Me lembro de assim que meus amigos começaram a
poder me visitar no hospital, que ficaram muito preocupados de eu deprimir, por
conta da situação maluca em que eu estava e quiseram que eu já produzisse, que
eu fizesse letras, me levaram um caderninho e caneta, que era também pra eu
treinar a caligrafia, porque eu tinha tido sequela motora e não conseguia mais
escrever. Só que eu tava meio abobado, não tinha nada dentro, nenhum
pensamento, então, nem deprimir, eu podia.
Só depois que saí do hospital, com a cabeça mais
organizada eu fiz Algo Assim, inspirado no filme Entrevista com Vampiro que eu
tinha assistido um pouco antes de entrar em coma. O filme conta a estória de
três vampiros, o Luís, a Claudia e o Lestat. A Claudia e o Lestat adoravam ser
o que eram, vampiros. Mas o luís tinha problemas de consciência, por beber o
sangue das pessoas. Então, eu queria dizer pros meus amigos que eu não estava
mal, que eu estava mais Claudia e Lestat, que eu não estava luís.
Sim, eu só soube do vírus da Aids, quando saí do
coma, foi o médico quem me disse. Então, eu me abracei nele e chorei muito.
Deve ter sido difícil pra ele estar naquele papel. Eu acho que fui meio lestat
e meio claudia. Eu só pensava em me livrar das sequelas, acho que vivi uns
quinze anos em função disso. Ainda hoje sinto que melhoro, mas os detalhes das
melhoras são cada vez mais sutis.
domingo, novembro 01, 2020
O Marcos Araujo me chamou pra essa live dele no Instagram, ontem. Foi uma live bem legal, que depois me dei conta de que ele tinha partido do texto do Rogèrio Skylab, no Cadernos de Música, sobre mim, em minha homenagem. O Marcos disse que conheceu minha música há pouco, mas que já tinha lido o Cinema Orly lá atrás.
Ficou uma entrevista muito legal e quem tiver Instagram não perde por assistir. Aproveito pra agradecer ao Marcos, a entrevista!
Faz muito tempo, desde que lancei
o Lua Singela e mesmo antes, que minha música é referida a astros como Leonard
Cohen, Lou Red, Tom Waits. Compositores que eu conheço apenas de fama e de uma
música e outra, quer dizer, não sou um ouvinte desses artistas. Também não sou
ouvinte de Nelson Cavaquinho, mas gosto quando minha música é referenciada a
ele. É mais perto. Posso ouvi-lo e ver as proximidades, cada vez mais?
quarta-feira, outubro 14, 2020
segunda-feira, outubro 12, 2020
Eu morava ainda na casa de trás do prediozinho em que moro
hoje. Rafael Saar e Arthur Leite vieram aqui pra gente filmar. Se me lembro
bem, quer dizer, não me lembro direito, mas participamos de um Festival de
Cinema em Conservatória com esse curta. Agora, ele ta nessa página do in-edit
TV:
Não é mole, não. Pedra Dura. Me sinto igualado, na Praia de Botafogo, ao Pão de Açúcar, na foto de Ana Rovati para a revista Polivox. Na entrevista, Ana Paula Simonaci, Bruno Cosentino, Edil Carvalho, Jackeline Figueiredo, Perola Mathias, Rafael Julião e Rafael Saar fazem rolar as pedras. Façam a onda bater, compartilhem! Deixem-me popular:
Depois que fizemos a Crocodilo Live pelo edital
#Culturanasredes, promovido pelo governo do Estado do Rio de janeiro, Pedro
falou:
- Faremos nova live em 26 de setembro! – e, ontem, fizemos,
preparamos tudo, chamamos Edil, enxuguei a Crocodilo Live, coloquei uma música
nova, Bateria, e Pedro disse que o nome agora seria Crocodilo Live
Extraordinária. Ele editou a logo que Felipe Castro tinha feito para a capa do
disco Crocodilo, meus olhos parados, duros, no susto, como os de mamãe e
comecei. Ficou uma live bonita, com as turbulências do nosso sinal de internet,
mas, tranquilo, surpresa, ao acaso de quem estava on line na hora, os que
curtem o meu som, poucos amigos viram ao vivo, uma beleza! Os amigos que não
foram pegos pelo súbito da coisa e quiserem ver, acabo de subir no meu canal de
youtube. Vale apenas assistir, mas se puderem, curtam meu canal, compartilhem
minha live, ta bonita e engraçada, façam-me popular, plis:
Ontem, pela primeira vez, tomei o meu coquetel de remédios
para a AIDS sem que eu precisasse tomar o AZT. Tenho tentado com minha médica -
a mesma que há um tempo criou problema comigo, por causa de um laudo que eu
precisava contando sobre as minhas sequelas motoras e tal – trocar os meus
remédios para remédios modernos, sem muito efeito colateral e ela vem sempre
com uma objeção. Ontem, quando acordei com a chuva pensei, não vou. Mas o Pedro
disse, vai. E fomos.
Eu tinha o pensamento de que se, mais uma vez, ela não
trocasse meus remédios, pediria na assistência social que trocassem para outra
pessoa acompanhar meu HIV, quer dizer, outro médico. E ela trocou, tirou o AZT
de minha fórmula. Foi um portal. Que coisa!
Fora isso, As Vizinhas de Trás – Roser chegaram em Castellon
de La Plana. Tive disse no Instagram:
segunda-feira, setembro 07, 2020
... essa foto é na rádio Pop Goiaba na UFF no início de 2004, janeiro ou fevereiro provavelmente – o
Claudinho me mandou hoje e continuou – e aviso que a rádio volta online sábado
que vem! –
Para mim o Sandro já lacrou dando-nos a possibilidade de
assistir a sua defesa de tese de mestrado, que é uma coisa que parece ser tão
encastelada na torre, tão na torre, aí, ele jogou as tranças pra gente e vamos
todos subir hoje no youtube para ver como vai ser isso, como é o julgameto,
como vai ser os movimentos na torre do rei, da rainha, dos cavalos, dos peões,
como vai ser a subjetivação homoerótica em luís capucho?
