sexta-feira, agosto 03, 2018


Fiz uma música nova a que dei o nome de Posição. É um fragmento de uma música que fiz muito antiga, quando morava em Papucaia. E que a partir dele construí a música, agora, apenas sobre um acorde, uma meia pestana, na segunda casa do braço do violão. Mais ou menos como o que fiz com A Vida é Livre, que construí a música a partir do “...voa livre ave.” O fragmento que eu tinha da Posição era:  “... sentado, abertas...”. Então, coloquei isso sobre a meia pestana e construí o restante da letra, com uma melodia falada, como são faladas as coisas solenes, religiosas.
Normalmente, eu não vejo nem busco o-s sentido-s de como uma música se constrói. Mas nos devaneios que me pegam aqui dentro do apezinho, essa meia-pestana sobre a qual coloquei a letra é muito como a imagem que tinha tido uns dias antes e que tentei falar aqui no Blog Azul, sem conseguir direito, mas uma idéia que situo no meu quarto de dormir. Um lugar onde se colocar e de onde dar partida. Eu tentei falar disso em minhas últimas postagens e acho que isso começou, quando o Diêgo voltou do Peru e esteve aqui em casa pra me trazer aquela miniatura de brinquedo de máscara de ritual Azteca.
Eu tava dizendo pra ele da minha dificuldade em tomar uma posição. Em outras palavras, eu disse que recebia as notícias de uma forma obtusa e, aí, não conseguia achar no espaço que ela abria pra mim, um ponto de onde eu pudesse começar a me mover, dar minha partida. Daí, achei que essa meia-pestana é meio a realização da imagem de que estou tentando falar há um tempo aqui nas postagens curtas do Blog Azul e que nos devaneios aqui dentro do apezinho, localiza-se no meu quarto de dormir.

                                   Posição

Sentado, abertas
As duas arregaçadas para os lados com os pêlos cheios de energia
Os bagos derramados
Cachos assanhados de alegria e os cabelos em fúria
Sentado abertas
Os músculos curvos das pernas entornados com viço
Peitos empinados, coração forte
Nada de medo, nada de fim
Muito tempo e muito espaço voando
Sentado abertas
A posição sustenta a forma
Exu parado com força, sustento o céu, sustento a cidade, a rua.
Músculo inchado
Sentado, abertas
Uma esticada, a outra o joelho no peito
Sentado, abertas.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Inferno - luís capucho

Nos De Casa em Casa que fizemos no primeiro semestre desse
ano, arrumamos o cantinho da sala ou varanda ou quintal em que tocamos, o nosso palco, além de com o Tótem e a maletinha que fizemos para os livros e discos, também com uma Vizinha de Trás, que deixamos de presente para o amigo da sala.
Hoje, mexendo aqui na estante, descobri que tenho o Certificado de
Autenticidade da Vizinha que deixamos com o Alexandre, quando tocamos em sua varanda. É uma de minhas primeiras, do ano de 2014.
Nesse show, foi a primeira vez em que tocamos a Inferno(luís
capucho/Marcos Sacramento). E que adorei demais, depois, no vídeo que Pedro fez.


Vejam:

terça-feira, julho 31, 2018

Luís Capucho - Poema Maldito (full album)

Eu faço música há muito mais tempo do que faço As Vizinhas de Trás. E fico sempre pensativo sobre o fato de meus assuntos não avistarem longe, eles não têm panorama, tratam sempre de coisas muito próximas, coisas em que posso me esbarrar, em que estou me esbarrando e, por isso, a impressão de que estou sempre puxando pra trás, puxando pra mim, puxando pra baixo, atravancando espaço, se liga, assim, um sumidouro, um rodamoinho que não vai sair do lugar, fazendo pressão ali, uma coisa bem diferente de se arejar e ler um jornal, não sei.
Minhas primeiras As Vizinhas de Trás são de 2012 a 2014, quando ganharam esse nome. Delas, ainda tenho seis, que ficaram aqui comigo, encalhadas. E nos De Casa em Casa que fizemos no
primeiro semestre deste ano, em cada uma das salas dos amigos em que nos apresentamos, de acordo com o que pensei de cada amigo, deixei-lhe As Vizinhas de Trás que tivemos como cenário da apresentação. E algumas eram dessa série mais antiga e que são bonitas, na sua pouca definição e pouco relevo.
Ainda no mesmo assunto, desde o início desse texto, trouxe de volta pra mim, em 2014, músicas que tinham ficado na gaveta, músicas que minhas sequelas de incoordenação motora, me fizeram
achar, por muito tempo, que não fosse mais conseguir executá-las. No disco Poema Maldito, há  quatro exemplo disso:
La Nave Vá (luís capucho/Manoel Gomes), O Camponês (luís Capucho/Marcos Sacramento), Velha (luís Capucho) e Cavalos (luís Capucho).
Agora, tou pensando o mesmo com relação a essas seis Vizinhas, vou trazê-las de volta pra mim. Vou restaurá-las.



segunda-feira, julho 30, 2018


No dia 18 de agosto, apresentaremos as músicas na sala da Claudia, pela segunda vez, mas, agora, iremos juntar-nos à Pratica de Montação e desse modo o Paulo Barbeto será o narrador de trechos de Diário da Piscina, entre uma música e outra. Ontem, ensaiamos apenas a parte musical, com a presença das meninas (Madame Liza e Lucía Santalices) e foram muito lindas as grinaldas, as chamas, as estradas, as marolas e ondas que se abriram com as músicas.
Sentindo-me meio doido.

sábado, julho 28, 2018


Nos finais de semana fico mais alegre, não tem bactrim. Não há perigo em se dizer alegre, mas também não há alegria exatamente. Me perdoe. Isso me lembra um vídeo que vi, passando por aqui, pela internet, em que um mestre falava de amor, que é preciso se abrir para o amor, um amor universal, que abrange desde os cabelos até à ponta dos pés. Eu sempre fico com um pouco de raiva desses mestres sabichões. Me perdoe. Mas ele tinha dois discípulos posicionados um tanto abaixo e atrás de si, um homem e uma mulher mais jovens. E o que, no final, entendi do que ele dizia, era que o amor deve ser o universo em que estamos, no nosso corpo, em nós e pra nós. E que a partir daí, o amor se expandiria pra o infinito de nosso entorno, pras outras pessoas e tudo. E os dois jovens atrás e abaixo dele, tinham na fisionomia amorosa deles, o exemplo disso, do que ele estava dizendo e que eu repito aqui no blog azul, o amor.
Além das coisas que ele dizia, esses dois jovens atrás e abaixo dele, chamaram a minha atenção demais. Porque diferente do velho mestre que expunha as idéias de amor, eles não tinham pensamento, tinham em suas fisionomias apenas amor. O velho mestre não tinha. Tinha o pensamento. Assim como eu não tenho alegria, exatamente, sem bactrim nos fins de semana. Na verdade, não tenho nada, estou escrevendo aqui. Te love.

