Eu fiquei muito Feliz com As Vizinhas de Trás – max, que fiz
para a Fernanda. E que hoje pela manhã autentiquei a assinatura pra lhe enviar
a tela, em Vila Velha. Mas quando Pedro foi embrulhar pra eu colocar no
correio, manchou sua mão de vermelho. Aí, voltei com ela pra minha parede, para
que se seque melhor:
segunda-feira, setembro 10, 2018
domingo, setembro 09, 2018
Há um tempo, começaria escrever
aqui, no Blog Azul, está um dia de domingo belíssimo em Niterói, com os
passarinhos engaiolados do Vizinhos do Térreo gritando. Depois, diria que algum
Vizinho de Baixo entrou no prédio batendo com força a porta de metal da entrada,
subiu os primeiros degraus do prediozinho, silenciosamente, e desapareceu sem
que eu conseguisse notar se sumiu para dentro do 201 ou se para dentro de 202.
Da forma como escreveria há um
tempo atrás, escrevo agora, porque os dias belíssimos de domingo ão de se
repetir muitíssimas vezes pela existência dos dias, vida afora. E não há motivo
que me faça escolher dizer as coisas do domingo de outra forma que não essa.
É isso.
sexta-feira, setembro 07, 2018
Comecei a reparar que eu perdia
uma ideia já faz tempo, isso não é novidade, agora. Tem algumas que ainda nem
terminaram de se formar e já se desintegraram. E, aí, quando você vai pegá-las,
elas já não estão mais lá, não existe mais corpo nenhum onde elas estavam.
Quando eu era criança, a sensação era a mesma da que eu tinha, quando levava um
tombo.
Então, preciso fazer as coisas na
hora em que elas me vêm no devaneio. Se não embarco, quando chegam, esqueço.
Ainda há pouco me veio na mente introduzir uma música – me veio a música na
cabeça – com aquilo que faço na música Velha, que é um bordado de bordão que o
Gilberto Gil faz na música “Não chore mais”. Na música Velha, esse bordão da
“Não chore mais” cria um efeito diferente pra ele próprio, encaixado no contexto
melódico da Velha. E como introdução dessa música que pensei ainda há pouco,
ganhava mais diferença ainda. Mas não experimentei fazer no violão, quando essa
ideia veio, e me esqueci qual era a música onde queria fazer isso.
Eu sei que outras idéias virão,
com e para outras músicas, intuo que isso, esses embriões, virão noutras vezes,
porque o pensamento da gente ta sempre indo pra algum lugar, mas, pow, não
precisava perdê-los assim, tinha de lembrar, esse, especialmente, chegou há
pocas horas atrás, não tinha de ter esquecido.
quinta-feira, setembro 06, 2018
Fazendo faxina:
Tenho aqui, guardando há mais de
trinta anos, quatro plaquinhas de vidro, que eram prateleiras de um armário que
havia no banheiro da Cabeça de Porco em que morei nos anos 80. Isso é uma coisa
muito louca, eu guardo as placas, eu estou lhes dizendo. Só agora é que comecei
a me dar conta disso e faz, mais ou menos, um mês, tenho olhado pra elas
pensando que vou jogar fora.
Demoro
demais pra fazer a limpeza, porque minha atenção vai pra outra coisa, não
consigo manter o foco, por exemplo, quando limpava aqui, onde fica o computer,
me lembrei de um, tipo, cartão que o David, através do Sesc Gloria, em Vitória,
fez do lançamento do Diário da Piscina que fizemos lá. Ele fez o cartão com uma
foto que eu adoro, que é uma foto que eu quis fazer por causa da La Nave Vá
(luís capucho/Manoel Gomes), que é a primeira música do Poema Maldito. Então,
eu pedi ao Pedro que me fotografasse dentro de um barco, como se o barco fosse
o barco do Caronte. E, aí, coloquei a minha Camisa de Fazer Shows, pintei o meu
olho, na praia da Eva e Adão, e ele tirou muitas fotos, que eu adoro.
E o tal, tipo, um cartão foi
feito com uma dessas fotos. Quando tava aqui limpando, me lembrei que o tinha
colocado dentro de um livro. E a limpeza se transformou por mais de uma hora na
busca pelo livro. Qual livro eu não sabia. Apenas teria de achá-lo. Sim, eu
encontrei e parece que foi sem querer. O livro não estava aqui, estava na sala.
segunda-feira, setembro 03, 2018
Esse incêndio, ontem, no Museu
Nacional foi de enlouquecer uma pessoa, uma pessoa louca que ateou fogo na
própria casa, no próprio quarto, na cama, colchão, roupa, no corpo. Alguém
disse no jornal que o Brasil se suicidou. Acho que, antes, enlouqueceu. Eu tava
vendo no youtube outro dia um documentário sobre uma casa de louco em Minas e
que na época do império era casa de repouso de gente rica, mas com o tempo foi
virando depósito de gente louca pobre. E que era tratada meio como lixo. O
Brasil louco sempre tratou pobre como lixo. E agora tão tratando suas próprias
coisas como tal. Deixou queimar a casa do Brasil Colonial. Do Brasil
Loconial. Não é pra entender mesmo. Loucura!
domingo, setembro 02, 2018
Pra mim, um livro ou uma música
ficou pronto, quando todas as minhas questões com ele-a estão resolvidas. Aí,
eu me sinto feliz dizendo, pronto, acabou. E a impressão é de que cheguei mesmo
ao fim, quer dizer, que a partir dali, não farei mais nenhuma outra música ou
livro. Eu já disse dessa minha impressão de que a última música que fiz e o
último livro que fiz, são definitivamente a última música e o último livro que
fiz. Depois, isso é desmentido, porque, no decorrer outras questões vão
surgindo e termino por fazer outra última música e termino por fazer outro
último livro.
Mas As Vizinhas de Trás, não.
Elas estão para a eternidade prontas, mas nunca que eu termino de fazê-las! Minh’As
Vizinhas de Trás, então, não estão prontas. Por isso, sempre que acabo de fazer
uma delas, não tenho a impressão da última. Sinto que ainda vou fazê-las e
fazê-las. E ter esse nome genérico para todas, me ajuda na compreesão disso.
Porque As Vizinhas de Trás contém todas as telas que ainda não fiz, quer dizer,
todas As Vizinhas de Trás que ainda não fiz, estão prontas no seu nome.
Mamãe me adora, contém apenas
Mamãe me adora, respectivamente a música e o livro. Cinema Íris, apenas Cinema
Íris, Cinema Orly, apenas Cinema Orly. Cada livro e cada música, apenas cada um
deles mesmo. Eu mesmo, apenas luís capucho, pronto, acabado, não sou mais que
isso.
As Vizinhas de Trás, não, não
terminam!
sábado, setembro 01, 2018
Fiquei bem satisfeito com ess’As
Vizinhas de Trás – max”, porque elas lembram muito as primeiras que fiz, de
anos atrás. E eu tava achando que eu tinha perdido o jeito, mas não, o seu
jeito continua o mesmo que havia nelas, no início. Porque eu consigo mais
volume, agora, eu tenho mais intenção no movimento que faço com o pincel,
agora, eu consigo afinar uma cor, se quero, agora, mas, no fim, o mistério de
aparecer a expressão na boca e nos olhos, ainda está do mesmo jeito como
aparecia antes. Eu sei, que ainda, na maioria das vezes, esse jeito aparece
bravo, parece duro, e a verdade é que todas poderiam se chamar Lindonéia ou
Gioconda.
Mas, tranquilo, se chamam As
Vizinhas de Trás!
sexta-feira, agosto 31, 2018
Fazendo As Vizinhas de Trás – max.
A ideia é pintar sempre elas, sempre as mesmas, como o sol que vem todos os
dias. Minh’As Vizinhas de Trás são o sol.
À medida que as vou repetindo e que elas vão aparecendo pra mim e que
vou gostando ou não gostando do que elas mostram nas bocas, nos olhares, no
nariz, pescoço e cabelos, vou vendo que são simples.
Essas são para a Fernanda. Outro
dia, no devaneio, estava achando que As Vizinhas de Trás existem mais do que os
livros que escrevi e mais do que as músicas que já fiz. Eu estava achando que elas
estão sempre a postos, sempre em sua posição executada, assim, sem ser preciso
niguém pra que se formassem. Porque estava achando que estão sempre em suas
presenças de fantasma na parede, silenciosas nas salas. Estava achando que os livros
e músicas, não, que ficavam mais recônditos. Que só apareceriam pra gente, se a
gente lhes soprasse.