Foi a partir do disco Poema Maldito, disco que fiz com o
Felipe Castro, que eu comecei mais com as apresentações de minhas músicas. E
isso, por conta de eu não animar muito a festa, fez que, como alternativa, me
oferecesse aos amigos, para mostrá-las em suas salas e isso é uma estória cheia
de minúcias e tudo. Com a pnademia, esse movimento em que eu vinha com as apresentações,
vai me jogar amanhã nessa Crocodilo Live. É o mesmo movimento das salas dos
amigos, nós – eu e Pedro - armaremos o altarzinho de tocar vou começar com as
músicas. Vou sentir falta do baixo do Vitor Wutzki e da bateria-mirim do Felipe
Abou.
Fiz um roteiro que ta meio em aberto, estou confuso sobre
quais e a quantidade de músicas. As do Crocodilo são certas:
Roteiro:
1-Cérebro
Independente (luís capucho)
2- Acalanto do Amor (luís capucho/douglas azevedo)
3- Edson do Rock (luís capucho)
4- Crocodilo (luís capucho)
5- Antigamente (luís capucho)
6- Inferno (luís capucho/marcos sacramento)
7- Os gatinhos de Pedro ( luís capucho)
8- Virgínia e eu (luís capucho)
9- Girafa (luís capucho)
10- Triste (luís capucho)
11- Vale (luís capucho)
12- Quando é noite (luís capucho)
13- Poema Maldito (luís capucho/tive martinez)
14- Balada da Paloma (luís capucho/rafael julião)
15- Meu bem (luís capucho)
16- Eu quero ser sua mãe (luís capucho)
17- Cinema Íris (luis capucho)
18- A expressão da boca (luís capucho)
19- A Masculinidade (kali c conchinha/luís capucho)
20- Maluca (luís capucho)
Kali C está apresentando no youtube as suas composições de
isolamento, como fossem episódios. O mais recente deles é de uma parceria nossa
“Não sei conversar”. Kali é uma das poucas parceiras que encaram de frente e
bem minhas letras doidas.
Vejam:
quinta-feira, julho 23, 2020
Sinto alegria de todos os livros que tinha comigo, terem-se
ido. Meu único livro em catálogo é o Diário da Piscina (É selo de Língua editora/2017).
Os outros acho que não têm mais em lugar nenhum, talvez, nos sebos. Vi outro
dia que estão vendendo Cinema Orly a 120,00 reais na internet. Acho caro. Eu
vendia mais barato. Também alguém de Caçador/SC estava vendendo o Poema Maldito
a 70,00. Vendo mais barato!
Um Diário da Piscina, um Poema Maldito, um Lua Singela e um
Ovo, para SP:
quarta-feira, julho 22, 2020
Já faz um tempo, o Luciano me enviou um link para inscrição
num edital para lives artísticas, um edital do Estado do Rio de Janeiro chamado
#culturapresentenasredes e fiquei bem satisfeito por ter sido selecionado.
Eu publiquei on line o disco Crocodilo, que é um disco em
que tem cada faixa produzida por um artista diferente: tem o Gustavo Galo, o
Lucas de Paiva, o Vovô Bebê, a Claudia Castelo Branco, o Bruno Cosentino, o
Marcos Campello, o Evaldo Luna, e logo veio a pandemia nos deixando a todos em
casa, debaixo da nuvem negra.
Cada uma das coisas de que quero falar leva pra uma direção
diferente e também cada coisa dessas leva pra uma mesma direção, quer dizer,
tudo está em conexão e tudo é completo em si mesmo, vocês sabem!
Devo apresentar minha live no mês que vem, mas já ando
treinando. E cada treino tem sido uma live, de verdade. Devo fazer só com meu
violão, por conta do isolamento... seria difícil mesmo apresentar o registro de
estúdio por conta de cada um dos artistas do disco estarem pra um lado. Tenho
esperimentado as plataformas, fiz treinos no Instagram e treinos no facebook. E
farei mais treinos, até a live definitiva, que terei gravado pra mandar pro
acervo do #culturanasredes. Também quis testar o youtube, mas lá no youtube,
pra liberarem nossa live, o canal da gente tem de estar bombado com mais de mil
inscrições.
Então, se puderem, inscrevam-se, quem sabe não atinjo a cota
em um mês e posso ter mais essa opção:
Estou treinando para fazer uma live de apresentação de meu
disco Crocodilo. É um prazer bem grande para um artista poder mostrar suas
músicas empinando-as de sua própria sala, é mesmo a maravilha. No entanto, é
preciso treino pra gente ir desenvolvendo, afinando a relação com o olho da
câmera do celular do Pedro e mesmo pra ele afinar seu olho.
Os treinos, na verdade, são pretextos de lives, quer dizer,
por que, não?
No fim, tudo desenvolvido vai se sedimentar na Crocodilo
Live. Live que é como hoje chamamos mostrar as músicas no isolamento.
Estou treinando para fazer uma live de apresentação de meu
disco Crocodilo. É um prazer bem grande para um artista poder mostrar suas
músicas empinando-as de sua própria sala, é mesmo a maravilha. No entanto, é
preciso treino pra gente ir desenvolvendo, afinando a relação com o olho da
câmera do celular do Pedro e mesmo pra ele afinar seu olho.
Os treinos, na verdade, são pretextos de lives, quer dizer,
por que, não?
No fim, tudo desenvolvido vai se sedimentar na Crocodilo
Live. Live que é como hoje chamamos mostrar as músicas no isolamento.
Veja:
sexta-feira, julho 10, 2020
Organizei o meu canal do youtube com meus discos em listas,
em ordem, desde o Crocodilo ao Lua Singela para quem quiser conhecer ou
relembrá-los.
O Lua Singela e o Cinema Íris foram produzidos pelo Paulo
Baiano.
