sábado, maio 25, 2019


OBS: essa informação não é fake. Fake foram as news que elegeram o nojeira:

O pessoal que contraiu o HIV no início da epidemia, ta vivendo o problema gravíssimo das desaposentadorias, chanceladas pelo atual presidente nojeira, que vetou o Projeto de Lei do Senado n° 188, de 2017 - Lei Renato da Matta.
O atual governo sequestrou as aposentadorias de 25 mil pessoas, a maioria com mais de 50 anos, portanto com uma possibilidade mínima de sobreviver ao mercado de trabalho. O argumento:

“...Ademais, nos termos do art. 193 da Constituição da República, a ordem social tem como base o primado do trabalho, assim, a proposta legislativa tem o potencial de estigmatizar e violar a dignidade do segurado com HIV, que seria afastado, por presunção, da possibilidade de reabilitação profissional, decorrente de perícia médica periódica, que tem ainda a relevante função de combate a fraudes no âmbito previdenciário.”

Ora, quem está sequestrando a dignidade do trabalhador aposentado é o nojeira cínico. Por conta disso, um grupo de Sobreviventes da AIDS fez essa petição. Peço que divulguem e assinem, plis:





domingo, maio 19, 2019


Eu tava conversando com um amigo sobre essas desaposentadorias dos HIVs.
Primeiro, como uma coisa assim tão grave tenha partido das pessoas que fazem política. E, depois, a gente começou a falar de, talvez, porque a AIDS tem sido noticiada como uma doença crônica, como tem sido difícil pras pessoas entenderem as comorbidades todas que o vírus e os antirretrovirais trazem pras pessoas que estão sendo desaposentadas. E, aí, essa parte de pessoas mais burra desse entendimento, não se manifesta, deixa rolar, não ajuda na tentativa de reverter a situação gravíssima.
Pra vocês terem idéia, há pessoas que tiveram cegueira como sequela, por serem portadoras do vírus HIV e que foram desaposentadas. Nessas desaposentadorias, pode-se enumerar um monte de maluquice desse tipo, uma coisa mesmo de matar. A gente escreveu pra Ouvidoria da Fiocruz pedindo que se posicionassem a nosso favor, que usassem a autoridade da instituição em nossa defesa. Uma pessoa do INI – uma sessão da Fiocruz – teve a pachorra de devolver em resposta assim: que não sabia o que queríamos dizer com o pedido de estarem a nosso lado!
Mas voltando à conversa com meu amigo, ele me disse:
“Sempre foi assim. Fica cada um na sua propria bolha e so se manifestarão quando eles forem afetados diretamente. Foi asssim na Alemanah e é assim com o exterminio dos negros nas favelas diariamente. O que nos fazemos com isso? Absolutamente nada pois nao moramos em favelas e somos brancos ou quase brancos.”

sexta-feira, maio 17, 2019

balada da paloma - luís capucho

O Rafael Julião me disse que
estava para lançar um livro com seus poemas e que dedicava um deles pra mim.
Ele também disse que a estória era de sua mãe, dele, mas que ele fazia essa
relação. E, aí, me mandou o poema-letra:

Balada da Paloma

A Luis Capucho

Paloma passa correndo
ali ela tá solta no meio do barco
e pede ao cara de branco
não a prenda 
Paloma passa pelo pátio os
bancos, as famílias e os pombos
passa a garota de pulso
enfaixado e o velho agachado
e a pessoa nua de peito
mole pede calma,
os braços no alto Guernica e
passarela, cemitério carnaval
Paloma quer cantar

Deixa cantar a sereia do
hospício
Deixa cantar as as sereias do
hospício
Deixa eu cantar as sereias do
hospício
Deixa eu cantar com a sereia
do hospício

Paloma passa fazendo cena ela
stá "lock"
E minha mãe me leva a
desfilar no corredor Que nunca se acaba
Paloma passa por mim e
continua em minha mãe
passa o enfermeiro amassado,
e o faxineiro ali parado, 
e a menina alta que reclama
do gordo molhado na janela
Incêndio na plateia, solidão
e vendaval
Mamãe quer seguir...

Deixa seguir a sereia do
hospício
Deixa seguir as sereias do
hospício
Deixa eu seguir as sereias do
hospício
Deixa eu seguir a sereia

Paloma passa lambendo o chão
ela está rindo na frente dos parentes e faz que não tá loca ela só quer
causar 
Paloma passa pela beira do
mundo e das palavras
beira o frei acanhado e o
rehab advogado do rapaz robô que alguém dopou e ela viu a criança acordada
dentro da mulher sem banho
Inocência e bacanal Paloma
quer dançar...

Deixa dançar a sereia do
hospício
Deixa dançar as as sereias do
hospício
Deixa eu dançar com as
sereias do hospício
Deixa eu dançar com a sereia
do hospício









quarta-feira, maio 15, 2019

Luís Capucho - Mamãe me adora

No dia das mães, passou batido, eu não disse nada. Embora a
gente seja treinado com as palavras desde muito pequeno é difícil pra caramba
encontrá-las pra dar conta das coisas que a gente quer. Ou, diante da
impotência, a gente não quer mesmo, não quer dizer. Tem um medo, um lance mais
profundo, onde a gente não quer ir parar. Mas fiz essa música que o Rafael Saar
tinha colocado no canal dele e tirado – acho que ele acabou com seu youtube – e
pedi pra voltar, porque ele fez uma colagem muito legal com ela. E, aí, vai
ficando cada vez mais difícil dizer.


Vejam:

domingo, maio 12, 2019

via GIPHY
A Diully estava tirando fotos minhas, perguntou se poderia, e depois falou do Cinema Orly. Ela começou falando a introdução de um texto do Mario Lugarinho para o livro: Nasce a literatura gay no Brasil, que Mario Newman, o Professor, tinha indicado. Depois as outras moças, Barbara e Geovana, falaram do Mamãe me adora e Diário da Piscina. Ficou tudo muito bonito o modo como essas meninas se envolveram com os livros e com aquela situação de exposição em que a gente ficou.
O Mamãe me adora, na leitura da Barbara, formou uma questão que ela pediu que eu comentasse, mas na hora eu não soube desenrolar. Eram coisas que ela tinha pensado no livro, na viagem pra Aparecida, talvez, coisas do corpo e coisas espirituais. Aí, eu não desenrolei. Depois, pedi desculpas. Eu não tinha pensado sobre isso, apenas contei a viagem.
A Geovana, que tinha lido o Diário da piscina, colocou a questão do autor, assim, como criador, um deus onisciente. Aí, eu disse, não, que eu não sabia de nada. E ela ficou de pensar sobre isso.
Foi tudo muito bonito!

quinta-feira, abril 25, 2019

Parado Aqui - luís capucho

Fiz a Parado Aqui, quando eu era professor em Papucaia. E
tinha uma música de Roberto Carlos na minha cabeça, que estava sendo referência
pra mim, pra eu fazer ela. Que era “de que vale o céu azul e o sol sempre a
brilhar...”.
Também já fiz outras músicas que pegaram como referência
músicas de amor ou mesmo encalacres biográficos de paixão, mas que no processo
de construí-las, foram se tornando e ficaram outra coisa.


