sexta-feira, junho 01, 2018

drama


Comecei a anotar as datas nos cabeçalhos de meu cadernos, em março de 1969, quando entrei para a escola primária. Hoje, estou em 2018 e são 1º de junho. Faz 49 anos que anoto essas datas, dia a dia, com interrupções entre alguns deles, mas a continuidade de minhas anotações, são espaços maiores que o espaço de ausência delas.
Consegui agendar uma consulta no oftalmologista para o dia 15, e não tenho ideia de que, se espero tantos dias para medicar minha uveíte no olho esquerdo, eu vá comprometer, para sempre mais, a diminuição dessa minha vista ou, sei lá, se ficarei cego dela.
Há muitas situações diante das quais a gente fica se sentindo impotente. Ontem, eu estava com a ideia de que não há realmente nada que a gente possa fazer. Estava com a ideia de que as coisas são o que elas são e pronto. E estava com a ideia de que não há nada mais revolucionário que deixar as coisas como elas estão. Que aí, elas vão se enovelando no fluxo do movimento da vida, dos dias e das noites e, por elas mesmas, vão se arranjando umas com as outras, sendo o que são e o que têm de ser.

quarta-feira, maio 30, 2018


Há um ano atrás, fui no correio aqui de Niterói para enviar um Diário da Piscina para Copacabana. O livro, lançado em janeiro, no contexto dos outros que escrevi, logo deixou de ser nacido, ficou na lista dos melhores de 2017, na revista 451, especializada em leitura, em livros.
Em junho do ano passado, quando iríamos lançar o “Diário...” aqui no Rio de Janeiro, quisemos que fosse na piscina. Mas não rolou. Fizemos um lançamento inesquecível pra mim, emocionante, na estréia da peça Cabeça de Porco, dos-as meninos da Prática de Montação.
Agora, nesse tempo angustiado, o De Casa em Casa vai pro fundo da Piscina, com leituras pelo Paulo Barbeto, sob a direção de Diêgo Deleon. Venham todos! Tragam seu dinheiro para colocar no nosso chapéu! É livre! Estaremos eu, no violão, e Felipe Abou, na bateria de garoto.
Vejam:

terça-feira, maio 29, 2018


Eu me lembro, na época em que frequentava escola, ter me envolvido muito prazeirozamente com um trabalho escolar que relacionava a visão com força. Mais ou menos como cabelos, os olhos, a força nos cabelos de Sansão, os olhos, algo como força na peruca. Daí, quando o rei Édipo descobriu ter transado com a mãe, furou o próprio olho, como sinal de que perdera o controle para a força do destino, algo assim, se sentindo fraco.
O Rafael Saar, quando chamei pra dirigir meu primeiro show Poema Maldito, pintou meu olho, um olho só, como o olho furado do Édipo. Depois, isso ficou incorporado aos shows. Os Felipes que me acompanharam ou que me acompanham nas músicas, se solidarizam comigo nesse Édipo. Também, é uma singela homenagem à tradição do Secos & Molhados, em que Ney  Matogrosso foi vocalista. Olho furado não tem cura, como dizia mamãe.
A Teuda Bara, quando foi mamãe em uma cena rodada aqui em casa, me garantiu que eu não tinha-teria esse Édipo, esse tipo que perde um olho pra si mesmo, para o destino. Agora, por último, tenho pensado muito no sentido da força, que preciso ter, que não vou perder. Pra suportar a luz de todo dia, cega.
Fora isso, minha uveíte voltou a baixar minha visão do olho esquerdo. Não sinto dor. Marquei a médica para dia 15/junho.
      


segunda-feira, maio 28, 2018



Semana passada, costurei, na minha camisa de fazer shows, um coração, que tava pendurado numa árvore ao lado do Itau Cultural, na Avenida Paulista. O Felipe é quem viu e deu a ideia. Havia muitos corações pendurados na árvore, que era muito alta. E havia também corações caídos no chão da rua, mas estavam molhados, escuros, porque a água escurecia sua cor e, aí, pereciam morrer. Os vivos ainda estavam pendurados na árvore, mas ninguém conseguia pegar.
Ainda fiquei um tempo embaixo dela esperando que passasse alguém muito alto na avenida, que eu pudesse pedir o favor de pegar pra mim, mas não passou. Aí, fui falar com o pessoal da organização do show. A Regina decidiu me dar outra coisa, uma fita preta, que eu colocasse e coloquei, mas ficou pesadão, tirei. O Rodrigo, se desculpou, tava cheio de trabalho e não poderia ajudar. Então, o Carlos Gomes, que em tudo foi maravilhoso conosco, fez a maravilha. O Felipe tinha um alfinete e ainda tive tempo de usar no show.
O Marcio Martins fez uma foto.
O coração no ombro, à esquerda de quem vê:

quinta-feira, maio 24, 2018

Ontem, estivemos no lançamento do livro de poemas pós-coquetel “Tente entender o que tento dizer”, organizado pelo Ramon. Esse livro é um link com minhas apresentações de final de semana passado, com Vitor Wutzki e Felipe Aboud, na cidade de São Paulo. E, ontem, fui surpreendido pela leitura de minha letra “A Música do Sábado” que o Guilherme Zarvos fez, lá na frente. Depois, quando fui apresentado a ele, brinquei que ele tinha feito uma leitura ruim. E sempre corro o risco de acreditarem no que digo brincando, por causa de minha entonação também ruim. Escrevendo, o tom das coisas ditas, fica mais em aberto ainda, quer dizer, ruim. Tente entender...

segunda-feira, maio 21, 2018

Ir a São Paulo, como fomos, num final de semana frio demais e cheio de sol, a cidade do Pedro, é, de verdade, um sonho delirante.Eu não queria ver os shows da virada que havia em tudo que era direção. Queria ficar ali, ao redor de onde estávamos hospedados, porque eu já sabia que a Paulista, com os artistas de rua, iria deixar - e deixou - a gente no último. A explosão começou, quando veio passando uma parada, com a baliza marchando diante da banda da Associação de Apoio à Adoção. E quando o Pedro deu a ideia de entrarmos no MASP, aí, explodiu tudo, porque atravessamos para o mundo dos mártires santos de pernas fortes das esculturas do Aleijadinho e, depois, o que foi aquilo de cair nos anos 70 - mundo moça pobre e preta da Maria Auxiliadora?
Ele registrou tudo. E quando já vínhamos embora, fez o self da gente sonhando: ele, eu, Pedro Spagnol, Laís, Vitor e Gabriel Edé. Faltou o Felipe, que tava sonhando por fora.


quinta-feira, maio 17, 2018

Inferno - luís capucho

Amanhã, vamos em banda para São
Paulo, eu Pedro, Felipe e Vitor. E amanhã mesmo faremos um De Casa em Casa no
Gabriel Edé. Os amigos de SP que quiserem ver o show no Edé fala no in box pro
endereço. É no Perdizes.
No sábado, a gente participa da
Mostra Todos os Gêneros, que esse ano tem como tema a estigmatização do pessoal
que ta vivendo com o HIV. Vamos tocar após a mesa que falará sobre o direito de
se dizer ou não infectado. Atenção: as senhas serão distribuídas antes de
começar a mesa, às 15:30h.