O Poema Maldito pelo Felipe Castro.
O Antigo é uma gravação de show, um show que a Suely
Mesquita produziu.
E o Crocodilo é um disco coletivo, com faixas produzidas por
diferentes artistas da música. Todos a sua maneira, o Gustavo galo, o Lucas de
Paiva, o Vovô Bebê, a Claudia Castelo Branco, o Bruno Cosentino, o Evaldo Luna,
o Marcos Campelo, que desde ao Paulo Baiano, ao Felipe Castro e à Suely
Mesquita, são todos mestres.
Também a importância para os áudios de internet que estão em
vídeo, do Pedro Paz e Rafael Saar.
Cadernos de Música é uma coleção por assinatura. Receba em casa todo mês dois volumes com o melhor da música brasileira. Cada volume traz um ensaio e uma entrevista especial, inédita ou selecionada, com grandes nomes como: Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elza Soares, Tom Zé, Nara Leão, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, João Bosco, além de nomes contemporâneos como: Letrux, Ana Frango Elétrico, Thiago Amud, Pedro Franco e Luis Capucho.
Ontem, no dia das mães, o Lucas Fidelis tinha feito a Mamãe
me adora pra mim, em homenagem às mães, porque sou um filho da mãe ou eu sou um
pobre filhinho da mamãe, na verdade, nem sei, eu tou muito dentro desse tema,
que é uma coisa que eu sei de cor e tal. Mamãe não era feliz, mas a do Cazuza
ou, como me disse o Rafael, a do Kerouac, eram!
E, ontem, ainda, o Davi Vianna tinha feito a Eu quero ser
sua mãe, em homenagem às mães, mas também pra mim, eu vi isso, agora, que estou
atoladinho no tema. E pelos motivos que já disse aqui, ontem, coloquei no meu
canal.
Ontem, no dia das mães, o Lucas Fidelis tinha feito a Mamãe
me adora pra mim, em homenagem às mães, porque sou um filho da mãe ou eu sou um
pobre filhinho da mamãe, na verdade, nem sei, eu tou muito dentro desse tema,
que é uma coisa que eu sei de cor e tal. Mamãe não era feliz, mas a do Cazuza
ou, como me disse o Rafael, a do Kerouac, eram!
E, ontem, ainda, o Davi Vianna tinha feito a Eu quero ser
sua mãe, em homenagem às mães, mas também pra mim, eu vi isso, agora, que estou
atoladinho no tema. E pelos motivos que já disse aqui, ontem, coloquei no meu
canal.
Para o dia das mães, há poucos dias, o lucas fidelis havia
me mandado um áudio lindo dele mesmo cantando a minha Mamãe me adora, que foi
uma música que fiz na década de noventa e que, por conta dela, estive erroneamente
chamado de o Jean Genet da MPB. Me lembro de ter ficado, na época,
verdadeiramente feliz com o epíteto, essas coisas sempre alçam a gente, por
associação, a um lugar ainda sem nome e, por agora, têm me resumido no
escaninho dos malditos, e aí, finalmente estou chegando a um nome, quer dizer,
a um lugar de preconceito e tal. Enfim, esse é um assunto sempre difícil.
Mas, voltando ao lucas, eu lhe pedi que me mandasse um video
dele cantando a Mamãe me adora, eu sempre peço, sou um pidão, todo mundo sabe, que,
aí, era pra eu colocar no meu canal e falar de mamãe, e homenagear as mães,
minha mãe é meu pai e tudo. Aí, ele me disse que tinha pensado a mesma coisa e,
generoso demais, me mandou.
Eu tenho os discos e tenho os livros e tenho As Vizinhas de
Trás, o que mostra que tenho um senso grande de organização. Eu tenho isso
desde os meus brinquedos de criança, quando eu gostava, por exemplo, de
colecionar selos, ou porque, quando eu ganhava aquelas sacolinhas de bichos de
plástico, gostasse de organizá-los em zoológicos e tudo. Mas, na real, sou
extremamente bagunçado e fico feliz demais, quando consigo alguma ordem.. he he
he.
Bem no finalzinho, acho que foi o Tulio Buffe quem fez a
Rocha Julia, numa das mesas.
O Walter Bello e um outro rapaz do Nordeste, de quem não me
lembro o nome adoram essa música, que eu sei.
É um registro que o Pedro fez, em Limeira, meio um Limeira
Colorida, com essa nossa banda sudestina, que fomos, eu, Fernando Bocaletto,
Felipe aboud e Vitor Wutzki.
Eu me lembro de ter pedido ao Mitchel que fizesse o som que
ele achasse que fosse o melhor, portanto esse é o som dele.
Também, ao fim, alguém retumbou um “Bravo!” e a banda se
animou. A próxima foi a “Inferno”:
quinta-feira, fevereiro 13, 2020
Enquanto isso, estou a fazer ess'As Vizinhas de Trás - Dolores, para Vitória da Conquista, na Bahia. Gosto muito do jeito como elas olham, cheias de vigilância e pensamento. Vocês sabem que todas são assim e que todas são a mesma. Além disso, quando elas aparecem pra mim, é arregaçante como o nascer do sol aqui no vale, como a flor que se arregaça no vaso da Therezinha, lá embaixo. Mas tem a diferença de ser um arregaço que fui eu quem quis:
Eu fico feliz demais, acho incrível, mesmo uma maravilha,
que outro artista que considero de verdade, me chame pra participar de um som
seu, que tenha afinidade artística comigo, que veja isso na minha forma, no meu
miolo e no meu fluxo. Isso traz verdade também pra mim, que fico escorregando
nela, perguntando pra sempre nela, sempre ali na sua corda bamba, ela escapando
pela janela, assombrando a madrugada, sei lá, essas coisas loucas que no fim
são certas, porque é onde estamos, junto do seu emaranhado.