Eu adorei essa versão sudestina que fizemos no etnohaus no
início do mês. Mas ainda falta um mineiro pra completar o território da região
entre nós que tocamos:

terça-feira, abril 23, 2019

Como todos sabem, não há responsabilidade no Planalto, estamos abandonados. Prestem atenção, amigos, e perdoem o emotivo do texto:

Envieei uma denúncia pro Ministério da Cidadania pedindo uma posição frente às desaposentadorias:

“Gostaria de anotar as perícias médicas ocorridas no pente-fino do INSS, que têm violado os Direitos Trabalhistas Brasileiros, jogando de volta ao mercado de trabalho pessoas doentes de HIV e dos efeitos nocivos dos anti-retrovirais, pessoas essas com mais de 50 anos e aposentadas há vinte, portanto, por esse tempo afastadas. E pessoas que se tornaram brasileiros torturados pelo desespero, a partir de uma violência sem sentido, uma ilegalidade institucional, e venho por meio dessa comunicação pedir o reparo desse inacreditável fato. Não há como estar diante do inacreditavelmente injusto, a não ser corrigindo-o.

Contando com a reintegração de nossas aposentadorias ao sistema do INSS,

grato,

luís.

obs: em anexo uma Petição Pública, ainda em andamento, na net.”

Resposta:

“Notificação para o solicitante: Prezado Senhor,

Informamos que o seu pedido será encaminhado para o Ministério da Economia, órgão responsável pelo assunto solicitado.

Atenciosamente,

Serviço de Informação ao Cidadão (SIC)
Ouvidoria Geral
Secretaria Executiva
Ministério da Cidadania
Setor de Indústrias Gráficas – Qr 04 – Bl. “C” – Lote 83
Centro Empresarial Financial Center Térreo Sala S-10”

O Ministério da Economia, por sua vez, mandou:

“Notificação para o solicitante: Senhor,

Seu pedido foi devolvido para o Ministério da Cidadania para análise e providências.

Atenciosamente,
Serviço de Informação ao Cidadão
Ministério da Economia”

Quem, mais generoso, pode dar uma ideia?


https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR111153&fbclid=IwAR2dh-KyyS-5x_nCr0chn_YMCVsJimiYH3UMSnZLVTop5PIUO0rQwMjUfXc

domingo, abril 14, 2019


Eu tou chegando da Bahia, onde com o poeta Celso Borges, que falou sobre o seu livro “O futuro tem o coração antigo” - http://www.ofuturotemocoracaoantigo.com.br/index.html, falei sobre o meu Diário da piscina (editora É/2017). A gente falou em três cidades bahianas para secundaristas, no projeto Arte da Palavra, um projeto promovido pelo Sesc. Eu tava meio apreensivo porque uma coisa é fazer um livro ou fazer uma música. Outra coisa bem diferente é apresentar essas coisas de corpo presente. Mas aí tudo correu muito bem, porque o Sesc, as escolas, as turmas, recebem a gente super bem, o Celso Borges é um ótimo companheiro de viagem e as meninas Cemary, Carla e Clarissa, que mediaram as mesas, são pessoas muito lindas.
Na verdade, pra falar do Diário de Piscina, eu falei mesmo de mim, do motivo porque cheguei aos livros, de onde parti para escrevê-los, também porque sou ao mesmo tempo autor e personagem. E também porque ao mesmo tempo não sou nada. Esse é um percurso de pensamento muito difícil de fazer, e acho que consegui e não consegui. E esse também era um motivo de apreensão. No fim, aprendi bastante e vou continuar aprendendo sobre, nos outros estados em que ainda iremos com o Arte da Palavra.
Só tenho mesmo que agradecer a oportunidade e a todos que se conjuminaram no antes, no durante e no depois disso.
Vivaaaaaaaa!


terça-feira, abril 02, 2019

Eu e Celso Borges estaremos em Feira de Santana, na semana que vem, pra falar de nossos livros e de nossa música também:

"Arte da Palavra Programa de difusão da literatura, o projeto ARTE DA PALAVRA – REDE SESC DE LEITURAS é um circuito atuante em todas as regiões do país que estimula a formação de leitores e a divulgação de novos autores, além de valorizar obras e escritores brasileiros e as novas formas de produção e fruição literárias. Com os circuitos “Oralidades” e “Circuito de Autores”, promove a circulação de artistas da palavra em bate-papos por todo o país, no intuito de difundir autores brasileiros de mídias tradicionais, mas também outras formas de fruição literária, como performances, contações de histórias, dentre outras modalidades expandidas da literatura contemporânea. Um terceiro circuito, “Criação Literária”, ainda não implantado em Feira de Santana, promove oficinas de escritas para públicos de todo o país. Na programação do Abril pras Artes, faz parte do Arte da Palavra a primeira etapa do Circuito de Autores 2019, com dois bate-papos com os autores LUÍS CAPUCHO, do Rio de Janeiro, e CELSO BORGES do Maranhão, falando sobre poesia marginal e música para a comunidade escolar e público geral em duas escolas da rede pública estadual de ensino, o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães (aberto ao público) e o Colégio Estadual José Ferreira Pinto (somente para a comunidade escolar). Saiba mais sobre o Arte da Palavra em: www.sesc.com.br/artedapalavra"

sexta-feira, março 29, 2019

Eu tou feliz e apreensivo. Podia dizer feliz e tenso. Feliz e preocupado. Ou dizer, assim, feliz e feliz. É porque eu não sei onde pegar o fio da meada pra dizer as coisas. Porque daria certo desenvolver qualquer dos inícios. Porque daria certo começar por qualquer lugar. Então, estar tenso, apreensivo, preocupado e feliz é mesmo o início da meada e dia 5 de abril apresentaremos minhas músicas no Etnohaus com Vida.
Seremos eu, Felipe Abou Mourad na bateria, Vitor Wutzki na guitarra e Lucas Parente no baixo.
Estou convidando todos pra assistir, todos:

quinta-feira, março 28, 2019

O Sesc me convidou para participar de uma circulação nacional para a divulgação de meus livros, junto ao poeta do Maranhão, Celso Borges.

Aceitei.

Decidi, não sei em que momento dos primeiros contatos que tive para a combinação das datas, que eu apresentaria o meu mais recente livro, o Diário da Piscina.