Esperamos todos!

quarta-feira, maio 16, 2018


Eu já disse que aqui no meu quarteirão tem uma grande energia telúrica. Por isso tem uma castanheira muito frondosa em frente a nosso prédio. E por isso, a concentração de igrejas em frente a ele, do outro lado da rua. Quando mamãe era viva, nós íamos juntos a igreja batista aqui em frente. Agora, que ela se foi, tenho ido ao centro espírita. Às vezes, me dá uma grande vontade de chorar lá, e fico chorando.
É tudo muito moderno, o universo não é considerado como terra, céu e inferno. Mas todos os planetas fazem parte do universo e os espíritos, pelo que estou começando a entender, vão e vêm de outros planetas, somos todos seres interplanetários, têm muitos universos, muitas frequências, tudo cheio de muita cor, uma realidade surreal.
É bonito. Mas não vou lá sempre. Não sinto fluxo.


sexta-feira, maio 11, 2018

Mamãe, desde sempre, teve umas caixinhas de sapato que funcionavam como cofres. Era onde ela guardava as coisas que lhe eram preciosas: santinhos, moedas antigas, cartas dos parentes, breves, velas santas, meus cabelos cortados da primeira vez, fotos em binóculos, tudo.
Com as muitas mudanças de casa de patroa em casa de patroa que ela fez, muito pouca coisa ficou de seus guardados ou muito pouca coisa mesmo ela teve em suas caixinhas-cofre. Por exemplo, não me lembro de ela ter tido alguma vez uma foto dela mesma antes de eu nascer. Também nenhuma de sua família. Nada, nenhuma lembrança ficou de seus pais. Mamãe não tinha nada. Só as coisas que ela me contou.
Mas tenho uma foto linda dela, que se tornou a capa do meu Mamãe me adora. E, acho que se parece comigo.Também tenho um Santo Antônio pequeníssimo, feito de chumbo. E nele mamãe amarrou uma oração, num pedaço de papel. À medida que vou ficando mais velho, mais parecido com mamãe, vou me tornando. A ponto de ter começado a pensar que morrerei do mesmo modo como ela morreu, o corpo foi estragando, estragando, primeiro estragou um lado inteiro e depois, quando o outro lado estragou por completo, ela ainda teve tempo de pedir minha mão e, imediatamente, se foi. As mãos agarradas na minha, como a de um afogado. Nos primeiros meses, após sua partida, eu chorava muito, por que eu achava que devia ter segurado ela aqui, eu devia ter tido força pra não ter deixado ela se afogar dentro da morte. E eu chorava e me sentia culpado por não ter conseguido. Quando eu vi, eu segurava na sua mão, mas ela já tava afogada.
Depois de amanhã, será o dia das mães. E eu tive a mais foda de todas!
Yhahahhhahhahahahha! <3 font="">



quinta-feira, maio 10, 2018

Poema Maldito - luis capucho

Tenho umas fantasias que
começaram, quando eu era um adolescente, bem no início de ser adolescente,
assim, de doze, treze anos. E que tenho até hoje. Portanto, são características
minhas, fantasiosas e não. Uma, é a fantasia de que eu poderia decidir pelo nada,
escolher o nada e, por exemplo, eu poderia nunca mais sair de casa, nunca mais
sair do quarto, nunca mais ir na escola, tipo, morrer, ser nada, como penso até
hoje fazer, embora eu esteja sempre metido nos enredos e tudo. Outra, que
começou nessa época, foi o desejo de não mais falar e de me comunicar apenas
por escrito.
Eu tou dizendo isso, porque ser
nada e, ao mesmo tempo, me comunicar com as pessoas são coisas importantes pra
mim, embora essas sejam coisas adversas uma da outra. Porque o nada não tem
enredo, não tem estória pra contar.
Vejam, por exemplo, essa estória
que contei pro Tive e que ele me contou de volta. E que aqui, tou contando no
apezinho do Paulo Barbeto, pras meninos do Cabeça de Porco:



quarta-feira, maio 09, 2018


Não sei se eu comecei a aprender tocar o violão, que era pra eu me exibir. Eu tenho muita lembrança de detalhes relativos a isso, mas nada relacionado à exibição. Era mais um encantamento, como na história das sereias. Mas tem a possibilidade de mesmo sem ser claro pra mim, na época, muito no íntimo, que eu quisesse mesmo me exibir, porque, assim que fui impossibilitado de tocá-lo, por conta de minhas sequelas motoras deixadas pela neurotoxoplasmose, escrevi o Cinema Orly, que é um livro, assim, a exibição da exibição.
Eu adorei o que o Fabio falou, que os meus textos são importantes pra construção da história da resistência beesha, mas também, eu gosto de pensar como o Edil disse, a respeito de minhas cartas, mas que vale também pros livros:

“Já tive oportunidade de dizer, inclusive publicamente, que as cartas de Luis Capucho são um grande testemunho da voz de um poeta. E este testemunho é importante, dado o fato do Luís ter sido facilmente incorporado pelo movimento LGBT que vê seu texto como a própria encarnação da voz do sexo mais torpe e animal. Como dizem, “o nosso Jean Genet”. Mas as cartas do Luis provam o contrário. Apesar delas falarem sobre sexo – e falarem eventualmente sobre sexo – elas falam de trepadeiras que sobem pelos muros, de bolinhos de arroz, de poltronas, de toda essa miríade de objetos ordinários que nos circunda e que constitui o universo muito próprio onde ele realiza seu ato máximo de transcendência, nos mostrando que a vida é encantada justamente por ser composta desses objetos que ora lhe causam espanto, ora lhe causam terror, ora lhe causam uma profunda ternura. É por isso que Luis Capucho é poeta. E se é a voz de um sexo animal que lhe fala, é porque o corpo é mais um desses objetos ao qual ele presta atenção e no qual ele joga luz, nos fazendo perceber que, apesar dos seus movimentos serem descompensados e de sua consistência ser compacta, possui uma temperatura extremamente quente.
Portanto, as cartas de Luis Capucho nos advertem sobre a necessidade de fazer uma enorme correção: não é voz de um sexo animal que fala. É outra voz. E ainda que fosse a voz de um sexo animal que falasse, há de se lembrar que toda essa voz se encontra subordinada por uma força que lhe mostra o quanto a vida, a mais ordinária, com todos os seus objetos, como todas suas tragédias físicas e corporais, com toda sua decrepitude, é linda. Portanto, se a voz do sexo mais animal fala em Luis Capucho, há de se compreender que essa voz se encontra subsidiada por uma outra voz: a voz mesma do homem, do próprio representante da espécie humana. Por isso a sua obra não se reduz só a sexo: ela é humana, profundamente humana, sendo por isso mesmo um misto daquilo que de mais animal e de mais humano há em cada um de nós.
Eis a razão pela qual é tão difícil de se interpretar a sua poesia, a sua obra: é porque ela é metade animal, metade homem. É porque ela é escrita, afinal, por um legítimo centauro, diante do qual pasmamos.”



Continuando a estória da coluna e do sexo, de que a base da coluna, mais próxima de onde a gente tem o sexo biológico, o pau e os ovos, o umbigo – eu sempre me preocupo que eu seja um cara que não consegue ver outro panorama, que não seja o meu próprio – e o umbigo, o centro de onde parece ter tudo começado, o início, a base da coluna, o sexo.
Isso que eu tou dizendo, me deixa pensar no tótem, no sentido que ele faz dentro dos De Casa em Casa, uma coluna, um falo azul, um mastro de navio, o navio Poema Maldito em cascata, aos borbotões. Tem um deus pra isso.
Isso é um texto que continua. Mas eu paro aqui, sem que seja o fim.
Vejam, a foto do Pedro:


terça-feira, maio 08, 2018


Em 2015, a gente foi no Desfazendo Gênero, de Salvador, pra mostrar os livros e as músicas e a gente foi recebido bem demais. Eu nunca me esqueço do jeito afetuoso como a Professora Denise Carrascosa tratou os meus livros e meio perguntou se haveria um projeto neles, de serem parte, assim, como de uma mesma poesia – digamos assim – em que o Cinema Orly fosse a parte mais baixa, funda, infernal e a partir dele, os outros livros fossem ganhando esferas menos densas, menos escuras, menos pesadas e tudo. Também o Moisés, o Fabio, o Saulo.
Este ano, semana que vem, vamos para São Paulo, dessa vez para a Mostra Todos os Gêneros, mostrar as músicas após uma mesa de debate Visibilidade ou não: modos de ocupar o mundo, em que será considerado o direito de se dizer soropositivo/aidético e também do direito de silenciar-se a repeito disso. Estaremos eu, Pedro, Vitor e Felipe. Tocaremos às 18h. É free. Mas tem de pegar senha mais cedo.  
Os amigos de São Paulo não podem perder!      


domingo, maio 06, 2018

O facebook lembrou, ontem, ao Pedro, que se passou um ano da cerimônia de entrega, pela câmara de Niterói, da Medalha José Cândido de Carvalho a mim, por conta da contribuiçaõ de meus livros à identidade e direitos LGBTs. Os amigos foram me prestigiar, a gente vê na foto. E tratamos o acontecimento com a grandeza que teve pra mim. O Tulio, o Vitor, vieram tocar comigo e Kali e Bruno vieram cantar. A grandeza política da cerimônia, ficou por conta do que Leonardo Giordano falou, minutos antes da entrega.
Vejam:


sábado, maio 05, 2018

"Sábado" by Som Imaginário (Brasil, 1970)

O dia ta feliz hoje na contra-mão de tudo, em Niterói.
Um dia bonito, cheio de encanto, um dia lindíssimo!
Eu tava ouvindo ontem umas músicas do Edevaldo, no youtube, e vendo que eu acho algumas delas lindíssimas também e vendo também em como é diferente agora o jeito de se chegar nas músicas. Porque nos final dos anos 70, eu ouvia falar de muita banda de rock e elas ficaram na minha lembrança, como aquelas palavras que a gente nunca foi olhar no dicionário e tudo. Mas, hoje, você pode encontrar na internet aquilo de que você ouve falar. Porque os ambientes de música existem, à revelia de você, na internet, sem que você precise formar ele em sua casa, sem precisar que os seus amigos o criem e te convidem e tudo.
O Som Imaginário era uma dessas bandas de eu ouvia falar e que nunca tinha tido a oportunidade de me ambientar com ela. Ontem, fiquei ouvindo. Que coisa! E fiquei parado na música Sábado. Por conta de agora, de hoje, do dia lindíssimo em Niterói.
Mas a música é de 1970:

sexta-feira, maio 04, 2018


Eu já vi na internet que ter problemas, dor, na parte mais embaixo da coluna, quer dizer que estamos com problemas sexuais. Também me lembro de nessa época do ano, um amigo de juventude, há muitos anos, quando eu me senti, assim, meio louco, ele foi pronto: você precisa fazer um pouco de sexo. Caramba, naquela idade, o que eu mais fazia era sexo, clandestino, mas sexo, ne.
Também, isso faz muitos anos, num acampamento de comunidades alternativas, uma moça leu na minha íris ou leu na minha mão, que eu teria problemas sexuais. Eu não sei se tou com problemas sexuais, se sempre tive problemas sexuais, e a moça que leu minha íris e mão, não querendo me assustar, disse que eu teria. Mas acontece que todos os dias pela manhã, quando me levanto para o dejejum, tenho de prestar atenção numa meio que dor, meio que dormência, na parte de baixo da coluna. E vou tentando me equilibrar nela, achar um posição que nunca encontro. Então, sutilmente vou me deslocando de posição em posição, sempre.
Venho prestando atenção nisso já faz um tempo, talvez, já passe de ano, porque não sou muito bom de me situar no tempo. É tenso. E não fui a um especialista, porque o sistema público de saúde, como todos sabem, o que ainda existe dele é como aquelas cascas de cobra abandonadas na beira do mato e a cobra reluzente mesmo, viva, bonita, pasta em outro lugar. Então, quando estive no médico com uma tomografia da coluna, que eu tinha conseguido fazer, ele gargalhou, ao mesmo tempo que fingia simpatia, e me disse, que o posto ainda estava no século XIX e que não conseguiria olhar o exame sem ter um computador. Então, através do laudo me passou dez sessões de fisioterapia, que não consegui fazer pelo postinho. Estou esperando ser chamado até hoje.
Mamãe dizia que a gente não deve ser mal-agradecido e tudo. Mas eu não tou escrevendo isso aqui no Blog Azul, que é pra um silencioso leitor vir e dar uma ideia de ajuda. Eu não tou pedindo ajuda. Tem coisas urgentes rolando que precisam ser resolvidas, então, resolvam as suas urgências, as urgências das coisas que pedem resolução. Porque eu ainda me equilibro na base de minha coluna aqui, sentado diante do computer. Eu tou escrevendo porque eu gosto de escrever.
Amanhã tem mais.

quinta-feira, maio 03, 2018


Há épocas em que não consigo escrever aqui.
E outra coisa: fiquei gripado e, na medida do possível, tenho ficado em casa. A gripe fica melhorando e piorando a minha revelia e hoje, por exemplo, estou um pouco melhor.
Mais uma: quando fizemos o “De Casa em Casa” no Márcio e que o Edil pela primeira vez leu as cartas que lhe mandei há mais de vinte anos, eu tava achando tudo uma babagem, mas depois, que ele as leu em mais outros dois dos “De Casa...” eu comecei a perder essa primeira impressão e comecei a ver o quanto de verdade tinha em toda a fantasia que eu desenvolvia nelas. A ponto de a Vilma vir me dizer que eu era um cara de fronteira e que eu não enlouquecia porque eu escrevia cartas... he he he.
Sei lá!           
      Edil lendo no "De Casa em Casa" do Eduardo Verena:

quarta-feira, maio 02, 2018

Faz um tempo, dividi um show meu com o Bruno Cosentino, num lugar no centro do Rio que chamam Escritório. É um velho sobrado do Rio Antigo, que apertado no meio dos outros prédios velhos, é uma quitinete, na verdade. Já nos apresentamos lá umas duas ou três vezes e, para o que quero contar, acho que estavam comigo e as músicas o Vitor Wutzki, no baixo e o Tulio Freitas, na viola. O Escritório tava cheio. Dez pessoas e fica a impressão de lotação esgotada. É um lugar que as bandas se apresentam, acho que de quem faz rock and roll, então, o som é meio zoado, chiado, com um monte de interferência no embolo da quitinete, mas, fora isso, depois de ambientados no som, a gente se sente muito bem e tudo.
Eu achava que todos que estavam lá pra assistir à gente, eram amigos ou conhecidos do Bruno. Meus amigos, com exceção de alguns poucos, não vão me assistir. É aquela estória, santo de casa não faz milagre. Acho que um pouco da idéia de fazer esses De Casa em Casa é um pouco isso: então, amigo, já que você não vai às músicas, elas vão até você...rs... e foi assim que deus criou o mundo, cheio de amor, de ternura.
Mas o que eu quero dizer mesmo é que tinha um garoto rindo sozinho num sofá à nossa frente, enquanto nos escutva. Depois, a gente conversou e ele ficava dizendo que queria ler o meu livro de poemas. Eu repeti todas as vezes que eu eu não fiz poesia. E que os meus livros contavam estórias. Era o Ramon Nunes Mello. E ele me disse que, às vezes, ria sozinho mesmo. E não me importei com isso.
Depois, ele falou comigo se eu não teria uma poesia que falasse sobre o HIV. Eu disse que, não, diretamente, mas que minhas músicas e livros, falavam disso, dentro delas. E, agora, ele reuniu todas as poesias que recolheu, num mesmo livro: “Tente
entender o que tento dizer: poesia + hiv/aids”. E que vai ser lançado na Mostra Todos os Gêneros.
A minha é A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho). E vamos tocar ela lá, na mesa:

“19/05/2018 SÁBADO - 16H
Visibilidade ou Não: Modos de Ocupar o Mundo + Performance Musical Poema Maldito
com Mirella Façanha, Neon Cunha, Rafael Bolacha [mesa] e Luís Capucho [pocket show] | mediação Marcio Caparica”
.
Eu, Vitor e Felipe Abou e Pedro.
Venham todos!
MAIO10
10 de maio – 20 de maioItaú Cultural (São Paulo)São Paulo
CarlosMarcio e 4 amigos
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segunda-feira, abril 30, 2018


Continuando a postagem de ontem, sobre a apresentação das músicas na casa do Paulo, As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples (a despeito de minha tentativa de explicar onde estávamos suspensamente localizados) foi sobre o que estávamos literalmente suspensos. Eu vejo isso na foto que Pedro fez delas, ladeadas pelo azul do tótem, que é o centro de nosso barco, mas que ali na arrumação, ficou meio na beira dele. O centro é a beira. Mas, dentro do show, eu não poderia ver. E não pude me situar.
Depois, na volta pra casa, surgiu o assunto da suspensão dos automóveis, um assunto da mecânica deles - A mecânica (em grego Μηχανική, em latim: mechanìca, ou arte de construir uma máquina) é o ramo da fisica que compreende o estudo e análise do movimento e repouso dos corpos, e sua evolução no tempo, seus deslocamentos, sob a ação de forças, e seus efeitos subsequentes sobre seu ambiente – e era isso que, pretensiosamente, eu queria falar, da mecânica dos shows De Casa em Casa, que é o barco que estamos a navegar, assim, de seu percurso afetuoso pelas salas dos amigos. Mas, aí, eu não soube ser objetivo ali, em meio à emoção das músicas, nas suas marolas e ondas vivas. Nesses assuntos, eu nunca soube ser.
Daí, sua melhor situação é a foto que Pedro fez.
Vejam:



domingo, abril 29, 2018

A Música do Sábado com Diário da Piscina por Paulo Barbeto.