Aconteceu pela primeira vez, quando o Rogério Slylab me
chamou pra participar de uma música linda que ele fez, chamada Deixa, no disco Desterro
e Carnaval. Dessa vez foi o Vovô Bebê quem me deu a alegria. Me chamou pra
participar da Saparada, no seu Briga de Família.
O ídolo Ney Matogrosso depois de ter por muitas vezes que gravaria uma de minhas músicas, desistiu da “Cinema Íris”, meio que numa previsão do pouco alcance desse pessoal, dos Bozo, que chegou legitimando o pavor, a tortura, o assassinato, a cuspida, a burrice da ignorância, tudo, tudo, enfim, com a grosseria natural deles, de quem não enxerga um palmo sequer diante do próprio nariz, essa gente pavorosa, amedrontadora, destruidora, que não tem plano pra todo mundo e, aí, está instalado uma vida plana, que não seria possível pra nós, sem plano de voo pra nós e tal.
Só que, não. A gente vai continuar existindo na frente, atrás, em cima, embaixo, dos lados, à esquerda, direita, o sol nascendo e morrendo.
O Bruno Cosentino mesmo fez um show com o repertório do Ney, em homenagem a ele, e incluiu a “Cinema Íris”, quer dizer, colocou dentro. E isso é apenas pretexto pra mostrar esse registro do Pedro que fizemos em Limeira-SP, mês passado e que adorei demais. Porque, ao vivo, dentro de mim, estava tudo sem fluxo e quebrado no chão, mas olhando o registro do Pedro, fluía super no céu, com o Fernando Bocaletto na guitarra, o Felipe Abou na bateria e o Vitor Wutzki no baixo.
A apresentação que eu e Paulo Barbeto (Prática de Montação)
fizemos no sábado, do Ave Nada, foi uma beleza. Tivemos o respaudo maravilhoso
da Casa Sol, do Pedro, do Roberto, da Isabela e foi uma coisa linda: a chuva
esperou até quase o finalzinho da leitura performada de teatro e música, pra só
então nos espulsar a todos do terraço, ah, e isso foi perfeito da natureza, da
água, todos se apressaram para proteger os instrumentos elétricos, o palco e a
si próprios, no fundo. Pedro pegou esse trecho no seu celular, quando após o
Paulo falar o registro do dia 25 de julho de 2000 canto a Ave Nada(vitor
wutzki/luís capucho), título de todo o assunto.
Eu sei que a música é sempre a mesma, mas pra cada lugar,
pra cada situação, ela se ajusta de um jeito particular, além do modo como cada
um dos que contribuíram pra o momento dela, ali, naquela hora, estar ajustado
assim, assado. Mas o que é certo é que achei esse registro de A Vida é Livre,
em Limeira-SP, um dos mais bonitos que Pedro fez dessa música até agora.
A gente publicou o Crocodilo na internet, um disco
abarrotado de outros artistas, porque eu tive essa sorte, e que fizeram das
músicas que foram escolhidas pra ele, o bicho. O Bruno e o Biajoni fizeram
textos em que observaram os bichos do disco e eu me lembro de o Baiano já ter
observado o ponto de vista selvagem com que observo os acontecimentos que se
transformam nas músicas, já no Cinema Íris, talvez, mesmo no Lua Singela.
A estória é enorme e se desdobra pra trás em muitas
direções, mas me lembro de estar conversando com o Rafael e o Paulo sobre
fazermos o Ave Nada, que é o nome de uma música que Vitor Wutzki fez para o
lançamento do Diário da Piscina(É selo de língua-editora É/2017) no loki bicho,
em SP. Nós estávamos conversando e esse nome “Ave Nada” começou a ser
apresentar as músicas entremeadas de textos do Diário da Piscina. E o Vitor
tinha dito que era bom que fosse uma bateria, com o baixo e o violão, para a
parte em que eu fosse mostrá-las.
Isso foi uma sorte, porque o Felipe apareceu com uma bateria-mirim
e começamos a mostrar as músicas, às vezes, fora da idéia inicial de ser o Ave
Nada e, às vezes, Ave Nada. O fato é que temos uma banda – violão, baixo,
batera – pra apresentar as músicas e a última vez que fizemos isso foi no
Centro Flutuante, em Vitória – ES, onde está o Felipe. Dessa vez, nos
encontraremos todos em Campinas, onde está o Vitor, e isso traz uma felicidade
de estarmos juntos outra vez pra tocar, juntos, felicidade de tocar. De
Campinas, faremos um De Casa em Casa em Nova Odessa e outra apresentação em
Limeira.
Eu sei que as estórias só são entendidas mesmo no final e
nós nem começamos a contar, mas espero que estejam entendendo o que estou a
dizer, porque também ela se desdobra adiante, sempre adiante quanto mais pra
trás. Isso se junta ao fato de, no Crocodilo, cada uma das músicas ter um
artista-produtor diferente, que jogou suas ideias ali nas canções e nós, a
banda, temos o nosso jeito, o nosso limite, um estilo, e o que somos é outra
coisa.
Apresentaremos músicas de todos os discos, também do
Crocodilo, do Lua Singela, do Cinema Íris, Poema Maldito e Antigo.
A gente, eu Felipe Abou e Vitor Wutzki, vai se juntar outra
vez pra apresentar as músicas em Limeira e Americana, agora, em janeiro. Isso
foi uma proposta do luiz biajoni, de quem a novela Virgínia Berlim, foi a
inspiração para a música Virgínia e eu.
Também, nossa ida tem o apoio do Limeira Colorida, na pessoa
do Fabio Shiraga. E do Pedro. Nós estamos muito felizes com isso e vocês sabem
que somos, a banda, cada qual de um estado, faltando apenas um guitarrista
mineiro para que se complete nossa banda sudestina.
Os assuntos vão se abrindo, vocês sabem, vão aparecendo,
pedem explicação, pedem serem falados e não sou obediente. Às vezes, quero
manter a rédea, me deixar na linha. Às vezes, sou obediente e me liberto, junto
deles.