sexta-feira, julho 27, 2018

"Já em termos de Brasil, vale destacar a obra do escritor Luis Capucho e o espetáculo teatral Boa Sorte, em processo de criação pelo diretor goiano Gabriel Estrela".
CARIRIREVISTA.COM.BR
As respostas à epidemia da AIDS não podem ser entendidas fora do campo da discursividade. A síndrome surgiu atravessada pelos meios de comunicação que criavam sujeitos e estigmas. Foi assim que a imprensa a denominou inicialmente como Gay-Related Imunodeficience – GRID (Imunodeficiência rela...


Então, acho que é isso. Eu bebo um pouco de água filtrada e tento sentir, visualizando, o seu percurso, depois de engolir. Também fiz isso pela manhã, tentei visualizar o percurso dos remédios depois de engolidos. Então, há muita coisa acontecendo comigo de que não consigo fazer idéia. Isso volta ao que meu amigo de escola disse aquela vez, de que há questões que precisamos esquecer. Eu tenho de beber a água e beber os remédios e esquecer. Foi.


quinta-feira, julho 26, 2018


Ainda falando do assunto de ontem, de acordar no meio da noite com a impressão de que posso controlar o movimeto de meu sangue através da força e da velocidade em que respiro e que isso, o controle do ritmo que estou na cama, no mundo, na vida, é a minha plataforma, a estação onde recebo as vibrações que adentram o apezinho, e de onde partem todos os meus movimentos, os que eu vejo e os que eu não vejo, todas as minhas intenções, as visíveis e as invisíveis, e resumindo, enfim, todo o assunto, essa é a minha posição, não há mais nada.

quarta-feira, julho 25, 2018


Continuando e idéia de uma direção pra que se olhe e o seu imbróglio, a idéia de que tenho e estou numa posição, tenho acordado no meio da noite pensando se posso ter algum controle de meu pulso, se posso intensificá-lo ou não, considerando a força e o tempo do modo como decido respirar. E se posso manter uma posição, apenas por esse motivo, o de respirar.
Isso me lembra fantasias de não falar, de ficar parado sentado num boteco bebendo e não falar. A fantasia de falar apenas por escrito e que respirar não tenha a função de motor para as palavras faladas, que seja motor para outro movimento, o movimento mais tranquilo e forte, pouco etéreo, de meu pulso, apenas, de meu sangue.


segunda-feira, julho 23, 2018


Continuando a estória do post passado, a história de sermos burros ou de sermos incapazes de viver as situações sem colocarmos nelas o nosso drama, às vezes, aqui no apezinho, já faz um tempo, tenho pensado encontrar um lugar parado, um lugar suspenso, a partir do qual eu possa seguir para qualquer direção ou onde eu possa apenas ficar contemplando, no lugar, com visão panorâmica de todas as direções. Um lugar que me dê uma posição, no caos de todas as outras posições.
È muito difícil, ao mesmo tempo, falar dessa posição no caos das outras, porque ela fica perdida. Ao mesmo tempo em que firme, apenas por se manter, concentrar-se em si mesma, sem saber mais nada. E a partir daí, saber se relacionar no imbróglio da direção pra que se decida olhar.

domingo, julho 22, 2018


Tem umas coisas que parecem importantes demais pra gente e que, nem por isso, acontecem ou dão certo. Tenho dúvida se realmente são importantes, quando não acontecem. Estou tentando, nesse momento, me lembrar de uma coisa dessas que pareciam muito importantes, mas que não tenham acontecido comigo muito antigamente. Pra ver como lidei com elas e ver também como se resolveram ou se tudo é sempre como um amigo de escola me disse uma vez, que as coisas que pareciam ser as nossas grandes questões adolescentes nunca iriam ser resolvidas, nós é que nos esqueceríamos delas, não lhes daríamos mais a importância que tinham.
E não gostaria de esquecer dessas coisas que parecem ser importantes pra mim, mas meu antigo amigo, talvez, estivesse com razão. Será mais prudente e sensato esquecer. E que não sejam dramas pra mim. Ao mesmo tempo em que vou tentando me salvar nas coisas que acontecem bem, naquelas coisas que dão certo, como, por exemplo, restaurar aquilo que é reparável, como um dente quebrado, podre ao meio, que, hoje, tenho encapado em platina, e que, coisa importante, não se perdeu no esquecimento. Se reconstituiu como um amor daqueles que nós reencontramos depois de esquecidos e que renasceram, porque sempre estiveram vivos na raiz. Porque precisamos deles e são importantes vivos, por isso.
Enfim, sejamos burros!

sexta-feira, julho 20, 2018

Aconteceu uma coisa muito linda, inesperada. A revista Amarello, feita no centro de São Paulo, tem na sua última edição o tema, arquivo. E tem entre as matérias, uma muito interessante intitulada Manifesto dos Museus que relaciona a literatura com eles e, aí, acho que entro no link com o acontecimento lindo e inesperado.
Já contei aqui no blog da vez em que fizemos ( eu e Vitor Wutzki) o De Casa em Casa no Marcio e que o Edil levou cartas antigas que lhe mandei para ler entre as músicas. Depois, ele repetiu as leituras no Nahum e no Bruno.
Hoje recebi pelo correio a Amarello, com seis dessas cartas publicadas.
Vejam:


quarta-feira, julho 18, 2018


È possível que haja algum médico desses que me atenderam por todos esses anos, um ou dois, que tenha sido verdadeiramente meu aliado. A vida de uma pessoa é interessante demais, pra que ela se volte pra vida da outra pessoa, assim, pra que ela faça o mais que melhor, porque é disso que eu tou falando e é disso que eu preciso. Então, cada um na sua!
No início, tomar os meus remédios, me prostravam demais. Sempre fui um sujeito mais parado, mais contemplativo e com eles era como se fosse surrado todos os dias, todos os dias baleado, todo dia um pouco mais abatido, derrotado. Aí, quando no ano 2000 comecei a nadar, fui retomando a força, porque nadar deixa a gente mais forte.
Hoje é o último dia da dose mais alta de Bactrim. A partir de amanhã, cai pra mais da metade a dose que tenho de tomar. O olho continua igual, não melhorou nem piorou. Ainda há a possibilidade, mas não fiquei caolho. E isso de agora diminuir o antibiótico, me deixa menos amuado, porque ter aumentado tanto remédio assim, na minha dieta deles, foi foda, um baque pra mim. Devo tomar, conforme entendi, essa dose menor de remédio, enquanto meu metabolismo suportar. Que é pra evitar que a inflamação volte.
Estou tomando a quantidade de remédios que mamãe começou a tomar, quando ficou mais velhinha. Não comecei com isso, agora. As montanhas de remédios que preciso subir e descer, ora são maiores, ora menores. E já faz mais de vinte anos que tou atravessando esse planalto. Já faz um tempo tenho pensado nos efeitos ruins que tantos anos de remédios estão deixando em minhas vísceras. Imagino que elas devam se cansar, envelhecer mais rápido do que envelheceriam e se cansariam se eu não tivesse que tomar os remédios.
Eu sei que eu tou envelhecendo.

terça-feira, julho 17, 2018


Eu me lembro que me mamãe se aprontava para ir ao médico de um jeito como se fosse à missa, falar com Deus. Sempre implicava com ela, por isso, mas porque os médicos ficam nessa posição entre a nossa vida e morte, meio que se aproximam mesmo de Deus e deve ser por isso que a maioria deles seja erradamente empafiosa. E criam distância da gente, a estrutura como se desnrolam as consultas, favorece a distância e os mantém protegidos e tudo.
E me deixou bem frustrado ver que a médica que está vendo o funcionamento de meu rim, em minha última consulta a ela, tenha sido sizuda e nada interessada nos meus dados laboratoriais que já estavam no sistema. Ela me disse que não adiantaria olhar, sem que já estivesse no mesmo sistema, os dados da ultrassonografia que estou ainda para fazer, mas esse nem é o caso, porque ela estava diferente das outras consultas, principalmente, das consultas em que havia médicos assistentes e que ela se mostrara amigável, interessada, aliada a mim, seu paciente.
A médica que cuida de meu olho e que também se mostra aliada, em nenhuma consulta se mostrou diferente disso e nunca houve uma consulta que me decepcionasse. Não é um amor, assim, não há nenhum desejo de aproximação, a gente sempre irá continuar sem qualquer vínculo pessoal. Mas é que tem uma atenção total no meu olho, ali naquele momento que a gente fica junto na sala dela. Também é assim o médico que vê meu coração, o que vê minhas outras víceras e a infectologista.
Fora isso, Deus me livre de todos!

sexta-feira, julho 13, 2018


Tenho gostado muito de fazer as transcrições dos audios do programa Escuta, em que Rafael Julião entrevista compositores da cena contemporânea brasileira, ao mesmo tempo em que escutam, numa sala, o disco deles, um por mês. Porque além de ser gostoso reproduzir no papel as coisas que são faladas e nisso essas coisas vão ganhando uma dimensão mais difusa, no silêncio do meu Word, também vou me situando no meio dessas coisas, que na verdade, sempre estão a meu lado.
Além de fazer a transcrição de minha própria entrevista, já transcrevi as entrevitas do Sylvio Fraga, Vovô Bebê, Mari Romano, Bruno Cosentino, Juliana Perdigão, Daniel Medina e, agora, do Paulinho Tó. Eu aprendo bastante coisas com os entrevistados e com o entrevistador. O Rafael sempre pergunta aos compositores se sentem fazer parte de uma geração de artistas e meio que isso não se define bem e mesmo eu que tenho acompanhado em modo-transcritor tantas entrevistas, também não consigo me decidir. Talvez, ele, o Rafael, deva ser entrevistado alguma vez, para que possa nos dar a sua visão do conjunto.
Fora isso, meu corpo vai, aos poucos, se normalizando com o uso prolongado e cavalar de Bactrim, pois, hoje, meu cocô tava normal. Essa dose mais alta dele termina em 5 dias. Depois, com a dosagem menor, devo normalizar o intestino e também o estômago, que tem doído um pouco. Compramos uns chás e isso parece ser bom. Também presto atenção na alimentação. É preciso atenção!

quarta-feira, julho 11, 2018


Acho dificílimo falar de mim mesmo, desse ponto nessa posição e altura do universo em que estou. Imagina, falar outra coisa é quase impossível pra mim.
Daqui a 7 dias, acaba a primeira fase do tratamento da uveíte. Depois, serão mais dois anos de bactrim, mas numa dosagem menor. Tanto remédio assim e não ter como me safar deles, me deixou triste, preocupado, com a perspectiva de ficar um velho caolho e com os órgão internos, que metabolizam as drogas, baleados, mais baleados que os de todos os velhos. Talvez, eu nem chegue a ser velho, velhinho, mas já que cheguei até aqui, acho que vou um pouco mais, sim.
Na verdade, gostaria de me abstrair disso, de mim, e prestar atenção n’outras coisas e tudo. Embora eu saiba que isso aqui, falar, por exemplo, de meu rim possivelmente baleado, seja uma abstração também. Isso que transformo em palavras, em assunto, aqui no blog, não sou eu na verdade. Eu mesmo sou um ponto qualquer perdido na cabala de minha cabeça, na sua mandala. Então, eu tou conduzindo o post, agora, por esse fio. Mas poderia pegar outro da mesma meada e que tivesse um outro jeito, outro modo, cor e feitio de abstração, se liga.
Pode ser também, que eu não tenha ficado mais triste por conta de saber que preciso ficar tomando os remédios, mas que triste é um efeito deles. E, nesse caso, me refiro a fazer menos cocô que o habitual, ter dor no estômago, peidar demais e ir ficando mais gordo também.


terça-feira, julho 10, 2018


Já reparei que na Fiocruz, quando há aqueles médicos assistentes ou estagiários acompanhando as consultas, somos bem melhores atendidos pelos médicos que estão à frente dela e que são os que nos acompanham no tratamento. E hoje fiquei bem decepcionado, porque a última vez que tinha sido atendido pela nefrologista, tinha sido tão simpático e eloquente, a médica se mostrou realmente interessada e tudo. Mas, hojhe, que ela tava sozinha, sem um assistente, foi monossilábica e ríspida. Nem olhou meus exames, remarcou a consulta. Que coisa!