O Diário da Piscina foi lançado em janeiro de 2017, pela editora É, que fica na cidade de São Paulo. E pra ocasião do lançamento convidei dois músicos para que junto comigo - o vitor e o tulio - aproveitássemos a oportunidade para mostrar as músicas que já fiz.

O lançamento foi num brechó de SP, o Loki Bicho. 

Também para a ocasião especial, pedi ao Vitor Wutzki, que me acompanharia no show, que compusesse uma canção sobre o Diário da Piscina.

Ele fez a Ave Nada.

Na hora em que fui tocar, a minha forma de reproduzir sua harmonia no violão, alterou tanto a composição original, que ele me deu parceria.

Aceitei.

                                           AVE NADA
(vitor wutzki/luís capucho)

Com três anos de idade
Eu desapareci
No terreno vizinho
No final da curva, o Sol
Passageiro ou motorista

Voo dentro
do seu voo
Voo fora
da asa

14 de Agosto
eu não olho pra dentro de ninguém
A gravidade é muito longe
O dia me afoga
Uma piscina não
Faz isso

Peixe voa
Ave nada
O céu reflete
na água
Talvez agora alguém na rodoviária
Espere Werther, Monga
Espere Don Juan
Espere alguém perdido
e com as mesmas intenções que eu

Peixe voa
Peixe voa
Peixe voa

sexta-feira, março 22, 2019

Peço a atenção do silêncio de vocês:
Isso que começou a se fazer no governo do presidente Temer, de tirar a aposentadoria dos que sobrevivem à infecção do vírus da AIDS, me fez criar a petição com a intenção de chegar ao Excelentíssimo Senhor Presidente Bolsonaro. Para que ele sancione a PL Renato da Matta – já na boquinha da garrafa para sua sanção e, então, o pesadelo comece a ter fim.
Outras pessoas tocadas, como eu, pela loucura disso ou somente pela justiça, vieram se juntar à causa com suas assinaturas e também pessoas vieram ajudar na melhoria do texto muito pessoal que fiz. E fui melhorando.
Por último o Laerte Angellus me mandou um texto que vai funcionar melhor e fiz a troca. A ideia é que os amigos que concordarem com o que estamos propondo, divulguem e assinem, pra ver se com a criação dessa força, conseguimos acabar com essa tortura, que promete muitos suicídios, mortes, fome, doenças, mais estragos a se somar aos estragos embaixo do céu estrelado do Brasil, caso não seja revertida essa situação.
Peço a atenção do silêncio de vocês:
https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR111153


"Exmo. Sr Presidente da República,
Jair Messias Bolsonaro

Nós brasileiros abaixo assinados, vimos por meio deste solicitar o restabelecimento de nossas aposentadorias por invalidez previdenciária (benefícios previdenciários).

Somos, os sobreviventes da AIDS..."



PETICAOPUBLICA.COM.BR
O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine o Abaixo-Assinado.

quinta-feira, março 21, 2019

Ontem, o Edil Carvalho me avisou com alegria que o meu Cinema Orly apareceu na última edição (2018) do importante Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan. Fico muito alegre de o livro participar de leituras mais sérias e de ao mesmo tempo servir ao prazer. Outro dia mesmo o July Ezhnome disse que o dele foi roubado. E disse que o ladrão de livro devia ser, como ele imaginava, uma pessoa maravilhosa. Muitos têm querido o livro uma segunda vez, por terem sido roubados. É isso que eu digo, esse prazer na encolha, na beirinha do rex e do Cinema Íris, e que agora anda indo pra dentro do centro...

segunda-feira, março 18, 2019


Eu achava que uma petição, depois de criada e assinada por alguns, não poderia mais ser editada, porque quem assinou, assinou concordando com o primeiro texto. Mas consegui editar os problemas que os amigos me indicaram e melhorar o abaixo-assinado, porque o de que precisamos é do máximo de abrangência, para que todos saibam dessa violação de direitos. E para que consigamos revertê-la, como reverter todas as outras violações com que têm nos torturado. Por isso, peço aos amigos que assinaram, que continuem a ajuda na divulgação, porque a edição só fez melhorar a ideia.
Também incluí no que escrevi, a lei Renato da Matta - que eu já queria ter citado na primeira versão - cuja sanção presidencial, será fundamental para a reintegração das aposentadorias dos soropositivos ao INSS.
Agradeço demais às dicas da Sheyla, da Suely, do Duque, do Renato...
Vejam como ficou e continuem divulgando, por favor:

quinta-feira, março 14, 2019


Criei esse abaixo-assinado, ontem. Sobre o que estão fazendo com os aposentados por HIV. Estão tirando o provento dessas pessoas já entrando na velhice e adoecidas. Já tinha feito um texto antes e postado aqui e os amigos, de tão chocado, pensaram que o caso era comigo. Mas não é. Não estão me torturando com isso, com esse horror.
O Sr Renato da Matta tem um projeto de lei tratando sobre essas desaposentadorias, cuja tramitação, pelo que entendi, depende apenas chegar à sanção do Presidente da República, para tornar-se lei. E, aí, com isso, os direitos trabalhistas dessas pessoas cujo pagamento está sendo cortado, voltam a valer.
Fiz a petição pública e mandei pra os amigos via e-mail e facebook, no messenger. Dois amigos reclamaram: um, que não tinha autor, outro, da palavra aidético. Além disso, não achei bom o texto por outros motivos e queria editá-lo, mas não achei como fazê-lo lá no site. De todo modo, vi que, na página, têm como falarem comigo, então não fico de todo isento. Também, sobre ser aidético – se eu soubesse como editar, editaria para o amigo a palavra do horror – eu mesmo não tenha problema com a palavra.
Agora vem o pedido, o mais importante: por favor, os que concordarem com a petição, façam circular esse link, para que os que estão juntos, possam assinar também? Quem sabe, através dessa iniciativa, com o máximo de pessoas conscientes do fato, não conseguimos reverter o extermínio dessa parcela da população que de verdade não merece, e que além de lutar contra um vírus letal, estão sendo violadas nos seus direitos.
A petição está aqui:
https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR111153&fbclid=IwAR3xxDRXlOIF9-4ErnWt360OOPLLk6woaAo-DcURIbsDn-u-bz7AZL1mbMU