Mas acho que, não.
quarta-feira, agosto 29, 2018
Tem uma coisa acontecendo com meu
corpo, que fica mais velho. Ontem mesmo, voltei do médico com a notícia de que
estou com 50% da capacidade de meus rins. E que um deles está atrofiado. Há
pouco, fiz um tratamento pra minha toxoplasmose ocular, que me deixou baqueado.
Na verdade, ainda estou no baque do tratamento profilático. Certamente, que há
muita coisa acontecendo no meu corpo e que não sei, não consigo intuir, ao
menos. Por isso é que vou ao médico, fazer o monitoramento dos efeitos dos
remédios que têm me dado sobrevida, desde há mais de vinte anos.
E a relação com os médicos é
complicada, porque temos de deixar pra eles, saber e decidir sobre o que temos
de fazer pra continuar bem. Só, que são pessoas estranhas à gente. Então,
precisamos confiar em estranhos. Isso não é problema, porque sou um cara dócil.
O foda é que estão dentro de uma estrutura de tratamento de saúde, que é uma
estrutura fria e maquinal, então, preciso escorregar dentro dela untado de
azeite.
Há maneiras de fazer isso:
Deixar rolar no “Seja o que Deus
quiser”.
Tomar iniciativas que nos deixe
correr mais macios dentro da máquina. Pensando agora, uma coisa não nos afasta
de outra, porque no fim será sempre o que tiver de ser. Assim, não vou parar de
morrer.
segunda-feira, agosto 27, 2018
Ave Nada
Não me lembro como surgiu a idéia
do Ave Nada (Diário da Piscina), sei que desde o início desse ano, vem se
formando ou vem se formando desde sempre e que muitas coisas vieram se
desfazendo para que ele se fizesse na sala da Claudia e ele, Ave Nada que é, também
se desfez como nuvem, por exemplo, agora, não está em lugar nenhum. Eu mesmo,
nesse momento que escrevo no Blog Azul, sou aquele que junto aos meninos
apresentou o Ave Nada, e como aquele não estou em lugar nenhum.
Porque já sou aquele outro que
começou, hoje, uma nov’As Vizinhas de Trás que diferente do Ave Nada, que aos
poucos foi se formando pra chegar a sua posição na sala e depois dali, a sua
posição não foi mais, se desfez. E, então, As Vizinhas de Trás não são assim,
porque elas, depois de prontas, estarão, sem se desfazer, sempre em sua pósição
de As Vizinhas de Trás, uma ao lado da outra, na sala, coloridas e em forma.
domingo, agosto 26, 2018
É muito lindo para um escritor,
um artista, ver o seu trabalho ganhar outra voz, como se outra pessoa cantasse
com ele a mesma música, como quando fico feliz nos De Casa em Casa, com os
meninos tocando comigo.
Esse ano, depois do Rodrigo na
UFES, do Sandro na UFF, agora é o Rayesley na UFAM, que me comovem no pensamento
e no coração.
Vejam:
Eu descobri essa foto no
Instagran da Mari Romano e salvei aqui, porque ficou bonita. E quis
compartilhar.
Tem duas estórias pra ela:
Uma, que é esse momento em que a
Mari fotografou, no Bar Semente, no show Três Vocês, comigo, Vovô Bebê e Bruno
Cosentino.
A outra, quando fui tocar em
Franca e pensei uma meia que me tornasse leve, que me deixasse suspenso, mas
que numa volta pela cidade, nem eu, nem Jack, conseguimos encontrar. Aí, a
Elaine pegou um saco de meias, cortei uma delas, que era um amarelo que eu
pensava fluorescente e que não era, mas que funcionou.
Aí, quando cheguei em casa, no
Atelier de Indumentária, a Nega mudou ela de cores:
sábado, agosto 25, 2018
A música do sábado, no Escritório.
Por conta dos De Casa em Casa,
nesse 2018, fizemos muitas apresentações de minhas músicas e, com isso, minha “Camisa
de fazer Shows” foi contando mais estórias, vocês sabem, a cada show, ela ganha
um acabamento novo e que vai formando o seu escudo, vai deixando ela mais forte e mais bonita.
nesse 2018, fizemos muitas apresentações de minhas músicas e, com isso, minha “Camisa
de fazer Shows” foi contando mais estórias, vocês sabem, a cada show, ela ganha
um acabamento novo e que vai formando o seu escudo, vai deixando ela mais forte e mais bonita.
E tomo sempre muito cuidado pra
não errar a mão, quando vou deixando ela mais completa, quer dizer, ela precisa
ir ficando mais pesada de coisas, mas não pode ficar pesada de se olhar,
precisa continuar leve e não puxar minhas apresentações pra baixo.
não errar a mão, quando vou deixando ela mais completa, quer dizer, ela precisa
ir ficando mais pesada de coisas, mas não pode ficar pesada de se olhar,
precisa continuar leve e não puxar minhas apresentações pra baixo.
A última apresentação que
fizemos, fizemos com leituras do Diário da Piscina pelo Paulo Barbeto. Foi uma
coisa bonita. E essa foi a segunda vez que fizemos na sala da Claudia. Da
primeira vez, fomos apenas eu e Vitor Wutzki. E rolou uma coisa muito
impressionante, porque no meio do show, entre uma música e outra, todo mundo se
levantou pra comer, pra trocar de lugar, pra trocar uma palavra, rolou esse
frenesi instantâneo, espontâneo, dentro do show e tudo. E sem controle, voltaram
a nos assistir, como se nada tivesse acontecido.
fizemos, fizemos com leituras do Diário da Piscina pelo Paulo Barbeto. Foi uma
coisa bonita. E essa foi a segunda vez que fizemos na sala da Claudia. Da
primeira vez, fomos apenas eu e Vitor Wutzki. E rolou uma coisa muito
impressionante, porque no meio do show, entre uma música e outra, todo mundo se
levantou pra comer, pra trocar de lugar, pra trocar uma palavra, rolou esse
frenesi instantâneo, espontâneo, dentro do show e tudo. E sem controle, voltaram
a nos assistir, como se nada tivesse acontecido.
Dessa vez, tocamos eu, Lucas e
Felipe. Foi o Ave Nada (Diário da Piscina). E não aconteceu esse rodopio
estranho da plateia, que se manteve atenta, como se a apresentação de todas as
músicas e as leituras do Paulo fossem uma coisa só. Não partiram o show, não
quebraram ele com um rodamoinho no meio, entende.
Felipe. Foi o Ave Nada (Diário da Piscina). E não aconteceu esse rodopio
estranho da plateia, que se manteve atenta, como se a apresentação de todas as
músicas e as leituras do Paulo fossem uma coisa só. Não partiram o show, não
quebraram ele com um rodamoinho no meio, entende.
Na primeira vez, Claudia queria
me dar algo para minha camisa de shows, mas não deu. Agora, então, nessa
segunda vez, ela me deu duas coisas, para os próximos shows.
me dar algo para minha camisa de shows, mas não deu. Agora, então, nessa
segunda vez, ela me deu duas coisas, para os próximos shows.
Tem uma coisa que acontece, que
eu acho que é porque, conforme a plateia nos afete, uma música pode sair melhor
ou pior do que o modo como ela ficou nos ensaios. E eu adoro o jeito como saiu
A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho), no Escritório. Ficou muito
imperfeita, o video do Pedro ficou sem sinc, mas eu gostei mesmo assim. Ainda
não conseguimos repetir.
eu acho que é porque, conforme a plateia nos afete, uma música pode sair melhor
ou pior do que o modo como ela ficou nos ensaios. E eu adoro o jeito como saiu
A Música do Sábado (Kali C Conchinha/luís capucho), no Escritório. Ficou muito
imperfeita, o video do Pedro ficou sem sinc, mas eu gostei mesmo assim. Ainda
não conseguimos repetir.
Vejam:
quinta-feira, agosto 23, 2018
Hoje é um dia muito especial pra mim, é como um dia de aniversário. Foi em 23 de agosto que entrei em coma e que isso conduziu minha vida de lá, pra onde ela seguia, pra cá. Então, é muito importante, porque a impressão é que tudo se deciciu nisso, no fato de eu não ter ficado pra sempre lá, parado nele. E, ao mesmo tempo, não ter seguido na vida que deixei antes. Fui jogado noutra direção. E, repito, isso é muito importante pra mim.
