno ele fez uma corneta celestial que foi a nossa
maravilha, a minha, a dos olhos baixos de demônio do céu de Felipe e do pessoal
que tava lá e, agora, de meus particulares leit@res. Tudo no celular do Pedro.
O Poema Maldito para além do que me aconteceu na praia de
Icaraí, é resultado de minha amizade com o Tive – José Maria Martinez – , amizade
que começou quando ele virtualmente traduziu para a sua língua espanhola o
Cinema Orly. Depois, ele me disse que ficou sabendo saber fazer poesia e quando
eu lhe contei o acontecido na praia, alguns dias depois de silêncio mortal, ele
me devolveu a estória na letra de Poema Maldito, que intitula o CD.
Eu digo estória, porque no entusiasmo de lhe contar o que
tinha me impressioando e também na impossibilidade de contar o lance no seu
cerne, as palavras que eu lhe escrevi em português foram inventando a estória,
o que certamente ficou aumentado em ficção e em proximidade ao que hoje chamam
“nuvem”, ao ele me devolver o bastão na forma final de Poema Maldito, o poema,
a letra.
Depois, quando coloquei a melodia, o caso ganhou mais um degrau
de afastamento do original e subiu mais um pouco. No show do Bar Semente, ao
final, eu tentei trazer de volta o caso pra sua origem, para o chão.
Eu fiquei triste no início porque, o boníssimo leit@r sabe,
minhas músicas são pouco conhecidas e o meu pequeno público muito esparso pra
que se possa concentrá-lo num dia de show e tal, mas depois que começamos a
tocar, eu via que era aquilo mesmo e que as músicas precisam de prática para
serem vivas e, aí, elas foram me pegando com sua força boa, a gente foi indo na
correnteza delas e fomos curtindo, de modo que a gente – eu e Felipe - e o
pequeníssimo público não ficou triste mais.
Dessa vez, Pedro filmou bastante coisa e quero editar
algumas, a participação maravilhosa do amigo Marcos Sacramento, minhas explicações de músicas, a explicação de minha camisa de show, tudo, antes de mostrar. Também ele descarregou no meu computer umas gravações
que fez do show que fizemos na Casa da Árvore e quero aprontar melhor tudo para
levantar na internet.
Ele pegou um trecho de generosidade e gostei demais de ele
cantando junto.
Vejam:
sábado, agosto 22, 2015
É hoje: foto:Ana Rovati
LUIS CAPUCHO | SHOW POEMA MALDITO | PARTICIPAÇÃO MARCOS SACRAMENTO
LUIS CAPUCHO | SHOW POEMA MALDITO
"Depois de viagens ao Espírito Santo – Cachoeiro do Itapemirim – e Aparecida do Norte para as filmagens do documentário-ficção Peixe - Fish”, um longa metragem do cineasta Rafael Saar sobre a sua produção lítero-musical, e de seu primeiro show autoral em São Paulo, na Casa do Mancha, Luís Capucho, cantor, compositor e escritor, apresenta o álbum Poema Maldito pela segunda vez no Bar Semente, na Lapa do Rio de Janeiro.
Rotulado ‘maldito’ pela mídia, Capucho é um fantasma da transgressão. A crueza dos arranjos, da poética, do seu canto e seu violão, misturados com momentos de sutileza e delicadeza, revelam um artista sofisticado que se aprimora e, na brutalidade de sua interpretação, se refina.
Neste show, Luís é acompanhado por Felipe Castro no baixo e terá a participação de honra de Marcos Sacramento."
Serviço:
Serviço: Data: 22 de agosto, 20h Bar Semente Rua Evaristo da Veiga, 149 Lapa- Rio de Janeiro
Acordei cedinho e atravessei a ponte para encontrar o Bruno Cosentino e
conversar pela primeira vez com ele sobre o que era um improvável meu disco
novo. Toquei para ele umas músicas que tenho aqui, e quando eu me despedia, ele
me perguntou se poderia falar de nosso encontro. Eu disse que sim, porque eu
queria compartilhar dele o que ele dissesse.
Tenho sido muito feliz, bom e silencioso leit@r, pelo modo como outros
artistas, a exemplo de Rogério Skylab, Michel
Melamed, gustavo galo, Rafael Saar, Ney Matogrosso,
Bruno Cosentino e outros têm olhado para meu trabalho de música.