segunda-feira, julho 09, 2018


            Vi dois vídeos em que o Gilberto Gil falava sobre a prisão do Lula. Me pareceu que o segundo vídeo, tentava consertar o primeiro, mas os dois deixaram dúvidas, eram confusos quanto a ele confiar ou não confiar no presidente. Independente disso, disse que Lula deve estar livre. E também acho isso, pois Lula é camarada. Ele está sentado a nossa direita.
Fora isso, tomar leite quente com um pouco de açúcar é uma coisa muito gostosa. Com os remédios e a dor no estômago que eles têm me causado, outro dia acordei com essa vontade de tomar leite. Devo ter pensando, durante o sono, que isso seria bom. Passou um tempo e comprei o leite. Estou tomando, agora.



sábado, julho 07, 2018

Inferno, na Travessa

Já coloquei várias Infernos no
You Tube e a primeira delas que coloquei, tocando com o Ricardo Gilly, é uma
gravação feita logo que fiz a música, com voz monocórdia e gravíssima e violão
espancado. Mas o You Tube tirou ela de lá, porque tinha colocado ela com uma
foto do Mapplerthorpe, de um cara com seu caralho pra fora do terno. Isso é
engraçado, porque sem que eu me lembrasse disso, tenho pensado nessa música, ao
invés de um caralho, junto de uma buceta. E fico pensando que os sentidos
disso, todos se aproximam.
Agora, expliquei como apareceu a
Inferno, a primeira das músicas que fiz, logo que consegui voltar a tocar o
violão. A primeira vez em que gostei demais dela, foi no De Casa em Casa na
varanda do Alexandre, no baixo do Vitor Wutzki e na bateria-mirim do Felipe
Abou, que Pedro também filmou no celular e que, no fim, tem um riso da Gabee
satânico total, de prazer, aqui: https://youtu.be/ysXPRgHnDaQ
Num outro De Casa em Casa que
Pedro filmou, no quintal do Bruno, foi o Edil quem encarnou, no final d’A
Masculinidade, o riso da Gabee que me deixou feliz, aqui: https://youtu.be/_yjn5spwtrU
            Na
Travessa, no lançamentos de livros da Azougue, é o baixo do Lucas Parente e ela
ganhou referências da música brega que acho que o diabo da Gabee e do Edil
também iriam gostar, como eu.
           


Vejam:

Essa maleta com duas de minh’As Vizinhas de Trás, já faz um tempo, tenho usado-a para levar livros e discos e meu capodastro e roteiro e tudo o mais, para os shows. Também, termino por tê-la como parte do cenário. Ela já ta velhinha, perdeu a dobradiça e fiz uma gambiarra. Vamos consertá-la direitinho.
No Show da Travessa de Botafogo, para o lançamento dos livros da Editora Azougue, amigos fizeram fotos, como se ela fosse melancia, ou Árvore de Natal ou lata d’água.
Vejam:





quinta-feira, julho 05, 2018


Vieram os rapazes e falavam castelhano. Estavam de shorte e estávamos num alto de precipício, o precipício na beira da praia. Talvez, houvesse um shorte amarelo, um shorte vermelho. O mar sem cor. Aí, o primeiro deles pulou do precipício muito alto. Eu gritei que era raso, mas ele já tinha pulado de cabeça. Os outros pegaram distância para pular. O primeiro rapaz tinha caído de cabeça, onde as ondas batem. Depois, eu vi o corpo dele vir à tona, mais pra dentro do mar, boiando, torto. Ele mexia debilmente as mãos. Uma tensão estranha, onde a cabeça se prende no corpo, no pescoço. Imagem de horror, quando acordei na madrugada.

terça-feira, julho 03, 2018


Eu tenho pensado nos remédios que preciso tomar, como o que vai me enfraquecendo aos poucos, eles vão me fragilizando a energia e penso nisso, porque me lembro de mamãe em seu leito de morte, no hospital. Porque eu via que os remédios que os médicos davam pra ela, foi o que acelerou sua morte. Quanto mais remédios davam, mais ela se enfraquecia. E, aí, eu já vinha pensando há um tempo em falar com a médica e ver um jeito de amortecer os efeitos e tal. Mas com o lance da recidiva da uveíte, a médica me disse, ontem, que terminarei de descer a montanha de remédios pra o olho, em dois anos. Que é pra tentar conter a toxoplasmose.
Fora isso, continuo atento à serpente de minha coluna, atrás, na lombar. Porque há instantes em que sinto que os venenos se soltam, uma vértebra de afasta da outra com um estalinho surdo, de bola de sabão pocando. Também, estou atento ao jeito exagerado, quase venenoso como minha cabeça se prende ao pescoço e tronco, havendo veneno também onde meus braços se penduram, nas articulações dele, nos ombros.
Com os remédios novos, tenho dado muitos peidos.

                        Foto do leonardo Marona:


segunda-feira, julho 02, 2018

A vida é livre - no Poetas de Dois Mundos

No final da década de 70, não me
lembro bem quando, na verdade, mas era um tempo em que os compositores do
nordeste enchiam os teatros aqui em Nikity City. E fui assistir a um show de
Lula Queiroga com Tadeu Mathias, no Sesc Niterói. E, aí, nunca me esqueci de um
verso da letra de uma das músicas que o Tadeu cantou. Ele cantou dentro da
letra “voa livre ave, voa livre ave, voa livre ave” e nunca mais me esqueci
disso.
No ano 2000/2001, enquanto
registrava minhas aulas da natação para recuperação de minha motricidade,
coordenação motora e equilíbrio, em 21 de junho de 2000, escrevi:

“... Pular na piscina significa ficar muito tempo, durante o
pulo, sem apoio do chão nos pés, e tenho medo. Ainda que, ao passar de ônibus
pela praia, olhando para o ritmo das ondas que se empurram para a areia, sinto
que forcem a paisagem para o alto e que, por isso, a própria cidade voe, tenho
medo. Quer dizer, embora sabendo que a cidade em si seja uma cidade voadora,
preciso de meus pés no chão. Mesmo que na água da piscina eu voe também...”

            Fiz A Vida é Livre pensando em “voa livre
ave”, mas fiz nessa época dos registros do Diário da Piscina(É selo de língua -
editora É/2017) e colocamos essa música no disco Lua Singela.