quinta-feira, fevereiro 28, 2019


Eu ouço muito dizer que gravar um disco hoje em dia é uma coisa facílima, doméstica e tudo. Não sou um artista fértil, dos que compõe dia-a-dia e no fim tem uma porrada de músicas pra mostrar. Eu até, quando me levanto pela manhã, apareço com umas coisas na cabeça, que se eu pegasse no violão para tirar, se desenvolveriam em boas músicas, talvez. Mas deixo perderem-se esses motores de músicas que me aparecem e entro na minha rotina sem experimentá-los, sem deixar que eles evoluam até ficarem inteiros, se liga. Mas a verdade é que mesmo assim, com esse meu modo baiano, tenho muita música inédita que vai se engavetando aqui e não registro.
Tenho usado esse tempo pra mostrar, ao vivo. E isso é uma coisa que comecei a fazer mais, depois do último disco, que foi um deslo-u-cado voz e violão. Também tenho curtido demais mostrar as músicas com uma formação maior, que entram Vitor, Felipe e Lucas, o que nos deixam, assim, meio roqueiros bregas, não sei.
Do meu Lua Singela para o Cinema Íris, acho que se passaram dez anos. E do Poema Maldito pra cá, já são quatro. Então, o tempo vai fazendo uma pressão e tem uma hora que um quantum saltará no pano e mesmo sendo eu o autor ou o personagem, como diz o Eduardo, eu mesmo me surpreenderei com a sua aparição.
Eu tou dizendo isso, porque hoje me encontrarei com Vovô Bebê, pra ver uns registros de músicas minhas que estamos fazendo (devagar) no seu estúdio. Maravilha Pura!

sábado, fevereiro 23, 2019


Achei estranho – me abriu uma dimensão de aventura, exploração, uma coisa assim de ficção e futuro - ter surgido esse papo que aproxima o crime de homofobia com o crime de racismo. Eu vi aqui na internet um senador de que não me lembro o nome, usando o argumento de crime de racismo pra defender a criminalização da homofobia. Eu fiquei surpreendido, na verdade, me deu um pouco de alegria, ver o deputado nos defendendo desse jeito. E nos jogando nesse lugar esquisito, na condição de raça humana tida como menor, onde socialmente somos jogados.
É só isso.

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Inferno no Cemitério de Automóveis

A Inferno, depois de minhas inúmeras tentativas de voltar a
tocar violão, foi a primeira música que fiz nessa nova versão de mim mesmo.
Isso deve ter sido no ano 2000, quando consegui formar um Mi Maior, sujo, mas
não muito, no braço dele. Eu tinha pedido a meus parceiros habituais que me
dessem letras bem simples, sem voltas de pensamento ou de emoção, pra que eu
pudesse traduzir num acorde só e na minha voz monocórdia. Aí, o Marcos
Sacramento me deu a Inferno.


Vejam:

domingo, fevereiro 10, 2019

A música do sábado, no Escritório.

Ontem, nos encontramos aqui em cima, o Lucas trouxe pão,
Pedro fez café e ficamos os quatro na mesa da sala lambiscando café com pão e o assunto era o quarto que o Pedro vai alugar, eram as apresentações que faremos em SP e se fugíamos disso, voltávamos, até que viemos pra aqui pro meu apê e arrumamos a sala pra tocarmos as músicas.
A gente começou meio aleatórios, sem ter um roteiro definido
e sem ter também certas as músicas das apresentações. Tocamos primeiro a Balada da Paloma (luís capucho/Rafael Julião) que o lucas tinha começado no baixo. A primeira música sempre sai mais estranha, porque a gente ainda ta entrando,ainda não caiu direito dentro da atmosfera, acho que porque ela ainda não se
estabeleceu ali, entre a gente, ainda ta se fazendo, se criando, a atmosfera de som dentro da qual a gente fica tocando. Depois, já dentro do clima, a gente experimentou pela primeira vez a Posição (luís capucho) e embora essa música tenha uma levada que vai meio tropicando aqui e ali, ela ficou muito boa,
porque pareceu que cada um foi na sua e aconteceram uns contra-tempos, uma conversa muito boa, entre nós. Então, a gente ficou tocando várias músicas do repertório que vinham à cabeça, e ainda sem defini-lo como pronto. 

Quando veio de tocar A Música do Sábado (Kali C/luís capucho) eu disse que eu tinha adorado, que eu achava que a melhor vez que tínhamos tocado ela, tinha sido no Escritório e que apesar de eu ter isso sempre em mente, nunca tínhamos conseguido repetir daquele jeito. Aí, o lucas disse que também adorava e que sabia porque não conseguíamos repetir. Disse que ela tinha ficado boa, porque
não tínhamos ensaiado. Que o felipe mourad fez uma coisa, eu outra e ele próprio, outra... he he... :

sábado, fevereiro 09, 2019

A partida pra os shows de 15 a 17 de fevereiro em SP, foi dada quando pedi a Marcela um “De Casa em Casa” na sua varanda. Marcamos para o dia 16, aí, começaram a se formar as outras apresentações. Nós já tocamos juntos uma vez e foi lindo demais, vocês podem ver aqui https://www.youtube.com/watch?v=d8znDGHCDyA e a gente vai fazer a “Você é muito lindo” (Kali C/luís capucho) outra vez e iremos fazer juntos também a “Clea” (kali c?luís capucho), com essa formação em que seremos nós, mais Vitor, mais Lucas mais Felipe.
Vai ser muito lindo!

Como ontem de manhã falei da liga que há entre o Lua Singela e o Cemitério de Automóveis – a capa do disco também tem a ver – também há outras ligas, que essa turnezinha em SP e Campinas, num fim de semana, vai me trazendo à cabeça, pra eu ir me situando.
E, aí, continuando do que eu disse pela manhã, depois de Salvador, que tinha conhecido o Lua Singela, uma turma de Campinas, conheceu o Cinema Íris. E, aí, como tinha sido em Salvador, arrumamos de eu ir mostrar as músicas, fui tocar na calourada, lá, o D.A. de Filosofia, talvez, me chamou e fui.
Então, eu situo essas turmas de outras cidades com a minha música. E situo pessoas isoladas também. Um pessoal que transita meio que no subterrâneo, não no mainstream das turmas.
Aqui no Rio, eu senti esse movimento de ter sido conhecido subterranea e sub-repticiamente, foi com o Poema Maldito. E eu vejo que vai se esparramando pra os outros discos. E vai pra os livros. E é uma coisa que essa turnezinha em SP, ajuda a situar. O Vitor Wutzki, por exemplo, depois que o chamei, da primeira vez em Campinas, pra tocar comigo, já me ajudou em várias vezes a mostrar as músicas. A idéia dos De Casa em Casa que começamos em 2017, os shows em SP, em BH, em Vitória.
Na verdade, é um emaranhado de movimentos que vão acontecendo e esses movimentos culminam nesses encontros. Então, passando, agora, para o movimento do Rio de Janeiro, eu tinha feito uma participação no show do Bruno Cosentino, quando encontrei o Gustavo Galo e a Julia Rocha Júlia. Daí, lançamos juntos, eu e Julia, o Diário da Piscina (editora É/2017). E tocamos n’algumas vezes juntos, eu e ele, o Gustavo Galo, que colocou no Sol, a Para Pegar, do Cinema Íris e do Antigo.
Então, tem uma liga.
Foi por isso que começou uma estória mais com SP. E uma vez, viemos pra um De Casa em Casa na sala do Gabriel Edé, que tocou conosco um violino na Inferno. Depois, ele apareceu num vídeo de música apenas de cara, mas antes, éramos, eu, ele, Vitor Wutzki e Felipe Abou Mourad, que numa vez apareceu ajoelhado na esteira do chão de minha casa e, noutra vez, apareceu no mesmo lugar com uma bateria-mirim, para os De Casa em Casa nas salas das pessoas. Pra onde veio o Lucas Parente, no baixo. Eu sinto assim essa movimentação e encontros, como aparições. É isso que faremos, ontem, com relação ao domingo de hoje, na casa da Marcela C. Biasi.
Então, é um grande prazer estar onde culmina, sei lá, parece que termina ou começa, assim, um terminal de movimento de cada um de nós, onde viemos nos dar a conhecer e às nossas músicas, onde, cada um na sua, mas não, vai aparecer na Casa Torta, num vesperal de domingo.
-