Dessa maneira, mantendo o assunto, sem fugir, sem me
libertar, não sou bom de me situar no tempo, tenho grandes problemas com isso,
com o tempo – vocês podem ver isso na minha forma de tocar o violão.
Mas nossa banda sudestina, espalhada assim, existe já há mais
de ano, talvez, e estamos ensaiados. De todo modo, nos encontraremos todos em
Campinas, antes, para ensaiar, ajustar os pontos. E em Americana, onde será um
De Casa em Casa, funcionará, sem ser, como ensaio, mais uma vez. Ao mesmo
tempo, será uma celebração de estarmos juntos outra vez. Uma maravilha!
Mas o fato é que ontem, coloquei-me no youtube, filmado pelo
Samuca, tocando a Crocodilo, pra quem quiser tocar como no original.
A Edson do Rock é uma música irmã da Pessoas são Seres do
Mal, músicas que fiz para o Drácula, um rapaz desonhecido, um nick, com quem
mantive um romance virtual por um ou dois anos.
Sobre ela, Bruno Cosentino escreveu:
‘Outro bicho que está presente no disco é o
morcego de “Edson do Rock”. A produção, primeira de Pedro Carneiro para o
disco, é um primor de imagens sonoras, sugeridas pelos sons das teclas das
flautas e por um backing soprado de Pedro, que canta em uníssono quase a
letra inteira, interrompendo por vezes com sopros fortes, que criam uma
atmosfera cheia de vapores, névoas, fazendo contudo sobressair as cores da
noite; noite que, se para a maioria das pessoas é zona de dissipação e
incerteza, para Edson do Rock, o morcego, é quando se sente mais seguro “nas
correntes do vento” — nessa parte da letra, a harmonia se abre e a flauta que
acompanha a voz faz a gente voar junto com o bicho.”
terça-feira, janeiro 07, 2020
Luís Capucho, um capixaba maldito, apresenta novo disco
Cantor e compositor cachoeirense radicado no Rio de Janeiro lançou Crocodilo, com dez músicas inéditas
Antes tarde do que nunca. Mas vamos falar do disco de Luis Capucho, lançado no último dezembro. Em Crocodilo, lançado nas plataformas virtuais, o cantor e compositor cachoeirense mostra mais uma vez sua alma de maldito. Os poetas à margem tem muito a dizer. Integrante de uma geração de artistas que emergem nos anos 90 e receberam a alcunha de movimento Retropicalista, ele aponta para uma MPB que fala não só das coisas belas mas também das angústias, dos errantes, do submundo. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Luis Capucho foi morar no Rio de Janeiro ainda adolescente, tendo se formado por em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), seguindo em paralelo com a música uma carreira na literatura. A voz rouca do artista marca sua música e também traz marcas de sua vida. Em 1996, mesmo ano em que havia lançado sua primeira canção no disco coletivo Ovo, foi internado por conta de uma neurotoxoplasmose, descobrindo também que possuía AIDS. “Minha voz é muito estranha, por causa da minha incoordenação motora. Tenho dificuldade para pronunciar os fonemas e a força que preciso fazer para dizê-los, incham-me as veias do pescoço. Também para que elas saiam é necessária muita concentração e, desse modo, as palavras ficam lentas, explicadas, com a pronúncia exagerada pelo esforço em dizê-las. E embora saiam explodidas, altas, roucas e arranhadas, são sempre minuciosas em sua pronúncia”, escreveu em seu livro “Mamãe me adora”. De fato, a voz e pronúncia marcam um estilo próprio de uma carreira que produz música de alta densidade existencial. Crocodilo é seu quarto álbum, contento 10 canções e 33 minutos de duração, contando com participação de Gustavo Galo, Julia Rocha, Lucas de Paiva, Claudia Castelo Branco, Bruno Cosentino, Marcos Campello, Evaldo Luna e Pedro Carneiro, conhecido como Vovô Bebê, responsável pela produção do disco em geral. “É uma coisa louca que tenhamos conseguido unidade para o disco Crocodilo, sendo que cada uma das faixas tenha sido produzida por um artista diferente. E acho que a sinergia que rolou, como já disse de um outro modo e antes, tem a ver com a liberdade. É a liberdade de cada artista que tornou o Crocodilo inteiro”, explica. Crocodilo vem para dizer que não está tudo bem. Não só lá fora, mas também dentro de nós. Mas ...
O Cinema Orly, na 1ª edição da Ficções de Interludio/1999,
se não me engano, saiu em novembro daquele ano. E pra comemorar o livro muito
vivo aos vinte anos, o Centro Flutuante - um Centro Cultural Independente na
cidade de Vitória, ES - fez uma serigrafia com um dos desenhos de Cesar Lobo
que entremeia a narrativa muito iluminada da escuridão do livro. Fez nas minhas
camisas de nadar. E aos amantes de literatura que quiserem, será apenas ter uma
camiseta, para fazer a impressão. O Cinema Orly é sujo, mas a camisa é
looooooooosho!
sábado, dezembro 28, 2019
Ontem, a gente viu o programa da última polêmica, agora, do
jesus gay. Achei que a rapazeada zona sul do Rio, que faz o programa,
homofóbica como a outra rapazeada zona sul que jogou bomba no prédio deles. Por
muito tempo, a buceta da mulher era, para o cristianismo, a metáfora do
demônio, o sexo criador, que se confronta com o ato divino da criação, era o
pecado do homem. Agora, o sexo viado, silenciado por séculos, entrou na roda e,
com a buceta da mulher naturalizada, virou o sexo pecador, o demônio no deserto
de Cristo. Me poupem.