O medo resolvido, vejam:

domingo, julho 01, 2018

Enfim, comecei a descer a montanha de remédios para o olho esquerdo. Isso vai durar até o dia 18 e, junto aos outros remédios, tenho tido dor no estômago, na madrugada e agora, às quatro da tarde.
E o olho não melhorou nem piorou.
Tem uma posição que, às vezes, encontro logo de manhã, quando, depois do café, me sento aqui na mesa do computer. Uma posição que me faz soltar as vértebras da serpente de minha coluna, ali, onde dói, na região lombar. Imagino que sejam os venenos que se libertam, mais ou menos, como o correr da serpente desse parágrafo que faço, agora.
Tinha pensado, ao reler isso que falei antes, em venenos, como demônios. Também na relação disso com os antibióticos, que matam coisas vivas para sempre menores dentro de mim. Coisas infinitamente menores dentro de mim agindo a minha revelia.
Eu gostei muito das fotos que o Pedro tirou na Travessa de Botafogo, na frente dos livros, na apresentação para os lançamentos da Editora Azougue.
Vou mostrar essas:





sexta-feira, junho 29, 2018

Hoje a gente vai apresentar as músicas na décima segunda edição do Poetas de dois mundos, na Travessa de Botafogo. Serão os lançamentos dos livros da editora Azougue:

ANNITA POR NÓS e  QUE PORRA É ESSA, POESIA?, do Alberto Pucheu.

. SUBLIME E VIOLÊNCIA, do Eduardo Guerreiro B. Losso.

. VOO, livro de estréia da Ana Paula Simonaci, parceria entre as editoras Azougue e Circuito.

Aí, vai ter a leitura dos poemas e, depois, eu, Felipe Abou e Lucas Parente, iremos mostrar as músicas. Para essa ocasião, ainda estou usufruindo, para a cmisa de fazer shows, da fartura de coisinhas nas duas formas de gelo de Dona Lidia!
Venham todos, é de grátis!


quarta-feira, junho 27, 2018

 Ontem, tive uma surpresa muito grande. O Gabriel mandou uma notificação sobre uma exposição na Unirio “Arquivos em Trânsito” e, aí, quando fui olhar a descrição, tinha tudo a ver com umas coisas que Sheyla tem falado e chamei ela pra ir ver. O Gabriel é um dos expositores, com um aquário chamado Inscrições e onde estão seus livros. A exposição, com outras performance além da do Gabriel, vai até quarta que vem - https://www.facebook.com/events/215265079303264/

Pedi pra Sheyla que me situasse no aquário dele e ela tirou as fotos pra mim.
Vejam:



terça-feira, junho 26, 2018


Quando eu descia o morro de Santa Teresa, ontem, eu não vi que tinha uma luz parada no céu, um pouco longe. Então, vinha uma mulher subindo e quando iria passar por mim parou e disse:
- Vai ter tiroteio na comunidade – e me mostrou a luz no céu – estão filmando. Da outra vez, foi a mesma coisa. A luz apareceu e nos dias seguintes foi uma debandada de tiros pra tudo que é lado.
Aí, continuei a descida desconfiado de todos que subiam o morro e tal.
Depois, fui me habituando às pessoas vindo na minha direção. A mulher tinha falado da possibilidade do tiroteio na maior calma, apaziguada com a guerra.
Quando entrei no ônibus para Nikity City, também já tava em paz com todo mundo sentado e todo mundo em pé.
Fora isso, muito contentes ( eu, Felipe Abou e Lucas Parente) de mostrar um pouco das músicas aqui:

29 | junho | Sexta-feira | 18:00
Botafogo Rua Voluntários da Patria, 97 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ, 22270-000
 
Poetas de Dois Mundos #12


Autor: ALBERTO PUCHEU | EDUARDO GUERREIRO B. LOSSO | ANA PAULA SIMONACI


A décima segunda edição do Poetas de Dois Mundos reunirá lançamentos de Alberto Pucheu, Eduardo Guerreiro B. Losso e Ana Paula Simonaci às 18h, e sua tradicional leitura de poesia às 20h com Alberto Pucheu, Ana Paula Simonaci, Annita Costa Malufe, Danielle Magalhães e Kátia Maciel. | Para esta edição, teremos a presença de Luís Capucho que fechará a noite com um pocket show.

Com a presença de:

ALBERTO PUCHEU
DANIELLE MAGALHÃES
EDUARDO GUERREIRO B. LOSSO
ANNITA COSTA MALUFE
ANA PAULA SIMONACI
KÁTIA MACIEL
LUÍS CAPUCHO

sábado, junho 23, 2018


Então, para mim, agora é soltar a cabeça puxada para a corcova no início do pescoço, atrás. Se eu consigo isso, o peito estufa um pouco, os braços ficam mais inteiros nos ombros, que também se soltam mais, e começo a respirar melhor.
Eu sei que a serpente de minha coluna, por onde passam meus venenos e onde tenho o meu centro, no umbigo, com ela me enlaçando por trás, deve contorcer-se e vibrar e ter força, mas isso não deve prender minha cabeça. Minha cabeça deve ser solta, livre.
Também, essa serpente, caso se enrole e, caso, se desenrole, deve manter sua conexão com o modo como tenho de me colocar de pé, no chão, e também com o modo como tenho de caminhar e, aí, eu não sinta nenhuma dor ou cansaço, e consiga me locomover, com minha cabeça equilibrada no alto, para onde e com que velocidade eu decida ir.
Desse jeito, conduzindo-se para a direção do nada infinito, o meu corpo deve se fazer ausente, invisível, indolor e devo caminhar ou correr do ponto do ônibus à piscina, como o revés de uma mula sem cabeça, como uma cabeça de Medusa, com mil outras cabeças, muitas cabeças como cabelos cabeças, entrando, multiplicadamente, e multiplicadamente e multiplicadamente para sempre para dentro dos cabelos cabelos cabelos cabelos, como na canção Castelo, que Kali C. musicou pra mim.
E que o Rafael filmou.
Ou, então, sem corpo nem cabeça.
Apenas a serpente da coluna.

A música do sábado, no Escritório.