Ontem, antes ou depois do De Casa
em Casa no Paulo, o Felipe disse, meio uma pergunta, meio afirmando, que ontem
seria o nosso último De Casa em Casa. Eu confirmei e deixou de ser uma pergunta
naquela hora. E eu me lembro de ter dito pra os-as meninas-os da Cabeça de
Porco, antes de eu começar a mostrar as músicas, da dificuldade que era
localizar aquele momento nosso ali, porque ele descendia de muitas situações e
isso, me fazia ficar na dúvida, inseguro, de como explicar ele. E eu queria
explicá-lo, sei lá, que era pra ter a sensação de que a gente se suspendia de
algum lugar, quer dizer, mesmo suspensos e vagando, a gente tava iluminando um
lugar, que é uma palavra que tem aparecido muito, desde que Vitor Wutzki trouxe
ela pra aqui, pro apezinho, de onde estou falando, se liga.
Então, a verdade é que, ontem,
não foi a última vez. Porque ainda temos dois choros pela frente. Um deles com
Vitor, em SP. E outro com o Fernando, em Itaipava. Mas é que esse é um momento
de dúvida, porque de todas as situações que ele decende, não sabemos qual delas
é a mais potente e qual vai prevalecer.
O Simon, que nos deu a alegria de
estar nos dois últimos De Casa em Casa, junto a outra alegria de tocar pra o
pessoal da Cabeça de Porco, disse numa hora, uma coisa sobre política do desejo
– e somente ele saberia falar disso melhor – mas de qualquer modo, considerando
o que ele falaria, não estamos localizados num final e  não é o último.
E escolhi A Música do Sábado
(Kali c/luís capucho) para subir no meu canal, porque no finalzinho dela, pedi
a Paulo Barbeto que lesse um dia do Diário da Piscina (É editora/2017). E
fiquei emocionado com isso, olhando agora. Quero guardar.


Vejam:

sábado, abril 28, 2018

 Sábado passado, depois que apresentamos as músicas em sua sala, a Kai me deu duas rosinhas brancas pra colocar na minha camisa de fazer shows. Disse que simbolizavam ela e a Pavão. Também para o De Casa em Casa hoje, nesse sábado, no Paulo, na Lapa do Rio, aprontei para o nosso barco a carranca As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples.
Vejam:

sexta-feira, abril 27, 2018

a música do sábado - luís capucho

Estamos chegando ao fim com os De Casa em Casa.
Desde o primeiro deles, em janeiro desse ano, que têm sido
muito especiais cada uma das salas dos amigos que visitamos. E que deixou o seu encanto, muito íntimo deles e particular na gente. No meio do caminho – eu já nem me lebro direito quando e parece que sempre foi, é assim - entrou para o nosso triste a gaiato navio das apresentações, o Felipe Abou, com sua bateria
mirim, vermelha.
Para o De Casa em Casa, amanhã, no apezinho do Paulo,
estaremos apenas eu e ele. Mas nos juntaremos ao Vitor Wutzki outra vez, dia 19, em SP, na Mostra Todos os Gêneros, do Itau Cultural, na Avenida Paulista. E no dia 26, o choro final, no 5.4 do Maurício. E, aí, é festa em Itaipava, quando nos ajeitaremos, eu e Fernando.
Ontem, ensaiamos aqui em casa “A Música do Sábado (kali
c/luís capucho)”. E pedi a Gabrielle que filmasse a gente no celular para mostrar. Porque ela vai estar no livro do Ramon Nunes Mello, a ser lançado em maio.
Vejam:
"Tente entender o que tento dizer: poesia / hiv
aids"
textos críticos de Alexandre Nunes de Souza, Eduardo Jardim e Denilson Lopes
imagem de capa de Leonilson, "34 com scars"
projeto gráfico e capa de Omar Salomão
editoras: Ana Cecilia Impellizieri Martins e Maria de Andrade

"Uma coletânea de poemas em torno do tema hiv/aids não deixa de ser uma radiografia da trajetória do vírus e suas repercussões no corpo, na sociedade e na própria poesia, desde os anos 1980, momento que marcou a explosão da epidemia, até as experiências da chamada “era pós-coquetel”. Os noventa e seis poetas reunidos na edição – organizada por Ramon Nunes Mello, com título
emprestado de uma crônica de Caio Fernando Abreu – rompem o silêncio a que essas siglas  ficaram confinadas pelo estigma, medo e preconceito, criando um novo imaginário e provocando novas expressões e reflexões sobre o vírus e a linguagem."

Vejam:

quinta-feira, abril 26, 2018


Aqui, quieto comigo mesmo, os De Casa em Casa encurvando para o final e abrindo caminho para outras coisas de que a gente não sabe ainda, o apezinho ainda de janelas fechadas, “As Vizinhas de Trás – o deus das coisas simples” pronta, para ser a carranca do nosso navio no apezinho do Paulo, sábado, agora, na Lapa, onde eu e Felipe Abou aportaremos com nossos apetrechos de música, enquanto o passarinho engaiolado do apartamento-térreo canta o hino do Flamengo, vou compondo esse parágrafo pra te avisar, pra você ir, pra você passar lá.... porque você não passa lá, por que você não passa lá? Você sabe onde ele mora, vou te dar o endereço, que é pra você passar lá!

ABR28

De Casa em Casa no Paulo


  • Sábado às 20:00 – 21:00
    Daqui a 2 dias
  • Rua dos Inválidos, 185, apto. 312, edifício Rio Assú, Lapa // Telefones: 97142-7193, 3923-5492