Hoje, um dia tão importante, fui fazer um exame de meu aparelho urinário e de meu aparelho pélvico – era isso que estava escrito no encaminhamento médico. Então, o doutor me deitou numa maca, desabotoou minhas calças, abaixou meu fecho-ecláir, levantou minha camisa e meio que, com um bastão cheio de gel, ficou correndo com ele por minha barriga e flancos e olhando pra tela de um computador. Me virou pra um lado, voltou-me para o lugar, apalpou o bastão com o gel deslizante, apalpou, apalpou e me disse, pronto, terminou!
E isso, nesse dia importantíssimo!
Ele saiu da sala e eu fiquei no dia importantíssimo me limpando do gel, me ajeitando a roupa, amarrando nos meus pés o tênis. Talvez, lá fora, estivesse rolando um tiroteio – eu estava na Fiocruz. De volta pra casa, eu poderia ser atingido. Atingido aqui perto de casa, em Niterói.
Ninguém mesmo, ninguém, poderia supor esse meu aniversário, agora, no sígno de Virgem.
Hoje, um dia tão importante, fui fazer um exame de meu aparelho urinário e de meu aparelho pélvico – era isso que estava escrito no encaminhamento médico. Então, o doutor me deitou numa maca, desabotoou minhas calças, abaixou meu fecho-ecláir, levantou minha camisa e meio que, com um bastão cheio de gel, ficou correndo com ele por minha barriga e flancos e olhando pra tela de um computador. Me virou pra um lado, voltou-me para o lugar, apalpou o bastão com o gel deslizante, apalpou, apalpou e me disse, pronto, terminou!
E isso, nesse dia importantíssimo!
Ele saiu da sala e eu fiquei no dia importantíssimo me limpando do gel, me ajeitando a roupa, amarrando nos meus pés o tênis. Talvez, lá fora, estivesse rolando um tiroteio – eu estava na Fiocruz. De volta pra casa, eu poderia ser atingido. Atingido aqui perto de casa, em Niterói.
Ninguém mesmo, ninguém, poderia supor esse meu aniversário, agora, no sígno de Virgem.
terça-feira, agosto 21, 2018
Uma coisa incrível que eu reparo
nos vídeos que Pedro faz no celular, é que aparecem uns sons que não estávamos
fazendo. Isso aconteceu pela primeira vez quando tocamos eu, Vitor e Tulio, no
loki bicho. E tou pensando agora que isso acontecia com as fitas cassetes que
eu gravava antigamente também. Então, eu tava gravando e acontecia de uma
criança chorar, por exemplo, por perto, ou um móvel por perto rugir e, aí, esse
som entrava direitinho como parte da música, num tom que tinha a ver com os
meus acordes do violão e tudo.
No caso das gravações do Pedro,
no seu celular, além de entrarem uns sons que não fazemos, mas que se casam
muito bem com ele, às vezes, como nos shows não tenho tocado sozinho, o que
acontece é que os sons que fazemos nos intrumentos, eles criam ou sugerem um
outro som que ouvimos de verdade ou que ouvimos apenas como sugestão. E a
música fica muito mais linda, com sons transcendentes, que parecem estar no
espírito do coração e não estarem fora dele, no ar que a gente respira.
Mas, aí, as gravações captam o
que, ao vivo, tinha ficado apagado.
domingo, agosto 19, 2018
a masculinidade - Ave Nada
Fiquei emocionado, o Edil ficou,
mas só fiquei agora, porque, ontem, enquanto acontecia, não pude ver, porque eu
estava de dentro e não contemplava, são tempos diferentes, vocês sabem.
mas só fiquei agora, porque, ontem, enquanto acontecia, não pude ver, porque eu
estava de dentro e não contemplava, são tempos diferentes, vocês sabem.
E, aí, vocês podem sentir minha
alegria e gratidão por ver um lance que era eu sozinho aqui comigo mesmo, ser,
agora, ontem, na sala da Claudia um corpo coletivo a que demos o nome de Ave
Nada (Diário da Piscina), e que me deixou emocionado agora, mas que foi, ontem.
alegria e gratidão por ver um lance que era eu sozinho aqui comigo mesmo, ser,
agora, ontem, na sala da Claudia um corpo coletivo a que demos o nome de Ave
Nada (Diário da Piscina), e que me deixou emocionado agora, mas que foi, ontem.
E foi o registro do dia 14 de
fevereiro de 2001, do Diário da Piscina do ponto de vista do Paulo Barbeto e
que, também, por sua vez, Pedro, do ponto de vista seu e de seu celular
deixa-nos ver outra vez, de outro modo, no vídeo que subi agora no youtube, com
mais o Diêgo, o Lucas e o Felipe Abou.
fevereiro de 2001, do Diário da Piscina do ponto de vista do Paulo Barbeto e
que, também, por sua vez, Pedro, do ponto de vista seu e de seu celular
deixa-nos ver outra vez, de outro modo, no vídeo que subi agora no youtube, com
mais o Diêgo, o Lucas e o Felipe Abou.
sexta-feira, agosto 17, 2018
Amanhã, a gente vai apresentar o
Ave Nada (Diário da Piscina), em Laranjeiras. Não sei bem como apresentar em
palavras de divulgação o que nós com o Prática de Montação estamos construindo
a cada ensaio ou a cada vez que tocamos à vera, porque no fim, é um trabalho de
conjunto da gente.
Mas de meu ponto de vista, do
ponto de vista de quem, lá atrás, inventou as coisas que juntos estamos reorganizando
em música e teatro para a sala da Claudia, do ponto de vista daqueles que não
sabem o que fazem e, daí, apesar da ordem, é meio o imprevisto, é meio um salto
no escuro, nós – eu, Paulo, Felipe, Lucas, Claudia, Pedro, Diêgo - convidamos
todos vocês pra virem saltar, nadar, voar conosco. Venham também os que se
decidirem por morrer, como Verônica.
Chegaremos mais cedo pra preparar
o ambiente da sala.
Todos!
quinta-feira, agosto 16, 2018
Tem umas formigas que moram
dentro de meu teclado. Elas são mínimas, muito pequenas mesmo, e com meu olho
de toxoplasmose eu vejo que elas têm uma penugem, são formiguinhas mínimas e
cabeludas, como caranguejeiras.
O meu teclado está comigo há
pouco e elas já moram nele. Também tinham ninho no meu antigo teclado, porque
Pedro abriu pra consertar e elas estavam lá.
Sei porque elas moram no meu
teclado. É que sempre tem uma xícara de café aqui em frente a ele. Isso é
perfeito pra elas. Ficam próximas à comida. Quando deixo uma xícara de café
vazia aqui, mas borrada com uma lâmina só de líquido no fundo, depois, elas
dominam a xícara, pra comer e beber o pouco de doce que fica na louça, no
restinho do café.
Aqui, no vale onde moro, também
os cupins se encavernam nas coisas da casa. Esses bichos miúdos, que vivem em
colônia, a gente não pode saber ao certo, mas devem estar muito atentos à
gente, tipo, nos vigiar os passos, os costumes, o jeito na vida, pra que saibam
exatamente em qual lugar da casa vão se concentrar pra criar suas cidades
cavernosas.
Também, vêm abelhas atraídas pelo
restinho de café nas minhas xícaras. E elas são meio bobas, porque eu já sei
que terei de salvá-las, já sei que vão se lambuzar de café e lambuzadas não
conseguirão sair do fundo da lama de café que fica na xícara. Eu pego uma
caneta e as tiro, pra que elas se sequem na mesa e tomem rumo.
Também sou bobo. Pra mim, as
abelhas que vêm aqui, são fadas!
quarta-feira, agosto 15, 2018
Segunda-feira estive na Fiocruz
para duas consultas de rotina. Uma delas era infectologista, a outra,
endocrinologista. E voltei pra casa sem que as consultas tivessem qualquer
efeito no meu processo de tratamento. Segundo os médicos, não havia nada o que fazer
a partir de meus dados, que têm no sistema deles, lá. O endocrinologista me deu
alta, até. E me encaminhou pra o nutricionista.
Então, eu estava pensando no
ônibus, de volta pra casa, que é mentira isso que dizem, ser a nossa medicina
muito avançada. Porque se a medicina é tão avançada, por que minhas consultas
têm sido tão estéreis?