A Crocodilo foi que ganhou o nome do disco. E que no fim,
definiu sua capa. A gente fica fazendo um monte de elucubração pra montar algo e,
no final, os pedaços todos que contribuíram para a coisa inteira são apenas
vestígios, talvez, desimportantes. O caso é que por conta de o disco ter cada
uma de suas faixas espalhadas por artistas-compositores diferentes e por conta
de haver essa música “Crocodilo”, eu tinha pensado no corpo de Osiris espalhado
pelo Nilo. Também poderia ter pensado num Frankstein ou ter pensado numa outra
coisa, outra música para nomeá-lo, e, a verdade é, que o caso é este, a ideia
do disco e de seu nome é do Felipe Castro, produtor de meu anterior “Poema
Maldito”.
Eu também de um tempo pra cá tenho pensado nisso, nas coisas
que a gente pensa e faz e sente e vê, sei lá, todas as coisas que têm como fim
a produção de uma música, de uma capa, de um disco, que como disse no início,
pode ser mesmo desimportante, mas que pode como satisfação, dar valor pra o
lance da gente, o que me lembra aquele ditado de mamãe: o que engorda o gado é
o olho do dono. Também me lembra o que ouvi de um distribuidor de música uma
vez: ultimamente, uma música pra ter escoamento, precisa de um texto. Também,
um diálogo de um filme que vimos esta semana, em que o jornalista chama uma
artista de impublicável por ela não saber explicar a sua performance. Também me
lembra Jesus, quando pede perdão pra os que não sabem o que fazem. Mas sobre a
Crocodilo, essa minha música, eu não sei o que dizer, gente. É uma música que fiz,
ué.
Ouçam:
A jornalista e curadora de música Mônica Ramalho tem um perfil no Instagram #laranjaéacordovestidodela onde expõe capas de discos do ano. Fiquei orgulhoso de o Crocodilo ter aparecido lá. Para os que, acaso, queiram se inteirar de quem tem feito música por aqui, vale conferir: https://www.instagram.com/laranjaeacordovestidodela/
Ainda sobre a Antigamente, me lembro de tê-la feito, quando
mamãe ainda estava viva e morava comigo na Casa de Trás, que posso ver da
janela, aqui, do apezinho onde moro agora. Comecei a fazê-la como quem fosse
contar uma lembrança, mas enquanto lembrava, foi ganhando autonomia e se
transformou numa construção independente da lembrança, uma novidade pra mim,
uma coisa que foi brotando a partir dela mesma, uma música, um texto, enfim.
E fico feliz de ter pessoas que vêm me dizer que gostam
dela, porque isso vai se tornando parte do seu corpo, como se fosse uma cola,
um troço que servisse para torná-la mais firme, mais forte, mais definida, viva,
menos fantasmagórica, assim, pronta para sumir numa gaveta. O corpo dela também
ganhou essa substância que formam as coisas que têm vida, por conta dos
artistas que vieram contribuir nela, acho a brasa na ponta do cigarro, tudo.
Antigamente (luís capucho)
ISRC: BR - ZHZ – 19- 00001
Voz e violão - Luís Capucho
Baixo e viola – Vovô Bebê
Guitarra – Victor Wutzki
Bateria – Vitor Wutzki
Sintetizador – Rafael Montorfano
Baixo fim – Ivan Gomes
Voz – Julia Rocha
Gravação e mixagem RJ – vovô bebê no estúdio do vovô
Gravação SP - Rafael Montorfano e Ivan Gomes no
Lamparina
Produzido por Gustavo Galo
segunda-feira, dezembro 23, 2019
Hoje
o Victor Lambert mandou no in box essa tirinha que fez para Antigamente, a
música com que começa o Crocodilo. Eu não o conheço ainda, mas ele é amigo do
Leonardo Marona. Vocês podem imaginar a minha alegria de ver a Antigamente na
sua tirinha, desse jeito, ne.
Sobre
a Antigamente, o Bruno escreveu:
O
disco começa e termina, por acaso, com muita fumaça e cigarros. A primeira,
“Antigamente”, produzida por Gustavo Galo e com guitarras de Vitor Wutzki, é
uma destas canções narrativas em que Luís conta uma história e insere reflexões
que são antes impressões intelectuais não conclusivas a partir da experiência
vivida. Cantada na primeira pessoa, o personagem se lembra que “antigamente/
quando não tinha mais nada/ na noite fria e quente/ saía para pedir cigarro”.
Tendo conseguido o cigarro com alguém na rua, observa que “tem gente que gosta
de ver símbolo nisso”, e concorda: “o fogo realmente tem muito significado/ e a
fumaça que completa a gente com seu corpo meio transcendente/ assim fluido,
aquece meu espírito frio”. A partir de então, a sensação da fumaça toma o corpo
todo e se estende à própria sensação subjetiva da fruição do tempo, que “passa
mais lubrificado, agarra menos, é mais livre, mais solto, mais gostoso, mais
completo”. Adiante, Luís canta: “dizem que a vida não é só sexo, acha brasa na
ponta do cigarro”, deixando entrever que se a vida não é só sexo, a premissa é
sempre de uma presença intencionalmente sexuada. Emenda, para terminar, no
refrão: “vou fumando noite adentro o cigarro que você me deu”; dividido com
Júlia Rocha, que coloca sua voz de timbre a um só tempo sóbrio e sexual como
numa cópula vocal — uma nuance do “grão” da voz que é pra mim um dos pontos altos
do disco. Para ouvir é aqui: https://www.youtube.com/watch?v=lHkkpQBCiYg
domingo, dezembro 22, 2019
Num filme, ontem, A Grande Beleza, o diálogo era assim:
- Gostou da performance?
- Partes dela. Aquela caabeçada violenta me fez entender
muitas coisas. Vamos começar do início...
- Por que não do fim? Sabe Talita Concept gosta de provocar.
Não gaste energia, há
coisas mais importantes do que me provocar. E este hábito de falar na terceira
pessoa é insuportável. O que você está lendo?
- Eu não preciso ler, vivo de vibrações, frequentemente
extra-sensoriais.
- Abandonando por um instante a extra-sensorialidade, o que
você entende com vibrações?
- A poesia das vibrações não pode ser escrita com a
vulgaridadae das palavras.