quarta-feira, abril 25, 2018

Lua Singela - luís capucho

Desde que o Cinema Orly foi publicado, em 1999, pela Ficções de Interludio, que eu sinto as maravilhas acontecerem pra mim. Então, depois disso, eu me pego pensando em qual maravilha virá, agora? Eu tou dizendo assim, mas eu sei que as maravilhas são resultado de uma vibração coletiva, uma energia em que neguinho vai chafurdando, eu também, junto, e, de repente, aparece o resultado disso que é uma maravilha pra mim.
Quando o Cinema Orly foi fechado e estivemos lá para filmar o Peixe - do Rafael Saar -, eu tive uma crise de choro de que eu não conseguia sair. Ver o cinema ali, aceso, apodrecendo sem ninguém, me deixou muito emocionado. Fiquei um tempo dentro daquilo, chorando, e foi uma coisa boa, no final. Nesse dia, conhecemos a Caroline Valansi, que foi quem tinha nos aberto o cinema em decomposição pra gente fazer o filme. E ela nos contou que tinha uma coisa muito forte ali dentro, ele tava vazio ali, mas a vibração existia, o assombro tava lá, a maravilha.
Depois do Diário da Piscina(É editora/2017), a maravilha foi os De Casa em Casa. Fizemos o primeiro no Sirineu Ciro, depois Claudia MaiaMárcio Caminha, Babel - Gilberto de AbreuLeonardo RiveraEraldo Brandão, Casa 46 – Madame Liza – Eduardo Nahum Ochs, Audio Rebel, Alexandre PortoBruno CosentinoKai Lani e, agora, que Vitor Wutzki precisou de um hiato, vamos chegando ao fim. Faremos um último no Paulo Barbeto, apenas eu e a bateria-mirim do Felipe Abou Mourad.
Cada um dos nomes que eu citei aqui, incluindo os músicos e Pedro Paz, abre para um coletivo inesquecível de pessoas que foram nos assitir em cada sala, varanda e quintal. E isso tudo é muito foda. Não tenho como agradecer. Eu nunca tenho como agradecer, porque é de minha natureza mais pedir do que dar. Também não vou chorar, porque essa maravilha, diferente do Cinema Orly, ela é real pra caramba, como vocês podem ver, a gente tocando Lua Singela no De Casa em Casa na Kai Lani. E o cinema, vocês sabem, é fantasia.
Também porque teremos dois choros finais: um dia 19 de maio, em SP, na Mostra Todos os Gêneros, do Itau Cultural. E depois, apenas eu com a sanfona do Fernando Bastos Trigo de Negreiros, em Itaipava, dia 26, no níver do Maurício Kiffer.


sábado, abril 21, 2018


Eu escrevia cartas pra o Edil no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Também escrevia essas cartas pra o Ciro, pra o Sacramento, para a Claudia. Comecei com as cartas, logo que me alfabetizei, aos sete anos. Mamãe me ditava o que ela precisava dizer para o José Maria e, depois, colocava no correio.
Suas cartas, que ela me ditava, eram curtas, eu me lembro. E em primeiro lugar falavam de saudade. Diziam que desde que ela o vira pela última vez, que... e, aí, eu escrevia como escutava, em maiúscula: Deus que te vi pela última vez, que...
O Edil por três De Casa em Casa, leu essas cartas que lhe mandei na juventude. Eu fiquei com um pouco de vergonha, achando uma bobagem todo aquele meu assunto que eu criava nas cartas, ocos, só pelo prazer de escrever e, então, perder um pouco de minha tristeza jovem. Mas o Edil disse que eram cartas de poeta e leu de um modo muito emocionado, bonito, porque ele é um poeta e leu poeticamente e chorou, porque não há um outro modo de um poeta ler uma carta. Então, todos os amigos que escutaram a leitura, acharam minhas cartas muito bonitas. Eu que não consigo fazer ideia do que elas sejam, também, com eles, as achei bonitas, assim.
Estou dizendo isso, porque ele me deixou todas as cartas que lhe escrevi e nesta semana, li algumas. Uma delas, a que achei mais legal, falava de bolinhos que mamãe fazia e comíamos na cozinha, fritos na hora. Esse era o único assunto da carta e eu dizia de meu desejo de que comer aqueles bolinhos, fosse como aquela lembrança que eu tinha, de olhar para as rolinhas ciscando a palha de arroz, quando eu não era nem mesmo um menino ainda, era um bebê, e o sol era um sol branco, azul e dourado, inclinado sobre elas, as rolinhas.
Só, que o desejo não se realizou, não fosse a carta. As rolinhas estão até hoje pastando sob o sol branco, azul e dourado. Os bolinhos só estão na carta.

quinta-feira, abril 19, 2018

Inferno - luís capucho

Como eu disse aqui para meus silenciosos leitores, o showzin
na Kai Lani, no Choveu!, no sábado, seria apenas eu e Felipe Abou na sua
bateria-mirim. Mas para nossa alegria, Vitor Wutzki adiou sua passagem para
Campinas, e seremos os três, outra vez.
As nossas apresentações nos De Casa em Casa têm sido uma
maravilha pra gente que participa, pra mim, e têm deixado boas lembranças em
nós todos, das salas modificadas pelo nosso barco.
É certo que as lembranças são um lance subjetivo e que pode
haver de elas serem mais gostosas em nossa alma, do que foram gostosas na hora
em que estavam concretamente rolando nas casas dos amigos. E isso é pouco
importante.
Pedro registra o que a gente depois mistura de real e
fantasia, no seu celular. Eu amo esse que ele fez da Varanda do Alexandre.
Venham todos! É na Tijuca, é na Kai, é na Choveu, na Pavão.
É no céu, no vento, na nuvem. Vejam:



quarta-feira, abril 18, 2018

Eu acabo de ver aqui no facebook que o Rafael Saar fez checkin na Alemanha, rumo a esse Festival de cinema. E a Dilúvio Produções me emplacou no adjetivo fabuloso. Eu achei engraçado ficar junto desse adjetivo. Eu acho engraçado que eu me aproxime de qualquer adjetivo. Porque eles são decisivos, mas não decidem nada, porque a verdade é que não têm poder, são agregados, adjacentes e, por isso, ficam por pouco tempo, não esquentam cadeira, volúveis ou volateis que são.
Fora isso, eu peço para os amigos, como eu, focarem coisas boas pro Rafael lá, pro filme, pra tudo ir se desencadeando do jeito mais bonito, porque é isso que acaba valendo no fim. Mesmo que bonito seja também um frágil adjetivo...rs.
 
