quinta-feira, abril 07, 2011

Tomando chá, de manhã. Tentei fazer um angu, ontem, que se transformou numa sopa de fubá muito gostosa. É que foi o meu primeiro angu. E gosto de angu molinho, por isso errei nas medidas. Me lembrei de madame, e fiquei mexendo. Quase cantei: estava na cozinha mexendo angu... Cheguei a ligar pro Pedro, que me animou a fazer, mas virou a sopa deliciosa. Para acompanhar, fiz jiló, silencioso leit@r. E feijão.

quarta-feira, abril 06, 2011

Tenho de fazer uma coisa que lembro, na hora em que lembro, porque se não interrompo o que esteja a fazer e faço a coisa de que me lembrei, a enxurrada de pensamentos vem atropelando tudo e com isso me esqueço de fazer o que queria fazer. Isso é um problema, quando converso com uma pessoa, porque fico mal educado. Tenho de ficar interrompendo a pessoa falando para poder dialogar. Outro dia não quis ser mal educado com a médica que me atendeu no P.A. e esqueci uma pergunta importante que queria fazer. Quando expliquei a ela que eu precisava ter lhe interrompido na hora em que a coisa me veio na cabeça, ela disse: - Olha, Luís, cuidado com esse negócio de ter de fazer o que lhe vem na cabeça!- e, aí, me lembrei de que o meu caminho é só o do padre passar, então, não há problema, porque não sou, assim, um tsunami, um trator. Sou comedido, ponderado, mensurável, naturalmente. E, se as conversas não fossem tão rápidas, ou se as coisas não tivessem um tempo pra serem feitas, não haveria problema em ter de fazer as coisas na hora, porque poderia fazer depois, quando ela voltasse à memória. Mas, se sou controlado, se me contenho ao caminho do padre, em que lugar ficam as coisas de que me esqueço? Fui.

terça-feira, abril 05, 2011

Alexandre mandou link de sua radinha com música minha e mais músicas de muita gente: RADINHA

segunda-feira, abril 04, 2011

Adorei essa comemoração de meu aniversário com o peixe que falou. Tem umas outras fotos lindas, mas com esse negócio de cada um estar num lugar, não consegui juntá-las. Além desse, tipo, cará – eu e meus amigos de infância chamávamos de cará, esse peixe que víamos aos montes da beira do rio - tinha outros nomes de bichos que, depois, fui ver que não era, por exemplo: pereá, largatixa... e sobre meu aniversário, as fotos dizem, como foi legal. Tem até minhas carinhas ao fundo, armação do Pedro. Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

domingo, abril 03, 2011

Meu Níver!









Esse é o peixe que cantou parabéns conosco e falou com a gente no meu níver:





sexta-feira, abril 01, 2011

Talvez, o motivo de as mulheres, de um modo geral, gostarem mais de falar, além da inteligência, se deva à facilidade. Imagino que o esforço físico exigido para que os homens falem, dificulte-os ficar falando. Alguém conhece um baixo profundo que goste de ficar jogando conversa fora?

quinta-feira, março 31, 2011

Sempre consegui ficar muito tempo sem falar. E, se eu estiver num lugar com as pessoas conversando, posso gostar muito de ficar quieto, ouvindo, como quem assiste à televisão, ou posso ter vontade de ir embora e ficar num canto, jogado, ou, então, andar a esmo pela cidade. Por causa disso acho que sou burro. Mas, sei lá...

quarta-feira, março 30, 2011

Pia cheia e dia frio. Alguns livros que quero ler. Depois de uma semana sem nadar, ontem, fui. O caminho do padre passar é que me organiza, mas não me oponho a alguma idéia que venha me tirar dele. O caminho do padre passar é o fluxo. Simone, quando lhe contei a respeito das borboletas monarca, me contou de uns peixinhos que vivem a vida inteira restritos à determinada corrente submarina, em que suas mães os colocam. E passeiam pela circunferência da terra sempre no fluxo dela. Fora do fluxo é a escuridão e não há vida para aqueles peixinhos, que crescem, ficam velhos e morrem na corrente. Quando não são engolidos por algum predador que os engole antes. Meu caminho é o do padre passar, não sou exigente com mais perfeição que isso. Sofro de culpa, porque abandonar o caminho do padre para a perfeição é sair do fluxo. Por exemplo: ir ao cinema faz parte do fluxo? Depende. Encarar a pia de louça faz parte? Faz. Fui.

terça-feira, março 29, 2011

O show de Marcos Sacramento, ontem, cantando o repertório de Assis Valente foi de aplaudir de pé. Eu, que sou um expectador silencioso e apenas aplaudo de pé, me senti engraçado quando soltei uns urros no final. As mocinhas, tipo, zona sul e as senhorinhas, que imaginei do centro da cidade, estavam incontidas nas cadeiras do Teatro Carlos Gomes. Tinha um mulato, na minha frente, com um olhar de entendido em samba, meio além, abstraído, que disfarçava o batucar do coração mascando um interminável chiclete. Tinha uma moça a meu lado empinada na cadeira, sem encostar-se no espaldar, e fazia sinuosidades com a espinha como uma serpente encantada por flauta. Tinha uma senhorinha ao lado do rapaz do chiclete que cantava o refrão e batia palmas. Sentindo o clima ao nosso entorno, Pedro disse: - Sacramento tem de fazer show onde se possa dançar- e, ai, silencioso leit@r, urrava de felicidade. Em casa, demorei a dormir. Acho que incomodado pela remotíssima lembrança da última vez que estive no Carlos Gomes, de cadeira de rodas e saído do hospital. Tenho uma foto. Por que neguinho tirou foto minha desse jeito? Que coisa!

segunda-feira, março 28, 2011

De manhã, sem café. Repetimos fazer angu, no sábado. Preciso organizar a segunda-feira e a semana. Antes, quando eu falava pra Norma que eu não organizava nada, que eu gostava de ir no fluxo já organizado dos dias, ela me respondia: - Mas se você planeja, fica muito melhor, Luís – e continuei sem organizar nada. Mas, depois, com a disciplina dos remédios para o HIV, fui obrigatoriamente, tendo que ganhar alguma organização. É estranho, porque minha impressão é a de que só criança organiza coisas. Adulto é livre. Que coisa!

domingo, março 27, 2011

Alguns amigos ficam curiosos em saber como nascem as músicas. Então, o mais comum, para início de conversa, é perguntar o que vem primeiro, se a letra ou a música. Sempre respondo da mesma maneira e cuidando para não inventar muito, porque isso puxei de mamãe, que não tinha nenhum compromisso com a realidade, quer dizer, mamãe não ligava com suas palavras serem correspondidas com as coisas. Ela curtia contar casos e quando a memória falhava, inventava. Mas minha resposta é sempre igual, que não tem um padrão, cada música sai de um jeito, embora o jeito de sair mais molinho seja o de quando faço parcerias, que, aí, minha auto-crítica fica só na minha parte. Ontem, fiz um videozinho de minha música "Bicho Doméstico", que Ryta de Cássia gravou em seu disco. Ryta sempre gravava música minha, desde que ela era Rita Peixoto. Então, "Bicho Doméstico" fui fazendo passo a passo, letra e músicas juntas. Eu estava com raiva, porque tinha levado um coió, e tava puto! Veja, silencioso leit@r:

Bicho doméstico

sábado, março 26, 2011

Então, abandonei o café.
Hoje será outro dia bonito de sol.
Ontem à noite, o vizinho de trás esteve aqui em casa para me mostrar uma de suas composições, um samba. Aí, falou da máfia do pessoal do samba, que segundo ele, não deixa o samba ir pra frente.
E me lembrei que ouvi muito emocionado uma escola de samba paulista que havia inserido no seu samba-enredo mais um instrumento melódico além do cavaquinho. Colocaram uma sanfona e o efeito foi, para mim, estonteante.
Aí, comentei a maravilha com Valfredo, que disse:
- Mas aqui no Rio, não pooooooooode!

sexta-feira, março 25, 2011

Surpreendentemente, não tinha fila para entregar os exames, hoje.
Depois, encarei a fila de pesar e fiquei sem saber o que dizer pra uma senhora com vestidinho de chita que estava na minha frente. Ela olhou pra trás e me falou alguma coisa, era uma justificativa, uma coisa assim, não entendi direito, eu tava na fila e fiz que sim com a cabeça. Ela, então, resmungou outra vez, e eu, outra vez, fiz o mesmo sinal com a cabeça, sem entender. Fila. Eu disse, sim.
Aí, reparei no corpinho dessa senhora e Pedro diria que era uma senhorinha e fiquei vendo ela, mas, depois, abstraí e perdi ela de minha vista, nem vi quando ela foi atendida.
E chegou outra senhora com a filha pegando-lhe pelo braço e o neto atrás, num cortejo, levando um travesseiro. Ela se sentou ao meu lado e o travesseiro foi colocado no colo dela.
O neto tinha uma expressão de procissão, seriíssimo e meio entediado.
A filha via tudo.
Me deu vontade de chorar...

quinta-feira, março 24, 2011

Ontem, foi meu níver e fizemos um jantar delicioso perto do trabalho do Pedro em um restaurante japonês.
Estávamos eu, Pedro, Ruth, Simone e Sacramento. Depois, mostrarei as fotos que tiramos. Ganhei presentes...
E tinha um aquário ao lado de nossa mesa com uma cará e um cascudo. E esses peixes foram incríveis, rolou uma comunicação. Pode perguntar pro Pedro ou pra Ruth, Simone e Sacra!
Fui!

obs- agradeço aos amigos que me felicitaram on line.

quarta-feira, março 23, 2011

Dia frio.
Depois que o mercadinho fechou, acho que ficou mais silencioso por aqui.
Às vezes, um vizinho varrendo a área de sua casa, um barulho de criança, ônibus na rua, um rádio chega até aqui.
Vou lavar louça.

terça-feira, março 22, 2011

“Quando ía ao Cinema Íris sempre assistia as strrippers que se apresentavam nos intervalos dos filmes pornôs. Foi o que me motivou a fazer a música da Savannah, uma stripper e atriz pornô americana, e que eu havia lido no jornal ter-se matado em meados de 1994, aos 23 anos, após um acidente de automóvel que lhe deformara o rosto bonito e jovem. Savannah era enturmada com os caras do rock and roll e ganhava muito dinheiro fazendo striap-tease.
Pensava em citar, na música, uma série de peças do vestuário feminino, sugerindo dessa forma um striap-tease. Como achava que não conhecia suficientemente o vestuário feminino, pedi à Suely que me ajudasse, também pedi a ela uma lista de verbos que indicassem os movimentos de Savannah, enquanto tirava as peças de roupa. Tive um ataque incontrolável de riso, quando Suely me mostrou os verbos: gira, abre, fecha, cresce, dança, diminui. Curiosamente, quando cantei pelas primeiras vezes a música, tal verso provocava um pequeno riso de ironia em quem me ouvia; depois, nas outras vezes em que cantei, essa ironia foi aos poucos se perdendo no contexto dramático da música que ficou assim:

Savannah

Savannah, Cinderela nua, superstar
Savannah foi pra cidade fazer filmes e dançar
Savannah na cama
E outras posições
Savannah, seu striap-tease
Savannah, bela, fria, loura, escultural
Savannah além do bem, do mal
Savannah dinheiro, sexo e rock and roll
Savannah luva justa, preta ou branca, ou de cetim
Savannah dança sobre os saltos
Bico fino de cristal
Savannah capa, anágua, sutiã
Baby doll
Savannah gira, abre, fecha, cresce, dança, diminui
Savannah deusa coquete
Não sabe ficar sem namorado
Savannah sobe a colina
Sozinha sem ninguém do lado
Savannah pobre menina
Imagina tudo acabado
Savannah, Savannah"

(trecho do livro Cinema Orly – Luís Capucho)

Savannah

segunda-feira, março 21, 2011

Manhã sem sol e sem pote de café.
Os sininhos da vizinha de baixo tocam no vento.
Depois, começou a vir uma música do terceiro andar.
O som chega aqui abafado de sair das janelas e atravessar as paredes de minha casa ainda fechada.
Ontem, estivemos vendo vídeos de Tulipa Ruiz no youtube. Dela, partimos para Péricles Cavalcanti e, depois, Leo Cavalcanti.
Terminamos nos vídeos do BBB 11.
Yahhhh!

domingo, março 20, 2011

Comecei a colocar em prática meu plano de não tomar mais café.
Fiz um chá de capim cidreira e vou comer uma maçã.
Acendi um incenso.
Hoje, é isso.

sábado, março 19, 2011

Estou tomando meu delicioso pote de café e preciso determinação para parar, não quero mais tomar café! Vou substituir por maçã...rs.

sexta-feira, março 18, 2011

Minha referência para escrever o meu último livro, cujo título ficou “Mamãe Me Adora”, foi a doçura do jeito de mamãe e o, para mim, misterioso fato de sua morte. Então, o motivo do “Mamãe Me Adora” tem uma realidade sobre o que nunca tive o menor domínio, porque não se projetaram de mim, mas me advieram, como sementes que se desprendessem da árvore e voassem, caindo para o chão que sou eu.
E daí, brotaram.
Acho que meus livros são sempre assim, se desenvolveram sobre coisas de que não tenho controle, não tenho conhecimento e nem sou eu quem disparo. Eu vinha pensando nisso e pensando que subjacente aos meus temas dos livros vem sempre o tema da homossexualidade.
Já faz tempo trocaram o nome opção sexual para orientação sexual, e penso que isso seja mais de acordo. Por que, se dizem, as bichas burras nascem mortas, nenhum viado teria como escolha ser viado, já que essa é uma condição em que socialmente tem-se levado muito caô. Então, os temas dos livros vêm pra mim e são coisas, tipo, o sol nasce e recebo, simplesmente.
Estive pensando nisso, no ônibus, a caminho da Sala Baden Powell, para o show de Leila Maria(quando entrei no teatro é que descobri que não era show de Leila Maria, mas de uma cantora chamada Clarice, que cantava músicas de Aldir Blanc/ Cristovão Bastos).
Aí, me lembrei da Alexandra que uma vez me perguntou se eu achava que meus livros fariam parte do que se tem chamado ultimamente por literatura gay. E pensei se, como acontece na música, com uma técnica diferente para executar cada gênero musical, se na literatura existiria uma forma diferente para execução de literatura regional, literatura gay, literatura beat, literatura urbana, ficção, biografia e tudo. Ou se o diferença entre os escaninhos literários seria só de conteúdo e não uma diferença técnica, porque cada autor teria sua técnica específica, independente de qual classificação lhe impusessem. Então, Hans Castorp, d’A Montanha Mágica convenceria, absolutamente, independente da técnica empregada para escrever o livro, como personagem gay, bastando que se trocasse a direção de seu amor pela russa Claudia Chauchat, para a direção do italiano Setembrini, e pronto.
E não sei se existe um estudo dizendo como funciona a literatura chamada gay, se, por exemplo, o que chamam de literatura gay teria curvas de raciocínio mais abertas que a literatura heterossexual, ou vice-versa. Ou se os períodos da chamada literatura gay seriam mais curtos, frouxos, ou sei lá, se definissem por uma qualidade típica de, apenas, literatura gay.
Também durante a travessia da ponte meio engarrafada, fiquei imaginando o que Sacramento outro dia me disse: que o Mamãe Me Adora, como todas as outras obras que produzo de forma geral, são, assim, naif. E achei muito justa essa observação, porque se mamãe foi minha referência, era bem legal que o livro lembrasse alguma ingenuidade. E fiquei me lembrando de quando eu comecei a ler o livro em voz alta para mamãe e acabei desistindo, porque o livro, mesmo naif, tem uma complexidade ou elaboração, aparentemente simples, mas que necessita alguma iniciação.
Por isso, ao ler para mamãe, que não era uma leitora de livros, comecei a sentir que aquela linguagem não tava atravessando pra ela e parei. E ela não me cobrou ler outra vez, continuar. E não continuei.
Eu estava pensando nos meus livros e, aí,também lembrei de Rubia, que me disse sobre o movimento artístico contemporâneo europeu denominado pós-pornô e que meus livros poderiam se inserir nessa literatura, que não tem como eixo a heterossexualidade papai e mamãe, mas que muda esse eixo de sexualidade, como dizem, os terremotos mudam o eixo dominante do nosso planeta.
E gostei muito do nome: Pós-pornô.
Fui.

quinta-feira, março 17, 2011

Dia chocho, sem sol.
Pedro foi pra Sampa, a trabalho. Acendi o incenso. Não fiz café.
Silêncio na comunidade.
Sem o mercadinho, a rua perdeu um pouco de vida.
Comprei cordas pro violão e não troquei.
Tenho coisas pra fazer.
Vou me encontrar com Ruth, hoje, no show da Leila Maria, logo mais à noite, em Copacabana, na Sala Baden Powell.
Fui.

terça-feira, março 15, 2011

Ontem, enquanto Dorinha arrumou a casa, fiquei lendo Oração aos Moços, de Rui Barbosa.
É um livro delicioso, bom leit@r.
E antecipa isso que hoje chamamos presença virtual.
A turma para que o discurso fora feito, estava a comemorar a formatura em São Paulo e Rui Barbosa, aqui do Rio, mandou o texto, sem que pudesse ser ele próprio o orador. Então, ao comentar sobre não estar fisicamente presente, fala sobre não fazer muita diferença, porque, nas palavras dele, um lugar e um tempo, em especial, contém todos os lugares e todos os tempos encorpado no seu estreito limite.
Daí, que estava presente para quem ouvia sua carta.
Veja esse trecho em que, ao final, quase é uma profecia:

“Para o coração, pois, não há passado nem futuro, nem ausência. Ausência, pretérito e porvir, tudo lhe é atualidade, tudo presença. Mas presença animada e vivente, palpitante e criadora, neste regaço interior, onde os mortos renascem, prenascem os vindouros, e os distanciados se ajuntam, ao influxo de um talismã, pelo qual, nesse mágico microcosmo de maravilhas, encerrado na breve arca de um peito humano, cabe, em evocações de cada instante, a humanidade toda e a mesma eternidade.
A maior de quantas distâncias logre a imaginação conceber, é a da morte; e nem esta separa entre si os que a terrível apartadora de homens arrebatou aos braços um dos outros. Quantas vezes não entrevemos, nesse fundo obscuro e remotíssimo, uma imagem cara? Quantas vezes não a vemos assomar nos longes da saudade, sorridente, ou melancólica, alvoroçada, ou inquieta, severa, ou carinhosa, trazendo-nos o bálsamo, ou o conselho, a promessa, ou o desengano, a recompensa, ou o castigo, o aviso da fatalidade, ou os presságios de bom agoiro? Quantas nos não vem conversar, afável e tranquila, ou pressurosa e sobressaltada, com o afago nas mãos, a doçura na boca, a meiguice no semblante, o pensamento na fronte, límpida, ou carregada, e lhe saímos do contato, ora seguros e robustecidos, ora transidos de cuidado e pesadume, ora cheios de novas inspirações, e clamando, para a vida, novos rumos? Quantas outras, não somos nós os que vamos chamar esses leais companheiros de além-mundo, e com eles renovar a prática interrompida, ou instar com eles por um alvitre, em vão buscado, uma palavra, um movimento de rosto, um gesto, uma réstia de luz, um traço do que por lá se sabe, e aqui se ignora?
Se não há, pois, abismo entre duas épocas, nem mesmo a voragem final desta à outra vida, que não transponha a mútua atração de duas almas, não pode haver, na mesquinha superfície do globo terrestre, espaços que não vença, com os instantâneos da presteza das vibrações luminosas, esse fluido incomparável, por onde se realiza, na esfera das comunicações morais, a maravilha da fotografia à distância no mundo positivo da indústria moderna.
Tão pouco medeia do Rio a S. Paulo! Por que não conseguiremos enxergar de um a outro cabo, em linha tão curta? Tentemos. Vejamos. Estendamos as mãos entre os dois pontos que a limitam. Deste àquele já se estabeleceu a corrente. Rápida como o pensamento, corre a emanação magnética desta extremidade à oposta. Já num aperto se confundiram as mãos, que se procuravam. Já, num amplexo de todos, nos abraçamos uns aos outros. Em S. Paulo estamos. Conversemos amigos, de presença a presença.”

segunda-feira, março 14, 2011

Dorinha veio.
O mercadinho em frente à minha casa fechou, faliu, dizem.
Estivemos na casa de Dona Glorinha, ontem.
Foi uma visita muito agradável, mas não gostei da moça que é acompanhante dela. Quando fui me despedir dessa moça, ela disse:
- Como você é quieto, Luís! Tem os olhos tão tristes...levanta o astral, menino! – e eu estava normal, bem.

domingo, março 13, 2011

Quando abri meus olhos, quis sair da cama.
Recuperei-me do esgotamento de carnaval.
Coloquei um disco lindo de cantoras cantando Hilda Hilst com Zeca Baleiro na manhã quase fria, chuvosa, de domingo.
Tenho energia.
Mas não é energia pra sair gastando.
É pra usufruí-la parado ouvindo as cantoras de músicas tristes sem ficar triste.
Vou transcrever aqui para o meu silencioso leit@r a letra cantada por Olivia Byington:


Canção VIII

Se Clódia desprezou Catulo
E teve Rufus, Quintius, Gelius
Inacius e Ravidus

Tu podes muito bem Dionísio
Ter mais cinco mulheres
E desprezar Ariana
Que é centelha e âncora

E refrescar tuas noites
Com teus amores breves,
Ariana e Catulo, luxuriantes

Pretendem eternidade, e a coisa breve
A alma dos poetas não inflama,
Nem é justo, Dionísio, pedires ao poeta

Que seja sempre terra o que é celeste
E que terrestre não seja o que é só terra.

sábado, março 12, 2011

Quando acordei o pessoal de baixo tava vendendo um passarinho.
Fiz meu café, ouvindo a negociação.
A gaiola de passarinho é envolvida de grande prazer, por que o que se fala em torno é sempre com uma voz muito gostosa.
Por que não tem sol hoje, não preciso abrir a casa.
Mas devo abrir a janela da sala pra arejar um pouco.
É isso.

sexta-feira, março 11, 2011

Tristeza de dia sem sol depois do carnaval.
O vizinho de baixo ouve música triste e animada que vem do Nordeste.
Minha casa ta uma bagunça, empoeirada no limite.
O que eu mesmo consigo deixar sempre com alguma ordem é a cozinha, onde faço minha comida. Do resto da casa, a desordem da vida vai se apossando até quando Dorinha poderá vir e dar seu jeito.
Vou colocar uma foto que Maria tirou de nosso carnaval no camarim do Marcos Sacramento, que cantou no Gala Gay. Estamos Pedro, eu, Rogério S., Sacramento e Ruth.
O Sacramento, a cada dia que passa vai ficando Marcos Sacramento, que coisa.
Eu fiquei um pouco frustrado com a muita caretice do Gala Gay.
E não fui só eu quem achei. Acho que todo mundo achou.
Tinha uma bicha que tinha ido no clima total de um baile gay, tava com um penacho na cabeça, sem camisa, um salto alto, e uma sainha que tremia junto com a bunda, silencioso leit@r, mas ela ficou deslocada no baile, não tinha lugar e acho que foi embora.
Eu tava travado, mas sou travado mesmo.
Pedro disse:
- Destrava, Luís! – mas eu não consegui, então, tudo bem.
Um horror!
Fui.

quinta-feira, março 10, 2011

Ressaca de carnaval.
Fui nadar.
A professora disse, diante do minha lentidão:
- Bora, Luís! O carnaval só acaba domingo!
- Pra mim já acabou...
No meio do samba, a gente não escuta ninguém falar, mas as pessoas continuam se comunicando, não sei, neguinho fala para caramba!
Aí, quando cheguei em casa, depois do baile, na madrugada tava o maior silêncio, só os galos cantando, mas eu comecei a ouvir pessoas falando.
Como as conversas submersas no barulho altíssimo da banda no baile, a conversa estava numa camada de som muito, muito abaixo dos sons que a gente ouve vindo de perto, normalmente.
Ao mesmo tempo, não estava longe. Estava sob, mas não longe.
Aí, eu aprumei meus ouvidos e não conseguindo distinguir palavra alguma, achei que fosse viagem minha. Depois pensei que pudesse ser o som dos encanamentos de água da casa, não sei.
Pensei que minha casa estivesse assombrada.
Também pensei que eram sons remiscentes do barulho do baile, que ecoavam na minha cabeça.
Podia ser alguém que estivesse de rádio ligado e dormiu.
Era gente conversando...

segunda-feira, março 07, 2011

A gente foi comer um sururu na Claudia e conhecemos seus amigos que trocam livros. Nos chamaram pra entrar no grupo de trocar livros.
Pedro disse:
- Não consigo ler.
Eu disse:
- Melhor marcarmos uma praia- e, aí, acho que vamos combinar uma praia.
Na volta, pegamos o metrô no vagão menos cheio.
Era um dia e uma hora em que havia no trem apenas foliões indo pro centro da cidade. Estavam todos muito tranquilos, alguns bodeados, dormindo, e outros só vendo a hora do trem parar e poderem ver o carnaval lá fora.
Mas havia um casal que estava sambando e cantando em torno àquele mastro no meio do trem. Estavam sambando pra valer e cada parada que o trem dava nas estações, era como se terminasse uma faixa. E começavam a cantar outro samba e a sambar noutro rítmo.
Eu, meio de bode, fiquei muito animado por sacar o modo previsível como funcionavam.
Mas,então, eles quiseram, de repente, que o vagão inteiro cantasse com eles.
Gritavam batendo palma e sambando:
- Cantem aí, gente! Todo mundo! Todo mundoooooooooooo! – mas o pessoal do vagão cagou.
Eles sambaram até o fim.
Quando o trem parou descansaram.
Quando partiu, começaram outra vez.
Que coisa!

domingo, março 06, 2011

Paramos na Praça Tiradentes para assistir a uma bateria de moças e senhoras que tocavam tamborim.
Tinha o espírito, assim, de um bloco do sujo e paramos pra ver o som, que era muito, muito bom. Na frente delas, que estavam paradas em frente ao Carlos Gomes, tinha um homem que regia, como se regesse a um coro de anjos. Uma das senhoras que me chamou a atenção estava vestida de homem, mas ela parecia mais uma tartaruga macho e, Pedro disse:
- Olha a dancinha que ela faz, Luís!
E nisso, uma mulher enorme, com uma roupa cafona de madrinha de casamento, que estava parada assistindo, começou a dançar junto da tartaruga.
Pedro falou:
- Será que é um homem ou mulher?
E ficamos ali um tempo, Pedro comprou um pastel e fomos seguindo pra Rua do Lavradio, que tava ruim de passar.
No meio da multidão encontramos a Manuela com a irmã e uns amigos. Conversamos um pouco com elas. Depois, demos uma volta pela multidão e paramos embaixo dos Arcos, num vão onde os catadores de lata pesavam e vendiam as latas que recolhiam no carnaval. Achei que estivassem vendendo maconha, porque era um clima muito sério, o que tinham contando dinheiro, mas depois, foi se formando a fila de catadores pra pesar os sacos de lata.
Eu e Pedro ficamos absortos ao lado dos catadores e no meio da multidão que cruzava sob os arcos e veio um homem, meio que um preto velho e nos interrompeu a distração. Me deu a mão em silêncio, depois cumprimentou Pedro e foi embora, de fininho, como quando apareceu. Eu adorei ele...
Ali, perto das Arcos, antigamente, tenho a impressão de que curtíamos um lance mais marginal. E, agora, que ta mais moderno, a gente curte também...rs.
Aí, Sacramento e Valfredo chegaram e fomos andando até ao Sambódromo para ver os carros elegóricos na concentração.
E viemos embora.

sábado, março 05, 2011

Chuviscando em meu bairro.
O pessoal de baixo está às voltas com colocar a antena da tevê numa posição que melhore a imagem.
Aí, fica gritando:
- Melhoroooooooooooooooooou?
- Nãããããããããããããããããã! Faz logo e sai da chuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuva!
Depois, fica silêncio.
Só o barulho do chuvisco, que vai apertando.
Ontem, estivemos na Cinelândia pra ver o carnaval, mas viemos embora cedo por conta da chuva.
Aí, passamos frio no ônibus.
Pedro achou que o motorista tava de sacanagem com os passageiros e não diminuía o ar. Mas ninguém reclamou. Todo mundo tava encolhido e quieto.
Umas meninas fantasiadas na rua, que avistaram a gente encolhidos, tristes de frio dentro do ônibus, deram adeus. A gente retribuiu e voltou a se encolher.
Que coisa!



sexta-feira, março 04, 2011

Ouvindo as músicas no ônibus, às vezes, consigo distinguir uma palavra, às vezes uma frase, mas no geral, ouço uma maçaroca indistinguível de sons da língua inglesa.
Não me importo.
Antigamente, quando adolescente, eu gostava mais de ouvir as músicas americanas, porque não entendendo as letras eu poderia dar o sentido que eu quisesse à melodia.
E tinha uma música do Chico Buarque que tocava sempre, mas eu mudava de estação. Era assim:
“ Mirian ensina o exemplo daquelas mulheres de Atenas...” e, depois, já ouvindo outra rádio, eu ficava pensando quem poderia ser aquela Mirian.
E tinha uma do Cartola, que tocava na madrugada que eu achava linda.
Falava de umas árvores que quando batia o vento, elas ficavam acenando. É uma imagem muito bonita essa.
Fui.

quinta-feira, março 03, 2011

Porque deu uma refrescada no tempo de Nikity, saí da sala e arrumei a cama de mamãe pra que eu passasse a noite de sono. Quando me deitei, não eram ainda 23 horas e, por isso, retomei a leitura do Jogo das Contas de Vidro, que tinha deixado de lado para que conseguisse terminar a tempo os trabalhos escolares.
Li muito pouco e logo a vontade de dormir veio.
Costumo, ao ler, embarcar definitivamente na leitura, sem paranóia e sem trazê-la demais pra mim, quer dizer, fico mais pra lá do que pra cá, mas, ontem depois de fechar o livro e apagar a luz, comecei a devanear no sentido que me tinha, como se o livro fosse, assim, um oráculo, bom leit@r.
Aí, refiz na cabeça o acabado de ler, o diálogo travado no reencontro de José Servo e Plínio, e tentei achar algum sentido disso, com o que tenho vivido agora. E nada.
Aí, relacionei com a cama de mamãe, com seu quarto, com mamãe, se poderia ter tido aquele diálogo com ela. Nada também.
Plinio e Servo se conheceram adolescentes, viveram na mesma escola, e, aí, se separaram. Nesse encontro, já na idade madura, Plínio conta pra o Servo, qual impressão tinha do amigo na época da escola.
E fala de suas aulas e, num momento, diz que o prazer das aulas de uma forma geral pode se definir pela presença de um único aluno, que por seu estímulo, conduz a direção dos assuntos do professor e a reação dos colegas presentes em sala.
Quer dizer, silencioso leit@r, ele não fala isso, desse jeito, mas foi nisso que fiquei pensando e me enchi de saudade de Servo e Plínio, como a saudade que eles sentiram ao lembrarem-se de suas aulas adolescentes.
Fui.

quarta-feira, março 02, 2011

Cabeto Rocker, meu amigo de adolescência, amigo de rua, me ligou semana passada, de Campinas, onde mora, muito contente, me parabenizando por que o Ney Matogrosso falou de mim numa entrevista à revista Rolling Stones.
Tínhamos uma turma que frequentava o Buraco, na Moreira César.
Buraco era como chamávamos a escadaria que levava ao Clube Central. A gente acampava ali toda noite com garrafas de bebida, cigarros e violão.
Depois, cada qual tomou sua direção na vida e Cabeto se tornou roqueiro em São Paulo, tinha uma banda.
Naquela época era fã do AC/DC.
Ele disse:
- Parabéns, Lu. Ele falou de você super bem, numa relação com Secos & Molhados. Vou escanear a revista e te mando.
Veja, bom leit@r:

terça-feira, março 01, 2011

Estive no centro da cidade para comprar quiabo, porque lá vende quiabo fresquinho, muito, mas muito mais barato que por aqui.
E, quando eu estava passando pela calçada, veio vindo uma loura, de fisionomia tensa e carregando nas orelhas um brinco muito feioso, o que me fez querer reparar nos brincos das outras mulheres que passavam por mim e saber se escolhiam bem os brincos, de meu ponto de vista, claro.
Aí, silencioso leit@r, era mesmo só a loura que tinha escolhido um brinco feioso...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Tentei restaurar uma de minhas parcerias com Marcos Sacramento e não tou conseguindo. Preciso que a titânica deusa Mnemósine, filha do tempo e da terra, mãe das musas, me auxilie.
Consegui reconstituir com perfeição mais da metade da letra e da melodia e só não consigo lembrar do refrão final.
Que coisa!

domingo, fevereiro 27, 2011

Notas Musicais: Entre novos e malditos, Ney alinha Gadú, Tono, Cap...