Que merda!
terça-feira, agosto 14, 2018
Eu gosto muito de ver os
videozinhos que Pedro faz de minhas apresentações. Dois amigos já se
surpreenderam ao saber desse meu gosto. É que eu tenho um lance com a ordem das
coisas. Por causa disso, eu não subo todos eles no youtube. E mesmo que eu
tenha um lance com a ordem das coisas, o meu canal ainda é muito o caos.
Hoje, estava vendo um desses
vídeos que ele, o Pedro, fez da primeira vez que fizemos o Ave Nada na Casa
Sapucaia, em Santa Teresa e fiquei emocionado. Não subi no youtube na época,
porque fiquei na dúvida e, agora, que iremos repetir, acho que ainda vamos
melhorar, acho que conseguiremos mais ordem, não sei.
É que eu aprendo sobre fazer as
apresentações, se as olho de fora, nos vídeos. E, embora não seja a ordem,
propriamente, o que tenha me causado emoção ao rever o que fizemos da primeira
vez, no Ave Nada, porque eu nem sabia de
sua existência naquela vez, foi ter descoberto que ela havia, o que me deixou
marejado os olhos e, depois, comecei a fungar, no nariz.
A cena é o Paulo Barbeto lendo o
dia 25 de julho de 2000, do Diário da Piscina, enquanto Felipe enrola um
cigarro de fumo de rolo e eu espanco o acorde de Ave Nada ( Vitor Wutzki/luís
capucho). Esse é um dos primeiros dias do Diário e é onde eu conto que
Marcelina tinha me explicado que nadar, com o tempo de prática, seria como se
eu tivesse caminhando e devaneando o pensamento em qualquer coisa. E, aí, digo
outra vez, que isso é como voar. Então, a ordem não está apenas em nadar,
andar, voar. Mas, sei lá, achei que todo o resto da cena se ordenou com isso,
no caos, no centro, na coisa, no Ave, no Nada.
E me emocionei. Sou muito grato.
domingo, agosto 12, 2018
Ontem, fizemos um ensaio do Ave
Nada (Diário da Piscina), que no sábado, apresentaremos na sala da Claudia. E,
assim, como os outros De Casa em Casa foram se formando à medida dos ensaios e
das apresentações, o Ave Nada também começa a subir seu toldo. E tem uma
diferença. Assim que fomos levantando a lona para as apresentações das
músicas, para os De Casa em Casa, nunca tinha conseguido formar na minha cabeça
uma ideia do que fazíamos. Eu sabia, conseguia ver, que estávamos mais
construídos, mais formados e que desfilaríamos as músicas nas salas dos amigos
daquela forma como tínhamos desenhado, mas eu não conseguia ter uma visão do
corpo disso.
E, ontem, no ensaio, porque eu
sou um pouco expectador e, talvez, porque, agora é teatro junto delas, das
músicas, a apresentação começou a se formar pra mim. O corpo do Ave Nada
começou se mostrar um pouco pra mim, vi ele começando a aparecer.
Eu sei que esse embrião ainda vai
proliferar mais as moléculas e seus órgãos estarão cada vez mais prontos pra
nascer. E que de certa forma, a sala da Claudia, ainda será útero.
Amanhã, é dia dos pais, ne.
É isso aí!
sábado, agosto 11, 2018
O Ave Nada (Diário da Piscina) é o resultado de meu encontro com Diêgo, Paulo, Felipe e Lucas e tudo o que adveio disso como apresentação de música e teatro. Esse é o meu ponto de vista. Mas o que vocês verão na sala da Claudia, no sábado, tem muito mais a ver com vocês, vocês sabem, porque darão sentido a tudo o que queremos mostrar.
Venham todos! Tragam seu come, seu bebe, seu fume e uma contribuição pro nosso chapéu. É livre!
Venham todos! Tragam seu come, seu bebe, seu fume e uma contribuição pro nosso chapéu. É livre!
sexta-feira, agosto 10, 2018
Cheguei a um outro final de minha
As Vizinhas de Trás - Santa Moema e, ainda assim, tem alguma coisa que não vai
bem. Porque As Vizinhas de Trás como surgiram, pintadas em telas 20x60cm ou
20x70cm, se olhadas uma única vez, a gente vê todas elas ladeadas, ao mesmo
tempo. E se somos chamados pra algum ponto, pra alguma das Vizinhas, o nosso
olhar vai olhar especialmente esse detalhe que quisemos, mas já viu tudo antes.
Acontece que essas telas que, até
agora, tenho escolhido para As Vizinhas de Trás – Santas, elas são bem maiores.
E essa da Santa Moema ainda é maior, porque quis fazer, como nas Vizinhas
menores em que aparecem entre quatro e cinco delas ladeadas umas com as outras,
quis fazer três Santas Moemas na mesma tela, ladeadas e grandes. Daí, que para o
tamanho da sala do apezinho, não é possível que se veja as três de uma só vez.
Além disso, como não se consegue ver toda ela ao mesmo tempo, cada parte, cada
uma, tem que estar muito de meu gosto, para que possa estar no meu agrado de olhar pra ela sem ver as outras duas.
E não tou gostando do modo como
apareceu na tela a Santa Moema do meio entre as outras, uma de cada lado dela.
Pensei resolver isso, modificando-lhe um dos olhos, talvez, isso me agrade. Mas
nunca desmanchei, antes algo que já tinha tido como pronto. E não sei se
consigo refazer, sem deixar marca desse olhar que não está bom. Não sei se tem
um macete pra isso.
quinta-feira, agosto 09, 2018
Pro meu prazer de ouvinte, sempre imagino as coisas que me contam, o melhor do que posso imaginar. Então, depois, é comum, que, por exemplo, se me contam sobre uma casa, quando eu conheço a casa de que me contaram, eu me frustre, por tê-la imaginado melhor. Isso já me aconteceu muitas, mas muitas vezes mesmo.
E isso que o Bruno inventou, eu não poderia ter imaginado mais, nem melhor: colocar no repertório de Ney Matogrosso, a minha Cinema Íris, que o Ney “abortou, junto com todas as outras músicas que ele iria colocar num disco de 2012, talvez.
- https://oglobo.globo.com/cultura/ney-matogrosso-teme-gravar-musica-com-palavra-masturbacao-os-brasileiros-estao-muito-caretas-2701115
E isso que o Bruno inventou, eu não poderia ter imaginado mais, nem melhor: colocar no repertório de Ney Matogrosso, a minha Cinema Íris, que o Ney “abortou, junto com todas as outras músicas que ele iria colocar num disco de 2012, talvez.
- https://oglobo.globo.com/cultura/ney-matogrosso-teme-gravar-musica-com-palavra-masturbacao-os-brasileiros-estao-muito-caretas-2701115
A gente vai fazer um De Casa em Casa repetido, no dia dezoite de agosto, em Laranjeiras. Dessa vez, com uma ideia que começamos a tentar já faz um tempo, em reuniões que tivemos na casa do Diêgo, quando ele ainda morava no Campo de Santana. Nós estávamos com a ideia de juntar o teatro às músicas, tendo como link o Diário da Piscina. Isso é uma coisa que temos vindo formando e que já fizemos uma vez na Casa Sapucaia. Mas que vai se formando pra sempre, em acordo com as mudanças que vão rolando em nós todos e fico feliz de a coisa estar se juntando, outra vez, pra explodir na sala da Claudia.
segunda-feira, agosto 06, 2018
Quando passo, olhando através da
janela do ônibus na Domingos Martins, vejo que há um cara que consegue se
manter no prumo em seu corpo por muitas horas, sentado numa cadeira, diante de
uma clínica, que tem ali. Mas eu, sentado dentro do ônibus ou na posição em que
estou agora, nessa cadeira preta diante do computer, não consigo me manter
aprumado. Tem uma coisa, uma força no meu corpo, uma tentativa de prumo, que me
deixa sempre o corpo fora do lugar.
Essa é uma questão pra mim e deve
ser uma questão que aconteça também no corpo das pessoas que estão presas, que
é a tentativa de achar um lugar de quietude, de paciência, de tranquilidade e
força. Imagino que eu nunca tenha tido essas qualidades no corpo e acho que
sempre imaginei o alcance disso, com o alcance da maturidade, que pra mim, ser
homem adulto, é o mesmo que ter masculinidade.