A boa notícia é o projeto Peixe - Fish selecionado pelo programa Lovers Goes Industry - Work In Progress, do Lovers Film Festival - Torino Lgbtqi Visions na Itália!
O filme é dirigido por Rafael Saar e traz o fabuloso Luís Capucho como protagonista.
Na imagem, still lindo da fotografia de Matheus Rocha.

terça-feira, abril 17, 2018

Mais uma Canção do Sábado e Vai Querer? - luís capucho

A Mais uma Canção do Sábado é uma poesia linda que o
Alexandre fez pra eu musicar. Ela fala de coisas que eu diria andando pela
cidade, como as coisas que eu disse em A Música do Sábado, que Kali C Conchinha
me ajudou a musicar e que abre meu disco Cinema Íris.
No Poema Maldito, a Mais uma Canção do Sábado está apenas na
voz e violão, registrada pelo Felipe Castro. Mas aqui, no De Casa em Casa, no
quintal do Bruno Cosentino, ela está pela segunda vez, além de meu violão e do
baixo do Vitor Wutzki, acompanhada pela bateria butô do Felipe Aboud.
A gente emendou a Mais uma Canção do Sábado com a minha
música Vai Querer? que fiz a partir de um poema da Suely Mesquita e que nos deu
muita alegria, quando o Wado gravou num dos seus discos. Eu contribuí no poema
da Suely, além da melodia, com o título e com o refrão, que eu descolei de uma
música do finado Luiz Melodia e também de minha época de vendedor de picolé,
quando eu gritava pra o infinito, andando pelas ruas do verão de Cachoeiro do
Itapemirim, o Aêêêêh, quem vai querer? Mas o Wado não curtiu, porque não canta
o refrão, no seu A Farsa do Samba Nublado. Também, ela aqui ganhou um coro do
Vitor.


Vejam:

Essa semana o navio De Casa em Casa vai estar sem um de seus marujos, porque o Vitor Wutzki precisa voltar a Campinas. E seremos eu e Felipe Abouna sua bateria-mirim, apenas. Nos juntaremos ao Vitor, outra vez, em maio, porque segundo as previsões que pudemos fazer, as correntes do mar e as posições dos astros no céu sem tamanho, estarão propícias de novo a essa junção, a nossa volta, e outra vez, cada um de nós de dentro de nossas próprias turbulências, pororocaremos juntos, onde o fluxo das coisas e nós, nos levarmos.
Nesse sábado, agora, nosso De Casa em Casa vai estar na Kai Lani, menor, mas não menos vibrante, forte, colorido e benfazejo. E estou muito contente, porque isto é meio um desenrolar para outra coisa de minha participação na peça Cabeça de Porco, dirigida pelo Diêgo Deleon, onde a Kai foi soldado, santa, cafetina, atriz.
Nosso De Casa em Casa vai abrir ou reabrir o Centro Cultural privativo dela e da Pavão – Choveu - e isso agora é um convite pra vocês, os amigos, virem nos ver. Traga seu come, seu bebe e seu fume. Vamos passar o chapéu pra contribuição livre. Kai vai fazer batida num preço camarada.
Venham todos!


domingo, abril 15, 2018

Ontem, o celular do Pedro tirou essa foto da gente, depois de uma tarde de sábado no estúdio do Martin, pra fazer um disco meu. Isso é uma coisa que vem de desdobrando dentro dela mesma e, ao mesmo tempo, vem se desdobrando em outras coisas, de modo que o disco que se pensou no início, vai ser outro e, antes disso, bem no início mesmo, como acontece nas células embrionárias, que pegam dois caminhos, duas direções, já havia acontecido de, desse mesmo tronco, ter se desdobrado também o disco Crocodilo, geminado a esse disco da foto, o Homens Machucados.
Eu tava dizendo para o Vitor, ante-ontem, enquanto caminhávamos para um dos ensaios, dizendo nas palavras de ante-ontem, mas agora em outras, que eu estava atento a esses desdobramentos e que eu os sentia a minha revelia e também, não. Isso, porque somos muitos. Nessa foto somos da esquerda pra direita e depois voltando por cima: Milosz, Bruno, Vitor, Hudson, Felippe, Pedro, eu, Mari e Martin.
Vejam:

sábado, abril 14, 2018


Desde que começamos os shows De Casa em Casa, a cada um deles, tem feito parte do cenário, além do tótem, que é um lance que vai revezando, modificando, sendo outras coisas e, hoje, tenho sentido ele como um mastro de navio – e isso faz sentido com o que descobrimos no programa Escuta, do Rafael Julião - https://www.youtube.com/watch?v=_mf1plY6_zg - quando relacionamos todas as faixas do meu Poema Maldito, com sua capa e também com sua primeira música “La Nave Va”, uma parceria minha com o finado Manoel Gomes. E, então, desde que começamos os De Casa em Casa, que é esse navio de porto em porto amigo, que temos, além de seus mastros, o tótem e o liquidificador que ganhamos, uma As Vizinhas de Trás, como carranca para nosso barco. Cada um dos amigos foi visitado com uma carranca diferente. E, ontem, terminei de fazer a carranca que usaremos no apê da kai Lani : As Vizinhas de Trás – A filha de Burger.
Fora isso, nesses últimos De Casa em Casa, seremos apenas eu no violão e Felipe Abou na sua bateria.
Vejam:


sexta-feira, abril 13, 2018


Tenho faltado um pouco aos treinos de natação, às aulas, por conta dos ensaios de musica que tenho feito. E, ontem, porque poderia ir, me planejei e tal. Por toda semana eu estava satisfeito, porque, ontem, eu poderia ir.
E, aí, aconteceu uma coisa incrível, ruim e boa.
Já tem um tempo que tenho pedido na piscina para correr um pouco na água. Porque, fora da água, eu tenho feito pequenas corridas para pegar o ônibus já de saída ou para atravessar a rua, quando tem trânsito. Então, pedi pra treinar na água, pra ir aperfeiçoando essas minhas pequenas corridas.
Só que, ontem, apesar de meu planejamento, me atrasei pra sair, o ônibus tava com defeito no lugar de fazer as digitais e parava longos minutos em cada ponto. Quando saltei, muito atrasado, pensei: vou correr.
E comecei.
Em vinte e dois anos, foi a primeira vez em que me dispus a correr de verdade, não pra atravessar a rua ou para pegar o ônibus.Me postei no lugar em que se posta quando vamos correr e dei o comando, corrida. Só que o corpo, como o de um velho cavalo, apenas trotava, enquanto eu dava o comando de velocidade pela segunda, pela terceira vez, ele apenas trotava. E acontecia, quando eu comndava maior velocidade, que as pernas fraquejavam e doíam, parecendo que eu não conseguiria. Aí, eu insisti e pensei, vou apenas trotar, não vou explodir. E avancei meio quarteirão. Andei um pouco e de novo repeti o trote de pernas bambas e fracas, mais meio quarteirão. O que ando, do ponto de ônibus até a piscina em 15 minutos, fiz em 8, correndo, trotando, meio cambo, mas firme no cambo.
Moral da estória: começando do zero, outra vez.