17 de fevereiro, domingo, 17h
O valor sugerido é de R$10,00, porém a contribuição é voluntária.

Duque de Caxias, 537 - centro - Campinas.

sexta-feira, fevereiro 08, 2019


Quando lançamos o Lua Singela ( Astronauta Discos/2003), o disco foi distribuído em algumas capitais dos estados brasileiros e ficou uma coisa quieta e tal. E teve uma turma de Salvador, em torno a uma loja de discos, a São Roque, uma turma, assim, um pessoal do mundo, que curtiu o disco e, aí, na época, fui lá mostrar as músicas ao vivo.
Então, agora, depois disso passado tanto tempo, como se costuma dizer, tem uma coerência na vibração da música, no caminho que ela faz, uma coisa assim que brota e se conduz e volta e sai de um único lugar. Eu tou dizendo isso, porque o Tarcisio Buenas, que era dessa turma rock de Salvador, tem uma loja de livros no Cemitério de Automóveis.
Quer dizer, ambiente familiar:


quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Sem ser amanhã, na sexta que vem, faremos o primeiro show de fim de semana em SP. Estamos muito felizes. No sábado, faremos na Marcela, que foi como tudo começou. Então, estávamos combinados pra isso, mostrar as músicas na Marcela. Aí, a Fernanda veio me perguntar no in box, quando tocaríamos em SP. Na nossa conversa surgiu de tocarmos no bar Cemitério de Automóveis, então, acertamos de fazer isso, na sexta. No ínterim, Vítor foi armando de tocarmos eu, Gustavo Galo e Gabriel Edé, no domingo, em Campinas, na Casa Torta.
Convidei Julia Rocha pra ler um trecho do Diário... (editora É/2017)
Estão todos convidados!
Quem puder divulgar pros amigos de SP que julguem possam gostar de nosso som, a gente agradece:

domingo, fevereiro 03, 2019


Eu nunca escanhoei minha barba. Eu digo isso porque sempre ouvia dos caras mais velhos sobre se escanhoar. Nunca fiz isso, talvez, uma ou duas vezes, pra saber como era. Se eu tivesse uma namorada, talvez, fizesse.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Acho que só fizemos uma vez show nessa formação, com nós quatro. E foi também em SP. Estamos felizes em poder repetir. Na julia, com quem publicamos o Diário da Piscina, na marcela, com quem vamos tocar juntos a Você é muito lindo (Kali C/luís capucho) e a Clea (kali c/luís capucho). E, no domingo, em Campinas, onde dividiremos com Gustavo Galo. Maravilha pura, tudo no chapéu!

sexta-feira, janeiro 25, 2019


Meus livros, desde o Cinema Orly ao Diário da Piscina, são sobre mim mesmo. Mas eu vejo que ficam falseados pelo que têm de literatura e porque - como outro dia vi, ao olhar o Mamãe Me Adora que estava na minha frente e li - não sou mais eu quem está ali, nem na forma de escrever, nem na ilusão, nem na realidade da vida, nada. É apenas um livro o Mamãe me Adora. E os meus outros livros também são apenas eles. E tudo o que contam são a partir deles, não voltam pra mim, não dependem de mim, que posso desaparecer como o garoto assassinado a facadas, hoje, em MG, pelo motorista do ônibus em que o menino deu um balão.
O Diário da Piscina conta a estória de minha recuperação das sequelas motoras deixadas por um coma de neurotoxoplasmose, decorrentes de minha soropositividade por HIV. Mas pode não ter nada a ver comigo. Um romano antigo poderia saber como funciona uma piscina daqui, no início do século XXI. E um cara de um futuro distante também poderia ver o seu funcionamento. Tudo muito frio e natural, sem drama na forma de mostrar. Pode haver drama, mas nada a ver comigo. Tou fora.
A editora É disponibilizou o livro pra quem quer. Quem quer o livro de papel, eu e ela também temos.
Vejam:

terça-feira, janeiro 22, 2019


Na espera do médico tinha uma senhora com uma árvore dentro da bolsa. Eu não converso em bancos de espera, sou burro, não sei fazer isso, ficar ali conversando com uma pessoa que nunca vi antes. Eu sei que a gente pode ser natural e conversar de brincadeirinha, fingindo conhecer, só pra o tempo da espera voar. E, aí, saber sobre a árvore dentro da bolsa. Depois, numa conversa dela com uma outra paciente esperando, soube que era uma oiti, dentro da bolsa. E que ela iria levar pra plantar em seu quintal, em Campo Grande. Também soube de outra coisa: que ela dorava demais feijão preto. Sou um bom ouvinte.

sexta-feira, janeiro 18, 2019


Esse lance de terem tirado a aposentadoria por invalidez das pessoas que estão se tratando do HIV é uma coisa que me atingiu em cheio. Não se aposenta mais as pessoas por estarem com HIV. Mas há trinta anos atrás, elas eram aposentadas pra se tratar. E se a doença estava sob controle, os remédios eram tão bomba, que a pessoa que os tomasse, não podia ir cumprir as horas de trabalho. Eu mesmo tomava uma droga que chamavam de Crixivan, hoje, já proibida por conta dos efeitos adversos. O Crixivan era surreal, depois de vomitar violentamente, me deixava prostrado pelo resto do dia e, aí, vinha a dose noturna, que não me fazia vomitar, mas já era a hora de me prostrar pra dormir mesmo.
Então, imagina tirar a aposentadoria das pessoas que vêm sofrendo há 30 anos com com os remédios, com a discriminação, com o vírus, e que pela quantidade de tempo, hoje, estão com mais de cinquenta anos, que estão zeradas, porque tomaram os remédios direitinho, que começam a fazer os planos de velhice, e, aí, depois de tanto tempo, retiram o que lhes é de direito, porque isso é do direito do trabalho, ter uma aposentadoria. É uma crueldade sem tamanho. E é isso, esse tipo de covardia, que os brasileiros que estão se dizendo do bem, apoiaram e estão apoiando como política pública de saúde do governo eleito.
Tudo bem que não se aposente mais as pessoas por isso, porque muita coisa mudou na história do vírus. Mas sacanear assim quem já tava aposentado é demais, uma violação de direito. Virou bagunça do mal. Vilania pura.
São bandidos dirigindo o país.