Essas coisas, essa ideia de que
eu vá me aprumar, quem sabe, seja apenas ilusão. E um indício disso é que com o
passar do tempo, todas as coisas vão se transformando, vão perdendo a forma que
havia nelas, mesmo que tenham chegado a um ponto que tenha nos parecido
definitivo. Eu tenho pensado bastante, meio sem querer, nesse lance da posição,
do lugar de um corpo. E conversando com um homem numa festa em que fui, estava
lhe dizendo sobre fazer coisas que fiquem, coisas duráveis, como a posição do
corpo do homem sentado que vejo da janela do ônibus, na Domingos Martins. E
curti muito um momento em que falei pra ele, que para que as coisas pudessem
ficar, elas não precisariam ter a dureza do corpo de um edifício, por exemplo.
Poderia durar e ser firme, como coisa etérea, assim, como as bandeiras
flamejantes retratando o corpo morto, assassinado do Cara de Cavalo. Bandeiras
que por ideia do amigo João Santos, inspiraram a foto de capa do CD Poema
Maldito. E nisso há muitas considerações. E curti muito ter falado isso pro
homem e pensei até em dizer-lhe outra vez a mesma coisa, na mesma hora. Mas ele
parecia estar alheio a esse ponto da conversa e, aí, continuei falando outra
coisa.
Esse texto continuaria, mas paro
aqui.
sábado, agosto 04, 2018
Cheguei a um primeiro fim de
minha As Vizinhas de Trás – Santa Moema, mas não fiquei satisfeito. Devo ainda
esperar para que as ideias venham. Além de não ter gostado de minha eficiência
para pintar, ainda falta a ela o que formá-la completamente. É uma Santa criada
pelos meninos da Cabeça de Porco, uma peça teatral construída por eles a partir
de minha obra lítero-musical.
Tinha pensado em consagrá-la com
uma novena que percorresse as casas dos integrantes da peça. Mas, depois,
pensei que isso já ficou pra trás. Agora, é apenas um movimento meu, que
reverbero um movimento que tiveram há tempos atrás. Eu sempre empaco para fazer
as Santas. Que demoram demais pra se formarem.
Ela tem uma oração feita por
eles:
Oração à Santa Mãe Moema
Mãe nossa que estás na terra
Ejaculado seja o vosso nome
Esteja em nós o vosso reino
Seja feita nossa vontade
Assim na cama como em pé
O leite nosso de cada dia nos dai
hoje
Ofendei aos que nos ofendem
E nos deixe cair na tentação
Agora e para sempre
Amei!
(pedir a graça com fé)
Quando ela estiver,
definitivamente, pronta. Mostrarei outra vez.
Vejam:
sexta-feira, agosto 03, 2018
Fiz uma música nova a que dei o
nome de Posição. É um fragmento de uma música que fiz muito antiga, quando
morava em Papucaia. E que a partir dele construí a música, agora, apenas sobre
um acorde, uma meia pestana, na segunda casa do braço do violão. Mais ou menos
como o que fiz com A Vida é Livre, que construí a música a partir do “...voa
livre ave.” O fragmento que eu tinha da Posição
era: “... sentado, abertas...”. Então,
coloquei isso sobre a meia pestana e construí o restante da letra, com uma melodia
falada, como são faladas as coisas solenes, religiosas.
Normalmente, eu não vejo nem
busco o-s sentido-s de como uma música se constrói. Mas nos devaneios que me
pegam aqui dentro do apezinho, essa meia-pestana sobre a qual coloquei a letra
é muito como a imagem que tinha tido uns dias antes e que tentei falar aqui no
Blog Azul, sem conseguir direito, mas uma idéia que situo no meu quarto de
dormir. Um lugar onde se colocar e de onde dar partida. Eu tentei falar disso
em minhas últimas postagens e acho que isso começou, quando o Diêgo voltou do
Peru e esteve aqui em casa pra me trazer aquela miniatura de brinquedo de
máscara de ritual Azteca.
Eu tava dizendo pra ele da minha
dificuldade em tomar uma posição. Em outras palavras, eu disse que recebia as notícias
de uma forma obtusa e, aí, não conseguia achar no espaço que ela abria pra mim,
um ponto de onde eu pudesse começar a me mover, dar minha partida. Daí, achei
que essa meia-pestana é meio a realização da imagem de que estou tentando falar
há um tempo aqui nas postagens curtas do Blog Azul e que nos devaneios aqui
dentro do apezinho, localiza-se no meu quarto de dormir.
Posição
Sentado, abertas
As duas arregaçadas para os lados
com os pêlos cheios de energia
Os bagos derramados
Cachos assanhados de alegria e os
cabelos em fúria
Sentado abertas
Os músculos curvos das pernas
entornados com viço
Peitos empinados, coração forte
Nada de medo, nada de fim
Muito tempo e muito espaço voando
Sentado abertas
A posição sustenta a forma
Exu parado com força, sustento o
céu, sustento a cidade, a rua.
Músculo inchado
Sentado, abertas
Uma esticada, a outra o joelho no
peito
Sentado, abertas.
quinta-feira, agosto 02, 2018
Inferno - luís capucho
Nos De Casa em Casa que fizemos no primeiro semestre desse
ano, arrumamos o cantinho da sala ou varanda ou quintal em que tocamos, o nosso palco, além de com o Tótem e a maletinha que fizemos para os livros e discos, também com uma Vizinha de Trás, que deixamos de presente para o amigo da sala.
Hoje, mexendo aqui na estante, descobri que tenho o Certificado de
Autenticidade da Vizinha que deixamos com o Alexandre, quando tocamos em sua varanda. É uma de minhas primeiras, do ano de 2014.
ano, arrumamos o cantinho da sala ou varanda ou quintal em que tocamos, o nosso palco, além de com o Tótem e a maletinha que fizemos para os livros e discos, também com uma Vizinha de Trás, que deixamos de presente para o amigo da sala.
Hoje, mexendo aqui na estante, descobri que tenho o Certificado de
Autenticidade da Vizinha que deixamos com o Alexandre, quando tocamos em sua varanda. É uma de minhas primeiras, do ano de 2014.
Nesse show, foi a primeira vez em que tocamos a Inferno(luís
capucho/Marcos Sacramento). E que adorei demais, depois, no vídeo que Pedro fez.
capucho/Marcos Sacramento). E que adorei demais, depois, no vídeo que Pedro fez.
Vejam:
terça-feira, julho 31, 2018
Luís Capucho - Poema Maldito (full album)
Eu faço música há muito mais tempo do que faço As Vizinhas de Trás. E fico sempre pensativo sobre o fato de meus assuntos não avistarem longe, eles não têm panorama, tratam sempre de coisas muito próximas, coisas em que posso me esbarrar, em que estou me esbarrando e, por isso, a impressão de que estou sempre puxando pra trás, puxando pra mim, puxando pra baixo, atravancando espaço, se liga, assim, um sumidouro, um rodamoinho que não vai sair do lugar, fazendo pressão ali, uma coisa bem diferente de se arejar e ler um jornal, não sei.
Minhas primeiras As Vizinhas de Trás são de 2012 a 2014, quando ganharam esse nome. Delas, ainda tenho seis, que ficaram aqui comigo, encalhadas. E nos De Casa em Casa que fizemos no
primeiro semestre deste ano, em cada uma das salas dos amigos em que nos apresentamos, de acordo com o que pensei de cada amigo, deixei-lhe As Vizinhas de Trás que tivemos como cenário da apresentação. E algumas eram dessa série mais antiga e que são bonitas, na sua pouca definição e pouco relevo.
primeiro semestre deste ano, em cada uma das salas dos amigos em que nos apresentamos, de acordo com o que pensei de cada amigo, deixei-lhe As Vizinhas de Trás que tivemos como cenário da apresentação. E algumas eram dessa série mais antiga e que são bonitas, na sua pouca definição e pouco relevo.
Ainda no mesmo assunto, desde o início desse texto, trouxe de volta pra mim, em 2014, músicas que tinham ficado na gaveta, músicas que minhas sequelas de incoordenação motora, me fizeram
achar, por muito tempo, que não fosse mais conseguir executá-las. No disco Poema Maldito, há quatro exemplo disso:
La Nave Vá (luís capucho/Manoel Gomes), O Camponês (luís Capucho/Marcos Sacramento), Velha (luís Capucho) e Cavalos (luís Capucho).
achar, por muito tempo, que não fosse mais conseguir executá-las. No disco Poema Maldito, há quatro exemplo disso:
La Nave Vá (luís capucho/Manoel Gomes), O Camponês (luís Capucho/Marcos Sacramento), Velha (luís Capucho) e Cavalos (luís Capucho).