A Música do Sábado
(Kali C/luís capucho) do meu Cinema Íris, gerou depois Mais uma Canção do Sábado (luís capucho/Alexandre Magno) que tá no
Poema Maldito. 
Quinta feira que passou, no Escritório, o celular do Pedro
picotou a imagem, e a partir disso, o audio dessincronizou-se dela, da imagem.
Também, quando comecei a tocá-la, vi que tinha entrado numa levada que era a
levada do clima que tinha se criado ali na hora, comigo, Lucas e Felipe. E
fiquei na dúvida se iria dar certo, porque a música nunca antes tinha me levado
assim.


Deu certo, eu achei:

quinta-feira, junho 21, 2018

Luís Capucho Formigueiro - Ensaio

Ontem, Rafael me deu os vídeos
que ele fez pra mim, colocou no meu canal do youtube. E, ontem, mesmo,
estivemos conversando rapidamente sobre a correspondência que pode haver, no
final, entre mim e a imagem que ele cria a partir de minha música, nos seus vídeos.
E, aí, no bojo disso, falamos a mesma coisa do perfil que vai sendo bolado,
embolado, no filme que ele ta fazendo pra mim e pra ele. E pra todo mundo que
quiser ver.
No meu canal também tem as
gravações que Pedro faz em seu celular e ele tem muita prática nisso, pois faz
os seus vídeos desde que nos conhecemos, há dez anos atrás.
O pessoal diz que com a internet,
ficou muito fácil de um artista se fazer ver, mas eu penso que deva haver muito
mais que isso. Porque a internet é o sedimento de um final de estratégia. É o
mar onde, depois de maceradas, as coisas bóiam aleatórias, se você não investe
pra se colocar nos sites que bombam. Daí, que tenho vídeos com menos de 100
visualizações e que estão há anos boiando lá no youtube.
Como dizem... enfim.


Eu adoro esse:
EStamos eu, Pedro, Rafael e Felipe Catro.

quarta-feira, junho 20, 2018


Também tenho me ligado que preciso soltar minha cabeça de meu tronco, libertando-a para cima, enlaçada que ela está ou que ficou, por uma contorção da serpente de minha coluna na altura das omoplatas. Tenho imaginado que isso vá reorganizar o fluxo de energia que circula dentro de meu sangue, no coração e na minha cabeça, além de libertar-se, junto a ela, os meus braços, tensionados nos ombros.
Além disso, ontem, atrasado, tentei correr do ponto do ônibus à piscina e minhas pernas não funcionam de modo normal. Principalmente, a panturrilha direita dói demais e pareço não ter comando dos movimentos para além de um trote lento e lerdo de pessoa velha.
É uma coisa louca, porque correr será uma conquista de algo que eu perdi com as sequelas de meu coma. Então, tem esse desafio pra mim. O de recuperar um lance que eu tinha. Só não contava com esse entrave.
De qualquer modo, comecei.

terça-feira, junho 19, 2018


A dor que tenho tido no osso da ilharga direita, atrás, e que eu suponho ter a ver com, por muitos anos, ter me apoiado com mais força e jeito nos meus movimentos desse meu lado do corpo, à falta de como agendar um especialista no assunto, tem me feito supor um monte.
Quando fizemos aquele alongamento com a Kelly, que substituiu o Fábio por uma semana, me dei conta mais fortemente, de que há um circuito no meu corpo de que eu posso me conscientizar mais com os exercíos de contorcer-me na coluna, nos braços buscando cada vez mais na frente, no alto, nos lados, atrás. E pensei que se conseguisse deixar esse caminho de energia dentro de mim fluindo sem empecilho, que eu não teria a dor na lombar, o formigamento, que às vezes, se estende pela perna, quando estou sentado, e que, quando ando, cansa demais, doendo muito a barriga de minha perna direita.
Também já pensei se todas essas dores que ficam passeando de um lugar para outro de meu lado direito, não tenham a ver com a recidiva da inflamação no olho esquerdo, tipo, tenha dado um curto-circuito. E, aí, preciso de um tempo para rearranjar a drenagem desses fluxos, impedidos na visão esquerda, e, assim, tudo voltar a fluir sem mais remanso de dor em qualquer outra parte de mim mesmo.
Tudo o que eu tou querendo dizer, no fim, quer dizer um monte de outras coisas que vão brotando aqui desse post de Blog Azul. E também porque eu tou numa idade em que já estraguei muita coisa de que na juventude ficava me gabando, mas que agora é a vez de prudência e construção de força, que também são coisas ótimas!

segunda-feira, junho 18, 2018

Cavalos - luís capucho

Subindo a montanha de remédios já engordei quatro quilos. Eu fiz algumas apresentações, durante os tratamentos passados e, apareço no celular do Pedro, bem gordo. Fui ver o vídeo em que apareço no meu primeiro tratamento de uveíte, que foi em 2015. Minha Camisa de Fazer Shows está bem no início. Está apenas com o breve de Mamãe, a patente do Prince, que Ruth me deu, e uma conta de lágrimas costurada no ombro direito.
Ganhei de Dona Lidia, duas formas de gelo, com apetrechozinhos de fazer bijuterias. Para o próximo show, na
quinta, farei uma sessão delas, em torno ao breve de mamãe. Vai ficar bonito.
Na quinta-feira, eu e o Lucas Parente, no baixo, apresentaremos algumas de minhas músicas no Escritório, às 22h.
E o Bruno Cosentino irá cantar alguma comigo.
Será também a apresentação do Paulinho Tó, vocês sabem.
E, no dia seguinte, eles apresentarão seus discos no Audio Rebel.
Vejam nos comentários, o formigão:


domingo, junho 17, 2018


Ontem, estive para tocar as músicas na ocupação convocada para a Cinelândia, mas o dia fechado, escuro de chuva, e a ausência de uma estrutura minha, de apoio pro som – e é por isso que tenho apresentado as músicas sem amplificação, nas salas dos amigos – fez com que não acontecesse isso. Eu até queria tocar assim mesmo, sem amplificar e tudo, porque a Cinelândia tem um vento, tem uma luz, tem um lance que reverbera pela praça que é o mesmo de uma praia, quer dizer, acho que é a minha praia e, aí, eu até disse pro Felipe Abou, que poderíamos nos proteger na marquise diante do cadáver do Orly e mostrar as músicas, com meu violão e voz amplificado numa caixa dessas sem fio que Pedro tem, e a sua bateria-mirim.
Depois, pensando comigo, achei que entrar outra vez nessa egrégora, fonte no cadáver, não fosse bom, sei lá, já é outra coisa onde estou, mas, ainda abri a janela e olhei pro céu da Cinelândia, aqui do apezinho. Poderíamos ocupar a marquize da igreja evangélica, na praça, embora ainda essa não seja a egrégora onde estou.
Ao menos, estarímos dentro da praça e protegidos da chuva.
Só que tava ficando cada vez mais carregado, e não fomos.
Hoje, o dia melhor, talvez, consigamos.
Independente, assim, venham!