Notas Musicais: Entre novos e malditos, Ney alinha Gadú, Tono, Cap...: "Enquanto prossegue com a turnê do show Beijo Bandido, Ney Matogrosso começa a alinhavar o repertório do disco que pretende gravar neste ano ..."
Fomos pela segunda vez assistir, ontem, ao espetáculo “É com esse que eu vou”, no teatro João Caetano, em que o Sacramento participa como um dos cantores.
Eu já disse, o espetáculo é meio como as cenas de músicas daqueles filmes que a gente assistia, quando havia Sessão da Tarde, tudo muito chique. E a gente vai de cena em cena correndo pelos anos desde que o samba tornou-se um produto de mercado e que os cantores arrasavam com as interpretações, silencioso leit@r.
Pedro ficou animadíssimo, porque o teatro estava cheio, lotado, e tinha muito do que ele chama de senhorinhas e senhorzinhos.
Antes que começasse, ele dizia:
- Olha que linda aquela senhorinha ali, Luís – e, aí, chegava perto e puxava assunto!
O espetáculo é grande, tem um intervalo de 15 minutos, mas a gente nem vê o tempo passar, quando vê, já foi.
No fim, quando a Lilian Valeska canta aquela música falando que ela quer morrer no carnaval, fico chorando. E, aí, fui surpreendido pelo Alfredo Del Penho, que nessa hora, em nome dos colegas, dedicou o espetáculo pra mim.
Quer dizer, bom leit@r, fiquei muito emocionado e quis me esconder, porque minha cara entortou, minha boca frisou, meu olho se injetou de sangue e lágrimas e eu fiquei com o carão ali, retorcido de emoção, olhando pros cantores agradecendo os aplausos, apresentando a banda de feras no miolo do palco, e é isso aí.
É carnaval!

sábado, fevereiro 26, 2011

A gente entrou, ontem, no cinema pra ver Bruna Surfistinha!
Os filmes brasileiros têm sido legais pra caramba.
Outro dia pegamos Estômago, que achei mais legal, mas a Debora Secco é linda demais e já tinha me chamado a atenção pra ela, numa propaganda de tevê, em que ela aparecia vindo pela direção da rua, numa cena da novela das oito, mas não conseguia identificar que atriz era.
Depois, quando vi a novela, era ela.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Na espera pelo médico estavam as travestis.
A mais jovem delas estava que era hormônio puro, como quem estivesse, por exemplo, num baque de heroína, numa batida de maconha, numa euforia de cerveja, quer dizer, silencioso leit@r, eu só conseguia fazer relação com drogas pesadas e, antes que aquele silencioso leit@r considere que maconha não seja uma droga pesada, acho maconha droga pesada.
E, voltando à travesti pesada de hormônio e graça (não era burrice, era graça), ela estava com muita dificuldade de preencher o formulário médico e dizia pra outra mais velha a seu lado:
- Aí, meu Deus...o que é município?
- Rio de Janeiro – a outra respondeu.
E, antes, quando ela começou a preencher o formulário, disse:
- Esqueci meu nome...
Aí, a moça da recepção disse:
- Coloque seu nome social, não tem problema – aí, o nome social ela sabia.
Depois, levantava muito alta e toda redondinha, costas largas, quadris largos, bundona, peitinho, esticando o vestidinho na tentativa de esconder um sumidouro entre as pernas e sentava outra vez e pegava o formulário e ficava lendo pra entender. E fez isso várias vezes.
Quando o médico chamou, não tinha terminado...rs.
Que coisa!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

O Yohann chamou Baiano para produzir uma faixa de um disco tributo a Neuzinha Brizola, uma cantora que apareceu na década de oitenta, acho que no bojo da moçada que fazia música na zona sul, e pediu que eu fosse o intérprete.
Baiano preparou tudo e fizemos a faixa.
Nós adoramos!
Também nessa semana o cant@r Fênix, me disse que a faixa em que participei, falando uma coisa que inventei na introdução da música, em seu disco, ficou muito bom e que o disco está pronto. E que será lançado no meio do ano.
E, ontem, fui numa entrevista patrocinada pelo governo federal e que o grupo SOMOS do Rio Grande do Sul está fazendo pelas capitais brasileiras. É uma coisa voltada para o público LGBT e os meninos(um menino e uma menina) que me entrevistaram são legais pra caramba!
É isso.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Vejam O Globo de hoje que tem uma matéria do ACM sobre luís capucho, silenciosos leit@res!
Descobri que ta AQUI

sábado, fevereiro 19, 2011

Aqui nesse blog, certa vez, no contexto de minhas elucubrações sobre a língua e pensando nas palavras como uma forma de fazer o nosso espírito voar, coloquei uma frase bonita de Rudolf Steiner:
“As borboletas são flores que se desprenderam da terra....e as flores são borboletas que a terra apreendeu...”
E outro dia estava tentando me lembrar do nome daquela borboleta migratória que vai do Canadá pra os EUA e não me lembrava de jeito nenhum, só me vinha à cabeça o nome daquele compositor de samba, o Monarco. Seguindo a pista, vi que estava muito próximo, porque o nome daquelas borboletas é Monarca. E, aí, fiquei impreessionado com o que li a respeito da migração delas.
Veja Aqui, bom leit@r.
Que coisa!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Minha vizinha de trás é trans.
Atrás de minha casa, onde ela mora, é onde nossso vale é mais fundo, e as casas ali, ficam num nível mais baixo que o nível da minha, nivalada com a rua. De minha casa não consigo ver minha vizinha trans, mas posso ouvi-la abafada pela parede. Só consigo vê-la, quando ela vai ao mercadinho e já disse a vez em que olhando pra lá, me surpreendi com uma estátua em seu meio. Mas passada a primeira impressão, vi que era minha vizinha de trás, montada, meio boneca, meio gente, uma escultura.
Fui.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Acordei com o peito seco, com tosse de cachorro.
Depois do café, no banheiro, ouvi a vizinha de traz, dizendo pra uma criança:
- Pega papel e passa na barata...- imaginei a barata morta no chão e não entendi, mas, aí, achei que era pra jogar fora no lixo. Ouvi a criança dizer:
- Barata...- e entendi, quando a vizinha de traz disse:
- Não é perereca, é?

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Fazendo um trabalho pra escola, fiquei por um tempo consertando um parágrafo que me pareceu pouco claro.
Mas, aí, quanto mais tentava esclarecê-lo, mais ía me enrolando nas idéias que começaram a brotar das modificações que fazia. E nem poderia voltar, porque tinha perdido o primeiro broto, de onde tudo aquilo vinha saindo.
E me lembrei de mamãe, que era entendida em assuntos do capeta.
Ela dizia:
- O diabo tanto tentou perfeição no nariz de seu filho, que terminou por deixá-lo, absolutamente, torto!
Claro que, como estou mais para anjo que para o demo, vou ajeitar tudo.
Fui...

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Passei pano molhado na sala, ontem. Lavei roupa.
Ficou bom.
Quando eu era um rapazinho tinha amigos que faziam isso e eu não entendia.
Para o rapazinho que fui, era brincadeira de criança essas coisas: fazer comida, arrumar a casa, organizar as roupas no armário e tudo.
E, quando conheci Suely Mesquita, minha parceira no “Vai Querer?”, ela tinha suas letras tão organizadas no seu computador, naquela época, estava tudo tão arrumado(não sei como é agora), que achei aquilo uma imensa brincadeira de criança.
Quer dizer, bom leit@r, minha natureza naquela época de rapazinho era o caos, a zona, porque, quando garotinho, eu já tinha brincado de ordem.
E queria mais...

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Finalmente, demos por terminada a edição do “Vai Querer?”.
Fiz uma parte teórica, que acompanha o vídeo, porque ele se transformou num trabalho escolar. Espero que eu consiga uma boa nota..he he he!
Por conta disso, de ser um tabalho escolar, porque fiquei de mosca no Pedro e por que ele é a paciência em pessoa, obtivemos muitos ganhos tecnicos nessa edição. È só comprar com as anteriores...