- Tente, pelo menos.
- Sou uma artista, não preciso explicar nada.
- Então, vou escrever: vive de vibrações, mas não sabe o que
são.
- Estou começando a não gostar desta entrevista, percebo um
conflito.
- Como uma vibração?
- Como um chute no saco. Vamos falar de como o noivo de
minha mãe abusou de mim.
- Não. Eu quero saber o que é uma vibração.
- É o meu radar para interceptar o mundo.
- Seu radar... o que significa?
- Você é um pé no saco. Talita Concept quer ser entrevistada
por seu jornal, tem tantos leitores, mas você é preconceituoso. Escreva como
ela faz sexo com seu noivo, 11 vezes por dia, ele é um artista conceitual
talentoso, ele cobre bolas de basquete com confetes! É sensacional!
- Talita Concept fala de coisas que não têm o menos
significado. Tudo o que ouvi é porcaria impublicável. Acha que me encanta com
coisas como “sou uma artista e não preciso me explicar”. Nosso jornal tem um
núcleo de leitores cultos. Não queremos ser provocados. Eu trabalho para o
núcleo.
- Então, deixe-me falar sobre o meu sofrimento, mas como um
caminho indispensável do artista.
- Indispensável pra quem? Pelo amor de Deus, minha senhora,
o que é uma vibração?
- Eu não sei.
- Você não sabe.
- Você é um idiota obssessivo. Vou dizer à sua editora para
me enviar um jornalista de estatura mais elevada.
- Um conselho: quando falar com a minha editora, use muito
tato no conceito de estatura. Ela é anã.
Eu me lembro de há muitos anos alguém ter falado que minhas
músicas eram esboços de música. Eu nunca me esqueci disso. Eu posso até dizer
modestamente que são esboços, mas na verdade, não são. São músicas inteiras e
completadas na minha voz e violão. Como dizia mamãe, a pessoa que me disse isso
já foi pro inferno, não está mais entre nós. Mas me lembrei dessa estória, de
uma pessoa que se achava e que se foi pro inferno, por conta dessa
guitarra reagae que o Marcos Campello
colocou na Triste.
Vejam:
quinta-feira, dezembro 19, 2019
Vovô Bebê é onde o meu disco ficou decantando, no seu
estúdio no Jardim Botânico, perto da Lagoa, o Crocodilo. Foi, na verdade, quem
concentrou o disco e que fez a produção das músicas Crocodilo, Edson do Rock,
Quando é noite, Virgínia e eu, e junto com o Bruno Cosentino, da Acalanto do
Amor. E foi um lance engraçado, eu tinha respondido a alguém com quem falava
aqui no facebook: pow, você ta me tirando? E, aí, numa de minhas idas até lá
pra resolver o disco, Vovô me perguntou se eu topava participar com ele de uma
das faixas do seu Briga de Família, a Saparada. Claro, ué!
Mas o modo de falar na música, estou mais descolado, quando
escrevo. Porque posso falar desse jeito, quando estou muito comigo,
profundamente comigo. É um lance mais íntimo, que não sei socializar e tal.
Lance só em família, que nem tenho he he he!
Então, gostei muito, porque pude levar pra superfície,
destravei, desenrusti. Além do que, o Vovô é pra mim, na minha singela
compreensão, um compositor de verdade, que tem inspiração na música, que tem
fluxo e fluência nela, no amor.
A Cérebro Independente, fiz pra o Marcos Sacramento cantar,
meu amigo e parceiro de muitos, muitos anos. Ele chegou a cantá-la em dois ou
três shows, mas depois ela caiu. Com ele, ficou um samba pauleiríssimo e uma
vez ele veio tirar uma dúvida comigo sobre a letra e conversamos dela. Hoje
acordei me lembrando disso: a libertação do corpo no samba e a liberdade de
pensamento, que são as coisas que se truncaram na letra e tal. Eu sempre acho
que as coisas não têm mesmo explicação e acho também que estou bem com isso. O
Lucas de Paiva foi quem produziu essa faixa pra mim e ficou uma maravilha,
vocês podem ver:
O narrador do Diário da Piscina é hiper-fã do Gilberto Gil.
Eu andei pensando sobre esse meu livro mais do que andei
pensando sobre os outros que fiz. Isso porque o escolhi como tema de meus
encontros nas escolas de cidades de alguns estados, promovido pelo SESC, no
projeto Circuito de Autores, nesse 2019.
O que encontrei na internet de mais inspirador para falar dele,
foi um trabalho da artista carioca Marília Garcia, chamado Tem País na Paisagem
- https://www.youtube.com/watch?v=qEQfXg4b9Ko.
Porque além do tema da repetição, o diário também brinca com essa palavra “país”,
que é uma palavra que fica boiando na água da piscina, como brincasse um
barquinho de papel.
Mas essa postagem é pra falar mesmo de Gilberto Gil - de
minha surpresa e alegria - cujo show é profetizado no meu Diário:
O último lançamento que fiz não foi de música, foi do livro
Diário da Piscina(editora É/2017). E, aí, foi legal, que conseguimos lançar nas
capitais do Sudeste. Saímos, eu e Vitor e Pedro e fomos. Em Sp, tivemos mais o
Tulio, a Julia e o Gustavo Galo. Aqui no Rio, o Prática de Montação, na Gamboa.
Em Vitória, no Sesc Gloria, com o Fabrício e David. Em BH, com João Santos, no
171. O livro é solitário, mas é um monte de gente. Então, foi um livro que
saímos lançando. Depois, ainda fizemos mais lançamentos dele no Circuito de
Autores, no projeto Arte da Palavra, do SESC, onde circulamos por várias
cidades dos estados da Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Foi um
lance muito feliz!
O Crocodilo, esse início de lançamento, tem sido apenas e,
por enquanto, virtual.
Hoje acordei pensando nisso. Qual matéria física é essa do
meu disco, que nuvem é essa que começa e termina nele, com fumaça de cigarro?