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Um Diário da Piscina para Icaraí

Tenho tido a impressão que meus livros, depois do Cinema Orly, são mais lentos. Todos eles foram manuscritos e o Cinema Orly foi o que escrevi mais lentamente, por conta da minha motricidade alterada pelas sequelas da neurotoxoplasmose. Mas, na hora de ler, é o mais rápido. O Diário da Piscina, que foi o último, um livro lançado pela editora É, não sei, eu tava dizendo agora pra Kali, que ele caiu menos no gosto das pessoas, mas que o considero bom livro, assim, naturalista, autoficção, mas com um ponto de vista de agora, atual mesmo, século XXI. E, nos Ave Nada que temos feito, com Paulo Barbeto, tenho visto que o texto do livro é muito resistente, que ele se aguenta por si. E que uma sociedade que elege Bolsonaro, vai mesmo deixar ele pra trás. Um Diário da Piscina para Icaraí!

terça-feira, janeiro 15, 2019

Estamos alugando um quarto no ap do Pedro. Quem alugar, ficará sozinho nesse tempo, mas será meu vizinho de frente. Então, podemos nos cumprimentar nas coincidentes entradas e saídas de casa. Ou o que se desenvolver disso. É em Sta Rosa – Niterói, numa rua suburbana e sem saída, mas por ser longuíssima, não é uma travessa. Há caminhos Lá Vai Um que sobem os morros e nos conectam com outros bairros. Dá pra ir pra UFF – Farmácia à pé. De 30, vai até ao Campus. Os amigos que souberem de alguém, compartilhem o informe, plis.
Internet e água incluídos no preço!

segunda-feira, dezembro 31, 2018

Clea - kali C./luís capucho

Gosto de fazer músicas com letras minhas, mas demoro um
pouco mais pra isso, por ficar muito crítico com elas. Por isso, os meus
parceiros costumam ser mais letristas que melodistas. Eu, particularmente, acho
que o dono da canção é mesmo os que fazem a melodia, porque mesmo que as letras
sejam o que leve a canção pra dentro de uma pessoa, é a melodia que tira ela de
estado de apenas poema. Ou que tira ela de seu estado de apenas letra. Porque
um letrista pode ser um poeta, mas, não, um compositor.
Então, eu faço isso com as letras-poemas de meus parceiros e
as canções são minhas. A única pessoa que coloca melodia em letra minha é a
Kali C
ompositora.
Ante-ontem, estivemos tocando com ela, que mostrou pra gente a Clea musicada.

                                   
Clea
(Kali C./luís capucho)

Clea me disse que o mundo é de Deus
Que a luz elétrica é divina
Que os meus gestos não são meus
Nem o de suas meninas
Que tudo é alheio a nossa vontade
E quando fazemos amor é por nessecidade
Ela me disse que o mundo é mal e isso ela não explicou
Muito bem
A gente iria continuar e a vida iria ficar pra trás
Nós tínhamos que comemorar o início do verão
Muito bem
Tudo sem controle.

Eu, Marcela e Marcia a acompanhamos no violão. Simon e Pedro
e Ana ficaram curtindo.


Vejam:

quinta-feira, dezembro 27, 2018

fonemas

Eu tinha pedido a meus parceiros
da época que me dessem letras muito simples, que eu conseguisse traduzir com
minha voz monocórdia e com os meus poucos acordes. Eu tinha acabado de fazer a
Inferno(luís capucho/Marcos Sacramento), minha primeira música nessa segunda
versão de mim mesmo, onde nem estou mais.
E estava muito satisfeito, eu
estava muito satisfeito mesmo, porque tinha voltado a conseguir compor.
Fiz a segunda música, quando
Sacramento me deu a Fonemas.
E, no mês passado, eu, Felipe e
Lucas, apresentamos ela no Palco Lapa 145. Eu curti demais sair do banquinho e
violão, na guitarra que o Lucas levou. Mas depois da terceira música, quando
uma corda dela arrebentou e voltei a me sentar para continuar as outras músicas
no violão, vi que tem uma coisa muito legal também de mostrar as músicas nele,
que é de onde as músicas originalmente saem.


Vejam:

Eu fiz a Parado Aqui, quando morava em Papucaia. Tinha só o primeiro verso da letra, que era uma coisa que eu tinha tirado de uma música do Roberto Carlos, não me lembro qual nem porque, e fui construindo bem devagarinho o corpo dela, até ao fim, quando, enfim, ela some dentro de nada. Quando não existe mais. Parado Aqui.
Ontem, subi ela no Cifras Club:

sábado, dezembro 22, 2018


A gente ganhou o Tótem, quando estava mostrando as músicas à epoca do lançamento do Poema Maldito. Foi quando, de verdade, comecei a ficar mais envolvido com esse negócio que é mostrá-las. Usar a palavra negócio, agora, é no mesmo sentido que eu lhe dava, quando era um menino de seis anos e, aí, meu tédio ficava fazendo com que eu pedisse a mamãe, minha salvadora, um negócio. Então, ela entrava na dispensa de Dona Odaleia e saía de lá com um doce, uma guloseima, um negócio qualquer que me levasse mais pra dentro do meu prazer de garotinho, com esse meu mesmo olhar de hoje.
Quando o Alan me deu o Tótem para a apresentação das músicas, me avisou que era um falo e, aí, fui compondo todos os outros sentidos dele, porque a cada movimeto meu, a posição que ele toma é outra, mas sempre a importância de ser um marco, de ser um ponto de orientação, de chegada ou partida, um farol, por isso, tem pulsação, tem luz.
Esse lance de orientação para chegar e para partir que tem no Tótem, também sinto na minha Camisa de Fazer Shows, que começou a ser construída na mesma época e onda. Quer dizer, o Tótem também é em construção, como eu e como ela. E no De Casa em Casa que fizemos na casa do Marcio - isso em 2017 - a Débora, que trabalha com papel Marchê, ficou de me dar um colar rosa e azul, de marchê, que era pra os shows, e que ela me disse ter a ver com A Masculinidade (kali C/luís capucho), que tocamos, eu e Vitor Wutski, lá, no dia.
Ontem, de surpresa, chegou pelo correio, como presente de Natal!
Alegria absoluta um negócio desses! Obrigado, Débora!
Pedi Pedro que fotografasse.
Vejam:


terça-feira, dezembro 18, 2018

Pedro fez essa foto nossa, ante-ontem, durante a apresentação do Ave Nada, a junção das músicas com textos registrados no Diário da Piscina. Nela aparecemos eu, Felipe Mourad e Paulo Barbeto. Foi nossa terceira apresentação, que a cada vez vai ganhando mais asa, mais fôlego, mais corpo e mais espaço de voar dentro do seu universo para sempre mais expandido pela direção do Diêgo. Pelo olhar da Isabella. E por tudo o mais que alimenta o seu motor de coisa abstrata e concreta, real e ilusória, barroca e natural.