Vai querer?

domingo, fevereiro 13, 2011

Pegamos uns filmes pra ver e Pedro fez angu pra gente comer, que ele e eu adoramos. Quando eu era criança, não gostava, porque o fubá, era um fubá amargoso. Era só angu. Então, aconteceu o que acontece com as crianças: rejeitei todos os angus que me afereceram desde então. E não me lembro mais da vez em que redescobri seu sabor:
“Estava na cozinha mexendo angu
Veio uma galinha beliscou meu cu!”
Que gostoso!
Por um momento, tive medo de estar assistindo “A Origem”, porque achei que fosse me complicando, me complicando, e nunca mais conseguisse sair.
Já senti isso com livros também. Eu poderia ter me negado a ver o filme, como me negava a comer angu, quando criança, mas foi apenas um instante de obscuridão.
Depois curti o labirinto.
Que coisa!

sábado, fevereiro 12, 2011

Manhã abafada em Nikity.
Mas o bafo de calor, de verdade, começa a aparecer mais tarde.
Tem rolado uns assaltos na vizinhança do que Pedro chama de meu comdomínio e no que, às vezes, chama de minha comunidade.
O mercadinho em frente à minha casa foi assaltado ontem e, ante-ontem, no dia da obra aqui, Zé Luiz chegou de manhazinha contando que a duas casas ao lado dessa, aquele pessoal que vive trancado atrás da grade do portão de latão, foi encontrado amarrado: pai, mãe, crianças, vó. E que uns caras que se disseram da Sucam, tinham amordaçado e amarrado eles, antes de ir embora de lá.
Eu, que tenho dormido de janela aberta, fui aconselhado por minha Vizinha de Janela a colocar um pau no trilho em que ela, a janela, corre e, assim, dificultar a entrada do ladrão.
Fiz.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Para Norma, amiga de mamãe, os eguns também brincaram com a torneira da pia da cozinha, porque depois de terminada a obra e o Zé Luiz foi embora, a torneira da pia não se fechou mais. Eu tinha outra torneira pra colocar no lugar daquela, mas fiquei grilado se iria conseguir fazer o serviço certinho. E não queria pedir ao Zé Luiz que voltasse. Me armei de coragem, falei com Pedro no telefone que me deu a maior força e troquei. Ficou perfeito e lindo!
Madame diria ser um trânsito de Netuno e Saturno, o que para Norma, amiga de mamãe, é a brincadeira dos eguns na torneira da pia.
A toneira nova não tem acoplado um filtro. Pedro me deu um. De barro. E uma caneca de alumínio pra beber água.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Obra aqui em casa.
Infiltração, outra vez. Mas em outra parede.
A outra infiltração vinha dos canos da cozinha pra sala. Essa vem da caixa d’água sobre a casa.
A casa ficou velha!
Norma, que era amiga de mamãe, diria que são os eguns.
Pedro me deu um abajour.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

O blog O Livro de Hélio ta entrevistando homens gays que tenham tornado pública sua orientação. E me mandou e-mail perguntando se eu participaria.
Disse que sim.
Ele já entrevistou Luiz Carlos Maciel, o bigode. E o Bruno Chateaubriand.
Hoje, mandou e-mail:

ACEITAÇÃO, NÃO. RESPEITO, SIM.

Entrevistas com personalidades brasileiras falando sobre HOMOFOBIA e questões LGBTs.
Entrevistado da vez: MARCOS RANGEL - MR GAY RJ 2010.
Acesse:
www.olivrodehelio.webnode.com.br/blog/

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Volta e meia acho uma coisa perdida junto à minha bagunça.
Melhor assim, deixar a bagunça-coisa como está, porque se quando Dorinha vem, arrumar, a coisa pode perder-se para sempre.
Pra quem gosta de votar, tenho um link: Troféu Mulher Imprensa.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Vi um pedacinho do jogo do Flamengo com Nova Iguaçu na expectativa de estar vendo algo especial e logo fui dormir. Mamãe adorava ver jogo do Flamengo e me lembrei disso e fui dormir, lembrando de uma música que fiz há um tempo:

Girafa
(luís capucho)

Eu não entendo as coisas
Exatamente como elas são
Mas o meu pequeno entendimento delas
Não me impede de alguma compreensão
Eu sinto o meu pensamento a se movimentar
E a me fazer sentir entre as costelas
A presença da girafa
Se acaso estou no zoológico
Paralizado diante dela
Mas daí a entender a girafa em toda a sua plenitude de girafa
Vai uma distância
Bem maior do que a existente entre o meu pequeno tamanho que segura minha cabeça em seu alto
E a altura gigantesca do pescoço da girafa com a cabeça dela lá em cima
Igual desentendimento acontece todos os dias comigo e mamãe
Vendo televisão sentadinhos na nossa sala
Vendo novelas, filmes, jornais
Que não entendemos tudo
Que não não entendemos tudo
Que não entendemos tudo...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

De novo, voltamos à ideia de Vilém Flusser de que a realidade está na estrutura, e de que a estrutura, o ser puro, se realiza nos seus luxuriantes movimentos em sociedade ou penso na ideia específica de que a estrutura contida no DNA humano, se realiza através do entrecruzamento sexual do espermatozóide e óvulo.
A estrutura, quando se realiza, tem, pois, dois movimentos: um vertical, outro horizontal, e se propaga ou se reproduz em todas as direções, o que faz com que tenha dimensão de corpo no espaço, que é a dimensão do organismo humano que possuo, com os meus órgãos internos todos dimensionados desse modo, e que também é a dimensão do texto que produzo agora, dimensionado no tempo e espaço.
Então, mais uma vez, voltando a seguir o fio da meada, se o meu teclado de escrever é como uma máquina de costura que escreve ou costura corpos no espaço, redimensionando assim vestidos, calças, paletós, toalhas, luvas de plural, luvas alternativas, transitivas e tal e tal, o corpo real e fluido da literatura, esse mundo paralelo de palavras, construído de moléculas substantivas, de átomos de palavras alternadas e tudo, que não é sólido, gás ou líquido, o que é, o que é?

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Porque o Shiraga disse que não ganhei de Madame um Prêmio, mas que o prêmio de Madame era um meme, coisa de que nunca tinha ouvido falar, procurei saber na web, e isso me fez voltar ao fio da meada do que vinha pensando sobre as palavras serem instrumento de penetração, quer dizer, objetos fálicos simbólicos, que vêm se costurando de geração em geração, desde os tempos mais remotos, quando o homem começou a ser homem e se distanciou, diferenciando-se, das manadas de outros animais.
Os memes, além da luxúria, também trazem a idéia de vírus, bom leit@r.
Vejam o que achei no http://www.logdemsn.com/2007/08/25/o-que-e-meme-como-e-por-que-surgiu/:


"Para dar conta de explicar o Homem moderno, imerso na Cultura, Darwin sozinho não é suficiente, mas deixou suas contribuições para muitas abordagens da Psicologia, principalmente a Psicanálise de Freud e as psicologias de base evolucionistas. Com os etólogos não foi diferente, tentando dar conta do Homem que vive em cultura, Richard Dawkins, um cientista evolucionista, apresentou em 1976 o termo “mimeme”.
Mas a idéia era dar conta de explicar as transmissões culturais analogamente à transmissão dos genes, daí o termo foi reduzido para um parecido com “gene”, o “meme”, que está relacionado à memória.
Nesse sentido, os genes se propagam de “corpo” em “corpo” através dos espermatozóides e os memes se propagam de “cérebro” em “cérebro” através de um processo de imitação de idéias. O meio de transmissão depende da influência humana em várias formas, a palavra escrita e falada, o exemplo pessoal, e muitas vezes com o auxílio de músicas, imagens e slogans.
Também análogo à seleção natural, alguns memes são mais sucedidos que outros. Tudo dependerá de 3 dimensões que devemos levar em conta: 1) longevidade; 2) fecundidade e 3) fidelidade de cópia.
Geralmente os memes que conseguem um sucesso brilhante em curto prazo tendem a ficar no esquecimento. Isso é muito comum com a moda. O fabricante usa de vários meios para “fecundar” sua marca, apresenta slogans acompanhados de músicas e modelos que visam sensibilizar o público para se identificar com a idéia de “sucesso”. Dependendo da apelação da publicidade à estultice do público, o produto pode atingir níveis de vendas altíssimos em curto prazo. Passado o verão, tão logo esse meme cairá no esquecimento.
Por outro lado, as idéias religiosas, por exemplo, levam séculos para serem construídas, mas também tendem a se propagar durante milhares de anos devido ao grande potencial dos seus registros escritos e capacidade em oferecer uma espécie de “prótese” a quaisquer dos males da existência humana – a “crença em uma vida após a morte” é um meme transmitido a milhares de anos.
Outro fator que pondera a longevidade de um meme é a fidelidade da cópia. Como regra geral, os memes não são de forma alguma replicados em sua forma idêntica. Eu sou adepto das idéias do Freud, isso não significa que eu as reproduzo exatamente como Freud disse, pelo contrário, eu acrescento, retiro e modifico de acordo com meu repertório de vida e necessidade. Também posso ler autores que escrevem sobre psicanálise freudiana, que também não transmitem as idéias de Freud de forma idêntica. Nunca é demais dizer que, neutralidade na transmissão das idéias é algo que caduca no meio jornalístico.
Diante do exposto, apresento as duas faces do meme, uma positiva e outra negativa, já convidando você a refletir sobre.
Por um lado, um meme pode literalmente parasitar vários cérebros, transformando-o, enquanto veículo para propagação de idéias perniciosas e sensacionalistas. O publicitário e o empresário podem usar você enquanto meio para consolidar e vender produtos visando o enriquecimento próprio, pouco se importando se o produto é bom ou ruim. O “blogueiro” pode usar um meme para conseguir “trackbacks” visando simplesmente aumentar a quantidade de visitantes que irão clicar nos anúncios de sua página, ou usar um meme para transmitir uma idéia que acha interessante e obter colher opiniões a respeito para fundamentar um pensamento.
A mídia é a principal forma de transmissão de um meme. Por exemplo, da mesma forma que um vírus parasita uma célula e pode se propagar pelo código genético, a rede Globo (e outras emissoras) parasita o cérebro de muitas pessoas propagando suas idéias que refletem as relações de dominação e alienação. Para isso, basta explorar e apelar à capacidade de imitação do cérebro, uma capacidade muito bem desenvolvida na espécie humana por menor que seja a intelectualidade do sujeito.
Por outro lado, enquanto os genes podem apagar qualquer vestígio de sua existência, o meme pode consolidar sua existência no pensamento da humanidade. Sócrates por exemplo, é praticamente certo que não exista ninguém que carregue um de seus genes, porém, seu meme “só sei que nada sei”, sobrevive há milênios.
Assim é com os costumes, os hábitos, os slogans e tantas outras idéias que atravessam séculos de gerações à gerações."


segunda-feira, janeiro 31, 2011

Dia sem sol em Nikity.
Tomei os remédios.
Vou fazer um purê de abóbora.
Eu e Pedro estamos refazendo um vídeo da minha música com Suely Mesquita, “Vai Querer?”, do disco Lua Singela. Pedro é incrível, ele abriu o programa e começou a aprender.
Eu tentei, mas não rolou.
Aí, eu fico em volta, feito mosca.
As imagens trouxemos de nossa viagem a Salvador, em outubro, quando conhecemos, pessoalmente, o
Tarcísio e o Lima. E a gente ta enrolando assim, porque eu transformei a edição em um trabalho escolar, aí, quero tirar uma nota bem legal.
Eu disse:
- Pode ser um vídeo? – e o professor:
- Se você teorizar a respeito, sim – e tou lendo uns livros que me ajudam a bolar um texto que justifique o clipe, ta se ligando, bom leit@r?
O link do vídeo com a literatura é que ambos são narrativas, se liga...