Vejam a postagem dele:
Bruno Cosentino
Quem me apresentou ao som do Luís
Capucho foi meu amigo Marcos Lacerda, dizia que era um compositor
maldito, maravilhoso, escritor, gay, que tinha um discurso muito direto sobre a
sexualidade. Era tudo o que eu sabia. Aí fui fazer um show no Teatro Café
Pequeno e finalmente pude ouví-lo. Amei, fiquei tarado, e o convidei para
participar do show. Ele topou, o que me deixou no céu. Cantamos a linda "A
expressão da boca", que pretendo gravar num dos meus discos em andamento,
que vai se chamar "Canto é brilho". Ficamos em contato cada vez mais
estreito. Desde então, como acontece bem raramente comigo, tenho ouvido o disco
dele sem parar há muitos e muitos meses e ainda outros virão, eu sei. Não me canso,
choro, acho lindo, triste, bem humorado e com um olhar pras coisas do mundo tão
sem mediação que às vezes parece até naif (como naquelas belezas do jorge ben
também). Gravando há umas semanas o programa "Vídeo retrato" com a Ana Rovati e o Vinícius Guerra, depois da
sessão, ele mostrou uma canção nova chamada "Homens machucados", tão
linda, de chorar de novo muito. Todo mundo ficou em estado de graça no estúdio.
A conversa foi fluindo e surgiu um convite para eu produzir seu próximo disco,
que vai ter o mesmo nome da música "Homens machucados". Fiquei feliz
pra caralho, animado, excitado, porque sou fã demais dele. Hoje, depois de umas
conversas por telefone e email, foi nosso primeiro encontro ao vivo, ele me
mostrou outras músicas, vamos ouvir longamente todas e escolher as oito que vão
para o álbum. Obrigado, Capucho, por essa oportunidade de ficar mais tempo ao
seu lado, lugar onde aprendo e me encanto muito. Em breve mais coisas incríveis
para nós! Por enquanto, quem não o conhece, pode ouvir o disco maravilhoso que
é o Poema Maldito",
produzido pelo Felipe
Castro, e que está na internet neste link aí: https://www.youtube.com/watch?v=7VayLXwS3eY
quinta-feira, agosto 20, 2015
LUIS CAPUCHO | SHOW POEMA MALDITO
Depois de viagens ao Espírito Santo – Cachoeiro do Itapemirim – e Aparecida do Norte para as filmagens do documentário-ficção Peixe - Fish”, um longa metragem do cineasta Rafael Saar sobre a sua produção lítero-musical, e de seu primeiro show autoral em São Paulo, na Casa do Mancha, Luís Capucho, cantor, compositor e escritor, apresenta o álbum Poema Maldito pela segunda vez no Bar Semente, na Lapa do Rio de Janeiro.
Rotulado ‘maldito’ pela mídia, Capucho é um fantasma da transgressão. A crueza dos arranjos, da poética, do seu canto e seu violão, misturados com momentos de sutileza e delicadeza, revelam um artista sofisticado que se aprimora e, na brutalidade de sua interpretação, se refina.
Foi linda demais a oportunidade que o Gustavo Galo criou de
irmos pra São Paulo apresentar nosso Poema Maldito, n’A Casa do Mancha. E antes
que apresentássemos nosso disco, ele tocou suas músicas inéditas somente na voz
e violão. Foi meia-hora de contemplação, em que o Gustavo iluminou a paisagem
que se moveu pro pessoal sentado no chão.
Depois, quando eu e Felipe tocamos o Poema Maldito ele veio
cantar Velha e Cavalos com a gente. A gente sente quando não rola mágica numa
apresentação, o silencioso leit@r sabe. No momento do show, a gente não
consegue fazer idéia dos nomes que podem vir à cabeça pra dizê-lo, porque os
shows são um mergulho ou um vôo de asa delta, se a gente se imbui dele. E n’A
Casa do Mancha estivemos todos imbuídos, nós e quem assistiu.
Na foto, para esse show, minha camisa ganhou uma escama que
se perdeu do corpo de Tritão e que está reluzindo na altura de meu peito, no
centro do breve que mamãe me deixou – o bondoso leit@r que tem acompanhado meu
Blog Azul sabe o extraordinário da estória.
Pedro tirou foto.
Vejam:
sexta-feira, agosto 14, 2015
Os livros para Salvador:
quinta-feira, agosto 13, 2015
Eu e Felipe Castro apresentaremos, ao vivo, o Poema Maldito,
no domingo em São Paulo. Teremos a participação especial de Gustavo Galo, que
também vai apresentar na voz e violão as músicas de seu CD Asa.
Coincidiu de nesse dia o pessoal das panelas ter sido
convocado pra sair às ruas, por a cara no sol. Isso me confunde um pouco, mas
estaremos ao largo disso, na Casa do Mancha, 20 horas.
