sexta-feira, junho 01, 2018

drama


Comecei a anotar as datas nos cabeçalhos de meu cadernos, em março de 1969, quando entrei para a escola primária. Hoje, estou em 2018 e são 1º de junho. Faz 49 anos que anoto essas datas, dia a dia, com interrupções entre alguns deles, mas a continuidade de minhas anotações, são espaços maiores que o espaço de ausência delas.
Consegui agendar uma consulta no oftalmologista para o dia 15, e não tenho ideia de que, se espero tantos dias para medicar minha uveíte no olho esquerdo, eu vá comprometer, para sempre mais, a diminuição dessa minha vista ou, sei lá, se ficarei cego dela.
Há muitas situações diante das quais a gente fica se sentindo impotente. Ontem, eu estava com a ideia de que não há realmente nada que a gente possa fazer. Estava com a ideia de que as coisas são o que elas são e pronto. E estava com a ideia de que não há nada mais revolucionário que deixar as coisas como elas estão. Que aí, elas vão se enovelando no fluxo do movimento da vida, dos dias e das noites e, por elas mesmas, vão se arranjando umas com as outras, sendo o que são e o que têm de ser.

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