sexta-feira, junho 15, 2018

O Rodrigo Menezes foi quem fazia as fotos dos atores na Cabeça de Porco, a peça do Prática de Montação. Quando suas fotos começaram a aparecer pra mim aqui, na internet, descoladas da Cabeça, sem membros e sem rabos que houvesse, só o tronco delas, belo e potente, cheios do viço dos rapazes e moças em posição de fúria, seja a tristeza que fosse, eu pensei, caramba, a peça dos meninos ainda tem esse halo, que coisa, que maravilha, que o lodo reverbere assim.
E no último De Casa em Casa, com leituras do Diário da Piscina, na Casa Sapucaia, ele tirou essa foto da Camisa de Fazer Show. Eu pedi e ele me deu. É desse jeito que eu vou me blindando, na cidade em guerra. Na Casa Sapucaia, quando entrava pelo portão, tinha um pedacinho cintilante de plástico azul, no meio das pedras do chão. Vou achar um lugar pra ele, nela, para mostrar músicas na Cinelândia, sábado.

quinta-feira, junho 14, 2018

Faz um tempo, acho que em 2016, quando eu apresentava as minhas músicas no Bar Semente, numa noite, em que me apresentei sozinho, voz e violão, porque era uma época de ocupações coletivas, em que o pessoal se juntava em torno de alguma causa pública e ocupava um lugar, fiz uma apresentação lá que eu chamei de Ocupa Capucho. Era um lance singelo, no Semente, vazio para os meus shows. E a impressão que eu tive da ocupação que fiz de mim mesmo, nem conta muito, porque o som de lá era muito bom e mesmo que eu pudesse pensar que não estivesse cheio, pleno de mim, assim, mandando super bem e, que eu não fosse um tipo fullgás, apenas pelo fato de eu estar no meu violão, isso era o que bastava, porque no que eu pensava, era na ocupação dessa posição, assim, um processo de ocupação amplificado pela técnica, fora de minha sala, se liga.
E eu tou ligado nesses levantes que precisam haver para a tentativa, com técnica ou sem técnica, de organizar a vida de um outro jeito, em que a gente possa confiar mais em nós mesmos, nas outras pessoas, e ter uma cidade menos maluca do que o jeito como ela ficou. E sábado, agora, eu Felipe Aboue Lucas Parente, vamos participar do Ocupa Cinelândia, que é um lugar caro pra mim. E vou aproveitar pra dar o meu viva à irresistência do Cinema Orly, que cadáver, ainda respira no seu subsolo.
Vejam a programação! Vamos todos! É amor!
No dia 21 de junho, o Paulinho Tó fará o Escuta: um programa de entrevista com audição de seu disco, e isso vai acontecer no Núcleo Canção da UFRJ. Depois, mas no mesmo dia, às 22 horas, vou estar com Bruno Cosentino e Lucas Parente no Escritório, onde nos juntaremos ao Paulinho para, cada um de nós, apresentar algumas de nossas músicas.
Tenho tido o privilégio de fazer as transcrições de boa parte dos Escutas, inclusive, o meu próprio, que fui quem estreou a ideia, com audição do meu Poema Maldito. E pra quem quiser ouvir , ta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_mf1plY6_zg
Aprendo demais fazendo as transcrições. Vou me situando, me colocando no meu lugar. Quer dizer, eu curto demais transcrever os áudios.

quarta-feira, junho 13, 2018


Quando nascem, minhas melodias são improvisos, que eu aprisiono nos acordes fixos do violão. Depois de um tempo, deixam de ser os bebês de moleiras frágeis e ficam fortalecidas na forma que eu dei. Isso vai se relacionando com muita coisa, porque a melodia fixa, de moleira dura de bebê, ao ser executada, vai se insinuando nas brexas do tempo, do dia, da minha pessoa, e fixa assim, parada, vai fazendo parte de um outro improviso que não é mais o seu.
Daí que mesmo parada e presa, ela se renova a cada execução. E, como eu disse, isso se relaciona a muitas coisas. Uma coisa relacionada a isso, que eu me lembre agora, é a máscara que vai se criando no rosto da gente, uma crosta na nossa cara e que vai nos dando a forma de uma mulher ou de um homem ou de uma bicha ou de sapatão. Também a crosta que se forma na cara das professoras e professores. E que os egípcios colocaram em suas tumbas, muito parecidas com a Lygia Fagundes Telles, muito principalmente, se ela fumasse um cigarrinho de palha.
Fora isso, aprendi a fazer biomassa de banana verde, pra renovar meus intestinos, que os antibióticos estão ferrando.

terça-feira, junho 12, 2018

AUDIOLIVRO - O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS

Tem esse audio do Livro Tibetano
dos Mortos, no youtube.
Tenho me sentido uma serpente
produtora de sonhos, eu sou um nascedouro deles, junto com os meus respiros e
de onde nascem não consigo situar ao certo, se vêm de meu baço, se do fígado,
rim.
O fato é que sinto, enquanto se
contorcem ao nascer, irem criando nós de tensão na serpente de minha coluna e,
aí, quando me sento nas cadeiras, nessa cadeira de vinil negra em que me sento
diante do computer, por exemplo, não estou bem. Logo começa uma dor de não
conseguir ficar na posição, sem ela.
Então, coloquei esse áudio do
Livro Tibetano dos Mortos e fui seguindo, concentrado em cada sonho de cada
bardo, fui vendo que consegui me sentar sem a dor, por um bom tempo. Isso
aconteceu comigo, de relaxar a coluna e não produzir os sonhos, da vez em que
fui tomar Ayuasca com o Rafael Saar.
Porque o que eu preciso é soltar
a minha coluna, libertar os meus sonhos, não tê-los para sempre nascendo,
brotando, entre minhas vértebras, vindos, não sei, se do baço, fígado, rim.
Também, quando fiz o alongamento
da Kelly, foram movimentos tão serpenteados, umas serpentes entrando pelas
outras, elas se soltando para a frente até onde não podiam mais, enrolando-se
umas dentro das outras, que eu pensei que os circuitos de meu corpo,
envelhecendo e estragando, estavam com aquelas voltas e estiramentos todos, se
refazendo. E que isso iria ser bom pro meu olho esquerdo de Édipo. E que aquele
dito de mamãe “olho furado não tem cura” não iria valer pra mim.