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Manhã sem frescor algum, com a vizinhança reclamando já de manhã.
O vizinho de baixo, que faz gaiolas e que prende passarinhos, está embaixo de minha janela e Seu Valmir está perto, cantando baixinho hinos de louvor. De vez em quando puxam conversa, ouço daqui palavras soltas.
Ontem de noite, Pedro veio e instalou outro word no meu PC, que ficou sem problemas pra escrever.
Ainda guardo comigo um crânio de gato que achei na praia, quando era adolescente.
Estou suando.
Fui.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Manhã fresquinha de verão cheio de lembranças.
Ontem, à noite, assisti a um documentário sobre as conquistas da cultura humana.
Que o homem se distinguiu dos chimpanzés pela habilidade do polegar, pela diferenciação do aparelho fonador, que permitiu o ar pela boca, pelo tamanho do cérebro que permitiu o circuito da fala e tal.
Por isso, aperfeiçoei meu post de um tempo atrás e repito ele com as modificações:

Pensar a linguagem verbal humana (oral e escrita), essa forma que o ser humano encontrou de abstração e que, ao mesmo tempo, costura-o à natureza (de que se afastou) e a seus semelhantes e pensar esse modo que encontrou de, através dela, criar e descobrir interpretações diversas de realidade ou o modo que encontrou de apenas se comunicar, quer dizer, pensar este tecido verbal, forjado através das gerações, com suas camadas de dor, sonho, objetividade ou prazer, que, em última instância, lhe dão sentido, é pensar o próprio homem, a humanidade, com seus mistérios ou suas caras já reveladas, suas faces aparentes.
Sendo assim, eis duas visões distintas, uma divina, outra humana, mas que no fundo, dizem a mesma coisa sobre nós, a saber, palavras criam realidades:


No Santo Evangelho segundo São João:

O verbo se fez Carne

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens.


N’A História do Diabo, de Vilém Flusser:

Pg 160

1.7. Língua

A vontade tende. Pressiona. Quer explodir. É sedenta. Quer espalhar-se. Está em tensão. Procura sair de si mesma. Quer projetar-se. Procura poder. Quer realizar-se. Exprime-se e expressa-se. Articula-se. A vontade torna-se língua. A vontade tornada língua cria mundo e mente.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Alguém fazendo obra na vizinhança.
Enquanto fazia meu café, o dia lindo de verão, me fez, outra vez, lembrar das casas fresquinhas das amigas de mamãe.
Minha mãe começava muitas frases assim:
- Naquela época, eu tinha uma amiga...- e tal.
Mais um sonho com mamãe.
Antigamente, na roça, mamãe, lavando roupa dentro do rio, batia as roupas nas pedras. Eu tinha que dar leite pra umas crianças. Eu batia os sacos de leite nas pedras, mas não sabia se estava certo. Mamãe estava do outro lado do muro e gritei-lhe feito um bezerro:
- Mãããããe? Como é que é certo bater esse leite na pedra – e ela respondeu:
- Não precisa bater, luís. Dê o leite às crianças!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

terça-feira, janeiro 25, 2011

Aos poucos a casa vai se estragando e é preciso estar sempre a consertar um troço e outro e tal. Enquanto eu lavava louça, estive pensando nisso e pensando como as louças são tão antigas e vem sendo lavadas pelos séculos afora e me lembrei de quando eu era um menino e visitava as casas das amigas de mamãe e via as louças que iam pras pias serem lavadas e eu lavando as minhas louças, aqui, depois do almoço e, silencioso leit@r, foi ótimo!
Então, as casas vão se estragando e é preciso consertar e já faz tempo que fiz uma lista de coisas pra fazer e fui me entusiasmando e listando as coisas que poderiam acontecer pra mim, os meus desejos, tudo, e pendurei na geladeira. À medida que vou conseguindo realizar algum item de minha lista, o meu prazer é grande em retirá-la do ímã prendendo-a à geladeira e riscá-la no item realizado.
Alguns itens ficam anos sem que eu consiga ter o prazer de riscá-los, mas não os perco de mira, quer dizer, um dia risco.
E no domingo, Pedro veio e colou os plásticos que há anos estavam se descolando no piso do quarto e sala. Ele fez um trabalho primoroso, enquanto eu ficava em volta, feito uma mosca.
Pedro arrebentou!
Quer dizer, item riscado: colar chão.
Incrível!

domingo, janeiro 23, 2011

Sonho muito com mamãe, que me abraça deliciosamente.
Às vezes, perco o contato e não consigo lhe falar no telefone.
Essa noite ela me deu seu e-mail:
porqueagenteexiste@luzia.com.br

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Recebi um prêmio, generoso leit@r!
Ele veio de Madame Beleza, que por sua vez ganhou de Stephie B.
É um prêmio e é um jogo.
Eis as regras:
a- linkar a pessoa que o indicou.
b- listar sete coisas sobre você mesmo:

Então, vamos lá:

1. Escrevo no Blog Azul, quase todas as manhãs.


2. Escrevo sempre acompanhado de meu pote de café.

3. Onde escrevo, meu quarto, pega o sol da tarde e no verão é impossível dormir aqui.

4. Porque levei minha cama pra sala, tenho podido aproveitar a visão da janela de meu quarto. E sinto grande prazer em me debruçar nela pra olhar o casario de lâmpadas acesas, aproveitando a fresca lá de fora, desse pedaço de vale, à noite.

5. Minha vizinhança é barulhenta e o insuportável é quando os meninos jogam bola no corredor. Jogaria todos fora, no lixo!

6. Adoro dormir muito e sou lento, quieto, parado.

7. Faço minha própria comida.


Blogs a que dou esse Prêmio:

1-
Blog do Senhor Maven
2- Blog do Tarcísio
3- Blog do Shiraga

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Então, do mesmo modo que a abstração nos separa da realidade, ela pode nos aproximar dela, como é o caso já dito da geometria fractal, que se afasta(representa) aproximando. Além do que, é através da linguagem(por excelência uma abstração), no crochê da conversação humana sobre a face do planeta, que penetramos, nos aproximamos da realidade do outro.
A esse respeito, veja o que diz n’A História do Diabo, Vilém Flusser:

“6.4.2. A conversação é um tecido que consiste de fios formados por palavras, e pontos de cruzamentos de fios, chamados “intelectos”. A palavra é a ponte que liga intelectos e aponta por seu significado, em última análise, para o fundamento inarticulado. Toda palavra é produto, é obra do esforço criador desse fundamento, é obra de arte diabólica informada e modelada...(...). Toda palavra é obra do esforço conjugado empreendido pelas incontáveis gerações de intelectos que nos antecederam. No curso da história do pensamento toda palavra tem sido modulada e amassada sem cessar pelos intelectos incontáveis que dela se utilizaram para se realizarem. Toda palavra é testemunha viva da história do pensamento. Nesse sentido é toda palavra o integral do pensamento...

6.4.3. O exército das palavras forma e cerra fileiras em obediência a regras. As fileiras são chamadas “frases”, e as regras “gramática”, e é graças a essa organização que o exército das palavras avança. O rito pelo qual as palavras se organizam em frases é responsável pela consistência da realidade do intelecto...(...). A mente humana, essa suprema ilusão de realidade, é a obra mais perfeita do diabo, e é nesse sentido que a nossa insistência avarenta na manutenção de nossa individualidade é o triunfo supremo do diabo. O nosso empenho em prol da língua(que é o empenho em prol do nosso intelecto), e nosso empenho em prol do enriquecimento da língua(que é o empenho em prol da imortalidade do nosso intelecto), é o ponto culminante da carreira gloriosa do diabo. A superação da língua, que seria o abandono do intelecto, implica a perda da nossa individualidade, e, do ponto de vista oposto ao diabo, a salvação de nossa alma.”

Quer dizer, bom leit@r, para que se penetre a realidade será preciso ser um Buda, sem abstrair nem pensar, nem rir nem falar...
- Hein?!!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Enquanto a oralidade e a linguagem matemática tradicional(o sistema euclidiano de representação ou a matemática de Isaac Newton) se desenvolveram a partir de conceituações muito abstratas, incapazes de apreender a natureza das coisas(como fossem as borboletas, flores que se distanciaram da terra, segundo Rudolf Steiner), a língua escrita e a geometria fractal têm direção inversa, porque, para Flusser, inventou-se a escrita a partir do desfiamento de camadas da imagem. Quanto à geometria fractal, como já foi dito, esta desenvolveu-se a partir da possibilidade de entrar na dimensão existente entre dois pontos ou planos ou números. Quer dizer, enquanto as primeiras afastam-se, as segundas se aproximam, penetram, entram na dimensão do real.
Como já insinuei serem as palavras instrumentos de penetração, no curso das idéias que, aqui, tento desenvolver, a esse respeito, sobre penetração, gostaria de transcrever outro trecho do A História do Diabo, de Vilém Flusser::


“2.4.6. As mãos que os diversos tipos de átomos estendem para alcançar realidade de vez em quando se encontram. Aí se agarram uma as outras para formar moléculas de diversos tipos. Moléculas são pedrinhas(mecanicamente indestrutíveis) que compõem a matéria, são portanto finalmente algo de concreto, embora nunca ninguém tenha tido a experiência vivencial da molécula isolada. A concreticidade da molécula não é portanto tão enormemente impressionante. Como será que se encontram as mãos para formar esses pedacinhos concretos? O mito da química recorre ao mito de Demócrito para explicar esse milagre ontológico inconcebível. As mãos são os ganchos dos átomos duros desse grego arcaico devoto, falsamente interpretado como pai do materialismo. Os átomos flutuam no nada qual flocos de neve, e quando, por “acaso”, se encontram formam realidade, porque seus ganchos se agarram. A realidade é uma espécie de crochê, e o nada a infiltra de todos os lados e por todos os poros. E o “acaso” desse crochê é o mesmo que produziu a terra. Algumas das moléculas têm estrutura simples. São formadas por poucas mãos que se agarram de maneira simples. Outras estruturas são extremamente complexas. Não se trata somente de saber quais são os átomos que entram na combinação, mas também de que direção e de que forma entram. É o antigo problema do espaço que entra em jogo. Os desenhos que químicos nos fazem dessas estruturas diabólicas lembram vivamente figuras paranóicas ou mandalas tibetanas. Modelos tridimensionais de moléculas lembram a chamada “escultura abstrata”. Os átomos são, nesses modelos, representados por bolas, e as suas mãos por barras. Mas deve ficar claro que essas bolas e barras não simbolizam “realidades”, mas realidades in statu nascendi. O que é “real”, quimicamente, é apenas a estrutura. Esses modelos são a demonstração sensível do esforço diabólico de transformar “ser puro” em fenômeno sensível. Mas é possível encarar esses modelos igualmente de um nível ontológico diferente. É possível dizer-se que as bolas nesses modelos representam seres individuais que se tornam reais somente em sociedade. São zoa politika cuja realidade é a sociedade chamada “molécula” neste exemplo. Esse nível ontológico, o qual podemos chamar “social”, nos desvenda uma realidade inteiramente nova. As moléculas não passam de fenômenos estruturalmente homomórficos com fenômenos como é o organismo vivo. Nele os órgãos são apenas condição virtual do organismo. O órgão isolado carece de realidade. O mesmo pode ser dito quanto ao “ambiente” da ecologia. O “ambiente” como estrutura é a única realidade, e as “coisas” que compõem o “ambiente”, por exemplo as árvores, os animais, os riachos, as nuvens e o chão de uma floresta, não passam de virtualidades da realidade que é a floresta. Podemos ainda dizer o mesmo quanto à sociedade humana. O indivíduo humano não passa de condição virtual da realidade que é a sociedade. Em uma palavra: a realidade está na estrutura. É o que o modelo das moléculas se esforçam por demonstrar aos sentidos.”
Vilém Flusser em A história do diabo.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Nesse ponto, onde se comenta o aspecto luxuriante da geometria fractal que ao penetrar entre as dimensões dos pontos, das linhas, dos planos e dos sólidos, então, consegue descobrir e representar a geometria em desordem da natureza, e em resposta a minha pergunta sobre a geometria da língua escrita, vale lembrar o que disse Vilém Flusser a respeito do surgimento da escrita, em seu ensaio intitulado Filosofia da Caixa Preta, de 1985.
Para Vilém Flusser, a língua escrita surgiu a partir do empenho, no segundo milênio antes de Cristo, em se rasgar a imagem “a fim de abrir a visão para o mundo concreto escondido nelas. O método de rasgamento consistia em desfiar as superfícies das imagens em linhas e alinhar os elementos imaginísticos. Eis como foi inventada a escrita linear. Tratava-se de transcodificar o tempo circular da imagem em linear, traduzir cenas em processos”.
Assim, a escrita surge da sistematização de recortes encontrados nos contornos da superfície das imagens, quer dizer, o processo de entrar entre os pontos e linhas das superfícies da realidade é o mesmo da geometria fractal, né, não?.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