Agora, tou pensando o mesmo com relação a essas seis Vizinhas, vou trazê-las de volta pra mim. Vou restaurá-las.
segunda-feira, julho 30, 2018
No dia 18 de agosto, apresentaremos as músicas na sala da
Claudia, pela segunda vez, mas, agora, iremos juntar-nos à Pratica de Montação
e desse modo o Paulo Barbeto será o narrador de trechos de Diário da Piscina,
entre uma música e outra. Ontem, ensaiamos apenas a parte musical, com a
presença das meninas (Madame Liza e Lucía Santalices) e foram muito lindas as
grinaldas, as chamas, as estradas, as marolas e ondas que se abriram com as
músicas.
Sentindo-me meio doido.
sábado, julho 28, 2018
Nos finais de semana fico mais
alegre, não tem bactrim. Não há perigo em se dizer alegre, mas também não há
alegria exatamente. Me perdoe. Isso me lembra um vídeo que vi, passando por
aqui, pela internet, em que um mestre falava de amor, que é preciso se abrir
para o amor, um amor universal, que abrange desde os cabelos até à ponta dos
pés. Eu sempre fico com um pouco de raiva desses mestres sabichões. Me perdoe.
Mas ele tinha dois discípulos posicionados um tanto abaixo e atrás de si, um
homem e uma mulher mais jovens. E o que, no final, entendi do que ele dizia,
era que o amor deve ser o universo em que estamos, no nosso corpo, em nós e pra
nós. E que a partir daí, o amor se expandiria pra o infinito de nosso entorno,
pras outras pessoas e tudo. E os dois jovens atrás e abaixo dele, tinham na
fisionomia amorosa deles, o exemplo disso, do que ele estava dizendo e que eu
repito aqui no blog azul, o amor.
Além das coisas que ele dizia, esses
dois jovens atrás e abaixo dele, chamaram a minha atenção demais. Porque
diferente do velho mestre que expunha as idéias de amor, eles não tinham
pensamento, tinham em suas fisionomias apenas amor. O velho mestre não tinha.
Tinha o pensamento. Assim como eu não tenho alegria, exatamente, sem bactrim
nos fins de semana. Na verdade, não tenho nada, estou escrevendo aqui. Te love.
sexta-feira, julho 27, 2018
"Já em termos de Brasil, vale destacar a obra do escritor Luis Capucho e o espetáculo teatral Boa Sorte, em processo de criação pelo diretor goiano Gabriel Estrela".
CARIRIREVISTA.COM.BR
As respostas à epidemia da AIDS não podem ser entendidas fora do campo da discursividade. A síndrome surgiu atravessada pelos meios de comunicação que criavam sujeitos e estigmas. Foi assim que a imprensa a denominou inicialmente como Gay-Related Imunodeficience – GRID (Imunodeficiência rela...
Então, acho que é isso. Eu bebo
um pouco de água filtrada e tento sentir, visualizando, o seu percurso, depois de
engolir. Também fiz isso pela manhã, tentei visualizar o percurso dos remédios
depois de engolidos. Então, há muita coisa acontecendo comigo de que não
consigo fazer idéia. Isso volta ao que meu amigo de escola disse aquela vez, de
que há questões que precisamos esquecer. Eu tenho de beber a água e beber os
remédios e esquecer. Foi.
quinta-feira, julho 26, 2018
Ainda falando do assunto de ontem, de acordar no meio da
noite com a impressão de que posso controlar o movimeto de meu sangue através
da força e da velocidade em que respiro e que isso, o controle do ritmo que
estou na cama, no mundo, na vida, é a minha plataforma, a estação onde recebo
as vibrações que adentram o apezinho, e de onde partem todos os meus movimentos,
os que eu vejo e os que eu não vejo, todas as minhas intenções, as visíveis e
as invisíveis, e resumindo, enfim, todo o assunto, essa é a minha posição, não há mais nada.
quarta-feira, julho 25, 2018
Continuando e idéia de uma
direção pra que se olhe e o seu imbróglio, a idéia de que tenho e estou numa
posição, tenho acordado no meio da noite pensando se posso ter algum controle
de meu pulso, se posso intensificá-lo ou não, considerando a força e o tempo do
modo como decido respirar. E se posso manter uma posição, apenas por esse
motivo, o de respirar.
Isso me lembra fantasias de não
falar, de ficar parado sentado num boteco bebendo e não falar. A fantasia de
falar apenas por escrito e que respirar não tenha a função de motor para as
palavras faladas, que seja motor para outro movimento, o movimento mais
tranquilo e forte, pouco etéreo, de meu pulso, apenas, de meu sangue.
segunda-feira, julho 23, 2018
Continuando a estória do post
passado, a história de sermos burros ou de sermos incapazes de viver as
situações sem colocarmos nelas o nosso drama, às vezes, aqui no apezinho, já
faz um tempo, tenho pensado encontrar um lugar parado, um lugar suspenso, a partir
do qual eu possa seguir para qualquer direção ou onde eu possa apenas ficar
contemplando, no lugar, com visão panorâmica de todas as direções. Um lugar que
me dê uma posição, no caos de todas as outras posições.
È muito difícil, ao mesmo tempo,
falar dessa posição no caos das outras, porque ela fica perdida. Ao mesmo tempo
em que firme, apenas por se manter, concentrar-se em si mesma, sem saber mais
nada. E a partir daí, saber se relacionar no imbróglio da direção pra que se
decida olhar.
domingo, julho 22, 2018
Tem
umas coisas que parecem importantes demais pra gente e que, nem por isso,
acontecem ou dão certo. Tenho dúvida se realmente são importantes, quando não
acontecem. Estou tentando, nesse momento, me lembrar de uma coisa dessas que pareciam
muito importantes, mas que não tenham acontecido comigo muito antigamente. Pra
ver como lidei com elas e ver também como se resolveram ou se tudo é sempre
como um amigo de escola me disse uma vez, que as coisas que pareciam ser as nossas
grandes questões adolescentes nunca iriam ser resolvidas, nós é que nos
esqueceríamos delas, não lhes daríamos mais a importância que tinham.
E
não gostaria de esquecer dessas coisas que parecem ser importantes pra mim, mas
meu antigo amigo, talvez, estivesse com razão. Será mais prudente e sensato
esquecer. E que não sejam dramas pra mim. Ao mesmo tempo em que vou tentando me
salvar nas coisas que acontecem bem, naquelas coisas que dão certo, como, por
exemplo, restaurar aquilo que é reparável, como um dente quebrado, podre ao
meio, que, hoje, tenho encapado em platina, e que, coisa importante, não se
perdeu no esquecimento. Se reconstituiu como um amor daqueles que nós
reencontramos depois de esquecidos e que renasceram, porque sempre estiveram
vivos na raiz. Porque precisamos deles e são importantes vivos, por isso.
Enfim,
sejamos burros!
sexta-feira, julho 20, 2018
Aconteceu uma coisa muito linda, inesperada. A revista
Amarello, feita no centro de São Paulo, tem na sua última edição o tema,
arquivo. E tem entre as matérias, uma muito interessante intitulada Manifesto
dos Museus que relaciona a literatura com eles e, aí, acho que entro no link
com o acontecimento lindo e inesperado.
Já contei aqui no blog da vez em que fizemos ( eu e Vitor
Wutzki) o De Casa em Casa no Marcio e que o Edil levou cartas antigas que lhe
mandei para ler entre as músicas. Depois, ele repetiu as leituras no Nahum e no
Bruno.
Hoje recebi pelo correio a Amarello, com seis dessas cartas
publicadas.
Vejam:
quarta-feira, julho 18, 2018
È possível que haja algum médico
desses que me atenderam por todos esses anos, um ou dois, que tenha sido
verdadeiramente meu aliado. A vida de uma pessoa é interessante demais, pra que
ela se volte pra vida da outra pessoa, assim, pra que ela faça o mais que
melhor, porque é disso que eu tou falando e é disso que eu preciso. Então, cada
um na sua!