Depois, no sábado seguinte, dia 22, apresentaremos o show no
Bar Semente, dessa vez, com as participações especiais de Bruno Cosentino e
Marcos Sacramento. Além do totem, do Alan Lanzé.
Em seguida, no início de setembro, vou apresentar o disco
somente voz e violão, no Seminário Internacional Desfazendo Gênero, em
Salvador.
O vocalista da Trupe Chá de Boldo mostra as faixas de seu primeiro o disco solo, ASA, lançado em 2014 com produção de Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano. Já o cantor, compositor e escritor Luís Capucho faz show acompanhado por Felipe Castro (baixo) e Theo Barreto (iPad).
Leonardo Paladino redator(a)
terça-feira, agosto 11, 2015
O meu olho esquerdo estragou, o bom leit@r sabe.
Há um mês, além dos de costume, eu tou tomando a batelada de
remédios para trazê-lo de volta e melhorou um pouco, mas ainda não consertou de
tudo. Esse negócio de meu corpo ir se estragando pelo meio do caminho, começou
já faz tempo e ser atingido no olho é mais desesperador pra mim, o leit@r entende. E tem de os serviços de saúde
serem essa bagunça e esse descaso que todo mundo vê, e tem de eu não estar
plantado na parte de cima da carne seca...
Tem também a fatalidade de o corpo da gente estragar, ir
estragando, mesmo que os recursos todos estejam disponíveis pra gente.
O boníssimo e generoso leit@r pode pensar que no caldo, no
sumo desse meu assunto, esteja rolando na verdade uma gabação de minha parte,
porque ninguém há de vir pra internet para desfazer-se de si mesmo e, aí, que
eu tenha vindo aqui pra dizer aos leit@res que eu me fodi, sim, mas que todas
as vezes que isso aconteceu, consegui me tratar, tou me tratando e tudo. Mas o
certo é que não há gabar-se de remédios e nem há porque me detonar dizendo-me
caolho.
A Dra Patrícia Diez Rios é advogada no Pela Vidda – Niterói.
E tem uma luta importante pelos direitos das pessoas vivendo com o HIV, e
particularmente, em 1997, antes de haver a distribuição gratuita, por sua
iniciativa, através dos amigos que a procuraram, moveu uma ação judicial para
que eu recebesse da Secrataria de Saúde do Estado os remédios do coquetel de
remédios da Aids, que eram horrorosos demais naquela época, mas que me deixaram
vivo, o silencioso leit@r sabe.
E, há pouco, por pressão das empresas de ônibus, o Estado
reduziu drasticamente o direito à gratuidade nos ônibus urbanos que a gente que
faz tratamento tem. Então, eu procurei o Pela Vidda-Niterói e, através da Dra,
documentamos todas as minhas necessidades, a que ela juntou um texto argumentativo,
e conseguiu que um juiz decretasse a ampliação de minha gratuidade nos ônibus
aqui na cidade.
Na real – a vida é real - de meu ponto de vista, é dever da
Secretaria de Transportes garantir a gratuidade não apenas para os idosos, os
deficientes, as gestantes, os doentes... mas pra todo mundo. E é através de
ações como esta que a gente um dia vai chegar lá...
sexta-feira, agosto 07, 2015
Uma "As Vizinhas de Trás" para Pendotiba - Niterói:
quinta-feira, agosto 06, 2015
Ontem, no ensaio do Poema Maldito, ao vivo, exorcizamos um
pouco o roubo dos instrumentos do Theo. O bom leit@r pode ver que as forças que
vêm na direção da gente, têm a mesma proporção da força que a gente gerou com a
gente mesmo, com o som que a gente pensava estar fazendo com ela, a força que
ficava reproduzindo-se a si mesma, se multiplicando, saindo e entrando dentro
da gente, que a gente tava projetando, meio loucos, à espera de serem
catalizadas pelo totem que Alan está a construir pra os shows, Poema Maldito,
que de verdade é um mundo de gente, um clã de gente, uma tribo, mas que estava no
movimento de nossa concentração de ontem, em eu, Felipe e Theo, apenas,
exorcizando o roubo dos instrumentos.
E pode ver que isso é um Deus nos acuda, um pega pra capar
danado, um não tinha de ser, um já era, já é, rumo ao Show da Casa do Mancha,
dia 16 de agosto, 20 horas, com Gustavo Galo.
O Poema Maldito –Theo - foi roubado por ladrões da Tijuca,
no domingo à noite.