A respeito da desordem da vida, da natureza, da realidade e voltando ao livro de Arlindo Machado A Arte do Vídeo, 1988, encontrei na página 149:
“Quando o computador gráfico distribui de forma aleatória as folhas de uma árvore, ou cria a nodosidade num tronco, ou desenha a forma irregular de uma montanha, a figura obtida como resultado parece demasiadamente “caótica” se comparada com o modelo natural. Ora, isso parece dizer que, a despeito da aparente gratuidade, as formas da natureza, mesmo aquelas mais selvagens e amorfas, devem ter alguma espécie de organização secreta...(...). Que geometria misteriosa é essa que rege a construção do contorno desigual de uma montanha e distribui escarpas, pontas e fossos em sua superfície? A resposta parece que começa a ser vislumbrada com o surgimento da surpreendente geometria fractal.”


E eu pergunto, bom leit@r: O que dizer da geometria da língua escrita? Estaria ela, com suas irregularidades de contorno, seus fossos e pontas, mais próxima da desordem do mundo?

Continuando o Arlindo Machado...

“Essa geometria(fractal) de história recentíssima constitui um sistema matemático tão poderoso que parece ser capaz de descrever e representar as estruturas de fenômenos naturais resistentes à formalização, como o contorno de uma montanha, a distribuição das folhas numa árvore, o mapeamento das crateras lunares e até mesmo a distribuição das galáxias, o padrão dos fluidos e a configuração das turbulências. Desenvolvida e sistematizada pelo polonês Benoit Mandelbrot, a geometria fractal traz à luz processos dinâmicos não-lineares que estão colocando em xeque as últimas garantias do sistema euclideano de representação. Como se sabe, a geometria clássica trabalha com categorias abstratas convencionais, a rigor inexistentes na natureza e a ela inteiramente estranhas, como é o caso dos pontos, das linhas, dos planos e dos sólidos regulares. A maioria esmagadora dos objetos técnicos forjados pelo homem reproduz essas categorias: suas formas são lisas, regulares e “funcionais”, pois a sua própria finalidade é materializar funções matemáticas ou conceitos científicos. A natureza, entretanto, sempre resistiu à redução geométrica, donde o enorme dificuldade de descrever os seus fenômenos a partir de categorias carregadas de módulos de ordem e disciplina. Basta observar como se comportam os galhos rugosos e retorcidos das árvores, o perfil flamejante das chamas, a distribuição dos cúmulos estelares, a forma das nuvens e a textura do relevo terrestre. Em comparação com os modelos geométricos a natureza parece caótica, desorganizada, moldada por mil artimanhas do acaso, imprevisível em última instância. Ora, a geometria fractal, em sintonia com o que há de luxuriante no mundo natural, aboliu os pontos, as linhas, os planos e os sólidos substituindo-os por processos complexos e dinâmicos que se dão entre essas dimensões. Assim, descobriu ela que a dimensão fractal de certas superfícies rugosas ou irregulares é algo intermediário entre as dimensões 0 e 1, 1 e 2, 2 e 3 ou mesmo 3 e 4, ou seja, um número fracionário ou um inteiro “anormal” ou ainda um número irracional, descritivo de um estado irregular ou interrompido. Se não for muito grosseira a comparação, podemos dizer que a geometria fractal se ocupa de algo como retas tortas e planos amassados.
(...) A geometria fractal traz de volta à cena filosófica um princípio básico do pensamento oriental, segundo o qual a parte já contém o todo(...).

sábado, janeiro 15, 2011

Então, a matemática celeste, segundo Vilém Flusser, não se traduz exatamente na ordem matemática de Isaac Newton. E na superfície ordenada do sistema das línguas humanas, segundo o poeta Ferreira Gullar, não se traduzem os fenômenos do mundo em sua profundidade e em sua desordem.
Entretanto, pensando no que disse Ferreira gullar a respeito da experiência fauvista de Henri Matisse (disse que o homem só inventou a pintura, porque existe uma parte da experiência humana que não se traduz em palavras) e, segundo Arlindo Machado no seu A Arte do Vídeo, Editora Brasiliense, 1988, “(...) a pintura e a fotografia podem restituir o mundo em sua complexidade e desarmonia, com todos os acidentes do acaso e as irregularidades que moldam a face das coisas. Sabe-se que os teóricos da imagem sempre acentuaram o caráter “não codificado” das artes visuais: a imagem de uma árvore, dizem eles, é sempre alguma coisa particular, ambígua, polissêmica, esculpida por mil caprichos do acaso e em nada se parece com o desenho de outra árvore, mesmo que da mesma espécie. Duas árvores representadas em desenhos diferentes nunca mostram a mesma nodosidade nos troncos nem a mesma distribuição das folhas nos galhos ou dos galhos nos troncos. Diferentemente, portanto, da palavra “árvore” que é um conceito geral, abstrato e designa todas as árvores existentes ou existidas, sem se referir a qualquer árvore singular. Em síntese, enquanto a palavra teria como destino o conceito formal abstrato, a imagem estaria mais ligada à natureza concreta das coisas particulares, a despeito de todas as convenções de representação.”
Nesse sentido, a pintura de Henri Matisse está mais próxima da desordem da vida do que poderia estar próximo da vida o sistema codificado da língua portuguesa e do que poderia estar, como falava Vilém Flusser, a abstração matemática de Isaac Newton próxima da ordem imperfeita das esferas celestiais.
Ainda segundo Vilém Flusser, na sua A história do diabo:
“A desordem é própria da vida. A ordem é inimiga da vida, é a própria morte. Ordenar vida significa matá-la.” -pg 41.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Maria Braga me mandou e-mail.
Aqui.
“Vou reunir músicas de Jards Macalé, Itamar Assumpção e Luiz Capucho, artistas injustamente rotulados como malditos, misturando com Tono e um rapaz de ...







quinta-feira, janeiro 13, 2011

Sim, não existe ordem na natureza das coisas, mas apenas na tradução dessa natureza pela cultura humana: nas línguas, nas artes, na arquitetura das cidades, na arrumação de meu guarda-roupa, nas ciências...
A mente humana é um filtro que organiza a realidade e cada cultura, cada língua, cada gênero artístico, cada guarda-roupa, cada época, tem a sua forma própria de organização.
A esse respeito Vilém Flusser filosofa no seu A história do diabo(1965):

“(...) A nossa tradição ocidental louva a harmonia das esferas como obra divina. Deve portanto chocar o leitor que a nossa argumentação se veja forçada a concluir atribuindo essa harmonia ao diabo. Um instante de meditação amenizará o choque. O que admiramos no céu estrelado não é sua ordem, mas a sua duração gigantesca. Comparada com a duração de nossa vida, são as esferas celestes efetivamente eternas. Essa sua relativa eternidade é o que nos parece divino. Sabemos, no entanto, que se trata de um engano nosso. Os astros são fenômenos temporais, como tudo neste mundo dos sentidos. Com efeito, os astros são “imperpetua mobília” como as máquinas que produzimos. Reduzidas as dimensões e a duração, não passa o céu estrelado de um exemplo das máquinas que ultimamente nos são fornecidas pela nossa tecnologia. Com uma diferença apenas: as nossas máquinas funcionam geralmente com exatidão maior que a máquina celeste, fato que os astrônomos constatam com um leve sorriso. Seria blasfêmia atribuir essa máquina imperfeita ao criador divino. Com o mesmo direito poderíamos atribuir-lhe as nossas máquinas destinadas a produzir instrumentos ou mortes. Não, a máquina gigantesca dos astros é obra do diabo. E o nosso parque industrial é sua prole tardia. Os nossos aparelhos são cópias aperfeiçoadas do padrão diabólico que aparece, todas as noites, acima de nossas cabeças. São cópias mais refinadas, já que produtos de um esforço criador de um diabo mais maduro.
Enquadremos Newton nessa ordem de idéias. É o descobridor provisório da estrutura da máquina celeste. Essa estrutura é articulável em proposições matemáticas simples. O funcionamento da máquina diverge dessas proposições em porcentagens pequenas, mas apreciáveis. Newton atribuía a autoria da máquina a Deus, disse, portanto “God is a mathematician”. O autor da máquina celeste é, com efeito, um matemático talentoso, mas um matemático imperfeito.(...) A descoberta da estrutura matemática nos fenômenos astronômicos é muito satisfatória para o espírito pesquisador humano. Graças a essa descoberta reconhecemos nas estrelas um espírito semelhante ao nosso. Com efeito, reconhecemos nas estrelas o diabinho que nos inspira no íntimo das nossas mentes pesquisadoras. (...) É por isto que a contemplação do céu estrelado é, para nós, uma espécie de auto-reconhecimento. Esta é uma das explicações da atração que as estrelas sobre nós exercem. A outra explicação é a seguinte: o esboço newtoniano da estrutura celeste está sendo superado. Estamos começando a nos convencer de que seríamos capazes de construir uma máquina celeste bem mais perfeita. Com efeito, já iniciamos as tentativas nesse sentido, e os nossos satélites artificiais e “guided missiles” são os primeiros sintomas dessas tentativas. É que o diabinho em nós amadureceu e procura, por nosso intermédio, retificar as criancices que cometeu.”