quinta-feira, dezembro 13, 2018

a masculinidade - Ave Nada

A gente não enxerga os processos e, quando eles dão, de surpresa, as caras, fica parecendo que eles saíram do nada. E quando é algo coletivo, fica mais parecido ainda com aparição. Porque tem a força de todo mundo e a gente junto é sempre ainda coisa mais desconhecida que a gente sozinho. O Ave Nada, em que acrescentamos música e teatro à leitura do Diário da Piscina (ed. É/2017) é meio assim.
Ou é inteiro assim, silencioso e distinto leitor.
Eu tou compartilhando aqui o Ave Nada que fizemos na casa da Claudia. Mas você sabe que o de domingo irá ser diferente, considerando que o processo é outro, tudo é outro, o lugar e a coisa.
Gostaríamos que todos viessem.
Será comunismo-comunidade, socialismo-socialidade, anarquismo-anarquiedade, sexismo-sexualidade, feminismo-feminilidade, homossexualismo-homossexualidade, transsexualismo-transsexualidade, heterossexualismo-heterossexualidade.
E tudo.
Vejam:

sábado, dezembro 01, 2018

Eu tou angustiado. E chateado demais. É assombrosa essa corja que foi colocada na presidência e o efeito cascata disso. Eu e Pedro, enquanto andávamos na rua, ouvimos gritar pra gente, num carro que passou:
- Olha o Bolsonaro!
A gente sabe que isso é apenas a superfície de ações bem mais, mas muito mais mesmo, covardes, perigosas, violentas, burras, dentro da estrutura pública do governo, mais fundas dentro do funcionamento da vida da gente, na rua e dentro de casa, todas resumidas no desrespeito pelas coisas que já são.
Eu tava olhando as pessoas passando na rua, outro dia. E tava vendo como que todo mundo é tão louco, como todo mundo é tão especial e interessante. E primeiro eu não entendi, não entendo, como essas pessoas assim tão brasileiras e diversas votaram nessa política que se anunciou tão escrota.
Segundo, eu tava vendo, olhando pras pessoas na rua, que elas não tinham controle, que é incontrolável pra onde os sonhos devam ir, tipo, eu não sei pra onde os sonhos vão, e não há como controlar isso, eles devaneiam na cabeça da gente, o coração batendo atrás e vocês votaram nisso, caralho, que angústia!
Ou a minha percepção é muito equivocada e sou um cara demais delirante e a verdade é que tudo é passível de ordem, de disciplina, disciplina, disciplina.

sexta-feira, novembro 30, 2018


Quando cheguei, vi um novo ser na minha casa. É tão pequeno que meus olhos de uveíte não vê boca e olhos e pernas e corpo e cabeça. Mas sabe que é uma aranha papa-mosca, morando comigo, agora, aqui. Fico feliz e enternecido por ter essa coisinha viva, comedora de mosquitos, em minha companhia. Mas tem um outro bichinho que mora comigo, também comedor de mosquitos e que, certamente, ainda não esbarrou com a aranhinha, e porque ela esta viva ainda. Uma taruíra!
Sobre isso de não ver boca, olhos, pernas e cabeça, também o mar é assim. E meus olhos de uveíte vê e sente a presença monstruosa, amedrontadora, cheio de onda, mas eu não tou, tou falando sério sobre o medo. A aranhinha não sabe ainda sobre a taruíra. E não há o que fazer.

sábado, novembro 24, 2018

LUÍS CAPUCHO & GUSTAVO GALO - PARA PEGAR ao vivo no Loki Bicho

Eu já tinha começado com a minha Camisa de Fazer Show e pra
esse show, em setembro de 2016, no Loki Bicho, em SP, tinha pendurado uma pedra
de pirita nela, que não sei como veio parar aqui, enquando me arrumava para
sair.
Esse registro foi feito pelo Joaquim Castro e me entusiasma
muito, me dá alegria, rever o modo como o Gustavo Galo e o Vitor Wutzki
estiveram comigo naquele dia e naquela hora.
A Para Pegar é uma música de garoto e ela tá no Antigo, além
de no ASA, do Gustavo. Hoje, ela ficou livre pra quem curte nosso som, ouvir e
ver.


Gratidão de verdade:

sexta-feira, novembro 23, 2018


Eu me orgulho, ao menos, de saber a última vez que vi o livro.
Eu tinha trazido ele para o computer para pesquisar sobre o cavaleiro Des Grieux e consegui encontrar isso aqui no histórico do browser, mas não fosse isso, não saberia quem tinha vindo buscar. O fato é que já revirei tudo e não encontro.
Que coisa!

quinta-feira, novembro 22, 2018


Eu não lembrava que pudesse fazer frio num final de novembro, no Rio de Janeiro. E ser desmemoriado me atrapalha bastante quando tenho de conversar, quando tenho que cumprir o ritmo, alinhar as coisas que são ditas nas conversas, aí, na grande maioria das vezes, não sei o que dizer, tudo fica desconexo pra mim. Comigo mesmo aqui e sem compromisso com a memória das coisas, vou no meu ritmo saturnino sem sentir que haja qualquer problema. Mas se estou entrado numa conversa, é apavorante!

quarta-feira, novembro 21, 2018


A Algo Assim é uma música que me serviu bem para traduzir o baque que me foi ter acordado do coma com incapazidade motora pra falar e tudo. Como não tinha mais motricidade pra tocar também, Mathilda Kóvak ajeitou algumas rimas e colocou melodia pra mim, no violão.
Em 2003 colocamos no Lua Singela e em 2008, eu e Pedro estivemos em Paquetá e fizemos esse vídeo, que ta no Cifras. 
Ela é facinho de tocar:

quarta-feira, novembro 14, 2018

pessoas são seres do mal - luís capucho

A Pessoas São Seres do Mal tem como fundo uma situação
minha, pessoal, mas à medida que a letra foi aparecendo e que fui construindo
com a melodia a canção, ela foi tomando um rumo que não era mais apenas o meu
momento e, aí, vocês sabem, é por isso que a gente faz música, pra sair do
encalacre que a gente entrou.