Depois de nosso ensaio, o Theo me contou que a casa de uma sua
amiga na Tijuca tinha sido invadida por um bandido na noite anterior e que ele
iria pra lá, passar a noite com ela. E eu não tive o espírito de lhe pedir
cuidado.
Eu sei que somos todos culpados de a cidade estar a cada dia
mais difícil, de a nossa liberdade ir ficando a cada dia menor.
E no domingo mais cedo, o Theo tinha deixado um recado que
se atrasaria um pouco, porque passaria numa emergência para tratar o seu
pescoço, que estava doendo muito.
O relato que ele fez do que está sentindo é de deixar a
gente muito triste e foi justamente no pescoço que lhe pegaram.
A gente vai substituir tudo.
Vejam:
“Fui assaltado ontem, na Tijuca, por dois caras a pé com uma
garrafa quebrada na mão, ameaçando me cortar a garganta se eu não passasse a
mochila e o celular. Perdi.
Na minha mochila tinha tudo que eu mais usava e precisava. Coisas de valor,
sim, mas muito mais coisas insubstituíveis. Mas se coisas fossem apenas coisas,
não faria nenhum sentido estar aqui reclamando. As coisas realizam desejos,
suprem necessidades (criadas e reais), alimentam fetiches e sonhos. Ferramentas
são braços que nós não temos. De qualquer forma não temos nem braço-ferramenta
nem coisa nenhuma, perceba que a posse é uma coisa bem sútil, num dia eu tenho
e no outro não tenho mais, num dia gozando das coisas e no outro lamentando por
elas, sem ter feito qualquer coisa que claramente me levasse pra esse caminho
de perder.
Perdi meu Ipad, que era meu instrumento pro show que ia fazer com o Luis. Isso
é realmente triste e trágico... os resto é lamentação por coisas que tem volta.
Perdi meu “1984” numa versão antiga, perdi todas as anotações do período passado
da faculdade e sobre as músicas do Luis, perdi minha chave de casa e das bikes,
minha garrafinha companheira, meu STP, minoxidil, cicatricure, os remédios pro
meu pescoço fodido, uma cueca, perdi minhas luvas pra bike, meu celular e
comidas que tinha acabado de comprar. Perdi todos os documentos - que nem eram
tão meus assim. Perdi a força. Perdi um pouco de coragem. Perdi um pouco de
amor pelo outro. Perdi a confiança nas pessoas que andam na rua à noite.
Depois de uma conversa esquizofrênica com a atendente de telemarketing na qual
eu tive que simular que era irmão “da” titular da conta, consegui bloquear meu
chip. Alguém sabe como faz pra bloquear o Ipad remotamente? Ou excluir os
dados, ou sei lá. Se tiver como ele se auto-destruir, eu prefiro.
Tudo é violento. mundo bizarro e em barbárie.
Enfim, vou estar meio off-line por enquanto. Luís Capucho, pretendo ir no
ensaio quarta.”
segunda-feira, agosto 03, 2015
Eu me lembro de que há muitos anos atrás, num trabalho de
escola, eu ter relacionado a tragédia do Édipo, à lenda amazônica do guaraná,
porque, nas duas estórias, achei que do que se falava, era de força. Então,
agora, que estou indo para a quarta semana de tratamento de minha uveíte, essa
lembrança me voltou, boníssimo leit@r, porque nas estórias o olho é que
simboliza isso, como aquilo, do olho turco, e tudo.
Quando a atriz Teuda Bara veio ser mamãe comigo aqui no
apezinho, cheguei a comentar com ela a minha desconfiança, de que minha uveíte
tivesse essa simbologia de estar perdendo a força, tipo, cada doença faz o seu
sentido, leit@r.
Aí, a Teuda foi boa comigo, feito mamãe.
Ela disse:
- Não, luís, fica tranquilo, você não tem esse Édipo, não.
Fui.
domingo, agosto 02, 2015
Gostei demais de ter participado em "Deixa" do "Desterro e Carnaval", o último trabalho de canções do Rogério
Skylab. Pra o pessoal que curte poesia, ele deixou tudo para download gratuito
na internet:
Estou terminado a 3ª semana de tratamento para curar minha
uveíte e já vejo as cores, mas embaçadas. Eu achava que os remédios fossem me
tirar a fome, mas, não.
Comi mais que o normal e ganhei mais que 5 quilos.
Nós estamos adorando demais essa oportunidade que aconteceu
de irmos para São Paulo apresentar o Poema Maldito ao vivo, com Gustavo Galo.
Eu e Felipe estamos mais entrosados nas músicas e nos
ensaios ficamos vendo o Theo colocar seu ipad nelas.