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ainda filosofia...

Então, se existe uma parte da experiência humana que não se traduz em palavras, uma parte impossível de ser submetida à organização das palavras e que, a despeito disso, poderia se submeter à ordem das cores, ou seja, se existem sensações impossíveis de tradução por palavras, mas possíveis de tradução num quadro de Henri Matisse, eu conseguiria decidir sobre que tipo de realidade é essa, possível de ordem com as palavras e outra apenas possível de tradução na ordem das cores?
E se eu organizasse o meu guarda-roupa em palavras, a ordem traduzida em palavras é verdadeira ou apenas uma ordem de ficção?
Como ajustar a ordem das palavras à desorganização da realidade de que fala o poeta Ferreira Gullar?
E o meu guarda-roupa organizado com gavetas para as camisetas, cabides para casacos e calças etc, fora das palavras estaria em desordem?
Hein?

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Mais sobre as palavras:
" Ao comentar um quadro de Henri Matisse, o crítico de arte ferreira gullar, diz: O homem só inventou a pintura, porque existe uma parte da experiência humana que não se traduz em palavras."

sábado, janeiro 08, 2011

Depois de Wittgenstein, a respeito da representação da realidade pela linguagem, com a palavra, um poeta:

“O cheiro do jasmim é uma desordem. Quem dá ordem é a palavra.(...) A linguagem é uma ordem, é um sistema. Fora da linguagem só há desordem. Como expressar, então, o que está fora do sistema? Como captar essa desordem? A linguagem só diz o que a linguagem diz. O que está fora dela, não entra. Então, fica o não dito pelo dito. Fica um pensamento daquele mundo, que não tem nada a ver com a realidade. Um pensamento que se passa à margem da realidade.(...) Eu tenho prazer em viver a aventura poética. São descobertas que enriquecem a vida e enriquecem os outros. Eu tremo na expectativa do que vai acontecer, do que pode ser o processo. Tenho prazer o tempo todo, eu tremo, mas não sofro. Ninguém me manda fazer isso. Eu faço, porque quero. Mas não escrevo quando quero, senão, não é poesia. Quando entro na poesia, sinto um grande prazer. Sinto muito prazer em viver essa experiência extraordinária de revelação. Claro, às vezes atravesso noites me perguntando: Qual é o caminho? Qual é a solução? Mas essas dúvidas também são prazerosas. Estou fazendo algo que pode ser bonito, que pode ser comovente.”
Ferreira Gullar em entrevista ao jornal O Globo – 29 de agosto de 2010.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Ontem, nas horas em que fiquei na espera de ser atendido pelo médico, fiquei lendo "Investigações Filosóficas" do Wittgenstein. É muito difícil apreender o processo de pensamento de outra pessoa. Minha sensação é a de que todas as pistas abertas por aquele pensamento se desfizeram e de que fiquei outra vez sem caminho. Ô louco!
Tentei pescar uma frase. Eis ela:

300. Ao jogo da linguagem com as palavras “ele tem dores” pertence- diríamos- não apenas a imagem do comportamento, mas também a imagem da dor. Ou: não apenas o paradigma do comportamento, mas também o da dor. – Dizer “a imagem da dor entra no jogo de linguagem com a palavra “dor” é um mal entendido. A representação da dor não é nenhuma imagem e esta representação não é substituível, no jogo da linguagem, por algo que chamaríamos de imagem. – Certamente, a representação da dor entra, em certo sentido, no jogo da linguagem, apenas como não imagem.

301. Uma representação não é uma imagem, mas uma imagem pode corresponder a ela.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Depois das festas de final de ano, depois da febre de cinco dias, me sinto como descarrilado.
Preciso retomar o prumo.
Possivelmente, nada tenha saído do rumo. É uma sensação.
Feliz 2011, bom leit@r!

terça-feira, janeiro 04, 2011

Entretanto, para certa tradição do pensamento, porque não existe significação fora das palavras, os significados são confundidos com o ser das coisas e por isso, se dizer que a linguagem cria realidade. Mas, parece as palavras serem apenas um plus sobre a natureza das coisas, como borboletas espirituais no jardim da realidade.
A esse respeito, sobre significado e ser, achei no Investigações filosóficas de Wittgenstein:

“239. Como pode ele saber que cor escolher quando ouve vermelho? – Muito simples: ele disse tomar a cor cuja imagem lhe venha ao espírito ao ouvir a palavra. – Mas como pode saber qual a cor cuja imagem lhe vem ao espírito? É necessário ainda um outro critério? ( Há contudo um processo: escolher a cor que lhe vem ao espírito ao ouvir a palavra...)
‘Vermelho’ significa a cor que me vem ao espírito ao ouvir a palavra ‘vermelho’. - seria uma definição. Nenhuma explicação da essência da designação por meio de uma palavra.”

Ou ainda, nesse outro trecho, em que o ser do objeto se perde totalmente para a expressão:

“293. Quando digo de mim mesmo que sei o que significa a palavra ‘dor’ apenas a partir de um caso específico, - não devo também dizer isto de outros? E como generalizar um caso de modo tão irresponsável?
Ora, alguém me diz, a seu respeito, saber apenas a partir de seu próprio caso o que sejam dores! – Suponhamos que cada um tivesse uma caixa e que dentro dela houvesse algo que chamamos de ‘besouro’. Ninguém pode olhar dentro da caixa do outro; e cada um diz que sabe o que é um besouro apenas por olhar seu besouro. – Poderia ser que cada um tivesse algo diferente em sua caixa. Sim, poderíamos imaginar que uma tal coisa se modificasse continuamente. – Mas e se a palavra ‘besouro’ tivesse um uso para estas pessoas? – Neste caso, não seria o da designação de uma coisa. A coisa na caixa não pertence, de nenhum modo, ao jogo de linguagem nem mesmo como um algo: pois a caixa poderia também estar vazia. Não, por meio desta coisa na caixa, pode-se abreviar; seja o que for é suprimido.
Isto significa: quando se constrói a gramática da expressão da sensação segundo o modelo de objeto e designação, então o objeto cai fora da designação, como irrelevante.”


segunda-feira, janeiro 03, 2011

Como os fios que se conduzem dentro do circuito de eletricidade de maneira diferente de como se conduzem as forças das águas, das correntes dos rios, e acendem minha luz da sala, assim são diferentes as palavras das coisas.
Penso que a relação entre palavras e coisas, seja a mesma que Rudolf Steiner fez entre as borboletas e as flores:

“As borboletas são flores que se desprenderam da terra....e as flores são borboletas que a terra apreendeu...” (Rudolf Steiner)

domingo, janeiro 02, 2011

Finalmente, sem febre.
Pedro trouxe bananas e fez uma comidinha.
Vou dar uma organizada aqui...

sábado, janeiro 01, 2011

Mas do ponto de vista de Vilém Flusser, num paralelo com a cultura Clássica dos gregos, as palavras seriam uma espécie de fogo de Prometeu roubado aos deuses e entregue aos homens, porque para ele, a palavra não é divina, mas produto da vontade do homem de se auto-gerar e ao mundo.
E comecei a vislumbrar, a partir de uma primeira leitura das Investigações Filosóficas de Wittgeinstein, a idéia de que as palavras, diferente de como queria Santo Agostinho, através dos gregos, não representam algo além dela, tipo, algo oculto, dizendo de uma outra maneira, as palavras não representam as coisas, a coisa árvore não está no reverso da palavra árvore, assim como a correnteza dos rios não é o reverso da energia elétrica da lâmpada acesa na minha sala.
A luz acesa na minha sala não oculta e não significa a força da correnteza, porque ela já é outra coisa. E a imagem acústica da palavra árvore, iluminada em minha mente, é, absolutamente, independente da coisa árvore e se conduz dentro do sistema lingüístico de maneira, obviamente, diferente do modo como a coisa árvore existe dentro de seu ecossistema, de modo que eu possa usar dessa palavra quase como eu queira.
Como na trecho Passeio Nº 2 de Manoel de Barros:

PASSEIO N° 2
“Na voz ia nascendo uma árvore

Aberto era seu rosto como um terreno.”

sexta-feira, dezembro 31, 2010

As palavras têm uma importância central na religião cristã, porque, além de, no início, fundir-se a Deus, como diz o apóstolo João em seu evangelho, é através dela-Deus que todas as coisas foram feitas. Além disso, é através delas que a religião se propaga. A palavra é como um sêmen divino que fertiliza a mente dos novos fiéis com a boa nova, como diz a parábola do semeador, no Evangelho segundo São Mateus:

18 Escutai vós, pois, a parábola do semeador.
19 Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado ao pé do caminho
20 Porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria.
21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende.
22 E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, sufocam a palavra, e fica infrutífera.
23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Eis duas visões distintas, uma divina, outra humana, mas que no fundo, dizem a mesma coisa, silencioso leit@r:


No Santo Evangelho segundo São João:

O verbo se fez Carne

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens.


N’A História do Diabo, de Vilém Flusser:

Pg 160

1.7. Língua

A vontade tende. Pressiona. Quer explodir. É sedenta. Quer espalhar-se. Está em tensão. Procura sair de si mesma. Quer projetar-se. Procura poder. Quer realizar-se. Exprime-se e expressa-se. Articula-se. A vontade torna-se língua. A vontade tornada língua cria mundo e mente.


segunda-feira, dezembro 27, 2010

De todo jeito, mesmo que não possamos ir na direção do passado, a não ser no sentido arqueológico, de mão única, a escrita arejou o tecido da conversação humana, tornou-o menos espesso. Tornou possível um primeiro diálogo à distância. Com ela, os cruzamentos de comunicação, sobre a face do planeta, soltaram-se mais, alargaram-se os seus entrelaces e à onda sonora do vozerio humano, curta, instável, efêmera, superficial, veio juntar-se a estabilidade da língua escrita.
Autores teóricos há que se perguntam ser diálogo o que se estabelece entre o leitor e o texto. Se eu leio, num exemplo, os livros do falecido José de Alencar, dialogo?
“ Será a leitura esse ato solitário, que afasta o mundo e do mundo? Só o leitor e o texto? O isolamento, o mundo ausente, espaço/tempo de incontaminada intersubjetividade?
Não. Leitura não é esse ato solitário; é interação verbal entre indivíduos, e indivíduos socialmente determinados: o leitor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros; o autor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e os outros; entre os dois: enunciação; diálogo?”
Magda Soares