No início, tomar os meus
remédios, me prostravam demais. Sempre fui um sujeito mais parado, mais
contemplativo e com eles era como se fosse surrado todos os dias, todos os dias
baleado, todo dia um pouco mais abatido, derrotado. Aí, quando no ano 2000
comecei a nadar, fui retomando a força, porque nadar deixa a gente mais forte.
Hoje é o último dia da dose mais
alta de Bactrim. A partir de amanhã, cai pra mais da metade a dose que tenho de
tomar. O olho continua igual, não melhorou nem piorou. Ainda há a
possibilidade, mas não fiquei caolho. E isso de agora diminuir o antibiótico, me
deixa menos amuado, porque ter aumentado tanto remédio assim, na minha dieta
deles, foi foda, um baque pra mim. Devo tomar, conforme entendi, essa dose
menor de remédio, enquanto meu metabolismo suportar. Que é pra evitar que a
inflamação volte.
Estou tomando a quantidade de
remédios que mamãe começou a tomar, quando ficou mais velhinha. Não comecei com
isso, agora. As montanhas de remédios que preciso subir e descer, ora são
maiores, ora menores. E já faz mais de vinte anos que tou atravessando esse
planalto. Já faz um tempo tenho pensado nos efeitos ruins que tantos anos de
remédios estão deixando em minhas vísceras. Imagino que elas devam se cansar,
envelhecer mais rápido do que envelheceriam e se cansariam se eu não tivesse
que tomar os remédios.
Eu sei que eu tou envelhecendo.
terça-feira, julho 17, 2018
Eu me lembro que me mamãe se
aprontava para ir ao médico de um jeito como se fosse à missa, falar com Deus.
Sempre implicava com ela, por isso, mas porque os médicos ficam nessa posição
entre a nossa vida e morte, meio que se aproximam mesmo de Deus e deve ser por
isso que a maioria deles seja erradamente empafiosa. E criam distância da
gente, a estrutura como se desnrolam as consultas, favorece a distância e os
mantém protegidos e tudo.
E me deixou bem frustrado ver que
a médica que está vendo o funcionamento de meu rim, em minha última consulta a
ela, tenha sido sizuda e nada interessada nos meus dados laboratoriais que já
estavam no sistema. Ela me disse que não adiantaria olhar, sem que já estivesse
no mesmo sistema, os dados da ultrassonografia que estou ainda para fazer, mas
esse nem é o caso, porque ela estava diferente das outras consultas,
principalmente, das consultas em que havia médicos assistentes e que ela se
mostrara amigável, interessada, aliada a mim, seu paciente.
A médica que cuida de meu olho e
que também se mostra aliada, em nenhuma consulta se mostrou diferente disso e
nunca houve uma consulta que me decepcionasse. Não é um amor, assim, não há
nenhum desejo de aproximação, a gente sempre irá continuar sem qualquer vínculo
pessoal. Mas é que tem uma atenção total no meu olho, ali naquele momento que a
gente fica junto na sala dela. Também é assim o médico que vê meu coração, o
que vê minhas outras víceras e a infectologista.
Fora isso, Deus me livre de
todos!
sexta-feira, julho 13, 2018
Tenho gostado muito de fazer as
transcrições dos audios do programa Escuta, em que Rafael Julião entrevista
compositores da cena contemporânea brasileira, ao mesmo tempo em que escutam,
numa sala, o disco deles, um por mês. Porque além de ser gostoso reproduzir no
papel as coisas que são faladas e nisso essas coisas vão ganhando uma dimensão
mais difusa, no silêncio do meu Word, também vou me situando no meio dessas
coisas, que na verdade, sempre estão a meu lado.
Além de fazer a transcrição de
minha própria entrevista, já transcrevi as entrevitas do Sylvio Fraga, Vovô
Bebê, Mari Romano, Bruno Cosentino, Juliana Perdigão, Daniel Medina e, agora,
do Paulinho Tó. Eu aprendo bastante coisas com os entrevistados e com o
entrevistador. O Rafael sempre pergunta aos compositores se sentem fazer parte
de uma geração de artistas e meio que isso não se define bem e mesmo eu que
tenho acompanhado em modo-transcritor tantas entrevistas, também não consigo me
decidir. Talvez, ele, o Rafael, deva ser entrevistado alguma vez, para que
possa nos dar a sua visão do conjunto.
Fora isso, meu corpo vai, aos
poucos, se normalizando com o uso prolongado e cavalar de Bactrim, pois, hoje,
meu cocô tava normal. Essa dose mais alta dele termina em 5 dias. Depois, com a
dosagem menor, devo normalizar o intestino e também o estômago, que tem doído
um pouco. Compramos uns chás e isso parece ser bom. Também presto atenção na
alimentação. É preciso atenção!
quarta-feira, julho 11, 2018
Acho dificílimo falar de mim
mesmo, desse ponto nessa posição e altura do universo em que estou. Imagina,
falar outra coisa é quase impossível pra mim.
Daqui a 7 dias, acaba a primeira
fase do tratamento da uveíte. Depois, serão mais dois anos de bactrim, mas numa
dosagem menor. Tanto remédio assim e não ter como me safar deles, me deixou
triste, preocupado, com a perspectiva de ficar um velho caolho e com os órgão
internos, que metabolizam as drogas, baleados, mais baleados que os de todos os
velhos. Talvez, eu nem chegue a ser velho, velhinho, mas já que cheguei até
aqui, acho que vou um pouco mais, sim.
Na verdade, gostaria de me
abstrair disso, de mim, e prestar atenção n’outras coisas e tudo. Embora eu
saiba que isso aqui, falar, por exemplo, de meu rim possivelmente baleado, seja
uma abstração também. Isso que transformo em palavras, em assunto, aqui no
blog, não sou eu na verdade. Eu mesmo sou um ponto qualquer perdido na cabala
de minha cabeça, na sua mandala. Então, eu tou conduzindo o post, agora, por
esse fio. Mas poderia pegar outro da mesma meada e que tivesse um outro jeito,
outro modo, cor e feitio de abstração, se liga.
Pode ser também, que eu não tenha
ficado mais triste por conta de saber que preciso ficar tomando os remédios,
mas que triste é um efeito deles. E, nesse caso, me refiro a fazer menos cocô
que o habitual, ter dor no estômago, peidar demais e ir ficando mais gordo
também.
terça-feira, julho 10, 2018
Já reparei que na Fiocruz, quando
há aqueles médicos assistentes ou estagiários acompanhando as consultas, somos
bem melhores atendidos pelos médicos que estão à frente dela e que são os que
nos acompanham no tratamento. E hoje fiquei bem decepcionado, porque a última
vez que tinha sido atendido pela nefrologista, tinha sido tão simpático e
eloquente, a médica se mostrou realmente interessada e tudo. Mas, hojhe, que
ela tava sozinha, sem um assistente, foi monossilábica e ríspida. Nem olhou
meus exames, remarcou a consulta. Que coisa!
segunda-feira, julho 09, 2018
Vi dois vídeos em que o Gilberto Gil falava sobre a prisão
do Lula. Me pareceu que o segundo vídeo, tentava consertar o primeiro, mas os
dois deixaram dúvidas, eram confusos quanto a ele confiar ou não confiar no
presidente. Independente disso, disse que Lula deve estar livre. E também acho
isso, pois Lula é camarada. Ele está sentado a nossa direita.
Fora isso, tomar leite quente com
um pouco de açúcar é uma coisa muito gostosa. Com os remédios e a dor no
estômago que eles têm me causado, outro dia acordei com essa vontade de tomar
leite. Devo ter pensando, durante o sono, que isso seria bom. Passou um tempo e
comprei o leite. Estou tomando, agora.
sábado, julho 07, 2018
Inferno, na Travessa
Já coloquei várias Infernos no
You Tube e a primeira delas que coloquei, tocando com o Ricardo Gilly, é uma
gravação feita logo que fiz a música, com voz monocórdia e gravíssima e violão
espancado. Mas o You Tube tirou ela de lá, porque tinha colocado ela com uma
foto do Mapplerthorpe, de um cara com seu caralho pra fora do terno. Isso é
engraçado, porque sem que eu me lembrasse disso, tenho pensado nessa música, ao
invés de um caralho, junto de uma buceta. E fico pensando que os sentidos
disso, todos se aproximam.