E tem mais coisas, que a repetição
do audio vai dizendo. Também encontrei um texto legível dele, na internet.

domingo, junho 10, 2018

Dia 21 de junho, às 22h, estaremos apresentando essas músicas que temos apresentado nas salas dos amigos, no Escritório. O Bruno Cosentino vai participar cantando música minha e vai ter show do Paulinho Tó, um belo compositor de São Paulo.
Estaremos eu, Felipe Abou, na bateria e Lucas Parente, no baixo. Todos ensaiadíssimos!
Tem vezes que fico amendrotado e erro um pouco sem ninguém saber. E tem vezes que vou por cima acertando tudo.
Venham todos!



quinta-feira, junho 07, 2018


A médica disse que não pode garantir que eu não vá perder a vista esquerda. Mas que eu conte com ela. Então, isso é cheio de melancolia, porque é como se eu tivesse vivendo as últimas vezes de meu olhar que vai acabando devagar, pra ser o pesadelo de uma visão monocular. Tem também o que sempre acontece de o médico errar, ela mesmo disse que “não poderia garantir, porque ela não era deus.”
Eu sempre fico prestando atenção nos movimentos de meu entorno, se há sincronia de meu fluxo interno, do meu sangue, do ritmo de minha respiração, das coisas que sinto e que me acontecem, com os movimentos do dia, por exemplo, se a chuva que cai no meu vale, também não é parte desse meu sentimento e se ela também não traz alivio pra mim, como quando choro.
E aconteceu de outra vez os cachorros de meu quarteirão começarem a uivar muito dolorosamente. Eu não quero ficar prestando atenção nessas sincronias, nessas relações, porque desde adolescente, desenvolvo esses traços paranóides, deixando que as coisas entrem mais em mim e me confundam e me tomem o lugar, ao invés de eu fazer e pensar livre.
Fora isso, estou diante da montanha de remédios. Preciso atravessá-la, subir e descer. Terei terminado todo o subir e descer, dia 18 de julho.
Chegou a hora dos uivos.
Começou.

quarta-feira, junho 06, 2018

Eu gostei demais e me sinto mais completo com a primeira vez em que juntamos os livros com minha música, tresantontem, na Casa Sapucaia. Na verdade, esse movimento, na prática mesmo, começou, quando o Edil levou minhas cartas pra ler no De Casa em Casa no Marcio. Depois, repetiu suas leituras no De Casa em Casa do Eduardo Nahum e do Bruno Cosentino. Antes disso, sem que acontecesse ainda, nós já tínhamos começado a pensar, eu, Paulo, Diêgo, Rafael, Vitor, Pedro e também o João de BH,  nesse entreçace de minhas músicas com os livros. Fizemos uns primeiros encontros, no ano passado, com leituras do Diário da Piscina. Mas os acontecimentos todos que vieram se sucedendo para cada um de nós, na verdade, tudo mesmo, foi esparsando a ideia e pudemos voltar com ela, quando o Felipe Abou falou da Casa Sapucaia, onde havia uma piscina, e, aí, o sentido se fez outra vez. Mas, aí, choveu pra caramba naquela noite, e fizemos na sala, como têm sido mesmo os De Casa Em Casa.
E agradeço demais a esses rapazes, amigos, cambada, pela alegria!
Fiz um print do video que Pedro fez no celular:

terça-feira, junho 05, 2018

Mais uma canção do sábado - luís capucho

Eu adoro a Mais Uma Canção do Sábado, música do CD Poema
Maldito e que fiz sobre o poema do Alexandre Magno, que por sua vez, construiu
seu poema a partir d’A Música do Sábado(Kali C/luís capucho), que está no CD
Cinema Íris.
Aqui, estamos tocando, eu e Felipe Abou, na sua bateria de
rapazinho, dentro do projeto De Casa em Casa, ante-ontem, na Casa Sapucaia, em
Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Pedro filmou.


A verdade é uma criança brincando:
Na madrugada, fiquei tentando me lembrar da palavra que ficamos buscando, eu e Pedro, enquanto esperávamos o meu atendimento para o exame fundo de olho, que tive de fazer, ontem. Passei um grande tempo, que na madrugada, nunca se sabe quanto, apenas grande, e no fim, antes que o dia clareasse, lembrei: ladainha.
E fiquei pensando, no ES, o quanto a minha infância tinha sido religiosa, o Espírito Santo rural, na minha infância, é religioso demais, e conheço o sentido religioso de ladainha desde pequeno. Pedro, que é da cidade de São Paulo, conheceu primeiro o sentido da ladainha que faço aqui no Blog Azul, todos os dias.
Ficamos buscando ladainha, porque preciso sagrar “As Vizinhas de Trás – Santa Moema”, que voltarei a pintar, depois de um tempo parado. E tinha parado, porque estava achando sem graça, feia, e santa precisa ter graça. Minha ideia, depois de pronta, é sagrá-la, ou consagrá-la, com os meninos e meninas da Cabeça de Porco, que a inventaram. Pensei que, se os meninas-os aceitarem, a sagração dela, poderia ser a intervenção de cada um deles, nela.
Embaixo, a Moema, de Victor Meirelles:

segunda-feira, junho 04, 2018


Novamente, olhando para a montanha de remédios.
Olhando da montanha de remédios, consegui organizar tudo para que, às 21 horas, seja o último horário deles, hoje.
A médica me explicou, olhando sério e firme pra dentro de mim. E ficando do lado de fora, me disse que é nóis, que tamo junto! Eu sei como é isso, eu sempre entendi sobre isso, que no final das contas, sou eu olhando para a montanha, olhando da montanha.
Às 21 horas, terei uma trégua. Amanhã, recomeço a subida: o estômago, os rins, o fígado, os intestinos. Os exercícios físicos para amenizar o bombardeio. Melhor conquistar força, do que ser forte apenas. O estômago, o fígado, os rins, o fígado, como vacas assassinadas para que eu jante. Tenho essa montanha: um bando de gente, eu, rapazes e moças, produzindo, cheios de fissura, textos que não se completam.