Enquanto o livro é solitário, mas um monte de gente, o disco
Crocodilo é um monte de gente e solitário, no sentido de inteiro, integral,
único e tal. E também tive a sorte de os amigos estarem mostrando pros amigos,
tem umas pessoas incríveis que vieram falar comigo e tudo.
Também, teve um menino de Pernambuco que apareceu do nada no
meu in box, com muita insistência e repetidamente, ele disse, pelo amor de
Deus, se inscreva no meu canal. Free Frire. Por conta da insistência, quis
saber com ele o que era isso. Ele disse que é um jogo. Pediu que eu pedisse a
todos os meus amigos que se inscrevessem no canal dele. Eu disse que não vou
fazer isso com meus amigos, mas eu próprio me inscrevi no canal dele.
Voltando ao Crocodilo, eu queria que os amigos ouvissem e
mostrassem pra quem acharem que vai gostar. O Vovô Bebê foi quem produziu,
incrível, a Quando é noite, que vou mostrar, hoje, junto de Acalanto do Amor as
de que mais gosto. O Bruno Cosentino disse:
“Outro tema que salta na audição de Crocodilo é a tristeza.
Como disse, a meu ver, o canto de Luís é um canto da saúde; então, a tristeza —
doença da alma — é seu avesso; tratada, no entanto, de modo investigativo, pois
sempre acompanhada de uma reflexão mansa e inquieta, que, por sua vez, a
ultrapassa. Esse é o motivo principal de duas canções do disco: “Quando é noite”
e “Triste”. Na primeira, um blues, ele canta: “Quando é noite e tenho de compor
os meus pedaços/ como se eu fosse depois da explosão da vida, do mundo, da
existência louca” ou “e a gente vê que vai perdendo tudo/ e a gente vê que não
entende mais nada/ a gente vai se envergando, se envergonhando, a gente vai se
retesando, a gente vai ficando muito triste”. Mas a noite, metáfora da
tristeza, é, de repente, atravessada pelo som de uma “guitarra alheia”, que
chega, portanto, acidentalmente. O som, que poderia ser apenas ruído,
reiterando o caos interno que vive o personagem, contém, no entanto, um
princípio organizador: “mas muito dentro dos mínimos requebros”. O ritmo, ainda
que um resquício mínimo dele, convoca o corpo à dança, ao ritual, e o harmoniza
com o cosmos e a vida coletiva, isto é, o retira de dentro de si e o devolve ao
mundo: “Ai, a alegria do voo dos pássaros lá fora/ e o brilho frio das
estrelas”; trecho da letra acompanhada de melodia que emula o livre movimento e
a dinâmica dos pássaros no céu.”
vejam:
quarta-feira, dezembro 11, 2019
A primeira coisa que coloquei na minha Camisa de
Apresentação foi o breve que mamãe me deixou. Depois, à medida dos shows, fui
acrescentando as outras coisas. E num dia que o Alan esteve aqui, colocou uns
babados de linhas douradas, uns babados dourados, no breve. Depois, o breve
ganhou uma escama caída da roupa de sereia do ídolo Ney Matogrosso. Depois,
umas bolinhas, bolinhas em tons vermelhos e um tanto translúcidos, que foram de
Dona Lidia. E, assim, ele vai indo.
Eu apresentei umas músicas no final de semana que passou no
Salão da Paula, com ela e Eduardo tocando comigo. Depois, coloquei a camisa no
cabide e pendurei na janela do Salão. Uma hora, uma moça veio elogiar e eu corri pra
explicar. Comecei a explicação pelo breve, mas na segunda frase, era tanta
coisa, que não me veio nada à cabeça. Desisti e fiquei quieto. Ela saiu. Aí,
veio outra moça, acariciou o babado e disse, é uma sereia! Então, fez todo
sentido que eu tivevesse parado de falar para a primeira moça, porque essa era
a explicação que eu ainda não tinha. Se a moça que veio falar primeiro não
tivesse ido embora, era o que eu falaria. É uma sereia!
Fora isso, a cabaninha que eu e Pedro fizemos para a foto de
capa do Crocodilo:
terça-feira, dezembro 10, 2019
O Intervenção Urbana é um programa de internet pr’aqueles
que são interessados em música. É um orgulho pra mim participar como
compositor, com as minhas músicas, e é um orgulho estar no meio do repertório
de artistas que é do gosto do Shiraga, porque a gente acaba se interessando por
todo mundo que ele toca. Também, eu sei, que ouvir um artista pela primeira
vez, um artista, uma música que não conhecemos, pode acontecer de a gente não
apreender de vez e, aí, fica aquela coisa de você ficar olhando de fora, meio
sem jeito e tal, sem saber se vai pra dentro, se não vai. Mas o programa do
Shiraga é de primeira. Logo no início das músicas você já quer entrar e ficar.
A “Virginia e Eu” é no clima do Virgínia Berlim [uma
experiência] do Luiz Biajoni, para a comemoração de seus dez anos de
publicação. E eu fiquei feliz demais, porque o Pedro resolveu voltar a fazer
seus clipes de minhas músicas. E mais feliz, porque a Romilda Martins Soares
topou entrar na viagem dele. E achei tão bonito o clima que ficou, a encenação
dela, os retratos dela no celular do Pedro, uma maravilha!
O Bruno Cosentino diz assim dessa última faixa do Crocodilo:
“Na faixa Virgínia e Eu, produzida por Pedro Carneiro
(também última a entrar na coletânea), Luís constrói uma melodia circular por
adições de versos. De modo intuitivo, pequenos trechos de uma longa frase são
acrescidos de outros, que ora são repetidos por inteiro, ora não, o que cria
uma sensação de devaneio envolta pela fumaça que aqui se torna palpável,
revelando, ao fim, como que se descortinando por detrás da vista enevoada, dois
personagens, e a pergunta: “o que aconteceu entre Virginia e eu?”