You Tube e a primeira delas que coloquei, tocando com o Ricardo Gilly, é uma
gravação feita logo que fiz a música, com voz monocórdia e gravíssima e violão
espancado. Mas o You Tube tirou ela de lá, porque tinha colocado ela com uma
foto do Mapplerthorpe, de um cara com seu caralho pra fora do terno. Isso é
engraçado, porque sem que eu me lembrasse disso, tenho pensado nessa música, ao
invés de um caralho, junto de uma buceta. E fico pensando que os sentidos
disso, todos se aproximam.
Agora, expliquei como apareceu a
Inferno, a primeira das músicas que fiz, logo que consegui voltar a tocar o
violão. A primeira vez em que gostei demais dela, foi no De Casa em Casa na
varanda do Alexandre, no baixo do Vitor Wutzki e na bateria-mirim do Felipe
Abou, que Pedro também filmou no celular e que, no fim, tem um riso da Gabee
satânico total, de prazer, aqui: https://youtu.be/ysXPRgHnDaQ
Inferno, a primeira das músicas que fiz, logo que consegui voltar a tocar o
violão. A primeira vez em que gostei demais dela, foi no De Casa em Casa na
varanda do Alexandre, no baixo do Vitor Wutzki e na bateria-mirim do Felipe
Abou, que Pedro também filmou no celular e que, no fim, tem um riso da Gabee
satânico total, de prazer, aqui: https://youtu.be/ysXPRgHnDaQ
Num outro De Casa em Casa que
Pedro filmou, no quintal do Bruno, foi o Edil quem encarnou, no final d’A
Masculinidade, o riso da Gabee que me deixou feliz, aqui: https://youtu.be/_yjn5spwtrU
Pedro filmou, no quintal do Bruno, foi o Edil quem encarnou, no final d’A
Masculinidade, o riso da Gabee que me deixou feliz, aqui: https://youtu.be/_yjn5spwtrU
Na
Travessa, no lançamentos de livros da Azougue, é o baixo do Lucas Parente e ela
ganhou referências da música brega que acho que o diabo da Gabee e do Edil
também iriam gostar, como eu.
Travessa, no lançamentos de livros da Azougue, é o baixo do Lucas Parente e ela
ganhou referências da música brega que acho que o diabo da Gabee e do Edil
também iriam gostar, como eu.
Vejam:
Essa maleta com duas de minh’As
Vizinhas de Trás, já faz um tempo, tenho usado-a para levar livros e discos e
meu capodastro e roteiro e tudo o mais, para os shows. Também, termino por
tê-la como parte do cenário. Ela já ta velhinha, perdeu a dobradiça e fiz uma
gambiarra. Vamos consertá-la direitinho.
No Show da Travessa de Botafogo,
para o lançamento dos livros da Editora Azougue, amigos fizeram fotos, como se
ela fosse melancia, ou Árvore de Natal ou lata d’água.
Vejam:
quinta-feira, julho 05, 2018
Vieram os rapazes e falavam castelhano. Estavam de shorte e
estávamos num alto de precipício, o precipício na beira da praia. Talvez,
houvesse um shorte amarelo, um shorte vermelho. O mar sem cor. Aí, o primeiro
deles pulou do precipício muito alto. Eu gritei que era raso, mas ele já tinha
pulado de cabeça. Os outros pegaram distância para pular. O primeiro rapaz
tinha caído de cabeça, onde as ondas batem. Depois, eu vi o corpo dele vir à
tona, mais pra dentro do mar, boiando, torto. Ele mexia debilmente as mãos. Uma
tensão estranha, onde a cabeça se prende no corpo, no pescoço. Imagem de horror,
quando acordei na madrugada.
terça-feira, julho 03, 2018
Eu tenho pensado nos remédios que
preciso tomar, como o que vai me enfraquecendo aos poucos, eles vão me
fragilizando a energia e penso nisso, porque me lembro de mamãe em seu leito de
morte, no hospital. Porque eu via que os remédios que os médicos davam pra ela,
foi o que acelerou sua morte. Quanto mais remédios davam, mais ela se
enfraquecia. E, aí, eu já vinha pensando há um tempo em falar com a médica e
ver um jeito de amortecer os efeitos e tal. Mas com o lance da recidiva da
uveíte, a médica me disse, ontem, que terminarei de descer a montanha de
remédios pra o olho, em dois anos. Que é pra tentar conter a toxoplasmose.
Fora isso, continuo atento à
serpente de minha coluna, atrás, na lombar. Porque há instantes em que sinto
que os venenos se soltam, uma vértebra de afasta da outra com um estalinho
surdo, de bola de sabão pocando. Também, estou atento ao jeito exagerado, quase
venenoso como minha cabeça se prende ao pescoço e tronco, havendo veneno também
onde meus braços se penduram, nas articulações dele, nos ombros.
Com os remédios novos, tenho
dado muitos peidos.
Foto do leonardo Marona:
segunda-feira, julho 02, 2018
A vida é livre - no Poetas de Dois Mundos
No final da década de 70, não me
lembro bem quando, na verdade, mas era um tempo em que os compositores do
nordeste enchiam os teatros aqui em Nikity City. E fui assistir a um show de
Lula Queiroga com Tadeu Mathias, no Sesc Niterói. E, aí, nunca me esqueci de um
verso da letra de uma das músicas que o Tadeu cantou. Ele cantou dentro da
letra “voa livre ave, voa livre ave, voa livre ave” e nunca mais me esqueci
disso.
lembro bem quando, na verdade, mas era um tempo em que os compositores do
nordeste enchiam os teatros aqui em Nikity City. E fui assistir a um show de
Lula Queiroga com Tadeu Mathias, no Sesc Niterói. E, aí, nunca me esqueci de um
verso da letra de uma das músicas que o Tadeu cantou. Ele cantou dentro da
letra “voa livre ave, voa livre ave, voa livre ave” e nunca mais me esqueci
disso.
No ano 2000/2001, enquanto
registrava minhas aulas da natação para recuperação de minha motricidade,
coordenação motora e equilíbrio, em 21 de junho de 2000, escrevi:
registrava minhas aulas da natação para recuperação de minha motricidade,
coordenação motora e equilíbrio, em 21 de junho de 2000, escrevi:
“... Pular na piscina significa ficar muito tempo, durante o
pulo, sem apoio do chão nos pés, e tenho medo. Ainda que, ao passar de ônibus
pela praia, olhando para o ritmo das ondas que se empurram para a areia, sinto
que forcem a paisagem para o alto e que, por isso, a própria cidade voe, tenho
medo. Quer dizer, embora sabendo que a cidade em si seja uma cidade voadora,
preciso de meus pés no chão. Mesmo que na água da piscina eu voe também...”
pulo, sem apoio do chão nos pés, e tenho medo. Ainda que, ao passar de ônibus
pela praia, olhando para o ritmo das ondas que se empurram para a areia, sinto
que forcem a paisagem para o alto e que, por isso, a própria cidade voe, tenho
medo. Quer dizer, embora sabendo que a cidade em si seja uma cidade voadora,
preciso de meus pés no chão. Mesmo que na água da piscina eu voe também...”
Fiz A Vida é Livre pensando em “voa livre
ave”, mas fiz nessa época dos registros do Diário da Piscina(É selo de língua -
editora É/2017) e colocamos essa música no disco Lua Singela.
ave”, mas fiz nessa época dos registros do Diário da Piscina(É selo de língua -
editora É/2017) e colocamos essa música no disco Lua Singela.
O medo resolvido, vejam:
domingo, julho 01, 2018
Enfim, comecei a descer a
montanha de remédios para o olho esquerdo. Isso vai durar até o dia 18 e, junto
aos outros remédios, tenho tido dor no estômago, na madrugada e agora, às
quatro da tarde.
E o olho não melhorou nem piorou.
Tem uma posição que, às vezes,
encontro logo de manhã, quando, depois do café, me sento aqui na mesa do
computer. Uma posição que me faz soltar as vértebras da serpente de minha
coluna, ali, onde dói, na região lombar. Imagino que sejam os venenos que se
libertam, mais ou menos, como o correr da serpente desse parágrafo que faço,
agora.
Tinha pensado, ao reler isso que
falei antes, em venenos, como demônios. Também na relação disso com os
antibióticos, que matam coisas vivas para sempre menores dentro de mim. Coisas
infinitamente menores dentro de mim agindo a minha revelia.
Eu gostei muito das fotos que o
Pedro tirou na Travessa de Botafogo, na frente dos livros, na apresentação para
os lançamentos da Editora Azougue.
Vou mostrar essas:
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