Pedro filmou no celular, vejam:

terça-feira, novembro 13, 2018

parado aqui - luís capucho

Eu me lembro ainda, de quando fiz a Parado Aqui. No início,
tinha uma lembrança de Roberto Carlos, para que eu construísse a sua letra. Mas
depois, fui tomando um rumo que dava mais conta da minha situação mesmo, de
como eu tava me sentindo e das minhas questões com a vida que levo. ou, que me
é levada.


É uma música que colocamos no Cinema Íris e gostei do modo
como a levamos na Casa Gramo, no último show. Também gostei do modo como Pedro
fez o vídeo, no jeito que ele tem de reparar nas coisas, invasivo, ao mesmo
tempo que empático:

segunda-feira, novembro 12, 2018


O nosso show na Casa Gramo, em SP, foi muito bonito, uma coisa é olhar e outra coisa é fazer. Eu adoro fazer e eu adoro olhar, então, toquei alguma coisa de olhos fechados e toquei músicas de olhos abertos. E encontrei e conheci gente que se relaciona com a minha música, então, encontrar essas pessoas, de frente com elas, falando comigo, me deixa mais forte. Também fiquei mais forte, porque conseguimos ir todos pra lá, o Vitor, o Felipe, o Lucas.
O Vitor foi quem deu a partida, aí, todos fomos num “é nóis”, além do Pedro Spagnol e Gui, no vídeo, o Boi, no som, o Beto com a casa, e o meu Pedro, na produção.


quinta-feira, novembro 08, 2018

A gente vai apresentar as músicas em SP, no sábado, agora. E eu tou feliz de ter conseguido que todo mundo vá. A gente já tocou com Lucas, já tocou com Vitor e já tocou com Felipe. Mas dessa vez estaremos todos ao mesmo tempo.
Vamos tocar músicas de meus discos que não tocamos há algum tempo, músicas que estamos sempre tocando e também, músicas que não estão em disco nenhum, músicas que não têm registro ainda. É sempre bom demais ir até outra cidade pra mostrá-las. Pedro é quem organiza e conduz. Você sabe, não sou um artista de sucesso. E outro dia o Felipe estava falando de um certo nosso fracasso empresarial. A gente tem criado um circuito doméstico, com algumas poucas entradas em casas de show e, dessa forma, temos sido do tamanho que a gente tem e temos ocupado o nosso lugar, na verdade, onde sempre estamos. Não somos bárbaros ou bélicos, não temos esse nariz em pé todo. Apenas força e coragem. Nossa música ainda é de ouvir. Então, convido aos amigos de São Paulo pra ir nos ver. Ver e ouvir. Se dançar, devagar.


terça-feira, novembro 06, 2018

a vida é livre - luís capucho no palco lapa 145

Sábado que vem, apresentaremos na Casa Gramo, em SP, esse
show que fizemos na lapa do rio, no fim de semana que passou. A vida é livre,
junto com Inferno, Fonemas, Bengalinha, Vai Querer?, Bichinhos, foi uma das
primeiras músicas que fiz nessa versão de mim mesmo em que eu estive com voz
monocórdia e dois ou três acordes.

Então, minha mãe estava comigo, pra que eu pudesse ficar brincando de fazer
música e de fazer livros. Mas também nunca foi uma brincadeira, porque as brincadeiras
são mais etéreas ou mais estéreis que fazer músicas e livros. Não sei. O certo
é que A vida é livre, mais as outras que citei acima, estão no meu disco Lua
Singela, que seria como ganhar todas as bolinhas de gude de um jogo de
triângulo, se isso fosse uma brincadeira.

Se tiver sido uma brincadeira, meus parceiros no jogo Lua Singela, foi uma
turma grande, e não tenho como agradecer estarem comigo. É só ver a ficha
técnica do disco.

A brincadeira que não é uma brincadeira, mas que também é, tem novos companheiros
que continuo não tendo como agradecer.

Venham todos os amigos da cidade mais domesticadamente selvagem do Brasil!

segunda-feira, novembro 05, 2018

Tinha uma brincadeira, quando eu morava em Alegre, no ES, acho que em 1968, que era assim, as meninas ficavam em roda, batiam três palmas e cantavam:

                                  "revolução (três palmas)
                                    vai ter (três palmas)
                                   se não disser (três palmas)
                                 o nome de (três palmas)
                                              uma religião...

... aí, cada menininha da roda tinha que dizer o nome de uma religião. E depois repetiam indefinidamente batendo as palmas e trocando os nomes. Nunca mais vi essa brincadeira depois daquele tempo. Não sei se era geral, se tinha em tudo que era lugar.
Alguém já viu?

domingo, novembro 04, 2018

a vida é livre - luís capucho no palco lapa 145

O show de ontem foi demais em todas as coisas, foi uma noite
muito bonita, com todos os erros dela. E quando os meninos chegaram, vieram com
uma guitarra, pra que eu fizesse o show com eles. Topei, mas depois de um
tempo, decidi pegar o violão de volta. E me sentei.
Minha camisa de fazer shows ganhou um botão dourado de
Claudia e no 1:31 min, dessa filmagem do Pedro, ele cintila nela, na altura do
peito. Esse show, eu sinto, é no mesmo circuito do que temos feito nas casas
dos amigos. E isso continuará no sábado que vem, na Casa Gramo, em SP. A vida é
livre!


Vejam:

quinta-feira, novembro 01, 2018


Amanhã, tocaremos eu, lucas e felipe, nesse bar à beira da Rua da Lapa. A gente já anda um tempo querendo lugar pra tocar. Começamos, no ínicio do ano, eu e Vitor, tocando na casa dos amigos – o que chamamos De Casa em Casa – e viemos com isso até agora. O Vitor teve que dar um tempo, mas o Felipe já estava com a gente e continuamos. Depois, veio o lucas.
Ontem, estivemos na Rua da Lapa para conhecer a Rosângela, a Dona do bar. Eu disse que tocaríamos música autoral e ela quis saber se era pra o pessoal dançar. Eu disse que não, que era pra ouvir. Mas que tem quem dance, se quiser. Aí, ela disse que também compunha e falou da casa dela, de quanto tempo tem o bar e das coisas que serve.
Todos temos muito respeito pela morte, tem a mesma grandeza de estarmos vivos. E vai ser a primeira vez que apresentarei as músicas no Finados. Quando saíamos do bar, conversamos sobre a nuvem negra sobre nós, com essa república. Aí, falamos que a nuvem negra foi sempre, porque, afinal, foi uma eleição, da nuvem negra. Vamos fazer o melhor disso. Vamos celebrar nossos mortos.
Na semana que vem, a gente se junta, os três, ao Vitor, pra tocar na Casa Gramo, em São Paulo.
Chega mais!