quinta-feira, abril 12, 2018

eu quero ser sua mãe - luís capucho

O Bruno Cosentino tem uma gravação muito linda de Eu Quero Ser Sua Mãe, no seu disco Corpos São Feitos pra Encaixar e Depois Morrer. E mostramos a música em seu jardim, em nosso último De Casa em Casa, do dia 7 de abril. No dia 20, a gente segue o barco e o porto da vez será o apezinho da Kai Lani, na Tijuca.
Tem umas coisas que vão se ligando, sem que a gente se dê conta de que estão acontecendo naquela direção. Vou explicar: faz tempo, mostrei Eu Quero Ser Sua mãe pra Ju Martins. E depois ela fez uma gravação linda dela em seu disco Heyô. Mas no dia em que lhe mostrei a música, ela me disse ser muito parecida com as músicas do Rogério Skylab. Embora eu não tivesse visto sentido nisso, um tempo depois o Rogério disse que adorava Eu Quero Ser Sua Mãe. E, daí, muitas outras pessoas, por isso, conheceram a música. A verdade é que há muitas ligações entre as coisas de que a gente não se dá conta. Ao mesmo tempo, a existência delas parece bobagem e milagre.
Vejam:

domingo, abril 08, 2018

a masculinidade - luís capucho

Ontem, fizemos o nosso décimo primeiro De Casa em Casa, no
Bruno. O próximo será na Kai Lani e a nossa alegria é sempre grande, esticando
o verão do Vitor, energizados pela bateria mirim do Felipe Abou, emocionados
nas cartas do Edil, filmados no celular do Pedro.


Vejam:

sexta-feira, abril 06, 2018

Víde Retrato #2 - Luís Capucho

Amanhã, faremos o nosso décimo segundo De Casa em Casa, no
quintalzinho do Bruno. E pela segunda vez, estaremos juntos à bateria mirim do
Felipe Abou. Eu vou dizer que é uma política muito feia, essa da justiça
brasileira, que mandou prender o Lula, um político que saiu e que chegou na
gente trabalhadora, porque a gente vê que, como são safados e com cara de
safados os políticos, ele não se safou. O mesmo eu penso de Dona Dilma.
Fora isso, eu conto com vocês pra assistirem a nossa
bandinha amanhã. Já combinamos que o Edil lerá as cartas dos anos 80-90 que
mandei pra ele. São cartas muito juvenis, dramáticas, com laivos de suavidade,
que à distância dos anos que se passaram, são pura bobagem, mas todos que
ouviram disseram haver poesia nelas. E o próprio Edil me disse que a poesia
delas são a despeito do sexo. Por isso são lindas! He he he” <3
Do Bruno eu só ganho presentes.
O último foi esse vídeo-retrato que Ana Rovati fez.
Vejam:


quinta-feira, abril 05, 2018

Víde Retrato #2 - Luís Capucho

Um episódio que me aconteceu na praia de Icaraí, enquanto
fazia hora para nadar e que, depois, contei pra o poeta espanhol Tive Martinez
– na edição ficou parecendo que contei a estória para o próprio louvadeus
sagrado – e que virou Poema Maldito dele, do Tive, depois virou música minha,
depois título de disco produzido pelo Felipe Castro, e que virou retrato,
agora, pela Ana e Bruno.
Agradecido demais por tantas voltas.
Vejam:


quarta-feira, abril 04, 2018

Inferno - luís capucho

À medida que minhas apresentações das músicas vão se
sucedendo – e umas acontecem muito importantes e dentro da situação de cada uma
das pessoas que vão nos assistir - embora haja aquelas pessoas importantes que
nunca pensam em nos assistir e, assim, as músicas não ganham importância alguma
para elas – e, por isso, vou concluindo coisas a seu respeito, a respeito das
apresentações... e primeiro de tudo sou grato demais, desde o início, onde tudo
começou, sou grato, porque tudo veio dar onde estamos agora, o tótem vermelho e
azul do Alan, como o mastro de um navio que tem ido de porto em porto, nas
salas dos amigos, eu, acompanhado de outros marujos-guerreiros, o Pedro, o
Vitor, o Abou.
Nosso navio só tem encontrado alegria por onde passou
liquidificando as vibrações, nóis navio, nóis cortejo, nóis amor. Desde o
primeiro deles, no Ciro. E o último, no Alexandre.


Vejam:

terça-feira, abril 03, 2018


Para abril temos três shows do De Casa em Casa confirmados. O último deles, seremos apenas eu e a bateria do Felipe Abou, porque Vitor já estará se preparando para Portugal, onde ficará por alguns meses.
Como vocês sabem, para nossa última apresentação, minha Camisa de Fazer Show ganhou um retalho de roupa da estrombólica Maria Bethânia. E gostei do modo em que na minha roupa, o também estrombolismo de sua roupa, passa meio batido e tudo.
Para o próximo show, o universo ainda não me encaminhou um enfeite. Mas logo ele despontará pra mim, eu sei. Sobre essa minha roupa, sempre os amigos têm aludido ao trabalho de embalsamamento do Arthur Bispo de Rosário, acho que pela ideia mesmo da roupa e por causa de seu aspecto de pobreza. Mas do que eu mais gostei foi da lembrança do Marcio, de que ela tem o mesmo fundamento das roupas dos cangaceiros de Lampião. Porque funcionavam como um brasão, um escudo, uma armadura, ao mesmo tempo física e espiritual. Uma coisa que blinda a gente.
Vejam:


segunda-feira, abril 02, 2018

O primeiro flyer que Lucía fez para esses nossos shows De Casa em Casa era uma estrada muito longa e deserta que no final levava a mim mesmo. Depois, Vitor atualizou ele colocando-me de janela aberta aqui na sala do apezinho e com As Vizinhas de Trás nas paredes. Agora, para as apresentações de abril, ele me colocou dentro do carro na estrada deserta da Lucía, com um espelho que olha para trás. De verdade olharei muito ainda para esses shows que os amigos estão me dando de presente em suas salas, varandas, terraços e quintal. Que venham muitos mais. Eu preciso aprender. Eu é nóis!